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terça-feira, 14 de setembro de 2021

Jesus: “Eu Sou”

 




Por Leonardo Pereira



João relatou episódios selecionados da vida de Jesus para defender um tema principal: Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, que oferece a vida aos que crêem nele (Jo 20.30,31). Nas palavras e atos de Jesus, registrados neste livro, Jesus se apresenta com uma série de afirmações, normalmente ligadas imediatamente com os sinais que ele operava. Jesus disse:  1. Eu sou o pão da vida (Jo 6.35,41,48,51);  2. Eu sou a luz do mundo (Jo 8.12);  3. Eu sou a porta das ovelhas (Jo 10.7,9);  4. Eu sou o bom pastor (Jo 10.11,14); 5. Eu sou a ressurreição e a vida (Jo 11.25);  6. Eu sou o caminho, e a verdade e a vida (Jo 14.6);  7. Eu sou a videira verdadeira (Jo 15.1,5).

Cada afirmação ensina algo importante sobre a missão de Jesus, mostrando que ele veio para ensinar, salvar e proteger o seu povo. Mas, quem pode fazer tais promessas elevadas? Nenhum mero homem teria condições de oferecer tudo que Jesus prometeu, porque nenhum homem tem as mesmas qualidades que Jesus possui.  A capacidade dele de ser e oferecer tantas coisas vem de sua natureza divina. É exatamente esta natureza que ele destaca com mais uma afirmação. Em João 8.24,28 e 58, ele se descreve com as simples palavras: “Eu Sou”. Ele não é apenas o pastor, ou a luz, ele é o eterno Deus. Ele não foi criado e não veio a existir. Nas suas próprias palavras, Jesus disse: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (Jo 8.58).

Os judeus consideravam esta afirmação blasfêmia, porque Jesus estava se igualando com Deus (Mc 14.61-64). De fato, é a mesma linguagem usada para descrever Jeová em Êxodo 3.14. Isaías, nas suas grandes profecias do Messias, afirmou a divindade do Salvador com as mesmas palavras (Is 43.11-15; 44.6; 45.6,18; 48.17). Jesus usou palavras carregadas de poder e eternidade para se apresentar ao mundo. Nós devemos crer no único “Eu Sou” para termos a vida eterna. Jesus disse: “Porque, se não crerdes que Eu Sou, morrereis nos vossos pecados” (Jo 8.24).


terça-feira, 31 de agosto de 2021

Davi herdou o pecado?

 




Por Leonardo Pereira



Salmo 51.5 diz: "Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe". Este versículo é frequentemente arrancado de seu contexto para defender a doutrina da depravação herdada. São muitos os problemas com tal interpretação. Outros textos negam claramente a ideia do pecado herdado (Ez 18.20, por exemplo). Jesus usou as crianças como exemplo da pureza inocente que todos nós precisamos adquirir (Mt 19.13-15). 1 João 3.4 nos diz que o pecado é cometido (não herdado). Romanos 5.12 diz que todos nós participamos da morte que Adão sofreu, não porque herdamos seu pecado, mas porque cometemos nossos próprios pecados. Qualquer interpretação de Salmo 51.5 que sugira depravação herdada contradiz estas afirmações claras da Escritura.

Mas o que Davi está tentando dizer? Salmo 51 é o apelo agoniado de um coração ensanguentado. Davi tinha encarado a feiura de seu próprio pecado. Ele não está falando sobre o pecado de Adão, ou de sua própria mãe. Ele fala sobre "minha iniquidade", "meu pecado" e "minhas transgressões" (Sl 51.2,3). O versículo 4 é uma declaração absoluta de culpa pessoal: "Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar." No versículo 4, encontramos as chaves que precisamos para entender o versículo 5. 1) Davi está usando uma hipérbole, ou figura de linguagem exagerada, para ressaltar a profundidade do seu pecado diante de Deus. O fato é que ele não pecou somente contra Deus. Pecou contra Bate-Seba quando cometeu adultério com ela, contra Urias quando roubou sua esposa e assassinou o esposo inocente, contra Joabe que foi o cúmplice involuntário no assassinato de Urias e de outros soldados (2 Sm 11). 2) Davi está realçando a magnitude de seus pecados contra o Senhor. 3. Ele está reconhecendo a pureza e a justiça de Deus em contraste com seu próprio estado pecaminoso.

É aqui que entra o versículo 5, Davi sente-se tão longe da intimidade com Deus, isto é, como se jamais tivesse estado em comunhão com ele. Quando Davi olha para seus próprios pecados desprezíveis, ele não pode imaginar jamais ter andado com Deus. Salmo 51 não é uma defesa da doutrina humana da depravação herdada, e não empresta nenhum apoio a tais práticas não bíblicas como o batismo dos recém-nascidos. Mas este Salmo é um olhar angustiado para a feiura do .pecado e a profundidade do verdadeiro arrependimento.


quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Preparados para Servir

 




Por Leonardo Pereira



Imagine o seguinte cenário. Você está esperando uma cirurgia muito delicada no seu cérebro. Já procurou um hospital bem conceituado nesse ramo, e consultou um dos melhores cirurgiões do mundo, quem marcou a cirurgia tão crítica para a sua vida. No dia marcado, você já está na sala de cirurgia, esperando a chegada do cirurgião. De repente, uma enfermeira entra e explica que o cirurgião passou mal e não poderá realizar a sua cirurgia. Mas, para não perder a oportunidade, procurariam outro cirurgião para substituí-lo. Ela pede a sua compreensão, enquanto uma outra enfermeira procura alguém para fazer a cirurgia. Ao mesmo tempo, a segunda enfermeira interrompe a apresentação de um colega a um grupo escolar fazendo excursão no hospital. Ela explica aos alunos: "Olhem, o problema é que Dr. Experiente passou mal, e precisamos de alguém para fazer a cirurgia no lugar dele. Alguns de vocês certamente já sonharam em ser grandes médicos. Alguém quer substituir o cirurgião hoje?" Um dos alunos levanta a mão e se encaminha para a sala de cirurgia, disposto a abrir a sua cabeça e começar a cortar o seu cérebro. O que você faria?

Agora pode acordar do pesadelo! Nem conseguimos imaginar uma coisa tão absurda. Uma pessoa totalmente despreparada fazendo cirurgia no cérebro de outra pessoa? Que idéia ridícula! O que parece absolutamente ridículo no contexto de um hospital acontece com bastante freqüência em muitas igrejas hoje. Pessoas despreparadas são convidadas a pregar ou ensinar, e acabam assumindo responsabilidades sem ter condições de cumpri-las. O resultado pode ser pior do que uma cirurgia cerebral feita por um aluno do ensino médio. Ensinamento errado, sem base adequada nas Escrituras, pode ser eternamente fatal. Qualquer pessoa que abre a Bíblia e a sua própria boca tem a obrigação de se preparar para falar a verdade em amor (Ef 4.15,16).

A Importância da Preparação

Quando nos entregamos a Deus, assumimos um compromisso de sermos fiéis a ele. Para cumprir a nossa obrigação de obedecer tudo que Jesus tem nos ordenado (Mt 28.18-20), precisamos estudar para conhecer bem a palavra dele. Paulo disse a um irmão mais novo: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2 Tm 2.15). Pedro escreveu a discípulos espalhados em vários lugares: "...santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós..." (1 Pe 3.15). Ser preparado para falar a outros faz parte da nossa devoção ao Senhor.

Paulo usou uma linguagem que deve chamar a nossa atenção quando disse a Timóteo: "Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra" (2 Tm 2.21). Vamos considerar o significado de sermos utensílios santificados e preparados para boas obras. No Antigo Testamento, achamos formas da palavra "preparar" usadas mais de 50 vezes em relação a coisas ou a pessoas dedicadas ao serviço do Senhor. A maioria dessas citações fala sobre sacrifícios, ofertas e materiais usados no tabernáculo ou no templo para adorar a Deus. Até as mínimas coisas foram cuidadosamente purificadas e preparadas para o seu uso em honra do Senhor. Assim cada um de nós deve ser preparado - purificado e santificado - para honrar a Deus por meio de boas obras.

Jesus Enfatizou a Preparação

Várias parábolas de Jesus ensinam a importância da preparação. Talvez a mais conhecida seja a das dez moças que esperavam o noivo chegar à festa de casamento (Mateus 25:1-13). As moças insensatas, que não se prepararam adequadamente, não entraram na festa. As prudentes se equiparam para esperar o tempo necessário, e tiveram a alegria de participar da festa. As ilustrações de construir uma torre ou enfrentar um inimigo em guerra também mostram a necessidade de se preparar bem para sermos discípulos de Jesus. O despreparado, muitas vezes, desiste no meio do caminho, e não chega ao seu destino. Pode até sofrer uma terrível derrota. Leia Lucas 14.25-33.

Além de suas parábolas, Jesus ensinou sobre a preparação na prática. Alguns dos seus discípulos o acompanharam constantemente, aprendendo com o Mestre. Desses, ele escolheu os doze apóstolos que tiveram um treinamento mais intensivo ainda. Quando procuraram alguém para tomar o lugar de Judas Iscariotes, escolheram entre os homens que acompanharam a Jesus durante todo o seu ministério (At 1.21,22). Os apóstolos foram especialmente qualificados para falarem de Jesus (Hb 2.3,4).

Os seguidores de Cristo devem se preparar para lhe servir, especialmente para ensinar o evangelho aos outros. Os que não crescem espiritualmente são criticados por sua negligência e imaturidade espiritual (Hb 5.12 - 6.3). Ao mesmo tempo, devemos lembrar que Deus não quer servos despreparados ensinando além do seu conhecimento: "Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo" (Tg 3.1). Tomando esses versículos juntos, percebemos que Tiago não está dissuadindo discípulos do trabalho importante de ensinar a palavra. Ele destaca a importância de preparação e controle da língua, sempre tendo cuidado de não ultrapassar a palavra do Senhor (cf. 2 Jo 9).

Preparativos Insuficientes

Estudos superficiais. Frequentemente alguém ensina depois de fazer um estudo superficial de seu tema. Talvez utilize uma chave bíblica para encontrar alguns versículos isolados e já se acha capaz de explicar o seu assunto a outros. A chave bíblica é muito útil, mas devemos tomar o tempo necessário para estudar cada versículo no seu contexto para entender o sentido verdadeiro. Cada versículo da Bíblia deve ser entendido à luz de tudo que as Escrituras dizem. Tal compreensão exige a dedicação e disciplina para estudar profundamente.

Conhecimento de folhetos, artigos, livros, etc. Todos os servos de Deus têm muito trabalho para fazer. Na correria do dia-a-dia, é difícil achar tempo para estudar e preparar bons estudos. Ao invés de fazer a nossa própria pesquisa, é mais fácil e rápido pegar algum estudo escrito (até este mesmo folheto que você está lendo agora!) e usá-lo como aula, sermão, etc. Esta abordagem apresenta sérios riscos: Não aprendemos fazer o nosso próprio estudo;  Não chegamos às nossas próprias conclusões;  Podemos ser facilmente enganados por palavras persuasivas de homens. Assim, como guias cegos, poderemos conduzir outros ao erro (Lc 6.39).

Cursos de teologia, seminário, etc. Estudar em escolas e faculdades pode trazer muitos benefícios, mas um diploma de teologia não prova a capacidade da pessoa a ensinar a palavra de Deus. A tendência de tais cursos é de ensinar sobre a filosofia e teorias teológicas, ao invés de ensinar sobre o conteúdo da Bíblia. Muitos seminários são controlados por determinadas denominações e ensinam conforme as doutrinas daquelas igrejas. Mesmo os cursos de teologia "independentes" são guiados por homens e tipicamente refletem as opiniões da direção. Nenhum aluno deve aceitar orientação bíblica ou espiritual sem uma cuidadosa conferência nas Escrituras (At 17.11).

Orientação em doutrinas e costumes dos homens. Repetir, explicar e defender regras de igrejas ou doutrinas decididas por grupos de homens não é ensinar a palavra de Deus. A boa parte das igrejas hoje tem seus próprios livros ou manuais de doutrina. Em geral, pregadores e professores obrigatoriamente seguem a linha doutrinária da denominação, ou perdem seus cargos. O medo de expulsão tem contribuído a muitas afirmações e ações erradas (Jo 9.22; 7.13; 12.42). Mas o discípulo fiel sabe que é melhor ser expulso pelos homens do que rejeitado por Deus (Lc 6.22).

Sugestões para Ajudar na Preparação

Mostre diligência (2 Pe 1.5). O servo de Deus precisa ser zeloso no estudo e na aplicação da palavra do Senhor (2 Tm 2.15).

Aplique-se com paciência e perseverança (Hb 12.1). Do mesmo modo que uma criança cresce aos poucos fisicamente, os filhos de Deus passam por um processo de crescimento. A disciplina é essencial para manter um ritmo de desenvolvimento espiritual. É importante ter tempo, diariamente se possível, para ler, estudar e orar.

Olhe sempre para o alvo (Cl 3.1-3). Para progredir espiritualmente, temos de nos livrar da maldade e das atitudes carnais que prendem os pensamentos e os corações das pessoas do mundo (Tg 1.21-25).

Entenda a seriedade do nosso trabalho (Tg 3.1; Ez 3.16-27). Nós que somos cristãos temos o privilégio de divulgar a palavra salvadora. Negligência dessa incumbência contribuirá à morte de pessoas carentes da verdade.

Prepare-se com o evangelho (Ef 6.15). Jamais abandonemos a pura palavra de Deus. As filosofias e palavras persuasivas da sabedoria humana não salvam ninguém (1 Co 2.1-5).

Ore sem cessar (1 Ts 5.17). Jesus orava constantemente, e a oração fazia parte integral do trabalho dos apóstolos (At 6.4). Deve fazer parte importante dos nossos preparativos na obra do Senhor.

Servir a Deus é um grande privilégio que exige a preparação constante. Vamos aproveitar tudo que Deus tem nos dado para não sermos "nem inativos, nem infrutuosos" como discípulos de Cristo (2 Pe 1.8).


segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Líderes Cegos

 




Por Leonardo Pereira



Jesus comparou alguns mestres com cegos: “Pode, porventura, um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco?” (Lc 6.39). Deus mandou seu Filho para dar vida aos pecadores, mas os construtores (os líderes religiosos) rejeitaram a principal pedra (1 Pe 2.7,8). Jesus bem identificou o problema de cegueira dos líderes. Em João 7, encontramos um exemplo de pastores com os olhos fechados à verdade. Eles mandaram guardas para prender Jesus. Os guardas ficaram maravilhados com o ensinamento do Cristo que não o prenderam. 

Quando voltaram aos chefes, estes os rebaixaram: “Será que também vós fostes enganados?” (7.47). Com toda a arrogância de homens que se julgavam sábios na palavra de Deus, eles recorreram à sua suposta superioridade espiritual: “Porventura, creu nele alguém dentre as autoridades ou algum dos fariseus?” (7.48). O ponto deles é óbvio: somente as pessoas formadas em teologia teriam capacidade para julgar a palavra de Cristo. O mesmo erro arrogante reprimiu o povo comum durante séculos na história católica. Hoje, muitos pastores protestantes, também, se exaltam por causa de diplomas de seminários e de cursos de teologia. 

Confiando em sua própria sabedoria, os líderes desprezam o povo comum. Os líderes judeus olharam para a multidão e disseram: “Quanto a este plebe que nada sabe da lei, é maldita” (7.49). Mas, o contexto bem mostra que os próprios líderes não estavam examinando as evidências. Recusaram considerar os milagres de Jesus (Jo 5.36). Não interpretaram as Escrituras de modo correto (Jo 5.39-40,45-47). Eram líderes religiosos, mas espiritualmente cegos como morcegos. Hoje, muitas pessoas têm medo de contrariar os seus líderes religiosos. Confiam tanto em pastores e padres que não estudam a palavra por si. Embora outros homens podem nos ajudar a entender algumas coisas da palavra de Deus, jamais devemos confiar em homens acima da palavra de Deus. Cada um será julgado por Cristo (2 Co 5.10). Por isso, cada um deve se preocupar com a palavra que nos julgará (Jo 12.48).


quarta-feira, 28 de julho de 2021

Qual foi o propósito dos milagres na Bíblia?

 



Por Leonardo Pereira



Muitas pessoas hoje estão procurando milagres por motivos egoístas. Querem curas físicas, mas não se preocupam com a saúde espiritual. Querem prosperidade, mas não buscam as riquezas eternas. Igrejas que enfatizam milagres e negligenciam a pregação da palavra de Deus estão alimentando tais apetites. Jesus fortemente condenou atitudes iguais (João 6:26).

Por que Jesus e outros servos de Deus realizaram milagres? O movimento pentecostal, que pegou fogo desde o início do século XX, tem dado grande ênfase às experiências de manifestações do Espírito Santo de uma maneira que os ensinamentos bíblicos são frequentemente esquecidos. Considere as afirmações bíblicas sobre o propósito dos milagres que Jesus e outros realizaram. Os milagres provaram a fonte da mensagem. Quando Deus enviou Moisés ao Egito, ele lhe deu sinais milagrosos para provar que sua mensagem era realmente divina (Êx 4.1-17).

Os milagres de Jesus provaram seu poder para perdoar pecados. Estude o relato de Marcos 2.1-12, observando especialmente as palavras de Jesus nos versículos 10 e 11: "Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados - disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa". O povo entendeu que os sinais introduziram uma nova doutrina. As pessoas em Cafarnaum perguntaram: "Que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!" (Mc 1.27).

O Espírito Santo deu poderes miraculosos aos apóstolos para confirmar a palavra que eles pregaram (Mc 16.20). Paulo descreveu esses sinais como "as credenciais do apostolado" (2 Co 12.12). Alguns anos depois, o autor de Hebreus falou que a palavra dos apóstolos foi confirmada junto com o testemunho de "sinais, prodígios e vários milagres" (Hb 2.3,4). A palavra foi revelada, confirmada, e entregue aos santos uma vez por todas (Jd 3). Já recebemos, nas Escrituras, tudo que precisamos para servir ao Senhor (2 Pe 1.3,4; 2 Tm 3.16,17).

Algumas pessoas vão continuar pedindo sinais, como os incrédulos do primeiro século. Mas nós devemos estar contentes em pregar "Cristo crucificado" (1 Co 1.22,23).


quarta-feira, 16 de junho de 2021

A Reação ao Pecado

 




Por Leonardo Pereira




O primeiro rei de Israel, Saul, era uma pessoa de aparência impressionante. Alto e bonito, tudo indicava que ele seria um rei perfeito. O seu reinado, portanto, demonstrava a verdade que a condição do coração é muito mais importante que a aparência externa. A falha de Saul como rei veio da sua desobediência às instruções divinas. A história de 1 Samuel 15 ilustra bem esta fraqueza de Saul. No início do capítulo, Deus mandou Saul destruir completamente os amalequitas, tanto as pessoas quanto os animais. Os amalequitas haviam feito uma emboscada para o povo de Israel quando eles saíram do Egito, atacando os fracos e os que ficavam para trás e Saul seria o instrumento do castigo de Deus.

O capítulo mostra que Saul e o exército de Israel lutaram, sim, contra Amaleque, mas que pouparam a vida de Agague, rei dos amalequitas, e os melhores animais. A reação de Saul à bronca do Senhor através de Samuel é interessante. Saul cumprimentou Samuel após a batalha, proclamando, “escutei as palavras do Senhor” (1 Sm 15.13), mas Samuel o perguntou a respeito dos animais. Saul então tentou outro jeito; ele alegou que o povo havia guardado os melhores animais para sacrificar ao Senhor. Qual seria uma motivação mais nobre do que sacrificar ao Senhor?

Samuel lembrou Saul do mandamento do Senhor de destruir totalmente os amalequitas. Saul reafirmou a sua obediência, mas finalmente reconheceu que os animais salvos “pelo povo” para o sacrifício deveriam ter sido destruídos. Samuel, porém, não permitiu que Saul, o líder do povo, os culpasse e o informou que a obediência é melhor que o sacrifício. Enfim Saul confessou que havia pecado, reparando que ele temia o povo e assim permitiu que poupassem o rei e os animais.

De grande interesse para mim é o comportamento de Saul depois de confessar o pecado. Ele implorou a Samuel que fosse com ele para que ele pudesse adorar ao Senhor, aparentemente diante do povo. Quando Samuel se recusou, Saul pegou e rasgou as suas vestes. Samuel explicou a Saul que de maneira parecida, o reino lhe seria arrancado, mas Saul ainda implorou a Samuel “honra-me, diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel” (1 Sm 15.30). Parece que Saul estava mais preocupado com os pensamentos dos outros sobre seu rei do que com o remorso pelo seu pecado. A rebeldia causou o seu pecado; o orgulho evitou com que ele reagisse corretamente ao seu pecado.

Todos nós pecamos. Nossa reação ao conhecimento do pecado é crucial. Aqueles que compreendem a verdadeira natureza do pecado, que é uma afronta ao nosso Criador, são levados a tristeza pelo seu pecado. Aqueles que veem o pecado como “nada demais” irão procurar proteger as suas reputações. O orgulho muitas vezes não os deixará reconhecer o seu pecado. A tristeza que vem de Deus, portanto, leva os homens ao arrependimento e a humildade e permite a confissão do pecado (2 Co 7.10; 1 Jo 1.9). Qual é a sua resposta ao pecado?


segunda-feira, 14 de junho de 2021

A Ciência da Fé

 




Por Leonardo Pereira



“Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis...” (Rm 1.20). O debate evolução-criação é frequentemente pintado como sendo “ciência versus fé”. Isto é enganoso, pois presume que a macroevolução seja um fato científico, e presume que a fé não tem base em evidência concreta. É uma afirmação preconceituosa, pois eleva a ciência e rebaixa a fé por modos que evitam a investigação honesta. Queremos considerar a natureza religiosa da evolução, a natureza da fé bíblica e tentar determinar se a fé é razoável ou não. Argumentamos que o assunto evolução-criação não é sobre ciência versus fé. Antes, qualquer crença sobre o modo como as coisas eram no passado exige fé de alguma forma. Queremos saber como a fé desempenha um papel tanto na evolução como na criação.

A natureza religiosa da evolução

No sentido mais amplo, uma religião é algo que faz surgir devoção, zelo e dedicação de seus adeptos. Ela geralmente envolve um código de ética e filosofia. É uma visão do mundo, uma tendência através da qual se vê toda a vida.

A evolução é, realmente, o principal ocupante da religião secular conhecida como “humanismo”, uma filosofia que não deve ser confundida com “humanitarianismo” (ser bom para as pessoas, etc.). Humanismo é um sistema de crença que é desprovido de Deus, considerando os humanos como objetos puramente naturais. É um ponto de vista religioso porque ressalta zelosamente o progresso humano e os padrões éticos e morais através de meios naturais. Seu deus é a própria natureza (ou mesmo a humanidade). Compare isto com o que se pode ler em Romanos 1.18-32. Observe como aqueles desta passagem põem Deus fora de suas mentes, e então se voltam para servir (adorar) a criatura antes que o Criador. Isto se torna a base para eles fazerem tudo o que queiram fazer.

A tendência humanista é vista em Humanist Manifestos I e II. Estes documentos apresentam, em essência, o credo humanista. Ela nega explicitamente Deus, argumentando que a crença no sobrenatural é “ou insignificante ou irrelevante para a questão da sobrevivência ou realização da raça humana. Como não-teístas, começamos com humanos e não com Deus, com a natureza e não a divindade. A natureza pode, na verdade, ser mais larga e profunda do que agora conhecemos; quaisquer novas descobertas, contudo, apenas aumentarão nosso conhecimento do natural” (Kurtz 16). Observe como, começando sem Deus, cada explicação para tudo é naturalista. Não têm espaço para Deus em seu pensamento. Contudo, é a partir desta visão do mundo que eles estabelecem seus próprios padrões éticos e morais pelos quais pensam que todos deveriam viver.

Se não há nada sobrenatural que seja significativo ou relevante, então eles precisam de algum modo para explicar como os humanos e o universo vieram a existir. Entra a teoria da evolução. Ele fornece um “meio intelectual” pelo qual podem responder a tais questões, rejeitar a crença em Deus e estabelecer seu próprio sistema ético. Se somos meramente o resultado do acaso, processos naturais, então devemos ter capacidade e liberdade para buscar qualquer coisa e tudo que nos faz “felizes”. Isto é tudo o que o humanismo é, e a evolução dá o mecanismo para ser capaz de pensar deste modo.

Os evolucionistas geralmente argumentam que há necessidade de separação entre religião e ciência. Contudo, eles parecem ansiosos por usar sua ciência “como uma base para pronunciamentos sobre religião. A literatura do Darwinismo é cheia de conclusões anti-teístas, tais como que o universo não foi projetado e não tem propósito, e que nós humanos somos o produto de processos naturais cegos que não se preocupam nada conosco. E mais ainda, estas afirmações não são apresentadas como opiniões pessoais mas como implicações lógicas da ciência evolucionista” (Johnson 8-9). Eis porque há um tal debate sobre o relato da criação em Gênesis. O que Gênesis descreve contradiz claramente a agenda evolucionista.

Humanistas e evolucionistas são religiosos no seu zelo em evangelizar o mundo, “insistindo que mesmo não-cientistas aceitam a verdade de sua teoria como uma questão de obrigação moral” (Johnson 9). Então, ainda que não exista Deus no pensamento evolucionista e humanista, seus devotos seguidores ainda têm uma filosofia religiosa básica que afeta suas vidas tanto quanto as de qualquer um que creia em Deus. Assim, a questão não é realmente se crêem ou não em Deus, mas em qual “deus” eles confiam.

O que é a fé?

Muitos que pensam que há uma contradição entre ciência e fé definem a  fé como sendo “crença inquestionável” ou “crença sem evidência”. Isto   pinta a fé como sendo cega, às vezes crendo mesmo em algo quando existe evidência para mostrar que esta crença é errada. Tal fé dizem ser “comum em contextos religiosos” (Burr e Goldinger 533). Isto pode descrever a fé de alguns, mas é este o quadro da fé que nos é dado na Bíblia? De modo nenhum; de fato, tal visão da fé escapa da verdade seriamente.

Na Bíblia, a fé pode ser definida como completa confiança, confidência ou segurança. “Crença” é, talvez, uma das melhores palavras para descrever a fé. Ela vai além de simplesmente crer em alguma coisa. Muitos crêem em coisas, mas não querem pôr sua confiança em suas crenças. Isto não é fé. A verdadeira fé é atingida quando as pessoas sabem no que crêem, porque crêem nisso, e são devotados a agir por suas crenças. Tiago 2.14-26 mostra que tal ação é necessária de modo a exercer a fé que agrada a Deus. Quando a verdadeira fé existe, ela permanece como o embasamento para a esperança, e dá os meios pelos quais podemos ser agradáveis a Deus (Hb 11.1,6).

É um conceito enganoso pensar que toda fé seja desprovida de evidência. A fé não exige que se seja uma testemunha ocular de tudo o que é acreditado, mas deverá apoiar sobre evidência adequada. Por exemplo, tenho fé em que minha mãe seja realmente minha mãe física. Eu não verifiquei isto cientificamente, mas a evidência é tal que não seria razoável eu pensar de outro modo. Há testemunhas oculares e documentos como evidência. Agora, eu confio que isto seja verdade, mas não é fé cega de modo nenhum. Eu também tenho fé em minha esposa. Eu confio que quando ela promete fazer alguma coisa, ela o fará. Eu não testemunhei tudo o que ela sempre tem feito, mas seu registro é tal que eu deverei ter fé nela. Isto não é crença sem evidência, mas tampouco eu posso verificar cientificamente esta fé.

Quando se trata de fé em Deus como Criador, acreditamos que a evidência é tal que garante a resposta de fé, ainda que não possamos cientificamente provar tudo sobre Deus. Na Bíblia, muitos exemplos mostram um apelo à evidência de modo a confirmar uma declaração e promover fé. Leia João 10.37,38 e Mateus 11.2-5. O próprio Jesus apelou para o que poderia ser visto e ouvido. Ninguém estava pedindo a outros que acreditassem sem evidência. A fé bíblica não é ingênua. Então, o que tudo isto tem a ver com o conflito sobre a evolução? Primeiro, mostra que a representação disto sendo uma contradição entre “fé e ciência” é falsa. Admitimos que a fé é envolvida em crer na criação, mas isto não nega ou contradiz o estudo científico. Segundo, contudo, é a necessidade de entender que a prática da ciência em si envolve um grau de fé. Aqueles que aceitam a teoria evolucionista o fazem na base da fé. Eles acreditam que têm evidência ao pensar do modo como o fazem, e baseados nisto eles põem sua confiança em suas teorias.

A ciência em si é baseada em certas pressuposições, tais como a realidade da verdade, a capacidade da mente humana de perceber adequadamente o mundo e a idéia de que os números e a linguagem têm significado verdadeiro. Estas coisas não podem ser comprovadas cientificamente, por isso um certo grau de fé precisa ser exercido. Mais ainda, o próprio sistema evolucionista exige crença. Todo o conceito de que a vida começou sem inteligência e que tudo existe e chegou ao estado presente através de um processo não dirigido é uma crença. Não pode ser cientificamente verificado nem falsificado. A idéia de que a vida começou em alguma substância como uma sopa e então gradualmente evoluiu para se tornar animais terrestres, depois como criaturas voadoras, é uma crença. Precisa-se “confiar” que esta crença seja verdadeira, pois nunca foi cientificamente comprovada. O assunto, então, não é se a fé está ou não envolvida na batalha sobre criação e evolução; a fé está envolvida. O assunto é a própria evidência, e como esta evidência tem que ser interpretada. Como esta evidência é interpretada depende da fé e da tendência que se tem. A questão real então cai para qual fé, ou qual tendência, é a mais razoável para se ter.

A fé é razoável?

A fé é uma parte essencial da vida diária. Confiamos em que as coisas  operarão normalmente, e passamos o dia com tal confiança. Contudo,   raramente pensamos nela nestes termos. Pense nisso. Quando comemos uma refeição, não confiamos naqueles que a prepararam? Se comprarmos alguma coisa no mercado e a comermos, não estaremos confiando que aqueles que a fizeram e a colocaram ali não a envenenaram? Quando um dos pais ou esposo põe uma refeição na mesa, quem não confia que um deles não pôs nela algo que nos matará? Não confiamos em outros membros da família quando vamos para a cama à noite? Confiamos que nossos amigos, nossos empregadores e outros são o que são. Não fazemos normalmente qualquer investigação científica, mas geralmente cremos e pomos nossa fé em outros diariamente. Ficaríamos loucos se não fizéssemos isso.

Quando entro no meu carro e giro a chave, eu confio em que ele funcionará. Se não, eu posso ficar irritado e começar a dizer que é um veículo “infiel”. Há, ainda, um exercício de fé. Temos sucesso, empenhamo-nos em atividades e vivemos nossas vidas com crenças e com fé. É razoável viver deste modo? Mais uma vez, imagine como seria se não vivêssemos deste modo. Seria o caos, o desespero e a paranóia. De fato, argumentaríamos que não é razoável não viver deste modo. Quando se trata de fé em Deus, percebemos que não podemos provar cientificamente tudo, mas isto não muda a natureza razoável de nossa fé. A evidência existe, e confiamos nela (Sl 19.1). A fé é razoável quando apresentada com a evidência de um Criador.

Não é razoável argumentar que a fé é oposta à ciência, uma vez que a própria ciência exige um grau de fé. Então, a posição razoável é que a fé é parte da vida; onde pomos a nossa fé depende de como vemos a evidência que nos é apresentada.

Em resumo

A fé e a ciência são compatíveis. Devemos evitar vê-las como opostos, e começar a ver como podem trabalhar juntas. Uma não desaprova a outra, ao contrário elas podem ressaltar e ajudar uma a outra. A crença na evolução realmente tem uma natureza religiosa em si. Muitos seguidores devotos buscam evangelizar outros a respeito dela, e pronunciam coisas negativas sobre a crença em Deus. A evolução é uma parte do humanismo secular, um sistema que é sem Deus. Não deveria, portanto, ser vista como apenas uma outra maneira válida de ver o mundo.

O macro evolucionismo é intrinsecamente oposto à criação

A fé envolve confiança. Aqueles que crêem num Criador o fazem pela fé, aqueles que acreditam na evolução também têm uma fé. Assim, não é que a ciência seja toda pela evolução, enquanto a religião é apenas crença supersticiosa. A evolução é uma fé, e assim é a criação. Com isto em mente, pode-se por a criação e a evolução em condição de comparação para ver qual é mais razoável. Nossa asserção é que a criação é a posição razoável.


terça-feira, 18 de maio de 2021

Um Conflito Desnecessário sobre o Batismo

 




Por Leonardo Pereira



Uma das tristes realidades que atrapalha o progresso do evangelho são as inúmeras divisões sobre questões de doutrina e prática. Alguns procuram uma solução superficial no ecumenismo, sugerindo que a resposta ao problema seja simplesmente ignorar as diferenças. Essa abordagem não é muito diferente do ensinamento dos falsos profetas que Deus criticou 2.600 anos atrás: “Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz” (Jr 8.11). Colocar um curativo em uma ferida infeccionada pode mascarar o problema temporariamente, e até trazer um alívio psicológico para o paciente, mas não resolverá o problema. É necessário tratar a infecção.

De semelhante modo, conflitos doutrinários e práticos entre pessoas que desejam agradar ao Senhor precisam ser tratados, não apenas cobertos e ignorados. Às vezes, os conflitos são frutos de interpretações equivocadas de textos bíblicos (2 Pe 3.16). Outras vezes, o problema é resultado de uma ênfase exagerada em uma verdade ao ponto de negar outras (Mt 23.23; Tg 2.14-26). Antes de defender uma interpretação e criar divisões, devemos tomar o tempo necessário para examinar bem os textos bíblicos relevantes. Desta maneira, poderemos esclarecer dúvidas e evitar conflitos desnecessários. Vamos considerar um exemplo de um conflito que atrapalha alguns e causa divisões.

O batismo correto deve ser feito em nome de Jesus, ou em nome do Pai, Filho e Espírito Santo?

Jesus afirmou sua autoridade absoluta, universal e eterna quando mandou batizar “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.18-20). Os servos fiéis que ouviram suas instruções batizaram “em nome de Jesus Cristo” (At 2.38), “em o nome do Senhor Jesus” (At 8.16; 19.5) e “em nome de Jesus Cristo” (At 10.48). Vários grupos religiosos defendem uma fórmula ou outra, até ao ponto de negar a validade dos batismos feitos com palavras diferentes. Quem defende batismo exclusivamente no nome de Jesus, por exemplo, rejeita pessoas batizadas em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. O estudo das Escrituras nos ajuda muito para esclarecer essas dúvidas e evitar conflito desnecessário.

Primeiro, observamos que nem Jesus nem os apóstolos falaram de uma fórmula oficial. Nenhum dos relatos sugere que a pessoa que realizou o batismo tenha falado uma sequência especial de palavras. Quando comparamos os versículos citados acima, observamos diferenças na maneira de citar o nome do Senhor e nas preposições usadas. Se fosse uma fórmula específica, poderíamos esperar uniformidade em todas as ocasiões relatadas.

Segundo, percebemos diferenças nos textos originais que mostram significados muito além de meras fórmulas. As palavras gregas usadas em Mateus 28.19 e em Atos 8.16 e Atos 19.5 (especificamente a preposição “eis”) enfatizam a relação resultante do batismo – batizados para entrar no nome de Jesus e, simultaneamente, do Pai e do Espírito Santo. As preposições empregadas em Atos 2.38 (“epi”) e 10.48 (“en”) focalizam a base do batismo, ou seja, a autorização dada por Jesus.

Somando as informações, entendemos que os apóstolos batizaram pela autorização de Jesus e que o batismo foi o meio determinado pelo Senhor Jesus para os arrependidos entrarem em comunhão com ele, com seu Pai e com o Espírito Santo. No contexto da dedicação e autonegação dos homens escolhidos para divulgar o evangelho, a ideia implícita nos ensinamentos que sugerem uma contradição entre o ensinamento de Jesus e o procedimento dos apóstolos é incoerente. Os apóstolos fizeram o que Cristo mandou: pela autoridade do Senhor Jesus, ensinaram seus ouvintes a se arrependerem e serem batizados para receber perdão e entrar em comunhão com Deus.

Evitemos os conflitos desnecessários causados por interpretações equivocadas das Escrituras.


quarta-feira, 21 de abril de 2021

Alegria Inevitável

 




A questão levantada pelos discípulos de João sobre os modos festivos  de Jesus e seus discípulos num tempo que eles viam como cheio de   tragédia (Mt 9; Mc 2; Lc 5) mais tarde apareceu numa inquirição queixosa do próprio prisioneiro João: "És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?" (Mt 11.3). Era o grito ansioso de alguém cujos sofrimentos tinham-no aparentemente feito duvidar por um momento do próprio Rei e do reino que ele próprio tinha proclamado. Depois de responder a pergunta de João, Jesus falou de sua incomparável grandeza à multidão reunida e então repreendeu-a, observando que eram pessoas como crianças teimosas em seus jogos, que se recusavam a brincar de casamento ou de funeral (Mt 11.16-19). João tinha vindo jejuando e vivendo isolado e eles tinham dito que ele era possuído por um demônio. Jesus veio festejando e vivendo livremente entre eles, e tinham se queixado que ele era glutão e comparsa de pecadores!
   
Uma Missão de Alegria

É inquestionável que Jesus identificava sua missão e sua mensagem como sendo de alegria. Ele é o verdadeiro noivo que nos convidou para uma festa de casamento. Ele veio trazer paz aos perturbados, perdão para os culpados, alegria para os abatidos, liberdade para os escravizados (Is 61.1-3). A mensagem e o jejum de João e seus discípulos tinham sido inteiramente apropriados a tempo -- e ainda é -- quando homens e mulheres, em sua teimosia e orgulho, precisam arrepender-se e humilhar-se diante de um santo e justo Deus. Mas não faz sentido para aqueles que se arrependeram em profundo remorso continuar o funeral quando "... o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" chegou (Jo 1.29).
   
João Batista e Jesus Cristo

É irônico que foi o próprio João Batista que antes tinha dito, "Eu não sou o Cristo.... o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Convém que ele cresça e que eu diminua" (Jo 3.28-30). Por que estavam os discípulos deste próprio João jejuando e lastimando? Porque ainda não tinham crido que Jesus era o Cristo de Deus. Em suas mentes duvidosas, o "noivo" ainda não estava com eles. Diferindo do seu mestre, ainda não tinham chegado a saber e regozijar nele. Ainda há pessoas que têm dificuldade para passar de João a Jesus. É certamente verdade quanto aos membros do partido "Batista", que defendem seu nome e espírito sectário apelando para João Batista, ao invés de Cristo. Pode ter sido uma vez apropriado ser um discípulo do Batista mas, agora que o próprio Filho de Deus veio, isso é totalmente sem justificação (At 19.1-5). João teria sido o primeiro a reprová-lo. Atos 11.26 diz: "foram os discípulos... chamados cristãos".
   
Gloriando-se no Senhor

O mesmo é verdade quanto a todos os que reverenciam homens que falam de Cristo, acima do próprio Cristo. Não há, absolutamente, nenhuma defesa para homens alegremente chamando-se luteranos ou wesleyanos, e outras coisas, ou, mais sutilmente, tranquilamente estimando pregadores contemporâneos e seus julgamentos acima da pessoa e vontade de Deus. "Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor" (1 Co 1.31; cf. 1.11-13). Mas há um problema, ainda mais fundamental, abordado na resposta de Jesus aos discípulos de João. Jesus disse que estar com ele era ter alegria. Contudo, há cristãos que aceitaram o convite para a festa de casamento do Senhor, mas parece que não estão querendo sair da marcha fúnebre. Eles parecem determinados a viver em perpétua aflição e desespero pelas suas imperfeições e fracassos. O convite do Senhor para comemorar e exultar em sua misericórdia certamente não é chamar para viver com ocasional indiferença pelo pecado, nem é também um chamado para um perpétuo bater nos peitos, uma vez que nos arrependemos e buscamos seu magnânimo amor.
   
Não é adequado que cristãos vivam na presença do próprio Senhor como povo derrotado e desesperado. Tal comportamento se torna uma injúria contra sua benignidade. Não é adequado também que o povo de Deus tenha que servi-lo como "escravos indo açoitados para o seu calabouço", cumprindo seu serviço a Ele como um dever oneroso e opressivo. Tal conduta é uma difamação de sua graça, uma acusação que desonra seu amor. Para viver verdadeiramente na feliz companhia do Filho de Deus terá de saber que seu jugo é suave e seu fardo é leve (Mt 11.30).
   
Conclusão

Pode não ser possível, na verdade, dominar uma emoção, mas é possível decidir olhar sinceramente para as grandes verdades sobre Deus que, se assim fizermos, nos trarão alegria inevitável. Assim Paulo diz aos filipenses, "Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos" (Fp 4.4). Simplesmente, não é certo para os cristãos estarem perpetuamente tristes e desconsolados, quaisquer que sejam suas cargas. Paulo está certo em dizer que há bastante alegria em Cristo para suplantar completamente todas as nossas tristezas. Como o próprio nosso Senhor disse, há algumas coisas que justamente não são adequadas quando estamos vivendo na amável companhia do Rei do universo.


Referências:

BARBOSA, Maxwell. Ações de Graças. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.

Bíblia Sagrada. Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

BARROS, Emanuel; Souza, Everton. O Progresso do Evangelho. São Paulo: Evangelho Avivado, 2018.

CABRAL, Elienai. Filipenses. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.

NEVES, Natalino das. O Cuidado de Deus com o Corpo de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.

RIBEIRO, Anderson. A Mensagem de Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.

RIBEIRO, Anderson. 1ª Coríntios. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.




domingo, 21 de março de 2021

Perdoa-nos as nossas dívidas!

 




Por Leonardo Pereira



Uma das belezas da oração é o privilégio que ela oferece ao povo de Deus para ter comunhão com o Todo-Poderoso, buscando seu perdão. Muitos de nós negligenciam este privilégio, perdendo assim as bençãos que vêm com ele. Quando Jesus disse aos seus discípulos que orassem, “perdoa-nos as nossas dívidas” (Mt 6.12), ele deixou subentendidas várias lições para seus seguidores.

Primeira, ser cristão não nos isenta da tentação. Paulo expressou isto em sua carta aos irmãos gálatas: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gl 6.1). Não temos intenção de desagradar a Deus, mas podemos falhar aqui e ali. Por exemplo, podemos ser tentados a pensar mal de alguém. Podemos ficar com raiva de um irmão, sem causa. Podemos, por raiva, falar com irreverência ou pecar deixando de fazer alguma boa coisa que sabemos fazer (Tg 4.17). Há conforto em saber que podemos ir a Deus em oração, em busca do seu perdão.

Segunda, o seguidor de Cristo que erra o passo ou peca, torna-se endividado com Deus. O termo dívida significa algo devido. Portanto, se um cristão transgredir, ele deve, pelo menos, uma desculpa a Deus pela sua atitude ou comportamento impiedoso. No Senhor não há nenhuma escuridão. Nossa desobediência não manifesta a imagem do Criador. O apóstolo João, guiado pelo Espírito, expressa a garantia ao povo de Deus que, se confessarmos nossos pecados diante dele, podemos receber o perdão e a limpeza (1 Jo 1.9).

O pecado produz culpa e vergonha; muitos reagem a isto retirando-se, escondendo-se e evitando contato com irmãos em Cristo. Esta pode ser a razão por que muitos cristãos param de se encontrar com os santos. Os cristãos não devem atolar-se nos pecados, mas confessá-los ao Senhor, afastar-se deles e receber a benção do perdão. Retirar-se das reuniões com outros cristãos é imprudente porque isso dá oportunidade a Satanás. Deus não quer isto. Portanto, como está subentendido neste modelo, ele nos oferece a alternativa de confiar em Deus e buscar seu perdão através da oração.

Terceira, o povo de Deus continua a necessitar de seu perdão. Perdão do pecado foi o verdadeiro propósito quando Cristo veio à terra e morreu pelo homem. “Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.46-47). Este fato deverá humilhar cada um de nós. Se alguém começar a pensar que é demasiado velho ou inteligente demais para precisar do perdão de Deus, a arrogância se manifesta e o provérbio será verdadeiro: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16.18). Tal espírito de orgulho impedirá que o homem se humilhe diante do Todo-Poderoso para buscar seu perdão.

Finalmente, o perdão de Deus pela dívida do pecado de alguém depende da atitude dessa pessoa quanto a perdoar aos outros. A única atitude aceitável é a de Deus e Cristo. “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mt 6.14,15).

Quando um cristão ofendido deixa de estender o perdão a outro, ele deixa de exemplificar a imagem de seu Senhor. Ele mesmo foi perdoado por Cristo quando se submeteu ao evangelho. Quando Pedro perguntou a Jesus quantas vezes tinha que perdoar seu irmão que peca contra ele, Jesus respondeu: “até setenta vezes sete” (Mt 18.22). Jesus, além disso, ilustrou com a parábola do servo injusto a importância de perdoar aos outros.

Este servo injusto recebeu o perdão de uma grande dívida para com o seu senhor, mas quando chegou sua vez de perdoar um camarada que estava em débito para com ele, meteu-o na prisão, em vez de perdoá-lo. Quando o senhor soube do que tinha acontecido, pediu a presença do servo injusto, chamou-o de peverso e incompassivo e, por causa da raiva dele, entregou-o aos torturadores até que pagasse tudo o que devia.

Que lição para nós nestes dias! Lembramo-nos de orar desta maneira: “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”.


sexta-feira, 19 de março de 2021

Pecadores na Igreja

 




Por Leonardo Pereira



A igreja do Senhor é composta de pessoas chamadas para deixar o pecado e sair definitivamente do império das trevas (Cl 1.13). O desejo de todo discípulo deve ser de manter a santificação – a separação da iniquidade – para imitar e honrar o Mestre que o resgatou. As pessoas que fazem parte da igreja de Deus foram chamadas “para ser santos” (1 Co 1.2). O Senhor que nos chamou disse: “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1.16). Embora a santificação e perfeição sejam nossos alvos, ainda erramos. Deus faz tudo para nos ajudar nas batalhas contra a tentação (Rm 8.31-39) e sempre oferece uma saída das ciladas do Adversário (1 Co 10.13). Mesmo assim, falhamos. O apóstolo João escreveu aos cristãos quando disse: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós” (1 Jo 1.8).

Sabemos que não somos perfeitos. Eu faço coisas que não devo e deixo de fazer coisas que devo. Sei que os meus irmãos, também, erram. Reconhecendo esses fatos tristes, entendemos que há pecado na igreja. Ao invés de nos conformar à realidade lamentável de pecado na igreja, devemos buscar e seguir as instruções bíblicas para purificá-la. “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Uma igreja que respeita a vontade de Deus não pode se entregar à impureza. Deve agir agressivamente para ser pura e livre do pecado. Como? O que os fiéis devem fazer?

A Santidade Começa Comigo

Um rebanho não está totalmente limpo se tiver uma ovelha suja. Se eu tiver pecado na minha vida, a igreja da qual faço parte será manchada. O primeiro passo no caminho à pureza da igreja é corrigir os pecados nas nossas próprias vidas. É muito mais fácil criticar os outros do que limpar a nossa própria casa. Quantas vezes ficamos olhando pela janela para ver as falhas dos outros quando precisamos olhar no espelho e enxergar os nossos erros? Jesus perguntou: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? .... Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mt 7.3-5). Devemos levar a santificação a sério, começando com os nossos próprios corações, e com as atitudes e o procedimento do nosso dia-a-dia. Cobrar a pureza dos outros enquanto vivemos deliberadamente no pecado é seguir a hipocrisia dos fariseus (Mt 23.3,4,25-28), e não a santidade de Jesus Cristo (1 Co 11.1).

As Atitudes Necessárias Para Corrigir os Irmãos que Pecam

Este estudo fala do trabalho essencial de corrigir os irmãos que pecam, procurando resgatá-los da condenação. Ao mesmo tempo, estudaremos sobre a responsabilidade da igreja de se manter pura. Um pequeno artigo não é suficiente para examinar todas as passagens que falam sobre esses assuntos. Por isso, examinaremos especificamente as passagens que mostram como agir quando um irmão peca. Antes de falar sobre o que fazer, é importante também considerar as atitudes certas em fazer esse trabalho. As seguintes passagens devem ser consideradas por qualquer pessoa que se envolve na obra de resgate de irmãos perdidos. Observemos alguns princípios essenciais:

  • Devemos procurar o pecador e perdoar o irmão arrependido (Lc 15.1-32). Esta parábola bem conhecida repreende a autojustiça do irmão mais velho, que não desejava e não agia para incentivar a reconciliação do irmão desviado com seu pai. Quantos “cristãos” de hoje mostram a mesma falta de amor?
  • Cada membro do corpo tem sua função para a edificação dos outros (Ef 4.16). O trabalho de correção dos irmãos que pecam não se limita aos pastores. Cada parte deve se cooperar na edificação mútua para o bem do organismo todo.
  • Os irmãos mais fortes devem restabelecer “as mãos descaídas e os joelhos trôpegos” (Hb 12.12-17). Ajudemos os fracos e desanimados para que não caiam nas mãos do Inimigo.

Uma igreja não deve ignorar nem tolerar o pecado (Ap 2.12-17). A principal queixa de Jesus contra a igreja de Pérgamo foi a sua tolerância. Talvez exageraram no ensinamento de não julgar (pervertendo o sentido de Mateus 7.1-5) a ponto de ignorar a necessidade de discernir entre o bom e o mau (1 Tessalonicenses 5.21,22; Provérbios 24.23-25). É triste ver muitas igrejas hoje cheias de pecado por falta de amor – amor de Deus e amor ao próximo. As instruções de Deus a Ezequiel mostram a importância da correção dos pecadores (Ez 3.16-21).

A Correção do Irmão que Cai no Pecado

Quando sabemos de pecado na vida de um irmão, devemos agir. Os espirituais devem corrigi-lo com brandura (Gl 6.1). Também sofremos com as fraquezas humanas, e devemos ser compreensivos na abordagem do pecador. Mas a nossa compreensão não justifica o pecado, e não deve se tornar tolerância ou aprovação. Ajamos com brandura, mas corrijamos!

  • A conversão do irmão de seu pecado é a salvação de sua alma (Tg 5.19,20; Pv 24.11). Igrejas que ensinam a impossibilidade do crente perder a salvação (uma doutrina fundamental do calvinismo) negam o ensinamento bíblico e oferecem uma falsa segurança às pessoas que caem. Tiago disse que o resgate do irmão que peca é uma conversão que salva a alma dele!
  • Há casos em que a correção pública é necessária (1 Tm 5.20; Gl 2.11-14). Alguns pecados públicos, se não corrigidos diante das outras pessoas, poderão levar outros ao mesmo erro. É desagradável, mas necessário, responder publicamente aos erros de alguns irmãos.

Em questões de ofensas pessoais, Jesus deu instruções específicas sobre como agir. Quando um irmão peca contra outro, devemos fazer o que Jesus mandou (Mt 18.15-17): 1. Falar em particular com a pessoa que nos ofendeu. 2. Se ela não aceitar a correção, devemos tentar de novo, levando uma ou duas testemunhas. 3. Se ela ainda não se arrepender, devemos levar o caso à igreja, que também deve repreender o ofensor. Se a pessoa for rebelde até esta última etapa, devemos nos afastar dela. Por outro lado, se o ofensor se arrepender, em qualquer momento, devemos perdoar e nos reconciliar, certos de que Deus, também, perdoa o arrependido.

Estas instruções de Jesus proíbem a prática comum de espalhar notícias dos erros particulares dos outros, sem primeiro falar com eles para ajudá-los (Pv 20.19; 26.20-22).

O Perdão do Arrependido

Se o pecador se arrepender e voltar, os outros irmãos devem perdoar e aceitá-lo (2 Co 2.3-11). Igrejas que praticam a expulsão sem a possibilidade de reconciliação (no caso de determinados pecados como adultério, por exemplo) erram por não mostrar o espírito de Deus, que “é rico em perdoar” (Is 55.7). O irmão arrependido deve ser perdoado e aceito e abraçado, não tratado como um cidadão de segunda classe. Uma vez que ele abandonou o império das trevas, precisará do apoio dos fiéis para se firmar novamente no reino de Cristo. Tenhamos o amor e a coragem para confrontar o pecado – na nossa vida e na igreja -- da maneira que Deus quer.



terça-feira, 16 de março de 2021

"Salvos, Através da Água"!

 




Por Leonardo Pereira



Se a superfície da terra fosse lisa, a água a cobriria numa profundidade de cerca de 3 km.  Parece que lembro também que os seres vivos, mesmo o corpo humano, se compõem de aproximadamente 80% de água.  A água é, obviamente, de todas as substâncias uma das mais encontradas, e sem ela toda a vida acabaria. Com toda a natureza nos impondo a necessidade de água, ela parece ser um símbolo quase inevitável de vida e salvação.  Não admira que Deus lhe dê um destaque tão grande nas Escrituras e no projeto de redenção. Um dos empregos mais naturais da água é como recurso purificador.  Quando que as pessoas deixaram de usar a água para tirar a sujeira do corpo ou de qualquer outra coisa suja?  Abraão pediu água para que os seus três convidados pudessem lavar os pés (Gn 18.4).  Em Gênesis 43.31, registra-se que José lavou o rosto antes de comer.

A mudança da purificação literal a um sentido simbólico não é coisa difícil.  As Escrituras falam de purificações rituais que capacitavam os sacerdotes para diversos serviços:  "Toma os levitas . . . e purifica-os; assim lhes farás [cerimonialmente], para os purificar:  asperge sobre eles a água da expiação; e sobre todo o seu corpo farão passar a navalha, lavarão as suas vestes e [assim] se purificarão" (Nm 8.6,7).  O povo em geral também tinha várias purificações que os limpava da contaminação cerimonial (Lv 4.8,9; Nm 19.11-13).

A água era usada para purificação espiritual.  Assim, Jó fala de se lavar com "água de neve" e limpar as mãos com sabão (Jó 9.30). Ainda mais diretamente, Davi roga:  "Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado . . . Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve" (Sl 51.2,7; Pv 30.12; Is 1.16). Tudo isso nos prepara para o elo inquebrável que o Novo Testamento estabelece entre a purificação do pecado e as águas do batismo.  Ananias disse a Saulo:  "E agora, por que te demoras?  Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dele" (At 22.16; 1 Co 6.11; Ef 5.26; Tt 3.5).  Em 1 Pedro 3.20,21, o apóstolo insiste que o batismo é um banho que salva, não um banho que meramente limpa a sujeira do corpo.

A água também tem algum sentido como elemento de julgamento, com poder para libertar e para destruir.  Ocorrem-nos dois exemplos impressionantes do Antigo Testamento: a travessia do mar Vermelho por parte de Israel e, é claro, o dilúvio.  No primeiro caso, relatado em Êxodo 14, o mar Vermelho se tornou a barreira entre Israel e a escravidão e o meio de se destruir Faraó. O salmista disse:  "Dividiu o mar e fê-los seguir; aprumou as águas como num dique . . . Dirigiu-o com segurança, e não temeram, ao passo que o mar submergiu os seus inimigos" (Sl 78.13, 53). Pedro, referindo-se ao grande dilúvio, disse que na arca "oito pessoas, foram salvos, através da água" (1 Pe 3.20).  Mas o mesmo acontecimento foi um julgamento sobre a terra (2 Pe 3.5,6) e serve de um tipo de garantia de que todo o mundo será novamente destruído pelo fogo da próxima vez.

Com o dilúvio, Deus destruiu os perversos dos dias de Noé (Gn 6.5-7) e libertou o justo Noé (Gn 6.9).  Mas o valor redentor do dilúvio teve efeitos ainda mais abrangentes.  Ele preservou uma linhagem justa para o Messias, que viria "buscar e salvar o perdido" (Lc 19.10), e "dar a sua vida em resgate por muitos" (Mt 20.28). Pedro prosseguiu afirmando que o dilúvio simboliza "o batismo, agora também vos salva, não sendo a remoção da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo" (1 Pe 3.21).  O pecador é batizado na morte de Jesus (Rm 6.3), um acontecimento que liga o julgamento de Deus sobre o pecado e a redenção do pecador.  Em certo sentido, portanto, ser batizado é ser julgado e redimido no mesmo ato.  A morte do velho homem, a ressurreição do novo.

Por fim, Pedro estabelece uma relação entre a água e a criação, quando diz que os céus e a terra surgiram "da água e através da água pela palavra de Deus" (2 Pe 3.5).  Que adequado, então, que a água, no ato do batismo, desempenhe o seu papel na formação, por parte de Deus, da nova criação: a pessoa em Cristo (2 Co 5.17).  A transformação do velho homem no novo é tão radical, que somente um acontecimento tão radical quanto a própria criação pode servir de analogia ou antítipo adequado.  Nas águas do batismo, Deus forma "feitura dele, criados em Cristo Jeus . . ." (Ef 2.10).


terça-feira, 9 de março de 2021

Jesus Abriu o Caminho

 




Por Leonardo Pereira



A História de praticamente todos os povos inclui relatos da coragem de desbravadores, pessoas que enfrentaram perigos e obstáculos para abrir caminhos que outros seguiriam nos séculos seguintes. Sejam os homens que enfrentaram os mares, aqueles que abriram caminhos pelas florestas, ou os primeiros a escalarem grandes montanhas, os desbravadores acharam ou criaram caminhos que outros continuam seguindo. Mas nenhum dos nossos trajetos terrestres pode se comparar com a nossa jornada eterna. Jesus disse que é difícil acertar o caminho (Mt 7.13,14). Mas, ele não nos deixou desamparado. Quando ele preparou os apóstolos para sua partida, ele oferece estas palavras de conforto: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Em vários aspectos da nossa vida espiritual, Jesus abriu o caminho e mostrou como devemos andar. Vamos ver alguns exemplos do trabalho deste grande desbravador.

Ele mostrou como amar

O amor é fundamental na nossa jornada para a eternidade. Jesus resumiu a lei divina em dois mandamentos: amar a Deus e amar ao próximo (Mt 22.36-40). O amor é a decisão de fazer o que é melhor para a pessoa amada, e assim se tornou uma ordem de Deus para nós. Se a pessoa não amar a Deus ou não amar ao próximo, ela peca contra Deus. Se o homem não amar a sua mulher e procurar o bem dela, ele peca contra Deus (Ef 5.25). O ensinamento de Jesus é tão elevado que nos chama a amar os nossos inimigos (Mt 5.43-45). A pessoa que odeia peca contra o Criador do céu e da terra. Observamos nestes exemplos que o amor divino é a base do nosso amor. O apóstolo João explica: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19). É interessante que o mesmo capítulo, um dos trechos mais bonitos sobre o amor, não trata o amor como sentimento emocional, mas como dever a ser cumprido (1 Jo 4.11). É por isso que entendemos que o amor é uma escolha e que a falta de amor é pecado.

Ele mostrou como obedecer

A obediência é essencial para chegar à presença de Deus. Quando Jesus estava aqui na terra, ele precisou ser obediente ao Pai para voltar à presença dele. Ele o fez com prazer, valorizando a recompensa de estar novamente junto ao Pai: “...olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus” (Hb 12.2). O mesmo livro diz: “Jesus, ... embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb 5.7-9). Aprendemos obedecer porque Jesus foi obediente.

Ele mostrou como servir

Seguindo Jesus, o perfeito Servo do Senhor, devemos nos dedicar ao serviço a Deus e aos outros. Jesus repreendeu a tendência dos discípulos a concorrerem para posições de honra: “Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.43-45). O verdadeiro discípulo coloca as necessidades dos outros acima das suas próprias (Rm 12.10-18).

Ele mostrou como ser crucificado

Alguns dos seguidores de Jesus foram literalmente crucificados. Mas todos os seguidores precisam ser crucificados com ele no sentido espiritual. Paulo disse: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.19b-20). Jesus abriu mão da vida aqui na terra para nos salvar. Nós abrimos mão dos prazeres carnais desta vida para lhe agradar, deixando ele viver em nós.

Ele mostrou como ser sepultado e ressuscitado

Após a sua morte, Jesus foi sepultado e, então, ressuscitado para uma nova vida. Paulo disse que nós imitamos este exemplo no batismo. Morremos ao pecado, somos sepultados nas águas do batismo, e ressuscitamos para a nova vida, deixando os pecados para trás (Rm 6.3-7). Observamos a sequência das coisas que Jesus fez e seguimos seu exemplo. Ele passou da morte pelo sepultamento para alcançar a nova vida. Nós passamos da morte pelo batismo para alcançara nova vida. É incrível como muitos distorcem a simplicidade deste ensinamento, até afirmando que a salvação (a nova vida) vem antes do batismo (o sepultamento). Mas, as pessoas que querem chegar à presença do Pai seguem o exemplo de Jesus e são batizadas para a remissão dos pecados (cf. At 2.38; Mc 16.16; At 22.16).

Ele mostrou como ser a plenitude de Deus

Jesus é “o resplendor da glória e a expressão exata” do Pai (Hb 1.3; Jo 14.7-10). Nele, reside toda a plenitude de Deus (Cl 1.19; 2.9). Da mesma maneira que ele reflete a perfeição de Deus, o povo dele (a igreja) é “a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Ef 1.22,23). Devemos viver de um modo que os outros possam ver a glória de Deus em nossas vidas.

Ele mostrou como aceitar a perseguição

Quando Jesus orientou os apóstolos sobre os desafios do seu trabalho, ele disse: “O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor. Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?” (Mt 10.24,25). A perseguição é um fato de vida para o cristão. “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3.12). Jesus não somente nos conduz num caminho que inclui perseguições, ele nos mostra como reagir: “...Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pe 2.21-23).

Ele mostrou como vencer

Jesus nos livrou do pecado e da morte, porque ele venceu estes inimigos do homem. Ele enfrentou todas as nossas tentações, mas não cedeu a nenhuma (Hb 4:15). Desta maneira, ele se capacitou para ser o sacrifício perfeito e eficaz (Hb 9.12,14; 10.12,14). A vitória de Jesus é a base da nossa vitória sobre as tentações e obstáculos desta vida. Paulo perguntou sobre os eleitos de Deus: “Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.... Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.34,37). No mesmo capítulo, ele pergunta: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (8.31). Um outro apóstolo fez outra pergunta parecida: “Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1 Jo 5.5). Se não vencermos, será porque não seguimos o nosso Senhor vencedor!

Ele mostrou como ser ressuscitado

Quando Jesus rompeu os grilhões da morte (At 2.24), ele abriu o caminho para a nossa ressurreição para a vida eterna. O homem não vive mais sujeito ao domínio da morte (Hb 2.14,15). Jesus foi ressuscitado para possibilitar a nossa ressurreição: “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem....Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (1 Co 15.20,23).

Ele mostrou como entrar no céu

Os apóstolos ficaram tristes e angustiados com a notícia da partida de Jesus. Mas ele ofereceu conforto, dizendo que iria na frente preparar lugar para eles e para todos que seguem o único caminho que leva ao Pai (Jo 14.1-6). Alguns ainda acreditam que a morte física marca o fim da existência do homem. Outros pregam que o alvo do servo do Senhor é habitar eternamente na terra. Mas Jesus nos preparou uma morada celestial, e nos mostrou como entrar no céu. O livro de Hebreus explica claramente que o discípulo de Cristo deve se esforçar para alcançar a recompensa no céu. Jesus entrou no descanso, penetrando o céu para estar na presença do Pai (4.10,14). Deus disse que nós devemos nos esforçar por entrar no mesmo descanso (4.11). A pessoa que não busca a vida eterna no céu não é discípulo do Senhor. Devemos correr para o refúgio, “a fim de lançar mão da esperança proposta; a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu, onde Jesus, como precursor, entrou por nós” (Hb 6.18-20).

Conclusão

Jesus Cristo é o maior de todos os desbravadores. Outros, por sua coragem e persistência, abriram caminhos aos mares e aos continentes, ou até a lugares fora deste planeta. Mas Jesus abriu o caminho para o céu, nos oferecendo uma habitação segura e eterna na presença do Pai. Vamos aprender dele e segui-lo, “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus” (Hb 12.2).