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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Com Alegria, Louvores - Com Lágrimas, Oração




Por Leonardo Pereira



A medida que o tempo passa em uma correria alucinante, temos pouco tempo para tudo e muito para aquilo que não convém, o que não é proveitoso para nossas vidas. No dia-dia, diferentes tipos de sentimentos nos sobrevêm, unido-se também às circunstâncias da vida. Momentos de alegrias, de tristezas, de dúvidas, de soluções, de repostas, mas também de medos e de temores. Para diversas circunstâncias da vida, reagimos de maneiras variadas em períodos variados. Nem sempre estaremos em cima, como também nem sempre estaremos para baixo, cabisbaixos e desanimados. Para cada períodos da nossa vida, o nosso supremo manual de fé, regra e prática nos ensina que devemos portar-nos de uma forma em que aquela situação se encontra sobre as nossas vidas.  

Um dos livros das Escrituras Sagradas que nós encontramos bálsamo e conforto para nosso ser se encontra na Epístola de Tiago, uma carta direcionada ao encorajamentos dos fiéis em meio às provações do cotidiano e da intensa perseguição contra o Povo de Deus. Tiago estava consciente da situação de seus irmãos e escreve nas últimas partes desta obra, conselhos importantes e preciosos inspirados pelo Senhor para a edificação da Igreja de Cristo Jesus. Nas últimas partes da sua obra literária, o meio irmão do Senhor escreve assim: "Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores" (Tg 5.13). Por que o autor escreve que devemos em cada momento, reagir de uma forma diferente? Encontramos pelo menos 4 razões para que isso deva acontecer. Duas na questão da oração, e duas também na condição do louvor.

1) A Oração é o contato direto com o próprio Deus: Todos os grandes homens e mulheres da Bíblia Sagrada foram gigantes na oração. Davi em diversos momentos de aflição e angústia, orou ao Senhor pedindo segurança, refúgio, misericórdia, perdão, direção e instrução. Neemias orou para que o Senhor o conduzisse prudentemente para a obra em Jerusalém. Ana orou constantemente a Deus em prol de um filho para a sua vida e o Senhor a atendeu. Existem muitos outros personagens que poderíamos citar, mas estes são alguns exemplos de que em momentos de grandes desafios na vida, é extremamente necessário orarmos para estarmos em constante presença no Senhor. É a ligação direta ao Senhor, Aquele que sempre estar de braços abertos para os seus: "Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir" (cf. Is 59.1-4).

2) A Oração ao Senhor Deus é tônico para as nossas vidas: Existe uma grande diferença entre aqueles que oram e aqueles que não oram. Aqueles que buscam a Deus e aqueles que não almejam a presença do Criador. A oração é o tônico que movimenta as nossas vidas. Encontramos paz e conforto diante da presença de Deus por intermédio da oração, e em momentos de aflição, somente em Deus encontramos gloriosa paz e gozo. Tiago escreve para os que estavam dispersos e tristes com a perseguição que prossigam em seus ministérios de oração. Como um pastor que cuida do rebanho de Jesus Cristo, exorta o povo de Deus para que prossigam orando. Aonde encontramos um homem ou uma mulher de oração, a tristeza se dispersa, e se esvai. Aonde há oração, o temor some, o medo cessa e a tempestade se acalma.

3) O Louvor traz alegria para os que se encontram na presença de Deus: O louvor é um método que Deus utiliza para que possamos cantar louvores e canções para adorá-lo somente. A recomendação de Tiago ao escrever uma parte deste versículo se focando em entoar cânticos e hinos espirituais, se encontra no objetivo principal em estarmos na presença de Deus. O salmista em Salmos 150 declara que tudo que têm fôlego, deva ser entoado diretamente e exclusivamente a Deus: "Louvai ao SENHOR. Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento do seu poder. Louvai-o pelos seus atos poderosos; louvai-o conforme a excelência da sua grandeza" (Sl 150.1,2). A nossa alegria nos leva a entoar louvores ao Senhor, a exaltá-lo e bendizê-lo por tudo que és e o que fazes.

4) O Louvor é utilizado somente para Exaltar à Deus: "Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente" (Sl 16.11). Disse isso o salmista  quando se encontrava na presença de Deus e ali encontrava plena alegria e o louvor com o coração alegre leva-nos a adorar ao Senhor da Glória. O louvor nos ensina a Palavra, molda as nossas mentes, traz um poderoso impacto para a vida humana, e ali temos uma mensagem que é guardada no coração. É tão importante a ideia da adoração nas Escrituras Sagradas que o Apóstolo Paulo na Epístola aos Efésios e Colossenses (cf. Cl 3.16) repetem a mesma objetividade sobre a importância dos Salmos, Hinos e Cânticos Espirituais: base principal para adorar exclusivamente a Deus: "Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo" (Ef 5.19,20).



Referências:

Bíblia Sagrada - Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

BRAZIL, Thiago. Em Espírito e em Verdade. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

Cantor Cristão. Rio de Janeiro: Editora Geográfica, 2005.

COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Fé & Obras. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1993.

HALLEY, Henry Hampton. Manual Bíblico de Halley. São Paulo: Editora Vida, 2001.

Harpa Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

MUNIZ, Sidney. O Propósito da Oração. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.

Novo Testamento - Nova Tradução da Linguagem de Hoje. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia - Livro por Livro. São Paulo: Editora Vida, 2006.

RENOVATO, Elinaldo. Comentário Bíblico Colossenses. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

SANTOS, Matheus. O Homem Segundo o Coração de Deus. São Paulo: Evangelho Avivado, 2018.





quarta-feira, 15 de junho de 2016

A Justificação Vem pela Fé


O erro de Pedro (2:11-21). Quando o apóstolo Pedro (Cefas, veja João 1:41-42) visitou Antioquia, Paulo viu que ele não praticava a mesma coisa que pregava (2:11-14). Até o fiel Barnabé (veja Atos 11:22-24) começou a praticar erro devido ao mau exemplo de Pedro (2:13). Se esses homens erraram, pessoas honestas podem errar em questões de fé hoje em dia.
Pedro errou porque temia “os da circuncisão”. O foco dele estava em homens e não em Deus. Deus revelou o evangelho e nos julgará por ele (João 12:47-49). Muitas pessoas praticam erro porque querem agradar seus cônjuges, pais, amigos ou pastores ao invés de focalizar Deus e sua palavra (1:10; veja Mateus 10:28).
Os judeus procuraram ser justificados por Deus devido às suas obras da lei (o Velho Testamento). Mas o evangelho de Cristo revela que homens não são justificados por obras da lei, e sim pela fé em Cristo Jesus (2:16). Enquanto Pedro tinha sido justificado pela fé em Cristo, ele voltou à prática da lei como se a sua justificação pela fé não fosse suficiente. Muitos hoje que alegam ter fé em Cristo caem no mesmo erro de Pedro: guardando o sábado, pagando o dízimo, procurando intercessão de sacerdotes e praticando outras obras baseadas na justiça da lei. Mas voltando à lei nega a graça de Cristo, e invalida a morte dele (2:21).
Obras da lei podem justificar uma pessoa somente se ela guardar perfeitamente toda a lei (veja Tiago 2:10). Cristo morreu porque todos são pecadores —tanto judeus como gentios. Todos têm desobedecido a lei de Deus (2:17; veja Romanos 3:23). Aquele que foi justificado pela fé em Cristo tem morrido para a lei, “a fim de viver para Deus” (2:19). Morrer relativamente à lei não quer dizer viver sem lei (veja 1 Coríntios 9:19-21). Antes, quer dizer fazer as obras de Deus (Efésios 2:10) como pessoa justificada, não como pessoa que procura se justificar pelas suas próprias obras. Viver pela fé exige uma vida de sacrifícios diários, para que possamos nos entregar àquele que nos justificou (2:19-20; veja Romanos 12:1-2).
Obras da lei ou pregação da fé? (3:1-5). Os gálatas haviam sido justificados pela fé em Cristo Jesus sem saber nada sobre a lei de Moisés. Seria tolice para eles voltarem a uma lei que não justifica, uma vez que já foram justificados em Cristo (3:1).
Os gálatas haviam recebido o Espírito Santo como a confirmação do evangelho (3:2; veja Marcos 16:15-20; 2 Coríntios 12:12; Hebreus 2:4). Se Deus lhes tinha confir-mado o evangelho pelo Espírito, como é que eles procuraram o aperfeiçoamento através de leis que pertencem à carne: circuncisão, restrições sobre alimentos, etc. (3:3-5)?
Muitos, hoje em dia, ainda procuram a perfeição por meios carnais, impondo regras baseadas no Velho Testamento. Mas, a justificação vem somente pela fé em Cristo e obediência ao evangelho dele (veja Colossenses 2:20-23; 2 João 9).

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Basta Crer no Evangelho para Ser Salvo?

 Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). “Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e será salvo, tu e tua casa” (Atos 16:31). Mas, a Bíblia também diz: “Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente” (Tiago 2:24). A palavra de Deus se contradiz? É claro que não. Para compreender estas afirmações, precisamos entender sentidos diferentes da palavra fé.
Um princípio fundamental de comunicação é a consideração do contexto. A mesma palavra pode ter significados bem diferentes em contextos diferentes. Entendemos isso quando ouvimos pessoas usar palavras como “amar” ou “adorar”. Quando se fala de comida ou outras coisas, tem um sentido. Quando se fala de amar a esposa ou adorar a Deus, o significado é diferente.
Da mesma maneira, a mesma palavra pode ter sentidos diferentes em diversos contextos bíblicos. Normalmente, a fé inclui a reação apropriada. Se alguém entrar num prédio e gritar “fogo”, as pessoas que crêem que o local está em chamas obviamente vão se levantar para sair. A pessoa que não crê ficará tranquila. Da mesma forma, a pessoa que crê na palavra de Deus vai reagir à sua mensagem. É por isso que é tão importante obedecer ao evangelho (leia 2 Tessalonicenses 1:8-9; Hebreus 5:9). Se não reagir, é porque não crê.
Tiago fala da fé num sentido mais estreito e, desta maneira, frisa bem a importância de uma fé ativa e obediente. Ele deixou bem claro que a fé que salva é a fé que age – que se manifesta nas obras de obediência (ele não fala de obras de mérito, porque nenhum de nós merece a vida eterna – Romanos 3:23; Efésios 2:8-9). Considere as palavras de Tiago: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? . . . Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta” (Tiago 2:14,17). Ele disse que os demônios crêem e tremem, mas eles não obedecem (Tiago 2:19).
Citando a fé obediente de Abraão e Raabe, Tiago conclui: “Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente. . . . Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tiago 2:24,26). Certamente, ninguém será salvo por uma fé morta!

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Por que não deve ter muitos mestres?



Tiago 3:1 diz: "Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo."
Mas, em outro lugar, as pessoas que não se desenvolviam como professores foram criticadas: "Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido" (Hebreus 5:12).
Devemos ensinar a palavra de Deus, ou não? Para entender esses trechos, temos que considerar os motivos das advertências nos seus contextos.
Tiago estava combatendo o orgulho de pessoas despreparadas que se achavam sábias e queriam ensinar por motivos egoístas. Através do livro dele, percebemos os problemas de pessoas cheias de vanglória que davam mais importância à posição social do que à humildade, serviço e dedicação espiritual (1:9-11, 19-27; 2:1-26). Houve, entre os leitores da carta de Tiago, pessoas contenciosas que queriam se destacar acima dos outros irmãos. E, principalmente, alguns desses "mestres" não dominavam a própria língua (3:2-12) e não ensinavam a verdadeira sabedoria divina (3:13-18). Uma pessoa que ainda não sabe controlar a língua, e que não está cheia da sabedoria de Deus, nunca deve ser usada como professor da palavra do Senhor. Tal pessoa vai tropeçar na palavra e viver na hipocrisia.
Mas o autor de Hebreus fala de outra situação. Alguns dos leitores da epístola dele eram preguiçosos. Não desejavam ardentemente a justiça de Deus. Não se esforçavam para crescer no entendimento da palavra do Senhor. O autor lhes avisou que cairiam facilmente no pecado por falta de maturidade e discernimento espiritual. Qualquer pessoa que acha que já sabe o bastante e não precisa aprender mais já está desviando do caminho de Deus.
Devemos ensinar, ou não? É claro que um dos grandes privilégios do cristão é compartilhar a sua fé com outros. Mas, a palavra do professor tem que concordar com o exemplo de sua vida. Qualquer pessoa que quer divulgar o evangelho de Jesus deve ler repetidamente as cartas de Paulo a Timóteo e Tito. É impressionante que estas cartas não falam nada de preparação formal em seminários ou cursos teológicos, mas falam muito sobre a autodisciplina e a vida exemplar de pessoas dedicadas ao Senhor.