quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Agosto/2018 - Capítulo 1 - A Epístola aos Filipenses




Comentarista: Lucas Soares


Texto Bíblico Base Semanal: Atos 16.9-18

9. E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um homem da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: Passa à Macedônia, e ajuda-nos.
10. E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho.
11. E, navegando de Trôade, fomos correndo em caminho direito para a Samotrácia e, no dia seguinte, para Neápolis;
12. E dali para Filipos, que é a primeira cidade desta parte da Macedônia, e é uma colônia; e estivemos alguns dias nesta cidade.
13. E no dia de sábado saímos fora das portas, para a beira do rio, onde se costumava fazer oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que ali se ajuntaram.
14. E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia.
15. E, depois que foi batizada, ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos constrangeu a isso.
16. E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores.
17. Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo.
18. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu.

Momento Interação

Prezados estudantes da Palavra de Deus. Depois de estudarmos acerca dos Atributos do Senhor, neste mês estudaremos a Epístola de Paulo aos Filipenses. Esta epístola contém lições doutrinárias muito importante para as nossas vidas pois trata-se de uma epístola com um grande zelo pastoral, uma carta plenamente inspirada pelo Espírito Santo. O comentarista deste mês é Lucas Sores, educador, Ministro do Evangelho, escritor, e membro da equipe de comentaristas do Evangelho Avivado.
Desejamos a todos os irmãos durante todo o mês, um excelente estudo na Epístola do Apóstolo Paulo aos Filipenses. Deus vos abençoe!

Introdução

Qualquer registro da vida do apóstolo Paulo, autor de 13 dos 27 livros do Novo Testamento, focaliza as suas viagens evangelísticas. Poucos anos depois da sua conversão, Paulo acompanhou Barnabé em uma viagem que incluiu uma ilha importante no Mediterrâneo e algumas regiões da área conhecida como Ásia Menor (atual Turquia). Algum tempo depois, os dois saíram em viagens separadas. Barnabé voltou para a ilha de Chipre, e Paulo levou Silas e voltou, por terra, para a Ásia Menor. Paulo e Silas passaram pelas regiões visitadas na viagem anterior, e queriam ir mais para o norte. O Espírito Santo, porém, não permitiu isso, e continuou os guiando para o oeste até chegarem à beira do mar Egeu, que separa a Ásia da Europa. Por meio de uma visão, o Senhor mandou que fossem para a Macedônia (atual Grécia). Passaram por algumas outras cidades antes de chegar à cidade de Filipos.

I. A Chegada de Paulo em Filipos

Filipos teve uma história interessante. Em 358 a.C., foi conquistada por Filipe II (de quem vem o nome da cidade), um gênio militar que deu ímpeto às famosas conquistas do seu filho, Alexandre, o Grande. Pouco mais de cem anos antes do nascimento de Jesus, os romanos tomaram controle da cidade. Foi o local de batalhas importantes em 42 a.C., nas quais Marco Antônio e Otávio Augusto (conhecido depois como o primeiro imperador romano, César Augusto), procuraram vingança pela morte de Júlio César e conseguiram seu objetivo pela morte de Bruto e Cássio. Filipos foi elevada à posição de colônia romana (At 16.12). A localização geográfica de Filipos lhe deu a importância de porta de entrada da Europa para as pessoas vindas da Ásia. Conforme o registro bíblico, foi a porta de entrada do evangelho, que chegou ao continente europeu quando Paulo e Silas pregaram nessa cidade.

Esses dois evangelistas não chegaram com a pompa e cerimônia dos generais militares que fizeram história na mesma cidade. Depois de alguns dias em Filipos, Paulo e Silas foram ao rio (o Gangites passava perto da cidade) onde encontraram algumas mulheres em um lugar de oração. A primeira conversão a Cristo registrada no continente europeu foi de uma mulher da Ásia, pois Lídia era de Tiatira, uma cidade da Ásia Menor (At 16.14-15).

II. Autoria e Data da Epístola

Filipenses 1.1 identifica o apóstolo Paulo como o seu autor, provavelmente com a ajuda de Timóteo. Esta epístola foi escrita em aproximadamente 61 d.C. Filipenses pode ser chamado de "Recursos através do sofrimento". O livro é sobre Cristo em nossa vida, Cristo em nossa mente, Cristo como nossa meta, Cristo como nossa força e alegria através do sofrimento. Ele foi escrito durante a prisão de Paulo em Roma, cerca de 30 anos após a ascensão de Cristo e cerca de dez anos depois de Paulo ter pregado em Filipos pela primeira vez.

Paulo era um prisioneiro de Nero, mas a Epístola transborda com mensagens de triunfo. As palavras "alegria", "gozo" e "regozijo" aparecem com frequência (Fp 1.4, 18, 25, 26, 2.2, 28; 3.1, 4.1, 4,10). Uma experiência cristã correta é experimentar, independente de nossas circunstâncias, a vida, a natureza e a mente de Cristo habitando em nós (Fp 1.6, 11; 2.5, 13). Filipenses atinge o seu auge em 2.5-11 com a declaração gloriosa e profunda sobre a humilhação e exaltação de nosso Senhor Jesus Cristo.

III. O Propósito da Epístola aos Filipenses

A Epístola aos Filipenses, uma das epístolas de Paulo na prisão, foi escrita em Roma. Foi em Filipos, onde Paulo visitou em sua segunda viagem missionária (At 16.12), que Lídia e o carcereiro e sua família foram convertidos a Cristo. Agora, alguns anos mais tarde, a igreja estava bem estabelecida, como se pode deduzir pelo seu tratamento inicial, o qual diz: "bispos (presbíteros) e diáconos" (Fp 1.1). O motivo para a epístola foi reconhecer uma oferta monetária procedente da igreja em Filipos e levada ao apóstolo por Epafrodito, um dos seus membros (Fp 4.10-18). Esta é uma delicada carta para um grupo de cristãos que eram especialmente próximos ao coração de Paulo (2 Co 8.1-6) e, comparativamente, pouco é dito sobre o erro doutrinário.

Filipenses é uma das cartas mais pessoais de Paulo e, como tal, tem várias aplicações pessoais aos crentes. Escrita durante a sua prisão em Roma, Paulo exorta os filipenses a seguirem o seu exemplo e anunciar “a palavra com maior determinação e destemor” (Fp 1.14) em tempos de perseguição. Todos os cristãos têm experimentado, em um momento ou outro, a animosidade dos incrédulos contra o evangelho de Cristo. Isso é de se esperar. Jesus disse que o mundo o odiava e odiaria os Seus seguidores também (Jo 5.18). Paulo exorta-nos a perseverar em face de perseguição, a permanecer firmes "num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho" (Fp 1.27). Uma outra aplicação de Filipenses é a necessidade dos cristãos permanecerem unidos em humildade. Estamos unidos com Cristo e temos que nos esforçar para estar unidos uns aos outros da mesma maneira. Paulo nos encoraja a “ter o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude” e a repudiar a vaidade e egoísmo, mas ”humildemente considerem os outros superiores a si mesmo", prestando atenção aos interesses dos outros e cuidando uns aos outros (Fp 2.2-4). Haveria muito menos conflito nas igrejas hoje se todos seguíssemos o conselho de Paulo.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Vivemos uma autêntica Crise Educacional Bíblica em nosso País!




Por Leonardo Pereira



A sociedade contemporânea está ainda que as poucos, passando por muitas drásticas mudanças sociais, éticas, religiosas e também educacionais. Aqui se encontra um embate que é necessário e importante ser discutido visando o bem das próximas gerações, dispostos a contribuir para com as famílias, com a sociedade, com a nação e principalmente, com a Igreja de Cristo. É um momento muito propício para todo o povo de Deus se achegar para tal assunto ser abordado com bastante seriedade, honestidade e objetividade hoje: O Estudo Bíblico.

Existem atualmente muitos irmãos em Cristo na nação brasileira que estão com muitas dúvidas do que estudar na Bíblia, como estudar a Bíblia, por onde começar a estudar a Bíblia, e ainda, saber o objetivo primordial de estudar as Escrituras Sagradas. É muito sério a situação a qual a nossa nação está presenciando e vivendo. Vivemos uma autêntica crise educacional bíblica em nosso país.

De acordo com o articulista Jarbas Aragão do portal de notícias Gospelprime, ele diz  que em pesquisas recentes, menos da metade dos evangélicos no Brasil tem lido a Bíblia Sagrada com grande afinco. No seu artigo ele diz o seguinte:

Apesar de continuar sendo o livro mais impresso e vendido no mundo, menos da metade dos cristãos praticantes passam tempo envolvidos com a Bíblia, afirma a American Bible Society (ABS). Foram feitas entrevistas, por amostragem, de mil pessoas adultas, de ambos os sexos e diversas faixas etárias e de renda (...); Quando divididos por idade, nota-se que os mais novos, (abaixo de 31 anos) estão menos envolvidos, representando apenas 12% dos leitores da Bíblia. Por outro lado, entre os adultos mais velhos o índice mais que dobra, chegando a 26%. Harrell acredita que os que pertencem à geração atual provavelmente se aproximarão mais de suas Bíblias quando verem o impacto do livro sagrado nas vidas de outras pessoas. Por outro lado, no levantamento de 2016, 77% dos católicos praticantes e 84% dos evangélicos praticantes expressaram o desejo de ler mais a Bíblia. Curiosamente, apenas 45% do total geral acredita que a Bíblia oferece “tudo que uma pessoa precisa para viver uma vida plena”. Eram 53% em 2011.

Indo mais além, podemos até mesmo dizer que muitos espaços de cultos doutrinários e de EBDs no Brasil tem decaído muito com a presença de irmãos que outrora íam em momentos oportunos para o povo do Senhor. Certamente, devemos ir muito mais além do estudo bíblico em cultos ou reuniões de estudo bíblico. Temos pela misericórdia do Senhor, de preservarmos estes valores dentro de nossas, que, a partir de nossas casas, do nosso local particular, para assim, sermos cada vez mais instrumentos do Senhor para as vidas de muitos.

É importante que resgatemos os preciosos valores morais e espirituais que a Bíblia Sagrada ordena que tenhamos. Valores estes que são impostos a todo aquele que busca negar-se a si mesmo, tomar a cada dia sua cruz e seguir ao Senhor da Glória (Lc 9.23). Assim a própria Bíblia Sagrada nos mostra as diretrizes que devemos tomar e a importância da ocorrência dos efeitos do autêntico estudo bíblico. Podemos observar sete pontos que precisamos ter para um estudo bíblico de excelência em nosas vidas.

1. Um espaço para o estudo bíblico. Tenha para si um espaço para que você realize todo o seu estudo bíblico. O ambiente lhe acomoda a se concentrar cada vez mais em seu estudo. Josué observando as palavras do Senhor aplicou-as em seu coração para que ele pudesse meditar na lei de Moisés de dia e de noite (Js 1.1-8). Uma biblioteca, um espaço em seu quarto com anotações e livros organizados lhe darão um excelente espaço para o seu estudo bíblico.

2. Um tempo para o estudo bíblico. Aqui se encontra um dos maiores desafios para a homem de Deus na pós-modernidade: O tempo. Esse período deve ser muito bem controlado. Deve se decidir o quanto pode e o quanto deve se estudar naquele dia. Busque respeitar o horário que sempre se comprometeu a exercer naquele momento o seu período de estudo. Caso haja condições para mudanças de horário, busque se programar de antemão para que não falte espaço na sua agenda, para o seu estudo bíblico.

3. Materiais para o estudo bíblico. Dependendo do que você estiver estudando é importante ter em mãos os materiais necessários para o seu estudo bíblico. Bíblias de Estudo, Atlas e dicionário bíblico e um dicionário português são bastante oportunos para o momento. Diversos livros sobre a temática em que estuda também são fundamentais para o acesso da informação para uma ampla e exímia pesquisa para a sua meditação.

4. Por onde começar o estudo bíblico. Tenha em mente o que busca estudar dentro das Escrituras Sagradas. Converse com irmãos em Cristo mais experientes no estudo bíblico que lhe direcionem, que lhe deem um norte para assim começar a sua maior jornada da sua vida. Busque em primeiro lugar o Senhor Deus em oração rogando que lhe guie em sua caminhada. Evite desde o começo do seu estudo, livros bíblicos de difíceis interpretações para que não o desestimule a prosseguir em sua caminhas pelas belas letras das Escrituras Sagradas. Comece com livros que lhe abram um leque de oportunidade para que possam crescer em inúmeros assuntos aos quais, todos os levam a Cristo Jesus (Mt 22.29; Jo 5.39; Lc 24.44; At 4.12).

5. Humildade no estudo bíblico. Busque sempre ser humilde ao estudar com afinco as Escrituras. Muitos começam a se ensoberbecerem por terem começado a estudar as Sagradas Letras e a ganharem conhecimento, se acham muitas vezes no direito de serem doutores ou mestres, visto que não possuem mais a humildade e a singeleza de coração que outrora possuíam. Jamais permitam em suas vidas que as muitas letras dominem o seu coração, ao invés de serem abundados pelo gracioso amor e pela maravilhosa Graça do Senhor Jesus Cristo.

6. Auxílio no estudo bíblico. Jamais considere em sua mente e em seu coração que pode chegar a algum lugar sozinho, principalmente com a busca do manejo da Palavra da Verdade (2 Tm 2.15). Paulo teve Timóteo lhe instruindo a crescer nas Escrituras Sagradas. Apolo, ainda que fosse um homem eloquente e poderoso nas Escrituras (At 18.24) teve em sua vida Aquila e Priscila dispostos a lhe apontarem Jesus Cristo nas Escrituras (At 18.27,28). Todos nós vamos precisar de auxílio em nossos estudos. Busque pessoas que amem e estudam a Bíblia com alegria e dedicação de corpo e alma (Jo 5.39), que lhe auxiliem em seus estudos. 

7. Oração no estudo bíblico. É praticamente impossível para nós estudarmos as Sagradas Escrituras sem buscar do alto o Deus da Palavra. Orarmos ao Senhor é o fator principal para um estudo bíblico de excelência. Muitos lugares de estudos bíblicos falham terrivelmente por não darem prioridade na oração ao Senhor antes, durante e depois dos estudos. Falham porque lhes faltam poder do alto. Falham porque não buscam conhecimento de Deus, mas sim, o seu próprio conhecimento carnal, falho e decaído. Tiago, meio-irmão de Cristo Jesus nos mostra como se deve buscar a autêntica sabedoria: E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa" (Tg 1.5-7). Busquemos ao Senhor a sabedoria de modo que o nosso estudo bíblico possa cada vez mais glorificar o santo nome do Senhor (Rm 11.36).


Referências:

1. ANDRADE, Claudionor de. O Desafio da Evangelização. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. ANDRADE, Claudionor de. Teologia da Educação Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

3. Bíblia Sagrada Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

4. CHAVES, Gilmar Vieira. Educação Cristã. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2012.

5. DE YOUNG, Kevin; KLUCK, Ted. Não quero um pastor bacana. São Paulo: Mundo Cristão,  2011.

6. GILBERTO, Antônio. Manual da Escola Dominical 17ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

7. LOPES, Hernandes Dias. Pregação Expositiva. São Paulo: Hagnos, 2009.

8. WILKERSON, David. A Cruz e o Punhal. Belo Horizonte: Editora Betânia, 2008.

9. ARAGÃO, Jarbas. https://noticias.gospelprime.com.br/menos-40-cristaos-praticantes-leem-biblia/ - Acesso dia: 01/08/2018.

10. PAIVA, Tatiana. https://guiame.com.br/gospel/reportagens-especiais/mesmo-em-crise-escola-biblica-dominical-ainda-e-vista-como-essencial.html - Acesso dia: 01/08/2018.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Julho/2018 - Capítulo 5 - O Deus Incomparável



Comentarista: Alexandro Milesi

Texto Bíblico Base Semanal: Jó 42.1-6

1. Então respondeu Jó ao SENHOR, dizendo:
2. Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.
3. Quem é este, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram inescrutáveis, e que eu não entendia.
4.Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás.
5. Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos.
6. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza.

Momento Interação

Chegamos ao final de mais um Comentário Bíblico Mensal, e nesta feita, estivemos estudando sobre os Atributos de Deus. Conhecer ao Deus que a Sua Palavra nos revela é de modo tremendamente importante, partindo do ponto em que sabemos da Sua supremacia e grandiosidade. No capítulo desta semana constataremos que verdadeiramente o Senhor é o Deus Supremo. Não há páreo para Deus. Ele detém todo o poder, quer seja conhecido por nós, quer não. Somente o Senhor é Deus! Ótimos Estudos e até o próximo Comentário Bíblico Mensal.

Introdução

Deus, sendo onisciente e onipresente, sabe tudo que eu faço, digo e penso. Como você reage a essa afirmação? É confortante ou assustador? Você sente segurança em saber que Deus entende sua vida, seus desafios e seus motivos, ou fica assustado em pensar que o onipotente juiz de todos sabe tudo que passa por sua cabeça? Davi falou desse conhecimento total de Deus no Salmo 139. Não sabemos quando ele escreveu esse hino, mas o título mostra que seria usado na adoração em Israel. Sua mensagem é de confiança total no Senhor e de um desejo profundo de manter a comunhão com o Criador. Mas Davi entendeu bem o outro lado dessa moeda. O mesmo Deus que protege os fiéis traz o julgamento sobre os rebeldes. Deus é plenamente bom para com os seus e justo e reto para os que cometem iniquidades.

I. O Deus Supremo

Na leitura do Salmo 139, observamos o progresso da onisciência (Deus sabe tudo) à onipresença (Deus está em todo lugar) à onipotência (Deus é todo-poderoso) como pilares que sustentam a confiança do autor na perfeita justiça do santo Deus que ele adora. Davi começa com foco no conhecimento total que Deus tem das suas criaturas. O Senhor observa cada movimento, enxerga cada pensamento e ouve cada palavra até antes dela ser falada! Davi comenta sobre a onisciência divina: “Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; é sobremodo elevado, não o posso atingir” (Sl 139.6). Essa ênfase na onisciência naturalmente leva o autor a refletir sobre outra característica de Deus, sua onipresença. Não há onde se esconder do Senhor. Davi diz a Deus: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.7-10). Enquanto Davi achou conforto no fato da presença de Deus, essa mesma doutrina bíblica provoca medo em qualquer um que não obedece ao Senhor. Mil anos depois de Davi, um outro autor disse: “E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hb 4.13).

II. O Deus Único

A eternidade não é um período longo, é um conceito que vai além do tempo e que não pode ser sujeito à medição. É apresentada na Bíblia em dois sentidos. No sentido que podemos descrever como a eternidade futura, as Escrituras ensinam que o homem pode participar dessa existência, gozando a vida eterna por meio de Jesus Cristo. João 3.16, talvez o versículo mais conhecido desse relato do evangelho, diz: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Jesus e os autores dos livros do Novo Testamento falaram dezenas de vezes sobre essa vida eterna, o nosso objetivo. As Escrituras falam de outro sentido da eternidade que pertence exclusivamente a Deus, o que podemos descrever, em termos que as nossas mentes compreendem melhor, como a eternidade passada. Animais, homens, anjos e quaisquer outras criaturas tiveram início, passaram a existir. Mas uma característica que separa o Criador das criaturas é a eternidade daquele. Moisés escreveu: “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2). Por diversas vezes, as Escrituras frisam a existência ilimitada de Deus. Ao mesmo tempo, enfatizam que seus atributos são, também, eternos. Deus é o mesmo agora que era 5.000 anos atrás e que era antes de criar o mundo. Ele sempre será o mesmo. As qualidades dele nunca mudam. Davi pediu perdão, baseado no eterno caráter de Deus: “Lembra-te, SENHOR, das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a eternidade” (Sl 25.6).

Deus é santo (Is 6.3; Ap 4.8). Sempre foi e sempre será santo. Sua perfeita santidade não permite que minta (Hb 6.18). Por causa da santidade eterna de Deus, a sua ira permanece sobre os rebeldes (Jo 3.36). Deus é amor (1 Jo 4.8). Sempre foi e sempre será amor. Por isso, Davi contava com a misericórdia e a bondade eternas. Foi o ponto do próprio Senhor quando poupou seu povo da destruição merecida: “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” (Ml 3.6).

III. O Deus no Controle de Todas as Coisas

Homens são instáveis. Prometem uma coisa, mudam de ideia e não cumprem sua palavra. Mas quando o eterno Deus promete, ele cumpre sua palavra. A bondade de Deus para com os homens não tem limite, porque faz parte de quem ele é: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17).  Deus é uno (Dt 6.4; Is 40-48; Mc 12.29; 1 Tm 1.17; Tg 2.19; 4.12, etc.).  A natureza de sua unidade é o assunto em pauta. Com base mesmo no que se evidenciou acima, deve estar claro que a unidade de Deus é uma união, não uma unidade absoluta. A palavra equivalente a Deus no Antigo Testamento (elohim) é uma formação no plural. A palavra equivalente a um, empregada em referência a Deus no Antigo Testamento (echad) também é uma forma plural. Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança . . ." (Gn 1.26). A quem se refere esse "nossa"? Somos criados à imagem de Deus, mas há mais de uma pessoa que compôs Deus. Atente para essas afirmações: "Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente" (Gn 3.22). "Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro" (Gn 11.7). Desde os primeiros capítulos da Bíblia, vemos Deus revelado como uma unidade plural (cf. Isaías 6:8). Existe até mesmo diálogos registrados entre Deus e Deus na Bíblia: veja Salmos 110.1, por exemplo. 

IV. Jesus é Deus

Em que sentido o Pai e o Filho são um? São uma só pessoa? Ou são um em unidade e em propósito? Observe atentamente João 17.20-23: "Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim". Esse texto ensina que os cristãos devem ser um como o Pai e o Filho são um. Os cristãos devem passar a ser uma só pessoa? Ou será que devem ser um em unidade e em propósito? Já que a unidade que os cristãos devem ter não é a de ser uma só pessoa, então a unidade do Pai e do Filho não significa que são a mesma pessoa. A Bíblia muitas vezes trata de coisas que são unas. Marido e mulher são um (Mt 19.4-6; Ef 5.31). O que planta e o que rega são um (1 Co 3.6-8). Os cristãos são um (1 Co 12.14). E também o Pai e o Filho (e o Espírito Santo) são um. Embora nos tenhamos concentrado principalmente no Pai e no Filho, as Escrituras mostram que o Espírito Santo também é uma pessoa divina. O Espírito Santo é revelado como um ser pessoal. Ele faz o que somente uma pessoa pode fazer: fala (1 Tm 4.1); ensina (Jo 14.26); reprova (Jo 16.8); orienta (Gl 5.18); intercede (Rm 8.26); chama (At 13.2); pensa (Rm 8.27; 1 Co 2.10-11); toma decisões (At 13.12; 15.28). Os sentimentos que tem só uma pessoa pode ter: é alvo de mentiras (At 5.3); é resistido (At 7.51); é desprezado (Hb 10.29); fica entristecido (Ef 4.30); fica irado (Is 63.10); é blasfemado (Mt 12.31). O Espírito Santo tem características divinas: é onisciente (1 Co 2.10-11) e onipresente (Sl 139.7-10).