sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Setembro/2018 - Capítulo 3 - A Separação do Cristão com o Mundo




Comentarista: Maxwell Barbosa



Texto Bíblico Base Semanal: 1 João 2.1-12

1. Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.
2. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.
3. E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos.
4. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade.
5. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele.
6. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou.
7. Irmãos, não vos escrevo mandamento novo, mas o mandamento antigo, que desde o princípio tivestes. Este mandamento antigo é a palavra que desde o princípio ouvistes.
8. Outra vez vos escrevo um mandamento novo, que é verdadeiro nele e em vós; porque vão passando as trevas, e já a verdadeira luz ilumina.
9. Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas.
10. Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo.
11. Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos.
12. Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo seu nome vos são perdoados os pecados.

Momento Interação

Em 1 João 2, o apóstolo João inicia ensinando que amor a Deus e obediência estão completamente ligados. Não há como dizer que ama a Deus e viver de maneira que o desagrade. Da mesma maneira, devemos amar ao nosso irmão. Muitos cristãos vivem em guerra com outros, por muitos motivos. Isso não é agradável ao Senhor. Ele tem prazer na nossa comunhão. Ele prossegue dando recomendações aos pais e aos jovens e nos alerta sobre o fato de que não devemos amar ao mundo. Pois tudo o que há no “mundo”, o sistema de pecado dominado pelo diabo, não provém do Pai.

Não devemos nos envergonhar de Jesus Cristo, pelo contrário devemos fazer confissão pública do seu nome, palavra e ensino. Faremos isso com a unção que temos recebido dele e que nos ensina todas as coisas.

Introdução

João não quer permitir espaço para o pecado. O motivo ou propósito dessa carta, é “dissuadir-vos e afastar-vos do pecado”. Observe a interpelação familiar e carinhosa com que introduz a admoestação: “Meus filhinhos”. Pelo fato de talvez terem sido gerados pelo seu evangelho, filhinhos pelo fato de terem menor idade e experiência do que ele, meus filhinhos como sendo preciosos para ele nos laços do evangelho. 

Certamente o evangelho prevaleceu mais quando esse amor ministerial esteve presente. Ou talvez o leitor criterioso encontrará razão para pensar que o significado do apóstolo nessa dissuasão ou advertência redunda na seguinte interpretação: “…estas coisas vos escrevo para que não pequeis”.

I.  Guardando os Mandamentos

Sabemos que temos conhecido nos fala de algo que fica evidenciado, bem visível na vida da pessoa. Quem conhece  Jesus assume um  compromisso sério com ele. O Apóstolo está ensinando que não devemos ser somente ouvintes. Aquele que diz que conhece Jesus deve guardar os seus mandamentos.

Aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou. Devemos imitar Jesus (1 Pe 2.21). O nosso objetivo deve ser o mesmo de Paulo,sede meus imitadores como eu sou de Cristo. Andar como cristo andou é colocar a nossa vida a disposição de Deus, e aceitar as modificações que ele deseja fazer em nossas vidas mudando de uma vez por todas o nosso caráter, se Jesus toma, essas iniciativas nós conheceremos verdadeiramente a vontade de Deus e a sua presença em nós. Precisamos assumir a responsabilidade de por em prática o que já temos aprendido da palavra de Deus (Rm 6.8-14).

II. O Amor aos Irmãos

Uma pessoa pode dizer que conhece a Deus. De fato, muitos fazem assim, desde os dias de João. Muitos também fazem isso hoje. Mas falar é fácil.

Guardar os mandamentos era muito importante para João e é para Jesus. A expressão ocorre frequentemente nos escritos de João. Guardar os mandamentos é sinal de que conhecemos a Deus/Jesus e O amamos. Aqui, amor e obediência são relacionados. Esse verso pode se referir tanto a Deus, o Pai, como a Jesus e é um pouco ambígua – provavelmente de propósito. 1 João 2:4 afirma a mesma verdade em condições negativas, e pode se referir à falsa afirmação feita pelos que dizem que você pode vir a conhecer Deus e ainda negligenciar a guarda dos mandamentos. João ataca essa ideia em linguagem muito forte, chamando de mentiroso quem ensina assim.

O tipo de conhecimento de Deus de que a Bíblia fala não é um conhecimento de fatos, apenas. É o conhecimento que forma a base de uma relação de amor. Você não pode amar verdadeiramente alguém que não conhece. E se você ama uma pessoa, vai agir de certa maneira. Um homem que ama verdadeiramente a esposa não vai enganá-la. Ele pode professar dia e noite seu amor, mas se seus atos não revelam esse amor, usando as palavras de João, ele é “um mentiroso”.

Depois de destacar a importância da obediência aos mandamentos (1 Jo 2.3, 4), João introduz nos versos 7 e 8 a ideia de um “novo mandamento”. Que “novo mandamento” é esse? A resposta se encontra em João 13.34, em que aparece a mesma expressão: “novo mandamento”.  Depois de ter mostrado aos discípulos o que significa servir; isto é, rebaixar-Se e executar a humilde tarefa de lavar os pés de alguém, Jesus deu Seu “novo mandamento”. Seus discípulos deviam amar uns aos outros assim como Jesus os amava.

Situação semelhante acontece em 1 João 2.6-8. Depois de ter falado em andar como Jesus andava, João apontou para o mandamento de Jesus em João 13. É essa conexão literária com João 13:34, 35 que nos ajuda a desvendar o significado de 1 João 2.7, 8. O mandamento de que João está falando é o do amor fraternal. Mas por que ele afirma que não dá um novo mandamento, mas um antigo? É porque o mandamento do amor ao próximo já estava presente no Antigo Testamento (Lv 19.18). Quando João escreveu sua epístola, “o novo mandamento de Jesus” de João 13.34 já existia havia muitos anos.

III. A Vontade de Deus que Permanece para Sempre

Corremos atrás de muita coisa temporária. Assim que adquirimos, temos que tentar preservá-la porque sabemos que logo terminará. Deus nos prometeu que assim como Ele é eterno e viverá para sempre, aqueles que têm um relacionamento com Ele e estão comprometidos a fazer a vontade do Pai também viverão para sempre. Vamos sentar e estudar como gastamos nosso tempo, dinheiro e esforços, e perguntar se o que estamos perseguindo realmente vale a pena. Depois vamos fazer mais uma pergunta importante: “Mesmo que valha a pena ter, vai durar o suficiente para fazer uma diferença?”

A Bíblia afirma que  a marca do verdadeiro cristão é não amar o mundo. O apóstolo João nos vários motivos pelos quais os cristãos não devem amar o mundo. O cristão está no mundo (Jo 17.11), mas não é do mundo (Jo 17.14). O cristão é chamado do mundo e enviado de volta ao mundo como luz e testemunho (Jo 17.18). Temos que ter cuidado porque o mundo entra no cristão pela porta do coração: “Não ameis o mundo...” (1 Jo 2.15). Que possamos viver sempre  lembrando que o amor ao mundo é o amor que Deus odeia. Aquele que faz a vontade do Senhor permanece para sempre. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

"O aqui e o Agora"! Perigos reais de um Pragmatismo Moral e Social




Por Leonardo Pereira



O pragmatismo ¹ em sua essência original, atingiu grande das comunidades evangélicas brasileiras, com uma poderosa onda de idéias, relacionamentos, atitudes, pensamentos e reflexões sobre o ter e também sobre o ser, e é aqui aonde muitos problemas surgem para pessoas que buscam respostas e confortos em sua vida aqui na terra. Entre as ondas de rádios, de aparelhos de televisores e smartphones neste tempo tão diversificado, a humanidade demonstra grandes sinais de mudanças éticas, morais e sociais, tanto para o bem, quanto para o mal. Um olhar mais criterioso nos aponta pelo menos três razões básicas para que essas mudanças ocorram com grande intensidade nesse tempo tão rápido e urgente aonde o importante é ter agilidade e conhecimento.

A primeira razão pode ser apontada como os propósitos na vida das pessoas nos dias de hoje. Até a década de 80, o objetivo em si era trazido como crescimento do núcleo familiar para o bem maior da nação. Atualmente, os objetivos são múltiplos e muitos deles, não há qualquer sentimento para com os planos de Deus envolvidos em sua vida, muito menos, os objetivos dentro do seio familiar. Aonde o pragmatismo entrou, matou grandes relacionamentos familiares, conjugais, e principalmente, relacionamentos eclesiásticos.

A segunda razão que pode ser apontada  é a cultura do humanismo em nosso tempo. O que é o humanismo? É a ideia de que você tem o controle total em sua vida, e que a sua vida só vale a pena se for investida em sí mesmo e em mais ninguém. Não há espaço algum para uma frutífera relação entre Deus, Igreja, família e amigos. Este é um forte reflexo de como são os tempos trabalhosos (2 Tm 3.1-5).

A terceira e última razão que podemos apontar é a multiplicação da iniquidade ao redor de todo o planeta terra. As fiéis e verdadeiras palavras de Jesus Cristo deixam mais do que claro o que aconteceria nos últimos tempos: "Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará" (Mt 24.10-12). Hoje mais do que nunca sentimos os intensos efeitos da falta de amor com a decorrência da grande multiplicação do pecado em nosso meio. ²

Muitos infelizmente estão entrando por um caminho relativista e sincretista deixando de lado a certeza daquele que morreu e ressuscitou: Jesus Cristo! E não são poucos os irmãos de nossa nação que já foram cooptados pelas ideias de um viver relativista, especialmente no que se refere à Cristo e em sua Palavra (Jo 17.17). ³

Certamente, todos nós teremos algum dia, dúvidas que nos colocaram em uma bifurcação da vida. Mas quando este momento chegar, devemos agir de acordo com as palavras do Senhor Jesus: Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim. Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens" (Mt 24.45-47). 

Irmãos, oremos pela nossa nação!


Notas:

1. O relativismo é ponto de vista epistemológico (adotado pela sofística, pelo ceticismo, pragmatismo etc.) que afirma a relatividade do conhecimento humano e a incognoscibilidade do absoluto e da verdade, em razão de fatores aleatórios e/ou subjetivos (tais como interesses, contextos históricos etc.) inerentes ao processo cognitivo.

2. ATAÍDE, Romulo. O Cristão e a Pós-Modernidade. São Paulo: Evangelho Avivado, 2018.

3. CÉSAR, Marília de Camargo. Feridos em nome de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Setembro/2018 - Capítulo 2 - O Senhor Deus é Luz




Comentarista: Maxwell Barbosa



Texto Bíblico Base Semanal: 1 João 1.5-10

5. E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas.
6. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.
7. Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.
8. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.
9. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.
10. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

Momento Interação

Em seu livro, João escreve a respeito de assuntos importantes para a vida cristã. Trata de dizer que a vida cristã é vida em união com Deus e com Jesus Cristo e também em união de uns com os outros. Esta união se manifesta no amor que os cristãos tem uns pelos outros em obediência ao mandamento que Jesus deu aos seus seguidores. João também mostra que esta união com Deus resulta da atuação do Espírito Santo, que Deus derramou sobre nós. Em último lugar, ele trata de mostrar que o que somos nesta vida não é nada comparado com a vida que nos espera no futuro. Agora de fato, já somos filhos de Deus; mas quando Cristo aparecer, no Dia final, “ficaremos parecidos com Ele, pois o veremos como Ele realmente é”.

Introdução

Em 1 João 1, o apóstolo João começando falando sobre a autoridade do seu testemunho. Ele escreve acerca daquilo que ouviu, viu, contemplou e tocou com as mãos, isto é o Senhor Jesus Cristo. A primeira mensagem que ele deseja transmitir é que Deus é luz. Se queremos ter intimidade e compromisso com Deus precisamos, também andar na luz como ele está.

Isso ocorre primeiramente por meio do reconhecimento de que somos pecadores. Não podemos cair na tentação de achar que somos perfeitos, mais santos que qualquer outro cristão. Devemos confessar os nossos pecados e manter sempre a consciência dependente de Deus, dessa forma o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado e temos comunhão com Deus.

I. Em Deus não há Trevas

Deveríamos receber com alegria uma mensagem da Palavra da vida, da Palavra eterna: e a mensagem atual é essa (relativa à natureza de Deus, a quem devemos servir e com quem deveríamos ansiar toda comunhão concedida) – “…que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1 Jo 1.5). Esta descrição declara a excelência da natureza divina. Ele é toda a beleza e perfeição que podem ser representadas a nós pela luz. Ele é a espiritualidade, pureza, sabedoria, santidade e glória auto ativas e não compostas. E, por conseguinte, a inteireza e plenitude dessa excelência e perfeição.

Não há defeito ou imperfeição, nenhuma mistura de nada oposto ou contrário à absoluta excelência, nenhuma mutabilidade nem capacidade de qualquer deterioração nele: “…e não há nele treva nenhuma” (1 Jo 1.5).

Ou, então, essa descrição pode estar relacionada mais imediatamente ao que é comumente chamado de a perfeição moral da natureza divina, que devemos imitar ou que deve nos influenciar mais diretamente no nosso trabalho no evangelho. E, assim, ela irá compreender a santidade de Deus, a absoluta pureza de sua natureza e vontade, seu conhecimento penetrante (particularmente dos corações), seu zelo e justiça, que queimam como uma chama extremamente brilhante e impetuosa. E apropriado que o grande Deus seja representado por uma luz pura e perfeita neste mundo em trevas. E o Senhor Jesus que melhor abre as nossas mentes para o nome e natureza do Deus insondável. “O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer (cf. Jo 1.18). E a prerrogativa da revelação cristã trazer-nos o mais nobre, o mais respeitável e apropriado relato do Deus santo, da forma mais adequada à luz da razão e o que é demonstrável por meio disso, mais adequada à grandeza das suas obras em nós e à natureza e missão daquele que é o administrador, governador e juiz supremo do mundo.

II. Andando em Comunhão com o Senhor

No capitulo 1.1-4, João fala em nome dos apóstolos que foram testemunhas que acompanharam o ministério de Jesus, e viram e ouviram o que Ele fez e ensinou. Assim sendo, João testifica sobre experiências vivenciadas com Cristo. Nós também precisamos compartilhar o que experimentamos. Precisamos falar daquilo que realmente temos recebido. João nos mostra em 1.3, que seu objetivo em compartilhar suas experiências é que possamos ser levados a ter comunhão. Ao pensar na necessidade de comunhão, João se preocupa em ter comunhão com seus irmãos em Cristo, e ao mesmo tempo deixa claro que esta comunhão terminava por estabelecer também comunhão entre eles e o Pai. Assim, a mensagem de João deve nos levar a priorizar a comunhão com os nossos irmãos em Cristo. Somos um corpo, e este corpo só avança quando desfruta de verdadeira comunhão.

III. O Senhor Jesus nos Purifica de Todo o Pecado 

A nova vida em Cristo nos tira das trevas e nos conduz a comunhão de luz e verdade uns com os outros em Cristo Jesus. Portanto, a comunhão com Deus é possível por causa do valor eterno do sangue de Cristo. 

Um verdadeiro cristão anda habitualmente na luz que equivale a verdade e santidade, e não na escuridão, que é a mentira e o pecado. Sua caminhada também resulta em purificação do pecado porque o Senhor perdoa continuamente Seus filhos. Já que aqueles que andam na luz compartem no caráter de Deus, eles vão ser habitualmente caracterizados por Sua santidade (3 Jo 11), indicando a sua verdadeira comunhão com Ele (Tg 1.27). Um cristão genuíno não andará em trevas, mas somente na luz. Jesus é a luz. Se andarmos no reflexo de Sua luz, vamos cumprir a Escritura que diz que somos a luz do mundo (Mt 5.14).