quarta-feira, 30 de maio de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Maio/2018 - Capítulo 5 - A Defesa do Evangelho no Séc. XXI




Comentarista: Marcos Rogério


Texto Bíblico Base Semanal: Hebreus 11.32-40

32. E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas,
33. Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões,
34. Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos.
35. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição;
36. E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões.
37. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados
38. (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra.
39. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa,
40. Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados.

Momento Interação

Prezados irmãos, chegamos ao final de mais um Comentário Bíblico Mensal do mês de maio de 2018. Estudamos bastante à respeito do verdadeiro evangelho do Senhor Jesus Cristo, e os seus valores para as nossas vidas. No último capítulo deste mês, veremos como possamos defender o Evangelho do Senhor em meio ao mundo relativista e completamente destituído do evangelho de Jesus Cristo. É importante de maneira vital à nós, cristãos, defendermos a verdade da mensagem do Evangelho e enfatizarmos que o Senhor Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6). Desejamos ótimos estudos à todos e até o próximo Comentário Bíblico Mensal!

Introdução

A Apologética é um substantivo feminino na teologia que representa uma defesa argumentativa de que a fé pode ser comprovada pela razão. Resumindo, a apologética bíblica é a arte de apresentar uma defesa racional da fé cristã. Mais do que nunca nosso mundo em pleno século XXI precisa de uma apresentação racional da fé cristã. 

Apologética não é atacar as pessoas, falar mal das igrejas e crenças ou usar de insultos e de provocações nos debates. Isso não é verdadeira apologética. Isso é intolerância religiosa, preconceito, discriminação e escárnio. Apologética é uma defesa racional dá fé cristã. 


I. A Palavra de Deus em Nossas Vidas

A Palavra de Deus é o livro mais lido e vendido no mundo e talvez o menos compreendido.  A ciência da interpretação (Hermenêutica) tem sua ramificação na teologia, a Hermenêutica Bíblica.Existem regras de Hermenêutica e suas implicações para compreendermos o que Deus quer nos falar por meio de Sua Palavra. As regras de Hermenêutica Bíblica são as seguintes:

1-) A Bíblia é sua própria intérprete. A Bíblia explica-se a si mesma. 
2-) É preciso tanto quanto possível tomar as palavras em seu sentido usual e comum.
3-) É de todo necessário tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase.
4-) É preciso tomar as palavras considerando o objetivo do livro.
5-) É necessário consultar as passagens paralelas, ou seja, textos que tratem do mesmo assunto que o texto em questão.

As ferramentas providas pela Hermenêutica Bíblica nos ajudam a entender a Palavra de Deus e nessa obra temos a ajuda do Espírito Santo (Jo 16.13). Embora haja o livre exame da Bíblia não há livre interpretação. Mais do que um conjunto de livros que apenas define doutrinas, a Bíblia tem sido o meio de o Espírito Santo transformar muitas vidas. Há inúmeros e inegáveis relatos de vidas transformadas pela Palavra de Deus, famílias restauradas, pessoas que deixaram o mundo do crime, o uso de entorpecentes, a promiscuidade e o mundo de pecado de forma geral: "Pois tudo quanto, outrora, foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança" (Rm 15.4).

II. Perseverança na Oração

Como estudamos no tópico anterior, Deus se comunica conosco através de Sua Palavra, a Bíblia Sagrada e ler e estudar a Bíblia é ouvir a voz de Deus falando aos nossos corações.  Deus se utiliza da Bíblia para comunicar-se conosco e não nos deixou sem um meio de também nos comunicar-mos com Ele, esse meio de comunicação chama-se oração. Mais que um meio de comunicação, a oração é um ato de adoração quer verbal ou em pensamento. A oração não é para informar a Deus, mas para abrir-lhe nosso coração. A oração nos auxilia quando estamos desanimados, deprimidos, ansiosos, arrependidos, com problemas tidos como sem solução, amargurados ou inseguros. Os profetas, os apóstolos, os primeiros cristãos e o próprio Senhor Jesus levaram uma vida de oração.A oração perseverante que se obtém força espiritual para aguardar a vinda triunfal em glória do Senhor Jesus sem cair em perigos espirituais como indolência, tentações e heresias, mas perseverando no verdadeiro Evangelho.Nunca deixe de orar a Deus, mesmo que aparentemente suas orações não sejam atendidas. Nas palavras de Leonard Havenhill: "Não há nenhuma arma fabricada contra a oração que possa neutralizá-la. Algumas coisas podem atrasar as respostas à oração, mas nada pode parar o supremo propósito de Deus. “Se tardar, espera-o".

III. Estando Sempre aos Pés de Cristo

No contexto sociocultural das Escrituras Sagradas estar aos pés de algum mestre sendo seu discípulo é um ato de humildade, submissão e dependência. O mestre transmitia valiosos ensinos que visavam melhorar a vida do seu aluno e prepará-lo para a vida superior e eterna. Paulo havia sido criado aos pés de Gamaliel, um dos discípulos do Senhor Jesus Cristo, um doutor da Lei naquela época (At 22.3). Como cristãos estamos aos pés de Cristo aprendendo dele as palavras da vida eterna (Jo 6.68). Enquanto Marta estava preocupada com as ocupações corriqueiras da vida enquanto Maria escolheu estar aos pés de Cristo ouvindo-lhe os ensinamentos (Lc 10.38-42). Essas duas irmãs representam as duas classes de pessoas que compõe nosso mundo moderno, aqueles que ainda escolhem seguir aos ensinos do Mestre e os que dão mais importância para as coisas deste mundo. 

Estar aos pés de Cristo é o maior e melhor privilégio que um homem pode ter. Geralmente pagamos caro para podermos cursar uma universidade e aprendermos com homens doutos e esquecemos de valorizar o privilégio de podermos aprender com o maior Mestre que já pisou nesta Terra. O cristão deve estar constantemente aos pés de Cristo aprendendo de seu Mestre as instruções de que tanto necessitamos. 

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Maio/2018 - Capítulo 4 - Os Escritos Apostólicos e o Combate às Heresias




Comentarista: Marcos Rogério


Texto Bíblico Mensal: Romanos 15.1-9

1. Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos.
2. Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação.
3. Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam.
4. Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança.
5. Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus,
6. Para que concordes, a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
7. Portanto recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para glória de Deus.
8. Digo, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais;
9. E para que os gentios glorifiquem a Deus pela sua misericórdia, como está escrito:Portanto eu te louvarei entre os gentios,E cantarei ao teu nome.

Momento Interação

Os escritos apostólicos mostram que os apóstolos deixaram registrados mensagens às quais o Senhor quis  que fossem passados à nós, de maneira que possamos compreender o que é o Evangelho do Senhor Jesus. Nesta semana estamos estudando à respeito dos escritos apostólicos, que defendem o verdadeiro evangelho do falso evangelho. Bons Estudos.

Introdução

Assim como os profetas ao escreverem os livros que conhecemos hoje como o Antigo Testamento refutaram as heresias, distorções, falsos ensinos e outros perigos espirituais, também os profetas foram usados por Deus para prevenir ou combater os mesmos problemas. Assim como Deus protegeu Israel pelo ministério dos profetas protegeu a igreja pelo ministério dos apóstolos.

É de suma importância conhecer os escritos apostólicos para entendermos como os mesmos abordam a questão do combate às heresias. Ao assim fazermos fica evidente que além da proclamação do Evangelho eterno ensinado por nosso Senhor, os apóstolos também se preocupavam em combater as heresias impedindo sua entrada na igreja mantendo assim, a doutrina pura ensinada pelo Senhor Jesus Cristo.

I.  Paulo – Um Defensor do Evangelho

A história do apóstolo Paulo é bem interessante e também diferente da história dos outros discípulos que foram nomeados apóstolos. 

Paulo se converteu em um contexto onde o próprio Senhor Jesus apareceu pra ele na estrada de Damasco onde Paulo transitava justamente combatendo a fé que posteriormente ele mesmo se tornou um dos mais ardorosos defensores (At 9.1-30). Na verdade, Paulo combatia a fé cristã acreditando ser essa fé uma heresia que ia contra as verdades reveladas por Deus ao Seu povo de Israel. Jesus era um mestre judeu e deu a verdadeira interpretação das Escrituras compostas pela Torá e os escritos dos profetas e, sendo assim, o cristianismo não era uma apostasia da fé judaica, mas a verdadeira fé e os judeus e não is cristãos estavam desviados do Evangelho que fora revelado à Israel através de figuras e símbolos no ritual do santuário com seus sacrifícios e o ofício sacerdotal que em si revelavam o sacrifício e ministério de Cristo e o plano da salvação. Tão logo Paulo se converteu e passou a defender a fé que outrora procurava destruir passou a proclamar nas sinagogas que Jesus é o Filho de Deus (At 9.20). Com o passar do tempo os judeus procuravam tirar-lhe a vida (At 9.23) a ponto de os discípulos o descerem por um cesto pelos muros da cidade (At 9.24-25).  Enquanto Paulo estava em suas viagens missionárias visitando as igrejas da Galácia descobriu que enquanto ele esteve visitando outros lugares os judaizantes prejudicaram a igreja da Galácia infiltrando a doutrina da observância da lei como meio de salvação. Temendo que o mesmo acontecesse em Roma antes que ele chegasse resolveu escrever-lhes uma carta.  Em Romanos 16.1-2 lemos que provavelmente Paulo tenha escrito essa carta enquanto esteve em Cencreia, próxima ao porto oriental de Corinto na Grécia.  Paulo era o missionário dos gentios e onde ele não conseguia chegar a tempo ou lhe era impossível visitar tal lugar ele lhes enviava suas cartas com conselhos, admoestações e prevenindo-lhes contra as heresias. Paulo é um dos missionários que tenho como modelo. Um dos maiores missionários da história do cristianismo.

II. Pedro – Um Combatente às Heresias

Pedro foi escolhido por Cristo para o apostolado junto com seu irmão André quando Jesus caminhava próximo ao mar da Galiléia enquanto eles lançavam as redes ao mar por serem pescadores. Jesus os convidou à defesa da fé dizendo que os faria pescadores de homens (Mt 4.18-19; Mc 1.16-17). Reanimado pelo Mestre, Pedro juntamente com outros irmãos permaneceu em Jerusalém aguardando a promessa do Pai de serem revestidos de poder (Lc 24.49)  para que testemunhassem ao mundo At (1.8). A promessa do Pai cumpriu-se por ocasião da festa do Pentecostes quando os discípulos receberam o poder do Espírito Santo (At 1.4). Posteriormente, Pedro escreveu duas epístolas.
Em suas epístolas Pedro aborda as virtudes cristãs, fala sobre família, autoridades e vários assuntos. Pedro combateu as heresias gnósticas e falou sobre as ameaças por parte dos falsos mestres, ameaças tão perigosas como a perseguição movida pelo Império Romano das quais Pedro também confortou os crentes nessas epístolas. Pedro afirmou que assim como houveram falsos mestres no passado, também haveriam falsos mestres no futuro (2 Pd 2.1-3).  Pedro alerta que os escritos de Paulo e as demais escrituras seriam distorcidas por pessoas ignorantes e instáveis que na sua sinceridade ou até de má fé estariam interpretando mal e para sua própria perdição os escritos sagrados.

De acordo com Pedro esses falsos mestres eram especialmente perigosos porque surgiriam no meio da igreja. Geralmente entendemos como falsos profetas pessoas de fora da igreja que se opõe à fé cristã, mas Pedro e Paulo alertaram que tais heresias movidas por falsos mestres estariam vindo de pessoas infiltradas na igreja (At 20.29; 2 Pd 2.1). Embora no contexto sociocultural das cartas de Pedro havia a perseguição externa movida pelo Império Romano que queria destruir o cristianismo, Pedro deu especial atenção às heresias que surgiriam como ameaça dentro da própria igreja. 

III. Judas – A Batalha pela Fé

A autoria da epístola de Judas é de irmão de Tiago e não de Judas, o Iscariotes. Logo no início da epístola o autor exorta os crentes a batalhar pela fé Jd 3 e prossegue dizendo que certos indivíduos se introduziram com dissimulação transformando em libertinagem a graça de Deus. Judas, assim como os outros autores do Novo Testamento também discorreu sobre as distorções do Evangelho por parte de ímpios, homens equivocados, escarnecedores, gnósticos e muitas outras coisas.

Os gnósticos eram praticamente ateus no que tangia o Evangelho. Transformavam em libertinagem a graça de Deus insinuando que os crentes poderiam pecar porque a carne seria destruída por ser má e o espírito salvo por ser bom não era contaminado pelo pecado da carne. A essência do Evangelho é que Cristo veio salvar o pecador de seus pecados (Mt 1.21) morrendo como sacrifício vicário substituinte no lugar do pecador (Is 53.4-6) e que em razão disso o homem deve se desvincular do pecado que tenazmente nos assedia (Hb 12.1) para nos levar à morte (Rm 6.23), mas que Deus nos dá a vida eterna por meio se Jesus Jo 3:16. A graça nunca deve ser usada para desculpar o pecado e a iniquidade. 

Sendo o pecado algo tão perverso e abominável à vista de Deus a ponto de dar Seu próprio Filho para morrer pelo pecador e livrá-lo do pecado e esses falsos mestres incentivando os cristãos ao pecado, Judas combateu essa filosofia imoral e herética mostrando em sua epístola o castigo final dos ímpios que não abandonaram o pecado aceitando Cristo como seu Salvador pessoal. Judas batalha pela fé contra essas heresias mostrando o castigo de Deus aos israelitas descrentes (Jd 5), aos anjos caídos (Jd 6), aos ímpios habitantes de Sodoma e Gomorra (Jd 7), aos incrédulos de seus dias (Jd 8), Caim, Balaão e os que se rebelaram contra Deus e contra Moisés, servo de Deus (Jd 11) e aos demais ímpios que serão julgados por Cristo (Jd 14-15). O salvo é salvo na obediência e não da obediência, ninguém é salvo para continuar pecando.

IV. Os Evangelhos

Os quatro Evangelhos conhecidos como os Evangelhos Sinópticos foram escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João. Embora a história secular fale um pouco sobre Jesus, os relatos mais detalhados da vida de Jesus se encontram nos quatro Evangelhos.  Marcos e João não relatam o nascimento de Jesus. 20% dos escritos dos Evangelhos narram a última semana da vida de Jesus. João dedica metade de seu Evangelho para narrar os últimos eventos da vida de Jesus. Mais destaque é dada a morte de Jesus do que ao seu nascimento. A morte de Cristo e Sua ressurreição são essenciais à nossa salvação. Os estudiosos situam a data da escrita dos Evangelhos como sendo Marcos escrito por volta da década de 70 d.C., Mateus e Lucas por volta da década de 80 d.C. e João por volta da década de 90 d.C.

Não há uma forma simples de explicar a formação do cânon neotestamentário. Mesmo que as heresias tenham levado os cristãos a selecionar os livros canônicos, elas não foram a única força motivadora. Mediante a perseguição, os cristãos tinham a necessidade de saber por quais livros estariam morrendo, quais deveriam ser postos à disposição das autoridades imperiais e, além disso, era da maior importância definir com clareza quais documentos poderiam ser usados nas igrejas e para a edificação pessoal - esse desejo se intensificou quando os apóstolos começaram a morrer.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Teologia e Vida - Equilíbrio do Viver em Cristo





Por Leonardo Pereira



Existem hoje ao redor do Brasil milhares de cursos e seminários teológicos das mais diversas vertentes com objetivos diversificados. É um sinal bastante real de que a procura por um estudo bíblico e teológico no Brasil cresceu de forma impreesionante, a medida que líderes e alunos se engajaram neste propósito do ensino (líderes e professores) e do aprendizado (alunos). Este crescimento, contudo, trouxe soluções e ao mesmo tempo, problemas para nossa nação, tanto em seu modo de vida, quanto em seu modo de praticidade cristã.

Em um curto período o qual tenho o privilégio de fazer parte de um curso teológico atualmente (iniciei neste ano), aprendo eu com os meus professores e com amigos que estudam comigo neste curso, que um grande problema que solapa muitas igrejas e os crentes deste país, sem sombra de dúvidas é a falta de equilíbrio entre a teologia e a vida do cristão. Esta tem sido uma grande tristeza na igreja, nos lares e na vida de muitos que dizem professar a fé em Cristo, mas negando-o em seus corações.

Existem muitas pessoas hoje que estão com a sua engajadura doutrinária em estado excelente. Mostram genuinamente um grande domínio e uma grande perícia nas Escrituras Sagradas de forma a levar muitos para um bom conhecimento na Bíblia. Contudo, a sua praticidade cristã em seu cotidiano mostra totalmente o contrário do que aprendeu nos livros e na experiência de vida, e principalmente, no conviver com Deus. Não basta ter apenas luz na mente, precisa ter amor em seus corações. Conhecimento sem amor leva a pessoa a uma vida de luz, mas totalmente envolto em plena escuridão.

Do outro lado existem também as pessoas que estão com sua praticidade cristã em alta, mas com o conhecimento bíblico em grande falta. A prática é importante, mas juntamente com a palavra de Deus na vida da pessoa, certamente ela se tornara uma pessoa totalmente habilitada para a vida (2 Tm 3.16,17). O Senhor Jesus Cristo, Paulo e Tiago, falaram sobre este equilíbrio que deve haver em nossas vidas. 

Longe aqui de criarmos um debate sobre fé e obras que sempre trouxe diversas opiniões ao longo da história da Igreja, precisamos compreender a luz das Escrituras que não é fé mais obras, mas sim a fé que produz obras. Fato este visto nas palavras de Tiago: "Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras" (Tg 2.17,18). Observemos este equilíbrio que devemos ter:

Nas palavras de Jesus Cristo acerca da parábola do semeador, ele revela quatro tipos de lugares em cai a semente (a palavra): na beira da estrada (Mt 13.5), entre os pedregais (Mt 13.5), entre os espinhos (Mt 13.7) e em boa terra (Mt 13.8). Quando ele explica acerca da semente que caiu em boa terra ele meciona assim: "Mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta" (Mt 13.23). Nos três lugares anteriores os quais é semeado a palavra de Deus, nenhum deste lugares se firma, podendo Satanás arrebatar a mensagem do Senhor de nossos corações (Mt 13.19), não resistir a mensagem e sair logo pois se ofende (Mt 13.20), e ser sufocado com as coisas deste mundo (Mt 13.22). Somente ouvindo e compreendo a palavra do Senhor é que produzimos em nossa vida uma teologia com a vida equilibrada.

Nas palavras do apóstolo dos gentios, ele exemplifica de modo categórico que o amor é fator pricipal que cumpre a lei: "Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado. Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo; E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé" (Gl 6.1,2,9,10). Não basta apenas ter uma teologia, é preciso demonstra que somos o sal da terra e a luz do mundo, a estarmos de acordo com a nossa conduta e mensagem. Paulo mostra que nossa vida deve ser regida pelo amor e pela dedicação a Deus e aos nossos.

Tiago, ao contrário de que muitos estudiosos pensam sobre ele enfatizar mais as obras que a fé, ele deixa claro em suas próprias palavras que a nossa vida, nossa teologia, tem de estar de acordo com o que nós fazemos: "Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano; E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e nào lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta" (Tg 2.14-16,26). É necessário que a nossa conduta cristã esteja de acordo com o que falamos e fazemos, se não corremos um grande risco de envergonharmos o santo evangelho do Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Predomina-se hoje na mente de muitos a filosofia do"faço o que digo, mas não faça o que eu faço". Contudo, a Bíblia Sagrada não nos mostra que esta filosofia deve habitar no ambiente cristão. Paulo, cheio do poder do Espírito Santo e inspirado, escreve aos coríntios de forma clara e específica: "Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo" (1 Co 11.1). O cristão é aquele que se assemelha Cristo, que reflete a Jesus neste mundo.

Roguemos ao Senhor que sejamos exemplos, referenciais do próprio Jesus a este mundo que precisa da luz mundo, a saber: Jesus Cristo (Jo 8.12), que nos mostra como devemos viver: com a uma vida teólogica e prática que Lhe reflita (Lc 9.23).





Livros Utilizados:


PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia - Livro por Livro. São Paulo: Editora Vida, 2011.

LOPES, Hernandes Dias. Paulo - O Maior Líder do Cristianismo. São Paulo: Hagnos, 2009.

COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Fé e Obras. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

RIBEIRO, Anderson. O Sermão da Montanha. São Paulo: Evangelho Avivado, 2018.






quarta-feira, 16 de maio de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Maio/2018 - Capítulo 3 - Os Apóstolos e o Verdadeiro Evangelho




Comentarista: Marcos Rogério


Texto Bíblico Semanal: Atos 4.8-20

8. Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: Principais do povo, e vós, anciãos de Israel,
9. Visto que hoje somos interrogados acerca do benefício feito a um homem enfermo, e do modo como foi curado,
10. Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, em nome desse é que este está são diante de vós.
11. Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina.
12. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.
13. Então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos, maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus.
14. E, vendo estar com eles o homem que fora curado, nada tinham que dizer em contrário.
15. Todavia, mandando-os sair fora do conselho, conferenciaram entre si,
16. Dizendo: Que havemos de fazer a estes homens? porque a todos os que habitam em Jerusalém é manifesto que por eles foi feito um sinal notório, e não o podemos negar;
17. Mas, para que não se divulgue mais entre o povo, ameacemo-los para que não falem mais nesse nome a homem algum.
18. E, chamando-os, disseram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem, no nome de Jesus.
19. Respondendo, porém, Pedro e João, lhes disseram: Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus;
20. Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido.

Momento Interação

Os apóstolos do Senhor Jesus Cristo ficaram encarregados de dar continuidade à obra do Mestre e de anunciar o evangelho até aos confins da terra (At 1.8). Os apóstolos enfrentaram dificuldades e desafios terríveis, tanto pela perseguição física, quanto por perseguição psicológica. Mas cheios do Espírito Santo, falaram aquilo que o Senhor ordenou que falasse, e muitos se converteram pela plena mensagem do Evangelho do Senhor Jesus. Os apóstolos deram e são um verdadeiro exemplo para todos nós cristãos, que devemos sempre perseverar na fé, e falarmos do que temos visto e ouvido (At 4.20).

Introdução

A era apostólica é tida por muitos estudiosos como a melhor era do cristianismo. Às custas de suas próprias vidas os apóstolos defenderam a fé cristã. Em meio a ferozes perseguições os apóstolos mantiveram pura a fé cristã e a doutrina apostólica foi preservada em meio a apostasia predominante. 
O zelo que caracterizou a defesa da fé cristã na era dos apóstolos tem ainda ecoado até nossos dias trazendo ânimo e esperando àqueles que em pleno século XXI também se deparam com lutas, perseguições e privações na defesa do Evangelho de Jesus Cristo.

I. Os Apóstolos Estavam em Oração

Os apóstolos tiveram muito zelo e muita audácia na pregação do Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Como podemos ter a mesma fé e o mesmo zelo? 
Jesus iniciou Seu ministério terrestre com oração e jejum (Mt 4.1) e da mesma forma os apóstolos iniciaram seu trabalho com oração.
Os cinco primeiros capítulos do livro de Atos dos Apóstolos na Bíblia Sagrada mostra a importância dos grupos de oração. A igreja é uma comunidade onde os membros se reúnem e se fortalecem mutuamente, trocam experiências, oram em grupo e mantém comunhão uns com os outros. Os discípulos do Senhor eram um só corpo com muitos membros (1 Co 12.12). Não existe biblicamente falando cristão independente, quando se retira uma brasa da fogueira a tendência dela e se esfriar cada vez mais até se apagar. Sendo a igreja um corpo (1 Co 12.12-31) do qual Cristo é o cabeça (Ef 2.23) nenhum membro sobrevive fora do corpo. Todo membro do corpo quando amputado desse corpo deixa de receber através da corrente sanguínea o oxigênio e os nutrientes que o mantém vivo. Todo membro espiritual desligado do corpo igualmente morre. 

II. Os Apóstolos Cuidavam do Ensino da Palavra

Os apóstolos juntamente com os primeiros cristãos davam muita ênfase ao ensino da Palavra de Deus. Não havia entre eles pregações antropocêntricas, pregações motivacionais, arengas políticas, ensaios filosóficos, culto emocional, pregações irrelevantes e outras formas de distorções do verdadeiro culto bíblico. Paulo havia dito a Timóteo: "Cuida de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como a teus ouvintes" (1 Tm 4.16). A preocupação com a doutrina era algo constante na vida dos crentes da era apostólica, tanto que diz o relato sagrado: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações" (At 2.42). A pregação dos apóstolos era de caráter doutrinário e profético destacando o aspecto histórico-redentor. Como resultado desse zelo apostólico pela Palavra a igreja estava continuamente crescendo sendo edificada na Palavra.
É justamente o ensino fiel da palavra que protege a igreja contra as heresias. Uma igreja sem ênfase na Palavra é uma porta aberta para as heresias. Tanto que Augustus Nicodemus Lopes disse certa vez: "Quer expulsar Satanás? ensine doutrina!".

III. Os Apóstolos Combatiam as Heresias

Muitas vezes, a heresia não tenta destruir a igreja, mas se filiar a ela.  Em Atos 15.1-7 alguns cristãos recém conversos do judaísmo queriam trazer para a igreja o ensino da salvação por meio das obras da lei, observando aspectos da lei especialmente a circuncisão com o objetivo de se obter méritos para a salvação. Tal perversão do Evangelho também colocaria o Evangelho em perigo assim como o gnosticismo.  Assim como no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até o ponto de renegarem o Soberano Senhor que is resgatou repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e por causa deles, será infamado o caminho da verdade (2 Pd 2.1-2). Os gnósticos anulavam a graça salvadora de Deus alegando que o pecado não era algo reprovável porque o pecado é da carne e Deus salvaria o espírito e não a carne. Tal perversão transformaria em libertinagem a graça do Senhor Jesus: "Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o único e Soberano e Senhor, Jesus Cristo" (Jd 4). A graça nunca foi desculpa para a transgressão, a liberdade nunca foi libertinagem.

Agostinho dizia: "A lei foi dada para implorarmos a graça, a graça foi dada para que observássemos a lei".

terça-feira, 15 de maio de 2018

Cristianismo ao Gosto do Freguês




Por Leonardo Pereira


O que muita gente almeja é uma igreja que: satisfaça suas vontades (2 Tm 4.3), atenda suas preferências; os aceite como estão (mesmo que em pecado), funcione como querem, pregue o que gostam, incentive seus desejos, façam-nos sentir realizados, nutra sua gana, lhes proponha conquistas, prometa soluções rápidas, alimente o seu ego, assimile seus modos e os faça encontrar culturalmente a sua tribo. Essas igrejas a “moda do freguês” e que pregam evangelhos personalizados existem e estão disponíveis no cenário religioso de nosso país. A questão é que nem sempre sentir-se bem num lugar que parece ser a igreja de nossos sonhos cumpre com os reclames doutrinários e as exigências morais e espirituais da Palavra de Deus (Mt 7.21-23) e é exatamente nesse ponto que muitos cristãos geram e encorpam um cristianismo medíocre e crescente. 

O movimento chamado "igreja ao gosto do freguês" está invadindo muitas denominações evangélicas, propondo evangelizar através da aplicação das últimas técnicas de marketing. Tipicamente, ele começa pesquisando os não-crentes. A pesquisa questiona os que não frequentam quaisquer igrejas sobre o tipo de atração que os motivaria a assistir às reuniões. Os resultados do questionário mostram as mudanças que poderiam ser feitas nos cultos e em outros programas para atrair os "destemplados", mantê-los na igreja e ganhá-los para Cristo. Os que desenvolvem esse método garantem o crescimento das igrejas que seguirem cuidadosamente suas diretrizes aprovadas.

O alvo declarado dessas igrejas é alcançar os perdidos, o que é bíblico e digno de louvor. Mas o mesmo não pode ser dito quanto aos métodos usados para alcançar esse alvo. Vamos começar pelo marketing como uma tática para alcançar os perdidos. Fundamentalmente, marketing traça o perfil dos consumidores, descobre suas necessidades e projeta o produto (ou imagem a ser vendida) de tal forma que venha ao encontro dos desejos do consumidor. O resultado esperado é que o consumidor compre o produto. George Barna, a quem a revista Christianity Today (Cristianismo Hoje) chama de "o guru do crescimento da igreja", diz que tais métodos são essenciais para a igreja de nossa sociedade consumista. Líderes evangélicos do movimento de crescimento da igreja reforçam a idéia de que o método de marketing pode ser aplicado – e eles o têm aplicado – sem comprometer o Evangelho. Será?

Em primeiro lugar o Evangelho, e mais significativamente a pessoa de Jesus Cristo, não cabem em nenhuma estratégia de mercado. Não são produtos a serem vendidos. Não podem ser modificados ou adaptados para satisfazer as necessidades de nossa sociedade consumista. Qualquer tentativa nessa direção compromete de algum modo a verdade sobre quem é Cristo e do que Ele fez por nós. Por exemplo, se os perdidos são considerados consumidores, e um mandamento básico de marketing diz que o freguês sempre tem razão, então qualquer coisa que ofenda os perdidos deve ser deixada de lado, modificada ou apresentada como sem importância. A Escritura nos diz claramente que a mensagem da cruz é "loucura para os que se perdem" e que Cristo é uma "pedra de tropeço e rocha de ofensa" (1 Co 1.18 e 1 Pe 2.8). Algumas igrejas voltadas ao consumidor procuram evitar esse aspecto negativo do Evangelho de Cristo enfatizando os benefícios temporais de ser cristão e colocando a pessoa do consumidor como seu principal ponto de interesse. Mesmo que essa abordagem apele para a nossa geração acostumada à gratificação imediata, ela não é o Evangelho verdadeiro nem o alvo de vida do crente em Cristo.

Em segundo lugar, se você quiser atrair os perdidos oferecendo o que possa interessá-los, na maior parte do tempo estará apelando para seu lado carnal. Querendo ou não, esse parece ser o modus operandi dessas igrejas. Elas copiam o que é popular em nossa cultura – músicas das paradas de sucesso, produções teatrais, apresentações estimulantes de multimídia e mensagens positivas que não ultrapassam os trinta minutos. Essas mensagens freqüentemente são tópicas, terapêuticas, com ênfase na realização pessoal, salientando o que o Senhor pode oferecer, o que a pessoa necessita – e ajudando-a na solução de seus problemas.

Biblicamente não existe “evangelho incompleto” ou variante (At 20.27; 2 Tm 3.16; Jo 17.17); o que existe são doutrinas de homens (Mt 15.9) e até de demônios (1 Tm 4.1) que ignoram posições claras da Palavra de Deus, subtraindo admoestações e substituindo-as com irreais promessas de bonança, espalhando pedras de tropeços, prendendo pessoas a heresias e desenvolvendo estultícia religiosa que conduz a perdição (Ap 22.18-19). É ilógica a tentativa de submeter ensinos da Palavra de Deus ao nosso modo de vida cada vez mais temporal, secular e horizontal, extinguindo o cumprimento de mandamentos óbvios e neutralizando ensinos e conseqüências que as Escrituras expõem e asseveram sobre os nossos atos e escolhas (Gl 4.7). Quem quiser seguir a Jesus terá que renunciar a si mesmo, deverá abdicar de seus “direitos”, abrir mão de sua vontade, humilhar-se, perdoar que lhe ofende, considerar os outros superiores a si mesmo, amar a inimigos, fazer o bem, ser bom marido, pai e cidadão, não se prostituir, não adulterar, furtar ou mentir, viver na contra-mão do mundo pois viverá uma vida justa e santa. Enfim isso é um pouquinho do que o verdadeiro evangelho nos propõe. Que Deus nos ajude a vivê-lo! (Fp 2.15).



Fontes: 

1. https://artigos.gospelprime.com.br/igreja-gosto-fregues-voce-quer/ - Acesso dia: 14/05/2018.

2. http://www.chamada.com.br/mensagens/igreja_ao_gosto.html - Acesso dia: 14/05/2018.

3. VARGENS, Renato. Cristianismo ao Gosto do Freguês. Rio de Janeiro: Editora Scrittura, 2013.

4. ROGÉRIO, Marcos. Defendendo o Evangelho de Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2018.

5. GONÇALVES, José. Defendendo o Verdadeiro Evangelho. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

6. PEREIRA, Leonardo. A Verdadeira Prosperidade Bíblica. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017. 

sábado, 12 de maio de 2018

O Perigo de Negociar as Coisas de Deus




Por Leonardo Pereira


Depois de Elias, homem de Deus, subir aos céus por meio de um redemoinho (2 Rs 2.1, 11, 12), Eliseu, o seu discípulo, logo em seguida, sucedeu seu ministério profético com grandes sinais e maravilhas no meio do povo, testificando a todos que era realmente um profeta do Senhor, recebendo porção dobrada do poder que tinha Elias, a partir do momento em que o viu subindo aos céus (2 Rs 2.9, 10). Eliseu logo após alguns momentos cumprindo o seu ofício profético, seleciona um jovem moço, Geazi, para ser o seu discípulo. Geazi deveria aprender bastante com Eliseu para sucedê-lo, ser um poderoso instrumento usado nas mãos do Senhor e assim, ser um grande profeta para Israel com o intuito de glorificar ao Senhor.

Mas o que vemos na pessoa de Geazi sem dúvidas é totalmente contrário de que Eliseu projetara para sua vida. A vida de Geazi foi totalmente inversa, destituída dos valores que o Senhor tem para nós. Do começo ao fim do seu discipulado, o jovem Geazi não se dedicou, aprendeu, valorizou ou conservou os valores vistos e ministrados por Eliseu e pelo Senhor em sua vida. Antes, mostra características que corrompem o seu caráter e a sua integridade diante do Senhor e dos seus ensinamentos, estes transmitidos por Eliseu a ele. Muitas coisas podemos observar na vida de Geazi em decorrência da sua companhia com Eliseu, mas observaremos quatro momentos em que ele demonstra uma pessoa totalmente desvirtuada das coisas com o Senhor, e encontramos valores que ganharam espaço em sua vida e em seu coração, para nossa reflexão.

1) Insensibilidade para com as pessoas necessitadas e aflitas: "Então disse ele: Que se há de fazer por ela? E Geazi disse: Ora ela não tem filho, e seu marido é velho" (2 Rs 4.14). O ministério profético de Eliseu demonstra amor e carinho para com os israelitas e até para com os de fora da nação. Eliseu cumpria o seu papel profético com amor e com entrega, pois viu e aprendeu com Elias, servo do Senhor. A mulher sunamita junto com seu marido humildemente haviam convidado o profeta e o seu moço para estarem em sua residência devido a longa caminhada que haveriam de seguir, e sem recursos para uma estalagem. Em meio a aquele grande demonstração de carinho e afeto para com ambos, Eliseu quer ajudá-la de alguma como forma de gratidão. Geazi demonstra já de antemão, atitudes contrárias e logo usa de desdém para com aquele casal. Ingratidão e insensibilidade hoje são bastante presentes na sociedade e isso tem acabado com muitos relacionamentos, senão vejamos. Geazi não demonstra amor nem gratidão para com aquele casal que usa de bondade para com eles.

2) A Falta de Fé para com o Deus de Israel: "E Geazi passou adiante deles, e pôs o bordão sobre o rosto do menino; porém não havia nele voz nem sentido; e voltou a encontrar-se com ele, e lhe trouxe aviso, dizendo: O menino não despertou" (2 Rs 4.31). Os valores divinos não se encontravam em Geazi. O problema não estava no bordão, mas estava em Geazi. Ele foi cumprir a ordem de Eliseu mas sem fé. A prioridade de clamar ao Senhor não se encontrava no coração daquele jovem moço, discípulo de Eliseu. A superficialidade de suas ações e atitudes para ele naquele momento é suficiente, o bastante.

Há pessoas com uma grande ortodoxia em suas mentes, mas sem fogo do espírito em seus corações. Fazem muitas coisas para Deus, mas não o fazem com integridade de coração e alma. Esforçam-se para cumprir seus propósitos, mas não buscam ao Senhor para todos os rumos da sua vida.

3) Interesses Terrenos e Carnais para com a Obra de Deus: "Então Geazi, servo de Eliseu, homem de Deus, disse: Eis que meu senhor poupou a este sírio Naamã, não recebendo da sua mão alguma coisa do que trazia; porém, vive o SENHOR que hei de correr atrás dele, e receber dele alguma coisa. E foi Geazi a alcançar Naamã; e Naamã, vendo que corria atrás dele, desceu do carro a encontrá-lo, e disse-lhe: Vai tudo bem? E ele disse: Tudo vai bem; meu senhor me mandou dizer: Eis que agora mesmo vieram a mim dois jovens dos filhos dos profetas da montanha de Efraim; dá-lhes, pois, um talento de prata e duas mudas de roupas" (2 Rs 5.20-22). Geazi viu o menino morto da mulher sunamita ressussitar, e depois testemunhou a cura completa de Naamã, sendo curado da lepra depois de ter se banhado sete vezes no Rio Jordão (Rs 5.1-19). Eliseu seguindo os ensinamentos de Elias, não usurpou nada para si, nem glórias de homens, nem bens terrenos. Somente fazia o que o Senhor o mandava fazer, cumprindo fielmente o seu papel de profeta de Israel. Ao contrário de Eliseu, Geazi indo na mão dos ensinamentos aprendidos, foi buscar bens terrenos em busca do milagre que o Senhor fez na vida de Naamã. Usando o nome de seu mentor, usurpa o que não deveria ser usurpado, e faz da obra de Deus, negócios terrenos para seus interesses pessoais.

4) Mentiras e Desdém das Coisas de Deus: "Então ele entrou, e pôs-se diante de seu senhor. E disse-lhe Eliseu: Donde vens, Geazi? E disse: Teu servo não foi nem a uma nem a outra parte" (2 Rs 5.25). Integridade e moralidade não havia em Geazi. Foi decidido para ele que o mais importa era usurpar os bens de Naamã para si. Cria ele que o ministério profético era para se beneficiar e ter glórias e muitas honras terrenas. A mentira que ele disse para Eliseu lhe convinha. Cumprir corretamente seu papel de discípulo de Eliseu já não estava mais em seus planos.

Geazi enfrentou um triste fim de seu discipulado em decorrência de tudo o que ocorreu em sua vida até aquele momento. Eliseu sendo revelado tudo pelo Senhor o que fez Geazi, estando calçado com a verdade lhe informa o seu juízo: "Porém ele lhe disse: Porventura não foi contigo o meu coração, quando aquele homem voltou do seu carro a encontrar-te? Era a ocasião para receberes prata, e para tomares roupas, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas? Portanto a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua descendência para sempre. Então saiu de diante dele leproso, branco como a neve" (2 Rs 5.26,27). Geazi teve um começo bom. Um futuro promissor. Poderia ele ser um grande profeta seguindo fielmente os passos de Elias e de Eliseu, ser usado grandemente por Deus para levar a sua mensagem a muitos. Mas escolheu as coisas da terra para abrigarem em seu coração como alvo. Triste fim que este caminho leva estes que buscam de Deus, as glórias terrenas e pensamentos carnais.

Tomemos cuidado para que as nossas vidas não sigam como se seguiu na vida de Geazi e o fim que ela leva. Muitos estão entrando por este caminho e não estão seguindo a ordem divina do Senhor e Salvador Jesus Cristo: "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem" (Mt 7.13, 14).

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Maio/2018 - Capítulo 2 - Jesus e a Defesa do Evangelho




Comentarista: Marcos Rogério


Texto Bíblico Base Semanal: Mateus 23.8-22

8. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.
9. E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus.
10. Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo.
11. O maior dentre vós será vosso servo.
12. E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.
13. Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.
14. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo.
15. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.
16. Ai de vós, condutores cegos! pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo, isso nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, esse é devedor.

Momento Interação

O Senhor Jesus Cristo é o exemplo máximo de excelência em apologia. Ele condenou a hipocrisia, a irregularidade pessoal e social dos Escribas e dos Fariseus. Demonstrou que havia na época o legalismo religioso e que fugiam totalmente dos objetivos, dos preceitos de Deus. Jesus os censurou e nos mostra o exemplo de que o foco principal do verdadeiro evangelho é somente a pregação do Reino dos Céus. Que nesta semana possamos em nossas vidas, entender esta base tão fundamental em nossas vidas. Deus vos abençoe!

Introdução

Como conhecer o verdadeiro Evangelho no meio de tantas falsas doutrinas que se passam pelo verdadeiro Evangelho?  Qual a relevância do verdadeiro Evangelho em um mundo de pluralidade religiosa? 
Nas páginas das Escrituras Sagradas, especialmente nos Evangelhos Sinópticos, temos a mais completa narrativa da vida e obra do Senhor Jesus Cristo. 
Neste capítulo, estaremos abordando como Jesus Cristo, os seus apóstolos e os primeiros cristãos defenderam o verdadeiro Evangelho. Esperamos que neste livro o leitor possa entender como Cristo foi um defensor do Evangelho, como os apóstolos e primeiros cristãos defenderam o verdadeiro Evangelho e como nós também devemos seguir-lhe os exemplos em defesa da fé Cristã que uma vez por todas foi entregue aos santos (Jd 3).
A apologética é, além de uma defesa racional da fé cristã, uma arte que deve ser cultivada por cada discípulo de Cristo nessa época contemporânea.  Paulo nos admoestou que ainda que ele mesmo ou mesmo um anjo vindo do céu nos pregue um evangelho que vá além do Evangelho que ele pregou que seja anátema (algo execrável, amaldiçoado) (cf. Gl 1.8). Que as páginas desse livro possam falar fundo ao seu coração nesse sentido! São os sinceros votos do autor e da equipe Ministério Evangelho Avivado.

I. Jesus Combateu os Escribas e os Fariseus 

A Bíblia esclarece que Jesus veio engrandecer a lei e fazê-la gloriosa Is 42:2 (ARA). A palavra hebraica usada para lei nesse texto é torah que são os primeiros cinco livros da nossa Bíblia e conhecidos como o Pentateuco que eram a maior parte das Escrituras disponíveis nos dias dos profetas. 
Jesus, então veio engrandecer a Palavra escrita, a Palavra inspirada, a Palavra de Deus, era essa parte importante de Sua missão. 
Uma das primeiras acusações ou insinuações que Cristo refutou de antemão foi a acusação de que Ele estava indo contra as Escrituras. Cristo refutou essa afirmação fizendo: "Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para cumprir (plero). Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i ou til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; mas aquele que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.  Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus" (Mt 5.17-20).
Vemos nessa palavras de Jesus que os escribas e fariseus estavam longe do reino dos céus, porque tentavam aocançá-lo por seus próprios méritos. 
Assim como na época dos reformadores havia a busca pelos méritos da auto flagelação, do confissionário, das missas, das penitências, das indulgências, relíquias e muitas outras formas de se buscar a salvação pelas obras, também nos dias de Jesus se tentava obter a salvação pelas obras da lei, a qual nunca teve a função de salvar, mas de revelar o pecado Rm 3:23 e conscientizar o homem de sua condição espiritual miserável levando-o a a buscar o Salvador que salvaria o Seu povo dos pecados deles (Mt 1.21). 
As sábias palavras de Jesus foram uma repreensão ao orgulhoso sistema religioso do sistema dos escribas e fariseus. Tais afirmação foi tida por eles como uma afronta, uma vez que os judeus se orgulhavam da sua religiosidade ostentando sua pretensa espiritualidade aos olhos do povo comum. Jesus ainda teria novas divergências com essa classe religiosa.

II. Jesus Combateu o Legalismo Religioso

Em relação à disposição de alguns, legalismo é o contrário de ser gracioso, por isso até crentes podem ser legalistas. Somos ensinados, no entanto, a ser graciosos uns com os outros: "Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões" (Rm 14.1). É triste dizer que alguns defendem sua posição escatológica de uma forma tão forte que acabam excluindo outras pessoas de sua comunhão antes de dar-lhes a chance de expressar uma opinião diferente. Isso também é legalismo. Muitos crentes legalistas de hoje cometem o erro de exigir uma aderência inadequada às suas interpretações bíblicas e até mesmo às suas tradições. Por exemplo, alguns acham que para serem espirituais eles precisam evitar cigarro, bebidas alcoólicas, danças, filmes, etc. A verdade é que evitar essas coisas não é garantia de espiritualidade.
Para evitar cair no erro do legalismo, podemos começar a aplicar as palavras do apóstolo João: "Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo" (Jo 1.17). Lembre-se também de ser gracioso, especialmente aos irmãos e irmãs em Cristo: "Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster" (Rm 14.4); "Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus" (Rm 14.10).

III. Jesus Demonstra o seu Verdadeiro Evangelho

Jesus viveu a plenitude do Evangelho exemplificando na Sua vida o verdadeiro amor, o amor abnegado, o amor ágape. Jesus aprendeu com seu pai terrestre a profissão de carpinteiro e sua mãe lhe ensinou os preceitos religiosos como era costume da época. 
Jesus estudava as Escrituras como todo menino da sua idade e a educação que recebeu de pais zelosos e que lhe contaram os atos miraculosos de Deus a favor deles livrando Jesus da morte por meio de Herodes. 
Jesus se destacava das crianças da sua idade crescendo em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens (Lc 2.52). Nesse relato de Lucas os próprios doutores da lei se surpreenderam com o conhecimento das Escrituras por parte de Jesus (Lc 2.47).
Por volta dos seus trinta anos de idade, Jesus foi batizado por seu primo João Batista no rio Jordão (Mt 3.13-17; Mc 1.9-11 e Jo 1.32-34) dando início ao Seu ministério terrestre que durou três anos e meio culminando com sua morte na cruz do Calvário (Lugar da Caveira). Logo aos ser batizado Jesus se retirou para o deserto sob a direção do Espírito Santo e jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e foi duramente tentado por Satanás (Mt 4.1-11; Mc 1.12-13 e Lc 4.1-13 e resistiu as tentações dando-nos exemplo de perfeita obediência, pois ao homem Deus não permite que seja tentado além das suas forças (1 Co 10.13), pois somente Cristo foi tentado acima das forças humanas sendo Ele o segundo Adão (cf.1 Co 15.45) e hoje é poderoso para socorrer os que são tentados porque experimentou-lhes as dores (Hb 2.18).

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Como Vencer os Pensamentos Maus


O texto tem por objetivo, apontar alguns princípios de como podemos vencer os pensamentos maus. Sabemos que, na vida cristã passamos por situações como essa, uma das consequências da queda do homem no Éden, ação essa que afetou todos os seus descendentes. Precisamos usar as armas corretas para vencermos todos os pensamentos que se opõem a palavra de Deus.

O maior campo de batalha, não está nos livros de histórias sobre guerras mundiais, ou na TV, mas sim na mente do cristão. Paulo define a mente como um campo de batalha:
  
Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne, pois as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas; derribando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo; e estando prontos para vingar toda desobediência, quando for cumprida a vossa obediência (2Co 10:3-6).

Paulo está falando de uma guerra que acontece na mente de cada cristão. Ele demonstra que o cristão deve usar armas espirituais, para destruir todo raciocínio que se levanta contra o conhecimento de Deus. E onde essa batalha ocorre? Na mente de todo aquele serve a Cristo. Portanto, precisamos usar as ferramentas adequadas para vencermos todo pensamento mau. Eis alguns princípios que nos ajudarão:

1.      Confissão de pecados

Muitos dos pensamentos maus que se passam em nossa mente, são por causa de pecados que comentemos contra Deus. O pecado trás danos a mente, por isso, é necessário analisarmos a nós mesmos, para descobrir se esses pensamentos são resultados de ações que estão ferindo a santidade de Deus.

Davi registrou no Salmos 51, a situação em que sua mente se encontrava depois do seu pecado com Bate-Seba. o Salmista se encontrava triste, e toda a sua tristeza era por causa do seu pecado. Mas Davi confessou seu pecado diante de Deus, e encontrou cura para o seu mau.

Assim devemos fazer, examinarmos a nós mesmo em oração, e pedirmos a Deus que nos mostre onde temos errado diante de sua santa presença. Porque muitas vezes comentemos pecados que não percebemos, como diz o Sl 19:12: Quem pode discernir os próprios erros? Purifica-me tu dos que me são ocultos. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1Jo 1:9). Confessar os pecados é um dos caminhos para vencer os maus pensamentos.

2.      Memorizar

No mundo de hoje, muitas pessoas não dão valor a memorização, acham uma prática ultrapassada, mas sabemos que essa é uma didática divina, claramente expressa nas Sagradas Escrituras. Para o mundo pode ser algo ultrapassado, porém não para nós, tudo o que Deus deixou foi para a nossa salvação.

É comum as pessoas afirmarem que não conseguem memorizar versículos bíblicos, alegando dificuldades de memoria. Mas será mesmo? Ou a questão é por falta de interesse? E se oferecessem uma quantia grande para memorizar um versículo da Bíblia no espaço de cinco dias? Será que não memorizariam? Se sim, a questão não esta na memoria ruim, mas na falta de interesse pelas coisas de Deus. 

Precisamos memorizar a palavra de Deus, só assim o Espirito Santo nos estará lembrando das palavras de Cristo (Jo 14:26). A memorização nos dá poder espiritual, (Sl 119:11); fortalece nossa fé (Pv 22:17-22) e nos dirigi no caminho de Deus (Sl 119: 24).

Diante disso, devemos também procurar métodos que nos auxilie na memorização da palavra de Deus, assim estaremos vencendo qualquer mal que vier em nossa mente.

3.      Ouvir pregações

Esse é outro recurso bem eficaz que podemos usar para vencer os pensamentos maus. Jesus disse: bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus, e a observam (Lc 11:28). Ouvir pregações deve ser uma prática nossa, até porque a fé vem pelo ouvi, e o ouvir a palavra de Deus (Rm 10:17). E não é sobre ouvir pregações em finais de semana, em uma igreja local, mas semanalmente. Hoje temos varias formas de ouvir a exposição da palavra, seja através das rádios, dvd, cd,  YouTube, celular e etc. Procure ouvi a mensagem das escrituras durante a semana, isso irá contribuir para sua vida espiritual.

4.      Ler as Escrituras 

Não basta memorizar versículos, e ouvir pregações, se não tivermos o hábito de leitura da Bíblia. A leitura das Sagradas Escrituras nos ajudará a derrubar e a nos defender de qualquer pensamento negativo. Encontramos nas passagens bíblicas a palavra de Deus sendo descrita como um escudo e uma espada (Pv 30:5, Ef 6:17). Você sabe usar esse escudo para se defender e manusear essa espada? Se não sabe, ou não tem o hábito, ficará vulnerável aos ataques que vier na sua mente.

Jesus disse para “examinarmos as escrituras” porque nela está a vida eterna (Jo 5:39). Jesus afirmou que nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Mt 4:4). Jesus estava no deserto quando pronunciou isto, Ele enfrentava todos os tipos de pensamentos maus que o diabo colocava diante dele.  Porém, Jesus dissipou todos, usando a palavra de Deus.

Devemos ler a palavra de Deus a cada dia, para vencer qualquer invertida satânica. Crie a prática de ler toda a Bíblia, procure planos que lhe auxilie nisto, procure livros que ajude na interpretação e aplicação das Escrituras, comentários bíblicos, e etc. 
  
5.      Meditação

A meditação é uma ordenança bíblica, apesar de muitos ligarem ela a yoga, nova era, e outros. A diferença da meditação bíblica para as outras, é que, elas estão fundamentadas em “esvaziar a mente de tudo”. Por outro lado, a da Bíblia ensina a “enchermos a mente com toda a verdade contida na palavra de Deus e do próprio Deus”.

Podemos entender meditar como: ponderar, refletir, pensar, projetar e intentar. A meditação está ligada a trazermos a mente algo em que lemos. A meditação vai além de ler, memorizar e ouvir.

Paulo escrevendo para os Filipenses, mostra em que eles deveriam meditar, e  nós também: Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai (Fp 4:8). Paulo fala “nisso pensai”, se referindo que nessas coisas devemos meditar. Tudo aquilo que não estiver de acordo com isto, devemos rejeitar, porque nenhuma delas nos trará edificação.

Conclusão

O principal argumento do texto é: enchermos nossa mente com as coisas espirituais. Fazendo isso, os pensamentos maus não encontrarão raiz alguma em nossa mente.
Se queres ser bem sucedido sobre este assunto, siga os princípios aqui colocados. Como a confissão de pecados, memorização, leitura, ouvir pregações e meditação nas coisas divinas. Tudo isso te levará a ter mais comunhão com Deus e a ter progresso na sua vida cristã.

Sidney Muniz  

quarta-feira, 2 de maio de 2018

A Prisão Escura do Medo em Nossos Dias




Por Leonardo Pereira


O medo virou hoje na sociedade, o grande fantasma da vida de muitas pessoas. Há muitos que estão dominados por este sentimento inquietante, amendrontador e aterrador. O medo aprisionou a mente de muitos, obscureceu os corações de pessoas outrora felizes, hoje encarceradas no mais profundo abismo escuro e frio do medo. Além da ansiedade e das tribulações que campeiam a vida do ser humano, o medo possui muitas facetas, e em diversas ocasiões, muitas delas importunas, traz males as pessoas tanto física, quanto espiritualmente.
As pessoas hoje devido a presente época, nos "tempos trabalhosos" (2 Tm 3.1-5), estão com medo de muitas coisas e de muitas ocaisiões. Podemos aqui listar alguns desses medos que assombram a vida de muitas pessoas.
O medo do desemprego é uma realidade clara como a água em nossos dias. As pessoas estão com medo de um dia terem o que se sustentar suas famílias e a sí mesmo, e no outro dia não terem mais um emprego com o  qual podem trabalhar para obter o seu salário honestamente. 1 E o que dizer da juventude que está saindo das escolas e da faculdade, que dependem de um emprego para auxliarem na sua família e em sua vida?
O medo de sair as ruas é mais um fantasma que assombra a população brasileira. Brasil é um dos países aonde se tem mais assassinatos e latrocínos (roubo seguido de morte). O medo da morte juntamente com o terror nos assombra cada vez mais. 2 O tráfico e o mundo das armas dominando o mundo. Parece-nos que nem a diplomacia nem os tratados recuam a onda de terror e angústia nos lares de muitos pais e filhos.
O medo de confiar uns nos outros também parece que vai aumentando cada vez mais. Está cada dia mais difícil contar com as pessoas para o auxílio e para se dizer com um "ombro amigo". Isso se deve ao prelúdio dos fins dos tempos no qual o Senhor Jesus Cristo já havia profetizado quando Ele disse que: "por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará" (Mt 24.12). Por isso, a cada dia que passa mais e mais situações surgem-nos para o amor a confiança, e a fé venham de momento a momento se deteriorar na sociedade ruindo como um castelo de areia.
Sabemos sem dúvidas que o medo em sua larga escala também é um dos males que afligem a sociedade. Citei alguns dos que mais se tem visto e ouvido em nosso meio recentemente como forma de olharmos e refletirmos o que tem ocorrido em nossos ambientes de convivência. Mas cremos que no meio disso tudo, está o nosso meio o  Senhor Jesus Cristo que com as suas palavras, dá-nos forças para enfrentarmos os dias maus: "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mt 11.29). 
Os apóstolos Paulo e João complementam um ao outro em suas palavras sobre o amor no qual o maior de todos os dons é o amor, e que o perfeito amor que lança fora todo o medo: "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor" (1 Co 13.13); "No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor" (1 Jo 4.18).





Notas:

1. https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2018/05/01/interna-brasil,677436/brasil-celebra-o-dia-do-trabalhador-com-desemprego-em-alta.shtml - Acesso dia: 01/05/2018.

2. https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2014/04/10/brasil-tem-11-dos-assassinatos-do-mundo-diz-onu-norte-e-nordeste-lideram.htm - Acesso dia: 01/05/2018.


Comentário Bíblico Mensal: Maio/2018 - Capítulo 1 - O Verdadeiro Evangelho de Cristo




Comentarista: Marcos Rogério


Texto Bíblico Base Semanal: João 6.29-40

29. Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.
30. Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu?
31. Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu.
32. Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.
33. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.
34. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão.
35 E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.
36. Mas já vos disse que também vós me vistes, e contudo não credes.
37. Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.
38. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
39. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia.
40. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

Momento Interação

Prezados irmãos e estudantes da Palavra do Senhor, estamos iniciando mais um Comentário Bíblico Mensal do mês de Maio do qual  estaremos estudando sobre o verdadeiro evangelho de Cristo. O apóstolo Paulo falou à respeito de um "outro evangelho" que não é o Evangelho do nosso Senhor (Gl 1.6). Devemos tomar muito cuidado com o que tem se falado à respeito do que se dizem ser o evangelho. Por isso, neste mês estamos estudando o tema: A Importância da Defesa do Evangelho de Cristo. O comentarista deste mês é o irmão Marcos Rogério. Ele é Ministro do Evangelho, editor, articulista, escritor, professor de estudos bíblicos, e Editor-Educacional do Ministério Evangelho Avivado. Que neste mês possamos compreender a profundidade e a preciosidade do Santo Evangelho de Jesus Cristo.

Introdução

Qual a relevância do Evangelho num mundo com milhares de religiões? Porque conhecer o verdadeiro Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo é importante? Onde podemos encontrar tal Evangelho? Corremos o risco de crer em um falso Evangelho acreditando ser ele o verdadeiro Evangelho? 

A Bíblia como Palavra de Deus inspirada pelo Espírito Santo (2 Tm 3.16; 2 Pd 1.20-21) é a portadora desse Evangelho autêntico, aliás é esse próprio Evangelho. Nesse livro você conhece o verdadeiro Evangelho (Jo 17.17) e é liberto do erro (Jo 8.32). Conheçamos agora um pouco mais desse maravilhoso Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

I. Jesus Inicia a Pregação do Evangelho

Logo após o início de seu ministério público e voltando para Galiléia, uma região ao norte de Israel, nome que significa província, distrito, Jesus passou a pregar e dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus (Mt 4.17). A Galiléia era a parte mais fértil dessa região. Os galileus estavam sempre dispostos a acolher novos mestres e a aceitar novas ideias. Gostavam de promover revoluções e se interessavam por inovações. Jesus Cristo, tendo escolhido seus discípulos, também conhecidos como apóstolos, termo que significa enviado, embaixador ou mensageiro passou a pregar o Evangelho do reino e curando toda sorte de moléstias, doenças e enfermidades entre o povo (Mt 4.23).  Os Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) nos fornecem dados históricos sobre Jesus e o início da pregação do Evangelho. Essas são as fontes históricas mais confiáveis e que mais detalhes dão sobre a vida e obra do Messias e suas pregações. 
A mente aberta dos galileus permitia a aceitação da aparente nova doutrina ensinada por Jesus. Na verdade, o Evangelho ensinado por Jesus não era uma nova e estranha doutrina, mas uma verdadeira interpretação da Torá, as Escrituras de sua época. 
Mateus, conforme sua característica distinta ao escrever seu Evangelho procura explicar os acontecimentos relacionados à vida de Jesus, baseado nas profecias messiânicas do Antigo Testamento procura provar aos seus compatriotas que Jesus era o Messias profetizado. Por isso, Mateus aplicou a Jesus dezenas de profecias do Antigo Testamento. O Evangelho de Jesus consistia em chamar o povo ao arrependimento porque o reino dos céus estava ao alcance de todos. O povo era instado a despertar da sua letargia espiritual e condição pecaminosa abandonando o pecado e tomando posse do reino de Deus pela fé.

II. Jesus Pregou sobre o Reino de Deus

A mensagem central de Jesus era o reino de Deus. Através de histórias, de parábolas e outros meios, Jesus contrastava a eternidade e superioridade do reino de Deus com a brevidade dessa vida e sua falta de sentido. Uma vida sem Deus não tem sentido. 
A frase "reino dos céus" ou "reino de Deus" é uma das que mais brotam dos lábios do Salvador conforme relatam os quatro Evangelhos. Um paliativo para o homem cansado das agruras desse mundo tenebroso, cheio de frustração e sofrimento. É através do arrependimento e fé no Salvador e a aceitação de Seus sacrifício viário que temos acesso ao reino de Deus. Podemos vislumbrar esse reino pela fé quando nossa natureza e transformada e passamos a ser cidadãos desse reino celestial aqui, ainda nessa Terra. O cerne da mensagem de Jesus onde o homem adquiri a promessa da vida eterna é o arrependimento. 
O governo teocrático de Israel havia passado e agora Roma governava Israel. Cristo, nesse contexto, falava de um novo reino, um novo governo teocrático, uma nova esperança, mas uma esperança eterna onde o reino inaugurado jamais seria substituído por outro reino. A mente dos homens era encaminhada para um reino superior onde habitaria a justiça (2 Pd 3.13). 
No decorrer de todo o Seu ministério, Jesus explicou o que se requeria do homem. Uma parte central da mensagem do Mestre era a mensagem sobre o reino de Deus. A nação judaica sabia do intento de Deus em reinar sobre Seu povo, mas imaginavam que Deus restabeleceria novamente uma teocracia sobre a nação em termos também de uma soberania política. Eles não entendiam a natureza espiritual do reino de Deus. Nas parábolas e outros métodos pedagógicos de Cristo, o reino de Deus era descrito como aquilo que é mais importante para o homem. 
O reino de Deus é comparado ao grão da mostarda (Mt 13.31-32; Mc 4.30-32) e como o fermento (Mt 13.33; Lc 13.20-21) e também como o tesouro escondido no campo (Mt 13.44) e uma pérola excelente, uma pérola de grande valor (Mt 13.45), que vale todo sacrifício e renúncia para obtê-la. O reino de Deus vale todo sacrifício e renúncia dos objetivos egoístas humanos para obtê-lo.
As páginas das Escrituras sagradas dirigem a mente do cristão não para este mundo, pois se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a essa vida somos os mais infelizes de todos os homens (1 Co 15.19) por isso, nós, segundo a Sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça (2 Pe 3.13).

III. Jesus fez a Vontade do Pai

A vida de Jesus foi de obediência, razão pela qual Ele se tornou nosso exemplo (1 Jo 2.6). Jesus, como o Filho de Deus tinha uma responsabilidade muito grande. Cabia-lhe ser nosso exemplo em todas as coisas e para tal Jesus precisava ser perfeito, separado dos pecadores (Hb 9.26). A vida de Jesus foi atribulada e Ele era ferozmente perseguido por Satanás que queria destruí-lo tentando impedir o plano salvífico e logo quando nasceu Satanás usou Herodes para tentar matá-lo (Mt 1.16-18). Posteriormente, Satanás queria que Jesus pecasse para que não fosse nosso Salvador e logo no início de Seu ministério terrestre Satanás tentou levar Jesus à queda tentando-o no deserto. 

Jesus passou quarenta dias e quarenta noites sem comer e assim como Satanás derrubou Adão pela alimentação, tentou derrubar o Senhor Jesus Cristo. A grande diferença é que Adão era perfeito no Éden e sem a mortalidade, já Jesus veio na natureza física mortal e Adão podia comer de todas as árvores do jardim (Gn 2.16) menos da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.17) e Jesus estava quarenta dias e quarenta noites sem comer e teve fome (Mt 4.2; Lc 4.2). Esse foi o contraste entre o primeiro e o segundo Adão, o Adão pelo qual veio o pecado e a salvação e o Adão pelo qual pelo qual veio a obediência perfeita e a salvação (Rm 5.12-21).  Pela obediência de Jesus em Sua vida perfeita fomos libertos do aspecto condenatório da lei e nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1).