sábado, 5 de fevereiro de 2022

Comentário Bíblico Mensal: Fevereiro/2022 - Capítulo 1 - O Cristão e os Relacionamentos




Comentarista: Matheus Gonçalves



Texto Bíblico Base Semanal: 1 Pedro 2.11-17


11. Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma;

12. Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem.

13. Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior;
14. Quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem.

15. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos;

16. Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus.

17. Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao rei.



Momento Interação

Em seu ministério terreno, o Senhor Jesus deu grande importância à questão do amor ao próximo. Certa vez um fariseu lhe perguntou sobre qual seria o grande mandamento da lei. Em outras palavras, ele queria saber qual dos 613 mandamentos identificados na religião judaica, era o mais importante. Jesus respondeu a pergunta do fariseu com um mandamento duplo: o primeiro e maior de todos os mandamentos é aquele que ensina que devemos amar a Deus sobre todas as coisas (Mt 22.37,38; cf. Dt 6.5). Já o segundo mandamento é aquele que diz: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.39; cf. Lv 19.18). É evidente que o verdadeiro amor ao próximo é um amor sacrifical e abnegado; pois envolve buscar o bem-estar do próximo sem qualquer interesse próprio. Jesus não apenas ensinou sobre a necessidade de o homem amar o próximo como si mesmo, mas também demonstrou na prática esse compromisso. Assim, sua conduta serve de exemplo a todos os cristãos (1 Jo 3.16).

Introdução

Relacionamento interpessoal refere-se às relações entre pessoas, grupos ou equipes, sejam elas pessoais, profissionais ou familiares. É da natureza do ser humano se relacionar e, quanto melhores e mais positivas forem essas relações, maiores serão as chances de construirmos conexões verdadeiras com as pessoas com quem convivemos. Para isso, elementos como empatia e respeito são fundamentais. Somos seres sociáveis, precisamos do convívio, do contato com outras pessoas. Também é comum buscarmos aprovação social. Sermos aceitos, fazer parte de algo, está relacionado à nossa necessidade de associação, a necessidade de estarmos nos relacionando com pessoas que tenham gostos, valores e ambições parecidas com as nossas. Tudo isso é muito importante para o ser humano, para que ele possa encontrar e se identificar com a sua tribo, seu grupo de afinidades, encontrar pessoas que sintam as mesmas coisas, que discutem os mesmos temas.

As pessoas que devemos ter conosco, em nossa caminhada, são as pessoas que acreditem em nós, em nosso potencial, em nossos sonhos. Pessoas que nos aceitem como somos, que se identifiquem com nossa essência e que acreditem em nossas potencialidades. É maravilhoso quanto temos sonhos e podemos compartilha-los com pessoas que imediatamente se engajam, se entregam para realiza-los juntos. Pessoas que nos estimulem a crescer, a aumentar nosso desenvolvimento, que elevem nossa frequência e que nos impulsionem a sair da zona de conforto. Pessoas que nos provoquem a ser cada dia melhores e que nos façam evoluir. É primordial olhar em volta e estar cercado de pessoas bacanas, positivas, que tenham ambições e vontade de crescer e se desenvolver, porque estas pessoas te estimularão a fazer a mesma coisa – e você fará o mesmo por elas! Ao contrário disso as pessoas das quais você não precisa são aquelas que sugam suas energias, que te colocam para baixo e fazem com que você não queira evoluir.

I. A Importância dos Relacionamentos

Todo Ser Humano se relaciona para viver e para se sentir inserido na sociedade. Mas o que são relações interpessoais? Quando falamos de relações interpessoais, estamos nos referindo ao relacionamento entre duas ou mais pessoas. Relacionar-se não é algo muito fácil, requer de nós um esforço grande, e isso inclui aceitação, respeito mútuo e principalmente empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Por mais difícil que seja nos relacionarmos com outras pessoas, temos que nos esforçar, pois o nosso sucesso em qualquer área da nossa vida, depende disso. Para nos relacionarmos bem, podemos começar observando a forma como nos relacionamos com nós mesmos, essa relação é chamada de intrapessoal.

Aprender a relacionar-se consigo mesmo é ir em busca do autoconhecimento. Quando conhecemos a nós mesmos, aprendemos a nos amar e possivelmente a amar o próximo. Aprendemos a identificar aquilo que nos agrada e passamos a viver em busca do que nos traz alegria. Concentre-se em reparar como você trata as pessoas, principalmente as mais próximas, pois normalmente esse é o modo como você se trata. Quando você entende o que funciona pra você fica muito mais fácil aperfeiçoar as relações com os outros. Desenvolva a arte de se relacionar bem consigo mesmo para que seus relacionamentos pessoais e de trabalho sejam saudáveis. Quem possui a habilidade de se relacionar bem com os demais, se torna um profissional desejado, pois trabalha bem em equipe.

Só trabalha bem em equipe quem sabe se relacionar. Trabalhar em equipe é realizar determinadas tarefas, em prol de alcançar um único objetivo comum. Numa equipe, os membros se apoiam mutuamente, cooperam uns com os outros e compartilham tarefas. É necessário que haja sinergia entre o grupo e que o espírito de cooperação prevaleça, trazendo os resultados esperados. Quando valorizamos o trabalho em equipe aprendemos a dar importância às pessoas que nos cercam e entendemos que cada uma tem uma forma diferente de contribuir. Cada pessoa tem suas próprias experiências ao longo da vida, e isso faz com que tenham crenças diferentes. Entendendo isso, fica mais fácil aceitar que as pessoas são diferentes umas das outras, que agem e reagem de maneira própria em cada situação. Ainda bem que não somos iguais! Se permanecermos abertos a novas formas de pensar e de fazer, a vida pode ficar mais dinâmica e divertida!

II. Os Relacionamentos como Base de Convivência

A vida cristã é sempre sobre relacionamento. Ela começa com a salvação, a restauração de nosso relacionamento com Deus (Romanos 5.1), continua por meio da santificação ou o crescimento de nossa relação com Deus (2 Co 3.18) e culmina com nossa glorificação, quando estivermos plenamente em comunhão com Deus (1 Co 13.12). Naquela que talvez seja uma das mais claras declarações sobre o cristianismo, Jesus respondeu sobre qual é a maior mandamento, registrado no evangelho de Marcos 12.28-31: "Um dos mestres da lei aproximou-se e os ouviu discutindo. Notando que Jesus lhes dera uma boa resposta, perguntou-lhe: “De todos os mandamentos, qual é o mais importante?” Respondeu Jesus: “O mais importante é este: ‘Ouça, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus, o Senhor é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças’. O segundo é este: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Não existe mandamento maior do que estes".

É legítimo afirmarmos que esta síntese do evangelho nos aponta para uma relação amorosa com Deus e com os outros. Em um mundo em que relacionamentos estão se tornando cada vez mais descartáveis e “virtuais”, é fundamental ao líder que deseja terminar bem que invista em relacionamentos saudáveis. Este é o artigo final de série sobre terminar bem. O eixo desta série de artigos é justamente explorar os hábitos que são encontrados naqueles que finalizam bem sua carreira cristã. Importa lembra que terminar bem não significa terminar com sucesso de acordo com o mundo, mas de acordo com Deus.

Existem muitas instruções sobre relacionamentos na Bíblia. Este tema certamente é digno de ser estudado com muito mais profundidade do que permite este artigo. No entanto, eu gostaria de alistar apenas algumas instruções que, a meu ver, são fundamentais. Para tanto vou me concentrar em apenas uma passagem: Romanos 12.9-21. Antes de iniciar este estudo, porém, creio que é importante destacar que muito embora relacionamentos sejam o fundamento da fé cristã, isso não significa que todos os cristãos tenham igual facilidade em lidar com seus relacionamentos. Na verdade, é minha firme convicção que todo cristão é limitado no cumprimento das instruções de Cristo sobre relacionamentos. Todos podemos crescer em um aspecto ou outro.

III. Relacionamentos no Contexto Bíblico

Há muita gente em nossas igrejas com um grau enorme de dificuldade na área de relacionamento. Seja por causa da timidez; seja em função de traumas do passado; com uma porção de preconceitos e atitudes egoístas; com um temperamento explosivo, pavio curto, sem o mínimo de paciência; gente que critica negativamente, que possui uma postura ácida; pessoas com uma insatisfação crônica; gente que murmura, pragueja; que age com falsidade, dissimulação, relacionando-se hipocritamente. Todas essas tendências e práticas pertencem à natureza de Adão, que herdamos em nossa constituição humana, pecaminosa e perversa. Jeremias trouxe da parte de Deus o seguinte diagnóstico do nosso coração ou da nossa natureza: “O coração é enganoso e incurável, mais que todas as coisas; quem pode  conhecê-lo? Eu, o Senhor, examino a mente e provo o coração, para retribuir a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações” (Jr 17.9,10).
 
Tiago, inspirado pelo Espírito Santo, nos dá uma exortação preciosa: “Meus amados irmãos, tende certeza disto: todo homem deve estar pronto para ouvir, ser tardio para falar e tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tg 1.19,20). A confrontação do apóstolo aqui é muito eficaz. Funciona mesmo. Ele coloca muito bem aqui os três traços vitais de um relacionamento saudável: Amor, humildade e mansidão. Então, o amor tem disposição para ouvir o próximo; a humildade sabe esperar o momento para falar e a mansidão não reage negativamente. Jesus era assim. Em todo o Seu riquíssimo ministério Ele teve atitudes e atos marcados pelo amor, pela humildade e pela mansidão. Deixou muito claro que o Seu amor era incomparável (João 15.13,14) e que devemos aprender dEle que é manso e humilde de coração (Mt 11.29). 

O amor, dizem as Escrituras, “tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta” (1 Co 13.4-8). O amor supera preconceitos, diferenças, temperamentos, egoísmo, timidez e quaisquer outros sentimentos que não estão em Cristo Jesus. O amor supera todas as barreiras e fossos estabelecidos pelo homem. O amor perdoa, abençoa, encoraja, compreende, aceita e coopera. No amor não há extratos, níveis sociais e econômicos. A linguagem do amor é a da aceitação, do perdão e da festa. O amor ouve, espera e descansa nAquele que tudo pode (Fil 4.13). No amor não há medo. A linguagem do amor é a da coragem, franqueza, legitimidade e coerência. No verdadeiro amor não há máscaras. O amor olha nos olhos e diz a verdade pura e simples.

A humildade, por sua vez, significa que reconheço a minha pequenez, minhas limitações e que sou pó. Como dizia o padre Antonio Vieira, somos pó em pé. Fomos alcançados pela graça. Perdoados por um pecado que não podíamos cobrir e resgatar. Jesus nos libertou a todos pelo Seu sangue derramado na cruz. O Seu poder se aperfeiçoa em nossa fraqueza, debilidade. A humildade é o oposto da arrogância. Devemos reconhecer sempre as nossas mazelas. Jesus foi humilde de coração (Mt 11.29). Por isso, a humildade sabe ouvir, esperar e descansar. Na humildade considero o outro superior a mim mesmo. A humildade é uma grande benção de Deus nos relacionamentos. Esta foi a orientação sábia de Paulo aos irmãos em Filipos (2.5-8). A humildade é a linguagem da igualdade. Todos nos encontramos no mesmo nível – o da cruz.
 
A mansidão é o terceiro traço vital nos relacionamentos. Ser manso é submeter todos os meus direitos ao Senhor. Depositar a minha pretensa reputação aos Seus pés. Jesus sempre foi manso. A mansidão é uma atitude da pessoa regenerada, salva pela graça de Deus em Cristo Jesus. Ela nos aponta para a não-reação negativa, para o caminhar a segunda milha, para o sofrer em silêncio e abençoar os que nos perseguem. Significa vivermos em paz com os outros (Rm 12.18). Então, a mansidão aprende a ouvir, esperar e descansar. Estevão, diante do sofrimento, foi manso. Ele possuía o caráter de Cristo, o caráter do Cordeiro que foi para o matadouro mudo, sem abrir a Sua boca. O profeta Isaias fala claramente acerca desta verdade: “Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como ovelha muda diante dos seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.7).

Conclusão

Que esses traços vitais estejam em nós e nos nossos relacionamentos. Que o Senhor Jesus Cristo domine completamente as nossas relações a partir do nosso coração.  Que a Sua paz seja o árbitro em nossos corações e sejamos agradecidos (Col 3.15). Louvemos a Deus, dignifiquemos o Seu grandioso nome, pelos nossos irmãos. Não respondamos ao agravo. Reconheçamos as nossas profundas limitações, falhas e os nosso defeitos. Então, sejamos prontos para ouvir; tardios para falar e tardios para se irar. A justiça de Deus vai agir na vida daqueles que vivem o amor, a humildade e a mansidão à semelhança de Jesus, nosso Salvador e Senhor. 


Recomendação de Leitura da Semana: SANTOS, Matheus. O Viver do Cristão. São Paulo: Evangelho Avivado, 2019.


 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Recomendação Musical Evangelho Avivado - Diante do Trono - Preciso de Ti (2001)

 




Por Leonardo Pereira



Com produção do Pr. Márcio Valadão, Preciso de ti é o quarto álbum do Ministério Diante do Trono. Foi gravado no dia 14 de julho de 2001, no Estádio do Mineirão, na cidade natal – Belo Horizonte.

Este foi o evento que teve a maior lotação da história do Estádio – cerca de 210 mil pessoas, vindas de todas as partes do país, e de outros países.

Não bastante isso, esse CD considero como o melhor da discografia do ministério – bem como um dos melhores da história da música gospel brasileira. Numa época em que o gospel brasileiro estava começando a crescer, nós vemos uma qualidade impressionante de arranjos – já visto desde 1998 -, de cenografia, mixagem, produção, entre outros pontos. Isso tudo fez com que o Diante do Trono fosse eleito em 2002 como Grupo do Ano de 2001, pelo extinto Troféu Talento – além de ter a Música do Ano, “Preciso de ti”. E até hoje se colhe frutos deste trabalho – o mais vendido da história da música brasileira, com valores acima dos dois milhões de cópias, sendo 400 mil só na primeira semana de lançamento.

A primeira imagem é de um palco lindo, com um formato de um globo. Predominam as cores vermelho e bordô, não só nas vestimentas, como também na iluminação. O coral é lindo e está muito bem posicionado. O palco, bem mais amplo que no CD anterior, permite uma maior disposição de músicos e da própria Ana Paula. Embora não sejam muitas as imagens do público, mais ainda numa panorâmica, podemos ver o tamanho da multidão – quem ver a página central do encarte do CD tem uma real noção.

Sem introdução e apresentação, começamos direto com Quero subir. Uma das mais suaves canções de toda a carreira foca-se apenas nas teclas e no peso das vozes. Também acho linda a dança ao longo da música – mesmo sendo apenas um solo da excepcional Isabel Coimbra. Ao longo da música, a participação dos metais, bem como o aumento do tom, tornam-na uma excelente pedida para iniciar um CD – prova de que não é necessário começar com músicas rápidas.

A imagem de helicóptero, feita do estádio, antes de Em teus átrios, aliado ao extasiante solo de guitarra de Elias Fernandes, a fazem como uma das melhores músicas de júbilo da carreira. Tudo é pontual na música: guitarras, o peso da percussão, os metais em vários momentos, e mais os vocais. Ao longo da música, pode perceber-se a habilidade de Ana Paula em “comandar” o momento. Excelente pedida para dançar e pular na presença de Deus.

Ana Paula antecede Insaciável com uma breve mensagem sobre a importância e necessidade de convivermos e estarmos com Deus, nos alimentando da sua palavra. E isso não pode ter fim. Assim como a qualidade dos arranjos, que a cada música parece melhorar ainda mais. O solo de Elias ao violão, junto dos metais brilhantemente conduzidos pelo maestro Sérgio Gomes, introduzem, pra mim, a melhor canção de júbilo do CD. Aliás, as coreografias do Mudança, assim como a pausa no meio da canção para um ritmo semelhante ao techno, é fenomenal!

Nosso desejo de conhecer o Senhor é retratado em Conhecerei, a mais leve das músicas rápidas. Ela fica basicamente na boa apresentação dos metais, junto das teclas de Paulo Abucater e Gustavo Soares. É uma música mais simples, cujo coro tem um grande peso dos metais – algo que não era tão visto em canções do Hillsong. Gosto da letra da canção.

As bases de Mais do que tudo são os famosos Salmos 27 e 84. Solada por André Valadão, a canção traz um coro bem empolgante: “Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei, que eu possa habitar em sua presença pra sempre”, com direito ao bailado dos metais e uma bela pegada na guitarra. O jogo feito pelo backing é muito legal, e complementado pela excelente voz de André, temos uma animadíssima canção – mesmo usando praticamente 100% dos salmos.

Neste momento, temos uma pausa nas canções, uma transição das músicas de júbilo para as de adoração. Aqui, Ana Paula traz uma bela palavra, que é a base da próxima canção. A história do Rei Ezequias, que fez um governo que agradou ao Senhor. Mas, em certo momento, o Diabo veio intentar contra os bons atos de Ezequias, por meio do rei da Síria, Senaqueribe. Mas neste momento, Ezequias, sendo afrontado, abandonou suas altas vestes, e se vestiu de humildade pra pedir ao Senhor auxílio ante as afrontas de Senaqueribe. Essa história nos mostra que Deus, quando está no controle, é capaz de humilhar a todos que queiram afrontar os filhos de Deus.

Ouve, Senhor, é uma canção cantada em primeira pessoa, como se fosse Ezequias cantando. Um solo que inclui violão, guitarra e metais mais graves, desencadeam em uma música que não aparece tanto os backings. Depois, mais forte, a música volta cantada em segunda pessoa, como se fosse Deus respondendo. Confesso que não é das minhas favoritas, principalmente quanto a letra. Mas a mensagem que quer passar-nos é maravilhosa.

Gosto bastante de Deus de milagres, que possui uma letra lindíssima. O início mais suave, apenas com o teclado no fundo e a voz de Ana, juntando a segunda parte um pouco mais pesada, dão um toque providencial à música. Os backings são mais suaves, mas aparecem de forma muito notável. Como diz a canção, “O maior milagre já operou em mim, e o maior milagre quer operar em ti”.

Antes de prosseguirmos, nós vemos pela primeira vez uma participação do Pr. Gustavo Bessa em gravações do DT, trazendo uma mensagem. E eu amo a mensagem dessa gravação, onde ele fala sobre os milagres que Jesus fazia, como em Betsaia, Corazim, Cafarnaum. Mas, no fundo, Jesus não realizou esses milagres – como até hoje faz – só pra mostrar que ele é poderoso pra fazer, e pra que as pessoas possam se admirar. Ele fez isso, sim, para ser um sinal que apontam pra Deus – não podemos buscar a Jesus pelos milagres, mas sim porque o nosso alvo é chegar a Deus.

Maximiliano Moraes conduz, sem dúvida, uma das melhores canções da música gospel nacional. Coração igual ao teu é uma oração em primeira pessoa, pedindo a Deus que ele possa nos dar um novo coração, disposto a cumprir e obedecer ao que Deus quer. As vozes durante a música são divinas, excepcionais. E os arranjos não pesados, sem os metais, são perfeitos. Apenas uma besteirinha: não gosto do aumento do tom, acho que a música em Fá estava excelente. Nota 10!

Chegamos ao ponto máximo do álbum: a faixa-título, Preciso de ti. Se você já se espantou com os mais de 16 minutos da faixa no CD, prepare-se para os mais edificantes 25 minutos do DVD. Começamos com o violão excelente de Sérgio Gomes no início da música. Depois, conforme a música vai passando, os metais vão aparecendo mais ainda. Além do trio Ana, Helena Tannure e João Lúcio Tannure, temos a notável presença do Espírito Santo no meio dos louvores. Isso se torna claro pela palavra de Ezenete Rodrigues, do Ministério de Intercessão da IBL. É uma clara revelação de que Deus estava, naquela noite, instalando seu trono no meio dos louvores que nasceriam de nosso país!

André Valadão assume o microfone para nos citar o famoso texto de II Crônicas 7:14: “se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” Em seguida, João Lúcio vem para nos dizer Jeremias 29:11-14: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o SENHOR, e farei mudar a vossa sorte.”

Por fim, temos Helena nos citando Tiago 4:8-10: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará.” Para continuar, Ana Paula faz um espontâneo maravilhoso, que nos mostra que não nos vale nada termos carros, casas, riquezas, dinheiros. O nosso único desejo é e sempre deverá ser o Senhor! Precisamos apenas dele!

Para encerrar, uma única palavra sobre esses momentos: SOBRENATURAL.

Prosseguimos com Leva-me, cantada pelo lindo dueto de Ana Paula e Nívea Soares. A música é bem suave, e as vozes delas combinam perfeitamente, não só com a letra, como também com a música. Ela é simples, ficando só nas teclas e cordas, sem metais. É uma das minhas favoritas, em todos os sentidos. Destaque para as danças, que foram muito bonitas.

Antes de encerrarmos, temos uma breve narrativa, com imagens, sobre as pessoas que não conhecem o evangelho – principalmente sobre à Índia, um dos países com a população mais miserável do mundo. Quem ouve a narrativa, se emociona, ao ver que meninas pequenas tornam-se prostitutas, por causa de seus pais. Para tanto, entendemos o porquê do lindo trabalho do DT se destinar à trabalhos missionários naquele país.

Para encerrar, temos o belíssimo trabalho refletido em uma canção muito legal e diferente: Em toda a Terra, com uma parceria de sopro e percussão, bem ao estilo da cultura indiana, traz essa canção, cujo coro é: “Queremos cantar teus louvores em toda a Terra”. A apresentação da dança, inclusive com jovens indianas, é emocionante, mas divino. Para fechar com chave de ouro!


domingo, 30 de janeiro de 2022

Andando na Verdade



João ao escrever sua segunda epístola a senhora eleita e ao seus filhos, fica extremamente alegre pelo fato deles estarem andando, na verdade. Como João identificou que eles estavam andando, na verdade? Três pontos são importantes analisarmos sobre como aqueles irmãos colocaram isso em prática.

1. Conhecer a verdade   

O presbítero à senhora eleita e aos seus filhos, a quem eu amo na verdade e não somente eu, mas também todos os que conhecem a verdade (2Jo 1:1).

É impossível andar na verdade, sem primeiro conhece-la. Jesus em sua oração sacerdotal orou pelos discípulos: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17:3). Jesus sabia que se os discípulos não conhecessem a verdade que é o próprio Cristo, eles não andariam, na verdade (Jo 14:6). Dessa forma, conheceremos a verdade (Cristo) somente se nos dedicarmos ao estudo da palavra de Deus. É por meio da Escritura que conhecemos a pessoa do Deus trino.

2. Praticar a verdade  

Fiquei sobremodo alegre em ter encontrado dentre os teus filhos os que andam na verdade, de acordo com o mandamento que recebemos da parte do Pai (2 João 1:4).

O primeiro passo para andar, na verdade, é conhece-la, mas não basta apenas conhecer, é necessário colocá-la em prática. João ficou alegre ao ver aqueles irmãos colocando a palavra de Deus em prática, eles estavam guardando os mandamentos de Deus através do seu amor ao próximo (2 Jo 1:5,6).  Assim, fica claro que Deus não quer apenas que conheçamos a sua palavra, mas que pratiquemos. Jesus disse que se o amarmos de verdade, guardaremos a sua palavra (Jo 14:23).

3. Defender a verdade

Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo (2Jo 1:7).

Após João enfatizar a importância de praticar a verdade, ele faz uma defesa. Aqui, o apóstolo estava combatendo uma heresia da época chamada Gnosticismo que não reconhecia a humanidade de Cristo, ele o chamava anticristo. Aqueles irmãos deveriam se acautelar dessa heresia e não ultrapassar a doutrina de Cristo como esses falsos mestres haviam feito (2 Jo 1:8,9). Portanto, além de praticar a palavra, devemos também defende-la; seja em nosso local de trabalho, casa e escola. Hoje, a verdade das Escrituras está sendo atacada constantemente pelo o pluralismo e relativismo. Como disse Pedro:

“Estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência” (1Pe 3:15,16).

Conclusão

Em resumo, podemos afirmar que para um cristão andar, na verdade, primeiramente é importante ele ter conhecimento da palavra de Deus. O cristão que não se interessa em conhecer a Deus, não andará, na verdade. Segundo, colocar os ensinos de Cristo em prática. Não podemos ser ortodoxo como a igreja de Éfeso e perder o primeiro amor. Terceiro, defender a verdade. Não basta apenas dizer ser cristão se você é omisso quando a verdade é atacada.

 

Sidney Muniz