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domingo, 17 de outubro de 2021

O que é a teologia contemporânea?

 




Por Leonardo Pereira



A teologia contemporânea é geralmente definida como um estudo da teologia e tendências teológicas de logo após a Primeira Guerra Mundial até o presente. Abrangendo aproximadamente do século XX até hoje, as principais categorias tipicamente abordadas pela teologia contemporânea incluem o fundamentalismo, a neo-ortodoxia, o pentecostalismo, o evangelicalismo, o neoliberalismo, o catolicismo pós-Vaticano II, a teologia ortodoxa oriental do século XX e o movimento carismático. Além dessas categorias maiores, a teologia contemporânea também trata de áreas especializadas, como a teologia da libertação, a teologia feminista e várias teologias étnicas. Com a grande variedade de credos envolvidos, poucos estudiosos pretendem servir como "especialistas" na teologia contemporânea. Em vez disso, a tendência é se especializar em uma ou mais de suas áreas.

Um ramo mais recente da teologia contemporânea é o estudo do diálogo inter-religioso. A teologia cristã histórica é comparada com as cosmovisões dos sistemas de crenças não-cristãs como base para o diálogo entre as diferentes religiões. Pesquisas recentes se concentraram nos valores compartilhados entre duas ou mais religiões, como as "Fés Abraâmicas" (judaísmo, cristianismo e islamismo) ou religiões orientais (incluindo hinduísmo, budismo e movimentos cristãos, como a Igreja chinesa subterrânea). A teologia contemporânea é, em primeiro lugar, um campo de estudos acadêmicos. Como tal, aborda os desafios intelectuais enfrentados pela teologia, inclusive a ciência, questões sociais e práticas religiosas. Enquanto muitos teólogos contemporâneos compartilham uma herança cristã, nem todos os fazem. Na verdade, muitos estudiosos agnósticos, ou mesmo ateus, entraram no campo e estão ensinando seus pontos de vista sobre fé e crença na sociedade contemporânea.

Para o cristão que acredita na Bíblia, a teologia contemporânea é importante, pois traça o desenvolvimento das crenças na história recente. No entanto, é fundamental perceber que a teologia contemporânea geralmente se afasta da teologia cristã tradicional quando avalia a fé no contexto de vários movimentos sociais ou em comparação com outros sistemas de crenças. Aderir a uma cosmovisão bíblica geralmente não é o objetivo. Aqueles que querem entender o que a Palavra de Deus ensina sobre os tópicos importantes de hoje podem encontrar informações úteis em uma ampla variedade de materiais teológicos contemporâneos. No entanto, a própria Bíblia não muda. É o padrão da verdade para o crente, agora e para sempre (2 Tm 3.16,17).


sábado, 16 de outubro de 2021

O que significa ensinar a criança no caminho em que deve andar?

 




Por Leonardo Pereira



O conselho de Salomão aos pais é “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Pv 22.6). Criar e treinar uma criança dentro do contexto deste provérbio significa que o ensino começa com a Bíblia, pois “…Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Tm 3.16). Ensinar às crianças as verdades das Escrituras fará com que sejam sábias para a salvação (2 Tm 3.15); completamente as preparará para fazer boas obras (2 Tm 3.17); irá prepará-las para dar uma resposta a todos que lhes perguntarem o motivo de sua esperança (1 Pe 3.15); e irá prepará-las para resistir ao ataque de culturas empenhadas em doutrinar os jovens com valores seculares.

A Bíblia nos diz que as crianças são uma dádiva de Deus (Sl 127.3). Certamente pareceria apropriado, então, que atendêssemos ao sábio conselho de Salomão para treiná-las apropriadamente. De fato, o valor que Deus colocou em ensinar a verdade a nossos filhos é claramente abordado por Moisés, que enfatizou ao seu povo a importância de ensinar seus filhos sobre o Senhor e Seus mandamentos e leis: “tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Dt 6.7-9). A meticulosidade de Moisés ressalta sua profunda preocupação de que sucessivas gerações manteriam a obediência às leis de Deus para garantir que "habitareis seguros na terra" (Lv 25.18), "para que bem te suceda a ti e a teus filhos" (Dt 12.28), e que Ele os abençoaria na terra (Dt 30.16).

Claramente a Escritura ensina que treinar as crianças a conhecer e obedecer a Deus é a base para agradá-lo e para viver vitoriosamente em Sua graça. Conhecer a Deus e Suas verdades começa quando a criança compreende o pecado e sua necessidade de um Salvador. Mesmo as crianças muito novas entendem que não são perfeitas e podem compreender desde cedo a necessidade de perdão. Pais amorosos modelam um Deus amoroso que não apenas perdoa, mas também fornece o sacrifício perfeito pelo pecado em Jesus Cristo. Treinar as crianças no caminho em que devem seguir significa, em primeiro lugar, direcioná-las ao Salvador.

A disciplina é parte integrante da criação de filhos piedosos, pois sabemos que o “SENHOR repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem” (Pv 3.12). Assim, não devemos encarar a disciplina levemente e nem ficar desanimados com ela, pois o Senhor “corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.5,6). E sabemos que Deus nos disciplina para o nosso bem, para que possamos compartilhar da Sua santidade (Hb 12.10). Da mesma forma, quando disciplinamos nossos filhos, eles recebem sabedoria (Pv 29.15) e nos trarão paz (Pv 29.17) e respeito (Hb 12.9). De fato, mesmo em tenra idade, as crianças são capazes de discernir que a disciplina está enraizada no amor. É por isso que as crianças que crescem em lares sem disciplina muitas vezes sentem-se mal amadas e têm maior probabilidade de desobedecer à autoridade à medida que envelhecem. Lembre-se de que a disciplina administrada deve ser proporcional à ofensa. A disciplina física, como a palmada (justamente motivada), é aceita pela Bíblia (Pv 13.24, 22.15, 23.13,14). De fato, a disciplina, embora possa parecer desagradável quando recebida, produzirá um “fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça” (Hb 12.11).

Os pais devem ter o mesmo zelo de ensinar seus filhos que Moisés tinha. Os pais têm o privilégio de ser cuidadores da vida de seus filhos por um tempo muito curto, mas o ensino e o treinamento que fornecem é eterno. De acordo com os princípios de Provérbios, uma criança que é diligentemente treinada no “caminho em que deve andar” provavelmente permanecerá fiel a esse caminho nesta vida e colherá suas recompensas na próxima.


domingo, 3 de outubro de 2021

Distinção entre Igreja e Indivíduo

 




Por Leonardo Pereira



Às vezes, alguém argumenta que "a igreja pode fazer tudo que o indivíduo pode fazer". Desse modo, se uma pessoa cristã pode se envolver em atividades sociais e esportivas, a igreja pode fazer a mesma coisa. Se uma pessoa pode sustentar uma faculdade, a igreja pode fazer o mesmo. E assim por diante. Não há dúvida que a igreja pode fazer algumas coisas que o indivíduo faz, e vice-versa. O indivíduo deve tentar ensinar o evangelho a outras pessoas, mas esse, também, é um trabalho da igreja local. A pessoa cristã tem responsabilidades em termos de benevolência (Tg 1.26,27), e a igreja local também tem (2 Co 8,9). Mas o fato que os dois têm trabalho para fazer na mesma área não prova que a igreja pode fazer tudo que o indivíduo faz. Tal raciocínio exigiria um grande pulo na lógica. Sabemos que existem áreas de duplicação de responsabilidades porque as Escrituras mostram isso.

As Escrituras mostram uma distinção entre atividade individual e atividade da igreja. Enquanto a igreja é composta de indivíduos, o indivíduo sozinho não é a igreja. O termo grego ekklesia (igreja) descreve um grupo ou assembléia, e não pode ser usado corretamente para descrever uma pessoa só (como o termo "revoada" não seria aplicado a um solitário ganso). Vários trechos mostram essa diferença. Antes que a igreja, como estabelecida por Cristo, existisse (em termos universais ou locais), o indivíduo existia e tinha papéis para cumprir em relação ao casamento. Casamento, como exemplo, é algo para indivíduos. As atividades do casamento são dignas de honra (Hb 13.4), mas não seriam dignas nem apropriadas no contexto da igreja. As instruções referentes ao casamento são aplicadas aos indivíduos casados. Embora as instruções sobre o casamento sejam dadas em reuniões do povo de Deus, somente os indivíduos podem seguir essas instruções e participar das bênçãos. Considere como seria absurdo argumentar, no contexto do casamento, que a igreja pode fazer tudo que o indivíduo faz!

Sendo cristão envolve todos os relacionamentos da vida. Devemos nos esforçar para fazer a vontade de Deus no lar, nos negócios, em relação ao governo, e nas atividades sociais. Nada na vida é isento. Então para distinguir entre o indivíduo e a igreja não quer dizer que há coisas que fazemos como cristãos e outras coisas que não fazemos como cristãos. Sempre somos cristãos, não importa qual aspecto da vida estejamos considerando. Porém, há algumas responsabilidades que cumprimos como indivíduos cristãos, e outras que precisam ser cumpridas no contexto da congregação (a igreja local, não a universal). Por exemplo:

1. Trabalhando para sustentar a família (Ef 4.28; 1 Tm 5.8,16). Note que, em 1 Timóteo 5, se faz uma distinção entre a responsabilidade do indivíduo e a da igreja. É somente quando o indivíduo não tem condições de suprir as necessidades mencionadas aqui que a igreja pode ser incumbida (versículo 16). Se a igreja e o indivíduo são a mesma coisa, esse versículo não teria sentido.

2. Envolvendo-se em negócios e profissões (1 Ts 4.11; 2 Ts 3.10; Tg 4.13-17). O indivíduo pode comprar e vender e se sustentar através do comércio. Qual passagem sugere que isso seja a obra da igreja?

3. Pais e filhos no lar (Ef 6.1-4). O indivíduo tem o direito de disciplinar seu próprio filho. Alguém diria que tal disciplina é a obra da igreja?

4. Casamento. Como já observamos, o indivíduo pode ter uma esposa e cumprir seus deveres em relação a ela (1 Co 7).

5. O indivíduo pode participar de exercícios para cuidar do seu corpo. Então, a igreja deve patrocinar academias ou aulas de ginástica?

6. Refeições comuns são para indivíduos. Note que, em 1 Coríntios 11.18-34, Paulo distingue entre o que se faz como "igreja" e o que deve fazer em casa. Isso mostra que há algumas coisas que podemos fazer "em casa" que Deus não quer que façamos "na igreja".

7. A educação dos filhos é responsabilidade da família. Eu posso mandar um filho à escola, mas isso não quer dizer que é responsabilidade da igreja.

8. A família é responsável por atividades sociais e de lazer. Quando a igreja coletivamente se envolve nesses assuntos, ela está fora do seu papel.

O indivíduo tem mais liberdade para agir em vários aspectos da vida do que Deus tem permitido para atividade coletiva da igreja local. Além disso, há decisões e ações individuais que não devem envolver a igreja toda (veja, por exemplo, Romanos 14). Devemos ser muito cautelosos para não confundir o indivíduo com a igreja. O indivíduo deve cumprir suas responsabilidades particulares, e a igreja deve ser a igreja.


segunda-feira, 27 de setembro de 2021

A Graça de Deus na vida de Pedro

 




Por Leonardo Pereira



Dá para imaginar o olhar fixo e confiante e a voz forte de Pedro quando, na noite antes de crucificação de Cristo, esse discípulo disse que jamais abandonaria Jesus. É um dos poucos episódios registrados em todos os quatro relatos do evangelho no Novo Testamento: “Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim” (Mt 26.33). “Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!” (Mc 14.29). “Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte” (Lc 22.33). “Replicou Pedro: Senhor, por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a própria vida” (Jo 13.37). E todos os relatos registram a mesma resposta de Jesus. Ele disse que Pedro o negaria três vezes naquela mesma noite (Mt 26.34; Mc 14.30; Lc 22.34; Jo 13.38). Pedro não aceitou essas palavras de Jesus, e insistiu que jamais negaria seu Mestre. Na hora da provação, Pedro negou Jesus três vezes! Ele fingiu ignorância sobre Jesus e chegou a jurar e maldizer nas suas negações enfáticas de Jesus (Mt 26.69-74).

Muita Diferença!

Pedro poderia ter cometido pecado maior? Depois de três anos acompanhando Jesus por perto, observando sua bondade, amor e perfeição moral e, especialmente, depois de confessar com convicção sua fé em Jesus como “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16), como este apóstolo chegaria a negar conhecimento de Jesus? Será que o pecado de Judas, que admitiu conhecimento mas entregou Jesus aos seus inimigos, foi maior? É difícil ver muita diferença nos pecados destes dois apóstolos.

Fato Interessante

Lucas é o único dos quatro evangelistas a contar um fato especialmente interessante sobre aquela noite. Durante a série de julgamentos de Jesus, houve um momento em que Jesus “fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo” (Lc 22.61). Jesus conhecia o coração de Pedro, e não precisava olhar para saber o que acontecia com esse apóstolo. Mas, naquele momento, Pedro sabia que Jesus olhava para seu íntimo e viu seus atos de traição. Quando Pedro enxergou o tamanho do seu pecado contra Jesus, ele saiu e chorou amargamente (Mt 26.75). Ele havia chegado ao fundo do abismo de afastamento do Senhor.

Depois da sua ressurreição, Jesus convidou Pedro a receber o perdão e se reconciliar com ele. Logo depois de sair do túmulo, Jesus mandou uma mensagem para os apóstolos e destacou Pedro (Mc 16.7). Pedro bem sabia que merecia a censura e até o castigo divino por seus atos, mas mesmo assim não tentou fugir do Senhor (essa é a grande diferença entre Pedro e Judas Iscariotes). Ficou com os outros apóstolos quando Jesus apareceu a eles (Mc 16.14). Durante seis semanas, Jesus andou com seus 11 apóstolos. Pedro viu novamente as provas da sua divindade e seu caráter misericordioso. Mas Jesus sabia que Pedro precisava ouvir as palavras de aceitação, e não deixou a terra antes de confirmar para Pedro a sua graça e perdão. O homem que negou a Jesus três vezes teve oportunidade de afirmar seu amor por ele três vezes, e ouviu três vezes a chamada do seu Senhor ao importante trabalho de apascentar as suas ovelhas. E aquele apóstolo, apesar de ter vacilado terrivelmente na noite dos julgamentos de Jesus, ouviu a afirmação do Senhor de que ele continuaria fiel até morrer por Jesus (Jo 21.15-19).

As Boas Novas do Senhor

Logo após a ascensão de Jesus, Pedro começou a pregar as boas novas do Senhor. Ele pregou sobre Jesus que se fez carne, viveu como homem sem pecar e morreu na cruz para estender sua misericórdia para todos que se mostram dispostos a se converter ao Senhor. Ele pregou o evangelho da graça de Jesus, porque ele mesmo recebeu esta graça. Pedro, um fraco e desprezível pecador, foi perdoado pela misericórdia de Jesus Cristo!



Referências:

LOPES, Hernandes Dias. Pedro - Pescador de Homens. São Paulo: Hagnos, 2015.

Bíblia Sagrada. Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

RIBEIRO, Anderson. A Mensagem de Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.


terça-feira, 21 de setembro de 2021

Palavras e Vida

 




Por Leonardo Pereira


Vivemos em um período de intensos desafios, tantos internos quanto externos em nossas vidas, nossas famílias e em nossos relacionamentos. O mundo está girando cada vez mais rápido, mais intenso e mais dinâmico cujo alvo é obter os objetivos pessoais ou coletivos o mais rápido possível, pelos meios possíveis da melhor forma possível (seja em uma forma positiva ou negativa). Pessoas estão mais individualistas e o amor está sendo uma palavra mais citada do que praticada, assim como a empatia, a paciência e a moderação de espírito. Jesus avisou aos seus discípulos que o amor de muitos se esfriaria e que uns aos outros se aborreceriam e se odiariam. Ou seja, Ele mostrou-nos o ambiente do presente século (fim dos tempos) de modo à ficarmos vigilantes afim de não sermos enveredados pelo momento em que nos cerca e pelas atitudes do mundo que chegam até nós por meio de informações e notícias que abalam o país e o mundo (televisão, internet, jornal, rádio e sites de notícias). Cristo Jesus tinha plena certeza que ao seu amado povo, deveria se preparar para enfrentar com coragem o fim dos tempos, não deixarmos desenganados quanto o que encontra-se ao nosso redor, e prosseguirmos em suas palavras até o fim de nossas vidas.

O que devemos fazer?

Primeiramente é escutar as Palavras de Jesus Cristo. Em Mateus no capítulo 7, Ele ensinou-nos a quem devemos ser e como devemos fazer no decorrer da vida: "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda" (Mt 7.24-27). Escutando à Cristo e trazendo para sí a sua mensagem do Senhor e Salvador Jesus Cristo guardada em seu coração e sua alma. A maturidade chega quando aquele que põe em prática os ensinamentos do Mestre, nos condiciona à ação, à fazermos a diferença neste mundo imerso em trevas, vivendo prudentemente diante de uma sociedade bastante desvirtuada dos valores cristãos.

Vivendo Verdadeiramente

Diante de tudo o que ouvimos e vemos, o que nós entendemos é que necessitamos viver verdadeiramente na presença do Senhor. Vivendo verdadeiramente não nos garante uma vida calma, branda, tranquila ou até mesmo agradável. Poderemos passar por sofrimentos, tristezas, angústias, lamúrias e desânimos. Quando vivemos de verdade, uma vida regida por Deus, com sabedoria, educação e equilíbrio em nosso cotidiano, estamos completamente nos entregando a um momento especial em nossa jornada: a forte maturidade com responsabilidade em âmbito moral e espiritual. Por isso, é muito mais do que urgente e necessário o conselho de Salomão em nosso tempo: "Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento; Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva; No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas; E as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as filhas da música se abaterem. Como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadore andarão rodeando pela praça; Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu" (Ec 12.1-7).

Conclusão

Não deixemos nos contaminar com a cultura humana da atualidade que nos rodeia e que voltemos a mensagem de nosso Senhor Jesus Cristo. O mundo precisa de Jesus e nós também. Por isso, aproveitemos o nosso tempo para vivermos de acordo com as palavras do Mestre e que usemos a nossa vida da melhor forma possível: entregando todo o nosso ser ao Senhor, confiando n´Ele, crendo que Ele é poderoso para fazer infinitamente mais (Ef 3.20), além de tudo que pedimos e pensamos. O nosso Deus é Fiel!


terça-feira, 14 de setembro de 2021

Jesus: “Eu Sou”

 




Por Leonardo Pereira



João relatou episódios selecionados da vida de Jesus para defender um tema principal: Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, que oferece a vida aos que crêem nele (Jo 20.30,31). Nas palavras e atos de Jesus, registrados neste livro, Jesus se apresenta com uma série de afirmações, normalmente ligadas imediatamente com os sinais que ele operava. Jesus disse:  1. Eu sou o pão da vida (Jo 6.35,41,48,51);  2. Eu sou a luz do mundo (Jo 8.12);  3. Eu sou a porta das ovelhas (Jo 10.7,9);  4. Eu sou o bom pastor (Jo 10.11,14); 5. Eu sou a ressurreição e a vida (Jo 11.25);  6. Eu sou o caminho, e a verdade e a vida (Jo 14.6);  7. Eu sou a videira verdadeira (Jo 15.1,5).

Cada afirmação ensina algo importante sobre a missão de Jesus, mostrando que ele veio para ensinar, salvar e proteger o seu povo. Mas, quem pode fazer tais promessas elevadas? Nenhum mero homem teria condições de oferecer tudo que Jesus prometeu, porque nenhum homem tem as mesmas qualidades que Jesus possui.  A capacidade dele de ser e oferecer tantas coisas vem de sua natureza divina. É exatamente esta natureza que ele destaca com mais uma afirmação. Em João 8.24,28 e 58, ele se descreve com as simples palavras: “Eu Sou”. Ele não é apenas o pastor, ou a luz, ele é o eterno Deus. Ele não foi criado e não veio a existir. Nas suas próprias palavras, Jesus disse: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (Jo 8.58).

Os judeus consideravam esta afirmação blasfêmia, porque Jesus estava se igualando com Deus (Mc 14.61-64). De fato, é a mesma linguagem usada para descrever Jeová em Êxodo 3.14. Isaías, nas suas grandes profecias do Messias, afirmou a divindade do Salvador com as mesmas palavras (Is 43.11-15; 44.6; 45.6,18; 48.17). Jesus usou palavras carregadas de poder e eternidade para se apresentar ao mundo. Nós devemos crer no único “Eu Sou” para termos a vida eterna. Jesus disse: “Porque, se não crerdes que Eu Sou, morrereis nos vossos pecados” (Jo 8.24).


Autoridade e Catolicismo

 




Por Leonardo Pereira



A Igreja Católica deriva a autoridade para suas práticas de duas fontes diferentes: A Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição. É ensinado aos católicos que as Escrituras são a palavra de Deus e que milhares de anos atrás a palavra de Deus foi escrita sob a inspiração do Espírito Santo. Para compor os livros que compreendem o Velho e o Novo Testamentos, Deus escolheu certos homens que, ainda que usando suas próprias capacidades e estilo, escreveram o que ele queria que fosse comunicado, nada mais, nada menos. Essa palavra, a Bíblia, é significativa e sagrada. A Bíblia, contudo, não é a única fonte de autoridade para os católicos. De acordo com o Catecismo da Igreja Católica (revisão de 1994), fé não é uma "religião do livro," mas antes uma religião da "Palavra" de Deus. Essa "não é uma palavra escrita e muda, mas encarnada e viva."
   
As Escrituras do primeiro século foram registradas e finalmente compiladas na Bíblia, mas os católicos creem que a divina inspiração não parou quando os apóstolos e seus contemporâneos morreram. Eles creem que a pregação dos apóstolos, que foi expressa de um modo especial na Bíblia, é também preservada numa linha contínua de sucessão até o fim do tempo. Esta revelação contínua é conhecida como a Tradição Sagrada. Os católicos entendem que o Papa é inspirado e fala por Deus, nos dias atuais. Através dos séculos, vários Papas fizeram decretos em nome de Deus e esses decretos foram seguidos como parte da tradição da Igreja Católica. Alguns desses decretos de Papas foram revistos através dos anos porque o Papa atual é considerado como tendo a mais atualizada informação de Deus.

A Igreja Católica, portanto, não proclama receber sua certeza sobre as verdades reveladas somente das Escrituras. Tanto a Sagrada Escritura como a Sagrada Tradição precisam ser aceitas e honradas igualmente.

Autoridade e a Bíblia

Logo antes de sua ascensão ao céu, as Escrituras nos contam que Jesus disse, "Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28.18-20). Na Epístola de Paulo aos Efésios, vemos um retrato claro da posição de Jesus a respeito da igreja: "Que lhes ilumine os olhos da mente, para que compreendam a esperança para a qual ele os chamou; para que entendam como é rica e gloriosa a herança destinada ao seu povo; e compreendam o grandioso poder com que ele age em favor de nós que acreditamos conforme a sua força poderosa e eficaz. Ele a manifestou em Cristo, quando ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita no céu, muito acima de qualquer principado, autoridade, poder e soberania, e de qualquer outro nome que possa nomear, não só no presente, mas também no futuro. De fato, Deus colocou tudo debaixo dos pés de Cristo e o colocou acima de todas as coisas, como Cabeça da Igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que plenifica tudo em todas as coisas" (Ef 1.18-23).
 
A Bíblia ensina que Jesus tem autoridade exclusiva sobre sua igreja. Não estando mais na terra, contudo, ele está presente na palavra de Deus. A Bíblia confirma que a palavra de Deus tem autoridade na igreja. A segunda epístola de Paulo a Timóteo diz: "Quanto aos maus e impostores, eles progredirão no mal, enganando e sendo enganados. Quanto a você, permaneça firme naquilo que aprendeu e aceitou como certo; você sabe de quem o aprendeu. Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2 Tm 3.13-16).
 
O termo "Sagrada Tradição" não é mencionado nas Escrituras. Contudo, há lugares onde "tradição" é mencionada. Em alguns lugares a tradição que está sendo seguida é condenada enquanto em outros é elogiada. No evangelho de Marcos, vemos Jesus censurando os fariseus por seguirem a tradição, antes que a palavra de Deus: "Os fariseus e os doutores da Lei perguntaram então a Jesus: 'Porque os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, pois comem pão sem lavar as mãos?' Jesus respondeu: 'Isaías profetizou bem sobre vocês, hipócritas, como está escrito: Este povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim. Não adianta nada eles me prestarem culto, porque ensinam preceitos humanos. Vocês abandonam o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens'. E Jesus acrescentou: 'Vocês são bastante espertos para deixar de lado o mandamento de Deus a fim de guardar as tradições de vocês" (Mc 7.5-9, 13; cf. Mt 15.2-9).
 
Em sua Epístola aos Colossenses, Paulo adverte: "Cuidado para que ninguém escravize vocês através de filosofias enganosas e vãs, de acordo com tradições humanas, que se baseiam nos elementos do mundo, e não em Cristo. É em Cristo que habita, em forma corporal, toda a plenitude da divindade. Em Cristo vocês têm tudo de modo pleno. Ele é a cabeça de todo principado e de toda autoridade" (Cl 2.8-10). Em duas circunstâncias vemos falar de tradições de modo positivo. Na segunda Epístola aos Tessalonicenses, Paulo, Silvano e Timóteo escrevem: "Por isso, irmãos, fiquem firmes e mantenham as tradições que lhes ensinamos de viva voz ou por meio da nossa carta" (2 Ts 2.15). Paulo também aproveita a oportunidade para admoestar a igreja de Tessalônica: "Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo ordenamos: fiquem longe de qualquer irmão que vive sem fazer nada e não segue a tradição que recebeu de nós" (2 Ts 3.6). A distinção entre a tradição que é positiva e a que é negativa é encontrada em sua fonte. Tradições que se originam dos humanos são condenadas, enquanto as tradições que se originam de Deus e são levadas através dos apóstolos e outros discípulos inspirados são aprovadas.

Resumo

Até este ponto temos visto que os ensinamentos e práticas da Igreja Católica diferem às vezes das práticas dos cristãos nas Escrituras. Algumas práticas católicas são encontradas na Bíblia; algumas não são nem mesmo mencionadas; outras parecem ser condenadas. O fato que a Igreja Católica declara derivar sua autoridade igualmente da Sagrada Escritura e da Sagrada Tradição é responsável por esta divergência. Quaisquer práticas passadas, presentes ou futuras da Igreja Católica que não podem ser apoiadas pelas Escrituras podem ser explicadas seguindo-as até o Papa que lhes deu existência. Para alguns, confiar tanto na Sagrada Escritura como na Sagrada Tradição como guias parece ser lógico e aceitável, mas se o Papa pode mudar as práticas autorizadas pela Sagrada Escritura, então a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição não podem ser iguais, como são declaradas. Quando o que o Papa decreta contradiz a palavra de Deus, antes que ser honrada, parece que aquela porção da Escritura é anulada.
   
Como foi mencionado antes, os católicos acreditam que Pedro foi o primeiro Papa. A Bíblia confirma que Pedro era inspirado, e dá exemplos dele e dos outros apóstolos distribuindo dons espirituais, tais como profecia, a outros discípulos. Os crentes que receberam os dons espirituais dos apóstolos foram capazes de operar milagres e profetizar exatamente como os apóstolos, contudo, aqueles crentes não podiam passar os dons espirituais que tinham recebido. Desde que somente os apóstolos foram capazes de distribuir dons espirituais (At 8.14-18), uma vez que os apóstolos morreram, como os futuros Papas receberam a capacidade de profetizar sobre assuntos relacionados com a igreja?
   
As Escrituras não fazem nenhuma menção a Pedro ser um Papa, nem mencionam nenhuma sucessão de liderança na igreja, além dos anciãos. As Escrituras também não fornecem nenhuma evidência de que o dom espiritual da profecia continuaria através dos séculos. Em 1 Coríntios 13.8, é-nos dito que o dom da profecia terminaria.


segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Uma Rua Sem Saída

 




Por Leonardo Pereira



Jeremias dirigiu-se à nação de Judá num esforço final para salvá-la de um desastre nacional. O desrespeito à lei de Deus estava levando a nação para a extinção, e Jeremias tentou em vão chamar o povo ao arrependimento. As circunstâncias do reino são bem descritas neste trecho de Jeremias 5.30,31, onde o profeta transmite às palavras de Deus: "Cousa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém, que fareis quando estas cousas chegarem ao seu fim?"

Deus pôs a culpa em três grupos de pessoas: 1. Os profetas. Aqueles que deveriam ter sido fiéis transmitindo a palavra de Deus ao povo estavam, em vez disso, pervertendo aquela mensagem. Hoje, muitos falsos profetas falam de suas próprias ideias e perpetuam incontáveis doutrinas humanas. Entretanto, Jesus afirmou que suas palavras são a verdade absoluta que nos liberta (Jo 8.32). 2. Os sacerdotes. Os sacerdotes deveriam ter corrigido os falsos profetas, mas preferiram apoiar a propagação das suas mentiras. Os cegos estavam guiando os cegos (Mt 15.13,14). 3. O povo. É triste notar que o povo estava querendo seguir os seus guias cegos. Quando os guias espirituais amam a si mesmos e ao dinheiro, eles não condenarão eficazmente o egoísmo e o materialismo que domina o povo mundano.

Deus convidou seu povo a retornar: "...perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma" (Jr 6.16). Mas a resposta deles ecoa através da história nas palavras dos homens e mulheres rebeldes de todas as eras: "Não andaremos." Se nós recusamos a andar no caminho de Deus, seguimos uma rua de mão única para a perdição. O que você fará no fim? 


sábado, 24 de julho de 2021

As Coisas de Deus ou as dos Homens?

 




Por Leonardo Pereira



Porque Pedro, que era tão firme pela verdade, às vezes tropeçava?

Pedro é um dos mais fascinantes personagens da Bíblia. Jesus viu o potencial deste "diamante bruto" e trabalhou para lapidá-lo num apóstolo eficiente, que mais tarde se tornou qualificado para servir como presbítero (1 Pe 5.1). Houve momentos de brilho na vida de Pedro. Ele não hesitou de modo nenhum em confessar Jesus, mesmo quando outros estavam inseguros a respeito dele (Mt 16.13-20). Ele proclamava ousadamente o evangelho em Jerusalém, apesar das ameaças dos dirigentes judeus (At 4.18-31; 5.27-32). Ele tinha coragem para obedecer a Deus e pregar aos gentios, mesmo quando isso significava voltar-se contra 1500 anos de tradição religiosa (At 10; 11 e 15).

Mas Pedro também cometeu alguns erros importantes. Ele agia, frequentemente, sem parar para escolher cuidadosamente seu rumo. Nesses momentos, Pedro repreendeu Jesus por falar de sua morte que se aproximava (Mt 16.21-23), e até negou Cristo na sua hora mais difícil (Mt 26.69-75); uma vez agiu como hipócrita ao recusar associar-se com os cristãos gentios (Gl 2.11-17).

Por que o mesmo homem, que era tão firme pela verdade, às vezes tropeçava? Encontramos a chave para o entendimento de Pedro, e talvez de nós mesmos, em Mateus 16. Quando Jesus elogiou a grande confissão de Pedro, disse: "Pois isso não lhe foi revelado por carne nem sangue, mas por meu Pai que está nos céus" (v. 17). Quando Jesus repreendeu Pedro por sua interferência no plano de Deus, disse: "Não tem em mente as coisas de Deus, mas as dos homens" (v. 23). Esta é a chave para nós entendermos Pedro: Quando pensava e agia com base na revelação de Deus, ele luzia brilhantemente. Mas quando permitia à sabedoria humana dirigir, ele tropeçava e pecava.

Pedro aprendeu, finalmente, esta lição. Ele veio a entender a importância do domínio próprio, perseverança e amor, e disse que aqueles que desenvolvessem tais qualidades não tropeçariam (2 Pe 1.3-11). Este é o conselho de um apóstolo que cresceu em Cristo. É a chave para o sucesso espiritual. Precisamos enraizar firmemente nossas vidas na sabedoria da revelação de Deus. Se o fizermos, entraremos no reino eterno de nosso Salvador.


quinta-feira, 22 de julho de 2021

O que se torna possível pela fé

 




Por Leonardo Pereira



“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus...” (Hb 11.6). É possível que agrademos a Deus, porém somente pela fé podemos fazê-lo. O exemplo de Enoque nos mostra como podemos nos identificar com Deus quando temos fé real. Enoque “andava com Deus” (Gn 5.24). E sua caminhada com Deus, baseada na fé, teve resultados incríveis. “Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes de sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus” (Hb 11.5).

De acordo com o texto, Enoque agradara a Deus pela fé. Isso quer dizer que o mero fato de “crença” intelectual agrada a Deus? Não! Temos que ter uma fé que busque diligentemente a Deus em uma confiança que seja tanto esperançosa quanto amorosa. “Visto que andamos por fé e não pelo que vemos. Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor. É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe sermos agradáveis.” (2 Co 5.7-9). Se fizermos com que o nosso objetivo agrade a Deus, temos de compreender que essa possibilidade maravilhosa somente pode ser realizada pela obediência que vem pela fé. “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6).

A fé faz parte do grande trio: fé, esperança e amor. E, de fato, a fé que torna possível agradar a Deus possui uma grande quantidade de esperança e amor. Esses três atributos espirituais olham para o futuro com confiança. Trabalhando juntos, produzem a “operosidade da fé”, a “abnegação do vosso amor” e a “firmeza da vossa esperança” (1 Ts 1.3). Considere que a fé pela qual chegamos a Deus e lhe agradamos não vive sem a esperança real. Enquanto a fé nos dá esta visão de como são grandes as nossas possibilidades com Deus, é a esperança que fervorosamente deseja que essas possibilidades se realizem. Mais do que isso, a esperança espera que se realizem! E essa esperança nos leva a imitar o caráter de Deus e crescer na pureza. “E a si mesmo se purifica todo aquele que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (1 Jo 3.3).

Pela fé, buscamos agradar a Deus porque o amamos. É a fé que dá asas ao desejo natural do amor. Demonstrando-nos, não somente que Deus pode se contentar conosco, mas também como podemos fazê-lo, a fé dá a verdadeira substância ao desejo mais elevado do amor: agradar ao nosso Deus amado.


quarta-feira, 21 de julho de 2021

Cristo Versus Confusão Religiosa

 




Por Leonardo Pereira



Há uma infindável variedade de filosofias e ensinamentos religiosos, muitos dos quais parecem bem convincentes; contudo são frequentemente contraditórios. Como podemos determinar quais são os certos e quais os errados? Como podemos encontrar a verdade e evitar sermos enganados? A Bíblia contém muitas advertências sobre o falso ensinamento e a possibilidade de engano. Mas as Escrituras também oferecem esperança. Em Colossenses 2:4, Paulo escreveu: "Assim digo para que ninguém vos engane com raciocínios falazes". Paulo estava dando instruções sobre como evitar ser desencaminhado por falsos ensinamentos. O que Paulo ensina em Colossenses, que nos ajudará a entender a verdade e evitar o labirinto desnorteador das religiões conflitantes?

A Grandeza de Cristo

O principal tema do livro de Colossenses é a importância de Jesus Cristo. No capítulo 1, Paulo escreveu sobre ele: "Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as cousas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as cousas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da Igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as cousas ter a primazia" (Colossenses 1.15-18). Cristo é tudo. Ele é nosso Senhor. A meta central e esperança do evangelho é que Cristo viva em nós (1.27).

No capítulo 2, Paulo mostra que a grandeza de Cristo é exclusiva. Todos os tesouros de sabedoria e de conhecimento estão em Cristo (2.3). Não há nenhuma verdade ou entendimento fora dele. A plenitude da divindade está em Cristo (2.9). Não há nenhuma parte da natureza e do ser de Deus que não esteja expressada em Jesus. Achamos nossa perfeição em Cristo (2.10). Nele está a circuncisão espiritual, o perdão e a nova vida (2.11-13). Quando morreu, Jesus tirou o poder das forças satânicas, ganhando sobre eles uma decisiva vitória (2.15). Jesus é a realidade à qual todas a leis, festas e símbolos do Velho Testamento apontavam (2.16,17). Todo o crescimento do corpo depende de Cristo, que é a cabeça (2.19). Qualquer busca da verdade, do entendimento, ou do crescimento espiritual fora de Cristo com certeza vai falhar.

O capítulo 3 continua a ressaltar a centralidade de Cristo: "Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as cousas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas cousas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória" (Cl 3.1-4). Tendo sido ressuscitados com Cristo, ele tem que se tornar nossa verdadeira vida. Cada relação na família e dentro da sociedade depende do Senhor Jesus (3.18-4.1). De fato: "Cristo é tudo em todos" (3.11).

Cristo possui toda a autoridade. Para entender a verdade e evitar a confusão, temos que ter uma forte convicção da supremacia de Cristo (2.2). Tudo o que ele diz é absolutamente certo; tudo o mais é absolutamente inútil. Cristo é a vereda, a árvore, o edifício, a escola. Temos que caminhar nele, enraizarmo-nos nele, sermos edificados sobre ele e sermos ensinados por ele (2.6,7). Uma palavra do Senhor tem mais valor do que uma tonelada de ideias e opiniões dos homens.

Aplicações

Paulo especificamente aplicava estes princípios. Ele até parece estar discutindo religião no Brasil dos anos 90.

Filosofias humanas:

"Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo" (Cl 2.8). Muito ensinamento religioso de hoje em dia tem sua origem na sabedoria, tradições e superstições dos homens, não em Cristo. A fascinação sedutora do entendimento e da pesquisa humana é um dos principais apelos de religiões tais como a maçonaria, a rosacruz e o espiritismo. Até mesmo as ênfases dentro das religiões "cristãs" sobre poderes especiais associados com vários objetos santos, peregrinações a santuários e preces poderosas recitadas são apelos às tradições e filosofias dos homens. Se não é o que Cristo revelou, então é sem valor. A proteção contra o engano é perceber que em Cristo está todo o conhecimento.

Religião que ressalta o poder do diabo: "E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz" (Cl 2.15). Algumas igrejas esquecem a arrasadora vitória que Jesus teve sobre Satanás e suas forças, e terminam ressaltando o poder do diabo mais do que a grandeza de Cristo. Elas concebem fórmulas e meios humanos para tentar escapar da influência do diabo. Estes métodos parecem ajudar somente por curto tempo; o diabo continua retornando. Mas Cristo venceu Satanás. Que absurdo é para aqueles que receberam o benefício da vitória de Cristo, voltarem ao domínio daquelas forças que ele derrotou.

Leis do Velho Testamento:

"Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das cousas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo" (Cl 2.16,17). Deus planejou as leis e as comemorações do Velho Testamento para serem sombras de Cristo. Agora temos a Cristo, que é a plenitude da divindade. Ele é a realidade. Retornar às sombras é tolice.

Visões, anjos e revelações:

"Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal" (Cl 2.18). Quando entendemos que em Cristo está a perfeição, veremos claramente que nenhuma visão, nenhuma comunicação de um anjo ou de um espírito, e nenhuma revelação de um profeta moderno tem qualquer valor (Gl 1.6-9). As religiões frequentemente oferecem algo mais: É ótimo ter Jesus e sua palavra, mas o que realmente precisamos é de uma profetisa como Ellen G. White, um livro como o livro de Mormon, uma revista como Sentinela ou as mensagens do mais recente autonomeado profeta. Estes são "os raciocínios falazes"; cuidado!

Preceitos extras:

"Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquilo ou outro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas cousas, com o uso, se destroem. Tais cousas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade" (Cl 2.20-23). Paulo fala das tentativas para conseguir mais espiritualidade acrescentando preceitos e regulamentos humanos. Estas restrições ascéticas parecem ser sábias, mas são inúteis, porque se originam nos homens. As igrejas têm produzido centenas de preceitos, proibindo seus seguidores de participar de prazeres lícitos, na tentativa de evitar a contaminação pelo mundo. Frequentemente estes preceitos parecem razoáveis. Algumas pessoas fazem dos esportes o seu deus, então as igrejas condenam toda a participação no futebol. 

Conclusão

Muitos programas de televisão são sensuais e violentos, assim fazem um pecado ter um aparelho de televisão em casa. Algumas calças compridas são sensuais, então passam um preceito que a mulher não pode usar calça comprida nenhuma. Algumas pessoas ressaltam exageradamente a aparência externa, por isso proíbem o uso de toda a pintura e joias. E a lista continua. O que está acontecendo? Em vez de estarem satisfeitos com a perfeição em Cristo, as pessoas estão tentando ser "melhores" do que o ensinamento de Jesus. Quando os fariseus tentaram a mesma abordagem, eles encontraram a contundente reprovação do Senhor (Mc 7.1-13; Mt 15.1- 23). O que as igrejas aprenderam é que é mais fácil fazer com que as pessoas obedeçam a uma lista de regras humanas externas do que experimentar a transformação espiritual interna que Cristo exige. Mas os preceitos humanos não agradam a Deus. 


sábado, 12 de junho de 2021

Jesus Admirou-se com a Incredulidade dos Homens

 




Por Leonardo Pereira



Por muitos motivos, ficamos admirados, maravilhados, surpreendidos quando olhamos para as obras de Deus. Ao ver a majestade de uma montanha, a grandeza do mar ou a força de uma cachoeira, ficamos admirados com a natureza. Contemplando o tamanho sem medida do universo, a distância entre as estrelas, a perfeição da posição do nosso planeta em relação ao sol, ficamos maravilhados. Quando uma criança nasce, aprende andar, falar, raciocinar, cantar, jogar bola ou tocar um instrumento, ficamos admirados. As obras de Deus realmente são maravilhosas.

E quando Deus olha para nós, ele fica admirado? Muitos brasileiros têm opiniões sobre quem seria considerado o melhor jogador de futebol de todos os tempos. Pode assistir filmes de jogos deste atleta e ficar admirado com a agilidade, o domínio da bola, etc. Mas Deus criou o homem com todo este potencial. Deus fica admirado com a habilidade atlética de uma das suas criaturas? Não sei fazer nada em termos de música, mas já assisti a pessoas tocando piano com agilidade e rapidez impressionantes, os dedos voando sobre as teclas evidentemente sem esforço, cada nota gravada na memória. Fico maravilhado. Mas Deus criou o homem e sabe o que é capaz de fazer. Quando alguém toca bem ou canta bem, Deus aplaude do céu e fica admirado?

Cada vez que uso um computador, entro na Internet, uso um telefone celular, dirijo um carro ou faço uma viagem de avião, fico admirado com os avanços na tecnologia e com a inteligência e a criatividade do homem. Mas Deus criou o homem com este potencial e lhe deu todos os recursos naturais para fazer grandes invenções. Deus fica admirado com isso? Vamos ser sinceros e realistas. Diante do Criador do universo, somos capazes de fazer algo impressionante para Deus? Ele fica admirado conosco?

Jesus – Deus em Carne – Ficou Admirado, Sim!

A palavra grega frequentemente traduzida como admirar ou maravilhar significa: “1) admirar-se, surpreender-se, maravilhar-se” (Léxico de Strong). Esta palavra é usada para falar da nossa admiração por Deus (2 Ts 1.10). É usada várias vezes para falar da reação das pessoas às obras de Jesus (Mt 12.22,23; 21.20; Mc 2.12). Mas esta palavra é usada somente em duas ocasiões (3 versículos) para falar da reação de Jesus ao homem. Ele se admirou, mas não com as grandes invenções ou a capacidade mental ou física do homem. Ele ficou admirado com a incredulidade dos homens! Vamos considerar estes dois momentos:

A rejeição em Nazaré (Mc 6.1-6). Quando Jesus foi para sua própria terra, os ouvintes rejeitaram às evidências apresentadas por causa dos seus preconceitos contra um vizinho. Jesus “admirou-se da incredulidade deles” (Marcos 6:6). Como é que o homem olha para as provas de Deus e ainda rejeita o próprio Criador?!

A diferença entre um centurião e o povo de Israel (Mt 8.5-13; cf. Lc 7.1-10). O centurião acreditou no poder da palavra de Jesus, confiando que Jesus poderia “mandar” sua palavra para cumprir sua vontade. Jesus se admirou pelo contraste entre esta fé e a falta de fé do povo de Israel. Eles tinham tantas vantagens e tantas oportunidades, e ainda não creram!

Paulo Admirou-se com o Desvio de Cristãos

Paulo escreveu aos gálatas: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho” (Gl 1.6). Aqui a questão não é só a evidência da existência de Deus ou da divindade de Jesus; envolve também a confiança na palavra. Uma vez que temos estudado e conhecido o evangelho, é de admirar quando alguém aceita uma doutrina errada e abandona a palavra de Cristo. Não é por isso que o autor de Hebreus falou de cair e não voltar? (Hb 6.4-6). O que mais Deus pode fazer? Criou o mundo, mandou o Filho, enviou o Espírito para revelar a palavra. Se alguém rejeitar totalmente tudo isso, é de se admirar!

Nós Devemos Ficar Admirados!

Devemos ficar admirados com as obras de Deus, para que Deus não fique admirado com a nossa incredulidade!

Temos motivo de nos admirar com as obras do Criador. Este tema é frisado no Antigo Testamento em trechos como Salmo 19.1: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.” É o argumento que destaca a grandeza de Deus em Isaías 40 (leia, especialmente, versículos 12-18 e 25-26). No Novo Testamento, o mesmo argumento é usado para mostrar que ninguém tem motivo justo para negar a existência de Deus: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Rm 1.20).

Defesas do mesmo tipo – argumentos teleológicos (que alguém desenhou ou alguém causou as coisas porque a existência delas mostra um propósito) – têm sido apresentadas por muitas pessoas ao longo dos séculos desde a época da Bíblia. Seja o exemplo de um relógio citado por Paley séculos atrás, ou livros das décadas recentes defendendo dentro das ciências a crença em Desenho Inteligente ou Projeto Inteligente (especialmente o argumento de Complexidade Irredutível apresentado por Michael Behe e livros por autores como Michael Denton, Lee Strobel, Jonathan Wells e outros), a evidência de um Criador continua levando homens à fé em Deus.

É interessante observar que o argumento fundamental, seja de observações simples de povos primitivos ou de investigação profunda por cientistas altamente qualificados, é o mesmo: Alguém superior a nós fez este mundo e nos fez, e podemos observar algumas coisas do caráter deste Criador da própria criação. Temos motivo, também, de nos admirar com Jesus. A existência do Criador aponta para a sua revelação especial ou verbal (Sl 19.1,7; Rm 1.20,17). Não há revelação mais especial do que a de Jesus em carne. Relatos de primeira mão testificam de Jesus ressuscitado (Jo 20.30-31; 1 Co 15.3-8). E quando refletimos sobre a história do amor e do poder de Deus em nos oferecer a esperança da salvação, temos motivo para ficar admirados com esta maravilhosa graça!

E se não ficarmos Admirados com Deus?

O salmista fala da loucura de negar as evidências, de não ficar admirado com Deus: “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus” e continua comentando sobre a consequência prática desta rejeição das evidências: “Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem. . . . Todos se extraviaram e juntamente se corromperem” (Sl 14.1-3). Quando o homem rejeita seu Criador, a tendência natural é de viver sem as restrições de uma autoridade superior, e assim se corromper no pecado.

Outras pessoas afirmam crer em Deus, mas na hora de provação negam sua fé. Jesus falou da gravidade desta falha: “Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos” (Mc 8.38). E quando nos lembramos da admiração de Paulo com os cristãos que desviaram da revelação do evangelho, observamos também as consequências graves. Ele disse que os falsos mestres perturbavam os discípulos, pervertendo o evangelho e conduzindo pessoas a se desviarem da verdade. Estes enganadores seriam amaldiçoados (Gl 1.6-9).


quinta-feira, 27 de maio de 2021

Jesus, o Caminho para sair da Confusão Religiosa

 




Por Leonardo Pereira



Quando Deus deu sua lei, através de Moisés, a Israel, ele não providenciou a divisão de seu povo em seitas e partidos. Mas, na época em que Jesus veio ao mundo, as seitas e os partidos estavam bem fixados. Havia fariseus, saduceus, essênios e, sem dúvida, outros. Supunha-se que todos os que eram sérios a respeito de religião, seriam associados a uma dessas seitas. A qual destes partidos Jesus pertenceu? Todos têm que concordar que ele não pertenceu a nenhum deles. Ele manteve sua independência; até o fim ele manteve relação com Deus sem pertencer a nenhuma seita. Por esta razão, todos se opunham a ele.

Jesus não providenciou para que seus seguidores fossem divididos em seitas e partidos. Ele, antes, desejava que pudessem ser unidos. Depois de orar por seus apóstolos, ele acrescentou: "Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti; também sejam eles em nós…" (Jo 17.20,21). Através dos anos, contudo, desenvolveram-se divisões e estas se perpetuaram pela escrita dos credos e da formação de organizações denominacionais. O resultado é que, agora, entre os seguidores que professam ser de Jesus, há muitos corpos (denominações), muitos senhores (autoridades religiosas), muitas fés (credos) e muitos batismos.

Que diferente é a situação presente da unidade descrita no Novo Testamento: "…há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos" (Ef 4.4-6). Muitos, hoje em dia, lamentam a divisão entre os crentes e o desejo deles é que tal não existisse. Eles desejam a união de todas as grandes denominações e estão trabalhando diligentemente para esse fim. Mas admitem que, até que isto seja conseguido, não há nada que um indivíduo possa fazer a não ser juntar-se a uma das divisões existentes e manter um espírito bondoso e tolerante. Nada no ensinamento ou na prática de Jesus apóia esta concepção de unidade.

Jesus não se encarregou de convocar uma conferência ecumênica designada a efetuar uma fusão dos fariseus, saduceus e essênios numa super-seita. Nem orou para que seus discípulos pudessem unir-se numa super-denominação. Ele orou, antes, para que os crentes individuais se unissem nele e no Pai. Seu ensinamento foi designado para trazer indivíduos de doutrinas e tradições dos homens para a simples palavra de Deus. Através de seu ensinamento e exemplo, ele absolutamente pode ser para nós o caminho para sairmos da confusão religiosa.

A Igreja do Senhor

Jesus prometeu construir sua própria igreja. Ele disse: "…sobre esta pedra edificarei a minha igreja…" (Mt 16.18). Ele prometeu construir só uma igreja e ela seria dele. A rocha sobre a qual ela tinha que ser edificada não era Pedro, mas a verdade que Pedro confessou: "Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo" (1 Co 3.11). A palavra igreja significa "convocado". Pregando o evangelho no dia de Pentecostes, Pedro e os outros apóstolos "convocaram" aqueles que creram em Jesus.

"Ouvindo eles estas cousas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo" (At 2.37,38). "Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas" (At 2.41).

Este foi o começo da igreja. Ela era composta por todos os que foram salvos por Jesus Cristo e continuou a crescer na medida em que outros eram salvos: "…acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos" (At 2.47). Grupos destas pessoas salvas encontravam-se em várias cidades e cada grupo era uma igreja. Ainda que unidos em Cristo, eles eram independentes de qualquer associação ou federação humana. Cristo os dirigia através de seus apóstolos inspirados, ensinando-lhes como deveriam adorar e trabalhar juntos.

Para Evitar a Divisão, Seguir a Jesus

Se obedecermos às mesmas instruções que Pedro deu no Pentecostes, arrependendo-nos de nossos pecados e sendo batizados em nome de Jesus Cristo, nós também seremos salvos. Quando formos salvos, o Senhor nos acrescentará à sua igreja, como acrescentou aqueles cristãos. Eles não se ligaram a nenhuma outra organização religiosa; nem devemos nós nos ligar também. Em Cristo somos unidos com todos os outros que estão nele.  Assim entrando na igreja do Senhor, teremos que estudar cuidadosamente a descrição dessa igreja no Novo Testamento. Isto é encontrado no livro de Atos e nas cartas que se seguem a ele. Desde que os apóstolos foram guiados pelo Espírito Santo, podemos ficar certos de que as igrejas sob sua instrução eram exatamente o que Jesus queria que fossem. Se imitarmos essas igrejas primitivas, o Senhor se agradará de nós.

Imitar uma igreja do Novo Testamento talvez não seria tão difícil como se possa imaginar. Talvez você encontre um grupo independente de cristãos, seguindo o padrão do Novo Testamento, já fazendo reuniões em sua cidade. Se não, apenas dois ou três que tenham o mesmo propósito podem encontrar-se e adorar juntos de modo aceitável. Nenhum grande edifício de igreja faz-se necessário (havia igrejas no primeiro século que se reuniam nas casas  - Romanos 16.5; 1 Coríntios 16.19). Nenhum sacerdócio ordenado por homens é necessário, desde que todos os cristãos são sacerdotes (1 Pe 2.5). Nenhum alvará de nenhuma organização é necessário, porque a única afiliação é com o corpo de Cristo. Jesus disse: "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mt 18.20).


quinta-feira, 15 de abril de 2021

Preparados para a Resposta da Esperança

 




Por Leonardo Pereira



Estejam “sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15) é uma ordem expressa de Pedro para os cristãos da Ásia do primeiro século, mas também para nós, nos dias de hoje. Será que para isso é necessário muito conhecimento e disposição para discutir com qualquer pessoa sobre qualquer assunto relacionado com a fé? Observe que Tiago desestimula a ambição ardente de sermos mestres (Tg 3.1). Examinemos o contexto deste mandamento para vermos que podemos obedecê-lo. 

A Ordem de Prontidão

A ordem para estarmos prontos para responder acha-se numa carta escrita a cristãos diferentes – diferentes do que tinham sido no passado e diferentes dos que os cercavam. Os seus antigos e atuais amigos estranhavam que eles não participassem com eles do pecado (1 Pe 4.4). Eram desprezados (1 Pe 3.16), rejeitados (1 Pe 4.14) e acusados de fazer o mal (1 Pe 2.12). Esse é o plano de Deus para os que lhe pertencem, para manifestar as excelências dele nas trevas do mundo (1 Pe 2.9). Hoje nada é diferente. O tipo de pergunta que geralmente surge é: “Por que você não quer sair com a gente como antes?”, “Você não diz mais palavrão?”, “Você ficou religioso ou qualquer coisa assim?”. Essas não são as perguntas teológicas complexas que imaginaríamos lendo 1 Pedro 3.15 fora de contexto.

“Estar preparado” implica prever as perguntas e estar afiado para responder. A carta de Pedro ordena, pelo menos, três tipos de preparo: 

1. O preparo do coração. “... Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder” (1 Pe 3.14,15). É necessário coragem. Devemos ter uma idéia firme e clara de nossa identidade e nossa responsabilidade, não importa como encarem as nossas respostas. O medo de passar vergonha ou de sofrer perseguição não pode ter lugar na vida daquele cujo Senhor é Cristo. Só temos de prestar contas ao Filho de Deus; é só a ele que devemos temer (1 Pe 1.17). Participaremos do sofrimento de Cristo e não nos devemos envergonhar quando isso acontecer (1 Pe 4.12-16).

2. O preparo da vida. O nosso texto mostra que o nosso modo correto de vida já é, em si, uma grande proteção contra as situações vergonhosas: “com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo” (1 Pe 3.16). Se nos perguntam acerca do nosso comportamento, é claro que a nossa vida está sendo investigada pelas pessoas. A nossa vida, sempre, faz parte do nosso preparo. Fomos criados de modo distinto, não de acordo com “às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento” (1 Pe 1.14,15). O que dissermos com a nossa vida S o mau humor, a prática dos velhos hábitos ou qualquer coisa que não tenha sido sujeitada a Cristo S pode depor contra qualquer palavra que proferirmos com os lábios. “Amados, exorto-vos, . . . a vos absterdes das paixões carnais . . . mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas bos obras, glorifiquem a Deus” (1 Pe 2.11,12).

3. O preparo da mente. “Sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações . . . Se alguém fala, fale de acordo com as oráculos de Deus” (1 Pe 4.7,11). Junto com a nossa coragem e com uma vida exemplar, devemos estar munidos de uma mente sadia e equilibrada, pronta para trabalhar, centrada na nossa esperança (1 Pe 1.13) e pronta para dar uma resposta. Mas a que tipo de perguntas? 

Primeiramente, o que é mais provável, perguntas sobre o nosso comportamento. A nossa conduta se tornou visível e levou a uma reação. A nossa resposta deve explicar o nosso comportamento em relação ao senhorio de Cristo. “Não posso usar o nome de Deus dessa forma”, ou “de acordo com a minha crença em Jesus e segundo o que ele ensinou, entendo que não posso fazer isso”. 

Em segundo lugar, se as nossas respostas fizeram a atenção se voltar para o Senhor, podem-se seguir as perguntas simples sobre a fé e a obediência a Jesus. Não só para explicar a nossa esperança, mas também para atrair o interesse de um coração aberto, seria útil aprender uma pequena seqüência de conclusões como: o relato da vida de Jesus é preciso; Jesus ressuscitou de entre os mortos; ele só pode ser o Filho de Deus; devemos obedecer-lhe cuidadosamente; ele julgará o mundo um dia, etc. Esses mesmos fatos provavelmente foram os que nos motivaram a obedecer, e o preparo pode ser apenas aprender a ordem, treinar uma forma simples de falar sobre eles e aprender algumas referências bíblicas que os sustentam. As respostas simples são as melhores, já que poucas pessoas têm tanto conhecimento da Bíblia e é raro encontrarmos alguém que saiba fazer uma defesa lógica da fé.

Dando a Resposta

Outra ordem é dar a resposta “com mansidão e temor” (1 Pe 3.16). Ainda que sejamos ridicularizados, devemos seguir o exemplo de Jesus, “pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje” (1 Pe 2.23; 3.9). O modo de respondermos pode não apenas afastar a ira, mas também fazer parte de nosso modo de vida, que os outros observam. Temos a ordem de estarmos preparados para explicar a nossa esperança - não de sair vencedor na discussão ou de converter cada pessoa com quem temos contato. 



Referências:

Bíblia Sagrada. Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

CAMPOS, Ygor; PEREIRA, Leonardo; SILVA, Oliveira. Comentário Bíblico Evangelho Avivado Volume 2 - Novo Testamento. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.

HORTON, Stanley. Sempre Prontos. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.

PEREIRA, Leonardo. A Esperança da Salvação em Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.

SILVA, Oliveira. Panorama Bíblico Volume 7 - Epístolas Gerais. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.



terça-feira, 23 de março de 2021

Atravessando as Fronteiras de Samaria (João 4.1-6) Parte 1

 




Por Carlos Alberto Junior



“E era-lhe necessário passar por Samaria”.

 A bíblia relata que Jesus Cristo, juntamente com seus discípulos, percorria por vários lugares, como cidades, províncias e tribos. Podemos citar inúmeras cidades e lugares, onde o filho de Deus realizava seus feitos, Cafarnaum, por exemplo, foi um lugar, em que as autoridades se maravilharam da sua doutrina. Em Marcos 1:21-28; Jesus repreendeu um espirito imundo, que, atormentava um homem, os religiosos da sua época, se maravilhavam, ao ponto de dizer: Que isto? {...} Que nova doutrina é esta? Pois com autoridade ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem! (ACF, 1995). 
   
Os milagres de Jesus era visto por muitos, o evangelho estava sendo anunciado, se citamos alguma restrição no que tange a obra da evangelização, podemos encontrar algumas situações em, que, o próprio Jesus recomenda que o discípulos não percorresse lugares gentílicos e nem em cidade de samaritanos (Ler Mateus10.5); mas quando lermos João 4.4, Jesus disse que era necessários passar por Samaria, então fica uma pergunta a ordem de evangelização era para todos ou exclusivamente a um povo em especial aos judeus? 

Segundo o Manual de Dificuldades Bíblicas: 

Tais ordens aparentemente contraditórias referem-se a dois períodos diferentes. É verdade que a missão original de Jesus foi para os Judeus. Mas as Escrituras testificam que ele “veio para o que era seu, e os não receberam” (Jo 1.11). A posição oficial dos judeus foi a de rejeitá-lo como o seu Messias, e crucificaram-no (Mt 27; Mc 14; Lc 22; Jo 18). Foi depois da crucificação e ressureição de Jesus, portanto, que a missão dos discípulos passou a ser ir às nações, cumprindo-se, assim, as profecias quanto aos gentios. Dessa forma, o apostolo Paulo pôde dizer aos cristãos de Roma que o evangelho era “primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16). Por causa de sua rejeição a Jesus, a nação de Israel foi cortada (Rm 11.19), mas, quando futuramente se completar a "plenitude dos gentios” (11.45), então Israel será enxertada de novo (11.23,26). É certo que, mesmo tendo sido a missão de Jesus oficialmente para os judeus, ele não negligenciou os gentios. Ele curou a filha da mulher sírio-fenícia (Mc 7.24-30) e saiu para ministrar à mulher samaritana (Jo 4). Ele disse a seus discípulos de antemão que a sua obra (a ser feita por intermédio deles ) iria alcançar os gentios (Jo 10.16), e a sua grande comissão foi para que fizessem discípulos de todas as nações (Mt 28.18-20). Mas, tanto por uma questão de prioridade com o tempo, a mensagem de Cristo veio primeiro para o judeu e depois para o gentio.1 A própria Samaritana afirmou que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar (Jo 4.20), isto é, o povo judeu tinha um lugar especifico de adoração, a cidade santa, era o centro das atenções, pois, neste lugar, eles aguardavam o Messias. Mas o que nos chama atenção, e que nos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas),eles não menciona a passagem onde o Mestre evangelizou a Samaritana, acredito que  no livro de João, diferentemente dos outros evangelhos, ao citar essa passagem, ele nos mostra o compromisso de Jesus Cristo também com os gentios, e samaritanos, lendo o evangelho de João 4 perceberemos a mensagem evangelística que atravessou as fronteiras de Samaria.

ENTRANDO EM SAMARIA

Imagine um lugar onde quase ninguém queria entrar, percorrer ou visita-lo, lugar esse chamado Samaria. Diferente de muitas cidades que Jesus e seus discípulos andavam, esse foi o lugar escolhido para uma evangelização particular, isso se tornaria inédito, a ponto dos próprios discípulos de Jesus se maravilharem (Ler João 4.27). Essa “cidade foi fundada em aprox. 880 a.C., por Onri, rei de Israel. Permaneceu como a capital do reino do norte ate a sua queda em 722/21 a.C.2  A Bíblia menciona poucas vezes o contexto samaritano no NOVO TESTAMENTO, mas aos lermos o evangelho de João no seu capitulo 4, encontramos um texto onde iremos entender o porquê os samaritanos eram excluídos da sociedade judaica, Jesus apresentou o evangelho a uma pecadora de forma particular, isso mesmo, mas por que Jesus não anunciou o evangelho do reino a multidão como de costume? Iremos encontrar resposta examinando o texto de João 4 .

JESUS E JOÃO BATISTA

Antes de Jesus Cristo atravessar Samaria, ao lermos João 4, nos versículos 1e 2, os Fariseus tinham ouvido falar que Jesus fazia e batizava mais discípulos que João Batista, isso se deu pelo fato do testemunho descrito no capitulo 3 do evangelho de João. Quando o Messias veio ao mundo, o anúncio da sua mensagem foi anunciado por um homem que aguardava a chegada do filho de Deus, este era João o (Batista). As profecias referentes a João Batista com um profeta, que, anunciaria a Israel o advento do Messias são inúmeras, uma delas se encontra em Malaquias 3.1, João Batista é o mensageiro que prepará o caminho do filho de Deus: Como está escrito nos profetas; Eis que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual prepara o teu caminho diante de ti [...] Apareceu João Batista no deserto, e pregando o batismo de arrependimento [...] Marcos 2.2-4. (Acf).

 João Batista estava anunciando a mensagem de arrependimento (Ler João 3); ele era apenas a voz que clamava no deserto conforme profetizado por Isaias, uma das suas missões foi apresentar o nosso Senhor Jesus Cristo ao povo de Israel, isso se cumpriu, a Bíblia diz que ele viu o Cordeiro de Deus: No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. João 1.29. 

João Batista batizou Jesus Cristo nas águas do rio Jordão (Ler Mateus 3. 13 ao 17 ), tudo se cumpriu conforme o Profeta Isaias disse: Eis o meu servo, quem sustento, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma, pus o meu espirito sobre ele; ele trará JUSTIÇA AOS GENTIOS(Isaias 42.1); Jesus precisava ser batizado por João Batista para que se cumprisse toda a justiça (Ler Mateus 3.15); essa justiça representava o evangelho sendo alcançados por outros povos, incluído judeus, gentios e samaritanos. No livro de Mateus 28.19, Jesus nos ensina a fazer discípulos de todas as nações, batizando em nome do Pai, e do Filho, e do Espirito Santo.  Devemos fazer discípulos, para depois ensinamos o real sentido do Batismo nas aguas, a missão de Jesus foi anunciar a sua mensagem as nações, Jesus foi batizado por João, para nos mostrar a importância desse ato. Em João 4.1 diz ,que, Jesus fazia, e batizava mais discípulos do que João, em continuação, no versículo 2, o texto se expressa dessa maneira : (Ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos); fica uma pergunta quem batizava de fato, Jesus ou os seus discípulos? 
 
Resposta:

De fato ao examinamos o texto de João 2.22, Jesus não batizava, mas sim os seus discípulos, lendo o verso 26 do capitulo citado, temos um questionamento, devido o fato de Jesus e seus discípulos terem mais seguidores que João Batista, mas o próprio João Batista afirma que é necessário que Cristo cresça e ele diminua. Em outras palavras o ministério de João Batista estava se cumprindo não só pela sua pregação no deserto, mas pela chegada do Messias.

E SAMARIA? JOÃO 4.3

Depois que Jesus e seus discípulos apareceram nas terras da Judéia, sua missão muda de trajeto, o destino agora é Samaria, sim isso mesmo! Mas se lermos o texto de João 4.3, nos dar a entender, que, o Mestre amado tinha um compromisso em ir à Galileia: Deixou a Judéia, e foi outra vez para a Galileia (João 4.3). A expressão “foi outra vez" é classificado como uma locução adverbial significa que, Jesus já havia estado na Galileia. 

ERA NECESSARIO PASSAR POR SAMARIA, JOÃO 4.4.

A expressão necessário pode ser vista como indispensável, ou seja Jesus não iria perder tempo em Samaria, Ele não iria dispensar a oportunidade de evangelizar uma samaritana. Nenhum dos evangelhos sinóticos menciona Jesus Cristo indo falar de forma diretamente com uma pessoa de origem samaritana. Segundo o Comentário Bíblico do Novo Testamento, Wiliam Macdonald: Samaria estava na rota principal entre a Judéia e a Galileia. Mas pouco judeus usavam a rota direta. A Região de Samaria era tão desprezada pelo povo judeu que muitas das vezes faziam uma volta pela Peréia para chegar ao norte, na Galileia. Assim, quando nos é dito que para Jesus era necessário atravessar a província de Samaria, a ideia não é tanto que ele foi compelido a fazer isso por considerações geográficas, mas pelo fato de que havia uma alma necessitada em Samaria que ele podia ajudar. 3 Dentre inúmeros lugares Jesus poderia ir, como a Galileia, Cafarnaum e outras cidades onde a multidão o acompanhava, não obstante, Jesus escolheu um lugar pouco desejado pelos judeus, isto é Samaria, todavia existia um propósito em dizer ( era necessário passar por Samaria). Uma obra de evangelização pessoal aconteceria em SICAR, através do evangelho, uma pecadora passaria a conhecer o Messias, a necessidade de evangelizar deve está em nossos corações, ao olhar um pecador não com desprezo, mas com amor e misericórdia.

A CIDADE DE SICAR, JOÃO 4.5.

Quando Jesus decidiu ir a Samaria, Ele parou em uma cidade chamada Sicar. Situada no lado leste do monte EBAL, na estrada que ia de Jerusalém à Galiléia (Jo 4.5).4 Nessa mesma cidade existia uma herdade que Jacó tinha dado ao seu filho José, descrito em Genesis 33: 18-19 e 48.22. Essa cidade pode ser identificada como a antiga Siquém. Aquele poço era um meio de escape social para aquela Samaritana (adultera), devido o preconceito de outras mulheres da aldeia, ela decidi ir ao meio dia tirar agua do poço, isto é quando pouca gente circulava nesse horário ( Paráfrase minha).

A FONTE DE JAÇÓ, JOÃO 4.6.

Já cansado da viagem, o Mestre amado, assentou-se assim junto da fonte (poço) de Jacó, esse poço provavelmente media 39 metros de profundidade. Jesus Cristo estava em um lugar onde existiam pessoas desprezadas, na hora sexta, ou seja, ao meio dia do calendário judaico, Ele estava disposto a passar fome para evangelizar a samaritana. Sempre devemos estar disposto no que tange a obra de evangelização, você abriria mão de um almoço para evangelizar em pleno meio dia? Fazer o ide não ir a lugares específicos ou horários nobres, mas se prontificar em situações que serão difíceis, o exemplo de Jesus, faz nos enxergar o quanto precisamos renunciar barreiras sociais e egocêntricas. Vida de Missionário não é turismo e nem mar de rosas, nem sempre teremos bonificações ou regalias, enquanto Jesus evangelizava, os discípulos estavam em outro lugar, preocupados em o que comer, mas a resposta veio dessa forma: Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou... João 4.34; ou seja, Deus, enviou o seu filho amado para salvar os pecadores, inclusive para o povo de Samaria. 

CONCLUSÃO

No Evangelho de João 4  e versos 1 ao 6, temos um grande exemplo de evangelização, Jesus Cristo nos mostrou que as barreiras sociais devem ser quebradas, a nossa exposição mostra que, Samaria ainda não era vista com um olhar de compaixão pelos judeus da época de Jesus. O grande protocolo está a ser quebrado, nos próximos artigos, iremos aborda o evangelismo pessoal entre Cristo e a Samaritana, desde o por que da falta de comunicação dos Judeus e Samaritanos, até o anuncio missionário em Samaria, pela antes menosprezada samaritana.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
1. MANUAL DE DIFICULDADES BÍBLICAS, Norma Geisler e Thomas Howe. Traduzido por Miltom Azevedo Andrade. São Paulo: Mundo Cristão, 2015.

2. Dicionário de Jesus e dos evangelhos, César Vidal Manzanares. tradução de Fátima Barbosa de Mello Simon. Aparecida, SP: Editor Santuário, 1997. p.307).

3. MACDONALD. Wiliam, COMENTÁRIO BÍBLICO POPULAR/NOVO TESTAMENTO. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p. 250.)

4. DICIONÁRIO BÍBLICO DE ALMEIDA.1999, Sociedade Bíblica do Brasil).

5. ACF, BÍBLIA ALMEIDA CORRIGIDA FIEL, SOCIEDADE BÍBLICA TRINITARIANA DO BRASIL. 1995.