domingo, 19 de agosto de 2018

Os Obstáculos e os Benefícios da Meditação



Toda prática espiritual tem seus obstáculos, e os seus benefícios para a vida cristã. Precisamos estar conscientes das barreiras que nos impedem de fazer da meditação um hábito espiritual. Todos que pretendem realizar essa pratica piedosa, enfrentarão obstáculos. Por isso, é necessário que conheçamos cada um deles para que possamos lutar e vence-los. Se os cristãos conhecessem os benefícios que há em meditar nas coisas de Deus, não perderiam tempo com as coisas fúteis dessa vida e desejariam mais de Deus sobre suas vidas.

Portanto, o propósito desse texto é mostrar os entraves que surgem sobre os que querem meditar e receber as bênçãos que procedem dessa prática.

1. Os obstáculos da Meditação

Destacaremos aqui alguns obstáculos que impedem o sucesso na meditação:

a) Ignorância

Quando perguntamos a alguns cristãos se eles meditam, os mesmos afirmam: “Que não conseguem concentrar seus pensamentos nisso, porque eles são como a onda do mar que é arremessado de um lado para o outro”. Diante disso, devemos entender que os pensamentos dispersos não isentam o dever do cristão. Geralmente, quando esses argumentos são usados, fica claro a ignorância sobre o dever de meditar. E não somente isto, mas é uma prova clara que não há amor a Deus e a sua palavra. Desse modo, muitos deixam de meditar por falta de conhecimento sobre o assunto e preferem ficar na ignorância.

b) As atividades dessa vida 

Alguns não meditam por falta de conhecimento sobre esse tema, outros colocam como barreira as atividades desse mundo. Alegam que não podem, pois andam ocupados demais com os empreendimentos deste mundo, assim, acham que não podem ter um desempenho com seriedade. A primeira coisa que a pessoa que esta nessa situação deve ter em mente é: a verdadeira espiritualidade, não é praticada somente em momentos de lazer, porém, as atividades desse mundo devem levar-nos mais a meditação. Josué estava na liderança do povo de Deus, era um homem altamente ocupado, mas Deus disse que ele deveria meditar na sua lei de dia e de noite.

c) Sono Espiritual  

Um dos obstáculos ferrenho do homem nesse hábito, é o sono espiritual ou a preguiça espiritual. As pessoas que vivem assim, dizem que têm boas intenções, mas suas almas se inclinam para distante da meditação. O autor de Provérbios afirma: A sonolência cobrirá de trapos o homem (Pv 23:21). É mais do que claro, todo aquele que se lança na sonolência para com a meditação, sofrerá prejuízos quanto a espiritualidade; um deles é a indiferença para com as coisas de Deus. Certo puritano sobre isto disse: “É preferível esmerar-se do que sofrer dores, e jungido com as cordas do dever do que com as cadeias das trevas”. Uma pessoa que vive em uma situação como esta, precisa analisar suas preferências, para assim ver se estão mais inclinadas a Deus ou ao mundo, porque a preguiça espiritual não é defeito físico apenas, mas espiritual.

d) Prazeres e amizades do mundo

Os prazeres e as amizades do mundo têm impedido muitos cristãos de meditarem na palavra de Deus. Muitos não estão dispostos a abandonarem o entretenimento fútil do mundo e nem os amigos. Esses devem lembrar que, “as coisas desse mundo estragam nossa espiritualidade e nos indispõe para com os deveres da meditação”. As coisas de Deus são maiores do que os prazeres do mundo, as coisas desse mundo passam, todavia, aqueles que se empregam na meditação, serão recompensados na eternidade e nessa vida. Lembrando o que Tiago disse: Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tg 4:4).

e) Falta de disposição

A falta de disposição tem sido um grande vilão, que tem roubado a muitos quanto a prática da meditação. Os que estão nessa situação a consideram uma tarefa muito difícil e sobrecarregada, por isso, não se dedicam a estar a sós com Deus. Esses pensamentos, precisam ser purificados com o sangue de Cristo, para que assim, venham se comprometer com a meditação e os meios de graça. O puritano Calamy demonstra, os prejuízos graves de ficar indisposto a meditação: As consequências de omitir-se da meditação são sérias. Conduz ao endurecimento do coração. Por que as promessas e ameaças de Deus causam tão pouca impressão em nós? Porque falhamos em meditar sobre elas. Por que somos tão ingratos a Deus por Suas bênçãos? Por que Suas providências e as aflições falham em produzir santo fruto em nossas vidas? Por que não conseguimos beneficiar-nos com a Palavra e os sacramentos? Por que somos tão prontos a julgar os outros? Por que nos preparamos tão mal para a eternidade? Por que a falta de meditação é tão clamorosa em nós?

2. Os benefícios da meditação

Depois de verificarmos os obstáculos a meditação, agora verificaremos os benefícios que ela trás para a vida cristã, elas são:

  • A meditação promove o temor a Deus, o qual é o principio da sabedoria (Pv 1:8). 
  • A meditação melhora nossa vida de oração, porque através dela nos aperfeiçoaremos nessa prática e abre nosso entendimento para palavra de Deus (Sl 119:18). 
  • A meditação nos leva amar a lei do Senhor e meditar nela todos os dias (Sl 119:97). 
  • A meditação aumenta o arrependimento e a transformação da vida (Sl 119.59) 
  •  A meditação é uma grande amiga para a memória. 
  • A meditação ajuda-nos a valorizarmos o tempo que Deus nos deu para usarmos na sua presença. 
  •  A meditação glorifica a Deus (Sl 49.3). 
  • A meditação é uma poderosa arma contra Satanás e a tentação (Sl 119:11,15; 1Jo 2:14). 
  • A meditação ajuda a prevenir contra pensamentos maus e vãos (Sl 101:3). 
  • A meditação é um forte antídoto contra o pecado e a cura da cobiça. 
  • A meditação nos auxilia nas provações 
  •  A meditação ajuda a entendermos as promessas de Deus contida nas Escrituras. 
  • A meditação traz um entendimento mais profundo da palavra de Deus. 
  • A meditação nos leva adorar a Deus de forma mais teocêntrica. 
  • A meditação nos ajuda a visualizar o culto como uma disciplina a ser cultivada. Ela nos leva a preferir a casa de Deus à nossa própria. 
Esses pontos, são suficientes para nos conscientizarmos dos grandes benefícios da meditação para a espiritualidade cristã. 

Conclusão 

Portanto, devemos estar cientes dos obstáculos a meditação, devemos conhecer cada uma dessas barreira para as vencermos; bem como dos benefícios que ela traz para vida cristã. Como disse Thomas Brooks, “a meditação é o alimento de suas almas, é o próprio estômago e o calor natural pelos quais as verdades são digeridas. Uma pessoa logo viverá sem seu coração, quando for capaz de obter o bem pelo qual lê sem meditação. ... Não é aquele que lê mais, e sim aquele que medita mais é que provará ser o cristão mais seleto mais suave, mais sábio e mais forte”.
Que possamos sempre fazer da meditação uma disciplina para a vida cristã. Se não queremos ter uma vida cristã superficial, devemos valorizar essa prática.

Sidney Muniz
Notas:
Espiritualidade Reformada – Joel Beeke

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Agosto/2018 - Capítulo 3 - O Amor, Santidade e Humildade



Comentarista: Lucas Soares


Texto Bíblico Base Semanal:Filipenses 2:1-11

1. Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões,
2. Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa.
3. Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.
4. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.
5. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
6. Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
7. Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
8. E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
9. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
10. Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
11. E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

Momento Interação

Como podemos experimentar a alegria de ser um cristão? A alegria nasce quando decidimos mudar de sermos centrados em nós mesmos para nos tornarmos centrados em Cristo. Alguém disse uma vez: “Aquele que escolhe a si mesmo como companhia e busca agradar a si mesmo está pronto a ser corrompido pela companhia que escolheu.” Em contraste, o cristão convida continuamente Jesus a ser seu companheiro e modelo.

Somos instados por Paulo a seguir o exemplo de amor e humildade que Cristo demonstrava em uma cultura que promove o egoísmo como modelo. A proliferação quase global de “selfies” – imagens de si mesmo – pode ser um indicativo da época em que estamos vivendo. Pode ser difícil para alguns de nós colocar as necessidades dos outros acima das nossas. Mas esta era a atitude de Cristo a qual somos exortados a possuir. Bons Estudos!

Introdução

No capítulo 2 da Epístola aos Filipenses, Paulo mostra-nos como a sua alegria podia ser completa, assim como a nossa também pode ser: através do exemplo de Cristo. A alegria de Paulo se tornava completa ao ver crentes unidos e amorosos uns para com os outros. O apóstolo Paulo exorta sobre a necessidade da unidade espiritual entre os cristãos. Mais ainda, lembra-nos que devemos ser mais como Cristo, ter o mesmo ânimo e o mesmo amor incondicional. O amor cristão deve ser recíproco, ou seja, “ame e será amado”. Jesus era divino, mas também humano. Humilhou-se a si mesmo, converteu-se em servo. Foi criado como um ser humano comum, provavelmente trabalhando como carpinteiro com seu pai terreno. Foi obediente até a cruz, sofreu morte vergonhosa e dolorosa, a morte de um escravo.

I.  Um Mesmo Sentimento em Cristo

A ambição egoísta pode arruinar a Igreja e o mundo, mas o amor genuíno pode redimi-los. Ter amor genuíno e humildade significa olharmos sob a perspectiva da verdade. Ser humildes não significa que tenhamos que depreciarmos a nós mesmos. Tenhamos presente que somos pecadores salvos somente pela graça; mas temos sido salvos e, portanto, nosso valor no Reino de Deus é grande. Por isso, deixemos de lado nosso egoísmo e tratemo-nos com respeito e com cortesia. Olhemos para Cristo, que foi o verdadeiro exemplo de humildade e de amor incondicional.

Filipos era uma cidade cosmopolita, e assim são as Bahamas e muitos outros países do mundo. A Igreja é um reflexo da comunidade, de pessoas com uma variedade de histórias pessoais. Com tanta variedade entre os membros, a unidade não é sempre fácil de ser mantida, embora não haja sinais evidentes de divisão na Igreja. Como seguidores de Cristo, devemos salvaguardar a unidade no corpo de Cristo. O apóstolo Paulo adverte-nos contra o egoísmo, a discriminação e os ciúmes que podem levar-nos à separação. Mostrar nosso interesse autêntico pelos outros é um passo positivo para manter a unidade entre os crentes e alcançar a comunidade de fora.

II. A Obediência de Cristo até o Fim

Embora Cristo seja Deus, fez-se humano para levar a cabo o plano de salvação de Deus Pai para toda a humanidade. Cristo não somente tinha a aparência de um ser humano; fez-se humano para identificar-se com nossos pecados. “Embora existisse com o mesmo ser de Deus, não presumiu igualdade com Ele”. Ele morreu na cruz por nossos pecados, para que não tivéssemos que morrer eternamente. Assim, como podemos fazer menos que louvar a Cristo como nosso Senhor e nos dedicarmos ao Seu serviço?

Muitas vezes em nossa sociedade, as pessoas se desculpam do próprio egoísmo, da injustiça ou da maldade, reclamando seus privilégios. Por exemplo, alguém pode pensar: “Nesta prova posso colar; pois mereço terminar o meu curso”. Ou “posso gastar todo este dinheiro em coisas para mim, porque trabalhei muito duro para ganhá-lo”. Nós deveríamos ter uma atitude diferente para sermos capazes de servir o próximo. Se somos verdadeiros seguidores de Cristo, devemos viver como ele viveu. Devemos desenvolver sua atitude de amor incondicional para servir o outro, sem pensar no reconhecimento de nosso esforço. 

Ser humilde como Cristo é o exemplo máximo que devemos procurar imitar (Fp 2.5-7). Cristo colocou nossas necessidades acima das Suas próprias e Se esvaziou, assumindo a forma mais baixa da humanidade, a de um escravo a morrer na cruz.

III. O Operar de Deus em Nós

Sob o prisma do no início do capítulo 2, Paulo faz algumas exortações aos filipenses, mas antes faz um reconhecimento: a obediência dos filipenses na presença e na ausência do apóstolo. Os Filipenses abraçaram o Evangelho e continuaram a perseverar na observação dos valores que o Evangelho de Cristo apresenta, mesmo Paulo estando longe. Paulo conhecia bem os filipenses, pois havia uma relação muito próxima entre o apóstolo e os membros da Igreja em Filipos. Ele sabia da intenção do coração e propósitos dos irmãos em Filipos, descritos dos versos 15 e 16:

· Ser um cristão irrepreensível 
· Ser um filho de Deus sincero
· Ser inculpável no meio de uma geração corrupta
· Conservar a Palavra da Vida
· Ser como luzeiro a brilhar

Paulo percebeu que sua prisão estava produzindo um desestímulo entre os filipenses, embora eles continuassem fiéis ao Evangelho. Alguns membros da igreja estavam com dificuldades em cumprir com os seus propósitos de servir a Deus. Paulo, como pastor, ensina que eles poderiam continuar os propósitos de Deus mesmo em meio às dificuldades e passa a ensinar aos filipenses uma grande lição. Algumas vezes isto acontece conosco também. Fazemos propósitos de sermos cristãos que cumprem com suas responsabilidades, de ler a bíblia todos os dias, de servir a Deus e à Igreja, além de outros; e percebemos que nem sempre cumprimos com os mesmos. Isto estava acontecendo com a Igreja de Filipos, pois a ausência e prisão do apóstolo estavam criando um desestimulo para a perseverança nos propósitos.

Sem a presença de Paulo os filipenses poderiam praticar os atos para o bem de toda a comunidade, pois era Deus quem efetuaria isto na vida deles. O verbo grego energeo tem o sentido de dar poder, energizar, tem também o sentido de produzir. Isto seria o resultado da graça de Deus. Em outras palavras, o que está sendo ensinado é que o cristão deve cumprir seus propósitos na dependência da Graça de Deus e fortalecido pela presença de Deus em sua vida. É Deus quem efetua o querer e o realizar. Em Romanos 7.18 o apóstolo diz que o querer o bem está nele, mas não o efetuar. O cristão que tentar viver a vida cristã confiado na sua própria capacidade, força ou formação, descobrirá muito cedo a sua incapacidade para tal. Paulo dá esta lição, pois ele mesmo havia tido esta experiência quando afirma o seguinte: "porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço" (Rm 7.19).

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Diretrizes para uma boa Meditação


Para uma boa meditação, é necessário que tenhamos algumas diretrizes. É importante mencionar que essas diretrizes têm como objetivo nos disciplinar nessa prática piedosa, que um dia foi muito valorizada pela igreja, mas hoje sofre um declínio, podemos assim dizer. Portanto, é preciso resgata essa prática que já foi tão utilizada em tempos passados pelo povo de Deus.

Destacaremos aqui, algumas instruções que podem nos ajudar a meditar de uma maneira mais eficiente.

1. Preparação

É necessário nos prepararmos para tal prática, toda meditação requer isso. Eis algumas sugestões que o auxiliarão.

Primeiro, é importante nos limpar das coisas deste mundo, como: suas atividades e diversões, do mesmo modo, das tribulações e agitações interiores. Por isso, é importante orar para que Deus possa nos guardar das companhias externas, mas também das internas; isto é, dos pensamentos mundanos que possam nos impedir de meditar.

Segundo, devemos ter o coração purificado da culpa e da poluição do pecado. Antes de nos engajar na meditação, precisamos ir até Deus com um coração disposto a pedir perdão e alcançar misericórdia; confiando na promessa de que, se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça (1Jo 1:9).

Terceiro, abrace a meditação com seriedade. É fundamental, estarmos cientes de sua importância para nossa vida espiritual, seu poder e excelência. Fazendo dela um hábito, desfrutaremos mais a cada dia da presença de Deus e sentiremos o começo da alegria eterna nessa terra.

2. Frequência

A meditação divina deve ser frequente, é recomendado que ocorra duas vezes ao dia, caso o tempo e as obrigações permitam, mas se não for possível, é importante que seja realizada uma vez ao dia. Diante disso, alguém poderia dizer que não possui tempo para empregar nessa disciplina, porém, isso é apenas uma desculpa para não praticar a meditação. Deus ordenou Josué a meditar no livro da lei de dia e de noite (Js 1:8), se Deus ordenou a Josué, que era um comandante cheio de tarefas a meditar, acaso somos melhores do que esse homem para não realizarmos essa atividade? Da mesma forma que o Senhor o ordenou, assim, Ele também quer que os seus filhos o façam.

Cada vez que fizermos da meditação uma prática diária da nossa vida cristã, mais conheceremos de Deus. A meditação se tornará mais fácil, todavia, se a rejeitarmos mais distante ficaremos de termos uma comunhão mais intima com Deus. Portanto, com a frequência dessa prática, logo contemplaremos seus preciosos frutos.

3. Tempo

É importante estabelecer um tempo para meditar e persistir nesse período. Esse é um dos segredos para sermos bem-sucedido nessa área, alguns não obtém sucesso por que não perseveram. Fazendo isso, nos tornaremos pessoas mais disciplinadas e não negligentes.

Um tempo bom para nos dedicarmos a isso é no período da manhã, onde pode ser usado para uma combinação com o resto do dia. Jesus se levantava de madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava (Mc 1:35). O salmista buscava durante as manhãs: Antecipo-me à alva da manhã e clamo; aguardo com esperança as tuas palavras (Sl 119:147). Entretanto, para alguns, durante a noite pode ser mais proveitoso, devido as atividades do dia estarem concluídas. E assim se sentem mais prontos para meditar na palavra de Deus. Temos um exemplo do Salmista: Bendigo ao Senhor que me aconselha; até os meus rins me ensinam de noite (Sl 16:7). Já outros no final da tarde: Saíra Isaque ao campo à tarde, para meditar; e levantando os olhos, viu, e eis que vinham camelos (Gn 24:63). Escolha um desses horário para que possa buscar a Deus e meditar na Sua palavra. Estabeleça um tempo, como meia hora (exemplo) e medite, assim se aperfeiçoará cada mais; depois de um tempo, mude de meia hora para uma hora.

4. Use o dia do Senhor

Você pode usar o domingo para meditação, esse é o dia que devemos separar para descansarmos de todo trabalho da semana. Esse também foi o dia que Cristo ressuscitou e completou toda a obra da salvação. Podemos meditar nas obras de Cristo, como: sua morte e ressurreição, ascensão, ceia, o sangue de Cristo que purifica todo pecado, seu sofrimento na cruz, seus ensinamentos, sua segunda vinda para buscar o seu povo e etc.

Sobre o que devemos fazer nesse dia de descanso, o Catecismo Puritano ensina:  Como o Sabath deve ser santificado? Resposta: “O Sabath deve ser santificado por um santo repouso por todo aquele dia, mesmo daquelas atividades seculares e recreações que são lícitas em outros dias, e durante este dia, todo o tempo deve ser gasto em exercícios públicos e particulares de adoração a Deus, com exceção daquele tempo que for destinado a praticar obras de necessidade e misericórdia”. Sendo assim, é importante usar esse dia para meditar nas obras de Deus.

5. Escolha um Lugar 

A escolha de um lugar para fazer boas meditações, é de suma importância para quem quer fazer dela uma prática piedosa. Jonathan Edward faz uma declaração sobre o segredo da piedade de Sarah, sua esposa quando ela era adolescente: "Ela quase não se preocupa com outra coisa, exceto meditar Nele....Ela ama estar sozinha, andando pelos campos e bosques, e parece que há alguém invisível sempre conversando com ela". Sarah saia pelos bosques e campos com o intuito de buscar a Deus e meditar. Geralmente, alguns historiadores contam que quando Sarah e Edward namoravam, eles tinham esses momentos de meditações, o lugar escolhido por eles eram os campos e os bosques. O próprio Jonathan, segundo alguns biógrafos, afirma que ele passou uma hora deitado no campo olhando para os céus, chorando e meditando nas obras de Cristo.

Por mais que não tenhamos bosques ou campos a semelhança de Sarah e Jonathan, podemos fazer isto em nosso próprio quarto. Sair para um lugar tranquilo ajuda muito no processo da meditação, apesar de hoje nos acostumarmos com o barulho. Como disse Donald S. White: “Creio que a conveniência do som tem contribuído para a superficialidade espiritual do cristianismo ocidental contemporâneo. O advento dos aparelhos de som acessíveis e portáteis, por exemplo, tem sido uma bênção mista. O lado negativo é que agora não temos que ir a lugar algum sem vozes humanas. Como resultado, ficamos sozinhos com nossos próprios pensamentos e com a voz de Deus com menos frequência”. Os puritanos aconselhavam que a pessoa almejasse a privacidade, silêncio e descanso, dos quais o primeiro exclua qualquer companhia, o segundo, qualquer ruído, e o terceiro, qualquer movimento.

Conclusão    

Essas são as diretrizes que você poderá usar para transformar sua vida cristã e melhorar sua vida de devoção a Deus. Lembrando, é importante nos prepararmos antecipadamente para fazermos boas meditações, limpando nossos corações da culpa e da poluição do pecado. A meditação precisa ser exercida com frequência, persevere nessa disciplina e não a negligencie. Estabeleça um tempo e persista nele para ficar mais disciplinado nessa área. Use o dia do Senhor para meditar nas obras de Cristo ou em outros temas que estão na palavra de Deus. E escolha um lugar para fazer suas meditações, prefira lugares calmos, pois eles o ajudarão com a pratica.

Sidney Muniz

Notas:
Espiritualidade Reformada – Joel Beeke
Catecismo Puritano – Charles Spurgeon
Disciplinas Espirituais – Donald S. White