quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Janeiro/2018 - Capítulo 3 - A Humildade, a Oração e o Jejum




Comentarista: Anderson Ribeiro


Texto Bíblico Base Semanal: Mateus 6:1-5; 9-13; 16-18

1. Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus.
2. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
3. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita;
4. Para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente.
5. E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
9. Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
10. Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;
11. O pão nosso de cada dia nos dá hoje;
12. E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
13. E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.
16. E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
17. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto,
18. Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.

Momento Interação

Diversos momentos da vida aparecem à nós como momentos inofensivos e seguros quando na verdade podem ser momentos de quedas e de ruínas. O Senhor Jesus ensinou preciosos valores completamente paradoxais aos doutores da Lei que ensinavam nas sinagogas. Um exemplo muito claro disso é sobre o ensino de Cristo com relação à ajuda oculta, a oração teocêntrica e sobre a prática do jejum. Temos nesta semana uma oportunidade ímpar de adentrarmos aos conhecimentos destes ensinamentos e como podemos aplicá-los em nossas vidas. Ótimos estudos!

Introdução

Jesus entra numa nova parte da mensagem, falando sobre o perigo de fazer as nossas obras para sermos vistos por homens. Ele não está dizendo que o discípulo esconderá todas as boas coisas que faz (compare 5:16), mas que nunca devemos fazer as coisas apenas para sermos vistos por homens. Devemos servir a Deus, e nos comportar de uma maneira agradável a ele. Esmolas devem ser dadas para servir a Deus e para ajudar aos necessitados, não para glorificar a pessoa que dá.

I. A ajuda Oculta

O verbo traduzido neste sentido da ajuda sem se mostrarem para os outros, era no caso usado em sentido de recibos e significava totalmente pago. A única retribuição que os hipócritas receberiam era a glória dos homens (Mt 6.5,16). Compare tais recompensas com os galardões celestiais que Cristo dá a Seus servos (2 Co 5.10; Ap 22.12). Aqueles que oram com propósitos errados já receberam o seu galardão — assim como aqueles que praticam boas obras, mas com intenções indevidas (Mt 6.2). A partir dos propósitos de oração (Mt 6.1-6), Jesus voltou-se para os métodos de oração. O propósito da oração determina como alguém ora (Mt 26.39,42,44). Não há nada de errado em repetir uma oração. Jesus está falando aqui da repetição de palavras vazias, como veremos à seguir.

II. A Importância da Oração

Orações devem ser dirigidas a Deus, não aos homens. Aqui, ele não está condenando orações feitas em público e nem está sugerindo que a oração não terá algum benefício para os ouvintes (cf. Jo 11.41-42). Ele está criticando as orações feitas para impressionar os homens, ao invés de comunicar com Deus.

Jesus inclui nesta advertência algumas práticas comuns na época: (1) a tendência de alguns judeus de fazer orações na rua para serem vistos dos homens, e (2) a prática de alguns gentios (pagãos) de usar muitas vãs repetições nas orações.

Obs: Algumas pessoas, determinadas a fazer regras onde Jesus faz apelos aos corações, têm distorcido a mensagem do versículo 5. Inventam regras dizendo que é pecado orar em pé, mas isso não é o ponto de Jesus. Em Lucas 18.13-14, o homem justificado orou em pé.
Não é o tamanho da oração, mas, sim, o seu poder, que agrada a Deus. O próprio Jesus orou a noite inteira antes da crucificação e em outras ocasiões fez breves orações, na maioria das vezes. Ele não está criticando longas orações aqui, embora não haja nada de especialmente espiritual nelas. Ele está simplesmente dizendo que a oração deve expressar um desejo sincero do coração, não apenas um monte de palavras. Deus não se impressiona com palavras, mas com o verdadeiro clamor de um coração necessitado. A oração não é uma tentativa do homem de mudar a vontade de Deus. O método que Deus usa para mudar nossa vontade é fazer com que ela se torne semelhante à dele. Mais do que mudar alguma coisa, a oração muda as pessoas. Oração não é dirigida a Deus para que Ele nos responda, mas para nos sintonizar com a Sua vontade, para que Ele nos ajude a obedecer-lhe. A oração na vida de um verdadeiro cristão é uma atitude de total confiança e conformidade aos planos e propósitos de Deus.

III. A Importância do Jejum

Quando jejuardes é uma referência ao jejum estabelecido pela Lei mosaica no Dia da Expiação (Lv 16.29) e o jejum voluntário. Os fariseus acrescentaram dois dias de jejum, às segundas e terças-feiras de cada semana, para mostrar ao povo sua piedade. Mas o verdadeiro propósito do jejum era a contrição e a comunhão com Deus. O jejum é especialmente citado como um meio eficaz de subjugar a carne e vencer a tentação (Is 58.6). Os fariseus consideravam a prática do jejum uma maneira de demonstrar piedade e apareciam nas sinagogas vestidos de modo desleixado. A aparência abatida do rosto e as vestes maltrapilhas que usavam eram uma tentativa de mostrarem uma santidade maior diante do povo.

A frase desfiguram o rosto (gr. aphanizo) significa literalmente que cobrem o rosto. Também é uma figura de linguagem que expressa os gestos de contrição e a aparência humilde daqueles que queriam que todos vissem que eles estavam jejuando. Isso também era feito com cinzas (Is 61.3).

domingo, 14 de janeiro de 2018

Os Ensinos do Senhor Jesus Cristo em um mundo relativista




Por Leonardo Pereira

O mundo contemporâneo mostra-nos um perigoso preocupar no horizonte da humanidade de acordo como vai caminhando as pessoas nesta era da pós-modernidade (um avanço considerável da tecnologia e da ciência), não somente acerca da nação brasileira, como também de todas as partes, pessoas e culturas do mundo como um todo. A preocupação em sua grande maioria parte sobre a responsabilidade de Seus discípulos legarem os ensinamentos do Senhor Jesus conforme a Sua palavra antes de ser assunto aos céus (Mt 28.19,20; At 1.8). Esta é uma reflexão necessária importante para os nossos dias, visando prepararmos adequadamente as próximas gerações.

Ao longo dos tempos, houve diversos debates e inúmeros concílios eclesiásticos que buscarem estabelecer uma linha amena e equilibrada sobre os ensinamentos de Cristo e sobre o próprio Cristo. Infelizmente houveram os dois lados nesta empasse: os que conseguiram estabelecer uma média doutrinária, e os que fizeram as chamadas divisões teológicas e doutrinárias, dando origens a inúmeras seitas, várias organizações e muitos movimentos diversificados com suas próprias linhas doutrinárias e teológicas.

Com o crescimentos de grandes movimentos, houve por um lado, um momento favorável na ampliação do movimento discipulativo, missionário e evangelístico, como também houve diversas disputas por cargos e poderes dentro de várias organizações evangélicas, o que gerou mais divisões, mais desuniões e mais polêmicas doutrinárias e teológicas. E aqui cabe uma pergunta que hoje se tem feito com forte frequência: e os ensinos de Jesus Cristo? Aonde é que eles ficam em meio a tudo isso?
Esta é a pergunta que nós cristãos devemos responder, de acordo com as palavras do apóstolo Pedro: "Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, Tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo" (1 Pe 3.15,16). 

O verdadeiro cristão deve sempre buscar meditar na palavra e na oração para que possas ficar firme e preparado acerca de toda e qualquer situação que possa ocorrer em sua vida, tanto de modo teológico, quanto de modo doutrinário, tendo a Bíblia Sagrada sempre como sua primazia, e se atentar com muito cuidado e temor, para as palavra ternas e gloriosas do Senhor e Salvador Jesus Cristo sobre ouvi-lo sempre e cumprir a Sua poderosa vontade: "Qualquer que vem a mim e ouve as minhas palavras, e as observa, eu vos mostrarei a quem é semelhante: É semelhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem fundo, e pôs os alicerces sobre a rocha; e, vindo a enchente, bateu com ímpeto a corrente naquela casa, e não a pôde abalar, porque estava fundada sobre a rocha. Mas o que ouve e não pratica é semelhante ao homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com ímpeto a corrente, e logo caiu; e foi grande a ruína daquela casa" (Lc 6.47-49). Neste mundo relativista, que os genuínos ensinos do Senhor Jesus Cristo em Sua palavra venham sempre ser lâmpada para os nossos pés, e luz para os nossos caminhos (Sl 119.105).

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Janeiro/2018 - Capítulo 2 - O Amor e a Perfeição em Cristo



Comentarista: Anderson Ribeiro


Texto Bíblico Base Semanal: Mateus 5:17,18, 27-30,34-39

17. Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.
18. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido.
27.Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.
28. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.
29. Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
30. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
34. Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
35. Nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei;
36. Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto.
37.Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.
38. Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
39. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;

Momento Interação

Estudantes da Palavra do Senhor, Graça e Paz à todos! Como tem sido a experiência com o novo currículo do Comentário Bíblico Mensal? Estão gostando das novidades? Estamos nos esforçando para passar à vocês excelentes conteúdos bíblicos de qualidade com toda dedicação e respeito que todo aluno, estudante da Palavra de Deus deve ter. Nesta semana estudaremos à respeito sobre características muito difíceis de serem encaradas no dia de hoje que é: o adultério, o juramento e a vingança. Vivemos em uma sociedade totalmente individualista, rancorosa e egoísta, aonde estes assuntos sempre são colocados de lado, visando ódio, mágoa e rancor. Não é fácil lidar com traições, falsidades e sentimentos vingativos. Temos neste capítulo uma excelente oportunidade de estudarmos e ter em nossas vidas unidas com o Senhor Jesus ,  imensos valores morais e espirituais provenientes dos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. Deus vos abençoe!

Introdução

Jesus já havia se tornado uma figura polêmica, e faz questão de esclarecer alguns pontos importantes antes de entrar numa série de contrastes. Muitas pessoas da época respeitavam os fariseus como fiéis defensores da lei do Velho Testamento (dada por Deus através de Moisés). Jesus já tinha discutido diferenças com os fariseus em várias ocasiões, principalmente sobre o sábado. Antes de desafiar diretamente os ensinamentos deles, ele quer deixar bem claro que ele respeita totalmente a vontade do Pai, o qual revelou a lei do Velho Testamento. Ele veio para cumprir, não revogar. A lei de Moisés preparou o povo para a vinda de Jesus. Estava cheia de sombras, tipos e profecias sobre o Messias. Jesus não ia negar nem jogar fora aquelas palavras significantes. Ele veio para cumprir o propósito da lei, e trazer a solução para o problema que a lei revelou nitidamente: o pecado.
Jesus não estava contradizendo a lei, nem incentivando outros a rejeitá-la. Ele mesmo guardou os mandamentos.
Mas, ele chamou seus discípulos a praticar uma justiça maior que a dos fariseus e escribas. A série de contrastes que segue mostra a diferença entre os ensinamentos de Cristo (nos quais ele vai ao coração do servo) e os dos fariseus e escribas (os quais inventaram muitas regras externas sem respeitar os princípios maiores da lei).

I. Jesus fala sobre o Adultério 

O exemplo que Jesus apresentou em seguida envolve os mandamentos sobre o adultério. Primeiro, ele citou o sétimo mandamento: ‘Não adulterarás’. No contexto da lei de Moisés, o adultério ocorria quando uma pessoa casada se envolvia sexualmente com alguém que não fosse seu cônjuge. A lei era muito clara em que ambas as partes culpadas de adultério deviam ser condenadas à morte. Assim como acontece com o sexto mandamento, Jesus mostrou as implicações mais profundas desse mandamento específico. O adultério muitas vezes começa muito antes da concretização do ato. Da mesma forma que o assassinato começa com a intenção de causar dano permanente a alguém, o adultério começa no exato momento em que o indivíduo deseja sensualmente outra pessoa, casada ou solteira, com quem ele não é casado.
Jesus foi bem claro e objetivo, os nossos sentidos, instrumentalizados através dos olhos, das mãos e de outros membros do corpo, pode nos levar a cometer pecado. No entanto, vale salientar que o pecado antecede qualquer ação para pratica-lo efetivamente. Só a graça de Deus é capaz de nos tornar capazes de superar o grande desafio de vencer o pecado.
Nossos olhos e nossas mãos podem nos levar ao pecado. Acabamos realizando aquilo que nutrimos com nossos sentidos e nossa mente. Na realidade, o pecado já começa nas intenções impuras. Somente a graça de Jesus pode nos livrar dessa morte espiritual.
Jesus ofereceu uma solução instantânea para aqueles pecados que foram expostos. A solução não é seguir com o pecado, mas fazer uma autocirurgia radical. Com metáforas fortes, Jesus aconselhou a pessoa que tem o problema a fazer o que é necessário se ela deseja entrar no reino. Isso pode significar tomar um caminho diferente para ir ao trabalho ou terminar uma amizade querida, mas o ganho eterno supera em grande medida as paixões do momento.

II. Jesus fala sobre o Juramento

O povo judeu possuía uma formação muito rigorosa com respeito ao juramento. Isto vinha dos tempos de Moisés, quando instituía a Lei para os judeus citando por diversas vezes as restrições com respeito ao jurar usando o nome de Deus.
É interessante verificar que esses cuidados eram de tal ordem que, em cada um dos livros do Pentateuco, exceto o Gênesis, onde ele funcionou apenas como escriba, isto é, em Êxodo 20.7, em Levítico 19.12, em Números 30.2 e em Deuteronômio, duas vezes, 5.11 e 23.23, ele faz menção ao juramento como algo que podia ser feito em nome de Deus, desde que fosse depois cumprido na íntegra.
Davi dá outro realce ao cuidado com o juramento quando em um de seus salmos, aquele que alude ao "verdadeiro cidadão dos céus", chega a mencionar que o perfil desse cidadão é de alguém que, "mesmo que jure com dano seu, não muda" (Sl 15.4b). Vem Cristo agora e vai mudar tudo isto. É o terceiro antagonismo que ele traz entre a sua Graça e a Lei de Moisés:
"Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos. Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis..." (Mt 5.33,34).
Sim, à guisa de mostrar-se zeloso, o judeu passou a banalizar o juramento. Jurava por qualquer coisa, especialmente pelas mínimas, o que não lhe exigiria sacrifício algum em cumpri-las, fazendo-o apenas para mostrar-se como um cidadão respeitável e temente a Deus. Vem o Senhor Jesus e diz: Nada disto! Nenhum compromisso terreno é digno de ser garantido pelos valores espirituais e eternos. O cristão tenha sua palavra garantida e dignificada por seu caráter e integridade. Ele não precisa de artifícios outros para demonstrar que, em seu viver, o seu falar é "sim, sim; não, não", sem a necessidade de juramentos, pois aquilo que ele fala ele cumpre! Como crente, você está vivendo assim?

III. Jesus fala sobre a Vingança

O famoso "lex talionis" ou lei de retaliação estabelecia o conceito da reciprocidade do crime e da punição. A perda de um olho seria punido com a perda do olho do culpado. Na verdade, esta lei (Lv 24.19-20) visava coibir a retribuição e inibir a vingança. Não era que o culpado seria sempre obrigado a pagar com perda igual. A punição podia ser menor. Mas, a vítima não podia exceder o que ela havia originalmente sofrido ou perdido. Como Gandhi observou, se a lei fosse realmente aplicada em pouco tempo todo mundo estaria cego e sem dentes. Nos dias de Jesus a recompensa monetária havia substituído em boa parte a aplicação da "lex talionis". No entanto, Jesus mostrou uma justiça superior, que visa não a reparação de danos ou a restauração de bens matérias, mas, a restauração de almas perdidas e a reparação de relacionamentos quebrados. Quando somos injustiçados, quando alguém tira vantagem, como é que nos sentimos? Impotentes, indefesos, sem controle. E, quando nós nos vingamos, quando conseguimos "dar o troco", uma das coisas que tentamos ter de volta é a sensação de que temos alguma força, que temos controle, que nós também podemos mandar na situação. Quanto vale um objeto quebrado ou um bem danificado em comparação a uma alma perdida? Jesus não está mandando que seus discípulos se submetam cegamente a agressões, mas ele está nos proibindo de revidar, de nos vingar. Veja as atitudes de Pedro (At 5.29) e Paulo (At 16.37; 22.25; 25.8-12), que nem sempre se submetiam passivamente a ameaças ou agressões. Entretanto, há situações em que será melhor perder ou sofrer do que buscar nossos "direitos". Jesus está nos apontando para um reação alternativa que pode surpreender e começar a mudar quem nos ofendeu ou nos machucou. Quem sabe a mudança alcance não só os que nos ofenderam, mas, a nós também. Talvez seja nós que mais precisamos.

Conclusão

Grande tem sido a misericórdia do Senhor para conosco. Não há como medir o que o Senhor já perdoou das minhas ofensas. Dai a todos nós, ó Pai, uma medida igual do seu amor, para todos que precisam, especialmente aqueles que nos ofendem. Que nós possamos ser embaixadores do seu perdão para com todos.