sexta-feira, 30 de março de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Março/2018 - Capítulo 5 - O Cristão e os Relacionamentos




Comentarista: Romulo Ataíde

Texto Bíblico Base Semanal: Romanos 10.1-13

1. Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação.
2. Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento.
3. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus.
4. Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.
5. Ora, Moisés descreve a justiça que é pela lei, dizendo: O homem que fizer estas coisas viverá por elas.
6. Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo. )
7. Ou: Quem descerá ao abismo? (isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo. )
8. Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos,
9. A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
10. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.
11. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido.
12. Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam.
13. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

Momento Interação

Prezados estudantes da Palavra de Deus, chegamos ao final de mais um Comentário Bíblico Mensal do mês de abril de 2018, que tem o tema: O Cristão e a Pós Modernidade. Até aqui o Senhor tem nos ajudado. Aprendemos muito neste mês sobre a maneira de viver do cristão neste novo século, que se inciou em 2000, e estamos caminhando à um rumo de muitas mudanças e questões sociais. Por isso, neste último capítulo estudaremos à respeito do cristão e os seus relacionamentos. É de devida importância que nós nos atentemos para este estudo porque mais do que nunca, vivemos em uma era em que constantemente atacam os relacionamentos, especialmente o relacionamento do homem com o Senhor Deus. Desejamos à todos ótimos estudos neste capítulo e até o próximo Comentário Bíblico Mensal. 

Introdução

Nesses últimos dias, somos testemunhas através de jornais, da TV e de nossa própria observação em relação ao mundo em que vivemos essa escuridão que escraviza a sociedade, a qual está inclinada cada vez mais ao pecado. Pessoas que a cada vez se tornam mais amantes de si mesmos, escravas ao pecado, inclinadas ao mal e opositoras a justiça de Deus. Assim sendo, como deve ser a relação do cristão com essa sociedade, essa cultura, cada vez contrária a Deus? Veremos o que Jesus ensina a nós que somos seus discípulos.

Jesus Cristo ilustra através do texto como podemos relacionar e assim influenciar essa sociedade corrompida por causa do pecado de duas formas. Na sua primeira ilustração Jesus Cristo primeiro compara o cristão como o sal. E o sal tem duas importâncias na nossa vida. A primeira importância do sal é dar sabor nos alimentos. Há certos tipos de alimentos que são muito desagradáveis ao nosso paladar se não tiver a aplicação do sal. Assim, naqueles dias como nos dias atuais, o sal era e é considerado um ingrediente de suma importância, muito essencial na cozinha. Assim sendo, como Cristo revitalizou e trouxe um gosto à vida do cristão, também cada cristão por sua vez deve fazer o mesmo pela vida de outros por meio do Evangelho de Jesus Cristo. Portanto, o seguidor de Cristo, o Cristão, deve ser um agente conservador na cultura não cristã desses dias. Não se pode deixar de imaginar o que aconteceria com a sociedade atual, com toda a podridão moral, senão fosse a presença da Igreja anunciando o Evangelho vindo assim a agir como conservante contra o pecado.

I.  O Cristão e o Relacionamento com a Família

A família sempre foi o alvo principal das forças do mal. A Igreja está atenta a esses ataques, pois os tais não somente desestruturam a fé cristã, como também desintegram a sociedade de modo geral. A família é um tesouro e como tal, deve ser guardada e preservada (Mt 6.21). Segundo a Declaração Nacional dos Direitos Humanos, a família é o elemento natural, universal e fundamental da sociedade. Sem família não há sociedade. A degradação da sociedade acontece por causa da deterioração da família. A Igreja é uma família composta por famílias. Se uma família estiver edificada, a Igreja também estará. Todavia, se a família for destruída, a Igreja também será. É nosso dever cuidar das famílias. Se a sociedade se dissolve, o problema está na ausência de famílias solidificadas em Cristo.

Deus não uniu o homem e a mulher somente para que um suprisse as necessidades e carências do outro. Seu projeto vai além de companheirismo e procriação. Deus sempre quis ser conhecido através das famílias. Adão foi o modelo original, feito á imagem e semelhança de Deus. Isto significa que toda a humanidade descendente de Adão portaria consigo a mesma essência divina (Gn 1.26). Desse modo, os atributos e a grandeza de Deus surgiriam naturalmente através dos filhos gerados pelo primeiro casal. A grande comissão sempre foi um projeto do Éden (Mt 28.18-20). O plano do inimigo é sempre sabotar essa essência, como no Éden, e assim fazer com que a humanidade seja apartada de Deus, gerando filhos assassinos, violentos e cheios de promiscuidade (Jo 10.10). A sociedade atual vive uma mutação em comparação com a família dos séculos passados. A autoridade patriarcal e a divisão de papéis ganharam novos significados nesse século. Em geral, a mulher do século XXI é uma mulher independente, que gera seus próprios recursos e que, ao lado de seu esposo, soma na renda familiar. Ela já administra empresas, leciona em faculdades, lidera, pilota aviões e preside nações. Durante muito tempo, a mulher viveu estigmatizada, censurada e vista pela sociedade somente como uma ajudadora e procriadora. Esse projeto igualitário traz a compreensão de ajuda mútua (Ec 4.9-10). Por outro lado, os filhos têm sofrido com a ausência dos pais.

II. O Cristão e o Relacionamento com as Pessoas

O que deveria um homem fazer com sua vida? Temos apenas uma vida para viver e há tantas metas que um homem pode querer atingir! Mas o que um homem deveria fazer de modo a tornar sua vida um sucesso? O sucesso na vida pode parecer certamente ser um alvo ilusório. Temos que decidir em que constitui o "sucesso" e então devemos decidir se, e quando, atingimos a meta. Ao envelhecermos, descobrimos muitas vezes que aquelas coisas que pensávamos que constituíam o sucesso, na verdade enchem nossa vida de vazio. Os jovens, que estão no início da vida, defrontam com esta questão: Que farei com o resto de minha vida? Todos nós temos que responder a essa mesma pergunta, mas este estudo se concentrará sobre a resposta que um homem tem que dar. Naturalmente, a respeito de algumas coisas, uma vida bem sucedida, tanto de homens como de mulheres, será a mesma coisa, mas há algumas responsabilidades especiais que cabem ao homem. É natural, entre os rapazes, nos anos antes da maioridade, procurar um modelo entre aqueles homens que a sociedade considera bem sucedidos. A sociedade muitas vezes glorifica o atleta que possui capacidade física excepcional, mas que demonstra caráter inferior. Muitas pessoas imaginam que o homem perfeito é aquele que tem tremenda força física e, na verdade, a sociedade o admira por isso. A sociedade também mostra o homem com poder ou riqueza como um sucesso. Muitas vezes, tais indivíduos passaram por cima de outros, em sua decidida busca de satisfação de desejos mundanos, mas a capacidade para manejar tais poderes é admirada por muitos. Como observamos anteriormente, é freqüente esses indivíduos atingirem o topo só para descobrir que ele vale menos do que tinham imaginado.

Precisamos nunca esquecer que Deus criou o homem. Ele nos conhece melhor do que a nós mesmos. Além disso, Deus sabe o que satisfará o homem; ele sabe que tipos de realizações são de valor duradouro e satisfarão o lado espiritual do homem. Que tipo de homem Deus considera um homem perfeito, um homem bem sucedido? A Bíblia é o manual de Deus para o homem piedoso, e como tal contém informação de como um homem deverá agir em cada relação que ele tiver.

A verdade é que o homem é bem sucedido nesta vida somente quando serve seu Criador. O profeta Miquéias escreveu: "Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus" (Mq 6.8). O homem que deseja andar com Deus humilhar-se-á e obedecerá aos mandamentos do evangelho para crer em Jesus, arrepender-se de seus pecados, confessar sua fé em Cristo e ser batizado (Mc 16.16; At 2.38; Rm 10.9-10). Quando um homem se torna um cristão, ele tem responsabilidade para com outros cristãos, por causa da relação que ele tem com Cristo. Ele buscará outros cristãos com quem adorar e trabalhar (Hb 10.24-25). Ele precisa crescer em seu conhecimento da palavra de Deus, de modo que seja capaz de partilhar a mensagem da reconciliação com outras pessoas (2 Pe 3.18; Hb 5.11-14). Cada parte do corpo de Cristo, a igreja, deverá contribuir para o bem do todo, usando todas as habilidades que cada um possui (Ef 4.11-16). Os homens precisam tentar qualificar-se para servir como diáconos ou presbíteros na congregação local. Desenvolver o caráter espiritual que o Senhor exige de diáconos e presbíteros exige tempo e persistência no estudo (cf. 1 Tm 3; Tt 1.5-9).

O homem bem sucedido de Deus pode não ser um homem rico ou influente, mas é um bom cidadão. Ele mostra respeito a Deus obedecendo às leis da terra até onde elas não conflitem com a lei de Deus. Ele sabe que Deus ordenou ao governo que providencie a ordem na sociedade e, assim, ele obedece à lei como se estivesse obedecendo ao próprio Deus. O Espírito Santo ordena: "Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus, e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. . . . É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência" (Rm 13.1-2, 5). Assim, o homem que agrada a Deus anda correto diante dos outros, pagando seus impostos e mostrando respeito pelas leis que existem na terra (1 Pe 2.11-17). O homem bem sucedido é um bom trabalhador. Como empregado, ele trabalha pelo salário que recebe, sabendo que esse trabalho é, na realidade, um contrato entre o empregador e o empregado. Ele trabalha de tal modo que possa manter uma boa consciência, tanto diante do seu empregador como de Deus. Paulo escreveu: "Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de coração, como para o Senhor, e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa de herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo" (Cl 3.22-24). O homem de Deus é honesto e operoso, trabalhando de modo que possa ser capaz de ajudar outros (cf. 1 Ts 4.9-12; 1 Pe 4.15; 2 Ts 3.6-12; Ef 4.28).

III. O Cristão e o Relacionamento com Deus

Embora Deus não seja visível para nós, Ele pode se tornar uma realidade segura, confiável e amorosa em sua vida!
De forma poética, o rei Davi descreveu sua experiência sobre a grandeza de Deus e sua intimidade com Ele: "Para onde me ausentarei do Teu Espírito? Para onde fugirei da Tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a Tua mão, e a Tua destra me susterá. Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa Pois Tu formaste o meu interior, Tu me teceste no seio de minha mãe. Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso Me formaste; as Tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem" (Sl 139.7-14, ARA).

Davi foi inspirado pela onipresença de Deus (ou seja, Ele está presente em toda parte) e Sua onisciência (significa que Ele tudo sabe e tudo conhece). Quando as pessoas não estão perto de Deus, elas podem acusá-Lo por esse sentimento de separação. Mas a culpa não é de Deus. As pessoas se esquecem dEle, mas Deus nunca se esquece de nós. Ele está sempre disponível para você, se você O "buscar de todo o coração" (Dt 4.29).

O autor de Salmos 73.28, escreveu: "Mas, para mim, bom é aproximar-me de Deus", e espero que você esteja aprendendo que isso também é bom para você. Nosso relacionamento com Deus começa quando Ele nos chama ou nos atrai. Jesus disse: “Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, o não trouxer; e eu O ressuscitarei no último Dia” (Jo 6.44). Depois que Deus nos chama, Ele espera que, a partir daí, tomemos a iniciativa de nos aproximarmos dEle. Se fizermos isso, então recebemos essa encorajadora promessa: “Chegai-vos a Deus, e Ele se chegará a vós” (Tg 4.8). Então, a promessa de uma ressurreição para a vida após a morte torna-se o principal fator motivador. E essa é “uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus” (Hb 7.19).

sexta-feira, 23 de março de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Março/2018 - Capítulo 4 - O Cristão e o seu Papel no Mundo




Comentarista: Romulo Ataíde

Texto Bíblico Base Semanal: Efésios 5:1-11

1. Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados;
2. E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave.
3. Mas a fornicação, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos;
4. Nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas antes, ações de graças.
5. Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.
6. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.
7. Portanto, não sejais seus companheiros.
8. Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz
9. (Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade);
10. Aprovando o que é agradável ao Senhor.
11. E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as.

Momento Interação

O cristão tem um papel fundamental à executar no mundo. Devemos cada vez mais sermos exemplos tanto dentro quanto fora de nossas casas. É lamentável vermos casos que denigrem o evangelho do Senhor Jesus Cristo e os escândalos se espalhando de forma absurda. Mais pessoas estão sendo desacreditas por muitos e a pós-modernidade tem contribuído para cada vez mais para afastar as pessoas do caminho do Senhor. Por isso, temos uma importância imensa de neste estudo, vermos qual o papel do cristão e o modo de se comportar em meio à este mundo diversificado e que jaz no maligno (Jo 5.19).

Introdução

A igreja é composta de pessoas que vivem no meio de outras pessoas. Algumas das instruções dadas por Paulo tratam da conduta do discípulo de Cristo em relação às pessoas ao seu redor. Entre outras coisas, ele ensina sobre a importância de respeitar os governantes. É interessante encontrar ensinamentos de Paulo e outros sobre a obediência ao governo, pois viviam sob o governo de Nero César, um dos piores dos imperadores romanos. Mesmo assim, Paulo não apoiou desobediência nem desrespeito para com o governo. No ensinamento do Novo Testamento, a única situação na qual o cristão deve desobedecer ao governo é no caso de ordens humanas que diretamente contradizem as ordens do Senhor. Neste caso, vale a observação dos apóstolos em Jerusalém: "Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens" (At 4.29b).

A mensagem do evangelho nunca deve ser vista apenas como fatos interessantes ou observações acadêmicas. Deus mandou seu Filho, e este mandou Paulo e outros, com a intenção de transformar vidas. Paulo disse: "Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras" (Tt 2.11-14).

I. Sal da Terra e Luz do Mundo

"Vós sois o sal da terra" (Mt 5.13). "Vós sois a luz do mundo" (Mt 5.14). As metáforas que Jesus escolheu para ilustrar a natureza crucial do chamado do reino foram confeccionadas com materiais caseiros comuns. Nenhuma casa da Palestina deixava de ter algum sal, ou uma lâmpada para espantar a melancolia da noite. O mundo dos homens, por causa do pecado, estava apodrecendo na escuridão. Os cidadãos do reino do céu estavam destinados a serem o sal para impedir a putrefação do pecado e a luz para penetrar seu escuro desespero. Jesus advertiu ainda seus discípulos que o mundo que eles pretendiam preservar, eles também tinham que perder. O reino do céu não pretendia-se fechar sobre si mesmo, como um mosteiro gigante. Não fora pretendido que os seus cidadãos vivessem em grande isolamento. Ainda que não sendo do mundo, eles teriam que estar muito dentro do mundo (Jo 17.14-15). Seu Mestre foi sempre um homem do povo. Sua vida foi vivida no meio de multidões apinhadas da Palestina. Ele sempre foi acessível, sempre vulnerável, sempre interessado. Ele passava o seu tempo entre os sofredores e os aflitos (Lc 15.1-2). Isto é algo que os cristãos jamais devem esquecer. Podemos ser perseguidos como ele foi (Jo 15.19-20), mas jamais devemos permitir que nossa dor cesse a nossa compaixão. Podemos estar cansados às vezes, como ele esteve, mas jamais poderemos permitir que nosso cansaço nos afaste das necessidades de outros. O reino lá de cima pode verdadeiramente ser uma cidadela contra o pecado, mas tem que ser sempre o refúgio para o pecador.

"Se o sal vier a ser insípido" (Mt 5.13). Os cidadãos do reino, ainda que muito mergulhados no mundo, jamais devem tornar-se mundanos. O sal não pode perder sua salinidade (Lc 14.34-35; Mc 9.50). Seu sabor depende da santa distinção de suas vidas e caráter. A paixão pela justiça jamais pode ser comprometida ou então a utilidade do discípulo chega ao fim. Ainda que o sal, de fato, não pode deixar de ser salgado, ele pode, como o pó salgado que se forma nas praias do Mar Morto, tornar-se tão poluído que seja tão inútil como o pó da estrada. Se, por concessões feitas ao mundo o sal for lavado de nós, deixando apenas um resíduo de mundana respeitabilidade, belos edifícios, círculos sociais agradáveis e rituais vazios, nós, também, nos tornaremos totalmente sem valor!

Um pensamento final. Tão importante como é, para os cristãos, adorar a Deus de acordo com sua vontade, temos que nos lembrar de que os homens perdidos não serão levados a glorificar a Deus porque nós tomamos a ceia do Senhor cada domingo. Eles podem, na verdade, serem levados a exaltar a Deus pelo amor quieto com que suportamos uns aos outros (Jo 13.34-35), pelo nosso auto-controle quando enfrentamos grande provocação, pela nossa calma segurança em presença da tragédia, e nossa firme recusa a sermos arrastados para um mundo de insensatas concupiscências. Se ganhamos a vitória sobre um sistema mundano de orgulho e carnalidade (1 Jo 2.15-17; 5.4) isso certamente aparecerá e Deus, não nós mesmos, será glorificado.

II. Mensageiros da Palavra de Cristo

Evangelismo tem sido um assunto esquecido hoje em dia, estamos diversas vezes preocupados com as atividades do templo que nos esquecemos de desempenhar o real propósito da igreja, não menosprezando de forma alguma os afazeres eclesiais, más nós somos conhecedores da maravilhosa graça de Deus (se você não conhece, indico agora você desfrutar desse aprendizado), e temos que “incendiar o mundo” com isso. Lembremo-nos das palavras de Spurgeon:
"Se você não tem nenhum desejo de levar outros para o céu, você mesmo não está indo para lá" (C.H. Spurgeon).

Grande ensinamento essa frase traz para você, quando estamos em um caminho ao qual nos conduz a salvação temos o prazer de também levar as demais pessoas a ele. Além do mais pense no amor que a Bíblia ensina a termos pelos nossos irmãos, agora imagine a alma dele sendo levada ao lago de fogo, “o peito de um apaixonado por Jesus chora ao lamentar esse momento em seu pensamento.” Então, exerça a piedade com o seu próximo na melhor maneira de demonstra-la que é apresentando a salvação para o mesmo. O caminho celestial.

Evangelismo é uma ação constante do Cristão, qualquer mínima oportunidade devemos aproveitar para entrar com o plano da redenção da humanidade. Evangelizar é muito mais do que sair pelas ruas com “cartazes bonitos” ao qual deixam o ego do homem lá em cima com jargões como: “Deus vai te dar bênçãos materiais”, “Deus quer melhorar seu serviço”, “Com Jesus não tem problema, ele te ajuda em tudo”.

Eu entendo expressamente que essas técnicas utilizadas em casos específicos são sim realidade, pelo fato de que Deus pode te dar bênçãos materiais e melhorar seu serviço se assim for da vontade dEle, e claro com Jesus não tem problema, porque todos parecem pequeno diante de um Deus que ajuda você. Mas, ao apresentar isso como método para atrair as pessoas, estamos de certo modo atraindo pelos “benefícios da vida” e não pela mensagem da Cruz.

No ato da evangelização deve ser apresentado a mensagem correta, que consigo resumir um pouco dela com versículos bem conhecidos: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. (Rm 3.23); “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16); “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23). Conforme a mensagem que anunciamos, vai ser o público que conquistaremos.

Queremos a igreja cheia de pensamentos jovens? faça um evangelismo que aceite o pensamento deles independente se for certo ou errado, almejamos cheia de pessoas que buscam coisas materiais? apresenta a Bíblia como manual de ganhar dinheiro, e assim por diante. Agora, se buscamos uma unidade em Cristo e nossas igrejas sendo conhecidas como casa de oração (a oração é tão importante, que o próprio Jesus fez questão de ensinar como orar) porque existe um povo cheio de Deus que tem uma fé no seu filho Jesus Cristo ao qual sempre tem o amor ao Pai acima de todas as coisas e seu próximo como a si mesmo, apresente a Bíblia como ela é. Sem distorcer, uma mensagem simples que apresenta a santidade de Deus diante de uma humanidade caída e qual foi o plano para salvar o mundo do seu pecado.

O princípio do chamado de Deus

Se você diz que não descobriu ainda o chamado de Deus na sua vida, possivelmente, você não descobriu ele por completo, más o início você já tem! todas chances estão em suas mãos, o chamado de Deus independente de qual área for, engloba evangelismo, afinal, nossa vida por inteiro tem que pregar, cada atitude ou fala pronunciada, tem que ter uma porção de Cristo. Não que é algo exato, más existe uma possibilidade (pois existem diversos fatores que também podem influenciar), de pessoas que ainda não receberam o presente do Espírito Santo de falar em línguas como sinônimo de derramamento da graça para obra, seja porque não voltaram seus olhos para a evangelização. Quando observamos a igreja primitiva, o Senhor derramou o Poder do Alto pois ele queria que o evangelho fosse anunciado em todo o mundo daquela época (At 1.8) e até hoje ele deseja que o Reino seja apregoado (1 Tm 2.3-4). Pedimos para Deus nos encher do Espírito, para falarmos em línguas espirituais, más a pergunta que ele faz quando pedimos é: “para que?”, qual o propósito que estamos pedindo essa maravilha? porventura é porque achamos bonito? ou algo que apenas seja bom para você? muito mais do que isso se o Senhor te deu a dádiva concedendo essa manifestação espiritual é porque Ele naquele momento te comissionou a uma obra, talvez ainda oculta, más reafirmo uma parte dela você tem em suas mãos, a mensagem do Calvário ao qual todos dependem dela! Até o próprio Jesus exerceu o ato de evangelismo, quão dirá cada um de nós. Se lembra como ele salvou a mulher pecadora? Ele sabia dos seus pecados mas mesmo assim, pelo amor dela, e pela sua graça, ofereceu a salvação, existe 4 verdades nesse texto lindas demais!

O que significa evangelizar

Evangelizar significa: “Anunciar as boas novas”. Trata-se literalmente de pegar o Evangelho ao qual outrora nos foi outorgado e levar apara aqueles que estão cativos na concupiscência da carne (1 Jo 2.16). É a prática efetiva da proclamação do Evangelho, quer pessoal, quer coletivamente, até aos confins da Terra, fazendo-nos cumprir plenamente o mandato que Jesus delegou. A evangelização não é um trabalho opcional da igreja más sim um chamado de cada seguidor de Cristo (Cristo ou Jesus é como comumente o conhecemos, existe pelo menos outros 100 nomes de Jesus que você precisa saber). Interessante que quando falamos disso, logo pensamos que se as boas novas estão confiada a cada um de nós Cristão, então como está o “mundo lá fora?” Se não atendermos esse chamado, não olhamos para ele de forma espiritual, iremos deixar o maligno todos os dias cirandar com homens e mulheres que são também chamados por Cristo. Me lembro de um texto ainda para melhor meditarmos: “Quem deu crédito à nossa pregação? e a quem se manifestou o braço do SENHOR?” (Is 53.2). Isaías quando fala essas palavras, até podendo considerar um lamento, ele te mostra que apesar de ter uma geração naquela época que fechou o coração diante de Deus, ele mesmo assim não cessou de anunciar as palavras de Jeová, agora, já no momento da graça devemos sim levar a mensagem da Cruz.
Não importa muitas das vezes se seremos rejeitados ou se quer caluniado, devemos ter consciência que ela é poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16).

O evangelho de sangue

Curioso observar meus amados, que vemos países aonde a palavra de Deus ainda não se pode entrar, alguns deles infelizmente vivem na ditadura, impedindo que nosso Deus seja adorado (afinal, Deus procura adoradores e não adoração) mas sim apenas o ditador deles. Nesses lugares existem Cristão fervorosos aonde anunciam a palavra de Cristo, não se preocupam se não assistiram o próximo pôr do Sol, ou se terão o prazer de ter uma carreia financeira ótima, se vão “curtir a vida”. Que lindo! me admiro com cada um deles, sabendo que existe uma fé inestimável dentro desses corações incendiados pelo Espírito Santo, e mesmo eles com todas dificuldades lutam o bom combate. Agora muita das vezes nós brasileiros (não estou generalizando), mas mesmo com todo conforto que temos de viver, em um país aonde não prendem ao anunciar Jesus, ainda assim deixamos a desejar ao anunciar as boas novas. Existe um hino da Harpa Cristã, que tem um verso interessante: "Sim, eu amo a mensagem da cruz, Té morrer eu a vou proclamar; Levarei eu também minha cruz, Té por uma coroa trocar".

Será que podemos cantar esse louvor de uma forma até ele penetrar nossa alma? Se for com uma espada no pescoço, arma apontada, diante de leões ou seja como for. Ter a coragem de levantar a voz e dizer: “Deus não troco, não renuncio, eu te amo e minha vida é tua!”. Paulo ensina um pouco sobre a morte daqueles que estão em Cristo: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1.21). Morrer para aqueles que estão em Cristo é ganha-lo é poder ter o prazer de estar a eternidade ao seu lado, agora para que temer na hora de evangelizar? Anunciar as boas novas não é uma obrigação apenas é um prazer. Não sei se você já teve a oportunidade de ver alguém aceitando a Jesus com os olhos em lágrimas, se entregando com todo o coração.

III. O Cristão como Exemplo de Caráter e de Conduta

O caráter cristão é algo extremamente poderoso. Forjado pelo Espírito de Deus na vida dos crentes, ele é responsável por atitudes que marcam época ao longo desses 2000 anos. Em nossa geração este é um tema que precisa ser bastante trabalhado. Isto acontece devido ao grande número de pessoas que se dizem cristãs, mas manifestam um testemunho de vida não compatível com sua confissão de fé. São apaixonadas pelo mundo, tem prazer no pecado e não honram a Deus com sua maneira de viver. O caráter cristão é desenvolvido em nós por meio do lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (Tt 3.5). É obra de Deus, não nossa. No entanto, a proximidade com as Escrituras e com a oração são o caminho para esse processo. Quanto mais cativa (escrava, submissa) for a nossa mente a Palavra de Deus (2 Co 1.3-7) mais experimentaremos a sua boa, perfeita e agradável vontade (Rm 12.2).

Caráter Cristão: Abraão o Pacificador

"Então Abrão disse a Ló: “Não haja desavença entre mim e você, ou entre os seus pastores e os meus; afinal somos irmãos! Aí está a terra inteira diante de você. Vamos nos separar! Se você for para a esquerda, irei para a direita; se for para a direita, irei para a esquerda” (Gn 13.8,9).
O patriarca Abraão possuía um caráter pacifico e cheio de fé muito parecido com o de Barnabé. Quando ocorreu a discussão entre os pastores de Ló e os dele, Abraão deu a Ló a primazia da escolha para evitar conflito. Ao observar ao seu redor, Ló viu as Campina de Sodoma e Gomorra: verdes, bem-irrigadas, e como qualquer agricultor ele foi atraído até aquelas terras. No entanto, mais vale aliança com Deus do que qualquer vantagem terrena. Abraão ficou com a terra árida, seca de Canãa. Mas a sua grande vantagem era ter conservado uma aliança profunda com Deus.
O Senhor falou com Abraão e disse: “De onde você está, olhe para o Norte, para o Sul, para o Leste e para o Oeste: Toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre” (Gn 13.14,15). Mais tarde, quando os hebreus estão fazendo o trajeto: Egito – Canaã, Moisés envia espias a Canaã para ver como era a terra que o Senhor lhes havia prometido. E o relatório foi o seguinte: “Quando chegaram ao vale de Escol, cortaram um ramo do qual pendia um único cacho de uvas. Dois deles carregaram o cacho, pendurado numa vara. Colheram também romãs e figos. E deram o seguinte relatório a Moisés: “Entramos na terra à qual você nos enviou, onde manam leite e mel! Aqui estão alguns frutos dela” (Nm 23,27). Não se deixe levar pela ira quando lhe afrontarem. Quando quiserem tirar vantagem de você. Faça como Abraão, dê o direito de escolha e desenvolva um relacionamento profundo com Deus. É certo que Ele tem o melhor para você ainda que os seus olhos não percebam.

Caráter Cristão: Daniel e a Pureza Sincera

"Daniel, contudo, decidiu não se tornar impuro com a comida e com o vinho do rei, e pediu ao chefe dos oficiais permissão para se abster deles. E Deus fez com que o homem fosse bondoso para com Daniel e tivesse simpatia por ele" (Dn 1.8,9).
Milhares de jovens judeus foram levados para a Babilônia como escravos. Ao chegar ao novo lar eles foram confrontados por uma cultura extremamente pecadora, perversa e sem temor ao Senhor. Logo de cara o cardápio foi determinado: a mesma comida que o rei comia (Daniel 1.5). O problema? O cardápio judaico é extremamente restritivo. Havia uma série de elementos que tornavam um judeu impuro e a comida era uma delas. A atitude de Daniel e seus amigos? “Não vamos nos contaminar! ”. O cardápio deles era só legumes. A atitude de Daniel e seus amigos agradou a Deus, e eles foram honrados. Ao final dos três anos de preparação estavam mais saudáveis e eram dez vezes mais inteligentes que todos os seus concorrentes.

Caráter Cristão: Esdras, Aquele Que Ama a Palavra

No dia primeiro do primeiro mês ele saiu da Babilônia, e chegou a Jerusalém no primeiro dia do quinto mês, porquanto a boa mão de seu Deus estava sobre ele. Pois Esdras tinha decidido dedicar-se a estudar a Lei do Senhor e a praticá-la, e a ensinar os seus decretos e mandamentos aos israelitas. (Ed 7.9,10). Procuramos atrair a atenção de Deus de muitas maneiras e a maioria delas são falhas. A confusão da mulher samaritana é legitima: “Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar” (Jo 4.20). Mesmo estando em Cristo procuramos sempre o lado correto. Como adorar? Devo ou não levantar as mãos? Devo ou não chorar? Devo ou não glorificar em voz alta? Devo ou não falar noutras línguas? A resposta de Jesus Cristo e a atitude de Esdras convergem nesse ponto: ambos se voltam para as Escrituras. Esdras decidiu não apenas conhecer a Palavra de Deus, mas também praticá-la e ensiná-la. A consequência? “A boa mão de seu Deus estava sobre ele”. Procure aproximar-se dessa forma e você colherá os mesmos frutos. Pare de beber de outras fontes, elas continuarão a mantê-lo com sede. A Bíblia tem as respostas que você precisa. 

Caráter Cristão: Neemias Aquele Que Se Importa

"Quando ouvi essas coisas, sentei-me e chorei. Passei dias lamentando, jejuando e orando ao Deus dos céus. Então eu disse: Senhor, Deus dos céus, Deus grande e temível, fiel à aliança e misericordioso com os que o amam e obedecem aos seus mandamentos, que os teus ouvidos estejam atentos e os teus olhos estejam abertos para ouvir a oração que o teu servo está fazendo dia e noite diante de ti em favor de teus servos, o povo de Israel. Confesso os pecados que nós, os israelitas, temos cometido contra ti. Sim, eu e o meu povo temos pecado contra ti" (Nm 1.4-6).
Neemias vivia confortavelmente no palácio e possuía cargo de destaque, era copeiro do rei. Mas ele também vivia como cativo, fora de Jerusalém. Sempre que um de seus patrícios aparecia, ele procurava ter notícias de seu povo e de sua cidade. Certo dia as notícias não foram tão boas: “Aqueles que sobreviveram ao cativeiro e estão lá na província, passam por grande sofrimento e humilhação. O muro de Jerusalém foi derrubado, e suas portas foram destruídas pelo fogo” (Nm 1.3). Neemias caiu em prantos. Passou vários dias chorando, lamentando e jejuando. Mas como só chorar não resolve ele orou ao Senhor e pediu ajuda para reconstruir a cidade. Ele dedicou cerca de quatro meses a essa tarefa, ao final o rei que jamais viu Neemias com semblante triste perguntou: ”Por que o seu rosto parece tão triste, se você não está doente? Essa tristeza só, pode ser do coração! ” Com muito medo, eu disse ao rei: “Que o rei viva para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, se a cidade em que estão sepultados os meus pais está em ruínas, e as suas portas foram destruídas pelo fogo? ” O rei me disse: “O que você gostaria de pedir? ” Então orei ao Deus dos céus… (Nm 2.2-4) Neemias pediu ao rei tudo o que era necessário para a primeira etapa da reconstrução de Jerusalém e porque a boa mão do Senhor Deus estava sobre ele, o seu desejo foi concedido. Muitas pessoas em tempos de calamidade: lamentam, choram e ficam só nisso. Mas só isso não resolve. Neemias nos dá uma lição de caráter cristão ao se importar com seu povo, com o bem-estar deles em detrimento do seu próprio. Neemias abandonou seu conforto e segurança ao lado do rei para tentar ser útil e abençoar as pessoas que ele amava.

Caráter Cristão: A Humildade de Jesus

"Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!" (Fp 2.5-8). Jesus é com certeza o maior exemplo que temos a seguir. Ele é a nossa bússola suprema no mar revolto da vida. O apóstolo Paulo nos aconselha a buscar o mesmo sentimento, de forma que haja em nós o que houve nele. Por quê? “Embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se…” Jesus não permitiu que sua divindade o tornasse distante, ao contrário ele não a considerou. Ele se esvaziou. Ele demonstra isso em pelo menos três momentos:

No Getsêmani;
Na cruz;
Na ressurreição.

Conclusão

O caráter cristão é o fruto do trabalho do Espírito Santo em nossas vidas. É o contato com a Palavra de Deus que vai nos moldando e gerando em nós as características de Cristo. Vimos que a Bíblia possui maravilhosos exemplos de caráter de homens e mulheres de Deus e como eles agiram diante das dificuldades.Que o Espirito Santo desenvolva em nós essa mesma postura, o mesmo sentimento, de forma que sejamos semelhantes a ele em tudo.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Março/2018 - Capítulo 3 - O Cristão e a Política



Comentarista: Romulo Ataíde


Texto Bíblico Base Semanal: Romanos 13.1-7

1. Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus.
2. Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.
3. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela.
4. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal.
5. Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência.
6. Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo.
7. Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.

Momento Interação

O mundo tem mudado de forma rápida e brusca. Antigamente as informações só nos eram passadas, uma semana ou até mais tempo depois dos eventos ocorridos, seja em locais governamentais, seja em locais organizacionais. Atualmente muitas pessoas tem buscado saber como devemos lidar com a política tanto de modo externo, quanto de modo interno. Em todos os lugares vemos pessoas de diversas maneiras e atitudes, muitas pessoas sendo boas e muitas pessoas sendo ruins. Mas como lidar com a política? Ela deve ser aplicada à nós cristãos também? No capítulo desta semana, estudaremos como o cristão deve lidar com a política e o que a Bíblia nos fala de modo concreto sobre  ela. Bons estudos!

Introdução

Se existe alguma coisa que vai desencadear um debate espontâneo, ou talvez uma verdadeira briga, é uma discussão que envolve política – até mesmo entre os cristãos. Como seguidores de Cristo, quais devem ser a nossa atitude e envolvimento com a política? Tem sido dito que "religião e política não se misturam" – será que isso é realmente verdade? Podemos ter opiniões políticas fora das considerações da nossa fé cristã? A resposta é não, não podemos. A Bíblia Sagrada nos dá plenas verdades sobre a nossa postura em relação à política e governo.

I. A Política nas Escrituras Sagradas

A vontade de Deus permeia e suplanta todos os aspectos da vida. A vontade de Deus é o que tem precedência sobre tudo e todos (Mt 6.33). Os planos e propósitos de Deus são fixos, e a Sua vontade é inviolável. Ele realizará a Sua vontade, a qual nenhum governo pode contrariar (Dn 4.34-35). Na verdade, é Deus quem "remove reis e estabelece reis" (Dn 2.21) porque o "Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens; e o dá a quem quer" (Dn 4.17). Um entendimento claro desta verdade vai nos ajudar a ver que a política é apenas um método que Deus usa para realizar a Sua vontade. Apesar de homens maus abusarem do seu poder político por terem uma intenção perversa, Deus o usa para o bem, trabalhando "para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm 8.28).

II. O Cristão e o seu Papel em meio à Política

Devemos compreender o fato de que o nosso governo não pode nos salvar! Só Deus pode. Nunca lemos no Novo Testamento sobre Jesus ou qualquer um dos apóstolos gastando qualquer tempo ou energia em ensinar os crentes a reformar o mundo pagão de suas práticas idólatras, imorais e corruptas através do governo. Os apóstolos nunca convidaram os crentes a demonstrar desobediência civil e protestar contra as leis injustas ou esquemas brutais do Império Romano. Em vez disso, os apóstolos ordenaram os cristãos do primeiro século, assim como nós hoje, a proclamar o evangelho e viver vidas que dão evidência clara do poder transformador do Evangelho. Não há dúvida de que a nossa responsabilidade ao governo é obedecer às leis e ser bons cidadãos (Rm 13.1-2). Deus estabeleceu toda a autoridade e Ele faz isso para o nosso benefício, "para louvor dos que praticam o bem" (1 Pe 2.13-15). Paulo nos diz em Romanos 13.1-8 que é responsabilidade do governo exercer autoridade sobre nós - espero que para o nosso bem - coletar impostos e manter a paz. Onde temos uma voz e podemos eleger nossos líderes, devemos exercer esse direito através do voto para aqueles cujos pontos de vista mais se parecem com os nossos.

Um dos mais grandiosos enganos de Satanás é que podemos descansar a nossa esperança por moralidade cultural e vida piedosa em políticos e funcionários governamentais. A esperança por mudança de uma nação não se encontra nos líderes de qualquer país dominante. A igreja tem feito um erro se pensa que é o dever dos políticos defender, avançar e proteger as verdades bíblicas e valores cristãos.

III. A Justiça de Deus sobre a Corrupção Política

O propósito original da igreja, dado por Deus, não se encontra em ativismo político. Em nenhum lugar na Bíblia temos o comando de gastar nossa energia, nosso tempo ou nosso dinheiro em assuntos governamentais. A nossa missão não reside na mudança da nação através de uma reforma política, mas na mudança de coração através da Palavra de Deus. Quando os crentes acham que o crescimento e a influência de Cristo podem de alguma forma se aliar com a política do governo, eles corrompem a missão da igreja. O nosso mandato cristão é espalhar o evangelho de Cristo e pregar contra os pecados do nosso tempo. Só à medida que os corações dos indivíduos em uma cultura são alterados por Cristo é que a cultura começa a refletir essa mudança.

Os crentes de todas as épocas têm vivido, e até florescido, sob governos antagônicos, repressivos e pagãos. Isso era especialmente verdadeiro sobre os crentes do primeiro século que, sob regimes políticos impiedosos, sustentaram a sua fé sob imenso estresse cultural. Entendiam que eles, e não os governos, eram a luz do mundo e sal da terra. Aderiram ao ensinamento de Paulo de obedecer aos seus governantes, até mesmo honrar, respeitar e orar por eles (Rm 13.1-8). Mais importante, entenderam que, como crentes, a sua esperança residia na proteção que apenas Deus fornece. O mesmo vale para nós hoje. Quando seguimos os ensinamentos das Escrituras, nós nos tornamos a luz do mundo, como Deus planejou que fôssemos (Mt 5.16).

As entidades políticas não são o salvador do mundo. A salvação de toda a humanidade tem sido manifestada em Jesus Cristo. Deus sabia que o nosso mundo precisava de salvação muitos antes de qualquer governo nacional ter sido fundado. Ele mostrou ao mundo que a redenção não poderia ser realizada através do poder do homem, sua força econômica, sua força militar ou a sua política. A paz de espírito, contentamento, esperança e alegria - e a salvação da humanidade - são realizados somente através da Sua obra de fé, amor e graça.