
Ao nos deparamos com os elementos doutrinários constituídos
da fé de algum segmento religioso, temos em discussão o ponto de vista da
confissão auricular que é um dos sete sacramentos (meio pelo qual a pessoa
recebe graça), que tem por sua característica a confissão ao sacerdote e o mesmo
pode perdoar os pecados em nome da Igreja e passa uma penalidade para o fiel. Isso é um grande equivoco, pensar que o
sacerdote ou a Igreja tem o poder de perdoar os pecados ou declarar perdão de
pecados a alguém. O perdão dos pecados
acontece com o arrependimento e a confissão dos pecados a Deus, não é que não
podemos confessar os nossos pecados a alguém, podemos sim, porém com o intuito
de nos orientar, ajudar e apoiar, mas nunca para perdão dos nossos pecados. O
interessante é que encontramos os mesmos ensinos dentro de algumas comunidades
evangélicas, onde a liderança determina que você tem que confessar os seus
pecados ao seu pastor, e há a distinção entre pecados e geralmente o pecado
sexual é o mais grave nessas comunidades. Não quero tirar a gravidade dos erros
cometidos, pois todos os pecados têm as suas consequências. Infelizmente, muitos
têm a alma “católica”, mesmo sendo evangélico, pois a sua influencia no Brasil
é muito grande.
Diante disso, surge uma pergunta hipotética: cometi
um pecado, sou cristão, seguidor de Jesus e logo após morri. Fui para o
inferno?
Essa é uma pergunta que no fundo é latente na
alma de muitas pessoas. De fato essa duvida é de grande parte do mundo
evangélico.
A Corrupção do Pecado
Precisamos entender que o homem é completamente
corrompido pelo pecado, depravado totalmente, tanto que Paulo mostra a condição
humana, descrevendo que todos pecaram e carecem da gloria de Deus, e que não há
um justo sequer, ninguém que busque a Deus. Então a condenação eterna, é
estabelecida pelo fato da culpa do homem, não simplesmente pelos seus pecados.
Pelo estado que se encontra diante de Deus, por causa do pecado original (pecado
transmitido de Adão e Eva a todos os homens), levando os homens a condenação
eterna. O único meio para a retirada dessa culpa é o arrependimento e crença no
sacrifico vicário de Jesus na cruz do calvário.
Nenhuma Condenação Há
O que as escrituras afirmam é que nenhuma
condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus Rm 8:1. Significa que você
se arrependeu dos seus pecados, e creu Nele como seu Senhor e Salvador, então
já não há mais nenhuma condenação. Sendo o caráter de Deus o padrão moral
absoluto do universo, Deus manifesta a sua ira contra o pecado. Em seu
sofrimento na cruz, Cristo se tornou objeto da ira plena de Deus. Cristo foi
feito pecado por nós, Ele sofreu toda a fúria da ira do Deus santo contra a
imundície, a rebelião e a maldade que provém do coração contaminado dos
pecadores. Então, quando nos arrependemos, somos perdoados da culpa do pecado.
Nesse momento ocorre a Justificação, a declaração para o pecador que agora ele
está justificado diante de Deus, ou seja, pela justiça de Cristo e seu
sacrifício na cruz em favor do homem, satisfazendo à ira de Deus. Então, quando
Deus olha para o homem Ele vê a justiça de Cristo. Todos os nossos pecados são
perdoados. A nossa culpa é retirada. Isso aconteceu com Lutero, Quando descobriu a justiça de Deus em Romanos 1.17: “o justo viverá pela sua fé”, foi ali que lançou de fora todas as suas
vestiduras das obras meritórias e rendendo assim a graça salvadora mediante a
fé somente em Jesus Cristo.
Pecadores Justificados
Contudo, isso não significa que deixamos de ser
pecadores. Somos pecadores justificados e ainda temos no nosso corpo a natureza
corrompida, pela qual somos inclinados a falhar e errar o alvo. A partir do
momento da experiência da salvação, o que se estabelece é o sentimento de
gratidão a Deus, procurando viver uma vida santa, justa e fiel, longe de viver
na licenciosidade, nos apetites na nossa própria natureza pecaminosa, quem vive
em harmonia com o pecado, nunca entendeu ou teve a consciência do evangelho,
apenas brinca de religião. A experiência da salvação em Cristo, muda realidades
interiores, na convicção inabalável que é de Cristo, ainda que tropece na caminhada.
A roleta russa que muitos colocam a salvação, é um leso engano, pois se pequei
estou no inferno, se estou me santificando estou no céu, torna a salvação
meritória, com base totalmente no homem. Quando erra torna a mente escravizada
ao pânico, e não liberta em descanso nas mãos do Salvador. Se afirmarmos que estamos sem pecado,
enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se afirmarmos que não
temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está
em nós (1 Jo 1:8-10). Somos salvos com base na justificação e não nos nossos
méritos. Estamos totalmente nas mãos de Deus, guiados pelo bom Pastor. Por
isso, sou um pecador justificado, redimido, alcançado pela graça, sem
possibilidade que os meus pecados me afastem das mãos do Salvador. Afirmo sem sombra de duvidas que minha
salvação está em Cristo e que não vivo sob a histeria religiosa, vivendo uma
dubiedade existencial agonizante, mas sem cinismo e com gratidão. A
descrição do salmista é maravilhosa, “Os
teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram
escritos no teu livro antes de qualquer deles existir (salmos 139:16) ”.
A minha salvação vem de Deus, pela graça somos salvos e isso não vem de vós é
dom de Deus (Ef 2.8,9).
Carlos Vagner!