sábado, 9 de maio de 2020

Comentário Bíblico Mensal: Maio/2020 - Capítulo 1 - Profetas do Senhor - Arautos de um Novo Tempo




Comentarista: Oliveira Silva



Texto Bíblico Base Semanal: Jeremias 29.8-16

8. Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhos, nem deis ouvidos aos vossos sonhos, que sonhais;
9. Porque eles vos profetizam falsamente em meu nome; não os enviei, diz o Senhor.
10. Porque assim diz o SENHOR: Certamente que passados setenta anos em babilônia, vos visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando a trazer-vos a este lugar.
11. Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.
12. Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei.
13. E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração.
14. E serei achado de vós, diz o Senhor, e farei voltar os vossos cativos e congregar-vos-ei de todas as nações, e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o Senhor, e tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos transportei.
15. Porque dizeis: O SENHOR nos levantou profetas em babilônia.
16. Porque assim diz o Senhor acerca do rei que se assenta no trono de Davi, e de todo o povo que habita nesta cidade, vossos irmãos, que não saíram conosco para o cativeiro.

Momento Interação

Em um sentido geral, um profeta é uma pessoa que proclama a verdade de Deus para os outros. A palavra grega prophetes pode significar "aquele que proclama" ou "defensor". Os profetas também são chamados de "videntes" por causa de sua percepção espiritual ou de sua capacidade de "ver" o futuro. Na Bíblia, os profetas frequentemente tinham um papel de ensino e revelação, declarando a verdade de Deus em questões contemporâneas, ao mesmo tempo revelando detalhes sobre o futuro. O ministério de Isaías, por exemplo, tocou tanto no presente quanto no futuro. Ele pregou corajosamente contra a corrupção de seus dias (Is 1.4) e deu grandes visões do futuro de Israel (Is 25.8). Os profetas tinham a tarefa de falar fielmente a Palavra de Deus para o povo. Eles foram fundamentais para guiar a nação de Israel e estabelecer a igreja. A casa de Deus é edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” (Ef 2.20). Neste capítulo, introduziremos o conceito do profeta e o ministério profético na Bíblia.

Introdução

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho” (Hb 1.1,2). A Carta aos Hebreus continua mostrando a supremacia de Cristo e a Sua obra redentora. Isso quer dizer que os profetas do Antigo Testamento são antiquados e obsoletos? De jeito nenhum! Mas na prática, se não na teoria, a maioria dos crentes acha que sim! O autor da Carta aos Hebreus ficaria horrorizado com esta ignorância! Muitas vezes ele faz referência aos profetas, para mostrar como suas palavras fortalecem a nossa compreensão da pessoa e obra de Cristo. Os profetas foram homens escolhidos por Deus, para serem canais da manifestação de sua vontade ao povo israelita. Instrumento poderosamente usado e através destes, a glória do Senhor por diversas vezes foi manifestada. Ao contrário do que pregam muitas igreja, a Bíblia não determina o fim deste ofício em João Batista, na verdade, afirma que nos dias finais os veríamos, em plena atividade, contudo, de uma perspectiva diferente.

I. O Conceito do Profeta na Bíblia

No Antigo Testamento, um profeta era alguém chamado por Deus para cumprir uma tarefa ou várias tarefas, especialmente a de entregar uma mensagem Dele. A grande característica da mensagem do profeta eram as palavras: “Assim diz o Senhor”. Deus chamou homens comuns, como você e eu, com personalidades diferentes, em situações bem diferentes, para fazer e dizer coisas diferentes. A seguir veja alguns termos usados para se referir a um profeta. O profeta era primariamente um homem da palavra de Deus. Esta era a grande preocupação do profeta – transmitir fielmente a Palavra que tinha recebido do Senhor e que “permanece para sempre” (Is 40.8). O profeta se preocupava com a situação do mundo ao seu redor e com as injustiças e exploração humana. Em um sentido geral, um profeta é uma pessoa que proclama a verdade de Deus para os outros. A palavra grega prophetes pode significar "aquele que proclama" ou "defensor". Os profetas também são chamados de "videntes" por causa de sua percepção espiritual ou de sua capacidade de "ver" o futuro.

II. A Autenticidade do Profeta

O profeta recebia uma chamada específica. Notamos que a iniciativa da chamada para o ofício de profeta vinha de Deus. O objetivo da chamada era levar o profeta à presença de Deus. Em outras palavras, o profeta apresentava-se perante os homens na qualidade de um homem que se apresentara perante Deus (1 Rs 17.1; 18.15).

O profeta tinha perfeita consciência da história. O Senhor enviou Moisés ao Egito já de posse de informações necessárias para interpretar os grandes acontecimentos que haveriam de ter lugar. O profeta tinha a capacidade de interpretar os acontecimentos históricos. Os profetas concordam que Deus é o Deus da história e está presente nos acontecimentos do dia a dia. É Ele quem controla o Universo, e, por isso, Sua palavra é de confiança absoluta.

O profeta tinha uma preocupação ética e social. Notamos como os profetas sempre denunciavam as injustiças e violências cometidas contra o povo. Havia essa grande preocupação com o bem-estar social. Veja a orientação dos profetas: Moisés (Dt 24.19-22; Lv 19.9-18) e Amós (Am 2.6-8; 5.11).  Quando um profeta “falar em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o Senhor não disse” (Dt 18.22). Jeremias enfatizou a mesma verdade: “O profeta que profetizar paz, só ao cumprir-se a sua palavra será conhecido como profeta, de fato, enviado do Senhor” ( Jr 28.9). A prova de um verdadeiro profeta não são seus milagres, mas sim a sua vida de santidade e a sua palavra que está em acordo com a revelação das Escrituras Sagradas (Mt 7.21-23).

III. As Ações do Profeta

Embora Deus tenha falado “muitas vezes, e de muitas maneiras… pelos profetas”, foi sempre o mesmo Deus que falou. Por causa disso notamos uma unidade no ministério e nas mensagens dos profetas. A grande responsabilidade de qualquer profeta era lutar para viver uma vida digna do seu ofício, com o objetivo de transmitir a mensagem divina para que o povo de Israel pudesse viver um relacionamento correto com seu Deus. Deve-se observar que no termo profeta não há nada que implique previsão de acontecimentos futuros. 

Um profeta pode predizer, ou não, o futuro segundo a mensagem que Deus lhe der. Um profeta é aquele que fala da parte de Deus ao homem. O profeta tinha que aconselhar e, muitas vezes, confrontar reis. Muitas vezes o profeta tinha que desempenhar um papel ativo, próprio de estadista, nos negócios nacionais. Vejamos exemplos disso no ministério de Natã (2 Sm 7.1-7; 12.1‑15); de Isaías (2Rs 19.1-7, 20-37; 20.4-11); e de Eliseu (2 Rs 5.11-14, especialmente v.6-8). O profeta combinava na pregação tanto proclamação como predição. Os profetas falavam por meio de advertências e encorajamentos concernentes ao presente e ao futuro. As conclamações ao arrependimento (Is 30.6-9) e os apelos à vida de santidade (Is 2.5) estão baseados na visão da ira vindoura divina.

O profeta representava o povo perante Deus. Assim notamos esse aspecto intercessório do profeta (Êx 18.19; 1Rs 13.6; 2Rs 19.4). Mas, às vezes, o profeta era instruído a não exercer essa função de interceder pelo povo (Jr 7.16; 11.14).

IV. O Profeta da Parte do Senhor

Na Bíblia, os profetas frequentemente tinham um papel de ensino e revelação, declarando a verdade de Deus em questões contemporâneas, ao mesmo tempo revelando detalhes sobre o futuro. O ministério de Isaías, por exemplo, tocou tanto no presente quanto no futuro. Ele pregou corajosamente contra a corrupção de seus dias (Is 1.4) e deu grandes visões do futuro de Israel (Is 25.8). Os profetas tinham a tarefa de falar fielmente a Palavra de Deus para o povo. Eles foram fundamentais para guiar a nação de Israel e estabelecer a igreja. A casa de Deus é edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” (Ef 2.20).

Conclusão

Geralmente, os profetas enviados por Deus são desprezados e sua mensagem ignorada. Isaías descreveu sua nação como um “povo rebelde é este, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR. Eles dizem aos videntes: Não tenhais visões; e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, profetizai-nos ilusões” (Is 30.9,10). Jesus lamentou que Jerusalém tinha matado os profetas que Deus lhes enviou (Lc 13.34). É claro que nem todo mundo que “proclama” uma mensagem é, na verdade, um profeta de Deus. A Bíblia adverte contra os falsos profetas que afirmam falar em nome de Deus, mas que, na verdade, enganam as pessoas que pretendem informar. 



Sugestão de Leitura da Semana: MENEZES, Walter. Liderança & Legado. São Paulo: Evangelho Avivado, 2018.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

A oração e a escolha de Ministros na Igreja Primitiva




A igreja primitiva era uma comunidade de oração, eles não faziam nada sem primeiro consultar a Deus em oração. Lucas quando escreveu os livro de Atos, registrou as escolhas que aquela igreja fazia para nomear os seus ministros, tudo era feito com muita oração e jejum. Isso tinha perfeita ligação com os ensinos de Cristo, tudo que Jesus fazia era com base na oração.

Diante disso, queremos analisar três passagens que Lucas registra sobre essas escolhas de obreiros para a obra do Senhor, tendo como base a oração.

Jesus e a escolha dos apóstolos

Lucas no seu Evangelho registrou que Jesus para escolher doze apóstolos, saiu para o monte com o objetivo de orar, ele passou a noite orando a Deus (Lc 6.12). Depois de orar, Lucas descreve: “E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos” (Lc 6.13). Fica claro por meio disso que, Jesus escolheu seus apóstolos após falar com Deus em oração. Segundo Shedd, “Jesus passou a noite orando em preparação para a escolha dos discípulos que formariam os alicerces da igreja (Ef 2.20). Quanto mais imperativo seria para os imperfeitos filhos de Deus, buscarem eles a face do Senhor para conhecer e efetuar Sua vontade”[1]. Dessa forma, Jesus escolheu com base na oração aqueles que foram o alicerces da sua igreja, os discípulos.

A escolha de Matias

Os discípulos seguiram o mesmo pensamento de Jesus para nomear um apóstolo no lugar de Judas Iscariotes. Pedro fez um discurso sobre a morte de Judas diante de umas cento e vinte pessoas. Nesse discurso, ele falou que essa morte era um cumprimento de uma profecia de Davi (At 1.16); Judas antes pertencia ao ministério (At 1.17); mencionou modo como Judas morreu (At 1.18). Depois disso, dois homens são eleitos para ocupar o lugar de Judas. José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias (At 1.23). Então, os discípulos oraram:

“Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar (At 1.24,25).

Após essa oração, lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos (At 1.26). Sortes são mencionadas no Antigo Testamento como uma maneira de averiguar a vontade de Deus (Ex 28.20). Logo, Pedro e os discípulos reconheciam que sua responsabilidade e escolha humana de um homem para suceder a Judas ocorriam dentro dos limites da soberana vontade de Deus[2].

A escolha dos diáconos

Em Atos 6 temos a nomeação de diáconos para servir as mesas. Isso aconteceu devido a certa murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária (At 6.1). Os apóstolos responderam que não era razoável abandonar a palavra para servir às mesas. Então, eles convocaram a comunidade para nomear diáconos, sete homens deveria ser escolhido para o cargo, homens de boa reputação, cheiro do Espírito Santo e de sabedoria (At 6.3). A comunidade elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.  

Em seguida, a igreja selecionou com base nos requesitos dados pelos apóstolos, “estes orando, lhes impuseram as mãos” (At 6.6). Conforme McArthut, “esta primeira ocasião, no Novo Testamento da imposição de mãos significativa a identificação e afirmação da igreja com estes homens, e com o apoio do seu ministério. Ancião, diáconos e todos os que serviam na igreja primitiva foram ordenados desta forma” (At 13.3; 1Tm 4.14; 5.22; 2Tm 1.6)[3]. Assim, diante de um problema que aquela igreja estava enfrentando e que ameaçava o ministério da palavra, a oração foi uma solução determinante.

A escolha de Paulo e Barnabé

Paulo e Barnabé pertenciam a igreja de Antioquia, uma igreja de profetas e mestres. Nesse lugar, eles serviam a Deus e jejuavam, até que o Espírito Santo disse: “Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2). A escolha desses homens para a obra missionária aconteceu devido a ação do Espírito Santo e a oração, Lucas relata: “Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram” (At 13.3). Três verdades podem ser destacada nesse trecho: (1) Deus chama os que escolhe; (2) a igreja confirma o chamado; (3) a igreja e o Espírito Santo enviam os missionários e os apoiam com oração e auxilio[4].

Paulo trabalhava fortemente em plantações de igrejas, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns (At 14.23). Esta era uma característica idêntica à da separação que os dois tiveram para o desempenho de seu trabalho missionário (At 13.3)[5]. Portanto, jamais presbíteros eram elegidos sem oração e jejum, esses obreiros eram apresentados a Deus, por isso Paulo era bem sucedido em suas obras missionárias.

Conclusão

A oração era muito presente na vida da igreja primitiva, eles oravam em qualquer situação. Semelhantemente, devemos orar pedindo a direção dEle em nossas escolhas. Diante das adversidades, pedir que Ele nos dê sabedoria para resolvermos os problemas e saber lidar com ele. Fazer que nossas orações sejam acompanhadas de jejuns, para que assim possamos ter uma comunhão mais intima com Deus, e entender que jamais possamos fazer a obra de Deus sem esses dois elementos.   


Sidney Muniz

Notas:


[1] Bíblia de Estudo Shedd
[2] Bíblia de Estudo de Genebra
[3] Comentário John McArthur – NT
[4] Comentário de Warren W. Wiersbe Conciso
[5] Comentário Bíblico Beacon

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2020 - Capítulo 5 - João - O Evangelho do Filho de Deus




Comentarista: Anderson Ribeiro



Texto Bíblico Base Semanal: João 1.1-14

1. No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
2. Ele estava no princípio com Deus.
3. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
4. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
5. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
6. Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.
7. Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.
8. Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz.
9. Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.
10. Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.
11. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
12. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome;
13 Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
14. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.


Momento Interação

O Evangelho de Jesus na versão de João é bem diferente, no sentido literário e na apresentação do Filho de Deus, quando comparados aos escritos de Mateus, Marcos e Lucas. Ele firma os argumentos de sua declaração sobre Jesus, como o Verbo de Deus, no testemunho de João Batista e de Deus Pai. O objetivo principal deste início do Evangelho de João é introduzir o Verbo de Deus, nos mostrando quem ele é e afirmar a sua divindade. O que a Bíblia está dizendo é que o Verbo de Deus é o próprio Deus: e o Verbo era Deus. Esta introdução está feita no primeiro capítulo do Evangelho de Jesus Cristo, pois Jesus é o Autor do Evangelho, logo João nos estão apresentando Jesus Cristo, também chamado de o Verbo de Deus.

Introdução

O evangelho de João é certamente um evangelho cercado por louvores e A.T. Robertson (1863-1934) não está equivocado ao dizer que esse evangelho é o mais supremo em sua profundidade de pensamento. Não podemos negar que no Evangelho de João que podemos perceber com clareza as características mais aprofundadas do caráter de Cristo. Por um lado, temos um aprofundado e detalhado relato sobre Cristo, por outro, as dificuldades Teológicas que o cercam são tantas que eventualmente sua beleza é acobertada pelos desafios relacionados à natureza, integridade e credibilidade desse evangelho. O que podemos dizer com certeza é que, com tons diferentes dos evangelhos sinóticos, João também pinta a figura de Jesus Cristo em seu Evangelho e por ser o último dos apóstolos a escrever sobre Ele, é bem provável que João intencionasse acrescer aos relatos já conhecidos informações que os outros evangelhos não tinham apresentado. Isso poderia explicar por que grande parte do livro é exclusivo a João e que algumas ênfases Teológicas, sejam apologéticas ou fundamentais, foram apresentadas com mais clareza que em outros evangelhos.

I. O Autor do Evangelho de João

João era pescador. Ele trabalhava junto com seu irmão Tiago e seu pai Zebedeu. Eles tinham jornaleiros (empregados) no seu serviço e um barco de pescar. Moravam em Capernaum perto do Mar da Galiléia onde pescava (Mc 1.16-21). O apelido dele era Boanerges que significa filho do trovão (Mc 3.17). Porque este apelido? Porque João era homem de um temperamento forte, duro, valente e severo (Lc 9.49-54). Tiago e João (todos dois) eram apelidos os filhos do trovão porque os dois tinham o mesmo temperamento bravo. Tudo isto mostra que João era homem de condição e que trabalhava e não homem parado nem preguiçoso. Também João era conhecido do sumo sacerdote em Jerusalém (Jo 18.15,16). 

João tinha uma casa em Jerusalém (Jo 19.26,27). . Depois da ascensão do Senhor Jesus Cristo João continuou em Jerusalém durante alguns anos (At 1.14; 3.1; 4.13 8.14). Durante este tempo que ficou em Jerusalém, parece que ficou cuidando a mãe de Jesus na sua própria casa. Muitos antigos disseram que João ficou em Jerusalém quinze anos depois da ascensão de Jesus Cristo, até que Maria morreu. João o Apóstolo era discípulo de João o Batista primeiramente (Jo 1.35-40). João o Batista guiou André e João, dois dos seus discípulos, para seguir Jesus, e eles foram seguí-lo. João era um dos discípulos mais perto de Jesus. Até é provável que estivesse o mais perto de Jesus (Jo 13.23; 19.26; 20.2; 21.7, 20, 24).

II. O Evangelho do Filho de Deus

O Evangelho de João foi escrito para provar que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Como uma testemunha ocular do amor e do poder mostrados nos milagres de Jesus, João nos dá uma visão pessoal e próxima da identidade de Cristo. Ele nos mostra que Jesus, embora totalmente Deus, veio em carne para revelar de maneira clara e precisa Deus, e que Cristo é a fonte da vida eterna para todos os que crêem nele. O tema predominante no livro de João é a revelação de Deus ao homem através de sua ilustração viva – Jesus Cristo, o Verbo feito carne. Os versos iniciais descrevem lindamente Jesus como a Palavra. Ele é Deus revelado ao homem – a expressão de Deus – para que possamos vê-lo e crer.

Através deste Evangelho, testemunhamos o poder eterno e a natureza do Deus Criador, oferecendo -nos a vida eterna através do seu Filho Jesus Cristo. Em cada capítulo, a divindade de Cristo é revelada. Os oito milagres registrados por João revelam seu poder e amor divinos. São sinais que nos inspiram a confiar e acreditar nele. O Espírito Santo é um tema no Evangelho de João também. Somos atraídos pela fé em Jesus Cristo pelo Espírito Santo; nossa crença é estabelecida por meio da presença interior, orientadora, conselheira e consoladora do Espírito Santo; e através do poder do Espírito Santo em nós, a vida de Cristo é multiplicada para os outros que crêem.

III. Data e Local da Escrita do Evangelho

Estudiosos tem considerado a muito tempo que o Evangelho de João tenha sido um dos últimos textos a ser escritos no Novo Testamento. A razão para tal conclusão é que o Evangelho de João foi escrito depois das cartas de Paulo, os Evangelhos Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) e muitas das últimas cartas são baseadas em uma variedade de evidências que quando consideradas coletivamente sugerem uma data de composição por volta de 90 d.C. Talvez a suposição mais básica relativa a data da composição do Evangelho de João é a sua teologia em comparação aos outros evangelhos. Especificamente, o quarto evangelho enfatiza a divindade de Jesus e seu papel pré-mortal como deidade (Jo 1.1,14). Jesus também parece ser onisciente em vários episódios, tais como na história da mulher no poço em Samaria, quando Jesus sabe detalhes íntimos sobre o estado civil da mulher sem que ninguém lhe diga nada (Jo 4.16-18). Jesus também declara que ele é um Deus no Evangelho de João (Jo 8.58) e se associa a Jeová do Antigo Testamento. 

Enquanto o modelo erudito de desenvolvimento teológico continuar a segurar o balanço, o Evangelho de João continuará sendo considerado um documento do final do primeiro século que capturou uma das declarações finais teológicas da Igreja do primeiro século. A precaução dos estudiosos determina, entretanto, que a ultima data provável do Evangelho de João permanece uma tentativa de conclusão que é resultado de uma teoria da origem dos Cristãos ao invés de uma teoria literária compreensiva usada para explicar o Evangelho de João em si.

IV. O Evangelho para a Humanidade

Cada um dos quatro relatos da vida de Jesus no Novo Testamento tem suas características únicas. João tem menos em comum com os outros no seu conteúdo, focalizando o trabalho de Jesus na Judeia, enquanto Mateus, Marcos e Lucas enfatizam o ministério na Galileia. João apresenta seu relato de uma maneira mais temática do que os outros, oferecendo evidências apoiando as afirmações de Jesus de ser o Cristo (Messias), Deus em carne. João foi provavelmente o último dos evangelhos a ser escrito, e mostra certa preocupação do autor com distorções doutrinárias que surgiam no final do primeiro e no segundo século, especialmente sobre a divindade de Jesus. Quatro outros livros do Novo Testamento são atribuídos ao mesmo autor: as epístolas (1, 2 e 3 João) e o livro do Apocalipse.
João, o filho de Zebedeu, foi um dos apóstolos de Jesus, um dos três citados com mais frequência nos evangelhos (junto com seu irmão, Tiago, e Simão Pedro). 

Antes de conhecer Jesus, estes três já eram sócios no seu trabalho como pescadores na Galileia. Deixaram seus barcos para seguir a Jesus (Lc 5.10,11). Durante sua caminhada com Jesus, os dois filhos de Zebedeu receberam um apelido que significava “filhos do trovão” (Mc 3.17), provavelmente devido à sua tendência de buscar a justiça vingativa de Deus (Lc 9.54). É interessante que este filho de trovão se tornou o apóstolo do amor, um tema enfatizado nos seus escritos. O evangelho tem poder para transformar o caráter de todos que se submetem ao Senhor. João não se esqueceu da justiça do Deus Santo, mas aprendeu a necessidade de divulgar a notícia da graça do Deus do amor.

Conclusão

João queria mostrar para todos o fato fundamental do evangelho: Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, o Santo de Deus, o único que tem “as palavras da vida eterna”, a verdade, a vida e o caminho exclusivo que leva ao Pai celeste (Jo 20.31; 6.7-68; 14.6). João não pregou Jesus como apenas um ser mais evoluído que outros, nem como apenas mais um profeta. Ele introduziu seu evangelho com afirmações da eternidade e da divindade de Jesus, e continua até o fim defendendo essa tese.



Sugestão de Leitura da Semana: BARBOSA, Maxwell. Andando como Ele Andou. São Paulo: Evangelho Avivado, 2019.