quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Fevereiro/2018 - Capítulo 3 - Davi e a sua trajetória




Comentarista: Matheus Santos

Texto Bíblico Base Semanal: 1 Samuel 18.6-16

6. Sucedeu, porém, que, vindo eles, quando Davi voltava de ferir os filisteus, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, cantando e dançando, com adufes, com alegria, e com instrumentos de música.
7. E as mulheres dançando e cantando se respondiam umas às outras, dizendo: Saul feriu os seus milhares, porém, Davi os seus dez milhares.
8. Então Saul se indignou muito, e aquela palavra pareceu mal aos seus olhos, e disse: Dez milhares deram a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta, senão só o reino?
9. E, desde aquele dia em diante, Saul tinha Davi em suspeita.
10. E aconteceu no outro dia, que o mau espírito da parte de Deus se apoderou de Saul, e profetizava no meio da casa; e Davi tocava a harpa com a sua mão, como nos outros dias; Saul, porém, tinha na mão uma lança.
11. E Saul atirou com a lança, dizendo: Encravarei a Davi na parede. Porém Davi se desviou dele por duas vezes.
12. E temia Saul a Davi, porque o Senhor era com ele e se tinha retirado de Saul.
13. Por isso Saul o desviou de si, e o pôs por capitão de mil; e saía e entrava diante do povo.
14. E Davi se conduzia com prudência em todos os seus caminhos, e o Senhor era com ele.
15. Vendo então Saul que tão prudentemente se conduzia, tinha receio dele.
16. Porém todo o Israel e Judá amava a Davi, porquanto saía e entrava diante deles.

Momento Interação

Samuel repreendeu Saul, contrastando sua primitiva humildade com a vontade própria e o orgulho que ele, então, estava demonstrando (1 Sm 15.16-18). Essa dura reprovação penetraria as defesas de Saul e faria com que ele se humilhasse e se arrependesse? Não, Saul endureceu seu coração. Ele reiterou suas desculpas, alegando que tinha de fato obedecido ao Senhor. Ele insistiu que não era sua culpa, uma vez que o povo é que tinha poupado os animais e que tudo, afinal, era para sacrificar. A consciência de Saul era impenetrável. Mais tarde Saul recitaria a palavra “Pequei”, mas somente porque ele queria que Samuel voltasse e o honrasse diante do povo, não porque estivesse arrependido de fato. Como resultado do coração impenitente de Saul (note Romanos 2.5), Deus afastou Seu espírito de Saul, e um espírito mau entrou nele. Dai em diante, a vida de Saul foi torturada e arruinada pela culpa. Ele se tornou paranoico, suspeitando de seu genro, Davi, e tramando matá-lo (veja Samuel 20.30-33). Ele assassinou 85 sacerdotes de Deus (1 Sm 22) e resolveu consultar uma feiticeira (1 Sm 28). Finalmente, ele se suicidou (1 Sm 31). Saul demonstra o que acontece a uma pessoa que se recusa a confessar e arrepender-se do pecado. A culpa leva à insanidade. Nesta capítulo estudaremos como se deu o desenvolvimento de Davi no meio do povo de Israel e como o ciume e os sentimentos de amargura e de inveja tomara conta de Saul levando a ruína.

Introdução

Quando o povo de Israel pediu um rei, Deus escolheu um líder no perfil que a nação desejava. Fisicamente, Saul era uma figura impressionante que seria respeitado pelos súditos e temido pelos adversários. Os desafios enfrentados pelo rei provaram, porém, que seu caráter não combinava com seu exterior formidável. Nas questões de reverência para com Deus, amor para com o povo e coragem diante dos inimigos, Saul fracassou. Deus escolheu um menino, Davi, para ser o futuro sucessor de Saul. Mesmo insatisfeito com Saul, o Senhor permitiu que ele terminasse seu reinado e determinou que Davi ascenderia ao trono de Israel somente após a morte desse primeiro rei. Quando Saul viu Davi crescendo em influência em Israel, ele começou a perseguir seu sucessor. Apesar da intenção de Deus, o rei achou possível matar Davi e garantir a continuação da sua dinastia. Colocou Davi em situações de guerra de alto perigo, mas este saiu ileso e continuou ganhando força. Davi não aproveitou oportunidades para ferir ou até matar Saul, mas o rei ainda o odiava e procurava matá-lo. Davi foi ajudado por pessoas da própria família de Saul. Mical, filha de Saul e mulher de Davi, tomou o lado do marido contra o pai (1 Sm 19.10-17). Jônatas, o primogênito que Saul queria por sucessor no trono, foi o melhor amigo de Davi e o apoiou contra Saul. 

Mas a ajuda mais importante que Davi recebia veio do Senhor. Nem o próprio Saul conseguia negar a presença de Deus na vida do seu rival: “Viu Saul e reconheceu que o Senhor era com Davi” (1 Sm 18.28). 

I. Davi na Corte Real

Estava tudo muito bom, tudo muito bem, todo mundo feliz, mas surgiu um probleminha. Quando Davi voltava vitorioso das batalhas, todas as mulheres, de todas as cidades de Israel, saíam ao encontro dos exércitos cantando, com instrumentos de música, uma musiquinha que dizia: “Saul feriu os seus milhares, porém, Davi os seus dez milhares” (1 Sm 18.7). As mulheres faziam isso na frente de Saul, que ficou muito indignado e aquela musiquinha soou aos ouvidos de Saul como uma afronta e disse ele: “Dez milhares deram a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta, senão só o reino?” (1 Sm 18.8). A inveja tomou o coração do belo rei Saul e ele despertou para uma situação que começava a lhe preocupar: só falta o reino a Davi. Na verdade Davi já havia sido ungido novo rei de Israel, mas Saul não sabia disso, mas o diabo sabia e plantou no coração do rei um sentimento que viria a destruí-lo fácil.

Daquele dia em diante, Saul ficou suspeitando de Davi e do que Deus viria a fazer através da vida dele. No outro dia aconteceu um fato raro relatado pela Bíblia, um espírito mau vindo da parte de Deus se apoderou de Saul e ele profetizava no meio da casa, coisa de gente possessa mesmo.
Quando Saul cultivou a inveja em seu coração, deixou a porta aberta para o diabo agir em sua vida e Deus permitiu que isso acontecesse por causa da desobediência dele. O pecado da desobediência não foi perdoado a Saul e o reino foi rasgado dele, vamos dizer que o reinado de Saul estava só na banguela, ele já havia sido destituído por Deus, mas ele continuava no trono como se nada tivesse acontecido. Quando Saul ficava possuído pelo espírito mau, só Davi conseguia acalmá-lo tocando em sua harpa hinos de louvor a Deus, aí o diabo se escondia, mas continuava dentro de Saul, agindo em seu coração, comandando suas atitudes. A prova disso é que enquanto Davi tocava sua harpa, Saul atirou uma lança nele e por duas vezes, mas Davi se desviou nas duas vezes. Viu só o que o diabo faz com as pessoas? Saul estava ainda rei, mas o diabo usou a inveja de seu coração para tentar matar o ungido de Deus. Saul temia Davi, porque o Senhor estava com Davi e tudo o que ele fazia era bem sucedido, pior ainda, o Espírito de Deus tinha se retirado de Saul, por esta razão o rei Saul tomou a decisão de afastar dele Davi e o pôs por capitão de mil, assim Davi não parava em Israel, estava sempre entrando e saindo para as guerras.

A ideia de Saul não deu muito certo, porque Davi se portava prudentemente em todos os seus caminhos e o Senhor estava com ele e todo o povo de Israel e de Judá amava Davi, porque ele saía e voltava vitorioso diante de todo mundo, inclusive do "invejoso Saul. Como o plano A não deu certo, Saul recorreu ao plano B e chamou Davi e disse a ele que daria sua filha mais velha, chamada Merabe, a ele por esposa e só queria que ele se portasse como um filho para Saul e guerreasse as guerras do Senhor. Que bonitinho! Mas era balela, o que Saul queria mesmo era que os filisteus acabassem com Davi, assim ele (Saul) não teria que sujar as mãos com o sangue de Davi, porque isso seria mau aos olhos do povo que amava Davi. Davi se portou com humildade e disse: “Quem sou eu, e qual é a minha vida e a família de meu pai em Israel, para vir a ser genro do rei?” (1 Sm 18.18). Acabou que no tempo de Merabe casar com Davi, o próprio Saul a deu em casamento para Adriel, meolatita. Saul era bonito, mas não valia nada, não tinha palavra e era covarde.

II. Davi nas Guerras

Quando Samuel foi enviado por Deus para ungir a Davi, Rei de Israel, a palavra que Deus colocou no coração de Samuel como Profeta foi a seguinte: “Deus está te levantando como guerreiro para desarraigar os inimigos de Israel das fronteiras da Terra que Mana Leite e Mel”.

III. A Inveja de Saul

A inveja é um sentimento pernicioso, talvez o pior que assalta o coração do homem e é um sentimento extremamente democrático corrói os corações de A a Z, ricos e pobres, gregos, troianos, paulistas e paraibanos. A inveja é o tipo do mal que tanto prejudica quem sente, quanto quem é vítima, quem é o alvo da inveja dos outros.É a pior macumba que se pode sofrer.
A inveja transita com desenvoltura nos salões dos palácios, da mesma forma como frequenta as casas mais humildes. Houve um rei muito famoso que se deixou dominar pela inveja e isso foi o começo de sua ruína.

Davi havia sido ungido rei de Israel quando era só um adolescente que apascentava as ovelhas de seu pai e toca harpa, entoando cânticos ao Senhor. Para defender o rebanho, Davi matou um urso bem maior que ele, bem maior mesmo e um dia se viu diante de um gigante filisteu de três metros de altura, que desafiava os exércitos do Deus Vivo.

Todos os soldados do rei Saul se acovardaram diante do gigante Golias, mas Davi aceitou o desafio e matou o “homão” e ficou famoso por isso, não voltou para a casa de seu pai e Saul resolveu mandar Davi para frente de muitas batalhas e ele dava conta do recado, até que Saul o pôs como chefe dos soldados de guerra. Ninguém sabia, nem mesmo Saul, mas ali estava o novo rei ungido de Israel. Samuel manteve segredo sobre a unção de Davi, porque temia Saul e não era ainda a hora de Deus levantá-lo sobre toda a casa de Israel. Por causa da unção que só Deus, Davi, Samuel e o diabo sabiam, a mão do Senhor estava sobre ele e tudo o que ele fazia era bem sucedido, inclusive aos olhos de todo o povo. Depois chegou aos ouvidos de Saul que sua filha mais nova, chamada Mical, amava Davi e Saul teve outra “brilhante” ideia para acabar com Davi e disse Saul: “ Eu lha darei, para que lhe sirva de laço, e para que a mão dos filisteus venha a ser contra ele. Pelo que Saul disse a Davi: Com a outra serás hoje meu genro” (1 Sm 18.19). Como Saul conhecia o coração humilde de Davi, tratou de mandar seus servos falarem para ele que não havia necessidade de dote pela mão da filha de Saul e que o rei queria como dote de casamento cem prepúcios de filisteus. Como se vê, Saul continuava apostando todas as suas fichas nos filisteus e que eles matariam Davi. Davi não levou cem prepúcios de filisteus a Saul, porém levou duzentos prepúcios, o dobro que pediu Saul, então o rei ficou num beco sem saída e deu por mulher a Davi sua filha Mical. Todos estes planos frustrados fizeram Saul temer ainda mais a Davi, porque ele via claramente que a mão do Senhor agia a favor dele. Saul se tornou inimigo de Davi por todos os seus dias. Inveja mata, destrói, afasta as pessoas da vontade de Deus. Saul foi um exemplo do que faz a inveja no coração dos homens. É possível evitar a inveja? Sim e não. Sim, a gente pode evitar que a inveja cresça em nossos corações. Você não pode evitar que um pássaro pouse em sua cabeça, mas pode evitar que ele faça um ninho nela. O grande antídoto para a inveja é Jesus no coração, com Ele você vai impedir que seu coração se transforme num bagaço, numa coisa imprestável, numa porta aberta para o diabo entrar em sua vida.