sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Diretrizes para uma boa Meditação


Para uma boa meditação, é necessário que tenhamos algumas diretrizes. É importante mencionar que essas diretrizes têm como objetivo nos disciplinar nessa prática piedosa, que um dia foi muito valorizada pela igreja, mas hoje sofre um declínio, podemos assim dizer. Portanto, é preciso resgata essa prática que já foi tão utilizada em tempos passados pelo povo de Deus.

Destacaremos aqui, algumas instruções que podem nos ajudar a meditar de uma maneira mais eficiente.

1. Preparação

É necessário nos prepararmos para tal prática, toda meditação requer isso. Eis algumas sugestões que o auxiliarão.

Primeiro, é importante nos limpar das coisas deste mundo, como: suas atividades e diversões, do mesmo modo, das tribulações e agitações interiores. Por isso, é importante orar para que Deus possa nos guardar das companhias externas, mas também das internas; isto é, dos pensamentos mundanos que possam nos impedir de meditar.

Segundo, devemos ter o coração purificado da culpa e da poluição do pecado. Antes de nos engajar na meditação, precisamos ir até Deus com um coração disposto a pedir perdão e alcançar misericórdia; confiando na promessa de que, se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça (1Jo 1:9).

Terceiro, abrace a meditação com seriedade. É fundamental, estarmos cientes de sua importância para nossa vida espiritual, seu poder e excelência. Fazendo dela um hábito, desfrutaremos mais a cada dia da presença de Deus e sentiremos o começo da alegria eterna nessa terra.

2. Frequência

A meditação divina deve ser frequente, é recomendado que ocorra duas vezes ao dia, caso o tempo e as obrigações permitam, mas se não for possível, é importante que seja realizada uma vez ao dia. Diante disso, alguém poderia dizer que não possui tempo para empregar nessa disciplina, porém, isso é apenas uma desculpa para não praticar a meditação. Deus ordenou Josué a meditar no livro da lei de dia e de noite (Js 1:8), se Deus ordenou a Josué, que era um comandante cheio de tarefas a meditar, acaso somos melhores do que esse homem para não realizarmos essa atividade? Da mesma forma que o Senhor o ordenou, assim, Ele também quer que os seus filhos o façam.

Cada vez que fizermos da meditação uma prática diária da nossa vida cristã, mais conheceremos de Deus. A meditação se tornará mais fácil, todavia, se a rejeitarmos mais distante ficaremos de termos uma comunhão mais intima com Deus. Portanto, com a frequência dessa prática, logo contemplaremos seus preciosos frutos.

3. Tempo

É importante estabelecer um tempo para meditar e persistir nesse período. Esse é um dos segredos para sermos bem-sucedido nessa área, alguns não obtém sucesso por que não perseveram. Fazendo isso, nos tornaremos pessoas mais disciplinadas e não negligentes.

Um tempo bom para nos dedicarmos a isso é no período da manhã, onde pode ser usado para uma combinação com o resto do dia. Jesus se levantava de madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava (Mc 1:35). O salmista buscava durante as manhãs: Antecipo-me à alva da manhã e clamo; aguardo com esperança as tuas palavras (Sl 119:147). Entretanto, para alguns, durante a noite pode ser mais proveitoso, devido as atividades do dia estarem concluídas. E assim se sentem mais prontos para meditar na palavra de Deus. Temos um exemplo do Salmista: Bendigo ao Senhor que me aconselha; até os meus rins me ensinam de noite (Sl 16:7). Já outros no final da tarde: Saíra Isaque ao campo à tarde, para meditar; e levantando os olhos, viu, e eis que vinham camelos (Gn 24:63). Escolha um desses horário para que possa buscar a Deus e meditar na Sua palavra. Estabeleça um tempo, como meia hora (exemplo) e medite, assim se aperfeiçoará cada mais; depois de um tempo, mude de meia hora para uma hora.

4. Use o dia do Senhor

Você pode usar o domingo para meditação, esse é o dia que devemos separar para descansarmos de todo trabalho da semana. Esse também foi o dia que Cristo ressuscitou e completou toda a obra da salvação. Podemos meditar nas obras de Cristo, como: sua morte e ressurreição, ascensão, ceia, o sangue de Cristo que purifica todo pecado, seu sofrimento na cruz, seus ensinamentos, sua segunda vinda para buscar o seu povo e etc.

Sobre o que devemos fazer nesse dia de descanso, o Catecismo Puritano ensina:  Como o Sabath deve ser santificado? Resposta: “O Sabath deve ser santificado por um santo repouso por todo aquele dia, mesmo daquelas atividades seculares e recreações que são lícitas em outros dias, e durante este dia, todo o tempo deve ser gasto em exercícios públicos e particulares de adoração a Deus, com exceção daquele tempo que for destinado a praticar obras de necessidade e misericórdia”. Sendo assim, é importante usar esse dia para meditar nas obras de Deus.

5. Escolha um Lugar 

A escolha de um lugar para fazer boas meditações, é de suma importância para quem quer fazer dela uma prática piedosa. Jonathan Edward faz uma declaração sobre o segredo da piedade de Sarah, sua esposa quando ela era adolescente: "Ela quase não se preocupa com outra coisa, exceto meditar Nele....Ela ama estar sozinha, andando pelos campos e bosques, e parece que há alguém invisível sempre conversando com ela". Sarah saia pelos bosques e campos com o intuito de buscar a Deus e meditar. Geralmente, alguns historiadores contam que quando Sarah e Edward namoravam, eles tinham esses momentos de meditações, o lugar escolhido por eles eram os campos e os bosques. O próprio Jonathan, segundo alguns biógrafos, afirma que ele passou uma hora deitado no campo olhando para os céus, chorando e meditando nas obras de Cristo.

Por mais que não tenhamos bosques ou campos a semelhança de Sarah e Jonathan, podemos fazer isto em nosso próprio quarto. Sair para um lugar tranquilo ajuda muito no processo da meditação, apesar de hoje nos acostumarmos com o barulho. Como disse Donald S. White: “Creio que a conveniência do som tem contribuído para a superficialidade espiritual do cristianismo ocidental contemporâneo. O advento dos aparelhos de som acessíveis e portáteis, por exemplo, tem sido uma bênção mista. O lado negativo é que agora não temos que ir a lugar algum sem vozes humanas. Como resultado, ficamos sozinhos com nossos próprios pensamentos e com a voz de Deus com menos frequência”. Os puritanos aconselhavam que a pessoa almejasse a privacidade, silêncio e descanso, dos quais o primeiro exclua qualquer companhia, o segundo, qualquer ruído, e o terceiro, qualquer movimento.

Conclusão    

Essas são as diretrizes que você poderá usar para transformar sua vida cristã e melhorar sua vida de devoção a Deus. Lembrando, é importante nos prepararmos antecipadamente para fazermos boas meditações, limpando nossos corações da culpa e da poluição do pecado. A meditação precisa ser exercida com frequência, persevere nessa disciplina e não a negligencie. Estabeleça um tempo e persista nele para ficar mais disciplinado nessa área. Use o dia do Senhor para meditar nas obras de Cristo ou em outros temas que estão na palavra de Deus. E escolha um lugar para fazer suas meditações, prefira lugares calmos, pois eles o ajudarão com a pratica.

Sidney Muniz

Notas:
Espiritualidade Reformada – Joel Beeke
Catecismo Puritano – Charles Spurgeon
Disciplinas Espirituais – Donald S. White


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Agosto/2018 - Capítulo 2 - O Progresso do Evangelho



Comentarista: Lucas Soares


Texto Bíblico Base Semanal: Filipenses 1.1-8,14-17

1. Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus, que estão em Filipos, com os bispos e diáconos:
2. Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e da do Senhor Jesus Cristo.
3. Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós,
4. Fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas,
5. Pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora.
6. Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;
7. Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas minhas prisões como na minha defesa e confirmação do evangelho.
8. Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição de Jesus Cristo.
14. E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor.
15. Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade;
16. Uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões.
17. Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho.

Momento Interação

A congregação de Filipos foi a primeira Igreja cristã da Europa. Fundada na casa de Lídia, e a partir de sua conversão a Igreja dos Filipenses estava localizada em uma das principais colônias do Império Romano. Na Igreja dos filipenses ministravam vários bispos (supervisores ou presbíteros – At 20.17- 28), entre eles Lucas o médico, autor dos Evangelhos e de Atos dos Apóstolos.

Paulo nutria grande alegria pelos filipenses. Esta satisfação era fruto da forma como a Igreja, recebia suas palavras e as colocava em prática. O apóstolo entendia que isso era a operação do Espírito Santo, entre os filipenses. De maneira que nem mesmo prisões e sofrimentos os distanciavam. Em Filipenses 1, Paulo saúda a Igreja e deixa claro o seu amor pelos irmãos. Expressa alegria pela participação deles em seu sofrimento e os encoraja a perseverar em Jesus Cristo. Bons Estudos!

Introdução

Filipos foi o primeiro lugar na Europa onde Paulo pregou o evangelho formalmente e estabeleceu um ramo da Igreja (At 16.11–40). Um dos propósitos de Paulo em escrever essa carta era expressar gratidão pelo carinho e apoio financeiro que os santos em Filipos tinham estendido a ele durante sua segunda viagem missionária e sua prisão em Roma (Fp 1.3–11; 4.10–19). Paulo também elogiou os membros em Filipos por sua fé em Jesus Cristo e deu-lhes conselhos com base em informações sobre eles, que havia recebido de um discípulo filipense chamado Epafrodito (Fp 4.18). O conselho de Paulo incluiu um incentivo a serem humildes e unidos (Fp 2.1–18; 4.2–3). Paulo também advertiu os filipenses a tomarem cuidado com cristãos corruptos, como aqueles que ensinavam que a circuncisão era necessária para a conversão. Essas pessoas (geralmente chamadas de judaizantes) declaravam falsamente que os novos conversos precisavam se submeter à antiga lei da circuncisão, do Velho Testamento, antes de se tornarem cristãos (Fp 3.2–3).

I. O Amor de Paulo pelos Filipenses

Paulo expressa gratidão pelo companheirismo dos santos de Filipos. Ele ensina que a oposição que sentiu ao servir ao Senhor, inclusive ao ser preso, havia promovido a causa do evangelho. Ele incentiva os membros da Igreja a permanecerem firmes em união ao defenderem a fé. A lembrança de Paulo do tempo que ele passou com os filipenses fazia com que ele orasse por eles de maneira constante ("em todas as minhas orações"), inclusiva ("por todos vós") e com gratidão ("Dou graças ao meu Deus"). Ele dava graças a Deus fazendo isso com alegria que é um tema dominante em Filipenses (Fp 1.18,26; 3.1; 4.4,10) pela cooperação deles no evangelho, desde o primeiro dia. De modo especial, o apoio financeiro dos filipenses (Fp 4.10-20) foi fundamental para ele no evangelho - a palavra "evangelho" era a maneira preferida de Paulo descrever a sua mensagem e ela aparece nove vezes em Filipenses (proporcionalmente mais do que em qualquer outra carta).
O comprometimento dele com o evangelho (Fp 1.7) ligava Paulo aos filipenses e estes a ele desde o primeiro dia até agora. Paulo se lembrava da primeira vez que havia pregado o evangelho em Filipos (Fp 4.15; At 16.12-40). Paulo estava confiante de que Deus completaria a salvação dos crentes em Filipos (Fp 1.6). Em outro lugar, Paulo enfatiza o papel do esforço humano em perseverar na fé, mas aqui ele ressalta claramente que a perseverança dos santos depende somente do poder de Deus, que os preserva pela graça.

O propósito salvador de Deus será consumado no "Dia de Cristo" (Fp 1.10; 2.16), quando Jesus retornar em glória para ressuscitar o seu povo da morte (Fp 3.11,20-21) e receber exaltação universal (Fp 2.9-11).

II. O Progresso do Evangelho

O evangelho havia se expandido em proporções notáveis por meio de Paulo e dos filipenses. Paulo dedicava todos os aspectos da sua viria à expansão do evangelho. Ele estava preso em Roma por causa de Cristo, regozijava-se nas pregações de seus rivais desde que Cristo fosse exaltado e expressou confiança de que Cristo seria honrado tanto se ele morresse quanto se ele continuasse a viver.

Os filipenses precisavam de um lembrete de como o evangelho tinha de ser passado adiante por meio deles. Deus os havia chamado à unidade em Cristo e para o serviço mútuo. Ficou evidente a todos que Paulo estava na prisão por causa de Cristo Jesus. A prisão de Paulo por causa de Cristo tornou-se conhecida não só dos soldados que trabalhavam para o imperador, mas também de toda a família imperial e talvez de todo a população romana.

Seguindo o costume da época, Paulo usava esse termo “irmãos” para todas as pessoas na igreja visível, independentemente de serem homens ou mulheres. A designação, entretanto, não significa que fossem necessariamente salvos ou membros da igreja invisível. Essa importante expressão de Paulo “no Senhor”, como já falamos, aponta para a união dos crentes com Cristo e para os recursos divinos disponíveis por meio de Cristo àqueles que estão unidos a ele (Fp 4.13). A expressão aparece nove vezes em Filipenses (incluindo "no Senhor Jesus" em Fp 2.19). Por meio do encarceramento de Paulo, Cristo o Senhor fortalecia e encorajava os "irmãos" a proclamarem o evangelho de modo destemido.

III. Viver é Cristo, Morrer é Ganho!

A epístola de Paulo aos santos em Filipos é considerada a mais alegre e animadora das suas cartas, fato que se torna especialmente interessante ao perceber que Paulo estava preso quando a escreveu. Ele estava aguardando julgamento pelo governo, e corria o risco real de ser condenado à morte por ter pregado o evangelho de Jesus. A capacidade deste apóstolo de se sentir alegre diante desta circunstância nos desafia a avaliar nossa própria perspectiva sobre a vida e a morte. Depois de comentar sobre sua prisão e a esperança de um julgamento favorável, ele disse uma coisa surpreendente: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1.21). É natural procurar preservar e prolongar a vida, e fazer de tudo para afastar a morte. Paulo, porém, considerava a morte um avanço desejável. O que aprendemos da atitude deste apóstolo sobre a perspectiva do seguidor de Cristo referente à morte?

1) A morte física traz lucro! O ensinamento bíblico inclui uma afirmação constante e confiante da vida após a morte para as pessoas salvas pela graça de Deus por meio do sacrifício de Jesus. Paulo escreveu: “mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23). Pedro reforçou este entendimento: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1 Pe 1.3-5).

2) Diante desta expectativa, o sofrimento da vida terrestre é passageiro. Pedro falou de sofrimento “por breve tempo” (1 Pe 1.6) “durante o tempo da vossa peregrinação” (1 Pe 1.17) e descreveu os cristãos como “peregrinos e forasteiros” (1 Pe 2.11).

3) Há motivo para viver aqui. Mesmo sabendo destes fatos, Paulo viu motivos para permanecer mais um tempo nesta vida. Ele vivia para servir a Cristo e aos homens. Continuaria glorificando ao Senhor na eternidade, mas queria ficar para poder servir aos outros aqui: “E, convencido disto, estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé, a fim de que aumente, quanto a mim, o motivo de vos gloriardes em Cristo Jesus, pela minha presença, de novo, convosco” (Fp 1.25-26).

A perspectiva esperançosa do cristão alivia uma parte do sofrimento em relação às pessoas que morrem em Cristo. Sentimos a falta dos fieis falecidos, mas não nos preocupamos com o destino deles. Paulo comparou a morte com o sono porque acreditava na vida eterna: “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança” (1 Ts 4.13).

terça-feira, 7 de agosto de 2018

A Necessidade da Meditação


Muitos cristãos não praticam a meditação bíblica, porque não conhecem seu valor para a  vida cristã. Quando entendemos a importância da meditação, olhamos para as ordens de Deus sobre outros prismas. Portanto, uma das causas porque muitos cristãos não se envolvem na prática da meditação, é por falta de conhecimento sobre o assunto; outros por acharem que ela tem uma ligação com seitas orientais que a usam para fins errados e sem apoio na Palavra de Deus.

Conhecendo a necessidade da meditação, passaremos a nos mover mais para essa disciplina, que é essencial para todo cristão que quer crescer na graça e no conhecimento de Cristo Jesus. “Creio que conhecendo seis delas, nos ajudará nesse processo”.  

1. Ordenança Bíblica

É a primeira coisa que devemos ter em mente: “a meditação é uma ordenança bíblica”. Só isso, já é mais que suficiente para nos engajarmos na meditação da palavra de Deus, o Senhor nos ordenou, e por isso não podemos ser negligentes.

Moisés ensinou os israelitas a temerem somente a Deus e o adorá-lo, mas não apenas isso, ele instruiu os pais a ensinar as crianças nessa disciplina cristã “em todo tempo” quando ele diz: e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te (Dt 6:7). Diante disso, temos o exemplo de Maria, o texto declara: Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração (Lc 2:19). Maria meditava em Cristo e sua obra messiânica. Paulo aconselha o jovem Timóteo no ministério: Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos (1Tm 4:15). Em que exatamente Paulo recomenda Timóteo? Ele exorta o jovem meditar sobre sua conduta diante das pessoas, na leitura, na prática da palavra, dom e ensino.

Todos esses textos, mostram claramente que devemos meditar nas coisas de Deus. Ele também deixa claro a responsabilidade dos pais de ensinar seus filhos a meditarem, e como temer a Deus e guardar a palavra no coração. Aqui vai uma breve reflexão, sobre a exortação que Paulo fez ao jovem Timóteo. Será que estamos meditando na nossa conduta diante dos homens? Como estamos usando o dom que Deus nos deu, na leitura e prática das Escrituras? 

2. Meditar na Palavra como uma Carta

A palavra de Deus é como uma carta que Ele nos enviou, e nessa carta devemos meditar. Ele a enviou porque ama seu povo, para instruir na verdade, nos livrar dos caminhos maus, para conhecermos seus Atributos e nos relacionarmos melhor com Ele. Cada vez que meditarmos nessa carta que foi enviada com tanto amor, devemos está em alerta sobre aquilo que Ele espera, ou seja, que seus filhos o obedeçam. E sobre aquilo que Deus condena, seja em uma narrativa ou epístola. Esteja atento também quando estiver diante das Escrituras, pois você está diante da presença do Deus que fez os céus e a terra; considere com toda reverência que aquelas palavras pertencem ao próprio Deus. Analise as palavras de bênçãos que Deus concede aos que o obedecem, sua palavra e os castigos por causa da desobediência, assim estará crescendo a imagem de Cristo: E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens (Lc 2:52).

3. A meditação deixa o cristão fundamentado

Ninguém pode se tornar um cristão solido sem meditar, um cristão que não medita é como o homem insensato que edificou sua casa na areia, desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda (Mt 7:26,27). Veja as palavras de Thomas Watson sobre isto: “Um cristão sem meditação é como um soldado sem armas, ou um operário sem ferramentas. Sem meditação, as verdades de Deus não permaneceriam conosco; o coração é duro e a memória, efêmera; e sem meditação tudo está perdido.”

Todo aquele que professa sua fé na pessoa de Jesus, deve fundamentar seu cristianismo na meditação. Assim como não existe soldados sem armas para guerra, também não há cristão consistente sem a prática da meditação. Se você não medita nas verdades da palavra de Deus quando ler, há uma grande probabilidade de sua vida cristã ser superficial, será que é isso que Deus quer para seus filhos? esse cristianismo fraco? Torne sua fé sólida através da meditação!

4. Sem meditação a palavra pregada falhará

Muitos cristãos possuem o costume de ir ao culto ouvir a palavra de Deus, mas poucos praticam o hábito de meditar no sermão pregado aos domingos. Precisamos criar esse hábito após os cultos, assim os puritanos instruíam suas famílias depois do culto; eles se preparavam antes do culto fazendo orações para que Deus o abençoasse ao ouvir a palavra de Deus e pelo pregador para que Deus usasse na ministração. Saindo do culto, a família se reunia para jantar e lembrar dos pontos pregado na mensagem pelo o pastor da congregação. Assim, toda a família meditava na palavra de Deus. Thomas White disse: Os sermões são, particularmente, férteis campos para meditação. “É melhor ouvir apenas um sermão e meditar sobre seu conteúdo, do que ouvir dois sermões e não meditar sobre nenhum deles.”

Não devemos usar somente a leitura da palavra de Deus para meditar, os sermões não podem ficar fora disso tudo. É necessário nos disciplinarmos a cada domingo depois do culto, para meditar no sermão pregado, porque ele é um campo fértil para a meditação. (Isso quando a palavra de Deus é explanada e aplicada de forma correta).

5. Sem meditação nossas orações serão menos efetivas

A vida de oração de todo crente, depende da forma como ele pratica a meditação. Com sua ausência, nossas orações serão menos efetivas, ou seja, seremos homens fracos de oração. Para termos uma vida de oração sólida, é preciso fazer da meditação um dever e uma necessidade a vida cristã. Sobre isso os puritanos declaravam: “A meditação é uma sorte de dever central entre palavra e oração, e se relaciona com ambas. A palavra alimenta a meditação e a meditação alimenta a oração; devemos ouvir para que não erremos e meditar para que não sejamos estéreis. Esses deveres devem sempre ir de mãos dadas; a meditação deve seguir a audição e preceder a oração.”

É impossível meditar nas verdades divinas e não levar uma vida de oração. Porque o fruto da meditação junto com a palavra, é a oração. Homens de Deus como Davi, era forte na oração porque meditava na palavra de Deus, Salmos nos mostra como Davi fala da meditação na lei do Senhor e na forma de orar a Deus. Diante disso, temos um exemplo maior, que é Cristo, nos evangelhos encontramos Ele se retirando para buscar a Deus em oração.

6. Sem meditação somos incapazes de defender a verdade

Muitos cristãos são fracos na área de apologética, justamente porque não empregam tempo na meditação. Enquanto não voltarmos para essa prática, seremos incapazes de defender a verdade divina. Como Pedro disse: Antes santificai a Cristo, como SENHOR, em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós (1Pe 3:15). Como vamos responder com mansidão e termos sobre a razão da esperança que há em nós, se não estamos dispostos a empregar tempo em meditar na palavra de Deus? Esse texto jamais será cumprido desassociado da meditação. 

Não sabemos defender o nosso cristianismo porque falhamos na disciplina da meditação, não amamos a verdade, estamos mais interessados nas coisas desse mundo do que nas coisas de Deus e por último; é porque não amamos os seus mandamentos. “Jesus quando foi tentando pelo diabo no deserto, defendeu de forma perfeita sua crença em Deus e venceu satanás no deserto”. Portanto, se queremos demonstrar nosso amor a Deus, devemos defender suas verdades, e como fazer isso? Por meio da meditação.  

Conclusão

Assim como uma árvore é conhecida pelos frutos, assim conhecemos um cristão pela prática da meditação. Não podemos ter uma fé firme sem esse hábito, por meio dele teremos um cristianismo mais sólido. Sem a mesma, não seremos produtivos na oração, ouvindo o sermão pregado aos domingos e na leitura das Escritura Sagrada.

Portanto, para que haja essa prática, é necessário conhecer a ordem divina sobre isso e a sua necessidade. Desenvolva esse hábito, não se conforme com uma vida superficial, mas queira crescer na graça de Deus; e uma das formas de conseguir isso é utilizando a meditação.  

Sidney Muniz
Notas:
Prática da Piedade – Lewis Bayly
Espiritualidade Reformada – Joel Beeke