quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O que Jesus quis dizer quando disse para não dar "aos cães o que é santo"?

Em Mateus 7:6, Jesus disse: "Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem."
As interpretações desse versículo variam e, algumas vezes, são completamente estranhas ao seu contexto. Alguns o aplicam literalmente, dizendo que é pecado dar as sobras da mesa (já abençoadas através da oração) ao cão doméstico. Mas mesmo uma leitura superficial do contexto, a qual é a mensagem mais espiritual já transmitida ao homem, mostra que Jesus não está se referindo aqui a cães de estimação ou porcos. Sua mensagem é claramente espiritual.
Jesus usa animais aqui, como em outros lugares, para representar as características espirituais de certas pessoas. Do mesmo modo, ele chamou Herodes de "essa raposa" (Lucas 13:32) e os fariseus de "serpentes, raça de víboras" (Mateus 23:33). Seus seguidores freqüentemente foram chamados de ovelhas (João 10:27).
No Velho Testamento, aos sacerdotes era permitido comer de certos sacrifícios oferecidos ao Senhor (Êxodo 29:33; Levítico 2:3). Seria impensável para eles jogarem essa comida sagrada para algum cão vadio. O cão não seria capaz de apreciar o valor disso. Semelhantemente, um porco jamais pode apreciar a beleza e o valor de uma pérola rara.
Há cães espirituais neste mundo, ou seja, pessoas que simplesmente não apreciam o valor das coisas espirituais. Jesus está dizendo que não se deve forçar o evangelho sobre tais pessoas. Por mais que queiramos guiar uma pessoa ao Senhor, não podemos obrigar ninguém a obedecer a Deus.
Jesus usou uma linguagem mais clara para falar do mesmo assunto quando enviou os apóstolos para pregar: "Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés" (Mateus 10:14).
Hoje em dia, precisamos fazer a mesma coisa quando ensinamos o evangelho. Àqueles que estão famintos e sedentos de justiça, devemos dar todas as oportunidades para aprenderem a vontade de Deus. Mas aqueles que já mostraram sua falta de interesse nas coisas espirituais não devem e não podem ser forçados a obedecer. Admoestações constantes, não importa se bem intencionadas, não transformarão um cão num cordeiro.
Precisamos ser cuidadosos aqui. Os apóstolos podiam discernir a atitude de uma pessoa somente depois de ter tentado ensiná-la. Não devemos desistir de ensinar alguém antes de lhe dar uma oportunidade para ouvir o evangelho. Somente Deus sabe o que realmente está no coração!