domingo, 29 de julho de 2018

A Prática da Meditação


Falar em meditação bíblica para muitos hoje soa estranho, porque a maioria tem a prática como um costume de seitas orientais. Uma característica ruim de nossa cultura moderna, é que a meditação passou a ser mais identificada como sistema não cristão de pensamento, do que com o cristianismo bíblico. Mesmo dentre os crentes, a prática da meditação é muitas vezes associada a yoga, meditação transcendental, terapia de relaxamento ou Movimento Nova Era. Por ser tão proeminente em muitos grupos e movimentos espiritualmente enganosos, alguns cristãos se sentem desconfortáveis com respeito à meditação e desconfiados daqueles que se envolvem nela. Mas devemos nos lembrar que a meditação é tanto ordenada por Deus, quanto exemplificada por homens Piedosos nas Escrituras.

O objetivo desse texto, é deixar alguns princípios bíblicos, que auxiliam na meditação da palavra de Deus e ressaltam a sua importância para vida cristã.

Definição

Para entrarmos mais afundo neste assunto, precisamos definir o que é meditação. A palavra meditar ou ponderar significa “pensar sobre” ou “refletir”. “Enquanto eu meditava, ateou-se o fogo”, disse Davi (Sl 39.3). Significa ainda “murmurar, sussurrar, fazer ruído com a boca. Implica o que expressamos por meio de um solilóquio ou falar consigo mesmo”. Esse tipo de meditação envolvia recitar para si, em espaçado murmúrio, passagens da Escritura que alguém armazenara na memória.

Enquanto as seitas orientais usam a meditação para esvaziar a mente, os cristãos a usam para encher a mente com a palavra de Deus.

Tipos de meditações

Existem alguns tipos de meditações, que são:

Primeiro, meditação formal. Implica assuntos importantes. Por exemplo, os filósofos meditam sobre conceitos tais como a matéria e o universo, enquanto os teólogos refletem sobre Deus, os decretos eternos e a vontade do homem.

Segundo, meditação ocasional. É relativamente fácil para um crente, porque ela pode ser praticada em qualquer tempo, em qualquer lugar e entre quaisquer pessoas. Uma pessoa espiritualmente ponderada pode aprender rápido como espiritualizar as coisas naturais, pois seus desejos estão em oposição à mente profana, que carnaliza até mesmo as coisas espirituais.

Terceiro, meditação diária. Esse tipo envolve tempos estabelecidos. A meditação diária e deliberada ocorre “quando alguém separa algum tempo e entra em sua sala privada, ou numa caminhada solitária, e então “medita solene e deliberadamente sobre as coisas celestiais”.

Passagens bíblicas referente a meditação

Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido (Js 1:8).

Essa foi a ordem do Senhor para Josué ser bem-sucedido em tudo o que ele fizesse, a meditação. “Essa prática o Senhor não estabeleceu que fosse apenas um momento na sua vida, mas todo o dia ele deveria meditar na lei de Deus”. Se o mesmo meditasse e praticasse o que meditou, todo seu caminho seria próspero. É evidente que se praticarmos a meditação, seremos pessoas prósperas, não no sentido material, mas espiritualmente, em nossa vida cristã. Como disse Donald S. Whitney:
O verdadeiro êxito é prometido àqueles que meditam na Palavra de Deus, que pensam profundamente nas Escrituras, não apenas uma vez ao dia, mas em momentos no decorrer do dia e da noite. Eles meditam tanto, que suas conversas são saturadas das Escrituras. O fruto da meditação deles é a ação. Eles fazem o que encontram escrito na Palavra de Deus, e, como resultado, Deus prospera o caminho deles e lhes concede êxito.
Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores; antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite. Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará (Sl 1:1-3).

Aqui podemos perceber que o salmista compara a vida espiritual do crente a uma árvore. Para que essa árvore cresça e dê seus respectivos frutos, é imprescindível a prática da meditação. Meditar na palavra de Deus nos leva absolvermos com mais profundidade as Escrituras Sagrada, ela é como um solo que abre para a filtragem da alma. Assim, meditar nas coisas divinas nos leva ao crescimento espiritual.

Métodos de meditação  

A) Selecionar uma passagem ou temas bíblicos

Você pode selecionar uma passagem da Bíblia para fazer sua meditação, pode ser um versículo ou um capitulo da Bíblia. Diante disso, materiais como concordância, dicionários bíblicos, mapas e traduções diferente, ajudará você nesse processo. Meditar através de versículos memorizados é outra alternativa. Escolher temas é outro método muito importante, os puritanos indicavam temas como:
A pecaminosidade do pecado e nosso pecado pessoal. A corrupção e enganosidade do coração. A queda em Adão e alienação de Deus. A vaidade do homem. O valor e imortalidade da alma. A fragilidade do corpo. A incerteza dos confortos terrenos. O pecado da cobiça. A paixão e morte de Cristo. O amor de Cristo. A pessoa de Cristo. O mistério e maravilha do evangelho. A natureza de Cristo. Os ofícios de Cristo. A vida de Cristo. Os estados de Cristo. As promessas de Deus. Autoexame para evidências experimentais da graça. Os ricos privilégios dos crentes. A graça e a pessoa do Espírito Santo. Os benefícios da fé. Santificação. Oração. Os mandamentos de Deus. As admoestações e ameaças de Deus. O perigo da apostasia. O pequeno número dos salvos. Perigos espirituais. Amor, alegria, esperança. O Domingo. Renúncia.
Todos esses temas podem ser usados para uma boa meditação, são temas bem práticos.

 B) Escrever com suas próprias palavras

Parafrasear uma passagem bíblica com o que entendeu do texto é uma forma de meditação. Esse é um método que ajuda muitos a compreenderem as passagens da Bíblia, é uma forma produtiva que está ao seu dispor. O método também pode ser usado com livros, assim abrirá mais seu entendimento sobre o que está lendo, como também aperfeiçoará na prática da meditação.

C) Ore sobre o texto ou tema a ser meditado  
  
Salmo 119:18 diz: "Abre os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei". Devemos orar sempre que formos meditar nas coisas divinas, pedindo que Ele nos abra o entendimento para entendermos as verdades da Sua palavra, sempre pedindo a direção do Espirito Santo e iluminação para nos guiar em toda verdade (Jo 14:26).

É importante orar antes da meditação, pedindo a Deus para que nenhum empecilho possa nos impedir de meditarmos. Sobre isso os puritanos orientavam:
Limpe seu coração das coisas deste mundo – sua atividade e diversões, do mesmo modo que das tribulações e agitações interiores. “Ore a Deus não só para guardá-lo de companhia externa, mas também de companhia íntima; isto é, que o guarde dos pensamentos vãos, mundanos e dispersivos.” Tenha seu coração purificado da culpa e da poluição do pecado, e despertado pelo fervoroso amor pelas coisas espirituais. Entesoure um rico depósito de textos bíblicos e verdades espirituais. Busque a graça de abraçar a confissão de Davi no Salmo 119.11: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.”
Thomas Watson também orienta: “Ore sobre suas meditações. A oração santifica cada coisa; sem oração, elas são apenas meditações profanas; a oração ata a meditação na alma; oração é um nó feito no final da meditação que não a deixa escapar; ore para que Deus mantenha para sempre essas santas meditações em sua mente, para que o aroma delas permaneça perenemente em seu coração.”

A meditação deve sempre envolver duas pessoas: o cristão e o Espírito Santo. Orar a respeito de um texto é convidar o Espírito Santo a manter Sua luz divina sobre as palavras das Escrituras para mostrar a você aquilo que você não consegue ver sem Ele. Sempre que separar um texto da palavra para fazer sua meditação, leia primeiro o texto, ou ore primeiro, a ideia é no momento que estiver apresentando a passagem a Deus em oração; o Espirito Santo te dará a iluminação dele.

Conclusão

Até aqui apresentamos alguns métodos de meditação, existem outros que também podem ser usados para o crescimento espiritual.

Devemos ter em mente que, a meditação é uma ordenança de Deus para praticarmos, se não praticamos, é porque não levamos em conta a palavra do Criador. Temos de dá atenção a leitura da palavra de Deus e a oração, mas não podemos nos esquecer da prática da meditação. Joel Beeke fala algo importante sobre isto: 
Em certa época, a igreja cristã esteve profundamente engajada em meditação bíblica, o que envolvia separação do pecado e comunhão com Deus e com o próximo. Quando falhamos em meditar, desconsideramos a Deus e Sua Palavra, e revelamos que não somos piedosos. 
Que possamos fazer da meditação bíblica, uma disciplina cristã, para vivermos uma vida piedosa, segundo a imagem de Cristo a cada dia.

Sidney Muniz
Notas:
Espiritualidade Reformada – Joel Beeke
Disciplinas Espirituais para a Vida Cristã – Donald S. Whitney


terça-feira, 24 de julho de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Julho/2018 - Capítulo 4 - O Senhor Deus Onisciente



Comentarista: Alexandro Milesi

Texto Bíblico Base Semanal: Daniel 2.17-23

17. Então Daniel foi para a sua casa, e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros;
18. Para que pedissem misericórdia ao Deus do céu, sobre este mistério, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem, juntamente com o restante dos sábios da Babilônia.
19. Então foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite; então Daniel louvou o Deus do céu.
20. Falou Daniel, dizendo: Seja bendito o nome de Deus de eternidade a eternidade, porque dele são a sabedoria e a força;
21. E ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos.
22. Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz.
23. Ó Deus de meus pais, eu te dou graças e te louvo, porque me deste sabedoria e força; e agora me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber este assunto do rei.

Momento Interação

Um dos estudos mais desafiadores que temos pela frente é a respeito da Onisciência de Deus. Este assunto foi debate de diversos concílios e plenárias ao longo das épocas e até hoje há posições contraditórias acerca da onisciência do Senhor. No capítulo desta semana, estudaremos sobre a onisciência do Senhor à qual os textos bíblicos nos mostram este atributo à qual somente o Senhor detém. Este estudo nos serve de base para compreendermos acerca não de tudo do Senhor, pois jamais conseguiríamos saber tudo sobre Deus. Mas sim, temos a certeza de que ele nos conhece e sabe sobre nossas vidas e nosso ser interior, na relação com Ele. Bons Estudos!

Introdução

A natureza infinita de Deus significa simplesmente que Deus existe aparte de, e não é limitado pelo tempo ou espaço. Infinito significa simplesmente "sem limites". Quando nos referimos a Deus como "infinito", geralmente usamos termos como onisciência, onipotência, onipresença para referir-nos a Ele. A onisciência significa que Deus é onisciente, ou seja, Ele tem conhecimento ilimitado. Seu conhecimento infinito é o que o qualifica como governante e juiz soberano sobre todas as coisas. Deus não apenas sabe de tudo que acontecerá, mas também de todas as coisas que poderiam ter acontecido. Nada pega Deus de surpresa, e ninguém pode esconder o pecado dEle. Há muitos versículos na Bíblia onde Deus revela esse aspecto de Sua natureza. Podemos observar um exemplo nas Escrituras Sagradas em 1 João 3.20: "... Deus é maior do que o nosso coração e sabe todas as coisas".

I.  O Deus que Detém todo o Conhecimento

A onisciência é definida como "o estado de ter conhecimento total, a qualidade de saber tudo." Para que Deus seja soberano sobre a Sua criação de todas as coisas, visíveis ou invisíveis, Ele tem que ser onisciente. Sua onisciência não é restrita a uma única pessoa da Trindade – o Pai, Filho e Espírito Santo são todos por natureza oniscientes. Deus sabe de tudo (1 Jo 3.20). Ele não só conhece os mínimos detalhes da nossa vida, mas também de tudo ao nosso redor, pois menciona que sabe até quando um pardal cai ou quando perdemos um único fio de cabelo (Mt 10.29-30). Deus não só sabe de tudo o que ocorrerá até o fim da história em si (Is 46.9-10), mas também conhece nossos pensamentos antes mesmo de falarmos (Sl 139.4). Ele conhece os nossos corações de longe e até nos viu quando ainda estávamos no ventre materno (Sl 139.1-3, 15-16). Salomão expressa essa verdade perfeitamente quando diz: "porque só tu conheces o coração de todos os filhos dos homens" (1 Rs 8.39).

II. O Deus que Conhece os Pensamentos

Claramente observamos a onisciência de Jesus na Terra, mas aqui é onde começa o paradoxo também. Jesus faz perguntas, o que talvez implique a ausência de conhecimento, embora o Senhor faça perguntas mais para o benefício de Sua audiência do que para Si mesmo. No entanto, existe uma outra faceta acerca de Sua onisciência que surge das limitações da natureza humana que Ele, como o Filho de Deus, assumiu. Lemos que, como um homem, "crescia Jesus em sabedoria, e em estatura" (Lc 2.52) e que Ele "aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu" (Hb 5.8). Também lemos que Ele não sabia quando seria o fim do mundo (Mt 24.34-36). Nós, portanto, temos que perguntar: por que o Filho não sabe disso quando já sabia de tudo mais? Ao invés de encarar isto como uma limitação humana, devemos considerá-lo um controlado limite de conhecimento. Aqui vemos um ato voluntário de humildade a fim de de participar plenamente da nossa natureza (Fp 2.6-11, Hb 2.17) e ser o segundo Adão. Finalmente, não há nada difícil demais para um Deus onisciente, e é com base na nossa fé em tal Deus que podemos descansar seguros, sabendo que promete nunca desamparar-nos enquanto continuarmos nEle. Ele conhece-nos desde a eternidade, mesmo antes da criação.

III. O Deus que Conhece os Corações

Apesar da condescendência do Filho de Deus despojar-se de Si mesmo e assumir a forma de servo (Fp 2.7), a Sua onisciência é claramente vista nos escritos do Novo Testamento. A primeira oração dos apóstolos, encontrada em Atos 1.24: "Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos", implica a onisciência de Jesus, a qual é necessária para que seja capaz de receber petições e interceder na mão direita de Deus. Na Terra, a onisciência de Jesus é igualmente clara. Em muitos relatos do Evangelho, Ele conhecia os pensamentos do Seu público (Mt 9.4, 12:25; Mc 2.6-8; Lc 6.8). Ele sabia de detalhes das vidas das pessoas antes mesmo de conhecê-las. Quando conheceu a mulher samaritana que estava tirando água do poço de Sicar, Ele disse-lhe: "Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade" (Jo 4.18). Jesus também diz aos Seus discípulos que o Seu amigo Lázaro estava morto, embora estivesse mais de 40 km de distância da casa de Lázaro (Jo 11.11-15). Ele aconselhou os discípulos a irem preparar-se para a Ceia do Senhor, descrevendo a pessoa que iriam encontrar e acompanhar (Mc 14.13-15). Talvez o melhor exemplo: Ele conhecia Natanael antes mesmo de encontrá-lo, pois já conhecia o seu coração (Jo 1.47-48). Deus já conhecia eu e você, já sabia quando apareceríamos no decorrer do tempo e com quem iríamos interagir. Ele até previu o nosso pecado em toda a sua feiúra e depravação, mas ainda, em amor, escolheu colocar o Seu selo sobre nós e nos atraiu a esse amor em Jesus Cristo (Ef 1.3-6). Um dia o veremos face a face, mas o nosso conhecimento de Deus nunca será completo. Nossa admiração, amor e louvor a Ele continuarão por todos os milênios enquanto nos aquecemos nos raios do Seu amor celestial, aprendendo e apreciando cada vez mais o nosso Deus onisciente.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Julho/2018 - Capítulo 3 - O Senhor Deus Onipresente



Comentarista: Alexandro Milesi


Texto Bíblico Base Semanal: Salmos 139.1-10

1. SENHOR, tu me sondaste, e me conheces.
2. Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.
3. Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.
4. Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces.
5. Tu me cercaste por detrás e por diante, e puseste sobre mim a tua mão.
6. Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir.
7. Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?
8. Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no Sheol a minha cama, eis que tu ali estás também.
9. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,
10. Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.

Momento Interação

O Senhor nosso Deus está em todos lugares, à qual não há condição de nos escondermos nem de escaparmos através dos Seus olhos. É maravilhoso sabermos que o Deus que guia as nossas vidas, está sempre presente em nossas vidas também. Deus nunca nos desampara, nem nos entrega ao acaso. Continuamente tem buscado estar com Seus filhos de modo que possamos sempre buscar conhecê-lo. Neste estudo desta semana estamos diante de uma preciosidade à qual muitos não entendem e até mesmo ignoram: a onipresença do Senhor nosso Deus. Bons Estudos!

Introdução

A onipresença significa que Deus está sempre presente. Não há nenhum lugar onde se possa ir para escapar da presença de Deus. Deus não é limitado pelo tempo ou espaço. Ele está presente em cada ponto do tempo e espaço. A presença infinita de Deus é importante porque estabelece que Deus é eterno. Deus sempre existiu e sempre existirá. Antes do início dos tempos, Deus já era. Antes que o mundo ou até mesmo a matéria em si tivesse sido criada, Deus já era. Ele não tem começo nem fim, e nunca houve um tempo quando Ele não existia, nem haverá um tempo em que deixará de existir. Novamente, muitos versículos na Bíblia nos revelam este aspecto da natureza de Deus, e um deles é o Salmo 139.7-10: "Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença? Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura, também lá estás. Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar, mesmo ali a tua mão direita me guiará e me susterá".

I. O Deus Presente em Todo Lugar

O prefixo omni procede da palavra latina que significa “todo”. Assim, dizer que Deus é onipresente é dizer que Ele está presente em todos os lugares. Em muitas religiões, Deus é considerado onipresente, enquanto que no judaísmo e cristianismo, esta visão é adicionalmente subdividida na transcendência e imanência de Deus. Embora Deus não seja totalmente imerso no tecido da criação (panteísmo), Ele está presente em todos os lugares e em todos os momentos.

A presença de Deus é contínua ao longo de toda a criação, embora não seja revelada da mesma maneira e ao mesmo tempo para as pessoas em toda parte. Às vezes Ele pode estar ativamente presente em uma situação, embora escolha não revelar a Sua presença em uma outra circunstância, em alguma outra área. A Bíblia revela que Deus tanto pode estar presente a uma pessoa de uma forma manifesta (Sl 46.1, Is 57.15) quanto estar presente em todas as situações em toda a criação em qualquer momento (Sl 33.13-14).

II. O Deus Presente em Nossas Vidas

A onipresença é o método de Deus de estar presente em todos os intervalos de tempo e espaço. Embora Deus esteja presente em todo tempo e espaço, Ele não é localmente limitado a qualquer tempo ou espaço. Deus está em toda parte e em cada momento. Nenhuma partícula ou molécula atômica é tão pequena para escapar da presença de Deus, e nenhuma galáxia é tão grande que Ele não a possa conter. Entretanto, se tentássemos remover a criação, Deus ainda a conheceria, pois Ele sabe de todas as possibilidades, sejam elas reais ou não.

Deus está naturalmente presente em todos os aspectos da ordem natural das coisas, em todo tempo, maneira e lugar (Is 40.12; Na 1.3). Deus está ativamente presente de uma maneira diferente em cada acontecimento na história como um guia providente dos assuntos humanos (Sl 48.7; 2 Cr 20.37; Dn 5.5-6). Deus está presente e atento de uma maneira especial àqueles que invocam o Seu nome, intercedem por outros, adoram a Deus, fazem petições e oram fervorosamente por perdão (Sl 46.1). Ele está supremamente presente na pessoa do Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo (Cl 2.19), e misticamente presente na igreja universal que cobre a terra e contra a qual as portas do inferno não prevalecerão.

Assim como a onisciência de Deus apresenta aparentes paradoxos devido às limitações da mente humana, o mesmo ocorre com a onipresença de Deus. Um desses paradoxos é importante: a presença de Deus no inferno, o lugar ao qual os ímpios são enviados e sofrem a fúria ilimitada e incessante de Deus por causa do seu pecado. Muitos argumentam que o inferno seja um lugar de separação de Deus (Mt 25.41) e se assim for, não se pode dizer então que Deus esteja em um lugar separado dEle. No entanto, os ímpios no inferno suportam a Sua ira eterna, pois Apocalipse 14.10 fala do seu tormento na presença do Cordeiro. Pensar que Deus esteja presente em um lugar aonde os maus são supostamente enviados causa certa consternação. No entanto, este paradoxo pode ser explicado pelo fato de que Deus pode estar presente -- porque Ele enche todas as coisas com a Sua presença (Cl 1.17) e sustenta tudo pela palavra do Seu poder (Hb 1.3) – mesmo assim, Ele não necessariamente está em todos os lugares para abençoar.

III. O Deus Presente em Todos os Dias

Assim como Deus é muitas vezes separado de Seus filhos por causa do pecado (Is 52.9), está longe dos ímpios (Pv 15.29) e ordena que os incrédulos escravos da escuridão no final dos tempos se afastem a um lugar de castigo eterno, Deus ainda está lá no meio. Ele sabe como as almas no inferno estão agora sofrendo; Ele conhece suas angústias, seus gritos por alívio, suas lágrimas e tristeza pelo estado eterno no qual suas almas se encontram. Ele está presente em todos os sentidos como um lembrete perpétuo do seu pecado que criou uma separação de todas as bênçãos que de outra forma poderiam ter recebido. Ele está presente em todos os sentidos, mas não exibe nenhum outro atributo além da Sua ira. Da mesma forma, Ele também estará no céu, manifestando todas as bênçãos que nem podemos começar a compreender aqui. Ele estará lá exibindo Sua múltiplas bênçãos, Seu múltiplo amor e Sua múltipla bondade-de fato, todos os seus atributos, com a exceção da Sua ira. A onipresença de Deus deve servir como um lembrete de que não podemos nos esconder de Deus quando pecamos (Sl 139.11-12), mas podemos voltar-nos para Deus em arrependimento e fé sem termos que nos deslocar (Is 57.16).