sábado, 17 de abril de 2021

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2021 - Capítulo 3 - Somente Cristo - Solus Christus

 




Comentarista: Marcos Rogério



Texto Bíblico Base Semanal: Hebreus 7.20-28

20. E visto como não é sem prestar juramento (porque certamente aqueles, sem juramento, foram feitos sacerdotes,
21. Mas este com juramento por aquele que lhe disse: Jurou o Senhor, e não se arrependerá; Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque,
22. De tanto melhor aliança Jesus foi feito fiador.
23. E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer,
24. Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo.
25. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.
26. Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus;
27. Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo.
28. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre.

Momento Interação

Ao longo da história cristã, é comum encontrarmos várias modalidades de “Cristo mais alguma coisa”. O ensino bíblico é muito claro: nossa salvação depende inteiramente da obra de Cristo realizada em nosso lugar. Ele foi nosso substituto, recebeu uma morte que era nossa para que, por ele, tivéssemos vida em seu nome. Mas a natureza humana não se sente muito confortável em ter de depender de alguém, não é verdade? É por esse desejo humano de autonomia que a história cristã vem registrando a criatividade humana em acrescentar alguma coisa (algo feito pelo ser humano para que ele tenha uma participação “razoável” em sua própria salvação) à pessoa e obra de Cristo.

Introdução

Jesus Cristo é o ponto focal das Escrituras, o personagem principal. No Antigo Testamento Ele é o Messias prometido, o Redentor do mundo; em o Novo Testamento Ele é revelado como Jesus Cristo, o Salvador, Filho de Deus. A cruz representa o mais central de todos os pontos focalizados pela Bíblia, pois ela faz convergir para o mesmo local a inominável maldade humana e a incomparável bondade e amor de Deus e Sua salvação. O tema do amor de Deus, particularmente conforme visto na morte sacrifical de Cristo no Calvário e esta é a maior verdade do Universo - representa o ponto focal da Bíblia. Todas as grandes verdades bíblicas, portanto, deveriam ser estudadas a partir dessa perspectiva.
O nome aramaico Yeshua assimilado pela língua hebraica significa Salvação, é uma abreviação do nome de Josué Yehoshua (YHWH é Salvação) que significa Deus é a Salvação. Jesus em nosso idioma é a transliteração de Yeshua, um nome muito comum nos tempos do Novo Testamento que expressava a fé dos pais hebreus em um Salvador vindo da parte do Pai. Quando o anjo Gabriel visitou José lhe disse que chamasse seu filho de Jesus dizendo: "porque ele salvará o seu povo dos pecados deles".  Esse nome identificava o filho de Maria gerado do Espírito Santo (Mt 1:20) como Aquele em quem se cumpririam as profecias messiânicas e as promessas do Antigo Testamento.

Os três Evangelhos Sinópticos e o Evangelho de João estão repletos de testemunhos que confirmam que Jesus é o centro do Evangelho e Aquele em quem se cumpririam as promessas e profecias bíblicas. João Batista, o último profeta messiânico se identificou como o precursor do Messias prometido nas Escrituras, ver (Mt 3.1-12; Mc 1.2-8; Lc 3.1-18 e Jo 1.19:34). Quando Filipe encontrou seu irmão Natanael disse: "Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, Filho de José" (Jo 2.45). 

O Senhor Jesus, após sua ressurreição apareceu a dois discípulos a caminho de uma aldeia chamada Emaús que ficava a sessenta estádios de Jerusalém, cerca de dez quilômetros encaminhou a mente dos discípulos às Escrituras. "E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras" (Lc 24:27). Pouco tempo depois, apareceu aos onze e novamente chamou a atenção deles para Ele como aquele de quem as Escrituras testificavam e lhes disse: "São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos" (Lc 24.44).

A expressão lei de Moisés se refere a Torah, palavra hebraica que significa Instrução e se refere ao nosso Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia, Profetas significa os livros proféticos do Antigo Testamento conhecidos como os profetas maiores e profetas menores e os Salmos representa os livros poéticos do Antigo Testamento. Essas três grandes divisões das Escrituras hebraicas tem Jesus e Seu ministério em prol da salvação do homem como o centro de suas mensagens. Paulo explicou isso dizendo que o fim da lei é Cristo (Rm 10:4) mostrando que a Torah assim como as demais Escrituras apontam para Cristo. A palavra grega usada por Paulo traduzida por fim é telos que significa finalidade, objetivo. As Escrituras Sagradas apontam para Cristo como o personagem principal, o mais importante (Jo 5:39).

Sobre Jesus disse João que "Isaías viu a glória dele e falou a seu respeito" (Jo 12.41). Em Isaías 6.1-5 temos o relato de uma visão da glória de Deus e em Isaías 53 vemos o Deus na cruz.  Jesus era a esperança do povo de Deus no Antigo Testamento e sua segunda vinda é a bendita esperança da igreja (Tt 2.13). A primeira profecia messiânica encontra-se em Gênesis 3.15 onde um descendente da mulher esmagaria a cabeça da serpente trazendo a vitória ao povo de Deus. Durante gerações e gerações aguardou-se o prometido Messias e Ele veio e foi rejeitado.  "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, os que crêem no seu nome" (Jo 1.11-12). O texto diz que os que crêem e não os que creram, ou seja, o cristão deve crer até o fim. 

É muito importante reconhecer que Jesus é o centro das Escrituras do Antigo e Novo Testamento, mas de nada isso adiantará se Jesus não for o personagem central e principal de nossa vida. O conhecimento da verdade só nos trará benefício prático para a vida eterna se esse conhecimento se tornar um conhecimento prático e não simplesmente teórico onde Jesus passa a morar em nós. O Evangelho se acha centrado em Jesus e não numa prática religiosa. Em Jesus Cristo a religião faz sentido, em Jesus todas as doutrinas bíblicas se encontram e se fundem.

I. Cristo Jesus - A Excelência do seu Esplendor

Os sábios das religiões morreram, mas Jesus morreu e ressuscitou vencendo a morte.  Os deuses das religiões são deuses inanimados, mas Jesus é o Deus eterno. "Ninguém jamais viu a Deus, o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou" (Jo 1.18).  "Não que alguém tenha visto o Pai, salvo aquele que vem de Deus; esse o tem visto" (Jo 6.46). Em todas as teofanias era o Deus unigênito quem aparecia e ninguém via seu rosto, pois não viveria, pois segundo Cristo ninguém viu o Pai. "Apareceu o Senhor a Abrão e lhe disse: Darei à tua descendência essa terra. Ali edificou Abrão um altar à YHWH, que lhe aparecera" (Gn 12.7). "Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe YHWH e disse-lhe: Eu Sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito" (Gn 17.1). "Apareceu YHWH à Abrão nos carvalhais de Manre, quando ele estava assentado à entrada da tenda, no maior calor do dia" (Gn 18.1). "Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, YHWH, não lhes fui conhecido" (Ex 6.3). "Disse Deus a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós outros" (Ex 3.14).

Quando perguntado: Quem pois te fazer ser? (Jo 8.53) Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: Antes que Abraão existisse, Eu Sou. Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo (Jo 8.58-59). Se Cristo tivesse dito: "Eu tenho sido" como insinuam alguns, os judeus não teriam porque tentar apedrejá-lo. O grego hē zoē de (Ap 1.18) é o equivalente hebraico Eyeh 'asher' 'ehyeh, o Eu Sou o que Sou de (Ex 3.14). Isso explica a hostilidade dos judeus para com Cristo quando se declarou o Eu Sou (Jo 8.58-59). Se os judeus entendessem o contrário não tentariam apedrejá-lo.

Cristo disse à igreja de Tiatira: Matarei a teus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a cada um segundo suas obras (Ap 2.23; 22.12 = Is 40.10). "Cesse a malícia dos ímpios, mas estabelece o justo, pois sondas a mente e o coração, ó justo YHWH (Sl 7.9), ver também" (Jr 17.10 e Mt 16.27).

II. A Doutrina de Cristo na Reforma

Em 1517, indignado com a venda de indulgências realizada pelo dominicano João Tetzel, Lutero escreveu em documento com 95 pontos criticando a Igreja e o próprio papa, as indulgências e as falsas concepções do Evangelho ensinadas ao povo. Estas 95 teses teriam sido pregadas na porta de uma igreja a fim de que seus alunos lessem e se preparassem para um debate em classe. No entanto, alguns estudantes resolveram imprimi-las e lê-las para a população, espalhando assim, as censuras à Igreja Católica Apostólica Romana. Em 1520, o papa Leão X redigiu uma bula condenando Lutero e exigindo sua retratação. Lutero queimou a bula em público o que agravou a situação. Já em 1521, o imperador Carlos V convocou uma assembleia, chamada "Dieta de Worms", na qual o monge foi considerado herege.

Embora Martinho Lutero não tinha ainda uma compreensão mais ampla da doutrina de doutrina de Cristo vemos já uma introdução à Cristologia em suas teses.  Nessas noventa e cinco teses Martinho Lutero demonstrou que é Jesus o Salvador, Mediador e Intercessor e não o clero. A doutrina de Cristo na Reforma Protestante foi um golpe sobre a igreja em sua venda discriminada de indulgências onde comercializavam a salvação que Jesus oferece de graça. Nós protestantes não cremos e concordamos em tudo com o que Lutero escreveu em suas noventa e cinco teses, mas concordamos que a salvação é obtida unicamente pela graça mediante a fé.

Na Reforma Protestante declarou-se que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5) o único intercessor e sacerdote (Hb 7.24; 1 Jo 2.1). As penitências, indulgências, relíquias, perdão papal, missas, confessionários e qualquer outro meio não garantia o perdão ao pecador, Jesus é o único caminho (Jo 14.6). Só um intercessor sem pecado poderia oferecer seus próprios méritos ao homem.  A igreja, os santos, os sacramentos e qualquer outra tentativa de salvação que descarte a Cristo ou pretenda completar seus méritos é vã no que se refere a salvação.

III. Jesus Cristo - Perfeito para Sempre

Jesus é perfeito! Isso significa que Jesus nunca pecou, nunca errou. Ele nunca transgrediu a Lei de Deus e jamais fez qualquer coisa que não revelasse a glória de Deus. Foi um perfeito exemplo de obediência (1 Jo 2.6). Então apesar de ter sido tentado Ele venceu todas as tentações e nEle não foi achado erro ou falha alguma (1 Pd 1.22). Jesus também foi tentado em tudo, mas nunca cedeu a qualquer tentação (Mt 4.1-10; Hb 4.15). Pela encarnação, o Verbo de Deus torna-se uma pessoa única em todo o universo, possuindo duas naturezas completas e perfeitas, a natureza divina que lhe é peculiar desde toda a eternidade, e a natureza humana, formada por um corpo humano. Estas duas naturezas permanecem unidas, porém sem mistura ou confusão, permanecendo para todo o sempre nesta forma. A isto chamamos de união hipostática. Jesus é o único ser do universo com essa dupla natureza que liga a humanidade à Deus. Essa natureza divino-humana chama-se em teologia natureza teantrópica.  Jesus, Sua natureza e obra é um mistério para a humanidade.

"Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória” (1 Tm 3.16). Este Jesus, que é a pessoa única, o Verbo encarnado, perfeito homem e perfeito Deus, é o Jesus bíblico e histórico do cristianismo, quem crê em outro Jesus que não este, não pode ser considerado cristão, a aceitação de falsos mestres e falsas doutrinas no seio da igreja não pode ser aceita em hipótese alguma porque compromete o Evangelho. Professamos que o Senhor Jesus era e é perfeitamente humano e perfeitamente divino. Ele não era meio homem nem meio deus; mas totalmente Homem e totalmente Deus.

Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus, o Senhor Jesus Cristo é igual ao Pai e semelhante a nós: sua divindade e humanidade não são aparentes; são reais, perfeitas e plenas. Por este motivo, a obediência, paixão e morte de Jesus Cristo têm valor infinito, sendo, desta forma, o único meio de propiciar a ira de Deus (a reação de Sua santidade diante do pecado) e adquirir a redenção final e definitiva de Seu povo. A obediência de Cristo era a própria justiça de Deus e o seu sangue, o sangue de Deus, daí valor infinito de seu trabalho.  Resumindo, Jesus não foi perfeito, é perfeito e viveu em perfeição também como homem para que pudesse resgatar o homem. Somos salvos pela obediência de Cristo e não pela nossa. 

Conclusão

Martinho Lutero não foi o único reformador, mas foi o meio mais expressivo pelo qual o Senhor balançou as estruturas da igreja medieval lutando por um retorno à Bíblia Sagrada. Sola Scriptura era seu lema e deve ser o nosso. Martinho Lutero não tinha toda a luz, mas viveu à luz de seus dias.  Em suas teses há alguns itens que nós protestantes mais recentes não concordamos como a doutrina do purgatório e outros. Mas lançou as bases para a Reforma Protestante. Martinho Lutero e outros reformadores entenderam que a crença da igreja de seus dias no que se refere a salvação estava errada. Havia mediadores humanos, intercessores mortos, indulgências, missas, confessionários, penitências, relíquias e toda forma de distorção da teologia da salvação presente nas Escrituras Sagradas.

A Bíblia deixa claro que Jesus é o único e perfeito Salvador, Mediador, Advogado e Substituto e que são seus méritos aplicados pela fé ao pecador arrependido que o colocam em harmonia com Deus e não os sacramentos da igreja. Jesus não é o mediador supremo entre Deus e os homens, é supremo e único (1 Tm 2.5; At 4.12).  Maria e os santos não podem interceder e aplicar seus méritos aos pecadores porque seus méritos não salvam nem a eles mesmos e todos precisam da mediação e intercessão de Jesus.  Somente Jesus pode nos ligar a Deus (Jo 14.6). Não há outro meio de salvação e nem outro caminho que conduz ao Pai, sem Cristo nada podemos fazer (Jo 15.5).

Os judeus buscaram a salvação praticando ou tentando praticar as obras da lei, os cristãos dos dias da Reforma Protestante buscavam a salvação nos rituais vazios e sem vida da igreja em seus dias. Com o advento da Reforma e o retorno à Palavra de Deus temos uma compreensão soterológica mais profunda entendendo e aceitando que fora de Jesus não há salvador. A salvação é pela graça mediante a fé para boas obras (Ef 2.8-10). Note que as obras são a consequência da salvação e não a causa e que é a graça de Jesus que nos dá o poder para praticar as boas obras.




Sugestão de Leitura da Semana: JÚNIOR, Carlos Alberto. A Obra da Redenção. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.


quinta-feira, 15 de abril de 2021

Preparados para a Resposta da Esperança

 




Por Leonardo Pereira



Estejam “sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15) é uma ordem expressa de Pedro para os cristãos da Ásia do primeiro século, mas também para nós, nos dias de hoje. Será que para isso é necessário muito conhecimento e disposição para discutir com qualquer pessoa sobre qualquer assunto relacionado com a fé? Observe que Tiago desestimula a ambição ardente de sermos mestres (Tg 3.1). Examinemos o contexto deste mandamento para vermos que podemos obedecê-lo. 

A Ordem de Prontidão

A ordem para estarmos prontos para responder acha-se numa carta escrita a cristãos diferentes – diferentes do que tinham sido no passado e diferentes dos que os cercavam. Os seus antigos e atuais amigos estranhavam que eles não participassem com eles do pecado (1 Pe 4.4). Eram desprezados (1 Pe 3.16), rejeitados (1 Pe 4.14) e acusados de fazer o mal (1 Pe 2.12). Esse é o plano de Deus para os que lhe pertencem, para manifestar as excelências dele nas trevas do mundo (1 Pe 2.9). Hoje nada é diferente. O tipo de pergunta que geralmente surge é: “Por que você não quer sair com a gente como antes?”, “Você não diz mais palavrão?”, “Você ficou religioso ou qualquer coisa assim?”. Essas não são as perguntas teológicas complexas que imaginaríamos lendo 1 Pedro 3.15 fora de contexto.

“Estar preparado” implica prever as perguntas e estar afiado para responder. A carta de Pedro ordena, pelo menos, três tipos de preparo: 

1. O preparo do coração. “... Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder” (1 Pe 3.14,15). É necessário coragem. Devemos ter uma idéia firme e clara de nossa identidade e nossa responsabilidade, não importa como encarem as nossas respostas. O medo de passar vergonha ou de sofrer perseguição não pode ter lugar na vida daquele cujo Senhor é Cristo. Só temos de prestar contas ao Filho de Deus; é só a ele que devemos temer (1 Pe 1.17). Participaremos do sofrimento de Cristo e não nos devemos envergonhar quando isso acontecer (1 Pe 4.12-16).

2. O preparo da vida. O nosso texto mostra que o nosso modo correto de vida já é, em si, uma grande proteção contra as situações vergonhosas: “com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo” (1 Pe 3.16). Se nos perguntam acerca do nosso comportamento, é claro que a nossa vida está sendo investigada pelas pessoas. A nossa vida, sempre, faz parte do nosso preparo. Fomos criados de modo distinto, não de acordo com “às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento” (1 Pe 1.14,15). O que dissermos com a nossa vida S o mau humor, a prática dos velhos hábitos ou qualquer coisa que não tenha sido sujeitada a Cristo S pode depor contra qualquer palavra que proferirmos com os lábios. “Amados, exorto-vos, . . . a vos absterdes das paixões carnais . . . mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas bos obras, glorifiquem a Deus” (1 Pe 2.11,12).

3. O preparo da mente. “Sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações . . . Se alguém fala, fale de acordo com as oráculos de Deus” (1 Pe 4.7,11). Junto com a nossa coragem e com uma vida exemplar, devemos estar munidos de uma mente sadia e equilibrada, pronta para trabalhar, centrada na nossa esperança (1 Pe 1.13) e pronta para dar uma resposta. Mas a que tipo de perguntas? 

Primeiramente, o que é mais provável, perguntas sobre o nosso comportamento. A nossa conduta se tornou visível e levou a uma reação. A nossa resposta deve explicar o nosso comportamento em relação ao senhorio de Cristo. “Não posso usar o nome de Deus dessa forma”, ou “de acordo com a minha crença em Jesus e segundo o que ele ensinou, entendo que não posso fazer isso”. 

Em segundo lugar, se as nossas respostas fizeram a atenção se voltar para o Senhor, podem-se seguir as perguntas simples sobre a fé e a obediência a Jesus. Não só para explicar a nossa esperança, mas também para atrair o interesse de um coração aberto, seria útil aprender uma pequena seqüência de conclusões como: o relato da vida de Jesus é preciso; Jesus ressuscitou de entre os mortos; ele só pode ser o Filho de Deus; devemos obedecer-lhe cuidadosamente; ele julgará o mundo um dia, etc. Esses mesmos fatos provavelmente foram os que nos motivaram a obedecer, e o preparo pode ser apenas aprender a ordem, treinar uma forma simples de falar sobre eles e aprender algumas referências bíblicas que os sustentam. As respostas simples são as melhores, já que poucas pessoas têm tanto conhecimento da Bíblia e é raro encontrarmos alguém que saiba fazer uma defesa lógica da fé.

Dando a Resposta

Outra ordem é dar a resposta “com mansidão e temor” (1 Pe 3.16). Ainda que sejamos ridicularizados, devemos seguir o exemplo de Jesus, “pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje” (1 Pe 2.23; 3.9). O modo de respondermos pode não apenas afastar a ira, mas também fazer parte de nosso modo de vida, que os outros observam. Temos a ordem de estarmos preparados para explicar a nossa esperança - não de sair vencedor na discussão ou de converter cada pessoa com quem temos contato. 



Referências:

Bíblia Sagrada. Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

CAMPOS, Ygor; PEREIRA, Leonardo; SILVA, Oliveira. Comentário Bíblico Evangelho Avivado Volume 2 - Novo Testamento. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.

HORTON, Stanley. Sempre Prontos. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.

PEREIRA, Leonardo. A Esperança da Salvação em Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.

SILVA, Oliveira. Panorama Bíblico Volume 7 - Epístolas Gerais. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.



sábado, 10 de abril de 2021

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2021 - Capítulo 2 - Somente a Fé - Sola Fide

 




Comentarista: Marcos Rogério



Texto Bíblico Base Semanal: Romanos 5.1-19

1. Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;
2. Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
3. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,
4. E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.
5. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
6. Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.
7. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.
8. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
9. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.
10. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.
11. E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.
12. Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.
13. Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei.
14. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.
15. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.
16. E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.
17. Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.
18. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.
19. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.

Momento Interação

Então, basta somente a fé e nada mais? Geralmente, quando feita, esta pergunta tem uma segunda intenção, talvez motivada por comodismo, letargia e ‘graça barata’, por isso, inicialmente, de forma cuidadosa, a resposta à pergunta deve ser: ´depende´. Pode ser ´sim´, mas também pode ser ´não´. Somente a fé não é um princípio que exclui os demais solas: Cristo, graça e Escritura. Em verdade, Cristo, graça, fé, Escritura perfazem um todo e, por isso, a rigor, se poderia falar em um único ´somente´. Seria um ´somente Cristo-graça-fé-Escritura´. Da mesma forma, os reformadores jamais afirmaram que a fé exclui as obras de amor. Pelo contrário, a fé e o amor também perfazem uma grandeza única. A fé faz obras. Quando Lutero afirmou o ´somente pela fé´, ele não quer excluir as exigências das obras, mas excluir autojustificação e automeritocracia diante de Deus. A fé, então, não combate as obras, mas as afirma. O que o ´somente pela fé´ combate são o egoísmo e individualismo que decorrem da autojustificação e dos méritos próprios.

Introdução

A fé é uma necessidade espiritual básica do ser humano. Sem fé é impossível agradar a Deus. "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam." (Hb 11.6). Precisamos entender que a salvação é somente pela graça, mas pela graça por meio da fé (Ef 2.8-10).  Fé é confiança em Deus, é saber que tudo aparentemente estando dando certo ou errado Deus está no controle: "Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem" (Hb 11.1). A Bíblia descreve a fé como algo sobrenatural, como um dom de Deus ao homem e que deve ser desenvolvida: "E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo." (Rm 10.17). É aqui que entra a importância da pregação doutrinária, expositiva e cristocêntrica em vez das populares pregações motivacionais. A fé é despertada pelo estudo, leitura e audição do Evangelho de Cristo que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16).

I. A Justificação pela Fé

A Bíblia claramente ensina a doutrina da justificação pela fé de modo que não nos deixa dúvidas: "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei." (Rm 3.28). A lei, as obras, as boas intenções não podem salvar o homem do pecado e de suas consequências temporais ou eterna. Através de Cristo e Seu sacrifício vicário a justiça de Cristo é imputada ao pecador pela fé como os pecados do pecador foram lançados sobre Cristo (Is 53.4-6). Lutero disse: "Aprendei a conhecer a Cristo, e Ele crucificado. Aprendei a cantar um novo cântico - a desesperar de vossas próprias obras, e a clamar a Ele: Senhor Jesus, Tu és a minha justiça, e eu o Teu pecado. Tomaste sobre ti o que era meu, e deste-me o que Te pertencia; o que não eras Te tornaste, a fim de que eu me pudesse tornar aquilo que não era." - História da Reforma de d'Aubigné, volume. 2, capítulo 8.
Paulo reforçou essa ideia escrevendo aos coríntios: "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus" (2 Co 5.21). Em Seu amor e misericórdia infinitos Deus fez com que Jesus Cristo que não conheceu pecado se tornasse pecado por amor de nós pecadores necessitados da graça. Jesus torna-se nosso Substituto para que nós recebêssemos as bençãos que Ele tinha direito e, para isso, Ele recebeu a condenação que merecíamos. Na qualidade de pecadores arrependidos somos justificados pela fé e recebemos pleno perdão. Por meio de Jesus Cristo recebemos adoção, justificação, santificação e a futura glorificação.

II.  A Doutrina da Fé na Reforma

A Reforma religiosa do século dezesseis, foi deflagrada quando o monge agostiniano, Martinho Lutero, fixou nas portas da igreja de Wittenberg, na Alemanha, as noventa e cinco teses contra as indulgências e os abusos do papado. A Reforma não foi uma inovação na igreja, mas uma volta à doutrina dos apóstolos, ao Evangelho bíblico. Não foi um desvio de rota, mas uma volta às Escrituras. A Reforma colocou a igreja de volta nos trilhos da verdade.  Uma das ênfases da Reforma Protestante foi a compreensão correta do que é a fé. 

A fé é um dos elementos fundamentais do cristianismo.  Habacuque disse que o justo viverá pela fé (Hc 2.4). O Novo Testamento menciona a declaração de Habacuque três vezes, ver (Rm 1.17; Gl 3.17; Hb 10.38). A fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Cristo (Rm 10.17). O autor de Hebreus, possivelmente o apóstolo Paulo dedicou o capítulo 11 de Hebreus para tratar exclusivamente da fé.A fé é o fator primordial na vida de um crente. Desde a experiência mais elementar como crer no Evangelho até a mais elevada quando já somos crescidos em vida. Não há viver cristão sem fé. A salvação do crente é pela graça mediante a fé para boas obras (Ef 2.8-10). Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Em Hebreus no capítulo 11 vemos uma lista de homens e mulheres que viveram nos tempos do Antigo Testamento e que foram justificados diante de Deus pela fé e que pela fé obtiveram bom testemunho. A fé não se limita a uma crença, mas a uma fé quese torna evidente por meio das obras manifestas. Deus chama cristãos à ação. Somos chamados para servir. 

A fé é criacionista, ou seja, nossa fé se baseia no nosso Deus que é o Criador (Hb 11.3), mas contrariamente ao deísmo é galardoador dos que o buscam (Hb 11.6).A fé não anula a obediência, caso contrário seria presunção e não fé. Em Apocalipse 14.12 lemos que a fé em Jesus é acompanhada da obediência aos mandamentos de Deus, em Hebreus 11.4 diz que pela fé de Abel ele ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim.Enoque, antes da sua trasladação obteve testemunho de ter agradado a Deus (Hb 11.5). Pela sua fé, Noé construiu a arca (Hb 11.7). Pela sua fé Abraão quando chamado obedeceu a Deus e partiu de sua terra sem saber para onde ia (Hb 11.8). Pela fé, quando provado ofereceu a Deus seu próprio filho crendo que Deus poderia trazê-lo de volta à vida (Hb 11.17-19).

Pela fé Moisés recusou ser chamado filho da filha de Faraó escolhendo sofrer junto com o povo de Deus a usufruir os prazeres transitórios do pecado (Hb 11.24-28), os israelitas e tantos outros também agradaram a Deus e obtiveram as bençãos e a salvação por meio de sua fé. Como a ausência da evidência não significa evidência da ausência Deus não exige de Seus filhos uma fé cega e irracional, mas nos dá suficientes razões para crer: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos” (Sl 19.1); “Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Rm 1.19,20); “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem” (Sl 14.1; 53.1).A fé bíblica é a confiança em Deus, a crença de que Ele recompensa aqueles que O buscam (Hb 11.1,6).
Na época da Reforma Protestante a fé foi desvirtuada, endinava-se que fé era a crença e confiança na mediação da igreja, do clero, dos sacerdotes e a aceitação de seus sacramentos para se obter a salvação, a qual na verdade era buscada por meio de penitências, indulgências, missas, conficionário e outras formas de distorções da sã doutrina. A proposta da Reforma Protestante não foi criar divisão, mas restaurar as verdades bíblicas.

III. A Fé em Cristo Jesus

A Reforma Protestante também restaurou a fé em Jesus e Sua intercessão em favor do homem. Nessas dias o homem havia tido sua atenção desviada de Jesus para sacerdotes humanos e mediadores mortos que supostamente estariam completando a intercessão de Jesus intercedendo pelos homens na Terra. O ministério sacerdotal e sumo sacerdotal de Jesus foi pleno e suficiente em prol do pecador. Não há outros mediadores entre Deus e o homem, por mais santos que sejam: “Porquanto, há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens” (1 Tm 2.5). É a natureza teantrópica (divino-humana) de Jesus Cristo que o torna o Mediador entre Deus e os homens ligando a humanidade à Divindade. 

Declarar que há outros mediadores é ir contra a revelação bíblica porque só Jesus em sua união hipostática (totalmente Deus e totalmente homem) através de Seus méritos que preenche esse requisito. Somente por meio de Jesus o pecador pode ser reconciliado com Deus. A Divindade estende a mão e toca a humanidade em Jesus. Por meio de Jesus o homem é habilitado a comparecer diante de Deus. Paulo, nesse texto exclui a necessidade de outros seres humanos para complementar essa função. 

A mediação de Jesus é plena, suficiente e perfeita. Ele não é o Mediador supremo, é o único Mediador. O próprio Senhor Jesus deixou claro essa verdade ao dizer: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). A Bíblia diz em (Hb 7.26) que Cristo é o único imaculado, diz em (2 Co 5.21) que Ele é o único que não conheceu pecado. Por isso Cristo é o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5), único advogado (1 Jo 2.1) e nosso único intercessor no céu (Hb 7.25). Qualquer doutrina que coloque outro imaculado, advogado e mediador é uma distorção da verdade bíblica.

Conclusão

A palavra fé do hebraico emun ou emunah e do grego pistis representa uma firme confiança emocional e intelectual em Deus e em Suas providências. Essa fé não é uma confiança cega, mas uma racional e serena confiança em Deus. A confiança em Deus se deve ao Seu caráter de amor (1 Jo 4.8,16). Essa fé é um dos requisitos para a aproximação de Deus (Hb 11.6). A fé é sobrenatural, cremos no que não vemos (Hb 11:1) e é um dom de Deus (Ef 2.8). É por meio da fé em Jesus Cristo que o pecador é justificado (Rm 8.1; 3.28; Gl 2.16; 3.8,25).

A fé não é passiva nem infrutífera, mas é evidenciada por obras (Gl 5.6; Tg 2.17; 18, 20, 21, 26) e gera boas obras (Ef 2.10). Pela fé o homem arrependido recebe de Deus perdão e misericórdia e também a graça necessária para se reconciliar com Deus e poder para andar em harmonia com Sua santa e boa vontade. O Cristianismo é a religião que crê em Jesus, Sua Divindade, Sua humanidade, Seu ministério terrestre e celestial e aceita a Jesus como único e suficiente Salvador. Nós cristãos cremos que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5). 

Cremos que Jesus não foi simplesmente um bom homem, um profeta, um guia, mas Deus em forma humana. Jesus é o Deus conosco (Mt 1.23). Foi a fé em Jesus como Deus Todo-Poderoso que fez com que em Antioquia fossem os discípulos pela primeira vez chamados de cristãos (At 11.26), pois falar de Jesus era o que eles mais faziam. Jesus era o tema principal de suas conversações. Na Bíblia Sagrada é possível conhecer Jesus de forma tão plena como o conheceram os palestinos que com Ele tiveram contato pessoal. Conhecer a Jesus não foi o privilégio restrito da geração que viveu a 2.000 anos. 

Conhecemos a Jesus pelos relatos dos Evangelhos Sinóticos, Mateus, Marcos e Lucas e pelo Evangelho de João, mas toda a Bíblia fala de Jesus direta ou indiretamente. Não só podemos conhecer o Senhor Jesus e se relacionar com Ele, como também podemos, por meio do Espírito Santo ser semelhantes a Ele (2 Co 3.18). A Teologia é o estudo sobre a Divindade, o estudo sobre o Espírito Santo é chamado de Pneumatologia, nesse texto entraremos em um ramo da teologia conhecido como Cristologia, o estudo sobre o que a Revelação nos revela sobre a pessoa de Cristo em Sua vida de perfeita obediência. 

A vida de Jesus foi de obediência, razão pela qual Ele se tornou nosso exemplo (1 Jo 2.6). Jesus, como o Filho de Deus tinha uma responsabilidade muito grande. Cabia-lhe ser nosso exemplo em todas as coisas e para tal Jesus precisava ser perfeito, separado dos pecadores (Hb 9.26).



Sugestão de Leitura da Semana: RIBEIRO, Anderson. A Mensagem de Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.