sábado, 16 de maio de 2020

Comentário Bíblico Mensal: Maio/2021 - Capítulo 2 - O Ministério Profético do Antigo Testamento




Comentarista: Oliveira Silva



Texto Bíblico Base Semanal: Deuteronômio 13.1-8

1. Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio,
2. E suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los;
3. Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, para saber se amais o Senhor vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma.
4. Após o Senhor vosso Deus andareis, e a ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele servireis, e a ele vos achegareis.
5. E aquele profeta ou sonhador de sonhos morrerá, pois falou rebeldia contra o Senhor vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito, e vos resgatou da casa da servidão, para te apartar do caminho que te ordenou o Senhor teu Deus, para andares nele: assim tirarás o mal do meio de ti.
6. Quando te incitar teu irmão, filho da tua mãe, ou teu filho, ou tua filha, ou a mulher do teu seio, ou teu amigo, que te é como a tua alma, dizendo-te em segredo: Vamos, e sirvamos a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus pais;
7. Dentre os deuses dos povos que estão em redor de vós, perto ou longe de ti, desde uma extremidade da terra até à outra extremidade;
8. Não consentirás com ele, nem o ouvirás; nem o teu olho o poupará, nem terás piedade dele, nem o esconderás;

Momento Interação

O profeta era o porta-voz de Deus, sempre trazendo uma mensagem de repreensão ou consolo, e muitas vezes também uma predição com esses objetivos (repreender ou consolar). Se o ministério sacerdotal era um ministério essencialmente intercessório, com o sacerdote intercedendo pelo povo diante de Deus, o ministério profético fazia exatamente o caminho inverso: o profeta recebia de Deus para levar até o povo. Justamente por isso, o ministério profético era geralmente muito impopular, sobretudo diante das autoridades de Israel. Moisés, além de líder e legislador do povo, era um profeta. Porém, foi só com Samuel que foi inaugurada uma nova fase, mais intensa, do ministério profético, dentro do qual se destacam Elias, Eliseu, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Zacarias e tantos outros. A designação “Profetas Maiores” e “Profetas Menores” que é dada a alguns livros do Antigo Testamento não diz respeito a importância do ministério de seus autores, mas ao tamanho de sua produção literária que Deus permitiu que sobrevivesse até os nossos dias. Ou seja, apesar de sua notável importância, os profetas Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel foram tão importantes dentro da economia divina quanto Oséias, Joel, Amos, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias – os chamados “Profetas Menores”.

Introdução

Nos versículos 11 a 15 do capítulo 11 de Números, observamos que Moisés, por causa de seu trabalho excessivo, sentiu-se incapaz de satisfazer plenamente às necessidades do povo, e isso o deixou frustrado. Todos os homens de Deus passam por experiências similares. Quando chegamos a esse ponto, Deus vem em nosso socorro (Sl 121.1,2). Foi nesse contexto que o Senhor, para aliviar a carga de Moisés, repartiu o Espírito que estava sobre o seu servo entre setenta anciãos de Israel, a fim de ajudar o grande legislador do povo hebreu a desempenhar o seu ministério (Nm 11.16,17).

O profeta era o porta-voz de Deus, sempre trazendo uma mensagem de repreensão ou consolo, e muitas vezes também uma predição com esses objetivos (repreender ou consolar). Se o ministério sacerdotal era um ministério essencialmente intercessório, com o sacerdote intercedendo pelo povo diante de Deus, o ministério profético fazia exatamente o caminho inverso: o profeta recebia de Deus para levar até o povo. Justamente por isso, o ministério profético era geralmente muito impopular, sobretudo diante das autoridades de Israel. Moisés, além de líder e legislador do povo, era um profeta. Porém, foi só com Samuel que foi inaugurada uma nova fase, mais intensa, do ministério profético, dentro do qual se destacam Elias, Eliseu, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Zacarias e tantos outros.

I. O Profeta no Antigo Testamento

A palavra hebraica usada no Antigo Testamento para “profeta” é nābî’. Sua etimologia é incerta, mas o verdadeiro significado é possível pelo seu uso nas Escrituras. O diálogo entre Deus e Moisés (Êx 4.14-16) esclarece o sentido do termo, o qual é “falar em nome Deus”. Por conseguinte, é ser um “porta-voz”, um “embaixador” (veja a ilustração do ofício com Moisés e Arão em Êxodo 7.1,2). Deus sabe todas as coisas, conhece o fim desde o princípio; seu conhecimento é absoluto e perfeito em tudo (Is 46.9,10). Portanto, quem fala em seu nome anuncia o futuro como se fosse presente. Isso explica o estreito vínculo de “profetizar” com “prever o futuro” e, ainda, “revelar algo impossível de saber através de recursos humanos”, ações possibilitadas apenas por Deus. Tanto o substantivo “profeta” como o verbo “profetizar” têm amplo significado no Antigo Testamento e em nossos dias. O termo “falso profeta” aparece na versão grega dos setenta, conhecida como Septuaginta (LXX), e em o Novo Testamento; porém, não existe nas Escrituras hebraicas. Assim, o termo aplica-se também a adivinhos, falsos profetas e profetas das divindades pagãs das nações vizinhas de Israel, sendo identificados como tais pelo contexto (Js 13.22; 1 Rs 22.12; Jr 23.13).

II. O Ministério Profético no Antigo Testamento

Havia o ministério dos profetas? Há quem negue a existência da escola e do ministério dos profetas como instituição em Israel nos tempos do Antigo Testamento. Entendemos que no ministério mosaico iniciou-se a atividade profética em Israel (Nm 11.25). Entretanto, o profetismo, como movimento, surgiu séculos depois. Mais tarde vemos que Samuel presidia a congregação de profetas em Naiote, região de Ramá, onde residia (1 Sm 7.17; 19.19-23). E adiante, vemos a existência de uma escola dos profetas composta por “filhos” dos que exerciam o ofício (2 Rs 2.3,5,1 5). É importante ressaltar que “filho”, na Bíblia, significa também “discípulo, aprendiz” (Pv 3.1,21; 2 Tm 2.1; Fm v.10). Note que o texto sagrado revela a existência de uma organização de profetas bem estruturada, e Eliseu chegou a ser o mestre deles (2 Rs 6.1-3).

O termo original para “ministério, serviço” não é o mesmo referente à atividade dos profetas. A expressão “ministério do profeta” ou “dos profetas”, na ARC, como aparece nas leituras diárias desta lição, significa na verdade “por meio dos profetas”, como registra a ARA. O vocábulo “ministério” indica o serviço religioso específico e especial, desempenhado pelos levitas (1 Cr 6.32), pelos sacerdotes (1 Cr 24.3) e pelos apóstolos (At 1.25). Isso, porém, não é em si mesmo prova da inexistência de uma corporação profética em Israel (1 Sm 10.5).

Os profetas do Antigo Testamento são categorizados em clássicos, ou profetas escritores, e os conhecidos também como profetas não-escritores ou orais. Estes últimos são também chamados não literários, os quais não escreveram seus oráculos, como Samuel, Elias e Eliseu. Os profetas clássicos são também chamados de literários, os quais escreveram suas profecias, como Isaías, Jeremias, Ezequiel, dentre outros. Trata-se de uma classificação simplesmente didática. Ambos os grupos desempenharam o mesmo ofício, mas em épocas diferentes. Todos falaram em nome do Deus de Israel. As Escrituras empregam a mesma expressão para ambos os grupos: “veio a palavra do SENHOR a” ou fraseologia similar (1 Sm 15.10; Is 38.4; Jr 1.2). Todos esses profetas usavam a chancela de autoridade divina: “assim diz o SENHOR” (1 Sm 15.2; Is 7.7; Jr 2.2).

III. A Mensagem Profética do Antigo Testamento

Se o ministério sacerdotal era um ministério essencialmente intercessório, com o sacerdote intercedendo pelo povo diante de Deus, o ministério profético fazia exatamente o caminho inverso: o profeta recebia de Deus para levar até o povo. Justamente por isso, o ministério profético era geralmente muito impopular, sobretudo diante das autoridades de Israel. Moisés, além de líder e legislador do povo, era um profeta. Porém, foi só com Samuel que foi inaugurada uma nova fase, mais intensa, do ministério profético, dentro do qual se destacam Elias, Eliseu, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Zacarias e tantos outros.

A designação “Profetas Maiores” e “Profetas Menores” que é dada a alguns livros do Antigo Testamento não diz respeito a importância do ministério de seus autores, mas ao tamanho de sua produção literária que Deus permitiu que sobrevivesse até os nossos dias. Ou seja, apesar de sua notável importância, os profetas Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel foram tão importantes dentro da economia divina quanto Oséias, Joel, Amos, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias – os chamados “Profetas Menores”.

Os profetas do Antigo Testamento eram homens de Deus que, espiritualmente, achavam-se muito acima de seus contemporâneos. Nenhuma categoria, em toda a literatura, apresenta um quadro mais dramático do que os profetas do AT. Os sacerdotes, juízes, reis, conselheiros e os salmistas tinham, cada um, um lugar distintivo na história de Israel, mas nenhum deles logrou alcançar a estatura dos profetas, nem chegou a exercer tanta influência na história da redenção.

Conclusão

Os profetas do Antigo Testamento são normalmente chamados, no texto sagrado, de Ro’eh ou Nabi. A primeira expressão significa “vidente”, e é uma alusão ao fato de que Deus lhes concedia visões, sonhos e revelações que os capacitavam a transmitir a verdade divina ao povo. Lembremos que muitos profetas também interpretavam sonhos (casos de José e Daniel). Já o vocábulo Nabi quer dizer exatamente “profeta”, e é a que mais ocorre no Antigo Testamento para designar esse ministério: nada menos que 316 vezes. Seu plural é Nabi’im. O Nabi – ou profeta – é o “porta-voz” divino. Porém, eles eram chamados também e tão somente de “homem de Deus” (2Rs 4.21), “servo de Deus” (Is 20.3; Dn 6.20), “atalaia” (Ez 3.17) e “mensageiro do Senhor” (Ag 1.13).

Os profetas não só traziam conhecimentos e informações divinos que haviam sido a eles revelados pelo próprio Deus. Eles também recebiam o poder de Deus par realizar milagres. Além disso, tinham um estilo de vida consagrado, santo, vivendo exclusivamente para Deus. Eram homens com estreita comunhão com Deus. Outras duas características importantes são que muitos deles eram, sobretudo, pregadores morais e éticos; e muitas de suas profecias eram relativas ao Messias, tanto à Sua Primeira Vinda quanto à Sua Segunda Vinda.

Deus suscitou os profetas para revelar-se ao homem, a fim de que este conhecesse a vontade divina e o plano de salvação na pessoa sublime de Jesus Cristo, nosso Salvador. Por essa razão, devemos considerar “a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração” (2 Pe 1.19).



Sugestão de Leitura da Semana: ATAÍDE, Romulo. Panorama Bíblico Volume 4 - Livros Proféticos. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.

domingo, 10 de maio de 2020

Recomendação de Livro do Mês: Conhecendo as Doutrinas da Bíblia - Myer Pearlman




Por Leonardo Pereira



Depois de um grande período sem realizar uma recomendação de livros no mês, retornamos neste mês de maio, e desta feita, trazemos aqui uma grande recomendação de uma obra que atravessa muitas décadas, e que mesmo com o passar do tempo e com a inclusão de diversas questões no que se refere à sociedade, a família e a igreja, esta obra continua sublimemente atual, indo além do que muitos se referem como teologia sistemática. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia do escritor e teólogo Myer Pearlman. 

Dono de uma mente perspicaz e analítica, Pearlman autor do livro Conhecendo as doutrinas da Bíblia apresenta cada uma das maiores doutrinas bíblicas, delineando-as cuidadosamente e demonstrando as aplicações práticas das verdades divinas. O livro Conhecendo as doutrinas da Bíblia é útil tanto para o cético, quanto para o cristão que deseja aprimorar seus conhecimentos bíblicos, com respostas satisfatórias e abrangentes para todos os estudantes diligentes da Palavra de Deus.

O Livro

Esta obra representa um grande compêndio das doutrinas das Escrituras Sagradas, de uma forma didática, clara e objetiva. Myer Pearlman não aborda este livro como um formato de teologia sistemática, mas como um conjunto de doutrinas sem ser mecânico ou acadêmico demais. O escritor teve como o objetivo com esta obra, escrever para alcançar o máximo número de pessoas, sejam elas legais ou doutas, novos convertidos ou experientes na fé. Por não se prender a uma maneira automática de exemplificar as doutrinas das Sagradas Escrituras, o irmão Pearlman magistralmente faz um longo tratado não exaustivo no qual se compara como um culto de doutrina no qual ele didaticamente expõe aos poucos, assuntos importantes das Escrituras como forma de vida e de conduta. Myer Pearlman aborda teologia e vida, prática e teoria com a sua obra. Ela serve como porta de entrada para todas as pessoas conhecerem as Escrituras Sagradas, suas doutrinas e os seus ensinamentos.

Sua Importância

Ao longo das décadas a obra Conhecendo as Doutrinas da Bíblia ganhou uma força expressiva, tanto das pequenas congregações, quanto das grandes academias evangélicas e inúmeros seminários espalhados pelo mundo afora. Isto se deve a maneira como o escritor expõe as doutrinas da Bíblia com grande eloquência e sabedoria profunda na própria Palavra de Deus. Ao contrário dos dias atuais, aonde a teologia sistemática e os seminários buscam extrema destreza em suas maneiras de expressar, Myer Pearlman trata no livro como um estudo para todos. Para muitos, podem ser considerados um pouco ultrapassado devido ao tempo e por não possuir a extrema potência acadêmica exigidas para os dias atuais. No entanto, é inegável a sua vasta contribuição mundial e a sua riqueza teológica para o povo de Deus. Sua importância se deve a maneira de o autor transformar o difícil em simples, o complicado em simplificado, a teologia didática em prática moral e espiritual bíblica.

Por que a Recomendação?

A recomendação do livro Conhecendo as Doutrinas da Bíblia é certamente válida e deve ter sua consideração por muitos fatores. A obra escrita por Myer Pearlman é uma riqueza bíblica sem igual. Transforma a obra escrita em um tratado que pode ser facilmente exposto em um sermão e em um culto de doutrina, fator extremamente raro e único para os nossos dias. Ao estudar esta obra buscando fontes, assuntos doutrinários e questões teológicas, encontraremos didática prática, ensinos que devemos pôr à prova constantemente. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia é um livro desafiador para aqueles que buscam conhecer as Escrituras Sagradas, se aprofundar nas questões do cotidiano, e instigar o leitor a viver aquilo que lê, que estuda, que preenche a sua mente dos assuntos da Palavra de Deus. Por isso, Conhecendo as Doutrinas da Bíblia é um livro que merece nossa total atenção, e é por isso que é a recomendação do mês de maio aqui do Blog Evangelho Avivado.

sábado, 9 de maio de 2020

Comentário Bíblico Mensal: Maio/2020 - Capítulo 1 - Profetas do Senhor - Arautos de um Novo Tempo




Comentarista: Oliveira Silva



Texto Bíblico Base Semanal: Jeremias 29.8-16

8. Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhos, nem deis ouvidos aos vossos sonhos, que sonhais;
9. Porque eles vos profetizam falsamente em meu nome; não os enviei, diz o Senhor.
10. Porque assim diz o SENHOR: Certamente que passados setenta anos em babilônia, vos visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando a trazer-vos a este lugar.
11. Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.
12. Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei.
13. E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração.
14. E serei achado de vós, diz o Senhor, e farei voltar os vossos cativos e congregar-vos-ei de todas as nações, e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o Senhor, e tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos transportei.
15. Porque dizeis: O SENHOR nos levantou profetas em babilônia.
16. Porque assim diz o Senhor acerca do rei que se assenta no trono de Davi, e de todo o povo que habita nesta cidade, vossos irmãos, que não saíram conosco para o cativeiro.

Momento Interação

Em um sentido geral, um profeta é uma pessoa que proclama a verdade de Deus para os outros. A palavra grega prophetes pode significar "aquele que proclama" ou "defensor". Os profetas também são chamados de "videntes" por causa de sua percepção espiritual ou de sua capacidade de "ver" o futuro. Na Bíblia, os profetas frequentemente tinham um papel de ensino e revelação, declarando a verdade de Deus em questões contemporâneas, ao mesmo tempo revelando detalhes sobre o futuro. O ministério de Isaías, por exemplo, tocou tanto no presente quanto no futuro. Ele pregou corajosamente contra a corrupção de seus dias (Is 1.4) e deu grandes visões do futuro de Israel (Is 25.8). Os profetas tinham a tarefa de falar fielmente a Palavra de Deus para o povo. Eles foram fundamentais para guiar a nação de Israel e estabelecer a igreja. A casa de Deus é edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” (Ef 2.20). Neste capítulo, introduziremos o conceito do profeta e o ministério profético na Bíblia.

Introdução

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho” (Hb 1.1,2). A Carta aos Hebreus continua mostrando a supremacia de Cristo e a Sua obra redentora. Isso quer dizer que os profetas do Antigo Testamento são antiquados e obsoletos? De jeito nenhum! Mas na prática, se não na teoria, a maioria dos crentes acha que sim! O autor da Carta aos Hebreus ficaria horrorizado com esta ignorância! Muitas vezes ele faz referência aos profetas, para mostrar como suas palavras fortalecem a nossa compreensão da pessoa e obra de Cristo. Os profetas foram homens escolhidos por Deus, para serem canais da manifestação de sua vontade ao povo israelita. Instrumento poderosamente usado e através destes, a glória do Senhor por diversas vezes foi manifestada. Ao contrário do que pregam muitas igreja, a Bíblia não determina o fim deste ofício em João Batista, na verdade, afirma que nos dias finais os veríamos, em plena atividade, contudo, de uma perspectiva diferente.

I. O Conceito do Profeta na Bíblia

No Antigo Testamento, um profeta era alguém chamado por Deus para cumprir uma tarefa ou várias tarefas, especialmente a de entregar uma mensagem Dele. A grande característica da mensagem do profeta eram as palavras: “Assim diz o Senhor”. Deus chamou homens comuns, como você e eu, com personalidades diferentes, em situações bem diferentes, para fazer e dizer coisas diferentes. A seguir veja alguns termos usados para se referir a um profeta. O profeta era primariamente um homem da palavra de Deus. Esta era a grande preocupação do profeta – transmitir fielmente a Palavra que tinha recebido do Senhor e que “permanece para sempre” (Is 40.8). O profeta se preocupava com a situação do mundo ao seu redor e com as injustiças e exploração humana. Em um sentido geral, um profeta é uma pessoa que proclama a verdade de Deus para os outros. A palavra grega prophetes pode significar "aquele que proclama" ou "defensor". Os profetas também são chamados de "videntes" por causa de sua percepção espiritual ou de sua capacidade de "ver" o futuro.

II. A Autenticidade do Profeta

O profeta recebia uma chamada específica. Notamos que a iniciativa da chamada para o ofício de profeta vinha de Deus. O objetivo da chamada era levar o profeta à presença de Deus. Em outras palavras, o profeta apresentava-se perante os homens na qualidade de um homem que se apresentara perante Deus (1 Rs 17.1; 18.15).

O profeta tinha perfeita consciência da história. O Senhor enviou Moisés ao Egito já de posse de informações necessárias para interpretar os grandes acontecimentos que haveriam de ter lugar. O profeta tinha a capacidade de interpretar os acontecimentos históricos. Os profetas concordam que Deus é o Deus da história e está presente nos acontecimentos do dia a dia. É Ele quem controla o Universo, e, por isso, Sua palavra é de confiança absoluta.

O profeta tinha uma preocupação ética e social. Notamos como os profetas sempre denunciavam as injustiças e violências cometidas contra o povo. Havia essa grande preocupação com o bem-estar social. Veja a orientação dos profetas: Moisés (Dt 24.19-22; Lv 19.9-18) e Amós (Am 2.6-8; 5.11).  Quando um profeta “falar em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o Senhor não disse” (Dt 18.22). Jeremias enfatizou a mesma verdade: “O profeta que profetizar paz, só ao cumprir-se a sua palavra será conhecido como profeta, de fato, enviado do Senhor” ( Jr 28.9). A prova de um verdadeiro profeta não são seus milagres, mas sim a sua vida de santidade e a sua palavra que está em acordo com a revelação das Escrituras Sagradas (Mt 7.21-23).

III. As Ações do Profeta

Embora Deus tenha falado “muitas vezes, e de muitas maneiras… pelos profetas”, foi sempre o mesmo Deus que falou. Por causa disso notamos uma unidade no ministério e nas mensagens dos profetas. A grande responsabilidade de qualquer profeta era lutar para viver uma vida digna do seu ofício, com o objetivo de transmitir a mensagem divina para que o povo de Israel pudesse viver um relacionamento correto com seu Deus. Deve-se observar que no termo profeta não há nada que implique previsão de acontecimentos futuros. 

Um profeta pode predizer, ou não, o futuro segundo a mensagem que Deus lhe der. Um profeta é aquele que fala da parte de Deus ao homem. O profeta tinha que aconselhar e, muitas vezes, confrontar reis. Muitas vezes o profeta tinha que desempenhar um papel ativo, próprio de estadista, nos negócios nacionais. Vejamos exemplos disso no ministério de Natã (2 Sm 7.1-7; 12.1‑15); de Isaías (2Rs 19.1-7, 20-37; 20.4-11); e de Eliseu (2 Rs 5.11-14, especialmente v.6-8). O profeta combinava na pregação tanto proclamação como predição. Os profetas falavam por meio de advertências e encorajamentos concernentes ao presente e ao futuro. As conclamações ao arrependimento (Is 30.6-9) e os apelos à vida de santidade (Is 2.5) estão baseados na visão da ira vindoura divina.

O profeta representava o povo perante Deus. Assim notamos esse aspecto intercessório do profeta (Êx 18.19; 1Rs 13.6; 2Rs 19.4). Mas, às vezes, o profeta era instruído a não exercer essa função de interceder pelo povo (Jr 7.16; 11.14).

IV. O Profeta da Parte do Senhor

Na Bíblia, os profetas frequentemente tinham um papel de ensino e revelação, declarando a verdade de Deus em questões contemporâneas, ao mesmo tempo revelando detalhes sobre o futuro. O ministério de Isaías, por exemplo, tocou tanto no presente quanto no futuro. Ele pregou corajosamente contra a corrupção de seus dias (Is 1.4) e deu grandes visões do futuro de Israel (Is 25.8). Os profetas tinham a tarefa de falar fielmente a Palavra de Deus para o povo. Eles foram fundamentais para guiar a nação de Israel e estabelecer a igreja. A casa de Deus é edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” (Ef 2.20).

Conclusão

Geralmente, os profetas enviados por Deus são desprezados e sua mensagem ignorada. Isaías descreveu sua nação como um “povo rebelde é este, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR. Eles dizem aos videntes: Não tenhais visões; e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, profetizai-nos ilusões” (Is 30.9,10). Jesus lamentou que Jerusalém tinha matado os profetas que Deus lhes enviou (Lc 13.34). É claro que nem todo mundo que “proclama” uma mensagem é, na verdade, um profeta de Deus. A Bíblia adverte contra os falsos profetas que afirmam falar em nome de Deus, mas que, na verdade, enganam as pessoas que pretendem informar. 



Sugestão de Leitura da Semana: MENEZES, Walter. Liderança & Legado. São Paulo: Evangelho Avivado, 2018.