sexta-feira, 22 de junho de 2018

Progresso Espiritual


A vida cristã é comparada diante das Escrituras Sangradas, como um progresso espiritual. Paulo escrevendo aos filipenses disseNão que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui também alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prémio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus (Fp 3:12 -14; grifo do autor).

Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra (Os 6:3; grifo do autor).

Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como até o dia da eternidade (2Pe 3:18; grifo do autor).

Existem outros textos nas Escrituras sobre o assunto, porém esses três são suficientes. Podemos entender por meio dessas passagens bíblicas, que a vida cristã está em continuo movimento, ela não é uma vida parada; jogada ao enfado do comodismo. Pelo contrário, a vida cristã não se conforma em viver uma vida vazia, sem propósitos, mas em sempre querer algo a mais de Deus. Para Calvino, a palavra conversão não significava apenas o ato inicial de abraçar a fé; significa também renovação e crescimento diários em seguir a Cristo. 

Se alguém não tem o desejo de crescer diariamente na sua vida cristã, é sinal que tal pessoa parou quanto ao progresso espiritual. Geralmente, quando alguém deixa de avançar nas coisas espirituais, é porque ela rejeitou os meios de graças, como ensinavam os puritanos; e os meios são: oração, estudo da Bíblia e os sacramentos (a Ceia). Não podemos rejeitar esses meios, eles nos alimentam na caminhada rumo a eternidade, rejeitá-los, é provar que a eternidade não tem valor algum.

Objetivo desse texto é nos ajudar quanto ao progresso espiritual, por isso, três passos importantes precisam ser praticados para alcançá-lo, esses são:

1. Investimento 
        
Para ter um investimento é necessário dispor de tempo, dedicação e interesse. Caso contrário, não haverá um progresso quanto a vida cristã.

Tempo. Sobre o tempo as escrituras nos dizem: Remindo o tempo; porquanto os dias são maus (Ef 5:16). Em outras traduções, fala sobre “aproveitarmos ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Todo aquele que quer crescer na graça, precisa investir no seu tempo. A cada dia que passa a maldade cresce no mundo, e mais perto da morte nos tornamos. Os puritanos ensinavam que o desfrutar da graça nessa vida é passageira, por isso que não podemos perder tempo com coisas fúteis. Portanto, saiba como separar suas obrigações e não deixe as coisas de Deus de lado, lembrando o argumento que você usa de não ter tempo é uma desculpa para você mesmo e não para Deus; porque Ele diz em sua palavra que “há tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ec 3:1).

Dedicação. Precisamos nos dedicar no nosso crescimento espiritual, se quisermos realmente uma vida espiritual estável. Nosso maior exemplo nisso é o próprio Cristo, nEle encontramos um exemplo de oração, leitura das Escrituras e obediência a Deus (Lc 2:40 - 48). Os Evangelhos nos mostram que Jesus nunca teve uma espiritualidade relaxada, Ele sempre estava em progressão nas coisas divinas. Os apóstolos aprenderam isso de seu Mestre, temos alguns exemplos, como o de Pedro, mostrado no início, sobre crescer na graça e no conhecimento; Paulo, quando fala sobre sermos fervoroso no espírito, servindo ao Senhor (Rm 12:11) e outros.

Olhando para a história da igreja, temos vários homens de Deus que são um exemplo nessa área de dedicação, tanto na vida pessoal como na obra de Deus. Podemos citar nomes como o de João Calvino, Guilherme Farel, Martinho Lutero, John Wesley, Charles Spurgeon, Jonathan Edwards e outros; todos são exemplos de servos de Deus que seguiam a Cristo.

O exemplo de Cristo e desses outros homens de Deus, deve nos inspirar a viver uma vida piedosa. O propósito de Deus ao nos criar, foi glorificar o seu Santo nome.

Interesse. O fato de não crescermos espiritualmente, muitas vezes é resultado de não termos interesse pela espiritualidade cristã. Deus espera que seus filhos demonstrem interesse pela sua pessoa. Jesus ensinando no sermão do monte disseBem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos (Mt 5:6). Jesus descreve que bem-aventurado são aqueles que se “interessam pela progressão espiritual”. Encontramos Davi demonstrando isto pela presença de Deus: Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus? As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, porquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus? (Sl 42:1-3). Que assim seja o desejo do nosso coração pela presença divina.

2. Examinar se estamos na fé

Paulo escrevendo a igreja de Corinto diz: Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados (2Co 13:5; grifo do autor). Paulo fala para a igreja de Corinto se autoanalisar, para averiguar se de alguma forma eles estavam na fé. Calvino fala sobre examinarmos a fé:


“Aprendamos a examinar-nos e a averiguar se aquelas marcas interiores pelas quais Deus distingue seus filhos dos estranhos nos pertencem, a saber, a raiz viva da piedade e da fé”. “No ínterim, os fiéis são ensinados a se examinarem com solicitude e humildade, para que a segurança carnal não se insinue, no lugar da certeza de fé”.

Para saber se estamos progredindo na fé, devemos provar a nós mesmos quanto a isto, e de qual forma? A primeira coisa a se fazer, é termos um panorama da nossa vida e nos fazermos perguntas, como: será que estou buscando a Deus mais hoje do que antes? ou eu buscava a Deus mais no passado? Perguntas como essas, nos ajudam a refletir em que tipo de cristianismo estamos vivendo.

A segunda pergunta a fazer, é se estamos no primeiro amor. Quando não estamos mais vivendo esse amor, as escrituras nos dão diretrizes para recuperarmos ele:

Tenho porém contra ti, que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te pois donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres (Ap 2:4; grifo do autor).

Cristo não estava satisfeito com o tipo de amor que a igreja de Éfeso estava oferecendo, por isso Ele disse: Tenho, porém, contra ti, que deixaste o teu primeiro amorSe Jesus não estava satisfeito com o amor dessa igreja, será que Jesus está satisfeito com o tipo de amor que você dá a Ele? Se não, saiba que Ele tem algo contra você.

O texto aponta três formas de recuperarmos o amor perdido. Primeiro: “lembra-te donde caíste”. Tenho que averiguar qual pecado causou esse esfriamento. Segundo: “arrepende-te”. Depois de averiguar, tenho que me prostrar ao pé da cruz e pedir perdão pelos pecados cometidos. Terceiro: “praticar as primeiras obras”. Após pedir perdão de Cristo, devo praticar as primeiras obras que o pecado me privou.

3. Jejum  

O jejum hoje é algo que muitos não dão valor. E geralmente isso acontece quando as pessoas não possuem conhecimento sobre o assunto ou quando não há interesse. Mas quando olhamos para o Antigo e o Novo Testamento, encontramos pessoas praticando o Jejum.

No Antigo Testamento, encontramos o profeta Joel convidando a nação a se humilhar diante de seus pecados, por meio do jejum (Jl 1:14); Esdras jejua por proteção (Ed 8:21); Davi afligia sua alma com jejum (Sl 35:13). No Novo Testamento, temos Cristo ensinando sobre isto no sermão do monte. E o ensino de Jesus, não era como o dos fariseus, que jejuavam para obter status, Ele orientava a realização do jejum com discrição, porque assim livraria seus discípulos do orgulho e os levaria para o caminho da humildade.

O jejum particular está ligado a atos externos e internos. Os atos externos estão relacionados com a abstenção de alimentos, seja comida ou água, levando-se em conta as condições de saúde (2Sm 3:35; Ed 10:6; Dn 10:3; Et 4:16; At 9:9). A parte interna, está relacionada a dois fatos ou aspectos: oração e arrependimento. O arrependimento se compõe em duas partes: primeiro, profunda tristeza pelos pecados passados. Segundo, correção da vida com vista no futuro. Já a oração está fundamentada em realizar fervorosos pedidos por coisas boas e suplicar a Deus que afaste de nós todo o mal.

O jejum muitas vezes é praticado de forma errada, as pessoas quererem barganhar com Deus. O jejum serve para mudar o cristão e não a Deus. Esse é um período onde o cristão se humilha diante do Senhor, reconhecendo seus pecados, mortifica os desejos carnais, procura renovo espiritual. O jejum serve para abrir nosso apetite para as coisas espirituais. Assim como um remédio que é ingerido, e aumenta o nosso apetite para que fiquemos saudáveis e fortes, o mesmo devemos fazer com o jejum, para que assim venhamos crescer na graça e no conhecimento.

Se você sente que sua vida cristã está acomoda, fria e precisando de renovo espiritual, pratique o jejum, sua vida irá mudar completamente, mas sempre tenha em mente, que tudo isso deve causar uma mudança que leve você a se parecer mais com Cristo Jesus.

Conclusão     

Os princípios que podemos colocar em prática para obter um progresso espiritual são: investimento, que requer interesse, tempo e dedicação. Analisarmos se estamos na fé e na pessoa de Cristo. E por último, o jejum, que deve ser usado como um meio para o crescimento e assemelhaçao da imagem do nosso Senhor Jesus Cristo.

Lembrando também, que não existe fé sem obras, se realmente fui alcançado pelos méritos de Cristo na cruz, automaticamente essa fé vai me levar as boas obras. Como disse Paulo: Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas (Ef 2:10).

Sidney Muniz

Notas:
Teologia Puritana de Joel Beeke
A prática da Piedade de Lewys Bayly
Os puritanos e a Conversão de Samuel Bolton, Nathaniel Vincent e Thomas Watson
Espiritualidade Reformada de Joel Beeke


terça-feira, 19 de junho de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Junho/2018 - Capítulo 3 - O Dia do Senhor




Comentarista: Leonardo Pereira


Texto Bíblico Base Semanal: Joel 1.11-15

11. Envergonhai-vos, lavradores, gemei, vinhateiros, sobre o trigo e a cevada; porque a colheita do campo pereceu.
12. A vide se secou, a figueira se murchou, a romeira também, e a palmeira e a macieira; todas as árvores do campo se secaram, e já não há alegria entre os filhos dos homens.
13. Cingi-vos e lamentai-vos, sacerdotes; gemei, ministros do altar; entrai e passai a noite vestidos de saco, ministros do meu Deus; porque a oferta de alimentos, e a libação, foram cortadas da casa de vosso Deus.
14. Santificai um jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, e todos os moradores desta terra, na casa do Senhor vosso Deus, e clamai ao Senhor.
15. Ai do dia! Porque o dia do Senhor está perto, e virá como uma assolação do Todo-Poderoso.

Momento Interação

A nação brasileira deve se conscientizar de que precisamos abandonar o pecado e o embaraço de lado e corrermos em direção à esperança, que é o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Hb 12.1,2). No estudo desta semana, iremos conferir os propósitos do Senhor em relação ao que o povo de Judá deve fazer e que rumo deve tomar, partindo da orientação do Senhor. Bons estudos! 

Introdução

Neste capítulo estudaremos acerca do Grande Dia do Senhor. Estes estudo consiste em um estudo ao mesmo atual e com perspectivas futuras. Vamos conferir neste estudo que o Profeta Joel estava se referindo sobre este dia acerca do juízo severo que a nação enfrentaria, mas também sobre o prenúncio do fim dos tempos. Ao mesmo tempo em que o estudo do juízo divino sobre a nação de Judá chega em seu momento crucial, Joel nos mostra acerca das sombras dos tempos futuros não somente de toda Judá, como também do mundo inteiro. Isto veremos detalhadamente nos tópicos que se seguem.

I. A Invasão Militar em Judá

Joel começa o capítulo 2 do seu livro mencionando que o "Dia do Senhor" está muito próximo. Esta invasão militar em Judá consequentemente tem um papel presente e ao mesmo tempo futuro, pois como é mencionado o texto: " Dia de trevas e de escuridão; dia de nuvens e densas trevas, como a alva espalhada sobre os montes; povo grande e poderoso, qual nunca houve desde o tempo antigo, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração. Diante dele um fogo consome, e atrás dele uma chama abrasa; a terra diante dele é como o jardim do Éden, mas atrás dele um desolado deserto; sim, nada lhe escapará. A sua aparência é como a de cavalos; e como cavaleiros assim correm. Como o estrondo de carros, irão saltando sobre os cumes dos montes, como o ruído da chama de fogo que consome a pragana, como um povo poderoso, posto em ordem para o combate. Diante dele temerão os povos; todos os rostos se tornarão enegrecidos" (Jl 2.2-6). Este texto é um dos mais desafiadores para os estudiosos da Palavra de Deus, contudo, este texto bíblico demonstra-nos a misericórdia e a graça de Deus, pois mostra-nos a importância de nos prepararmos para este dia, mostrando já para o povo de Judá, o prelúdio do fim dos tempos. Nos tempos de Judá, o juízo veio com grande intensidade mediante a praga dos gafanhotos atacando tudo que havia sustento para a nação, deixando a nação de Judá com grande miséria e pranto. Esta invasão, ao mesmo tempo que mostrando uma grande desolação nos tempos de Judá, apresenta-nos um reflexo de como virá a ser o  grande e temível "Dia do Senhor".

II. A Convocação dos Sacerdotes para Liderar o Jejum

O profeta Joel em um estado de grande miserabilidade e tristeza moral, ética e social na nação, convoca aos sacerdotes que liderem este grande jejum de clamor ao Senhor (Jl 2.17), mas primeiramente o próprio profeta se prontifica a nação como um arauto de Deus: " E o Senhor levantará a sua voz diante do seu exército; porque muitíssimo grande é o seu arraial; porque poderoso é, executando a sua palavra; porque o dia do Senhor é grande e mui terrível, e quem o poderá suportar? Ainda assim, agora mesmo diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal. Quem sabe se não se voltará e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, em oferta de alimentos e libação para o Senhor vosso Deus? (Jl 2.11-14). É o profeta que primeiramente se coloca na posição de intercessor da nação. Joel não somente fala ao povo, mas se prontifica com o povo. Joel não fala somente para os sacerdotes liderarem o jejum. O próprio profeta se prontifica a participar com eles. Joel menciona que chegou o tempo de clamar ao Senhor continuamente. Que as crianças também participem (Jl 2.16a), e que os noivos deixem as festas e que também se prontifiquem a se encontrar com o Senhor (Jl 2.16b). O profeta Joel informa da responsabilidade dos sacerdotes mediante ao clamor a Deus. Que eles chorem em sinceridade e retidão de coração (Jl 2.17a), e em seguida ele clama ao Senhor também.

Percebemos em Joel a importância de não só falarmos ao povo para clamar, como também de nos ajuntarmos ao povo para clamar ao Senhor por piedade, misericórdia a nossa nação. Devemos como o profeta levar todo o nosso ser ao Senhor com lágrimas, com jejum, com arrpedimento, para que, quem sabe, o Senhor possa se compadecer de nossas vidas e de nossas almas (Jl 2.14). A necessidade extrema do povo brasileiro em voltar-se para o Senhor é para agora e já, não para o amanhã ou para o depois.

III. Uma Ponte Escatológica

De Isaías ao livro do Apocalipse, a frase "Dia do Senhor" aparece em 25 versículos, e expressões semelhantes surgem em vários outros. A linguagem bíblica, freqüentemente citando " O Dia do Senhor", é facilmente interpretada como se falasse de um só dia, talvez o dia final quando o Senhor voltará para julgar todas as pessoas. Mas o assunto não é tão simples assim. Esta pergunta serve para ilustrar bem uma regra fundamental de estudo bíblico: é necessário examinar palavras e frases em seus contextos. Considerando as citações bíblicas sobre o "dia do Senhor", podemos ver que a mesma frase têm, pelo menos, quatro significados diferentes. Em cada caso, discernimos o sentido no contexto. Vamos examinar exemplos destes significados.

Um dia de julgamento de pessoas, cidades, povos ou nações. Este é o sentido mais comum, especialmente nas profecias do Velho Testamento. Isaías falou desta maneira do castigo da Babilônia (Is 13.6,9). Jeremias descreveu o castigo do Egito como "o Dia do Senhor. . . dia de vingança contra os seus adversários" (Jr 46.10). Seu contemporâneo, Ezequiel, também usou a mesma linguagem ao falar sobre o castigo do Egito (Ez 30.3) e o de Jerusalém (Ez 13.5; cf. Sf 1.7,14). Joel usa esta frase para falar do castigo do povo judeu (Jl 1.15; 2.1) e do julgamento de várias nações (Jl 3.14; cf. Ob 15). Uma referência ao cumprimento do plano de Deus por meio de Jesus Cristo em sua primeira vinda (Jl 2.31; Ml 4.5; At 2.20). O dia final, quando Jesus voltará e chamará todos ao julgamento (1 Ts 5.2; 2 Pe 3.10). O dia do Senhor representa duas opções e dois destinos. É dia de destruição e de salvação. O mesmo dia que trouxe castigo aos opressores livrou os oprimidos. O mesmo dia que trouxe salvação aos que receberam a palavra condenou os desobedientes. O mesmo dia que marcará a entrada no céu para alguns será o começo do castigo eterno para outros (Mt 25.46). E o mesmo dia em que os cristãos comemoram o sofrimento de Jesus na cruz é ocasião de escândalo e loucura para outros (1 Co 1.23-25). O Dia do Senhor: salvação ou condenação? A decisão é nossa!

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Junho/2018 - Capítulo 2 - O Juízo Divino sobre o Povo de Judá



Comentarista: Leonardo Pereira


Texto Bíblico Base Semanal: Joel 1.1-10

1. Palavra do SENHOR, que foi dirigida a Joel, filho de Petuel.
2. Ouvi isto, vós anciãos, e escutai, todos os moradores da terra: Porventura isto aconteceu em vossos dias, ou nos dias de vossos pais?
3. Fazei sobre isto uma narração a vossos filhos, e vossos filhos a seus filhos, e os filhos destes à outra geração.
4. O que ficou da lagarta, o gafanhoto o comeu, e o que ficou do gafanhoto, a locusta o comeu, e o que ficou da locusta, o pulgão o comeu.
5. Despertai-vos, bêbados, e chorai; gemei, todos os que bebeis vinho, por causa do mosto, porque tirado é da vossa boca.
6. Porque subiu contra a minha terra uma nação poderosa e sem número; os seus dentes são dentes de leão, e têm queixadas de um leão velho.
7. Fez da minha vide uma assolação, e tirou a casca da minha figueira; despiu-a toda, e a lançou por terra; os seus sarmentos se embranqueceram.
8. Lamenta como a virgem que está cingida de saco, pelo marido da sua mocidade.
9. Foi cortada a oferta de alimentos e a libação da casa do Senhor; os sacerdotes, ministros do Senhor, estão entristecidos.
10. O campo está assolado, e a terra triste; porque o trigo está destruído, o mosto se secou, o azeite acabou.

Momento Interação

O livro do Profeta Joel nos apresenta uma situação caótica, moral, social, econômica e espiritual em Judá. Não obstante os desvios do povo para o Senhor, agora enfrentam o juízo divino como recompensa dos seus erros diante do Senhor. Mas ao mesmo tempo que a nação é julgada, Deus envia uma mensagem através do profeta para que o povo se converta. É uma situação bem parecida em nosso páis atualmente. Roguemos ao Senhor para que sempre possamos mudar e retornar aos seus caminhos. Bons Estudos!

Introdução

O Senhor tem os seus diversos meio de julgar as nações, assim como julgou Nínive no tempos de Amós, a Babilônia no período ainda do profeta Daniel estando com vida, e também com a Jerusalém, no ano 70 d.C, quando houve a destruição de Jerusalém pelo General Tito, julgamento este que ocorreu por conta da incredulidade e da rejeição dos judeus ao nosso Senhor Jesus Cristo. E a nação de Judá passaria por esse julgamento. O povo estava insensível com os seus pecados. Bêbados levando a vida como se fosse algo normal. O Culto ao Senhor sendo interrompido e a imensa necessidade da nação clamar por arrependimento ao Senhor.  Isto infelizmente tem acontecido em nossa nação, e devemos por meio deste livro profético fazermos um autoexame de nós e seguirmos rumo ao caminho que o Senhor nos mostra.

Neste segundo capítulo, estudaremos os 10 primeiros versículos do capítulo 1 do livro do profeta Joel, e verificaremos o que ocorria na nação e as causa do juízo divino na nação, e as preciosas lições que estes versículos nos concede.

I. Instrumentos do Juízo Divino 

O profeta Joel menciona que aquilo que está acontecendo deve antes de mais nada, ser um memorial para ser conservado as próximas gerações (Jl 1.2,3). A crise moral, ética, social e espiritual em Judá estava em pleno colapso, e o Senhor estava atuando com Sua mão poderosa sobre a nação para os corrigirem dos seus erros e dos seus pecados. O profeta reitera que eles devem conservar aqueles tristes momentos como recordação para serem passados aos mais novos. Quem não aprende com seus erros e com a história, está fadado a repetir os erros e as ocorrências do pecados serão gravíssimos não somente para uma ou mais pessoas, como também para uma nação. O instrumento que seria usado para lhes aplicarem o juizo seria um grande e poderoso número de gafanhotos que atacaria a nação de uma forma nunca antes vista. Atacria as vinhas, os campos, tudo o que lhes proporcionassem sustento para a nação, isto seria arrancado de Judá. Joel deixa claro a todos que os gafanhotos estavam sendo usado pelo Senhor como instrumentos do juízo divino a nação. Iss mostra-nos que o Senhor que usa quem ele quer, como quer, e quando quer para aplicar o juízo, para corrigir-nos e reconheçamos aonde caímos, falhamos e fracassamos, não com nós mesmos, mas com Ele. Estes momentos são momentos em que o Senhor julga uma nação que não anda conforme a Sua vontade, que continua em seus erros, e que busca cada vez mais por sí só, se afastar do Senhor, como se cria barreiras para que não possa atravessar. Mas o Senhor não se deixa escarnecer, e Ele faz o que lhe apraz. A nação iria passar por uma prova e reconhecer o poderoso nome de Jeová. Reconheçamos o nome, o poder e a soberania do Senhor antes que seja tarde para todos nós: " A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz" (Rm 13.12).

II. Exortação ao Arrependimento

Em um momento crítico da nação de Judá, o profeta Joel de imediato conclama ao povo para que se arrependam dos seus pecados. O primeiro grupo de pessoas a quem ele se dirige são os bêbados da nação (Jl 1.5). Eles devem ser os primeiros que devem se arrepender. O vinho lhes foi tirado. A alegria foi embora com o sabor do vinho, e não havia mais o que comemorar. A necessidade de arrependimento não foi somente pelo vinho, mas também por que o mantimento foi tirado. Os gafanhotos vieram com grande intensidade que devoraram tudo o que tinha na nação. Não havia alimento, não havia bebida, e não havia sustento para que pudessem ser manter com vida. A vida da nação estava plenamente na dependência do Senhor Deus. O povo de Judá teria de aprender uma grande lição com este momento de calamidade: Que é necessário deixar o pecado, a vida vazia, a vida nos caminhos errados, e terem um profundo e genuíno encontro com o Senhor. Assim também deve ser como nós. Temos visto crises das mais diversas em nossa nação, e o que devemos fazer plenamente e insistentemente é buscarmos à Deus. Devemos deixar uma vida paupérrima e fraca, de religiosidade e insensibilidade para trás, nos conscientizarmos do que devemos fazer, e seguir o caminho que o Senhor nos indica. Uma vida na direção do Senhor são genuínos e puros caminhos brilhantes de poder do alto, do Pai das Luzes, Aquele que não tem mudança, nem mesmo sombra de variação (At 1.8; Tg 1.17).

III. O Reconhecimento do Pecado

Entre a manifestação do pecado e a crise existente em toda a nação de Judá por meio da fome, sede, sem vendas e nem compras de alimentos e de bebidas, existe uma grande abismo que se chama reconhecimento do pecado na vida humana. Reconhecer o pecado é o caminho que nos conduz a um verdadeiro relacionamento com Deus. Reconhecer o pecado é se conscientizar de que algo em nossas vidas se encontra errado, e que é necessário que estejamos prontos à mudar, prontos à se adentrarem em um concerto puro e sincero com Deus. O profeta Joel começa dizendo que o povo enfrentaria um juízo severo acerca do afastamento da nação de Deus. Foi tirado o alimento, foi tirado a bebida, a alegria de muitos se foram, e agora é necessário chorar, se arrepender dos pecados, e se voltar para o Senhor imediatamente. Não há condições de permanecer bem sem voltarem para o Senhor. O caminho da perdição, de ruína moral, ético e espiritual já estava à passos largos na nação de Judá, e teriam que ver e ouvir acerca do que estão passando e do que passaram.

Assim como a nação de Judá, devemos também nos voltarmos para o Senhor não com sorrisos abertos em nossos rostos, ou com uma situação de que tudo está bem, mas sim, com lágrimas, com jejum, com arrependimento  sincero no coração e na alma. A nação passa por um juízo, mas o Senhor está atento à um coração quebrantado e contrito (Sl 51.17), e que consequentemente, busca um concerto com Deus (Jr 29.13).