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terça-feira, 14 de setembro de 2021

Autoridade e Catolicismo

 




Por Leonardo Pereira



A Igreja Católica deriva a autoridade para suas práticas de duas fontes diferentes: A Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição. É ensinado aos católicos que as Escrituras são a palavra de Deus e que milhares de anos atrás a palavra de Deus foi escrita sob a inspiração do Espírito Santo. Para compor os livros que compreendem o Velho e o Novo Testamentos, Deus escolheu certos homens que, ainda que usando suas próprias capacidades e estilo, escreveram o que ele queria que fosse comunicado, nada mais, nada menos. Essa palavra, a Bíblia, é significativa e sagrada. A Bíblia, contudo, não é a única fonte de autoridade para os católicos. De acordo com o Catecismo da Igreja Católica (revisão de 1994), fé não é uma "religião do livro," mas antes uma religião da "Palavra" de Deus. Essa "não é uma palavra escrita e muda, mas encarnada e viva."
   
As Escrituras do primeiro século foram registradas e finalmente compiladas na Bíblia, mas os católicos creem que a divina inspiração não parou quando os apóstolos e seus contemporâneos morreram. Eles creem que a pregação dos apóstolos, que foi expressa de um modo especial na Bíblia, é também preservada numa linha contínua de sucessão até o fim do tempo. Esta revelação contínua é conhecida como a Tradição Sagrada. Os católicos entendem que o Papa é inspirado e fala por Deus, nos dias atuais. Através dos séculos, vários Papas fizeram decretos em nome de Deus e esses decretos foram seguidos como parte da tradição da Igreja Católica. Alguns desses decretos de Papas foram revistos através dos anos porque o Papa atual é considerado como tendo a mais atualizada informação de Deus.

A Igreja Católica, portanto, não proclama receber sua certeza sobre as verdades reveladas somente das Escrituras. Tanto a Sagrada Escritura como a Sagrada Tradição precisam ser aceitas e honradas igualmente.

Autoridade e a Bíblia

Logo antes de sua ascensão ao céu, as Escrituras nos contam que Jesus disse, "Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28.18-20). Na Epístola de Paulo aos Efésios, vemos um retrato claro da posição de Jesus a respeito da igreja: "Que lhes ilumine os olhos da mente, para que compreendam a esperança para a qual ele os chamou; para que entendam como é rica e gloriosa a herança destinada ao seu povo; e compreendam o grandioso poder com que ele age em favor de nós que acreditamos conforme a sua força poderosa e eficaz. Ele a manifestou em Cristo, quando ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita no céu, muito acima de qualquer principado, autoridade, poder e soberania, e de qualquer outro nome que possa nomear, não só no presente, mas também no futuro. De fato, Deus colocou tudo debaixo dos pés de Cristo e o colocou acima de todas as coisas, como Cabeça da Igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que plenifica tudo em todas as coisas" (Ef 1.18-23).
 
A Bíblia ensina que Jesus tem autoridade exclusiva sobre sua igreja. Não estando mais na terra, contudo, ele está presente na palavra de Deus. A Bíblia confirma que a palavra de Deus tem autoridade na igreja. A segunda epístola de Paulo a Timóteo diz: "Quanto aos maus e impostores, eles progredirão no mal, enganando e sendo enganados. Quanto a você, permaneça firme naquilo que aprendeu e aceitou como certo; você sabe de quem o aprendeu. Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2 Tm 3.13-16).
 
O termo "Sagrada Tradição" não é mencionado nas Escrituras. Contudo, há lugares onde "tradição" é mencionada. Em alguns lugares a tradição que está sendo seguida é condenada enquanto em outros é elogiada. No evangelho de Marcos, vemos Jesus censurando os fariseus por seguirem a tradição, antes que a palavra de Deus: "Os fariseus e os doutores da Lei perguntaram então a Jesus: 'Porque os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, pois comem pão sem lavar as mãos?' Jesus respondeu: 'Isaías profetizou bem sobre vocês, hipócritas, como está escrito: Este povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim. Não adianta nada eles me prestarem culto, porque ensinam preceitos humanos. Vocês abandonam o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens'. E Jesus acrescentou: 'Vocês são bastante espertos para deixar de lado o mandamento de Deus a fim de guardar as tradições de vocês" (Mc 7.5-9, 13; cf. Mt 15.2-9).
 
Em sua Epístola aos Colossenses, Paulo adverte: "Cuidado para que ninguém escravize vocês através de filosofias enganosas e vãs, de acordo com tradições humanas, que se baseiam nos elementos do mundo, e não em Cristo. É em Cristo que habita, em forma corporal, toda a plenitude da divindade. Em Cristo vocês têm tudo de modo pleno. Ele é a cabeça de todo principado e de toda autoridade" (Cl 2.8-10). Em duas circunstâncias vemos falar de tradições de modo positivo. Na segunda Epístola aos Tessalonicenses, Paulo, Silvano e Timóteo escrevem: "Por isso, irmãos, fiquem firmes e mantenham as tradições que lhes ensinamos de viva voz ou por meio da nossa carta" (2 Ts 2.15). Paulo também aproveita a oportunidade para admoestar a igreja de Tessalônica: "Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo ordenamos: fiquem longe de qualquer irmão que vive sem fazer nada e não segue a tradição que recebeu de nós" (2 Ts 3.6). A distinção entre a tradição que é positiva e a que é negativa é encontrada em sua fonte. Tradições que se originam dos humanos são condenadas, enquanto as tradições que se originam de Deus e são levadas através dos apóstolos e outros discípulos inspirados são aprovadas.

Resumo

Até este ponto temos visto que os ensinamentos e práticas da Igreja Católica diferem às vezes das práticas dos cristãos nas Escrituras. Algumas práticas católicas são encontradas na Bíblia; algumas não são nem mesmo mencionadas; outras parecem ser condenadas. O fato que a Igreja Católica declara derivar sua autoridade igualmente da Sagrada Escritura e da Sagrada Tradição é responsável por esta divergência. Quaisquer práticas passadas, presentes ou futuras da Igreja Católica que não podem ser apoiadas pelas Escrituras podem ser explicadas seguindo-as até o Papa que lhes deu existência. Para alguns, confiar tanto na Sagrada Escritura como na Sagrada Tradição como guias parece ser lógico e aceitável, mas se o Papa pode mudar as práticas autorizadas pela Sagrada Escritura, então a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição não podem ser iguais, como são declaradas. Quando o que o Papa decreta contradiz a palavra de Deus, antes que ser honrada, parece que aquela porção da Escritura é anulada.
   
Como foi mencionado antes, os católicos acreditam que Pedro foi o primeiro Papa. A Bíblia confirma que Pedro era inspirado, e dá exemplos dele e dos outros apóstolos distribuindo dons espirituais, tais como profecia, a outros discípulos. Os crentes que receberam os dons espirituais dos apóstolos foram capazes de operar milagres e profetizar exatamente como os apóstolos, contudo, aqueles crentes não podiam passar os dons espirituais que tinham recebido. Desde que somente os apóstolos foram capazes de distribuir dons espirituais (At 8.14-18), uma vez que os apóstolos morreram, como os futuros Papas receberam a capacidade de profetizar sobre assuntos relacionados com a igreja?
   
As Escrituras não fazem nenhuma menção a Pedro ser um Papa, nem mencionam nenhuma sucessão de liderança na igreja, além dos anciãos. As Escrituras também não fornecem nenhuma evidência de que o dom espiritual da profecia continuaria através dos séculos. Em 1 Coríntios 13.8, é-nos dito que o dom da profecia terminaria.


terça-feira, 7 de setembro de 2021

Salvação sem o Evangelho?

 




Por Leonardo Pereira



Muitos de nós se dizem ser cristãos e salvos da escravidão do pecado. Mas, como podemos saber se estamos salvos? Alguns dizem que estão salvos porque a sua igreja ou líderes religiosos assim o dizem. Outros simplesmente se sentem salvos. Outros ainda, afirmam ter "encontrado Deus" da maneira deles. O amplo leque de respostas poderia continuar indefinidamente, especialmente num mundo religioso onde um tema tão simples (como a salvação) é encoberto por confusão e desentendimento. A única maneira de podermos entrar em acordo uns com os outros, e principalmente, ter plena certeza dentro de nós mesmos, é achar e aceitar a resposta de Deus. Nós só podemos saber se estamos salvos quando tivermos obedecido o plano de Deus para nossa salvação. O plano e a certeza da salvação vêm somente através do evangelho de Jesus Cristo, as boas novas que nos mostram o caminho para a redenção.

Paulo disse: "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego" (Rm 1.16). Ele continua através da carta a mostrar que os caminhos e os sentimentos dos homens não são verdadeiros guias para a salvação. Nada pode tirar o papel do evangelho no plano de Deus para a nossa salvação! Reconhecendo que o evangelho é essencial para a nossa salvação exige que nós o estudemos. Revelando a sua vontade para nós no Novo Testamento, Deus nos deu "todas as cousas que conduzem à vida e à piedade" (2 Pe 1.3). Ele nos avisou dos perigos de aceitar ou proclamar quaisquer novos ou diferentes "evangelhos" (Gl 1.6-9). Deus revelou a sua vontade e enfatizou a sua importância. Compete a nós aprender e obedecê-la.

Nossos sentimentos não nos dão confiança segura da salvação. Paulo perseguiu violentamente o povo de Deus (At 22.4,5), entretanto, ele afirma que tinha agido "com toda a boa consciência" (At 23.1). Ele sentiu que estava fazendo a coisa certa. Ele era zeloso diante de Deus. Mas ele estava errado! Nós podemos pensar que estamos certos e demonstrar grande zelo e no entanto estar condenados diante de Deus. Nossos sentimentos não são o padrão com o qual medimos nossa condição diante de Deus.

As doutrinas dos professores humanos não nos fornecem a direção certa para a salvação. Os homens estão constantemente inventando e revisando seus planos para a redenção, conduzindo as pessoas para seguirem centenas de diferentes caminhos, todos os quais supostamente, se dirigem para o mesmo lugar. Não acredite nisso! O evangelho nunca nos diz que podemos seguir caminhos diferentes que levam ao mesmo lugar. Ao contrário, ele diz que podemos chegar ao Pai somente através do Filho (Jo 14.6). Jesus disse que seremos julgados pelas suas palavras (Jo 12.48,49), não pelas doutrinas convenientes aos homens. Para nos beneficiarmos do poder do evangelho, devemos seguir suas instruções. Devemos crer na mensagem que "Jesus é o Cristo, o Filho de Deus" (Jo 20.31). Devemos agir com base nesta fé, nos arrependendo dos nossos pecados e sendo batizados para a remissão deles (At 2.38). Qualquer um que nos oferecer um plano diferente está tentando nos oferecer salvação sem o evangelho!


terça-feira, 31 de agosto de 2021

Davi herdou o pecado?

 




Por Leonardo Pereira



Salmo 51.5 diz: "Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe". Este versículo é frequentemente arrancado de seu contexto para defender a doutrina da depravação herdada. São muitos os problemas com tal interpretação. Outros textos negam claramente a ideia do pecado herdado (Ez 18.20, por exemplo). Jesus usou as crianças como exemplo da pureza inocente que todos nós precisamos adquirir (Mt 19.13-15). 1 João 3.4 nos diz que o pecado é cometido (não herdado). Romanos 5.12 diz que todos nós participamos da morte que Adão sofreu, não porque herdamos seu pecado, mas porque cometemos nossos próprios pecados. Qualquer interpretação de Salmo 51.5 que sugira depravação herdada contradiz estas afirmações claras da Escritura.

Mas o que Davi está tentando dizer? Salmo 51 é o apelo agoniado de um coração ensanguentado. Davi tinha encarado a feiura de seu próprio pecado. Ele não está falando sobre o pecado de Adão, ou de sua própria mãe. Ele fala sobre "minha iniquidade", "meu pecado" e "minhas transgressões" (Sl 51.2,3). O versículo 4 é uma declaração absoluta de culpa pessoal: "Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar." No versículo 4, encontramos as chaves que precisamos para entender o versículo 5. 1) Davi está usando uma hipérbole, ou figura de linguagem exagerada, para ressaltar a profundidade do seu pecado diante de Deus. O fato é que ele não pecou somente contra Deus. Pecou contra Bate-Seba quando cometeu adultério com ela, contra Urias quando roubou sua esposa e assassinou o esposo inocente, contra Joabe que foi o cúmplice involuntário no assassinato de Urias e de outros soldados (2 Sm 11). 2) Davi está realçando a magnitude de seus pecados contra o Senhor. 3. Ele está reconhecendo a pureza e a justiça de Deus em contraste com seu próprio estado pecaminoso.

É aqui que entra o versículo 5, Davi sente-se tão longe da intimidade com Deus, isto é, como se jamais tivesse estado em comunhão com ele. Quando Davi olha para seus próprios pecados desprezíveis, ele não pode imaginar jamais ter andado com Deus. Salmo 51 não é uma defesa da doutrina humana da depravação herdada, e não empresta nenhum apoio a tais práticas não bíblicas como o batismo dos recém-nascidos. Mas este Salmo é um olhar angustiado para a feiura do .pecado e a profundidade do verdadeiro arrependimento.


segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Líderes Cegos

 




Por Leonardo Pereira



Jesus comparou alguns mestres com cegos: “Pode, porventura, um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco?” (Lc 6.39). Deus mandou seu Filho para dar vida aos pecadores, mas os construtores (os líderes religiosos) rejeitaram a principal pedra (1 Pe 2.7,8). Jesus bem identificou o problema de cegueira dos líderes. Em João 7, encontramos um exemplo de pastores com os olhos fechados à verdade. Eles mandaram guardas para prender Jesus. Os guardas ficaram maravilhados com o ensinamento do Cristo que não o prenderam. 

Quando voltaram aos chefes, estes os rebaixaram: “Será que também vós fostes enganados?” (7.47). Com toda a arrogância de homens que se julgavam sábios na palavra de Deus, eles recorreram à sua suposta superioridade espiritual: “Porventura, creu nele alguém dentre as autoridades ou algum dos fariseus?” (7.48). O ponto deles é óbvio: somente as pessoas formadas em teologia teriam capacidade para julgar a palavra de Cristo. O mesmo erro arrogante reprimiu o povo comum durante séculos na história católica. Hoje, muitos pastores protestantes, também, se exaltam por causa de diplomas de seminários e de cursos de teologia. 

Confiando em sua própria sabedoria, os líderes desprezam o povo comum. Os líderes judeus olharam para a multidão e disseram: “Quanto a este plebe que nada sabe da lei, é maldita” (7.49). Mas, o contexto bem mostra que os próprios líderes não estavam examinando as evidências. Recusaram considerar os milagres de Jesus (Jo 5.36). Não interpretaram as Escrituras de modo correto (Jo 5.39-40,45-47). Eram líderes religiosos, mas espiritualmente cegos como morcegos. Hoje, muitas pessoas têm medo de contrariar os seus líderes religiosos. Confiam tanto em pastores e padres que não estudam a palavra por si. Embora outros homens podem nos ajudar a entender algumas coisas da palavra de Deus, jamais devemos confiar em homens acima da palavra de Deus. Cada um será julgado por Cristo (2 Co 5.10). Por isso, cada um deve se preocupar com a palavra que nos julgará (Jo 12.48).


quarta-feira, 28 de julho de 2021

Qual foi o propósito dos milagres na Bíblia?

 



Por Leonardo Pereira



Muitas pessoas hoje estão procurando milagres por motivos egoístas. Querem curas físicas, mas não se preocupam com a saúde espiritual. Querem prosperidade, mas não buscam as riquezas eternas. Igrejas que enfatizam milagres e negligenciam a pregação da palavra de Deus estão alimentando tais apetites. Jesus fortemente condenou atitudes iguais (João 6:26).

Por que Jesus e outros servos de Deus realizaram milagres? O movimento pentecostal, que pegou fogo desde o início do século XX, tem dado grande ênfase às experiências de manifestações do Espírito Santo de uma maneira que os ensinamentos bíblicos são frequentemente esquecidos. Considere as afirmações bíblicas sobre o propósito dos milagres que Jesus e outros realizaram. Os milagres provaram a fonte da mensagem. Quando Deus enviou Moisés ao Egito, ele lhe deu sinais milagrosos para provar que sua mensagem era realmente divina (Êx 4.1-17).

Os milagres de Jesus provaram seu poder para perdoar pecados. Estude o relato de Marcos 2.1-12, observando especialmente as palavras de Jesus nos versículos 10 e 11: "Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados - disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa". O povo entendeu que os sinais introduziram uma nova doutrina. As pessoas em Cafarnaum perguntaram: "Que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!" (Mc 1.27).

O Espírito Santo deu poderes miraculosos aos apóstolos para confirmar a palavra que eles pregaram (Mc 16.20). Paulo descreveu esses sinais como "as credenciais do apostolado" (2 Co 12.12). Alguns anos depois, o autor de Hebreus falou que a palavra dos apóstolos foi confirmada junto com o testemunho de "sinais, prodígios e vários milagres" (Hb 2.3,4). A palavra foi revelada, confirmada, e entregue aos santos uma vez por todas (Jd 3). Já recebemos, nas Escrituras, tudo que precisamos para servir ao Senhor (2 Pe 1.3,4; 2 Tm 3.16,17).

Algumas pessoas vão continuar pedindo sinais, como os incrédulos do primeiro século. Mas nós devemos estar contentes em pregar "Cristo crucificado" (1 Co 1.22,23).


sábado, 24 de julho de 2021

As Coisas de Deus ou as dos Homens?

 




Por Leonardo Pereira



Porque Pedro, que era tão firme pela verdade, às vezes tropeçava?

Pedro é um dos mais fascinantes personagens da Bíblia. Jesus viu o potencial deste "diamante bruto" e trabalhou para lapidá-lo num apóstolo eficiente, que mais tarde se tornou qualificado para servir como presbítero (1 Pe 5.1). Houve momentos de brilho na vida de Pedro. Ele não hesitou de modo nenhum em confessar Jesus, mesmo quando outros estavam inseguros a respeito dele (Mt 16.13-20). Ele proclamava ousadamente o evangelho em Jerusalém, apesar das ameaças dos dirigentes judeus (At 4.18-31; 5.27-32). Ele tinha coragem para obedecer a Deus e pregar aos gentios, mesmo quando isso significava voltar-se contra 1500 anos de tradição religiosa (At 10; 11 e 15).

Mas Pedro também cometeu alguns erros importantes. Ele agia, frequentemente, sem parar para escolher cuidadosamente seu rumo. Nesses momentos, Pedro repreendeu Jesus por falar de sua morte que se aproximava (Mt 16.21-23), e até negou Cristo na sua hora mais difícil (Mt 26.69-75); uma vez agiu como hipócrita ao recusar associar-se com os cristãos gentios (Gl 2.11-17).

Por que o mesmo homem, que era tão firme pela verdade, às vezes tropeçava? Encontramos a chave para o entendimento de Pedro, e talvez de nós mesmos, em Mateus 16. Quando Jesus elogiou a grande confissão de Pedro, disse: "Pois isso não lhe foi revelado por carne nem sangue, mas por meu Pai que está nos céus" (v. 17). Quando Jesus repreendeu Pedro por sua interferência no plano de Deus, disse: "Não tem em mente as coisas de Deus, mas as dos homens" (v. 23). Esta é a chave para nós entendermos Pedro: Quando pensava e agia com base na revelação de Deus, ele luzia brilhantemente. Mas quando permitia à sabedoria humana dirigir, ele tropeçava e pecava.

Pedro aprendeu, finalmente, esta lição. Ele veio a entender a importância do domínio próprio, perseverança e amor, e disse que aqueles que desenvolvessem tais qualidades não tropeçariam (2 Pe 1.3-11). Este é o conselho de um apóstolo que cresceu em Cristo. É a chave para o sucesso espiritual. Precisamos enraizar firmemente nossas vidas na sabedoria da revelação de Deus. Se o fizermos, entraremos no reino eterno de nosso Salvador.


quarta-feira, 16 de junho de 2021

A Reação ao Pecado

 




Por Leonardo Pereira




O primeiro rei de Israel, Saul, era uma pessoa de aparência impressionante. Alto e bonito, tudo indicava que ele seria um rei perfeito. O seu reinado, portanto, demonstrava a verdade que a condição do coração é muito mais importante que a aparência externa. A falha de Saul como rei veio da sua desobediência às instruções divinas. A história de 1 Samuel 15 ilustra bem esta fraqueza de Saul. No início do capítulo, Deus mandou Saul destruir completamente os amalequitas, tanto as pessoas quanto os animais. Os amalequitas haviam feito uma emboscada para o povo de Israel quando eles saíram do Egito, atacando os fracos e os que ficavam para trás e Saul seria o instrumento do castigo de Deus.

O capítulo mostra que Saul e o exército de Israel lutaram, sim, contra Amaleque, mas que pouparam a vida de Agague, rei dos amalequitas, e os melhores animais. A reação de Saul à bronca do Senhor através de Samuel é interessante. Saul cumprimentou Samuel após a batalha, proclamando, “escutei as palavras do Senhor” (1 Sm 15.13), mas Samuel o perguntou a respeito dos animais. Saul então tentou outro jeito; ele alegou que o povo havia guardado os melhores animais para sacrificar ao Senhor. Qual seria uma motivação mais nobre do que sacrificar ao Senhor?

Samuel lembrou Saul do mandamento do Senhor de destruir totalmente os amalequitas. Saul reafirmou a sua obediência, mas finalmente reconheceu que os animais salvos “pelo povo” para o sacrifício deveriam ter sido destruídos. Samuel, porém, não permitiu que Saul, o líder do povo, os culpasse e o informou que a obediência é melhor que o sacrifício. Enfim Saul confessou que havia pecado, reparando que ele temia o povo e assim permitiu que poupassem o rei e os animais.

De grande interesse para mim é o comportamento de Saul depois de confessar o pecado. Ele implorou a Samuel que fosse com ele para que ele pudesse adorar ao Senhor, aparentemente diante do povo. Quando Samuel se recusou, Saul pegou e rasgou as suas vestes. Samuel explicou a Saul que de maneira parecida, o reino lhe seria arrancado, mas Saul ainda implorou a Samuel “honra-me, diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel” (1 Sm 15.30). Parece que Saul estava mais preocupado com os pensamentos dos outros sobre seu rei do que com o remorso pelo seu pecado. A rebeldia causou o seu pecado; o orgulho evitou com que ele reagisse corretamente ao seu pecado.

Todos nós pecamos. Nossa reação ao conhecimento do pecado é crucial. Aqueles que compreendem a verdadeira natureza do pecado, que é uma afronta ao nosso Criador, são levados a tristeza pelo seu pecado. Aqueles que veem o pecado como “nada demais” irão procurar proteger as suas reputações. O orgulho muitas vezes não os deixará reconhecer o seu pecado. A tristeza que vem de Deus, portanto, leva os homens ao arrependimento e a humildade e permite a confissão do pecado (2 Co 7.10; 1 Jo 1.9). Qual é a sua resposta ao pecado?


segunda-feira, 14 de junho de 2021

A Ciência da Fé

 




Por Leonardo Pereira



“Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis...” (Rm 1.20). O debate evolução-criação é frequentemente pintado como sendo “ciência versus fé”. Isto é enganoso, pois presume que a macroevolução seja um fato científico, e presume que a fé não tem base em evidência concreta. É uma afirmação preconceituosa, pois eleva a ciência e rebaixa a fé por modos que evitam a investigação honesta. Queremos considerar a natureza religiosa da evolução, a natureza da fé bíblica e tentar determinar se a fé é razoável ou não. Argumentamos que o assunto evolução-criação não é sobre ciência versus fé. Antes, qualquer crença sobre o modo como as coisas eram no passado exige fé de alguma forma. Queremos saber como a fé desempenha um papel tanto na evolução como na criação.

A natureza religiosa da evolução

No sentido mais amplo, uma religião é algo que faz surgir devoção, zelo e dedicação de seus adeptos. Ela geralmente envolve um código de ética e filosofia. É uma visão do mundo, uma tendência através da qual se vê toda a vida.

A evolução é, realmente, o principal ocupante da religião secular conhecida como “humanismo”, uma filosofia que não deve ser confundida com “humanitarianismo” (ser bom para as pessoas, etc.). Humanismo é um sistema de crença que é desprovido de Deus, considerando os humanos como objetos puramente naturais. É um ponto de vista religioso porque ressalta zelosamente o progresso humano e os padrões éticos e morais através de meios naturais. Seu deus é a própria natureza (ou mesmo a humanidade). Compare isto com o que se pode ler em Romanos 1.18-32. Observe como aqueles desta passagem põem Deus fora de suas mentes, e então se voltam para servir (adorar) a criatura antes que o Criador. Isto se torna a base para eles fazerem tudo o que queiram fazer.

A tendência humanista é vista em Humanist Manifestos I e II. Estes documentos apresentam, em essência, o credo humanista. Ela nega explicitamente Deus, argumentando que a crença no sobrenatural é “ou insignificante ou irrelevante para a questão da sobrevivência ou realização da raça humana. Como não-teístas, começamos com humanos e não com Deus, com a natureza e não a divindade. A natureza pode, na verdade, ser mais larga e profunda do que agora conhecemos; quaisquer novas descobertas, contudo, apenas aumentarão nosso conhecimento do natural” (Kurtz 16). Observe como, começando sem Deus, cada explicação para tudo é naturalista. Não têm espaço para Deus em seu pensamento. Contudo, é a partir desta visão do mundo que eles estabelecem seus próprios padrões éticos e morais pelos quais pensam que todos deveriam viver.

Se não há nada sobrenatural que seja significativo ou relevante, então eles precisam de algum modo para explicar como os humanos e o universo vieram a existir. Entra a teoria da evolução. Ele fornece um “meio intelectual” pelo qual podem responder a tais questões, rejeitar a crença em Deus e estabelecer seu próprio sistema ético. Se somos meramente o resultado do acaso, processos naturais, então devemos ter capacidade e liberdade para buscar qualquer coisa e tudo que nos faz “felizes”. Isto é tudo o que o humanismo é, e a evolução dá o mecanismo para ser capaz de pensar deste modo.

Os evolucionistas geralmente argumentam que há necessidade de separação entre religião e ciência. Contudo, eles parecem ansiosos por usar sua ciência “como uma base para pronunciamentos sobre religião. A literatura do Darwinismo é cheia de conclusões anti-teístas, tais como que o universo não foi projetado e não tem propósito, e que nós humanos somos o produto de processos naturais cegos que não se preocupam nada conosco. E mais ainda, estas afirmações não são apresentadas como opiniões pessoais mas como implicações lógicas da ciência evolucionista” (Johnson 8-9). Eis porque há um tal debate sobre o relato da criação em Gênesis. O que Gênesis descreve contradiz claramente a agenda evolucionista.

Humanistas e evolucionistas são religiosos no seu zelo em evangelizar o mundo, “insistindo que mesmo não-cientistas aceitam a verdade de sua teoria como uma questão de obrigação moral” (Johnson 9). Então, ainda que não exista Deus no pensamento evolucionista e humanista, seus devotos seguidores ainda têm uma filosofia religiosa básica que afeta suas vidas tanto quanto as de qualquer um que creia em Deus. Assim, a questão não é realmente se crêem ou não em Deus, mas em qual “deus” eles confiam.

O que é a fé?

Muitos que pensam que há uma contradição entre ciência e fé definem a  fé como sendo “crença inquestionável” ou “crença sem evidência”. Isto   pinta a fé como sendo cega, às vezes crendo mesmo em algo quando existe evidência para mostrar que esta crença é errada. Tal fé dizem ser “comum em contextos religiosos” (Burr e Goldinger 533). Isto pode descrever a fé de alguns, mas é este o quadro da fé que nos é dado na Bíblia? De modo nenhum; de fato, tal visão da fé escapa da verdade seriamente.

Na Bíblia, a fé pode ser definida como completa confiança, confidência ou segurança. “Crença” é, talvez, uma das melhores palavras para descrever a fé. Ela vai além de simplesmente crer em alguma coisa. Muitos crêem em coisas, mas não querem pôr sua confiança em suas crenças. Isto não é fé. A verdadeira fé é atingida quando as pessoas sabem no que crêem, porque crêem nisso, e são devotados a agir por suas crenças. Tiago 2.14-26 mostra que tal ação é necessária de modo a exercer a fé que agrada a Deus. Quando a verdadeira fé existe, ela permanece como o embasamento para a esperança, e dá os meios pelos quais podemos ser agradáveis a Deus (Hb 11.1,6).

É um conceito enganoso pensar que toda fé seja desprovida de evidência. A fé não exige que se seja uma testemunha ocular de tudo o que é acreditado, mas deverá apoiar sobre evidência adequada. Por exemplo, tenho fé em que minha mãe seja realmente minha mãe física. Eu não verifiquei isto cientificamente, mas a evidência é tal que não seria razoável eu pensar de outro modo. Há testemunhas oculares e documentos como evidência. Agora, eu confio que isto seja verdade, mas não é fé cega de modo nenhum. Eu também tenho fé em minha esposa. Eu confio que quando ela promete fazer alguma coisa, ela o fará. Eu não testemunhei tudo o que ela sempre tem feito, mas seu registro é tal que eu deverei ter fé nela. Isto não é crença sem evidência, mas tampouco eu posso verificar cientificamente esta fé.

Quando se trata de fé em Deus como Criador, acreditamos que a evidência é tal que garante a resposta de fé, ainda que não possamos cientificamente provar tudo sobre Deus. Na Bíblia, muitos exemplos mostram um apelo à evidência de modo a confirmar uma declaração e promover fé. Leia João 10.37,38 e Mateus 11.2-5. O próprio Jesus apelou para o que poderia ser visto e ouvido. Ninguém estava pedindo a outros que acreditassem sem evidência. A fé bíblica não é ingênua. Então, o que tudo isto tem a ver com o conflito sobre a evolução? Primeiro, mostra que a representação disto sendo uma contradição entre “fé e ciência” é falsa. Admitimos que a fé é envolvida em crer na criação, mas isto não nega ou contradiz o estudo científico. Segundo, contudo, é a necessidade de entender que a prática da ciência em si envolve um grau de fé. Aqueles que aceitam a teoria evolucionista o fazem na base da fé. Eles acreditam que têm evidência ao pensar do modo como o fazem, e baseados nisto eles põem sua confiança em suas teorias.

A ciência em si é baseada em certas pressuposições, tais como a realidade da verdade, a capacidade da mente humana de perceber adequadamente o mundo e a idéia de que os números e a linguagem têm significado verdadeiro. Estas coisas não podem ser comprovadas cientificamente, por isso um certo grau de fé precisa ser exercido. Mais ainda, o próprio sistema evolucionista exige crença. Todo o conceito de que a vida começou sem inteligência e que tudo existe e chegou ao estado presente através de um processo não dirigido é uma crença. Não pode ser cientificamente verificado nem falsificado. A idéia de que a vida começou em alguma substância como uma sopa e então gradualmente evoluiu para se tornar animais terrestres, depois como criaturas voadoras, é uma crença. Precisa-se “confiar” que esta crença seja verdadeira, pois nunca foi cientificamente comprovada. O assunto, então, não é se a fé está ou não envolvida na batalha sobre criação e evolução; a fé está envolvida. O assunto é a própria evidência, e como esta evidência tem que ser interpretada. Como esta evidência é interpretada depende da fé e da tendência que se tem. A questão real então cai para qual fé, ou qual tendência, é a mais razoável para se ter.

A fé é razoável?

A fé é uma parte essencial da vida diária. Confiamos em que as coisas  operarão normalmente, e passamos o dia com tal confiança. Contudo,   raramente pensamos nela nestes termos. Pense nisso. Quando comemos uma refeição, não confiamos naqueles que a prepararam? Se comprarmos alguma coisa no mercado e a comermos, não estaremos confiando que aqueles que a fizeram e a colocaram ali não a envenenaram? Quando um dos pais ou esposo põe uma refeição na mesa, quem não confia que um deles não pôs nela algo que nos matará? Não confiamos em outros membros da família quando vamos para a cama à noite? Confiamos que nossos amigos, nossos empregadores e outros são o que são. Não fazemos normalmente qualquer investigação científica, mas geralmente cremos e pomos nossa fé em outros diariamente. Ficaríamos loucos se não fizéssemos isso.

Quando entro no meu carro e giro a chave, eu confio em que ele funcionará. Se não, eu posso ficar irritado e começar a dizer que é um veículo “infiel”. Há, ainda, um exercício de fé. Temos sucesso, empenhamo-nos em atividades e vivemos nossas vidas com crenças e com fé. É razoável viver deste modo? Mais uma vez, imagine como seria se não vivêssemos deste modo. Seria o caos, o desespero e a paranóia. De fato, argumentaríamos que não é razoável não viver deste modo. Quando se trata de fé em Deus, percebemos que não podemos provar cientificamente tudo, mas isto não muda a natureza razoável de nossa fé. A evidência existe, e confiamos nela (Sl 19.1). A fé é razoável quando apresentada com a evidência de um Criador.

Não é razoável argumentar que a fé é oposta à ciência, uma vez que a própria ciência exige um grau de fé. Então, a posição razoável é que a fé é parte da vida; onde pomos a nossa fé depende de como vemos a evidência que nos é apresentada.

Em resumo

A fé e a ciência são compatíveis. Devemos evitar vê-las como opostos, e começar a ver como podem trabalhar juntas. Uma não desaprova a outra, ao contrário elas podem ressaltar e ajudar uma a outra. A crença na evolução realmente tem uma natureza religiosa em si. Muitos seguidores devotos buscam evangelizar outros a respeito dela, e pronunciam coisas negativas sobre a crença em Deus. A evolução é uma parte do humanismo secular, um sistema que é sem Deus. Não deveria, portanto, ser vista como apenas uma outra maneira válida de ver o mundo.

O macro evolucionismo é intrinsecamente oposto à criação

A fé envolve confiança. Aqueles que crêem num Criador o fazem pela fé, aqueles que acreditam na evolução também têm uma fé. Assim, não é que a ciência seja toda pela evolução, enquanto a religião é apenas crença supersticiosa. A evolução é uma fé, e assim é a criação. Com isto em mente, pode-se por a criação e a evolução em condição de comparação para ver qual é mais razoável. Nossa asserção é que a criação é a posição razoável.


quarta-feira, 21 de abril de 2021

Alegria Inevitável

 




A questão levantada pelos discípulos de João sobre os modos festivos  de Jesus e seus discípulos num tempo que eles viam como cheio de   tragédia (Mt 9; Mc 2; Lc 5) mais tarde apareceu numa inquirição queixosa do próprio prisioneiro João: "És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?" (Mt 11.3). Era o grito ansioso de alguém cujos sofrimentos tinham-no aparentemente feito duvidar por um momento do próprio Rei e do reino que ele próprio tinha proclamado. Depois de responder a pergunta de João, Jesus falou de sua incomparável grandeza à multidão reunida e então repreendeu-a, observando que eram pessoas como crianças teimosas em seus jogos, que se recusavam a brincar de casamento ou de funeral (Mt 11.16-19). João tinha vindo jejuando e vivendo isolado e eles tinham dito que ele era possuído por um demônio. Jesus veio festejando e vivendo livremente entre eles, e tinham se queixado que ele era glutão e comparsa de pecadores!
   
Uma Missão de Alegria

É inquestionável que Jesus identificava sua missão e sua mensagem como sendo de alegria. Ele é o verdadeiro noivo que nos convidou para uma festa de casamento. Ele veio trazer paz aos perturbados, perdão para os culpados, alegria para os abatidos, liberdade para os escravizados (Is 61.1-3). A mensagem e o jejum de João e seus discípulos tinham sido inteiramente apropriados a tempo -- e ainda é -- quando homens e mulheres, em sua teimosia e orgulho, precisam arrepender-se e humilhar-se diante de um santo e justo Deus. Mas não faz sentido para aqueles que se arrependeram em profundo remorso continuar o funeral quando "... o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" chegou (Jo 1.29).
   
João Batista e Jesus Cristo

É irônico que foi o próprio João Batista que antes tinha dito, "Eu não sou o Cristo.... o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Convém que ele cresça e que eu diminua" (Jo 3.28-30). Por que estavam os discípulos deste próprio João jejuando e lastimando? Porque ainda não tinham crido que Jesus era o Cristo de Deus. Em suas mentes duvidosas, o "noivo" ainda não estava com eles. Diferindo do seu mestre, ainda não tinham chegado a saber e regozijar nele. Ainda há pessoas que têm dificuldade para passar de João a Jesus. É certamente verdade quanto aos membros do partido "Batista", que defendem seu nome e espírito sectário apelando para João Batista, ao invés de Cristo. Pode ter sido uma vez apropriado ser um discípulo do Batista mas, agora que o próprio Filho de Deus veio, isso é totalmente sem justificação (At 19.1-5). João teria sido o primeiro a reprová-lo. Atos 11.26 diz: "foram os discípulos... chamados cristãos".
   
Gloriando-se no Senhor

O mesmo é verdade quanto a todos os que reverenciam homens que falam de Cristo, acima do próprio Cristo. Não há, absolutamente, nenhuma defesa para homens alegremente chamando-se luteranos ou wesleyanos, e outras coisas, ou, mais sutilmente, tranquilamente estimando pregadores contemporâneos e seus julgamentos acima da pessoa e vontade de Deus. "Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor" (1 Co 1.31; cf. 1.11-13). Mas há um problema, ainda mais fundamental, abordado na resposta de Jesus aos discípulos de João. Jesus disse que estar com ele era ter alegria. Contudo, há cristãos que aceitaram o convite para a festa de casamento do Senhor, mas parece que não estão querendo sair da marcha fúnebre. Eles parecem determinados a viver em perpétua aflição e desespero pelas suas imperfeições e fracassos. O convite do Senhor para comemorar e exultar em sua misericórdia certamente não é chamar para viver com ocasional indiferença pelo pecado, nem é também um chamado para um perpétuo bater nos peitos, uma vez que nos arrependemos e buscamos seu magnânimo amor.
   
Não é adequado que cristãos vivam na presença do próprio Senhor como povo derrotado e desesperado. Tal comportamento se torna uma injúria contra sua benignidade. Não é adequado também que o povo de Deus tenha que servi-lo como "escravos indo açoitados para o seu calabouço", cumprindo seu serviço a Ele como um dever oneroso e opressivo. Tal conduta é uma difamação de sua graça, uma acusação que desonra seu amor. Para viver verdadeiramente na feliz companhia do Filho de Deus terá de saber que seu jugo é suave e seu fardo é leve (Mt 11.30).
   
Conclusão

Pode não ser possível, na verdade, dominar uma emoção, mas é possível decidir olhar sinceramente para as grandes verdades sobre Deus que, se assim fizermos, nos trarão alegria inevitável. Assim Paulo diz aos filipenses, "Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos" (Fp 4.4). Simplesmente, não é certo para os cristãos estarem perpetuamente tristes e desconsolados, quaisquer que sejam suas cargas. Paulo está certo em dizer que há bastante alegria em Cristo para suplantar completamente todas as nossas tristezas. Como o próprio nosso Senhor disse, há algumas coisas que justamente não são adequadas quando estamos vivendo na amável companhia do Rei do universo.


Referências:

BARBOSA, Maxwell. Ações de Graças. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.

Bíblia Sagrada. Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

BARROS, Emanuel; Souza, Everton. O Progresso do Evangelho. São Paulo: Evangelho Avivado, 2018.

CABRAL, Elienai. Filipenses. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.

NEVES, Natalino das. O Cuidado de Deus com o Corpo de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.

RIBEIRO, Anderson. A Mensagem de Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.

RIBEIRO, Anderson. 1ª Coríntios. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.




terça-feira, 2 de março de 2021

Tomé e a sua Incredulidade - Jesus Cristo é o SENHOR

 




Por Carlos Alberto Júnior



Texto Bíblico: "ᴅɪssᴇ-ʟʜᴇ ᴊᴇsᴜs: ᴇᴜ sᴏᴜ ᴏ ᴄᴀᴍɪɴʜᴏ, ᴇ ᴀ ᴠᴇʀᴅᴀᴅᴇ ᴇ ᴀ ᴠɪᴅᴀ; ɴɪɴɢᴜᴇ́ᴍ ᴠᴇᴍ ᴀᴏ ᴘᴀɪ, sᴇɴᴀ̃ᴏ ᴘᴏʀ ᴍɪᴍ" (Jo 14.6 – ACF, 1994).

João 14.6 Disse-lhe Jesus
A expressão “disse-lhe" pode ser identificada de outras formas em outras traduções:

Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
-- Versão Almeida Revista e Atualizada

Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.
-- Versão Almeida Revista e Corrigida

Respondeu Jesus: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.
----NVI Nova Versão Internacional

Jesus respondeu: —Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim.
-----(Nova Tradução na Linguagem de Hoje).

A expressão Eu sou o " Senhor ".

Com as análises do versos citados acima encontramos as seguintes expressões:

  • Jesus respondeu :
  • Repondeu-lhe Jesus:
  • Disse-lhe Jesus:

Se Jesus respondeu, é porque toda pergunta tem resposta. Jesus respondeu aos questionamentos feito por Tomé e os demais. Ao lermos o verso anterior de João 14:1,2,3,4 e 5, entendemos que o sermão se tratava do propósito de Jesus Cristo nesta terra.  O Verbo encarnado (Jo 1.12 - Palavra), veio a essa terra, conviveu com os doze discípulos, os amou, se entregou na Cruz do Calvário (Jo 3.16), prometeu morada nós céus (Jo  14.1,2), retornaria  ao Pai "Deus" e Voltaria para os seus (Jo 14.3). 

O Discípulo Tomé

Um discípulo chamado Tomé estava em dúvida a respeito da mensagem que Jesus Cristo disse em João 14. Tomé foi um dos doze apóstolos de Jesus. Em algumas passagens bíblicas ele é chamado de Dídimo, que significa “gêmeo” (Jo 11.16; 20.24; 21.2).  Ao examinarmos  o verso de João 14:6, temos a seguinte expressão " Senhor", esse  termo surgiu  no (HEBRAICO) ‘ADONAY” que significa também  "Senhor", Jeová ou SENHOR em algumas traduções.  No Antigo Testamento, a expressão começa com letra Maiúscula "S" refere-se à uma Divindade, expressões com letras minúsculas "senhor" pode se referir a outros significados. 

A expressão “Senhor”, é traduzido do grego para “kurios”, Ela aparece 750 vezes no Novo Testamento, em sua maioria referindo-se a Jesus Cristo. Em vários lugares, esta palavra é usada como equivalente ao nome pessoal de Deus no Velho Testamento - JEOVÁ".[1]. O "Senhor" Jesus Cristo veio salvar os perdidos, os próprios discípulos reconheceram isso em João 6.68:  Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

João 6.69: E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente. Eles reconheceram? 

Então por que no capítulo 14 do livro de João a Bíblia diz que Tomé não sabia o caminho? Lermos assim: Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? Nos Capítulos anteriores, Pedro afirmou que só Jesus " Senhor " tem as palavras de vida eterna em João 6.68? Isso é contradição? Não!

A resposta é, que, por mais que os discípulos andassem com o Senhor, ainda estava em dúvidas, eles precisavam realmente saber o real sentido do propósito da redenção.

A pergunta, seguida da resposta. 

  • Pergunta: Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? 
  • Resposta: Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? (Jo 14.9).

Ele é o Senhor que salva o homem do pecado, foi através D´Ele, que, os seus discípulos compreenderam, que, não poderiam ir ao Pai (Deus), se não for por Ele o filho, O nosso Senhor Jesus Cristo ".

Eu sou o Caminho

Jesus é o Caminho: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6).
Jesus é a Verdade: E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (Jo 8.32). Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade (2 Tm 3.7).

Jesus é a Vida

“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição” (Jo 11.25); “E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede” (Jo 6.35).

Ninguém vem ao Pai

“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44); “E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido” (Jo 6.65).

MEU SENHOR!

Jesus Cristo o (Senhor), ensinou os seus discípulos o propósito da Redenção.  O mesmo Tomé que perguntou em João 14:5, foi o que duvidou da aparição do seu Senhor: “Ora,( Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus). Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o meu dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo(...); E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram (Jo 20.24-29).
A primeira expressão " Senhor" em João 14:5, denota uma fala de dúvidas, Na segunda menção Senhor em João 20:28, Ele disse Meu Senhor! ou seja eu creio que es o Filho de Deus, que ressuscitou dentre os mortos e cumprirá o que prometeu.

Conclusão 

Andar com Jesus não é somente chama-lo de Senhor, mas reconhece a sua voz, seus ensinamentos e suas ordenanças. Tomé  confessou: Senhor meu, e Deus meu!


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

O Caminho da Fé e do Amor

 




Por Robson Diaz



Andar segundo os princípios da Verdade nos torna segundo o coração de Deus e faz com que suas bênçãos nos alcancem. A esfera espiritual detém leis que devem ser observadas e obedecidas, para que tenhamos saúde espiritual plena, para suportar, esse mundo físico atribulado. Digo devido às aflições que fazem parte do nosso cotidiano. O próprio Jesus disse: O Evangelista João escreveu as palavras de Jesus “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (Jo 16:33). Para que possamos iniciar a trajetória no mundo espiritual, devemos percorrer caminhos específicos. Verdade é, que para se conseguir perdão é necessário percorrer o caminho do arrependimento. E o resultado é a libertação da clausura do pecado, que pelo sangue de Cristo nos torna  brancos como a neve.

O caminho que devemos percorrer para que nossa fé seja evidenciada no mundo espiritual é o caminho do Amor. Consequentemente somos agraciados abundantemente por Deus em nossas vidas. Paulo relata em sua carta aos Gálatas 5.6: “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor.“ A FÉ opera pelo amor. Algumas crentes possuem uma fé tão pequena, mas conseguem resultados espirituais tão grandes que chego a pensar que em mim não existe fé. Em contra partida existem pessoas que tem Fé sobrenatural, lutam o tempo todo e o dia inteiro, profetizam, falam línguas estranhas, repreende a Satanás, mas vivem tensionadas espiritualmente. Talvez por que lhe falte AMOR. Amor por Deus e pela Igreja.

Por exemplo, pode ser que uma pessoa tenha uma fé maravilhosa, mas quando ela se prostra diante de Deus, adora-o apenas por um breve instante, e direciona toda sua fé para orar pela resolução de seus problemas ou para repreender a satanás em sua vida naquele instante se esquecendo que o Amor entre a criador e a criatura supera todas as coisas sendo maior que todas coisas. Na realidade, essa pessoa está erguendo um altar espiritual para o seu problema, e tirando Deus do altar que ele deveria ocupar em nossa vida.

São muitos os altares espirituais erguidos em detrimento do altar do Senhor da Glória: altar dos problemas no casamento, altar financeiro, altar de doenças, altar da depressão, altar da síndrome de coitadinho, altar de fracassos e derrotas, altar de lutas e perseguições, e muitos outros.  Por esse motivo muitos crentes estão doentes espiritualmente. Sabem o que é a fé e como utilizá-la, como está escrito em Hebreus 11, mas não percorrem o caminho necessário para alcançá-la em sua plenitude. Esse caminho é o AMOR.

E nós sabemos muito bem o que é o amor. Basta voltarmos um pouquinho antes da carta aos Gálatas e irmos até 1 Coríntios 13:

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. (1 Co 13.4-7).

Portanto, devemos exercitar nossa fé para que alcancemos o impossível, mas devemos trilhar o caminho do AMOR à Deus acima de todas as coisas. Devemos sofrer pela nossa carne, ao rejeitarmos os pecados e prazeres transitórios deste mundo. Exercer a bondade e sermos sempre humildes, procurando em primeiro lugar satisfazer a vontade do nosso Deus, que consiste em que amemos uns aos outros como a nós mesmos, e isso inclui nossos próprios inimigos. Tratar sempre com mansidão e temperança, e buscarmos com todas as nossas forças a verdade e a justiça. Devemos imitar sempre o exemplo de Cristo, que se negou a si mesmo, negando a própria vida, pois Ele é a Vida e o Autor da Vida, para que nós pudéssemos viver e Nele viver com AMOR.

Então, nossa fé se operado com amor produzirá resultados sobrenaturais!


segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

A Cura de Naamã - Milagres Acontecem ainda Hoje

 


Por Leonardo Pereira



Quase 3.000 anos atrás, a nação de Israel sofria com a opressão do povo da Síria. Uma menina hebreia foi levada para ser escrava da mulher de Naamã, comandante do exército da Síria. Mesmo nessa circunstância, a menina mostrou bondade e se compadeceu de Naamã, que sofria da doença de lepra. Ela falou sobre Eliseu, um profeta em Israel, e sugeriu que este homem teria condições de curar a lepra de Naamã.

Naamã aceitou a sugestão e foi para Israel. Por meio do rei de Israel, ele conseguiu contato com Eliseu e foi até a casa do profeta. Eliseu não ficou lisonjeado com a visita desse dignitário e nem atendeu o visitante pessoalmente. O profeta mandou um mensageiro para orientar o comandante. A instrução foi simples: “Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo” (2 Rs 5.10). Naamã ficou indignado, porque a atitude do profeta não correspondeu às suas expectativas. Ele imaginou que Eliseu faria um ritual de cura pessoalmente, não que mandaria se mergulhar em um rio sujo! Ele até citou os nomes de rios melhores na sua própria terra. Ele foi embora bravo, mas os oficiais de Naamã conversaram com ele e o comandante mudou de ideia. Foi ao rio Jordão, mergulhou sete vezes e ficou completamente curado!

Naamã voltou e insistiu que Eliseu recebesse um presente em pagamento pela cura, mas o profeta recusou. Depois da saída de Naamã, o servo de Eliseu, um rapaz chamado Geazi, correu atrás e pediu uma pequena parte dos bens que Naamã havia levado para dar ao profeta. Naamã não hesitou, e lhe deu o que pediu. Quando Geazi voltou, ele mentiu para Eliseu sobre o que havia feito. Em consequência dos seus atos, ele e seus descendentes sofreram com lepra. Vamos observar alguns pontos dessa história que nos ensinam lições importantes:

1: Devemos vencer o mal com o bem. A menina escrava mostrou bondade para as pessoas que a maltratavam. Ela mostrou exatamente a atitude que os apóstolos ensinaram no Novo Testamento (1 Pe 3.9; Rm 12.17-21).

2: As instruções de Deus não precisam fazer sentido para nós. Naamã tinha certas expectativas, mas foi decepcionado pela orientação que o profeta lhe deu. Não queria obedecer e, assim, quase perdeu a oportunidade de ser curado. Hoje, até muitos líderes religiosos passam os ensinamentos bíblicos pela peneira do raciocínio humano e recusam obedecer algumas instruções que o Senhor deixou. Consideremos um exemplo simples. Jesus e os apóstolos ensinaram a necessidade do batismo para receber a salvação, para alcançar o perdão dos pecados (Mc 16.16; At 2.38). Muitos religiosos, incapazes de conciliar essas ordens com seu entendimento da graça de Deus, descartam o batismo ou o tratam como um símbolo bonito, mas desnecessário.

3: O servo fiel ao Senhor não vê sua obra como fonte de lucro. Eliseu recusou usar seus dons para adquirir riquezas. É triste observar quantos pastores da nossa época fazem exatamente o oposto. Por seus constantes apelos financeiros, praticamente vendem as supostas bênçãos. Paulo avisou sobre homens que “não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos” (Rm 16.18).

4: A ganância leva à ruína. No caso de Geazi, a consequência foi imediata e visível. Em outros casos, pode demorar, mas virá. Paulo contrariou as doutrinas que dominam a religião atual quando disse: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição” (1 Tm 6.8,9).

Devemos aprender as lições da história de Naamã.



quinta-feira, 29 de outubro de 2020

O Maior Cenário da História da Humanidade

 


Por Leonardo Pereira


Nenhum nascimento mais importante jamais aconteceu. A chegada do Messias, naquele humilde cenário em Belém, foi o acontecimento que preparou o caminho para as mudanças mais profundas e benéficas que o mundo jamais viu. Aqueles que hoje têm pelo menos uma aparência de respeito pelo Salvador imaginam a cena do seu nascimento com adoração pela criança que nasceu para morrer por todos nós. Mas como teríamos reagido à chegada de Deus entre os homens se fôssemos vivos no tempo em que ele nasceu?

Talvez muitos de nós nos coloquemos nos cenários bíblicos com a grandiosa imaginação de que nos teríamos elevado sobre as multidões com fé inabalável. Mas, naquele tempo, até mesmo os tão criticados escribas e fariseus tinham tão exaltadas ideias a respeito deles mesmos (Mt 23.30). Os relatos em Mateus e Lucas das reações variadas ao recém chegado Messias podem ser exatamente os espelhos de que necessitamos para olharmos a nós mesmos. Considerem aqueles que saudaram o Salvador.

Pastores: Visitantes honestos e humildes (Lucas 2.8-10)

Deus mandou os anjos mensageiros, não a Augusto ou Herodes, mas aos simples pastores. A revelação de Deus convidou estes observadores, homens honestos e humildes, à ação. Eles foram ansiosos ao Senhor e imediatamente começaram a espalhar as boas novas. Inda que Jesus tenha crescido de todas as maneiras (Lc 2.52). Ele nunca se elevou acima de tais ambientes de pessoas simples e sinceras. Seus seguidores foram principalmente os pobres homens do campo, tão frequentemente desprezados e ignorados pelas pessoas "religiosas" daquele tempo. O mesmo é verdade hoje em dia.

Simeão: Aquele que não descansaria enquanto não encontrasse Cristo (Lucas 2.25-35)

Que grande descrição do singelo propósito da vida de Simeão: "homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel" (v. 25). Deus assegurou a tal pessoa que ela viveria para ver o Cristo (v. 26). Somente quando essa divina promessa se cumpriu, no templo, Simeão pode partir em paz (v. 29). O semblante de Simeão é refletido nas faces dos que buscam diligentemente e que não desistirão antes de encontrar a Verdade que liberta os homens. Os Simeões de todas as épocas concluem que a vida sem Cristo é incompleta. A afirmação do Espírito a Simeão é repetida por Jesus a quantos procuram incansavelmente pela verdade: "Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra: e a quem bate, abrir-se-lhe-á" (Mt 7.8).

Ana: Devota serva que repartiu as notícias (Lucas 2.36-38)

Em Ana vemos o retrato de uma das mais suaves imagens na terra: uma santa idosa, cuja vida foi devotada ao serviço de Deus. Horas passadas aos pés ou ao lado dos leitos de aflição de tais soldados não são nunca desperdiçadas, pois vemos mesmo na face da morte a graça e o caráter moldados através de longos anos de dedicação e submissão ao Mestre. Ana era uma dessas servas, mas seu turno de dever neste mundo ainda não tinha chegado ao fim. Não era de seu feitio retirar-se para um lugar de descanso enquanto alguém mais jovem assumia o posto, mas mesmo em sua idade avançada ela "dava graças a Deus, e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém" (v. 38). Com Ana podemos aprender a seguir uma vida de incansável serviço como pessoa que verdadeiramente ama contar a história de Jesus.

Os magos do Oriente: Vieram de longe em busca (Mateus 2.1-12)

Seja por causa dos mistérios envolvendo os homens ou pelos meios especiais pelos quais eles foram trazidos a Cristo, os magos eram dos mais fascinantes entre aqueles que saudaram o Salvador. Nossa visão mais próxima desta espécie de homens pode ser encontrada em Daniel, quando os astrólogos e os feiticeiros eram apontados à vergonha ao serem comparados com aqueles cuja confiança estava na genuína revelação de Deus. Ainda mais, tais religiões falsas e inadequadas poderiam ser usadas por Deus para apontar aos homens a direção certa. Os magos observavam a natureza, e Deus apontava a eles as Escrituras, que lhes apontavam a Cristo. Sem a revelação da palavra de Deus, estes homens não poderiam mesmo chegar ao Rei que havia nascido para salvar os homens. Outras passagens demonstram a sabedoria do Senhor ao trazer homens de tão "longe" para a completa revelação da Verdade (cf. Sl 19; Rm 1.16-20; At 17.24-31).

Herodes: Aquele que não queria ceder (Mateus 2.13-18)

Conhecido por sua violência e mania de grandeza, Herodes estava perturbado com as notícias sobre o Cristo (v. 3). Ele estava inquieto só em pensar que poderia ser compelido a mudar e ceder o poder a outro. Admitir abertamente sua atitude em relação ao filho de Deus poderia trazer certos riscos; contudo, Herodes fingiu um desejo de adorar e honrar a Jesus (v. 8). Finalmente, Herodes mostrou sua verdadeira intenção quando ele tentou destruir Jesus (v. 16).

Herodes é, de vários modos, um espelho bem polido de muitas pessoas para com Cristo. Ele é o tipo daqueles que estão perturbados pelo evangelho, inquietos sobre qualquer coisa que possa exigir que eles mudem. Tais pessoas, como Herodes, podem parecer que servem a Cristo, enquanto, realmente, apenas representam uma peça para outros homens verem. Em vez de verem Jesus como o Salvador que pode conduzi-los à liberdade e à glória, eles o-veêm como uma ameaça que poderá destroná-los de soberbas posições na vida. Assim como Herodes procurou matar Jesus, tais pessoas batem o prego nas mãos dele ao tratarem o seu sacrifício como inútil e vão (Hb 6.6; 10.28,29).

A multidão: Indiferente para com Jesus

Houve outros que tiveram oportunidade de saudar Jesus: aqueles que passavam por José e Maria enquanto eles caminhavam para o templo, em Jerusalém; aqueles que viveram na mesma vizinhança, enquanto Jesus crescia; mesmo seus próprios parentes, que viajavam na mesma companhia naquelas jornadas a Jerusalém, por ocasião das festas. A vasta multidão que assim encontrou Jesus simplesmente passou por ele sem notar. Para ela, ele era somente o filho do carpinteiro ali da rua. Sua presença, que tinha poder para dar significado a suas vidas mal traçadas, era olhada como sendo comum e insignificante.

Está a multidão de nossos dias um pouco melhor? É dada a Jesus a oportunidade de transformar as vidas de homens e mulheres, ou passam por ele sem nem um momento de atenção séria?

Como devemos saudar o Salvador?

Não vivemos na Belém de 2000 anos atrás. Não ouvimos as vozes da haste celestial ou o grito das mães cujos recém-nascidos foram trucidados. Nós não vimos sua estrela no oriente, nem ouvimos as impressionantes palavras de Simeão. Entretanto, temos que determinar como saudaremos o Salvador. Será como o humilde pastor? Como Simeão, o que esperava? Como a devota Ana? Como os magos que só se deram por satisfeitos quando chegaram ao Cristo? Ou seria nossa saudação como a saudação maníaca e ameaçadora de Herodes ou a apática desatenção da população? Como você saúda Jesus?


Referências:

ALLAN, Dennis. Saudando o Salvador. Artigo publicado em: https://estudosdabiblia.net/d4.htm. Visitado em: 27/10/2020.

CAMPOS, Ygor. Panorama Bíblico Volume 5 - Evangelhos e Atos. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.

GONÇALVES, José. Lucas. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

GONÇALVES, Matheus. O Evangelho do Médico Amado. São Paulo: Evangelho Avivado, 2019.

RIBEIRO, Anderson. A Mensagem de Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

A Ênfase da Paz




Por Leonardo Pereira



A ênfase em paz entre pessoas hoje em dia quase sempre parte para apelos para tolerância de diferenças e a rejeição de qualquer noção de convicções absolutas sobre o certo e o errado. Aqueles que pregam a tolerância acima de tudo são intolerantes com as pessoas que enfatizam princípios morais, éticos e espirituais absolutos revelados por um Ser Superior. 

Aqueles que tiram do contexto e frisam acima de tudo as palavras de Jesus, “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7.1), tipicamente aproveitam toda oportunidade para julgar os que julgam! As tentativas de superar ou ignorar a revelação da Palavra de Deus deixam no seu lugar as opiniões da moda da sociedade ou, pior ainda, de uma elite que conduz governos e os pensamentos da maioria. Se Deus não determina a distinção entre o certo e o errado, os presidentes e juízes de países influentes vão defini-la.

A paz espiritual que Deus deseja é fundamentada na aceitação da mensagem exclusiva revelada por Deus. O pluralismo não traz paz. A submissão a Deus e às doutrinas reveladas por ele é o único caminho à paz que Jesus deseja (Ef 4.3-6). O verdadeiro seguidor de Cristo não avança a causa do seu Rei por meios carnais e militares. Apesar de muitos abusos históricos e atuais no nome do cristianismo, o ensinamento das Escrituras sempre foi claro. 

Não se engane, a Bíblia usa linguagem de guerra para falar sobre o papel dos cristãos no mundo, mas as armas não são carnais e não têm o objetivo de matar as pessoas que discordam. São armas de amor! Paulo escreveu aos cristãos coríntios: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Co 10.3-5).

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Lei e Graça - Temas Basilares da Doutrina Cristã




Por Leonardo Pereira


Se existe um assunto que sempre vai em discussões acerca das doutrinas das Escrituras Sagradas, certamente entra nesta temática as doutrinas da lei e da graça de Deus. Isto vem de épocas e não somente traz conflitos de dúvidas quanto os detrimentos de uma ou de outra. O fato é que muitos hoje não explicam claramente sobre a lei e a graça. Existem muitos ensinamentos bíblicos que ao invés de abordarem amplamente sobre ambas as temáticas, existem estudos que tratam com desdém em muitos pontos da graça e também da lei. Ainda que haja diferenças de modo de vida e de características do evangelho para o período da Lei, ambas possuem a sua imensa importância para a nação de Israel, as demais nações, para a Igreja Primitiva e sobretudo, para a igreja triunfante. Neste artigo, procuro abordar um pouco de ambas de maneira que os estudos tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, se complementem partindo da velha aliança para a nova, do vinho velho para o novo, dos sacrifícios para o caminho vivo e com livre acesso completo e direto para com o Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Falemos acerca da lei, da graça, da antiga e da nova aliança voltados para Israel, as demais nações e agora, para a Igreja de Deus.

O que é a Lei?

Quando se fala da “Lei” é bom especificar a qual refere pois pela Bíblia, existe várias leis e significados da palavra “lei”. A lei pode ser a ordem de eventos estabelecida (lei da luz, som e da relação entre os elementos químicos). Neste caso as leis podem ser interpretadas simplesmente como fatos. A lei pode ser também a força que causa a ordem de eventos (lei da gravidade, de calor, da eletricidade, do pecado, etc.). A lei pode referir-se também àquela que obriga a consciência à moralidade. Por existir uma norma há obrigação de conformidade à ela (à lei moral que não é escrita ou à qualquer lei que é escrita enquanto tem uma operação legítima). Na Bíblia, ao referir à lei de Moisés, não se acha a distinção de lei “moral”, “cerimonia” ou “civil” mas somente: “lei”, “lei do Senhor”e “lei de Moisés”. Nisso podemos entender que aquele chamada popularmente “O Decálogo” é só parte da lei e não “a lei” em si.

A Lei em sua Completude

Há muitos que querem distinguir o decálogo como a mais importante parte da lei, a parte moral, e as outras partes, as cerimonias ou civis, inferiores. Essa distinção popular não é uma distinção bíblica. O decálogo, os dez mandamentos, não são a única moral na lei, mas, faz parte do que foi dada a Moisés no monte, escrito pelo dedo de Deus, é parte de que é dado pela inspiração e escrito pela mão de Moisés.  É claro que a lei tem as partes morais, cerimônias e civis. Essas partes, em si, não são distinguidas como sendo maior ou menor da “lei” mas contrariamente, a própria lei. A parte cerimonial (sacrifícios) é chamada “lei” (Lc 2.27). A parte moral é chamada “lei” (1 Tm 1.9). A parte civil é chamada “lei” (At 23.3).

A Bíblia se refere à lei como sendo os cinco livros do Pentateuco. As palavras “A Lei” na Bíblia geralmente se referem a Lei Mosaica, ou ao Pentateuco” (Dicionário Smith, citado por Canright). Pode entender isso comparando o resto da Bíblia com o Pentateuco. Entenderá que a Bíblia distingue o Pentateuco como sendo a lei. Gênesis é a lei (1 Co 14.34; Gn 3.16); Êxodo é a lei (Rm 7.7; Êx 20.17); Levítico é a lei (Mt 22.39; Lv 19.18); Números é a lei (Mt 12.5; Nm 28.9) e Deuteronômio é a lei (Mt 22.36, 37; Dt 6.5).

Maravilhosa Graça

A definição encontrada em um dicionário para o termo graça é a seguinte: “O favor imerecido que Deus concede ao homem”. Embora tal definição seja verdadeira, é incompleta. Graça é um atributo de Deus, um componente do caráter divino, demonstrada por Ele através da bondade para com o ser humano pecador que não merece o Seu favor. Um Deus santo não tem nenhuma obrigação de conceder graça a pecadores, mas Ele assim o faz segundo o bem querer da Sua vontade. Ele demonstra graça ao estender Seu favor, Sua misericórdia e Seu amor para suprir a necessidade do ser humano. Visto que o caráter de Deus é composto de graça, movido por bondade Ele espontaneamente se dispõe a conceder Sua graça à humanidade pecadora em nosso tempo de aflição.

A graça de Deus pode ser definida como “aquela qualidade intrínseca do ser ou essência de Deus, pela qual Ele, em Sua disposição e atitudes, é espontaneamente favorável” a outorgar favor imerecido, amor e misericórdia àqueles que Ele escolhe dentre a humanidade desmerecedora. Ao longo de toda a Bíblia, a graça de Deus se manifestou em três estágios. No primeiro, Deus revelou Sua bondade e graça ao demonstrar misericórdia, favor e amor para com todos os homens em geral, mas para com Israel em particular. No segundo estágio, Deus expressou ou apresentou Sua graça, de forma mais clara, através de Jesus Cristo, o qual veio ao mundo para pagar pelos pecados do homem mediante Sua morte sacrificial na cruz. No terceiro, a graça de Deus proporciona salvação e santificação a todos os que, pela fé, confiam em Jesus Cristo como Salvador e Senhor de suas vidas.

De Lei caminhando para a Graça

A verdade é que com Deus “não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1.17; Ml 3.6; Hb 1.11,12; 13.8). Em qualquer época, a verdade eterna é: se existe salvação existe a graça de Deus. Sem a graça de Deus não há salvação (Ef 2.8,9). Disso podemos entender, se houve salvação no Velho Testamento, houve graça também. A graça que veio por Cristo não foi para destruir a lei ou os profetas, mas para a cumprir (Mt 5.17). Pela fé em Cristo Jesus a lei é estabelecida porque a lei simbolizava a graça e apontava a Ele (Rm 3.21-31). O fim, quer dizer o alvo, propósito, finalidade ou objetivo, da lei era Cristo (Rm 10.4) e não contraria a Ele. A lei sempre estava no coração de Cristo e Ele a amava pois a Lei revela o desejo de Deus (Sl 40.6-8; Hb 10.3-12). A Lei de Moisés e a graça por Cristo não são opostos, mas, duas partes de um mesmo sistema. A lei apontou a Cristo, e, Cristo cumpriu a lei (cf. Gl 3.21-26).