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sábado, 13 de novembro de 2021

Série Movimento Pentecostal - A Liderança de um Homem de Deus (Artigo 2 de 3)

 




Por Leonardo Pereira



As raízes do movimento pentecostal passam por William Joseph Seymour (1870–1922), um afro-americano, filho dos escravos libertos Simon Seymour e Phyllis Salabarr, que nasceu em Centerville, Louisiana, em 2 de maio de 1870. Considerado um dos fundadores do pentecostalismo moderno, William Seymour era um pregador vibrante a respeito dos dons espirituais, incluindo a cura divina, e acreditava que falar em línguas, a chamada glossolalia, era a principal evidência do batismo com o Espírito Santo. Apesar de suas convicções, Seymour não havia ainda tido nenhuma experiência dessa natureza.

A família de Seymour era pobre, o que fez com que ele recebesse pouca educação formal. Na parte religiosa, seus pais tinham afiliações com as igrejas Batista e Católica, o que o fez transitar entre as duas denominações em sua infância. Em 4 de setembro de 1870, aos quatro meses de vida, ele foi batizado em uma cerimônia católica na Igreja da Assunção em Franklin, Louisiana. Ainda criança, Seymour ficou cego de um olho após ter contraído varíola. No entanto, essa deficiência não o impediu de, anos mais tarde, dedicar-se a Deus como pregador. Sobre a juventude de Seymour, não existem muitas informações, mas foi nessa fase da vida que ele alegou ter visões de Deus. Durante esse período também, Seymour fez muitas viagens.

Em 1895, quando tinha 25 anos, Seymour foi morar em Indianápolis, Indiana. Enquanto trabalhava como garçom em restaurantes e hotéis de luxo, ele passou a frequentar a Simpson Chapel Methodist Episcopal Church, uma congregação afro-americana afiliada à Igreja Metodista Episcopal, predominantemente branca. Cinco anos mais tarde, em 1900, Seymour se mudou para Cincinnati, Ohio, onde se juntou ao Movimento de Restauração da Igreja de Deus, que também era chamado de Os Santos da Luz da Noite. O grupo fazia parte do crescente movimento de Santidade que abraçou uma doutrina radical que incluía a cura pela fé e uma crença no retorno iminente de Cristo, um evento que seria indicado pela integração das raças na adoração - uma conciliação que Seymour tentou realizar, muitas vezes com grande sucesso, ao longo de sua vida pastoral.

O grupo também acreditava na doutrina da santificação, um conceito que remonta ao protestantismo do século 19. No entanto, acreditava em uma conversão e santificação imediata, e não gradual, seguindo a aceitação de Cristo e o batismo no Espírito Santo. Mas o próprio Seymour chegou a declarar: “Minha opinião é que todo cristão precisa crescer em sua fé, seja por um evento, vários eventos ou por um processo”. Seymour foi aluno do pregador pentecostal Charles Parham, fundador do movimento Apostolic Faith, constituído por igrejas independentes que cresceram no sul e no oeste dos Estados Unidos, onde ele realizava as suas reuniões. Nessa mesma época, Seymour era pastor interino de uma pequena igreja em Houston. Com apoio financeiro de Parham, em 1906 Seymour foi para Los Angeles, convidado por Neeley Terry, que falou sobre um movimento de santidade que estava acontecendo na cidade. Mas a ligação com Parham foi corroída após Seymour dar início ao movimento pentecostal, cujas reuniões foram duramente criticadas por Parham.

O pentecostalismo da Rua Azusa

Antes de encabeçar o forte movimento pentecostal da Rua Azusa, Seymour visitou algumas igrejas onde pregava sobre o avivamento, sendo rejeitado em algumas delas e aceito em outras. Em Los Angeles, Seymour foi convidado a pregar na igreja de Julia M. Hutchins, que estabeleceu uma nova congregação depois de ter sido expulsa da Segunda Igreja Batista por causa de sua visão de santidade. Em seus sermões ali, Seymour defendia a importância de uma comunidade religiosa inter-racial e de falar em línguas como um sinal do Espírito Santo. As visões de Seymour e Hutchins não estavam alinhadas, especialmente sobre a glossolalia, o que fez com que ela o impedisse de continuar ministrando em sua igreja.

Considerado o pai do avivamento, sua pregação também não agradou alguns anciãos que não aceitaram o ensinamento de Seymour, principalmente porque ele não havia experimentado o que estava pregando. A Associação da Igreja de Santidade do Sul da Califórnia também condenou a mensagem de Seymour. Depois disso, Seymour foi convidado pelo casal Ruth e Richard Asberry para realizar cultos em sua casa, na Avenida North Bonnie Brae. Junto com seu grupo, logo Seymour se mudou para o local, de onde começou a orar pelo batismo no Espírito Santo, junto com famílias brancas que também frequentavam os cultos. Após cinco semanas de pregação e de oração de Seymour, Edward S. Lee falou em línguas pela primeira vez.

Entusiasmado com a experiência de Lee, Seymour compartilhou seu testemunho e pregou sobre Atos 2, quando, no mesmo culto, outras seis pessoas começaram a falar em línguas, incluindo Jennie Moore, que mais tarde se tornaria a esposa de Seymour. Não muito depois daqueles dias, em 12 de abril, Seymour falou em línguas pela primeira vez, depois de orar uma noite inteira. O grupo cresceu rapidamente e, ainda em 1906, foi para um prédio antes ocupado pela Igreja Metodista Episcopal Africana, na Rua Azusa 312. O local estava sendo usado como depósito e estábulo, o que exigiu uma grande limpeza, feita pelos próprios membros.

A casa recebeu móveis de igreja improvisados. O púlpito foi feito com dois caixotes pregados e os bancos eram de tábuas pregadas em barris vazios. Seymour fez sua casa no andar de acima da igreja e começou a realizar cultos três vezes por dia, sete dias por semana. Uma equipe de voluntários, incluindo negros e brancos e homens e mulheres, ajudava Seymour na realização dos cultos na nova congregação, chamada Missão de Fé Apostólica. As reuniões no local começaram em 14 de Abril de 1906 e continuaram até meados de 1915. Estima-se que o movimento pentecostal iniciado na Rua Azusa, por Seymour, tem cerca de 20 milhões de seguidores nos EUA e 500 milhões em todo o mundo.

Últimos anos de vida

A Notable Biographies registra que Seymour passou os últimos anos de sua vida viajando pelo país, falando principalmente para o público negro. Em 1915, ele publicou um manual, As Doutrinas e Disciplina da Missão de Fé Apostólica da Rua Azusa de Los Angeles, mas sua influência como figura religiosa estava diminuindo. Em 28 de setembro de 1922, Seymour morreu de um ataque cardíaco repentino em Los Angeles. Ele foi enterrado no Cemitério Evergreen em East Los Angeles. Após sua morte, Jennie se tornou pastora da igreja e continuou o trabalho de seu marido, mesmo depois de perder a missão Azusa em 1931. Ela morreu em 1936.

William Seymour morreu antes de realizar muitos de seus objetivos. Ele planejou estabelecer escolas e missões de resgate e formar outras congregações, mas esses sonhos nunca se realizaram. Ainda assim, apesar do rápido declínio em sua influência, Seymour teve um tremendo impacto no movimento pentecostal, que cresceu para incluir mais de meio bilhão de crentes em todo o mundo. Na verdade, o Reavivamento da Rua Azusa é frequentemente citado como uma das raízes do pentecostalismo moderno.



Referências:

DAYTON, Donald. Raízes Históricas do Pentecostalismo. São Paulo: Editora Carisma, 2018.

BARTLEMAN, Frank. A História do Avivamento Azusa. São Paulo: Impacto Publicações, 2016.

OLIVEIRA, José de. Breve História do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

PARHAM, Charles Fox. Uma Voz Clamando no Deserto. São Paulo: Editora Reflexão, 2020.


domingo, 3 de outubro de 2021

Distinção entre Igreja e Indivíduo

 




Por Leonardo Pereira



Às vezes, alguém argumenta que "a igreja pode fazer tudo que o indivíduo pode fazer". Desse modo, se uma pessoa cristã pode se envolver em atividades sociais e esportivas, a igreja pode fazer a mesma coisa. Se uma pessoa pode sustentar uma faculdade, a igreja pode fazer o mesmo. E assim por diante. Não há dúvida que a igreja pode fazer algumas coisas que o indivíduo faz, e vice-versa. O indivíduo deve tentar ensinar o evangelho a outras pessoas, mas esse, também, é um trabalho da igreja local. A pessoa cristã tem responsabilidades em termos de benevolência (Tg 1.26,27), e a igreja local também tem (2 Co 8,9). Mas o fato que os dois têm trabalho para fazer na mesma área não prova que a igreja pode fazer tudo que o indivíduo faz. Tal raciocínio exigiria um grande pulo na lógica. Sabemos que existem áreas de duplicação de responsabilidades porque as Escrituras mostram isso.

As Escrituras mostram uma distinção entre atividade individual e atividade da igreja. Enquanto a igreja é composta de indivíduos, o indivíduo sozinho não é a igreja. O termo grego ekklesia (igreja) descreve um grupo ou assembléia, e não pode ser usado corretamente para descrever uma pessoa só (como o termo "revoada" não seria aplicado a um solitário ganso). Vários trechos mostram essa diferença. Antes que a igreja, como estabelecida por Cristo, existisse (em termos universais ou locais), o indivíduo existia e tinha papéis para cumprir em relação ao casamento. Casamento, como exemplo, é algo para indivíduos. As atividades do casamento são dignas de honra (Hb 13.4), mas não seriam dignas nem apropriadas no contexto da igreja. As instruções referentes ao casamento são aplicadas aos indivíduos casados. Embora as instruções sobre o casamento sejam dadas em reuniões do povo de Deus, somente os indivíduos podem seguir essas instruções e participar das bênçãos. Considere como seria absurdo argumentar, no contexto do casamento, que a igreja pode fazer tudo que o indivíduo faz!

Sendo cristão envolve todos os relacionamentos da vida. Devemos nos esforçar para fazer a vontade de Deus no lar, nos negócios, em relação ao governo, e nas atividades sociais. Nada na vida é isento. Então para distinguir entre o indivíduo e a igreja não quer dizer que há coisas que fazemos como cristãos e outras coisas que não fazemos como cristãos. Sempre somos cristãos, não importa qual aspecto da vida estejamos considerando. Porém, há algumas responsabilidades que cumprimos como indivíduos cristãos, e outras que precisam ser cumpridas no contexto da congregação (a igreja local, não a universal). Por exemplo:

1. Trabalhando para sustentar a família (Ef 4.28; 1 Tm 5.8,16). Note que, em 1 Timóteo 5, se faz uma distinção entre a responsabilidade do indivíduo e a da igreja. É somente quando o indivíduo não tem condições de suprir as necessidades mencionadas aqui que a igreja pode ser incumbida (versículo 16). Se a igreja e o indivíduo são a mesma coisa, esse versículo não teria sentido.

2. Envolvendo-se em negócios e profissões (1 Ts 4.11; 2 Ts 3.10; Tg 4.13-17). O indivíduo pode comprar e vender e se sustentar através do comércio. Qual passagem sugere que isso seja a obra da igreja?

3. Pais e filhos no lar (Ef 6.1-4). O indivíduo tem o direito de disciplinar seu próprio filho. Alguém diria que tal disciplina é a obra da igreja?

4. Casamento. Como já observamos, o indivíduo pode ter uma esposa e cumprir seus deveres em relação a ela (1 Co 7).

5. O indivíduo pode participar de exercícios para cuidar do seu corpo. Então, a igreja deve patrocinar academias ou aulas de ginástica?

6. Refeições comuns são para indivíduos. Note que, em 1 Coríntios 11.18-34, Paulo distingue entre o que se faz como "igreja" e o que deve fazer em casa. Isso mostra que há algumas coisas que podemos fazer "em casa" que Deus não quer que façamos "na igreja".

7. A educação dos filhos é responsabilidade da família. Eu posso mandar um filho à escola, mas isso não quer dizer que é responsabilidade da igreja.

8. A família é responsável por atividades sociais e de lazer. Quando a igreja coletivamente se envolve nesses assuntos, ela está fora do seu papel.

O indivíduo tem mais liberdade para agir em vários aspectos da vida do que Deus tem permitido para atividade coletiva da igreja local. Além disso, há decisões e ações individuais que não devem envolver a igreja toda (veja, por exemplo, Romanos 14). Devemos ser muito cautelosos para não confundir o indivíduo com a igreja. O indivíduo deve cumprir suas responsabilidades particulares, e a igreja deve ser a igreja.


segunda-feira, 27 de setembro de 2021

A Graça de Deus na vida de Pedro

 




Por Leonardo Pereira



Dá para imaginar o olhar fixo e confiante e a voz forte de Pedro quando, na noite antes de crucificação de Cristo, esse discípulo disse que jamais abandonaria Jesus. É um dos poucos episódios registrados em todos os quatro relatos do evangelho no Novo Testamento: “Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim” (Mt 26.33). “Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!” (Mc 14.29). “Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte” (Lc 22.33). “Replicou Pedro: Senhor, por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a própria vida” (Jo 13.37). E todos os relatos registram a mesma resposta de Jesus. Ele disse que Pedro o negaria três vezes naquela mesma noite (Mt 26.34; Mc 14.30; Lc 22.34; Jo 13.38). Pedro não aceitou essas palavras de Jesus, e insistiu que jamais negaria seu Mestre. Na hora da provação, Pedro negou Jesus três vezes! Ele fingiu ignorância sobre Jesus e chegou a jurar e maldizer nas suas negações enfáticas de Jesus (Mt 26.69-74).

Muita Diferença!

Pedro poderia ter cometido pecado maior? Depois de três anos acompanhando Jesus por perto, observando sua bondade, amor e perfeição moral e, especialmente, depois de confessar com convicção sua fé em Jesus como “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16), como este apóstolo chegaria a negar conhecimento de Jesus? Será que o pecado de Judas, que admitiu conhecimento mas entregou Jesus aos seus inimigos, foi maior? É difícil ver muita diferença nos pecados destes dois apóstolos.

Fato Interessante

Lucas é o único dos quatro evangelistas a contar um fato especialmente interessante sobre aquela noite. Durante a série de julgamentos de Jesus, houve um momento em que Jesus “fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo” (Lc 22.61). Jesus conhecia o coração de Pedro, e não precisava olhar para saber o que acontecia com esse apóstolo. Mas, naquele momento, Pedro sabia que Jesus olhava para seu íntimo e viu seus atos de traição. Quando Pedro enxergou o tamanho do seu pecado contra Jesus, ele saiu e chorou amargamente (Mt 26.75). Ele havia chegado ao fundo do abismo de afastamento do Senhor.

Depois da sua ressurreição, Jesus convidou Pedro a receber o perdão e se reconciliar com ele. Logo depois de sair do túmulo, Jesus mandou uma mensagem para os apóstolos e destacou Pedro (Mc 16.7). Pedro bem sabia que merecia a censura e até o castigo divino por seus atos, mas mesmo assim não tentou fugir do Senhor (essa é a grande diferença entre Pedro e Judas Iscariotes). Ficou com os outros apóstolos quando Jesus apareceu a eles (Mc 16.14). Durante seis semanas, Jesus andou com seus 11 apóstolos. Pedro viu novamente as provas da sua divindade e seu caráter misericordioso. Mas Jesus sabia que Pedro precisava ouvir as palavras de aceitação, e não deixou a terra antes de confirmar para Pedro a sua graça e perdão. O homem que negou a Jesus três vezes teve oportunidade de afirmar seu amor por ele três vezes, e ouviu três vezes a chamada do seu Senhor ao importante trabalho de apascentar as suas ovelhas. E aquele apóstolo, apesar de ter vacilado terrivelmente na noite dos julgamentos de Jesus, ouviu a afirmação do Senhor de que ele continuaria fiel até morrer por Jesus (Jo 21.15-19).

As Boas Novas do Senhor

Logo após a ascensão de Jesus, Pedro começou a pregar as boas novas do Senhor. Ele pregou sobre Jesus que se fez carne, viveu como homem sem pecar e morreu na cruz para estender sua misericórdia para todos que se mostram dispostos a se converter ao Senhor. Ele pregou o evangelho da graça de Jesus, porque ele mesmo recebeu esta graça. Pedro, um fraco e desprezível pecador, foi perdoado pela misericórdia de Jesus Cristo!



Referências:

LOPES, Hernandes Dias. Pedro - Pescador de Homens. São Paulo: Hagnos, 2015.

Bíblia Sagrada. Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

RIBEIRO, Anderson. A Mensagem de Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.


Recomendação de Leitura do Mês - O Calendário da Profecia (Antonio Gilberto)

 




Por Leonardo Pereira



Grandes livros (obras primas) se destacam pelos seus grandes autores e no âmbito evangélico não é diferente. Temas bíblicos em estudo voltados para a vida humana (antropologia), igreja (Eclesiologia) e a própria Bíblia (Bilbiologia) são fascinantes aos olhos dos estudantes da Palavra de Deus. Contudo, há um tema em que muitos gostam de se aventurar e outros que por receio já o evitam com temor e tremor, que é a Escatologia Bíblia, o estudo do fim dos tempos, um tema bastante complexo mas extremamente interessante e importante para as nossas vidas e as vidas de muitas pessoas. Dentre tantos autores e escritores que escreveram sobre este tema, um tem o seu destaque e grande contribuição para todos, que é o pastor Antonio Gilberto da Silva.

Antonio Gilberto é consultor doutrinário da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, mestre em Teologia, graduado em Psicologia, Pedagogia e Letras, membro da diretoria da Global University nos Estados Unidos e autor dos livros “Mensagens, Estudos e Explanações em 1 Coríntios”, “O Calendário da Profecia”, “O Fruto do Espírito”, “A Bíblia: o livro, a mensagem e a história”, “A Prática do Evangelismo Pessoal”, “Verdades Pentecostais”, “A Bíblia através de séculos”, “Crescimento em Cristo” e “Manual de Escola Dominical”, todos títulos da CPAD, sendo este último o seu maior best-seller, com mais de 200 mil exemplares vendidos.

Muitos se intitulam videntes, astrólogos, magos, adivinhos, futurólogos ou profetas – todas a serviço da credulidade de uns e da sede da verdade de outros quanto ao seu próprio futuro ou ao futuro do mundo e da humanidade. Em meio a essa multidão de crédulos e de falsários, o fiel cristão precisa conhecer o que lhe reserva o futuro. As profecias sempre chamaram a atenção da humanidade, e muitos dos que se disseram profetas não puderam ser reconhecidos como tais, pois suas mensagens são obscuras e nunca se cumpriram.

Para responder a essas e outras importantes perguntas sobre as últimas coisas, o pastor Antonio Gilberto escreve O Calendário da Profecia, um verdadeiro tratado de escatologia. A escatologia, ou o estudo das últimas coisas, trata dos acontecimentos que hão de ocorrer no chamado fim dos tempos. Questões como a volta de Jesus, o arrebatamento da igreja, o domínio do Anticristo e a “grande tribulação”, e o julgamento final dos ímpios são alguns desses temas que fazem parte do calendário da profecia. Esses eventos possuem uma cronologia, uma sequência de atos que estão descritos na Bíblia e que, por meio desta obra, serão apresentados e compreendidos da forma correta.

Nos 11 capítulos deste livro, o autor faz uma análise minuciosa e ensina-nos sobre os principais eventos que estão para acontecer segundo as Escrituras, fechando a obra com um detalhado sumério geral dos eventos escatológicos, aprofundando o leitor ainda mais no assunto e mostrando que a Bíblia é, de fato, a santa e inerrante Palavra de Deus. O Calendário da Profecia é um verdadeiro tratado escatológico sobre eventos que estão para acontecer, referentes ao futuro do mundo e da humanidade. Leia este livro e veja o que Deus reservou para estes dias. Descubra o que há por trás das figuras e símbolos da última mensagem da Bíblia.


terça-feira, 21 de setembro de 2021

Palavras e Vida

 




Por Leonardo Pereira


Vivemos em um período de intensos desafios, tantos internos quanto externos em nossas vidas, nossas famílias e em nossos relacionamentos. O mundo está girando cada vez mais rápido, mais intenso e mais dinâmico cujo alvo é obter os objetivos pessoais ou coletivos o mais rápido possível, pelos meios possíveis da melhor forma possível (seja em uma forma positiva ou negativa). Pessoas estão mais individualistas e o amor está sendo uma palavra mais citada do que praticada, assim como a empatia, a paciência e a moderação de espírito. Jesus avisou aos seus discípulos que o amor de muitos se esfriaria e que uns aos outros se aborreceriam e se odiariam. Ou seja, Ele mostrou-nos o ambiente do presente século (fim dos tempos) de modo à ficarmos vigilantes afim de não sermos enveredados pelo momento em que nos cerca e pelas atitudes do mundo que chegam até nós por meio de informações e notícias que abalam o país e o mundo (televisão, internet, jornal, rádio e sites de notícias). Cristo Jesus tinha plena certeza que ao seu amado povo, deveria se preparar para enfrentar com coragem o fim dos tempos, não deixarmos desenganados quanto o que encontra-se ao nosso redor, e prosseguirmos em suas palavras até o fim de nossas vidas.

O que devemos fazer?

Primeiramente é escutar as Palavras de Jesus Cristo. Em Mateus no capítulo 7, Ele ensinou-nos a quem devemos ser e como devemos fazer no decorrer da vida: "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda" (Mt 7.24-27). Escutando à Cristo e trazendo para sí a sua mensagem do Senhor e Salvador Jesus Cristo guardada em seu coração e sua alma. A maturidade chega quando aquele que põe em prática os ensinamentos do Mestre, nos condiciona à ação, à fazermos a diferença neste mundo imerso em trevas, vivendo prudentemente diante de uma sociedade bastante desvirtuada dos valores cristãos.

Vivendo Verdadeiramente

Diante de tudo o que ouvimos e vemos, o que nós entendemos é que necessitamos viver verdadeiramente na presença do Senhor. Vivendo verdadeiramente não nos garante uma vida calma, branda, tranquila ou até mesmo agradável. Poderemos passar por sofrimentos, tristezas, angústias, lamúrias e desânimos. Quando vivemos de verdade, uma vida regida por Deus, com sabedoria, educação e equilíbrio em nosso cotidiano, estamos completamente nos entregando a um momento especial em nossa jornada: a forte maturidade com responsabilidade em âmbito moral e espiritual. Por isso, é muito mais do que urgente e necessário o conselho de Salomão em nosso tempo: "Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento; Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva; No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas; E as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as filhas da música se abaterem. Como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadore andarão rodeando pela praça; Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu" (Ec 12.1-7).

Conclusão

Não deixemos nos contaminar com a cultura humana da atualidade que nos rodeia e que voltemos a mensagem de nosso Senhor Jesus Cristo. O mundo precisa de Jesus e nós também. Por isso, aproveitemos o nosso tempo para vivermos de acordo com as palavras do Mestre e que usemos a nossa vida da melhor forma possível: entregando todo o nosso ser ao Senhor, confiando n´Ele, crendo que Ele é poderoso para fazer infinitamente mais (Ef 3.20), além de tudo que pedimos e pensamos. O nosso Deus é Fiel!


terça-feira, 14 de setembro de 2021

Jesus: “Eu Sou”

 




Por Leonardo Pereira



João relatou episódios selecionados da vida de Jesus para defender um tema principal: Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, que oferece a vida aos que crêem nele (Jo 20.30,31). Nas palavras e atos de Jesus, registrados neste livro, Jesus se apresenta com uma série de afirmações, normalmente ligadas imediatamente com os sinais que ele operava. Jesus disse:  1. Eu sou o pão da vida (Jo 6.35,41,48,51);  2. Eu sou a luz do mundo (Jo 8.12);  3. Eu sou a porta das ovelhas (Jo 10.7,9);  4. Eu sou o bom pastor (Jo 10.11,14); 5. Eu sou a ressurreição e a vida (Jo 11.25);  6. Eu sou o caminho, e a verdade e a vida (Jo 14.6);  7. Eu sou a videira verdadeira (Jo 15.1,5).

Cada afirmação ensina algo importante sobre a missão de Jesus, mostrando que ele veio para ensinar, salvar e proteger o seu povo. Mas, quem pode fazer tais promessas elevadas? Nenhum mero homem teria condições de oferecer tudo que Jesus prometeu, porque nenhum homem tem as mesmas qualidades que Jesus possui.  A capacidade dele de ser e oferecer tantas coisas vem de sua natureza divina. É exatamente esta natureza que ele destaca com mais uma afirmação. Em João 8.24,28 e 58, ele se descreve com as simples palavras: “Eu Sou”. Ele não é apenas o pastor, ou a luz, ele é o eterno Deus. Ele não foi criado e não veio a existir. Nas suas próprias palavras, Jesus disse: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (Jo 8.58).

Os judeus consideravam esta afirmação blasfêmia, porque Jesus estava se igualando com Deus (Mc 14.61-64). De fato, é a mesma linguagem usada para descrever Jeová em Êxodo 3.14. Isaías, nas suas grandes profecias do Messias, afirmou a divindade do Salvador com as mesmas palavras (Is 43.11-15; 44.6; 45.6,18; 48.17). Jesus usou palavras carregadas de poder e eternidade para se apresentar ao mundo. Nós devemos crer no único “Eu Sou” para termos a vida eterna. Jesus disse: “Porque, se não crerdes que Eu Sou, morrereis nos vossos pecados” (Jo 8.24).


Autoridade e Catolicismo

 




Por Leonardo Pereira



A Igreja Católica deriva a autoridade para suas práticas de duas fontes diferentes: A Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição. É ensinado aos católicos que as Escrituras são a palavra de Deus e que milhares de anos atrás a palavra de Deus foi escrita sob a inspiração do Espírito Santo. Para compor os livros que compreendem o Velho e o Novo Testamentos, Deus escolheu certos homens que, ainda que usando suas próprias capacidades e estilo, escreveram o que ele queria que fosse comunicado, nada mais, nada menos. Essa palavra, a Bíblia, é significativa e sagrada. A Bíblia, contudo, não é a única fonte de autoridade para os católicos. De acordo com o Catecismo da Igreja Católica (revisão de 1994), fé não é uma "religião do livro," mas antes uma religião da "Palavra" de Deus. Essa "não é uma palavra escrita e muda, mas encarnada e viva."
   
As Escrituras do primeiro século foram registradas e finalmente compiladas na Bíblia, mas os católicos creem que a divina inspiração não parou quando os apóstolos e seus contemporâneos morreram. Eles creem que a pregação dos apóstolos, que foi expressa de um modo especial na Bíblia, é também preservada numa linha contínua de sucessão até o fim do tempo. Esta revelação contínua é conhecida como a Tradição Sagrada. Os católicos entendem que o Papa é inspirado e fala por Deus, nos dias atuais. Através dos séculos, vários Papas fizeram decretos em nome de Deus e esses decretos foram seguidos como parte da tradição da Igreja Católica. Alguns desses decretos de Papas foram revistos através dos anos porque o Papa atual é considerado como tendo a mais atualizada informação de Deus.

A Igreja Católica, portanto, não proclama receber sua certeza sobre as verdades reveladas somente das Escrituras. Tanto a Sagrada Escritura como a Sagrada Tradição precisam ser aceitas e honradas igualmente.

Autoridade e a Bíblia

Logo antes de sua ascensão ao céu, as Escrituras nos contam que Jesus disse, "Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28.18-20). Na Epístola de Paulo aos Efésios, vemos um retrato claro da posição de Jesus a respeito da igreja: "Que lhes ilumine os olhos da mente, para que compreendam a esperança para a qual ele os chamou; para que entendam como é rica e gloriosa a herança destinada ao seu povo; e compreendam o grandioso poder com que ele age em favor de nós que acreditamos conforme a sua força poderosa e eficaz. Ele a manifestou em Cristo, quando ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita no céu, muito acima de qualquer principado, autoridade, poder e soberania, e de qualquer outro nome que possa nomear, não só no presente, mas também no futuro. De fato, Deus colocou tudo debaixo dos pés de Cristo e o colocou acima de todas as coisas, como Cabeça da Igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que plenifica tudo em todas as coisas" (Ef 1.18-23).
 
A Bíblia ensina que Jesus tem autoridade exclusiva sobre sua igreja. Não estando mais na terra, contudo, ele está presente na palavra de Deus. A Bíblia confirma que a palavra de Deus tem autoridade na igreja. A segunda epístola de Paulo a Timóteo diz: "Quanto aos maus e impostores, eles progredirão no mal, enganando e sendo enganados. Quanto a você, permaneça firme naquilo que aprendeu e aceitou como certo; você sabe de quem o aprendeu. Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2 Tm 3.13-16).
 
O termo "Sagrada Tradição" não é mencionado nas Escrituras. Contudo, há lugares onde "tradição" é mencionada. Em alguns lugares a tradição que está sendo seguida é condenada enquanto em outros é elogiada. No evangelho de Marcos, vemos Jesus censurando os fariseus por seguirem a tradição, antes que a palavra de Deus: "Os fariseus e os doutores da Lei perguntaram então a Jesus: 'Porque os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, pois comem pão sem lavar as mãos?' Jesus respondeu: 'Isaías profetizou bem sobre vocês, hipócritas, como está escrito: Este povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim. Não adianta nada eles me prestarem culto, porque ensinam preceitos humanos. Vocês abandonam o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens'. E Jesus acrescentou: 'Vocês são bastante espertos para deixar de lado o mandamento de Deus a fim de guardar as tradições de vocês" (Mc 7.5-9, 13; cf. Mt 15.2-9).
 
Em sua Epístola aos Colossenses, Paulo adverte: "Cuidado para que ninguém escravize vocês através de filosofias enganosas e vãs, de acordo com tradições humanas, que se baseiam nos elementos do mundo, e não em Cristo. É em Cristo que habita, em forma corporal, toda a plenitude da divindade. Em Cristo vocês têm tudo de modo pleno. Ele é a cabeça de todo principado e de toda autoridade" (Cl 2.8-10). Em duas circunstâncias vemos falar de tradições de modo positivo. Na segunda Epístola aos Tessalonicenses, Paulo, Silvano e Timóteo escrevem: "Por isso, irmãos, fiquem firmes e mantenham as tradições que lhes ensinamos de viva voz ou por meio da nossa carta" (2 Ts 2.15). Paulo também aproveita a oportunidade para admoestar a igreja de Tessalônica: "Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo ordenamos: fiquem longe de qualquer irmão que vive sem fazer nada e não segue a tradição que recebeu de nós" (2 Ts 3.6). A distinção entre a tradição que é positiva e a que é negativa é encontrada em sua fonte. Tradições que se originam dos humanos são condenadas, enquanto as tradições que se originam de Deus e são levadas através dos apóstolos e outros discípulos inspirados são aprovadas.

Resumo

Até este ponto temos visto que os ensinamentos e práticas da Igreja Católica diferem às vezes das práticas dos cristãos nas Escrituras. Algumas práticas católicas são encontradas na Bíblia; algumas não são nem mesmo mencionadas; outras parecem ser condenadas. O fato que a Igreja Católica declara derivar sua autoridade igualmente da Sagrada Escritura e da Sagrada Tradição é responsável por esta divergência. Quaisquer práticas passadas, presentes ou futuras da Igreja Católica que não podem ser apoiadas pelas Escrituras podem ser explicadas seguindo-as até o Papa que lhes deu existência. Para alguns, confiar tanto na Sagrada Escritura como na Sagrada Tradição como guias parece ser lógico e aceitável, mas se o Papa pode mudar as práticas autorizadas pela Sagrada Escritura, então a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição não podem ser iguais, como são declaradas. Quando o que o Papa decreta contradiz a palavra de Deus, antes que ser honrada, parece que aquela porção da Escritura é anulada.
   
Como foi mencionado antes, os católicos acreditam que Pedro foi o primeiro Papa. A Bíblia confirma que Pedro era inspirado, e dá exemplos dele e dos outros apóstolos distribuindo dons espirituais, tais como profecia, a outros discípulos. Os crentes que receberam os dons espirituais dos apóstolos foram capazes de operar milagres e profetizar exatamente como os apóstolos, contudo, aqueles crentes não podiam passar os dons espirituais que tinham recebido. Desde que somente os apóstolos foram capazes de distribuir dons espirituais (At 8.14-18), uma vez que os apóstolos morreram, como os futuros Papas receberam a capacidade de profetizar sobre assuntos relacionados com a igreja?
   
As Escrituras não fazem nenhuma menção a Pedro ser um Papa, nem mencionam nenhuma sucessão de liderança na igreja, além dos anciãos. As Escrituras também não fornecem nenhuma evidência de que o dom espiritual da profecia continuaria através dos séculos. Em 1 Coríntios 13.8, é-nos dito que o dom da profecia terminaria.


terça-feira, 7 de setembro de 2021

Salvação sem o Evangelho?

 




Por Leonardo Pereira



Muitos de nós se dizem ser cristãos e salvos da escravidão do pecado. Mas, como podemos saber se estamos salvos? Alguns dizem que estão salvos porque a sua igreja ou líderes religiosos assim o dizem. Outros simplesmente se sentem salvos. Outros ainda, afirmam ter "encontrado Deus" da maneira deles. O amplo leque de respostas poderia continuar indefinidamente, especialmente num mundo religioso onde um tema tão simples (como a salvação) é encoberto por confusão e desentendimento. A única maneira de podermos entrar em acordo uns com os outros, e principalmente, ter plena certeza dentro de nós mesmos, é achar e aceitar a resposta de Deus. Nós só podemos saber se estamos salvos quando tivermos obedecido o plano de Deus para nossa salvação. O plano e a certeza da salvação vêm somente através do evangelho de Jesus Cristo, as boas novas que nos mostram o caminho para a redenção.

Paulo disse: "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego" (Rm 1.16). Ele continua através da carta a mostrar que os caminhos e os sentimentos dos homens não são verdadeiros guias para a salvação. Nada pode tirar o papel do evangelho no plano de Deus para a nossa salvação! Reconhecendo que o evangelho é essencial para a nossa salvação exige que nós o estudemos. Revelando a sua vontade para nós no Novo Testamento, Deus nos deu "todas as cousas que conduzem à vida e à piedade" (2 Pe 1.3). Ele nos avisou dos perigos de aceitar ou proclamar quaisquer novos ou diferentes "evangelhos" (Gl 1.6-9). Deus revelou a sua vontade e enfatizou a sua importância. Compete a nós aprender e obedecê-la.

Nossos sentimentos não nos dão confiança segura da salvação. Paulo perseguiu violentamente o povo de Deus (At 22.4,5), entretanto, ele afirma que tinha agido "com toda a boa consciência" (At 23.1). Ele sentiu que estava fazendo a coisa certa. Ele era zeloso diante de Deus. Mas ele estava errado! Nós podemos pensar que estamos certos e demonstrar grande zelo e no entanto estar condenados diante de Deus. Nossos sentimentos não são o padrão com o qual medimos nossa condição diante de Deus.

As doutrinas dos professores humanos não nos fornecem a direção certa para a salvação. Os homens estão constantemente inventando e revisando seus planos para a redenção, conduzindo as pessoas para seguirem centenas de diferentes caminhos, todos os quais supostamente, se dirigem para o mesmo lugar. Não acredite nisso! O evangelho nunca nos diz que podemos seguir caminhos diferentes que levam ao mesmo lugar. Ao contrário, ele diz que podemos chegar ao Pai somente através do Filho (Jo 14.6). Jesus disse que seremos julgados pelas suas palavras (Jo 12.48,49), não pelas doutrinas convenientes aos homens. Para nos beneficiarmos do poder do evangelho, devemos seguir suas instruções. Devemos crer na mensagem que "Jesus é o Cristo, o Filho de Deus" (Jo 20.31). Devemos agir com base nesta fé, nos arrependendo dos nossos pecados e sendo batizados para a remissão deles (At 2.38). Qualquer um que nos oferecer um plano diferente está tentando nos oferecer salvação sem o evangelho!


terça-feira, 31 de agosto de 2021

Missões - Um Fator Primordial na vida do Cristão

 




Por Leonardo Pereira



O conceito de missionário tem se distorcido ao longo do tempo. Os cristãos de hoje em dia se dividem entre aqueles que “tem chamado missionário” e aqueles que não. Mas é correto pensar dessa forma? É apenas um missionário o que é enviado para um país subdesenvolvido? No dicionário, temos a definição principal de “missão” como a “incumbência que alguém deve executar a pedido ou por ordem de outrem; encargo”. Então, basicamente, ser missionário é cumprir uma ordem que lhe foi dada por alguém que está a frente da missão. Certo? Devemos entender então que, se tudo é feito d’Ele, por Ele e para Ele. A missão é inteiramente d’Ele!

A missão é simples e foi deixada pelo próprio Deus encarnado, Jesus Cristo. E não apenas para aqueles onze que ouviram a mensagem da boca do próprio Messias. Mas para toda a igreja, até a volta do Senhor! Nós chamamos esta conversa de Jesus “A Grande Comissão”. Se analisarmos cuidadosamente, veremos que, se a missão é uma incumbência, a comissão é o ato de incumbir! “Então, Jesus aproximou-se deles e disse: “Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu ordenei a vocês. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28.19,20).

O que preciso para fazer parte da missão?

A primeira coisa a fazer para ser um missionário é aceitar Jesus e ser batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Mesmo Jesus apenas começou sua missão depois de ser batizado por João Batista (Mt 3.13). É necessário receber o Espírito Santo. É Ele quem dá poder, coragem e autoridade para que a missão seja realizada. Estamos muito enganados ao pensar que essas coisas eram destinadas apenas aos discípulos de Jesus naquele tempo. Como cristãos, somos discípulos do Cristo também, então a mesma palavra é estendida a todos os que crêem n’Ele e pelo Seu nome foram batizados. Quando Jesus diz que algo foi dado aos discípulos “de graça”, diz sobre Si mesmo e sobre a Sua mensagem. Isso passou de um para o outro desde aquela época e se torna presente hoje em nossas vidas junto com a missão que foi deixada há dois mil anos pelo Rei dos Reis.

Começando a missão

Agora que tudo que é necessário para se tornar parte da Grande Comissão de Cristo foi feito, basta ir. Alimentar-se diariamente da Palavra de Deus, orar ao Senhor por orientação e sabedoria e jejuar para estar sempre mais perto d’Ele. Junto com isso, diga a todos o que você pode sobre o perdão dos pecados e as coisas que Jesus fez em sua vida. Anuncie o evangelho (boas novas) a seus pais, irmãos, tios, primos e toda a família. Fale sobre o amor de Cristo pelas pessoas do seu trabalho ou do seu ambiente acadêmico. Não esqueça: faça discípulos! Você não pode só plantar uma semente e se recusar a regá-la para crescer. Claro, não podemos esquecer que existem alguns a quem o Senhor chama para serem enviados para lugares específicos. Como os missionários que vemos indo para outros países. Mas agora, entendendo qual é a missão, sabemos que ser missionário não significa necessariamente ir para a África.

Que Deus, o Pai do Senhor Jesus Cristo, conceda-lhe graça, paz e o poder do Espírito Santo para que todas as missões sejam realizadas até o fim do mundo. Amém!


Davi herdou o pecado?

 




Por Leonardo Pereira



Salmo 51.5 diz: "Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe". Este versículo é frequentemente arrancado de seu contexto para defender a doutrina da depravação herdada. São muitos os problemas com tal interpretação. Outros textos negam claramente a ideia do pecado herdado (Ez 18.20, por exemplo). Jesus usou as crianças como exemplo da pureza inocente que todos nós precisamos adquirir (Mt 19.13-15). 1 João 3.4 nos diz que o pecado é cometido (não herdado). Romanos 5.12 diz que todos nós participamos da morte que Adão sofreu, não porque herdamos seu pecado, mas porque cometemos nossos próprios pecados. Qualquer interpretação de Salmo 51.5 que sugira depravação herdada contradiz estas afirmações claras da Escritura.

Mas o que Davi está tentando dizer? Salmo 51 é o apelo agoniado de um coração ensanguentado. Davi tinha encarado a feiura de seu próprio pecado. Ele não está falando sobre o pecado de Adão, ou de sua própria mãe. Ele fala sobre "minha iniquidade", "meu pecado" e "minhas transgressões" (Sl 51.2,3). O versículo 4 é uma declaração absoluta de culpa pessoal: "Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar." No versículo 4, encontramos as chaves que precisamos para entender o versículo 5. 1) Davi está usando uma hipérbole, ou figura de linguagem exagerada, para ressaltar a profundidade do seu pecado diante de Deus. O fato é que ele não pecou somente contra Deus. Pecou contra Bate-Seba quando cometeu adultério com ela, contra Urias quando roubou sua esposa e assassinou o esposo inocente, contra Joabe que foi o cúmplice involuntário no assassinato de Urias e de outros soldados (2 Sm 11). 2) Davi está realçando a magnitude de seus pecados contra o Senhor. 3. Ele está reconhecendo a pureza e a justiça de Deus em contraste com seu próprio estado pecaminoso.

É aqui que entra o versículo 5, Davi sente-se tão longe da intimidade com Deus, isto é, como se jamais tivesse estado em comunhão com ele. Quando Davi olha para seus próprios pecados desprezíveis, ele não pode imaginar jamais ter andado com Deus. Salmo 51 não é uma defesa da doutrina humana da depravação herdada, e não empresta nenhum apoio a tais práticas não bíblicas como o batismo dos recém-nascidos. Mas este Salmo é um olhar angustiado para a feiura do .pecado e a profundidade do verdadeiro arrependimento.


sábado, 28 de agosto de 2021

O Princípio da Sabedoria

 




Por Leonardo Pereira



“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria e o conhecimento do Santo é prudência” (Pv 9.10). A busca pela sabedoria jamais pode ser separada da busca por Deus. Se a nossa filosofia não é controlado por uma teologia firme, enfrenta uma barreira impossível de superar. 

As verdades fundamentais sobre Deus constituem as bases do conhecimento. A realidade de Deus é a coisa mais importante que pode-se saber e também a mais óbvia (Rm 1.19,20). No abecedário do conhecimento, começamos com Deus. Aqueles que não crêem muitas vezes se vêem como mais avançados no seu conhecimento. Mas “nenhuma arte, nenhuma filosofia, nenhuma ciência, nenhuma literatura, nada adquirido intelectualmente nem feitos de qualquer tipo compensarão a ignorância em relação a Deus; a alma que não o conhece é um homem ignorante; a época que não o conhece é uma época ignorante” (W. Clarkson). 

O conhecimento sobre Deus também é a “base” do conhecimento. É o princípio de organização que unifica todo o resto, a moldura dentro da qual todas as informações se encaixam. “No dia em que acreditei em Deus de verdade,” escreveu Dag Hammarskjold, “pela primeira vez a vida fez sentido para mim e o mundo tinha um significado.” Em Deus, o caos dos fatos se torna um cosmos de conhecimento. 

A verdade simples é esta: não ficaremos sábios sem buscar a Deus, e não buscaremos a Deus sem humildade, respeito e reverência. Por isso o temor do Senhor é o “princípio” da sabedoria. O orgulho sempre corrompe o processo de aprendizagem. A ilusão de que sabemos mais do que realmente sabemos (junto com a falta de vontade de aceitar verdades que podem ter conseqüências indesejadas) farão com que não progredimos na sabedoria. É o respeito pelo Criador que abre a porta para o crescimento intelectual.

Paulo escreveu sobre certos indivíduos que “detêm a verdade” (Rm 1.18). Há aqueles, ele disse, que evitam os fatos e “desprezam o conhecimento de Deus” (Rm 1.28). Estas são palavras fortes, sem dúvida, mas precisamos escutá-las. Permitimos que Deus seja o princípio da nossa sabedoria do mundo real? Honesta-mente aceitamos isso, a mais fundamental de todas as verdades: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1)?


quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Preparados para Servir

 




Por Leonardo Pereira



Imagine o seguinte cenário. Você está esperando uma cirurgia muito delicada no seu cérebro. Já procurou um hospital bem conceituado nesse ramo, e consultou um dos melhores cirurgiões do mundo, quem marcou a cirurgia tão crítica para a sua vida. No dia marcado, você já está na sala de cirurgia, esperando a chegada do cirurgião. De repente, uma enfermeira entra e explica que o cirurgião passou mal e não poderá realizar a sua cirurgia. Mas, para não perder a oportunidade, procurariam outro cirurgião para substituí-lo. Ela pede a sua compreensão, enquanto uma outra enfermeira procura alguém para fazer a cirurgia. Ao mesmo tempo, a segunda enfermeira interrompe a apresentação de um colega a um grupo escolar fazendo excursão no hospital. Ela explica aos alunos: "Olhem, o problema é que Dr. Experiente passou mal, e precisamos de alguém para fazer a cirurgia no lugar dele. Alguns de vocês certamente já sonharam em ser grandes médicos. Alguém quer substituir o cirurgião hoje?" Um dos alunos levanta a mão e se encaminha para a sala de cirurgia, disposto a abrir a sua cabeça e começar a cortar o seu cérebro. O que você faria?

Agora pode acordar do pesadelo! Nem conseguimos imaginar uma coisa tão absurda. Uma pessoa totalmente despreparada fazendo cirurgia no cérebro de outra pessoa? Que idéia ridícula! O que parece absolutamente ridículo no contexto de um hospital acontece com bastante freqüência em muitas igrejas hoje. Pessoas despreparadas são convidadas a pregar ou ensinar, e acabam assumindo responsabilidades sem ter condições de cumpri-las. O resultado pode ser pior do que uma cirurgia cerebral feita por um aluno do ensino médio. Ensinamento errado, sem base adequada nas Escrituras, pode ser eternamente fatal. Qualquer pessoa que abre a Bíblia e a sua própria boca tem a obrigação de se preparar para falar a verdade em amor (Ef 4.15,16).

A Importância da Preparação

Quando nos entregamos a Deus, assumimos um compromisso de sermos fiéis a ele. Para cumprir a nossa obrigação de obedecer tudo que Jesus tem nos ordenado (Mt 28.18-20), precisamos estudar para conhecer bem a palavra dele. Paulo disse a um irmão mais novo: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2 Tm 2.15). Pedro escreveu a discípulos espalhados em vários lugares: "...santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós..." (1 Pe 3.15). Ser preparado para falar a outros faz parte da nossa devoção ao Senhor.

Paulo usou uma linguagem que deve chamar a nossa atenção quando disse a Timóteo: "Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra" (2 Tm 2.21). Vamos considerar o significado de sermos utensílios santificados e preparados para boas obras. No Antigo Testamento, achamos formas da palavra "preparar" usadas mais de 50 vezes em relação a coisas ou a pessoas dedicadas ao serviço do Senhor. A maioria dessas citações fala sobre sacrifícios, ofertas e materiais usados no tabernáculo ou no templo para adorar a Deus. Até as mínimas coisas foram cuidadosamente purificadas e preparadas para o seu uso em honra do Senhor. Assim cada um de nós deve ser preparado - purificado e santificado - para honrar a Deus por meio de boas obras.

Jesus Enfatizou a Preparação

Várias parábolas de Jesus ensinam a importância da preparação. Talvez a mais conhecida seja a das dez moças que esperavam o noivo chegar à festa de casamento (Mateus 25:1-13). As moças insensatas, que não se prepararam adequadamente, não entraram na festa. As prudentes se equiparam para esperar o tempo necessário, e tiveram a alegria de participar da festa. As ilustrações de construir uma torre ou enfrentar um inimigo em guerra também mostram a necessidade de se preparar bem para sermos discípulos de Jesus. O despreparado, muitas vezes, desiste no meio do caminho, e não chega ao seu destino. Pode até sofrer uma terrível derrota. Leia Lucas 14.25-33.

Além de suas parábolas, Jesus ensinou sobre a preparação na prática. Alguns dos seus discípulos o acompanharam constantemente, aprendendo com o Mestre. Desses, ele escolheu os doze apóstolos que tiveram um treinamento mais intensivo ainda. Quando procuraram alguém para tomar o lugar de Judas Iscariotes, escolheram entre os homens que acompanharam a Jesus durante todo o seu ministério (At 1.21,22). Os apóstolos foram especialmente qualificados para falarem de Jesus (Hb 2.3,4).

Os seguidores de Cristo devem se preparar para lhe servir, especialmente para ensinar o evangelho aos outros. Os que não crescem espiritualmente são criticados por sua negligência e imaturidade espiritual (Hb 5.12 - 6.3). Ao mesmo tempo, devemos lembrar que Deus não quer servos despreparados ensinando além do seu conhecimento: "Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo" (Tg 3.1). Tomando esses versículos juntos, percebemos que Tiago não está dissuadindo discípulos do trabalho importante de ensinar a palavra. Ele destaca a importância de preparação e controle da língua, sempre tendo cuidado de não ultrapassar a palavra do Senhor (cf. 2 Jo 9).

Preparativos Insuficientes

Estudos superficiais. Frequentemente alguém ensina depois de fazer um estudo superficial de seu tema. Talvez utilize uma chave bíblica para encontrar alguns versículos isolados e já se acha capaz de explicar o seu assunto a outros. A chave bíblica é muito útil, mas devemos tomar o tempo necessário para estudar cada versículo no seu contexto para entender o sentido verdadeiro. Cada versículo da Bíblia deve ser entendido à luz de tudo que as Escrituras dizem. Tal compreensão exige a dedicação e disciplina para estudar profundamente.

Conhecimento de folhetos, artigos, livros, etc. Todos os servos de Deus têm muito trabalho para fazer. Na correria do dia-a-dia, é difícil achar tempo para estudar e preparar bons estudos. Ao invés de fazer a nossa própria pesquisa, é mais fácil e rápido pegar algum estudo escrito (até este mesmo folheto que você está lendo agora!) e usá-lo como aula, sermão, etc. Esta abordagem apresenta sérios riscos: Não aprendemos fazer o nosso próprio estudo;  Não chegamos às nossas próprias conclusões;  Podemos ser facilmente enganados por palavras persuasivas de homens. Assim, como guias cegos, poderemos conduzir outros ao erro (Lc 6.39).

Cursos de teologia, seminário, etc. Estudar em escolas e faculdades pode trazer muitos benefícios, mas um diploma de teologia não prova a capacidade da pessoa a ensinar a palavra de Deus. A tendência de tais cursos é de ensinar sobre a filosofia e teorias teológicas, ao invés de ensinar sobre o conteúdo da Bíblia. Muitos seminários são controlados por determinadas denominações e ensinam conforme as doutrinas daquelas igrejas. Mesmo os cursos de teologia "independentes" são guiados por homens e tipicamente refletem as opiniões da direção. Nenhum aluno deve aceitar orientação bíblica ou espiritual sem uma cuidadosa conferência nas Escrituras (At 17.11).

Orientação em doutrinas e costumes dos homens. Repetir, explicar e defender regras de igrejas ou doutrinas decididas por grupos de homens não é ensinar a palavra de Deus. A boa parte das igrejas hoje tem seus próprios livros ou manuais de doutrina. Em geral, pregadores e professores obrigatoriamente seguem a linha doutrinária da denominação, ou perdem seus cargos. O medo de expulsão tem contribuído a muitas afirmações e ações erradas (Jo 9.22; 7.13; 12.42). Mas o discípulo fiel sabe que é melhor ser expulso pelos homens do que rejeitado por Deus (Lc 6.22).

Sugestões para Ajudar na Preparação

Mostre diligência (2 Pe 1.5). O servo de Deus precisa ser zeloso no estudo e na aplicação da palavra do Senhor (2 Tm 2.15).

Aplique-se com paciência e perseverança (Hb 12.1). Do mesmo modo que uma criança cresce aos poucos fisicamente, os filhos de Deus passam por um processo de crescimento. A disciplina é essencial para manter um ritmo de desenvolvimento espiritual. É importante ter tempo, diariamente se possível, para ler, estudar e orar.

Olhe sempre para o alvo (Cl 3.1-3). Para progredir espiritualmente, temos de nos livrar da maldade e das atitudes carnais que prendem os pensamentos e os corações das pessoas do mundo (Tg 1.21-25).

Entenda a seriedade do nosso trabalho (Tg 3.1; Ez 3.16-27). Nós que somos cristãos temos o privilégio de divulgar a palavra salvadora. Negligência dessa incumbência contribuirá à morte de pessoas carentes da verdade.

Prepare-se com o evangelho (Ef 6.15). Jamais abandonemos a pura palavra de Deus. As filosofias e palavras persuasivas da sabedoria humana não salvam ninguém (1 Co 2.1-5).

Ore sem cessar (1 Ts 5.17). Jesus orava constantemente, e a oração fazia parte integral do trabalho dos apóstolos (At 6.4). Deve fazer parte importante dos nossos preparativos na obra do Senhor.

Servir a Deus é um grande privilégio que exige a preparação constante. Vamos aproveitar tudo que Deus tem nos dado para não sermos "nem inativos, nem infrutuosos" como discípulos de Cristo (2 Pe 1.8).


segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Líderes Cegos

 




Por Leonardo Pereira



Jesus comparou alguns mestres com cegos: “Pode, porventura, um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco?” (Lc 6.39). Deus mandou seu Filho para dar vida aos pecadores, mas os construtores (os líderes religiosos) rejeitaram a principal pedra (1 Pe 2.7,8). Jesus bem identificou o problema de cegueira dos líderes. Em João 7, encontramos um exemplo de pastores com os olhos fechados à verdade. Eles mandaram guardas para prender Jesus. Os guardas ficaram maravilhados com o ensinamento do Cristo que não o prenderam. 

Quando voltaram aos chefes, estes os rebaixaram: “Será que também vós fostes enganados?” (7.47). Com toda a arrogância de homens que se julgavam sábios na palavra de Deus, eles recorreram à sua suposta superioridade espiritual: “Porventura, creu nele alguém dentre as autoridades ou algum dos fariseus?” (7.48). O ponto deles é óbvio: somente as pessoas formadas em teologia teriam capacidade para julgar a palavra de Cristo. O mesmo erro arrogante reprimiu o povo comum durante séculos na história católica. Hoje, muitos pastores protestantes, também, se exaltam por causa de diplomas de seminários e de cursos de teologia. 

Confiando em sua própria sabedoria, os líderes desprezam o povo comum. Os líderes judeus olharam para a multidão e disseram: “Quanto a este plebe que nada sabe da lei, é maldita” (7.49). Mas, o contexto bem mostra que os próprios líderes não estavam examinando as evidências. Recusaram considerar os milagres de Jesus (Jo 5.36). Não interpretaram as Escrituras de modo correto (Jo 5.39-40,45-47). Eram líderes religiosos, mas espiritualmente cegos como morcegos. Hoje, muitas pessoas têm medo de contrariar os seus líderes religiosos. Confiam tanto em pastores e padres que não estudam a palavra por si. Embora outros homens podem nos ajudar a entender algumas coisas da palavra de Deus, jamais devemos confiar em homens acima da palavra de Deus. Cada um será julgado por Cristo (2 Co 5.10). Por isso, cada um deve se preocupar com a palavra que nos julgará (Jo 12.48).


quarta-feira, 4 de agosto de 2021

A Terra de Israel

 
 
 
Por Leonardo Pereira
 
 
 
O pedaço da terra mais disputado do mundo talvez seja a terra de Canaã. Este lugar, hoje chamado de Israel, ocupa uma faixa bem estreita entre o mar Mediterrâneo e o rio Jordão. Canaã é pequena, contendo uma área bem menor que o estado de Sergipe e menos de uma metade dos metros quadrados de Alagoas. Mesmo assim, esse território tem sido almejado e contestado desde a antiguidade. O que a Bíblia nos ensina sobre esta terra, a quem pertence hoje, e quais são os planos que o Senhor tem para seu futuro?

A História da Terra

Quando Deus chamou Abraão para que deixasse a parentela e fosse para uma determinada terra (Gn 12.1), este foi para Canaã. Ali, ele peregrinou e criou sua família. O Senhor prometeu que daria aos descendentes de Abraão "esta terra" (Gn 12.7), e repetiu a promessa para Abraão (Gn 13.14,15, 17; 17.8), Isaque (Gn 26:3-4) e Jacó (Gn 28.13). O Senhor explicou que o cumprimento ia demorar uns quatrocentos anos (Gn 15.13-16). De fato, 430 anos depois (Êx 12.40,41), o Senhor levantou Moisés que libertou o povo do Egito e o conduziu à terra prometida. Por causa da incredulidade do povo, a realização da promessa demorou mais uma geração (Nm 13-14). Mas finalmente, Israel entrou e conquistou a terra (Consulte o Livro de Josué).

Israel tomou conta de toda a terra que Deus prometeu. "Assim o Senhor deu aos israelitas toda a terra que tinha prometido sob juramento aos seus antepassados, e eles tomaram posse dela e se estabeleceram ali ... De todas as boas promessas do Senhor à nação de Israel, nenhuma delas falhou; todas se cumpriram" (Js 21.43, 45). O próprio Josué afirmou num discurso aos líderes de Israel: "Vocês sabem, lá no fundo do coração e da alma, que nenhuma das boas promessas que o Senhor, o seu Deus, lhes fez deixou de cumprir-se. Todas se cumpriram; nenhuma delas falhou" (Js 23.14b; veja também 1 Rs 4.21; Ne 9.7,8).

Deus deu a terra para o povo de Israel de forma incondicional. Logo antes da entrada do povo na terra prometida, o Senhor explicou: "Não é por causa de sua justiça ou de sua retidão que você conquistará a terra delas. Mas é por causa da maldade destas nações que o Senhor, o seu Deus, as expulsará de diante de você, para cumprir a palavra que o Senhor prometeu, sob juramento, aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó" (Dt 9.5). Os israelitas receberam a terra apenas porque Deus havia garantido aos patriarcas que a daria aos seus descendentes. Mas eles iriam continuar na terra somente por sua fidelidade ao Senhor. Em Deuteronômio 28 e Levítico 26, Deus salientou as maldições que o povo ia sofrer caso quebrasse a aliança, inclusive a expulsão da terra: "Vocês serão desarraigados da terra em que estão entrando para dela tomar posse" (Dt 28.63b). Eles desobedeceram ao acordo que fizeram com Deus múltiplas vezes e apesar de longanimidade enorme, finalmente o Senhor concretizou as maldições contra a nação: Assíria e Babilônia levaram-na em cativeiro.

Depois do exílio, porém, Deus se comprometeu que deixaria o povo retornar para a terra prometida (Dt 30.5). De fato, sob a liderança de Josué e Zorobabel, o povo voltou para a terra de Canaã (veja Esdras). Infelizmente, o povo novamente se afastou do Senhor, e Jesus anunciou que seria expulso da terra mais uma vez. Depois de ter passado um capítulo salientando os erros dos líderes, Jesus decretou: "Eis que a casa de vocês ficará deserta ...Eu lhes garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra; serão todas derrubadas" (Mt 23.38; 24:2). Ele falou que Jerusalém seria destruída naquela geração (Mt 24.34), e assim aconteceu. No ano 70 d.C. o general Tito com o exército romano cercou, conquistou e aniquilou a cidade de Jerusalém.

A Terra Hoje

Não resta mais nenhuma promessa de Deus referente a Canaã. Deus já cumpriu a promessa de dar a terra aos descendentes de Abraão e para deixar o povo voltar após o cativeiro. Quando o povo perdeu a terra pela segunda vez, perdeu todo o seu direito a ela. Em 1948, alguns judeus retornaram, mas este evento não é cumprimento de nenhuma profecia bíblica; é simplesmente um acontecimento político.

As escrituras afirmam nitidamente que não há mais distinção entre judeus e gentios perante o Senhor. "Não há diferença entre judeus e gentios, pois o mesmo Senhor é Senhor de todos e abençoa ricamente todos os que o invocam" (Rm 10.12; Cl 3.11). Qualquer promessa possuída pelos judeus hoje aplica-se igualmente aos gentios, porque Deus não mais diferencia os dois em nada. Todos os servos fiéis ao Senhor são contados como Israel hoje. "Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus. E, se vocês são de Cristo, são descendência de Abraão e herdeiros segundo a promessa" (Gl 3.28,29). O Israel de Deus inclui todos os servos dele independente da sua nacionalidade (Gl 6.16; Rm 4.11-17).

O propósito de Deus na própria escolha de Abraão foi justamente isso: através do seu descendente abençoar todas as famílias da terra. A eleição de Abraão, portanto, não foi destinada a favorecer a família dele, mas a utilizá-la para salvar o mundo. Os profetas do Velho Testamento indicaram que haveria uma época em que judeu e gentio seriam indistinguíveis. "O Senhor dos Exércitos os abençoará, dizendo: 'Bendito sejam o Egito, meu povo, a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança'" (Is 19.25; 19.16-25). Em Cristo, o uso especial de Israel físico cessou, e o povo de Deus se tornou um corpo unido, composto tanto do judeu como do grego.

Resposta a Objeções

Algumas pessoas pensam que Deus tem-se comprometido a dar a terra a Israel hoje por causa da promessa a Abraão: "Toda a terra de Canaã, onde agora você é estrangeiro, darei como propriedade perpétua a você e a seus descendentes; e serei o Deus deles" (Gn 17.8). A noção da perpetuidade da possessão da terra leva algumas pessoas a concluir que o judeu ainda tem o direito a esta terra hoje. Porém, a palavra 'perpétua' no Antigo Testamento não significa algo que nunca cessa. Se fosse assim, os anos que Israel ficou fora da terra no exílio e no intervalo entre 70 e 1948 teriam violado a promessa. 'Perpétuo' em hebraico significa um bom tempo. Note que a circuncisão era 'aliança perpétua' (Gn 17.13), mas sabemos que hoje circuncisão não tem mais nada a ver com nosso relacionamento com Deus (Gl 5.1-4; 6.15). Também o sábado era 'aliança perpétua' (Êx 31.16), mas hoje o sábado não faz mais parte das nossas obrigações perante o Senhor (Cl 2.16,17). Os sacerdotes levíticos eram 'sacerdócio perpétuo' (Nm 25.13), mas o sacerdócio hoje está mudado porque foi impossível alcançar a perfeição por meio do sacerdócio levítico (Hb 7.11,12). Então a idéia de perpetuidade no Velho Testamento se limitava a continuidade naquela época.

Outras pessoas notam as profecias que dizem que o povo de Deus viverá na terra para sempre; por exemplo, "Viverão na terra que dei ao meu servo Jacó, a terra onde os seus antepassados viveram. Eles e os seus filhos e os filhos de seus filhos viverão ali para sempre, e o meu servo Davi será o seu líder para sempre" (Ez 37.25). Os profetas geralmente expressaram as bênçãos espirituais em Cristo em termos ligados com as coisas já conhecidas. Existem várias profecias do Velho Testamento que não se entendem em termos materiais. Neste próprio trecho o Davi que seria o líder para sempre não se referiu ao literal Davi, mas a Jesus, o grande descendente de Davi (At 2.25-36).  Jeremias previu a continuidade do sacerdócio, mas não se referiu ao sacerdócio literal, mas a Jesus, nosso sumo sacerdote (Hb 7-10). "Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e temível dia do Senhor" (Ml 4.5). O Elias não era Elias literal, mas João Batista, um parecido com Elias (Lc 1.17; Mt 11.14; 17.13).  Os profetas disseram que animais seriam oferecidos em sacrifício pelo pecado (Ez 43.19, 22, 25; 45.15, 17), mas não se oferecem animais literalmente hoje. Cristo é o Cordeiro de hoje (Jo 1.29). As pessoas aceitas por Deus, de acordo com os profetas, seriam circuncisas (Ez 44.9), mas a circuncisão em questão é espiritual, do coração (Rm 2.28,29). Os profetas ensinaram que os sábados precisariam ser santos (Ez 44.24), mas os sábados literais não fazem mais parte das nossas obrigações perante o Senhor (Cl 2.16,17). As profecias escritas no Velho Testamento devem ser interpretadas de forma figurada (espiritual), e não de forma literal (material). Por isso, quando lemos que pessoas viveriam na terra para sempre, devemos entender que a terra significa a terra espiritual dos lugares celestiais em que vivemos com Cristo, não a terra literal de Canaã.

Não resta nenhuma promessa de Deus quanto à terra física de Canaã. As promessas de hoje tratam da pátria celestial onde temos nossa cidadania (Fp 3.20,21); almejemo-la.
 
 
 
 

 

 






segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Uma Rua Sem Saída

 




Por Leonardo Pereira



Jeremias dirigiu-se à nação de Judá num esforço final para salvá-la de um desastre nacional. O desrespeito à lei de Deus estava levando a nação para a extinção, e Jeremias tentou em vão chamar o povo ao arrependimento. As circunstâncias do reino são bem descritas neste trecho de Jeremias 5.30,31, onde o profeta transmite às palavras de Deus: "Cousa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém, que fareis quando estas cousas chegarem ao seu fim?"

Deus pôs a culpa em três grupos de pessoas: 1. Os profetas. Aqueles que deveriam ter sido fiéis transmitindo a palavra de Deus ao povo estavam, em vez disso, pervertendo aquela mensagem. Hoje, muitos falsos profetas falam de suas próprias ideias e perpetuam incontáveis doutrinas humanas. Entretanto, Jesus afirmou que suas palavras são a verdade absoluta que nos liberta (Jo 8.32). 2. Os sacerdotes. Os sacerdotes deveriam ter corrigido os falsos profetas, mas preferiram apoiar a propagação das suas mentiras. Os cegos estavam guiando os cegos (Mt 15.13,14). 3. O povo. É triste notar que o povo estava querendo seguir os seus guias cegos. Quando os guias espirituais amam a si mesmos e ao dinheiro, eles não condenarão eficazmente o egoísmo e o materialismo que domina o povo mundano.

Deus convidou seu povo a retornar: "...perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma" (Jr 6.16). Mas a resposta deles ecoa através da história nas palavras dos homens e mulheres rebeldes de todas as eras: "Não andaremos." Se nós recusamos a andar no caminho de Deus, seguimos uma rua de mão única para a perdição. O que você fará no fim?