sábado, 12 de fevereiro de 2022

Comentário Bíblico Mensal: Fevereiro/2022 - Capítulo 2 - O Cristão e o Relacionamento Familiar

 




Comentarista: Matheus Gonçalves



Texto Bíblico Base Semanal: Atos 16.23-34


23. E, havendo-lhes dado muitos açoites, os lançaram na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança.

24. O qual, tendo recebido tal ordem, os lançou no cárcere interior, e lhes segurou os pés no tronco.

25. E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam.

26. E de repente sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos.

27. E, acordando o carcereiro, e vendo abertas as portas da prisão, tirou a espada, e quis matar-se, cuidando que os presos já tinham fugido.

28. Mas Paulo clamou com grande voz, dizendo: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos.

29. E, pedindo luz, saltou dentro e, todo trêmulo, se prostrou ante Paulo e Silas.

30. E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?

31. E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa.

32. E lhe pregavam a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa.

33. E, tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os vergões; e logo foi batizado, ele e todos os seus.

34. E, levando-os à sua casa, lhes pôs a mesa; e, na sua crença em Deus, alegrou-se com toda a sua casa.

Momento Interação

Cuidar da família é um dever de todo cristão. O estudo bíblico mostra claramente que a família é uma unidade social instituída pelo próprio Deus. É absolutamente correta aquela conhecida frase que diz que a família é projeto de Deus. Muitos cristãos caem no terrível erro de negligenciar suas responsabilidades familiares; e com isso falham em perceber que Deus também os chamou para cuidarem de suas famílias. Se há um tema que merece toda atenção por parte da Igreja, esse tema é a família. O cuidado com a família precisa ser uma disciplina constantemente tratada nas comunidades cristãs. É preciso estudar e entender o que é a família à luz da Bíblia; é preciso que haja mais pregações sobre a família de acordo com os princípios de Deus; é preciso que os cristãos sejam ensinados e treinados sobre como ser bons mordomos de suas famílias. Ter famílias equilibradas e bem estruturas não é apenas essencial para que se tenha uma sociedade geral mais consistente; mas também para que se tenham igrejas mais sadias e sólidas.

Introdução

Há uma crise moral e familiar em todos os níveis da sociedade. Isso dificulta falar sobre relacionamentos familiares. São muitos os problemas, diversos os pensamentos, pequenas as soluções e diminutos os interessados em uma melhoria. Isso porque cada um parece estar buscando seus interesses pessoais sem contemplar a família. Vários tipos de relacionamentos envolvem e disputam atenção com a família. Então o que fazer? O autor do Salmo 128 descreve a convivência de uma família abençoada por Deus. Isso nos inspira a buscar neste salmo algumas respostas para os relacionamentos. Muitas famílias são cercadas de pessoas, atividades e conforto e não encontram tempo para buscar a Deus. Quantas festas de Natal, Páscoa e outras que passam sem uma oração sequer. Parece que Deus nem foi convidado. Existem famílias que só se reúnem para falar de Deus quando estão num velório. A família vai bem quando busca direcionar suas decisões e planos de acordo com a vontade de Deus, através da oração familiar e aprendizado conjunto da Palavra.

A bênção de Deus é para “todas as famílias da terra” (Gn 12.3) e a família do cristão é abençoada pela fé nesta promessa. Orar juntos, ir à Igreja e viver na presença de Deus são formas de cultivar sua vida espiritual em família. Precisamos buscar os caminhos e os pensamentos de Deus, que são mais altos que os nossos (Is 55.8,9) para não cair nas vaidades do mundo e “buscai ao Senhor enquanto se pode achar” (Is 55.6). O salmista destaca o interior da casa como uma área importante do relacionamento familiar. A família foi criada por Deus. O Senhor Jesus Cristo veio viver em família e priorizou o lar até os 30 anos. Andou por muitos lugares onde Ele se encontrava com as pessoas, mas o lugar que mais frequentou foi a casa, o ambiente familiar das pessoas. Ensinou que o relacionamento com Deus deve ser tão íntimo e intenso como o de pai e filho.

A casa, o lugar onde todos passam horas e horas juntas, tem perdido o seu valor principalmente nos grandes centros urbanos. Não há mais privacidade no lar, por falta de espaço, pela poluição sonora e vários outros fatores. Em muitas famílias a casa tem sido “visitada” pelos familiares que não têm tempo de estar em casa e isso atrapalha a convivência, porque é dentro de casa que se faz intimidade, que descansamos, alimentamos, onde podemos ter privacidade e encontrarmos com as pessoas que podemos confiar. É importante priorizar estar em casa com a família. A falta de autocontrole sobre o aparelho de televisão tem impedido muitas famílias de terem momentos de descontração e bate-papo, pois passam a maior parte do pouco tempo que têm para estarem juntos, assistindo TV e o pouco que conversar é sobre a programação que toma a atenção de todos.

I. A Família como Núcleo de União

Os relacionamentos familiares são os mais desafiadores, pois, no lar, as características de cada um são reveladas de forma transparente. Para manter uma relação saudável, é preciso buscar o equilíbrio entre família e Deus. Não é sem propósito que Deus organizou sua criação em família desde a formação do mundo, com a finalidade de gerar segurança, proteção e demonstrar o amor a todas as pessoas. Sabemos que relacionamentos saudáveis são essenciais quando tratamos da família, pois é nesse ambiente em que podemos aprender a amar como Jesus nos amou. Contudo, nem sempre é fácil desenvolver hábitos de convivência que levam à harmonia familiar. Por isso, neste post, você vai conhecer algumas dicas para tornar seus relacionamentos mais saudáveis e equilibrar a união entre família e Deus de maneira prática no seu dia a dia.

No trabalho, na academia ou na fila do supermercado demonstrar respeito é natural, pois indica educação e postura correta. No convívio familiar, quando estamos cansados pela sobrecarregada do trabalho, por horas de ônibus ou pelas tarefas domésticas, a oportunidade se abre para agirmos com desrespeito. Por isso, é essencial desempenhar o respeito mútuo dentro do lar e ensinar aos filhos, com atitudes e palavras, a importância desse hábito. O respeito reconhece o outro como um indivíduo que tem valor e comunica o quanto estamos decididos a enfrentar os conflitos com a ajuda e seguindo os valores de Deus. Se existe algo primordial para crescer no relacionamento de forma saudável, é a habilidade de perdoar: tanto a de perdoar o outro quanto a de se sentir perdoado. Na Palavra de Deus, encontramos claramente recomendações sobre o perdão.

Em Marcos 11.25, temos a seguinte afirmação: “E sempre que estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas”.  Quando família e Deus andam juntos, o perdão é presente e visível. Por isso, decida exercitá-lo e procure ensinar essa prática dentro do lar com suas palavras e ações, lembrando que, em primeiro lugar, o Senhor nos perdoou. Assim como o perdão, a generosidade deve se tornar um hábito familiar. Cada membro deve decidir agir intencionalmente para o bem do outro. Ser generoso é fazer com que suas atitudes transmitam amor e bondade. A generosidade é uma virtude que não espera nada em troca. É quando a pessoa se doa ou doa algo sem interesse pelo retorno.

Isso tem a ver com o que encontramos em 1 João 3.16-18: “Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade”. Não há como promover a felicidade sem que Jesus seja a base do relacionamento. Por isso, para tornar o ambiente do seu lar feliz, é preciso praticar algumas virtudes ensinadas por Deus. A felicidade familiar não se alcança por mérito próprio, mas é fruto de um esforço conjunto para fazer com que a família e Deus se relacionem diariamente. Para isso, é preciso andar em bondade e honestidade, a fim de que os membros da família se sintam amados e acolhidos. Na Bíblia, existem versículos sobre a importância do relacionamento familiar que afirmam que somos a família de Deus, como está em Efésios 1.5,6: “Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado”.

II. A Família Unida pela Palavra de Deus

os tipos de relacionamentos que estamos cobrindo nesta série, familiares é o único que não temos uma escolha, ou seja, Deus não nos dá a opção de escolhermos quem são os nossos pais, filhos, irmão, tios, primos, etc. Esta é uma escolha que Deus reserva para si e possui uma razão de ser que está além da nossa compreensão. Sim, não sabemos o porquê que a alguns cristãos são dadas excelentes famílias, onde todos ou quase todos também são cristãos e onde o amor e a harmonia reinam. Minha esposa e eu conhecemos famílias assim. Por outro lado, também conhecemos casos em que dentro de uma grande casa existe apenas um servo de Deus. Eu mesmo, por muitos anos fui o único da minha família que se importava em servir ao Senhor. Depois de um tempo uns poucos seguiram o meu exemplo e também começaram a adorar a Deus. Infelizmente, no entanto, ainda tenho muitos parentes que não se interessam pela vida eterna e continuam apaixonados pelo mundo atual. Para estes, o meu testemunho de vida não tem nenhum valor, preferindo eles seguirem o caminho da grande maioria que trocou a vida eterna no céu por uns poucos anos de prazeres mundanos aqui na terra.

Quando se trata de salvação, cada pessoa adulta responderá por si perante Deus. Jamais devemos permitir que a preocupação com os nossos familiares interfira no nosso relacionamento com o Senhor. Isso foi o que Jesus quis dizer quando alguém expressou a vontade de segui-lo, mas argumentou que precisava de um tempo para resolver a situação do falecimento (já ocorrido ou prestes a ocorrer) do seu pai: “Deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus” (Lc 9.60). Obviamente, com essas palavras Jesus não nos ensina que devemos negligenciar os nossos pais, pois Ele mesmo fez questão de providenciar que um dos seus apóstolos cuidasse da sua mãe na sua falta (Jo 19.27). Sem mencionar o claro mandamento de que devemos honrar pai e mãe (Êx 20.12; Ef 6.2).

Estudar sobre o valor da família é de muita importância para nós, pois, de uma forma ou de outra, nascemos numa família. Com exceção daqueles que são fruto da marginalidade, cada um de nós vem de uma família, seja pobre ou rica, desconhecida ou famosa, pequena ou grande, evangélica ou não. A família é a base de nossa vivência. Dela nascemos e dela dependemos na maior parte da existência. Isso é plano de Deus. Meditemos um pouco sobre o assunto. O homem, na sua origem, talvez não criasse a família. Não saberia como fazê-lo. Depois da Queda, podemos ter certeza de que o homem jamais buscaria criar uma organização que haveria de lhe impor limites e regras de convivência, contrariando seus instintos pecaminosos e egoístas. Deus só fez uma mulher para o homem e, mesmo assim, há uma tendência à poligamia ou ao adultério masculino e feminino.
 
III. A Comunicação na Família

Todos os males da sociedade, sejam financeiros, políticos, trabalhistas, escolares ou religiosos têm a sua origem no coração do homem. Sabemos como é o coração do homem (Jr 17.9; Rm 3.10-23). A instituição que Deus estabeleceu, ainda no jardim do Éden, que ajuntou duas pessoas em maneiras especificas para ser uma unidade é o que chamamos de família. O ambiente que é formado pelo amor exercitado entre todos da família cria o que chamamos de “o lar”. O lar tem suma importância na vida humana pois é o berço de costumes, hábitos, caráter, crenças e morais de cada ser humano, seja no contexto mundial, nacional, municipal ou familiar. Então, podemos dizer, como vai o lar vai o mundo, e também, o que é bom para a família é bom para o mundo. Reconhecendo a existência e influência do pecado, sabemos que todos os lares não estão operando com as mesmas regras e propósitos com os quais um lar cristão opera. Aprender o que a Bíblia ensina sobre o assunto do lar é uma garantia que atingiremos o alvo o que Deus tem para nós na relação de família.

Segundo o Dicionário Aurélio Eletrônico: comunicação é o ato ou efeito de comunicar (-se), que é de emitir, transmitir e receber mensagens. É a capacidade de trocar ou discutir ideias, de dialogar, de conversar, com vista ao bom entendimento entre pessoas. A comunicação social, próprias dos seres humanos, é baseada em sistemas de signos em oposição à comunicação baseado em sistemas de instruções ou comandos, como a se faz entre animais ou máquinas. Qualquer tentativa de fazer saber ou tornar comum algo é de comunicar-se. Comunicação tem como objetivo de travar ou manter entendimento. É de ligar ou unir por exposição oral (Novo Dicionário Aurélio, 1ª edição). Vendo essas definições, podemos concluir que comunicação é o ato de uma pessoa relatando à uma outra as suas ideias, sentimentos, crenças, sugestões ou ordens. Mesmo que se transmite sentimentos, a comunicação não é sentimentos em expressão, mas palavras expressando sentimentos. Geralmente, no contexto familiar, os problemas na comunicação centram no erro que comunicação é um diálogo de emoções. Não é. Comunicação é um dialogo de palavras que expressam as emoções.

O que é no coração logo acha expressão pela boca. Meditações banais, alimentação visual de programas menos virtuosos pela televisão e amigos com boca suja enchendo os nossos ouvidos de palavras torpes logo influenciam-nos de comunicar-nos com hábitos sujos. Sinais visuais bem como expressões faciais e sinais do corpo tornam parte de uma comunicação com hábitos sujos tanto quanto a falar de palavras torpes (Pv 6.12-14). Antes de Paulo nos instruir de despojar-nos de ira, da cólera, da malícia, da maledicência e das palavras torpes da vossa boca, ele nos exorta de pensar nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra (Cl 3.2,8). Então no básico, é necessário ter pensamentos altos bem como tudo que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável e de boa fama (Fp  4.8). E isto ele fala à igreja em Colossos tanto quanto em Éfeso dizendo que não deve sair nenhuma palavra torpe da nossa boca, !mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem? (Ef 4.29). “Faça-se tudo para edificação” (1 Co 14.26). Lembre-se da instrução de Filipenses 2:14, “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas.” 

“Como é que com a mesma língua bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus? De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim” (Tg 3.9,10). Para quebrar hábitos ruins de conversação é necessário mudar os pensamentos primeiro. Algumas dicas seguem: Agradeça a Deus constantemente, memorize versículos da Bíblia, cante hinos no coração e leva “cativo todo o entendimento à obediência de Cristo” (2 Co 10.5). Assim a mente será melhor preparada para ter uma palavra “sempre agradável, temperada com sal” e você pode ser sábio para responder a cada um como convém (Cl 4.6).

Conclusão

A família é uma instituição divina. Ela é tão importante, que foi criada antes da Igreja, antes do Estado, antes da nação. Deus não fez o homem para viver na solidão. Quando acabou de criar o homem, Adão, o Senhor disse: "Não é bom que o homem esteja só. Far-lhe-ei uma adjutora, que esteja como diante dele" (Gn 2.18). Deus tinha em mente a constituição da família, mas esta não está completa só com o casal. Por isso, o Senhor previu a procriação, dizendo: "Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra (Gn 1.27-28). Fica mais clara a origem da família, quando lemos: "Portanto, deixará o homem seu pai e e sua mãe e se unirá à sua mulher e serão ambos uma só carne" (Gn 2.24). "O homem" aí é o filho, nascido de pai e mãe. Deus fez a família para que o homem não vivesse na solidão (Sl 68.6; 113.9). Por ser de origem divina, o inimigo tem atacado a família de maneira implacável. As tentações aos pais de família, principalmente na área do sexo e do mau relacionamento com os filhos tem sido constante; os ataques aos filhos, lançando-os contra os pais; dos pais contra os filhos; o problema das drogas, do sexo ilícito, da pornografia, de outros vícios, do homossexualismo.

Recomendação de Leitura da Semana: ROGÉRIO, Marcos. Família Cristã. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.


sábado, 5 de fevereiro de 2022

Comentário Bíblico Mensal: Fevereiro/2022 - Capítulo 1 - O Cristão e os Relacionamentos




Comentarista: Matheus Gonçalves



Texto Bíblico Base Semanal: 1 Pedro 2.11-17


11. Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma;

12. Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem.

13. Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior;
14. Quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem.

15. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos;

16. Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus.

17. Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao rei.



Momento Interação

Em seu ministério terreno, o Senhor Jesus deu grande importância à questão do amor ao próximo. Certa vez um fariseu lhe perguntou sobre qual seria o grande mandamento da lei. Em outras palavras, ele queria saber qual dos 613 mandamentos identificados na religião judaica, era o mais importante. Jesus respondeu a pergunta do fariseu com um mandamento duplo: o primeiro e maior de todos os mandamentos é aquele que ensina que devemos amar a Deus sobre todas as coisas (Mt 22.37,38; cf. Dt 6.5). Já o segundo mandamento é aquele que diz: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.39; cf. Lv 19.18). É evidente que o verdadeiro amor ao próximo é um amor sacrifical e abnegado; pois envolve buscar o bem-estar do próximo sem qualquer interesse próprio. Jesus não apenas ensinou sobre a necessidade de o homem amar o próximo como si mesmo, mas também demonstrou na prática esse compromisso. Assim, sua conduta serve de exemplo a todos os cristãos (1 Jo 3.16).

Introdução

Relacionamento interpessoal refere-se às relações entre pessoas, grupos ou equipes, sejam elas pessoais, profissionais ou familiares. É da natureza do ser humano se relacionar e, quanto melhores e mais positivas forem essas relações, maiores serão as chances de construirmos conexões verdadeiras com as pessoas com quem convivemos. Para isso, elementos como empatia e respeito são fundamentais. Somos seres sociáveis, precisamos do convívio, do contato com outras pessoas. Também é comum buscarmos aprovação social. Sermos aceitos, fazer parte de algo, está relacionado à nossa necessidade de associação, a necessidade de estarmos nos relacionando com pessoas que tenham gostos, valores e ambições parecidas com as nossas. Tudo isso é muito importante para o ser humano, para que ele possa encontrar e se identificar com a sua tribo, seu grupo de afinidades, encontrar pessoas que sintam as mesmas coisas, que discutem os mesmos temas.

As pessoas que devemos ter conosco, em nossa caminhada, são as pessoas que acreditem em nós, em nosso potencial, em nossos sonhos. Pessoas que nos aceitem como somos, que se identifiquem com nossa essência e que acreditem em nossas potencialidades. É maravilhoso quanto temos sonhos e podemos compartilha-los com pessoas que imediatamente se engajam, se entregam para realiza-los juntos. Pessoas que nos estimulem a crescer, a aumentar nosso desenvolvimento, que elevem nossa frequência e que nos impulsionem a sair da zona de conforto. Pessoas que nos provoquem a ser cada dia melhores e que nos façam evoluir. É primordial olhar em volta e estar cercado de pessoas bacanas, positivas, que tenham ambições e vontade de crescer e se desenvolver, porque estas pessoas te estimularão a fazer a mesma coisa – e você fará o mesmo por elas! Ao contrário disso as pessoas das quais você não precisa são aquelas que sugam suas energias, que te colocam para baixo e fazem com que você não queira evoluir.

I. A Importância dos Relacionamentos

Todo Ser Humano se relaciona para viver e para se sentir inserido na sociedade. Mas o que são relações interpessoais? Quando falamos de relações interpessoais, estamos nos referindo ao relacionamento entre duas ou mais pessoas. Relacionar-se não é algo muito fácil, requer de nós um esforço grande, e isso inclui aceitação, respeito mútuo e principalmente empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Por mais difícil que seja nos relacionarmos com outras pessoas, temos que nos esforçar, pois o nosso sucesso em qualquer área da nossa vida, depende disso. Para nos relacionarmos bem, podemos começar observando a forma como nos relacionamos com nós mesmos, essa relação é chamada de intrapessoal.

Aprender a relacionar-se consigo mesmo é ir em busca do autoconhecimento. Quando conhecemos a nós mesmos, aprendemos a nos amar e possivelmente a amar o próximo. Aprendemos a identificar aquilo que nos agrada e passamos a viver em busca do que nos traz alegria. Concentre-se em reparar como você trata as pessoas, principalmente as mais próximas, pois normalmente esse é o modo como você se trata. Quando você entende o que funciona pra você fica muito mais fácil aperfeiçoar as relações com os outros. Desenvolva a arte de se relacionar bem consigo mesmo para que seus relacionamentos pessoais e de trabalho sejam saudáveis. Quem possui a habilidade de se relacionar bem com os demais, se torna um profissional desejado, pois trabalha bem em equipe.

Só trabalha bem em equipe quem sabe se relacionar. Trabalhar em equipe é realizar determinadas tarefas, em prol de alcançar um único objetivo comum. Numa equipe, os membros se apoiam mutuamente, cooperam uns com os outros e compartilham tarefas. É necessário que haja sinergia entre o grupo e que o espírito de cooperação prevaleça, trazendo os resultados esperados. Quando valorizamos o trabalho em equipe aprendemos a dar importância às pessoas que nos cercam e entendemos que cada uma tem uma forma diferente de contribuir. Cada pessoa tem suas próprias experiências ao longo da vida, e isso faz com que tenham crenças diferentes. Entendendo isso, fica mais fácil aceitar que as pessoas são diferentes umas das outras, que agem e reagem de maneira própria em cada situação. Ainda bem que não somos iguais! Se permanecermos abertos a novas formas de pensar e de fazer, a vida pode ficar mais dinâmica e divertida!

II. Os Relacionamentos como Base de Convivência

A vida cristã é sempre sobre relacionamento. Ela começa com a salvação, a restauração de nosso relacionamento com Deus (Romanos 5.1), continua por meio da santificação ou o crescimento de nossa relação com Deus (2 Co 3.18) e culmina com nossa glorificação, quando estivermos plenamente em comunhão com Deus (1 Co 13.12). Naquela que talvez seja uma das mais claras declarações sobre o cristianismo, Jesus respondeu sobre qual é a maior mandamento, registrado no evangelho de Marcos 12.28-31: "Um dos mestres da lei aproximou-se e os ouviu discutindo. Notando que Jesus lhes dera uma boa resposta, perguntou-lhe: “De todos os mandamentos, qual é o mais importante?” Respondeu Jesus: “O mais importante é este: ‘Ouça, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus, o Senhor é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças’. O segundo é este: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Não existe mandamento maior do que estes".

É legítimo afirmarmos que esta síntese do evangelho nos aponta para uma relação amorosa com Deus e com os outros. Em um mundo em que relacionamentos estão se tornando cada vez mais descartáveis e “virtuais”, é fundamental ao líder que deseja terminar bem que invista em relacionamentos saudáveis. Este é o artigo final de série sobre terminar bem. O eixo desta série de artigos é justamente explorar os hábitos que são encontrados naqueles que finalizam bem sua carreira cristã. Importa lembra que terminar bem não significa terminar com sucesso de acordo com o mundo, mas de acordo com Deus.

Existem muitas instruções sobre relacionamentos na Bíblia. Este tema certamente é digno de ser estudado com muito mais profundidade do que permite este artigo. No entanto, eu gostaria de alistar apenas algumas instruções que, a meu ver, são fundamentais. Para tanto vou me concentrar em apenas uma passagem: Romanos 12.9-21. Antes de iniciar este estudo, porém, creio que é importante destacar que muito embora relacionamentos sejam o fundamento da fé cristã, isso não significa que todos os cristãos tenham igual facilidade em lidar com seus relacionamentos. Na verdade, é minha firme convicção que todo cristão é limitado no cumprimento das instruções de Cristo sobre relacionamentos. Todos podemos crescer em um aspecto ou outro.

III. Relacionamentos no Contexto Bíblico

Há muita gente em nossas igrejas com um grau enorme de dificuldade na área de relacionamento. Seja por causa da timidez; seja em função de traumas do passado; com uma porção de preconceitos e atitudes egoístas; com um temperamento explosivo, pavio curto, sem o mínimo de paciência; gente que critica negativamente, que possui uma postura ácida; pessoas com uma insatisfação crônica; gente que murmura, pragueja; que age com falsidade, dissimulação, relacionando-se hipocritamente. Todas essas tendências e práticas pertencem à natureza de Adão, que herdamos em nossa constituição humana, pecaminosa e perversa. Jeremias trouxe da parte de Deus o seguinte diagnóstico do nosso coração ou da nossa natureza: “O coração é enganoso e incurável, mais que todas as coisas; quem pode  conhecê-lo? Eu, o Senhor, examino a mente e provo o coração, para retribuir a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações” (Jr 17.9,10).
 
Tiago, inspirado pelo Espírito Santo, nos dá uma exortação preciosa: “Meus amados irmãos, tende certeza disto: todo homem deve estar pronto para ouvir, ser tardio para falar e tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tg 1.19,20). A confrontação do apóstolo aqui é muito eficaz. Funciona mesmo. Ele coloca muito bem aqui os três traços vitais de um relacionamento saudável: Amor, humildade e mansidão. Então, o amor tem disposição para ouvir o próximo; a humildade sabe esperar o momento para falar e a mansidão não reage negativamente. Jesus era assim. Em todo o Seu riquíssimo ministério Ele teve atitudes e atos marcados pelo amor, pela humildade e pela mansidão. Deixou muito claro que o Seu amor era incomparável (João 15.13,14) e que devemos aprender dEle que é manso e humilde de coração (Mt 11.29). 

O amor, dizem as Escrituras, “tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta” (1 Co 13.4-8). O amor supera preconceitos, diferenças, temperamentos, egoísmo, timidez e quaisquer outros sentimentos que não estão em Cristo Jesus. O amor supera todas as barreiras e fossos estabelecidos pelo homem. O amor perdoa, abençoa, encoraja, compreende, aceita e coopera. No amor não há extratos, níveis sociais e econômicos. A linguagem do amor é a da aceitação, do perdão e da festa. O amor ouve, espera e descansa nAquele que tudo pode (Fil 4.13). No amor não há medo. A linguagem do amor é a da coragem, franqueza, legitimidade e coerência. No verdadeiro amor não há máscaras. O amor olha nos olhos e diz a verdade pura e simples.

A humildade, por sua vez, significa que reconheço a minha pequenez, minhas limitações e que sou pó. Como dizia o padre Antonio Vieira, somos pó em pé. Fomos alcançados pela graça. Perdoados por um pecado que não podíamos cobrir e resgatar. Jesus nos libertou a todos pelo Seu sangue derramado na cruz. O Seu poder se aperfeiçoa em nossa fraqueza, debilidade. A humildade é o oposto da arrogância. Devemos reconhecer sempre as nossas mazelas. Jesus foi humilde de coração (Mt 11.29). Por isso, a humildade sabe ouvir, esperar e descansar. Na humildade considero o outro superior a mim mesmo. A humildade é uma grande benção de Deus nos relacionamentos. Esta foi a orientação sábia de Paulo aos irmãos em Filipos (2.5-8). A humildade é a linguagem da igualdade. Todos nos encontramos no mesmo nível – o da cruz.
 
A mansidão é o terceiro traço vital nos relacionamentos. Ser manso é submeter todos os meus direitos ao Senhor. Depositar a minha pretensa reputação aos Seus pés. Jesus sempre foi manso. A mansidão é uma atitude da pessoa regenerada, salva pela graça de Deus em Cristo Jesus. Ela nos aponta para a não-reação negativa, para o caminhar a segunda milha, para o sofrer em silêncio e abençoar os que nos perseguem. Significa vivermos em paz com os outros (Rm 12.18). Então, a mansidão aprende a ouvir, esperar e descansar. Estevão, diante do sofrimento, foi manso. Ele possuía o caráter de Cristo, o caráter do Cordeiro que foi para o matadouro mudo, sem abrir a Sua boca. O profeta Isaias fala claramente acerca desta verdade: “Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como ovelha muda diante dos seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.7).

Conclusão

Que esses traços vitais estejam em nós e nos nossos relacionamentos. Que o Senhor Jesus Cristo domine completamente as nossas relações a partir do nosso coração.  Que a Sua paz seja o árbitro em nossos corações e sejamos agradecidos (Col 3.15). Louvemos a Deus, dignifiquemos o Seu grandioso nome, pelos nossos irmãos. Não respondamos ao agravo. Reconheçamos as nossas profundas limitações, falhas e os nosso defeitos. Então, sejamos prontos para ouvir; tardios para falar e tardios para se irar. A justiça de Deus vai agir na vida daqueles que vivem o amor, a humildade e a mansidão à semelhança de Jesus, nosso Salvador e Senhor. 


Recomendação de Leitura da Semana: SANTOS, Matheus. O Viver do Cristão. São Paulo: Evangelho Avivado, 2019.


 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Recomendação Musical Evangelho Avivado - Diante do Trono - Preciso de Ti (2001)

 




Por Leonardo Pereira



Com produção do Pr. Márcio Valadão, Preciso de ti é o quarto álbum do Ministério Diante do Trono. Foi gravado no dia 14 de julho de 2001, no Estádio do Mineirão, na cidade natal – Belo Horizonte.

Este foi o evento que teve a maior lotação da história do Estádio – cerca de 210 mil pessoas, vindas de todas as partes do país, e de outros países.

Não bastante isso, esse CD considero como o melhor da discografia do ministério – bem como um dos melhores da história da música gospel brasileira. Numa época em que o gospel brasileiro estava começando a crescer, nós vemos uma qualidade impressionante de arranjos – já visto desde 1998 -, de cenografia, mixagem, produção, entre outros pontos. Isso tudo fez com que o Diante do Trono fosse eleito em 2002 como Grupo do Ano de 2001, pelo extinto Troféu Talento – além de ter a Música do Ano, “Preciso de ti”. E até hoje se colhe frutos deste trabalho – o mais vendido da história da música brasileira, com valores acima dos dois milhões de cópias, sendo 400 mil só na primeira semana de lançamento.

A primeira imagem é de um palco lindo, com um formato de um globo. Predominam as cores vermelho e bordô, não só nas vestimentas, como também na iluminação. O coral é lindo e está muito bem posicionado. O palco, bem mais amplo que no CD anterior, permite uma maior disposição de músicos e da própria Ana Paula. Embora não sejam muitas as imagens do público, mais ainda numa panorâmica, podemos ver o tamanho da multidão – quem ver a página central do encarte do CD tem uma real noção.

Sem introdução e apresentação, começamos direto com Quero subir. Uma das mais suaves canções de toda a carreira foca-se apenas nas teclas e no peso das vozes. Também acho linda a dança ao longo da música – mesmo sendo apenas um solo da excepcional Isabel Coimbra. Ao longo da música, a participação dos metais, bem como o aumento do tom, tornam-na uma excelente pedida para iniciar um CD – prova de que não é necessário começar com músicas rápidas.

A imagem de helicóptero, feita do estádio, antes de Em teus átrios, aliado ao extasiante solo de guitarra de Elias Fernandes, a fazem como uma das melhores músicas de júbilo da carreira. Tudo é pontual na música: guitarras, o peso da percussão, os metais em vários momentos, e mais os vocais. Ao longo da música, pode perceber-se a habilidade de Ana Paula em “comandar” o momento. Excelente pedida para dançar e pular na presença de Deus.

Ana Paula antecede Insaciável com uma breve mensagem sobre a importância e necessidade de convivermos e estarmos com Deus, nos alimentando da sua palavra. E isso não pode ter fim. Assim como a qualidade dos arranjos, que a cada música parece melhorar ainda mais. O solo de Elias ao violão, junto dos metais brilhantemente conduzidos pelo maestro Sérgio Gomes, introduzem, pra mim, a melhor canção de júbilo do CD. Aliás, as coreografias do Mudança, assim como a pausa no meio da canção para um ritmo semelhante ao techno, é fenomenal!

Nosso desejo de conhecer o Senhor é retratado em Conhecerei, a mais leve das músicas rápidas. Ela fica basicamente na boa apresentação dos metais, junto das teclas de Paulo Abucater e Gustavo Soares. É uma música mais simples, cujo coro tem um grande peso dos metais – algo que não era tão visto em canções do Hillsong. Gosto da letra da canção.

As bases de Mais do que tudo são os famosos Salmos 27 e 84. Solada por André Valadão, a canção traz um coro bem empolgante: “Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei, que eu possa habitar em sua presença pra sempre”, com direito ao bailado dos metais e uma bela pegada na guitarra. O jogo feito pelo backing é muito legal, e complementado pela excelente voz de André, temos uma animadíssima canção – mesmo usando praticamente 100% dos salmos.

Neste momento, temos uma pausa nas canções, uma transição das músicas de júbilo para as de adoração. Aqui, Ana Paula traz uma bela palavra, que é a base da próxima canção. A história do Rei Ezequias, que fez um governo que agradou ao Senhor. Mas, em certo momento, o Diabo veio intentar contra os bons atos de Ezequias, por meio do rei da Síria, Senaqueribe. Mas neste momento, Ezequias, sendo afrontado, abandonou suas altas vestes, e se vestiu de humildade pra pedir ao Senhor auxílio ante as afrontas de Senaqueribe. Essa história nos mostra que Deus, quando está no controle, é capaz de humilhar a todos que queiram afrontar os filhos de Deus.

Ouve, Senhor, é uma canção cantada em primeira pessoa, como se fosse Ezequias cantando. Um solo que inclui violão, guitarra e metais mais graves, desencadeam em uma música que não aparece tanto os backings. Depois, mais forte, a música volta cantada em segunda pessoa, como se fosse Deus respondendo. Confesso que não é das minhas favoritas, principalmente quanto a letra. Mas a mensagem que quer passar-nos é maravilhosa.

Gosto bastante de Deus de milagres, que possui uma letra lindíssima. O início mais suave, apenas com o teclado no fundo e a voz de Ana, juntando a segunda parte um pouco mais pesada, dão um toque providencial à música. Os backings são mais suaves, mas aparecem de forma muito notável. Como diz a canção, “O maior milagre já operou em mim, e o maior milagre quer operar em ti”.

Antes de prosseguirmos, nós vemos pela primeira vez uma participação do Pr. Gustavo Bessa em gravações do DT, trazendo uma mensagem. E eu amo a mensagem dessa gravação, onde ele fala sobre os milagres que Jesus fazia, como em Betsaia, Corazim, Cafarnaum. Mas, no fundo, Jesus não realizou esses milagres – como até hoje faz – só pra mostrar que ele é poderoso pra fazer, e pra que as pessoas possam se admirar. Ele fez isso, sim, para ser um sinal que apontam pra Deus – não podemos buscar a Jesus pelos milagres, mas sim porque o nosso alvo é chegar a Deus.

Maximiliano Moraes conduz, sem dúvida, uma das melhores canções da música gospel nacional. Coração igual ao teu é uma oração em primeira pessoa, pedindo a Deus que ele possa nos dar um novo coração, disposto a cumprir e obedecer ao que Deus quer. As vozes durante a música são divinas, excepcionais. E os arranjos não pesados, sem os metais, são perfeitos. Apenas uma besteirinha: não gosto do aumento do tom, acho que a música em Fá estava excelente. Nota 10!

Chegamos ao ponto máximo do álbum: a faixa-título, Preciso de ti. Se você já se espantou com os mais de 16 minutos da faixa no CD, prepare-se para os mais edificantes 25 minutos do DVD. Começamos com o violão excelente de Sérgio Gomes no início da música. Depois, conforme a música vai passando, os metais vão aparecendo mais ainda. Além do trio Ana, Helena Tannure e João Lúcio Tannure, temos a notável presença do Espírito Santo no meio dos louvores. Isso se torna claro pela palavra de Ezenete Rodrigues, do Ministério de Intercessão da IBL. É uma clara revelação de que Deus estava, naquela noite, instalando seu trono no meio dos louvores que nasceriam de nosso país!

André Valadão assume o microfone para nos citar o famoso texto de II Crônicas 7:14: “se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” Em seguida, João Lúcio vem para nos dizer Jeremias 29:11-14: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o SENHOR, e farei mudar a vossa sorte.”

Por fim, temos Helena nos citando Tiago 4:8-10: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará.” Para continuar, Ana Paula faz um espontâneo maravilhoso, que nos mostra que não nos vale nada termos carros, casas, riquezas, dinheiros. O nosso único desejo é e sempre deverá ser o Senhor! Precisamos apenas dele!

Para encerrar, uma única palavra sobre esses momentos: SOBRENATURAL.

Prosseguimos com Leva-me, cantada pelo lindo dueto de Ana Paula e Nívea Soares. A música é bem suave, e as vozes delas combinam perfeitamente, não só com a letra, como também com a música. Ela é simples, ficando só nas teclas e cordas, sem metais. É uma das minhas favoritas, em todos os sentidos. Destaque para as danças, que foram muito bonitas.

Antes de encerrarmos, temos uma breve narrativa, com imagens, sobre as pessoas que não conhecem o evangelho – principalmente sobre à Índia, um dos países com a população mais miserável do mundo. Quem ouve a narrativa, se emociona, ao ver que meninas pequenas tornam-se prostitutas, por causa de seus pais. Para tanto, entendemos o porquê do lindo trabalho do DT se destinar à trabalhos missionários naquele país.

Para encerrar, temos o belíssimo trabalho refletido em uma canção muito legal e diferente: Em toda a Terra, com uma parceria de sopro e percussão, bem ao estilo da cultura indiana, traz essa canção, cujo coro é: “Queremos cantar teus louvores em toda a Terra”. A apresentação da dança, inclusive com jovens indianas, é emocionante, mas divino. Para fechar com chave de ouro!