quarta-feira, 17 de abril de 2019

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2019 - Capítulo 3 - O Evangelismo no Antigo Testamento




Comentarista: Anderson Ribeiro



Texto Bíblico Base Semanal: 2 Crônicas 36.15-23

15. E o Senhor Deus de seus pais, falou-lhes constantemente por intermédio dos mensageiros, porque se compadeceu do seu povo e da sua habitação.
16. Eles, porém, zombaram dos mensageiros de Deus, e desprezaram as suas palavras, e mofaram dos seus profetas; até que o furor do Senhor tanto subiu contra o seu povo, que mais nenhum remédio houve.
17. Porque fez subir contra eles o rei dos caldeus, o qual matou os seus jovens à espada, na casa do seu santuário, e não teve piedade nem dos jovens, nem das donzelas, nem dos velhos, nem dos decrépitos; a todos entregou na sua mão.
18. E todos os vasos da casa de Deus, grandes e pequenos, os tesouros da casa do SENHOR, e os tesouros do rei e dos seus príncipes, tudo levou para babilônia.
19. E queimaram a casa de Deus, e derrubaram os muros de Jerusalém, e todos os seus palácios queimaram a fogo, destruindo também todos os seus preciosos vasos.
20. E os que escaparam da espada levou para babilônia; e fizeram-se servos dele e de seus filhos, até ao tempo do reino da Pérsia.
21. Para que se cumprisse a palavra do Senhor, pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da assolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram.
22. Porém, no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do Senhor pela boca de Jeremias), despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo:
23. Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus dos céus me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, o Senhor seu Deus seja com ele, e suba.

Momento Interação

A dicotomia que alguns cristãos fazem hoje das Escrituras Sagradas nunca fez parte da hermenêutica de Cristo e dos seus apóstolos. Toda a Escritura Sagrada aponta como objetivo acerca da pessoa de Jesus Cristo, e por conseguinte, da sua gloriosa obra. Por isso, é muito importante proclamarmos as verdades do Evangelho em uma totalidade da Bíblia, afirmando sim, que o Antigo Testamento mostra-nos a obra de uma autêntica Evangelização.

Bons Estudos!

Introdução

Em 2 Timóteo 3.16,17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. O texto não deixa dúvidas de que cada escrito, seja do Antigo ou Novo Testamento, faz parte da Revelação divina para educar, aperfeiçoar e preparar o ser humano para a prática do bem, seja nesse mundo ou no mundo por vir. Por isso, Richard Davidson pôde afirmar que a frase toda a Escritura “[…] certamente inclui todo o Antigo Testamento, as Escrituras canônicas da igreja apostólica (ver Lc 24.44,45; Jo 5.39); Rm 1.2; 3.2; 2Pe 1.21)”. A origem divina e sagrada dos Escritos do Antigo Testamento (que incluem a Lei de Moisés) é claramente revelada no termo grego original da palavra “toda”, como aponta Canale. Segundo o autor, a palavra theopneustos possui um sentido original mais amplo, o mesmo que “respirar”. Desse modo, Paulo está afirmando em 2 Timóteo 3.16 que todos os escritos do Antigo Testamento, incluindo a Lei de Moisés, foram “respirados por Deus”, o que exclui qualquer possibilidade de o Novo Testamento “substituir” ou “corrigir” o Antigo Testamento, pois, Deus não erra.

I. Os Patriarcas foram Evangelistas

Um texto que me chamou bastante a atenção foi Hebreus 11.9,10, que claramente diz que Abraão, Isaque e Jacó habitaram em tendas na Terra Prometida de Canaã, considerando-a como terra alheia, porque nutriam a esperança de uma outra espécie de terra prometida, de caráter celestial, cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus; O que nos faz lembrar das palavras de Jesus que disse aos discípulos que deveria subir aos céus para construir nossa definitiva habitação! Portanto, para o autor de Hebreus, a esperança dos patriarcas quanto a terra prometida é a mesma da Igreja: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). Por isso é que o autor de Hebreus arremata a questão dizendo: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade” (Hb 11.13-16). De modo que as Escrituras do Novo Testamento não vêem as promessas da Terra Prometida encontrando um cumprimento terreno, mas celestial: “Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb 11.9,10). Outro texto bastante esclarecedor é o de Paulo, em Romanos 4.13, que diz: “Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé”. Onde se vê que a promessa da terra é uma profecia que diz respeito aos descendentes espirituais de Abraão, judeus e gentios crentes em Cristo, herdeiros de todo o mundo renovado e celestial, uma nova terra, uma nova Jerusalém, ou seja, uma nova Canaã!

II. Os reis foram Evangelistas

A história da redenção é o registro dos atos de Deus para redimir o seu povo e restaurar sua criação. Assim, toda ela é centrada em Deus. As narrativas são descrições desses grandes atos e feitos de Deus. “O reconhecimento de que a história redentora é centrada em Deus é importante porque estabelece a ligação com o ato culminante de Deus em Cristo.” Assim, deve-se perceber nas narrativas o pulsar escatológico da salvação de Deus em curso e reconhecer o seu cumprimento na primeira e segunda vindas de Cristo.Localizando a passagem dentro dessa história, pode-se traçar uma linha consistente e segura entre o relato biográfico e Jesus Cristo. Por exemplo, ao aplicar o método cristocêntrico ao relato do enfrenta- mento entre Davi e Golias em 1 Samuel 17, não isolaremos a passagem apresentando “Davi à congregação como um herói cuja coragem devemos imitar ao lutar contra nossos ‘Golias’ particulares”. É óbvio que o texto registra a história pessoal de um jovem que matou um gigante filisteu com apenas uma funda e uma pedra. Uma história única e extraordinária. Entretanto, o interesse do autor bíblico não está aí. Ele quer mostrar que esse enfrentamento é uma parte importante da história nacional e real de Israel: Samuel acabara de ungir secretamente o jovem pastor como rei de todo o Israel (1Sm 16). Em seguida (1Sm 17), o jovem pastor-rei salva Israel de seu arqui-inimigo, matando Golias. A mensagem é: Davi, o rei ungido de Deus, livra Israel e garante sua segurança na terra prometida. Passa-se, então, à consideração do relato dentro da história redentora. Pergunta-se o que essa passagem ensina sobre Deus e seus atos. Nesse texto deve-se notar que Davi não depende de sua própria força ou de armas ou de habilidade […] (1Sm 17.45-47). A essência dessa história, portanto, é mais que Israel vencer o inimigo de seu povo; a essência é que o próprio Senhor derrota os inimigos do seu povo. Esse tema localiza a passagem na estrada principal da história do reino de Deus que leva diretamente à vitória de Jesus sobre Satanás […] Assim, a batalha entre Davi e Golias é mais que uma luta pessoal; é mais que o rei de Israel vencendo um poderoso inimigo – é um pequeno capítulo na batalha entre a semente da mulher e a semente da serpente. A partir daí, pode-se fazer diversas aplicações dependendo das condições da igreja moderna. Entretanto, a mensagem deve permanecer em torno do confronto entre Deus e os inimigos de seu povo, vencido pela obra de Cristo na cruz e a ser consumada na segunda vinda de Cristo. Esse mesmo conflito básico pode ser visto nos conflitos entre Abel e Caim, Isaque e Ismael, Jacó e Esaú, Moisés e Faraó.

III. Os Profetas foram Evangelistas

No Antigo Testamento, um profeta era alguém chamado por Deus para cumprir uma tarefa ou várias tarefas, especialmente a de entregar uma mensagem Dele. A grande característica da mensagem do profeta eram as palavras: “Assim diz o Senhor”. Deus chamou homens comuns, como você e eu, com personalidades diferentes, em situações bem diferentes, para fazer e dizer coisas diferentes. “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho” (Hb 1.1‑2). A Carta aos Hebreus continua mostrando a supremacia de Cristo e a Sua obra redentora. Isso quer dizer que os profetas do Antigo Testamento são antiquados e obsoletos? De jeito nenhum!

Como crentes afirmamos aceitar a Bíblia toda como a Palavra inspirada de Deus, mas o Antigo Testamento, que é quase 80% da Bíblia, é muito negligenciado. A maioria dos sermões pregados se baseia quase exclusivamente no Novo Testamento, com alguma referência aos Salmos. Não há dúvida de que a parte mais negligenciada do menos conhecido Antigo Testamento são os profetas menores. Muitos crentes não têm a mínima ideia a respeito do conteúdo dos profetas menores e da sua relevância para os dias de hoje. De fato, vemos a cada dia que, apesar de todo o progresso na tecnologia moderna, o mundo dos profetas não é tão diferente do nosso!

Conclusão

A palavra "igreja" significa simplesmente assembléia, congregação ou agrupamento de pessoas. Neste sentido você vai encontrar a palavra também no Antigo Testamento, porque em alguns lugares Israel é chamado de assembléia ou congregação. O Salmo 107.32, por exemplo, usa assembléia e congregação para Israel: "Exaltem-no na congregação do povo e glorifiquem-no na assembléia dos anciãos!" Mas o ponto de partida para a interpretação não pode ser apenas a palavra "igreja", que significa assembléia, existir no Antigo Testamento. Em Atos, quando uma turba quer pegar Paulo, esse ajuntamento é chamado de "eclésia" no original grego em Atos 19.32, 39, no entanto ninguém de sã consciência diria que aquilo era a "igreja" no sentido que hoje usamos. A afirmação: “a Igreja bíblica fica com o Evangelho”, deveria ser complementada do seguinte modo: a Igreja bíblica fica com o Evangelho presente em toda a Bíblia, seja no Antigo ou no Novo Testamento (cf. Gn 3.15; Jo 3.16, 36; Jr 31.33 e Hb 8.10). O evangelho de João no capítulo 16.13 afirma que o Espírito Santo guiaria os crentes à “toda a verdade” – verdade essa que está presente também no Antigo Testamento, que era a Bíblia de Jesus e dos apóstolos, bem como fonte autorizada de verdade para todos eles (ver Lc 24.27, 44-45; 2Tm 3.15-17; 2Pe 1.19-21). Além disso, Jesus reafirmou a autoridade do Antigo Testamento em Seu sermão na Montanha (Mt 5.17-19) e Paulo, autor que mais bem sistematizou a doutrina da graça, usou abundantemente os escritos da Lei de Moisés e do restante do Antigo Testamento para ensinar a doutrina da justificação pela fé, tanto em sua carta aos Gálatas quanto em sua carta aos Romanos.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2019 - Capítulo 2 - Deus - O Exemplo Supremo de Evangelista




Comentarista: Anderson Ribeiro



Texto Bíblico Base Semanal: Gênesis 12.1-4; Gálatas 3.8,9

1. Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
2. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.
3. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.
4. Assim partiu Abrão como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã.
8. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti.
9. De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão.

Momento Interação

Deus, o Criador de todas as coisas, que deu início ao trabalho de evangelização, exige de cada um de nós uma atitude evangelística responsável e amorosa. Deus proclama, quer pessoalmente, quer através de seus profetas e apóstolos, a Salvação a todos os povos da Terra. Por conseguinte, a exemplo do Senhor dos Céus e da Terra, proclamemos com zelo o Evangelho de Jesus Cristo.
Bons Estudos!

Introdução

Enfocaremos, no capítulo de hoje, a experiência do patriarca Abraão, que ouviu, do próprio Deus, o anúncio do Evangelho. A partir daquele momento, caberia aos descendentes do patriarca, por meio de Isaque e de Jacó, preparar o mundo para a chegada do Messias. Vê-se, pois, que Deus se compraz em anunciar as Boas-Novas à humanidade caída e carente de sua graça. A chamada de Abraão evidencia-nos que a Bíblia é um livro evangélico com uma missão claramente evangélica. De Gênesis a Apocalipse, Deus proclama, quer pessoalmente, quer através de seus profetas e apóstolos, a Salvação a todos os povos da Terra. Por conseguinte, a exemplo do Senhor dos Céus e da Terra, proclamemos com zelo o Evangelho de Jesus Cristo.

I. O Evangelismo do Senhor a Abraão

Gênesis é o livro das origens. Ali aprendemos como surgiu o universo, como a humanidade foi criada e como o pecado entrou no mundo. Uma vez que a salvação do pecado, conforme o ensino de Jesus, "vem dos judeus" (Jo 4.22) , em Gênesis também aprendemos como se originou aquele povo, a partir da chamada de Abrão, o grande patriarca de Israel. 

A história de Abrão começa em Gênesis 11, onde é narrada a sua saída de Ur dos caldeus, na Mesopotâmia, rumo a Harã. No capítulo 12, a Bíblia diz que quando Abrão estava em Harã, Deus falou com ele e lhe disse o seguinte: "Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei. Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção. Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados" (Gn 12.1-3) . Obediente à ordem divina, Abrão, aos 75 anos de idade, juntou todos os seus bens e partiu para Canaã, atual Palestina, onde chegou com Sarai, sua mulher, com Ló, seu sobrinho, e com outras pessoas de sua casa. Ali o Senhor lhe falou de novo, dizendo: "À sua descendência darei esta terra" (Gn 12.7) . Então, Abrão edificou um altar ao Senhor e seguiu viagem. Fixou-se por algum tempo entre Betel e Ai, onde construiu outro altar e, então, continuou sua jornada, sempre rumo ao sul.  A história da chamada de Abrão serve como base para duas lições importantes. Em primeiro lugar, por ela aprendemos que, no relacionamento entre o homem e Deus, é sempre Deus quem toma a iniciativa. De fato, no livro de Josué, aprendemos que Abrão pertencia a uma família pagã, que adorava falsos deuses (Js 24.2). Somente por iniciativa do Deus verdadeiro aquele homem virou as costas para a religião de sua família e se tornou obediente ao Senhor. 

II. Abraão e a Orientação vinda de Deus em seus Caminhos 

Dentre os vários exemplos de fé presentes na Bíblia, neste texto abordarei sobre uma característica marcante de Abraão: ter uma vida de tenda e altar. Quando lemos em Gênesis 12, vemos que Deus chama Abrão para uma nova terra. Porém, esse lugar não foi especificado por Ele, pois apenas disse: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei” (v. 1). E a decisão de Abrão foi: “Partiu, pois, Abrão, como lho ordenara o SENHOR” (v. 4a). Naquela época, obviamente, não existia GPS, nem mesmo outros aplicativos de navegação. Abraão era guiado, simplesmente, pela voz do SENHOR, em que, pela fé, deixou tudo o que tinha e O seguiu. Vemos aqui uma lição para nós: não ficar analisando se pode ou não, se quer ou não, mas ouvir e reagir de acordo com a vontade de Deus – seguindo para onde Ele for.

A partir disso, foi Abrão guiado pelo SENHOR e onde ele parava montava a sua tenda e edificava um altar ao SENHOR, como é visto no versículo 8: “Passando dali para o monte ao oriente de Betel, armou a sua tenda, ficando Betel ao ocidente e Ai ao oriente; ali edificou um altar ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR”. Mas o que significa ter uma vida de “tenda e altar”? À luz da Palavra e de livros espirituais, pude compreender que, primeiramente, uma vida de tenda é uma forma de exercitarmos a nossa fé. Para Abrão, era uma confirmação da promessa que Deus fez a ele “porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb 11:10), ou seja, a terra onde ele estava não era a que Deus lhe prometera, mas apenas algo temporário. Onde eu quero chegar com essa definição? Quando nos achegamos a Deus e oramos por determinada coisa (uma faculdade, um emprego, um casamento, etc) nem sempre ela vem imediatamente. Daniel registrou no capítulo 10 de seu livro que desde o momento em que fez uma oração a Deus, Ele ouviu, mas apenas depois de vinte e um dias é que a oração se cumpriu (vs. 10-13). Que isso seja para nosso ânimo, pois uma oração feita em fé e no espírito é recebida pelo Senhor no momento em que é feita. A partir desse momento, Ele trabalha a nosso favor, nos mostrando “terras temporárias para montarmos nossas tendas”, isto é, Ele provê meios para chegarmos ao que pedimos em oração: uma terra com fundamentos!! Isso é maravilhoso!! Que tenhamos fé em aguardar nossos desejos!! E o que seria uma vida de altar? Vimos, anteriormente, que onde Abraão parava para armar a tenda, edificava ali um altar. Isso é uma demonstração de que ele adorava a Deus e que entregava a Ele tudo o que era e que tinha para servi-lo. Além disso, demonstrava gratidão e temor a Deus, pois aprendeu a seguir ao seu chamado e com isso não abandonava o SENHOR, e Ele não o abandonava. Além disso, no final do versículo de Gênesis 12.8, lemos que ele invocou o nome do SENHOR, indicando sua total dependência a Ele, porque via que o fruto das bênçãos que recebia provinha Dele! 

III. Deus - O Exemplo Máximo de Evangelista

A história do Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), dos Escritos (Josué a Cantares) e dos Profetas (Isaías a Malaquias), que formam o cânon do Antigo Testamento, é a extensão dessa Aliança de Deus com Abraão — essa é uma das razões pelas quais o Antigo Testamento é indissociável do Novo. Nesse sentido, além de Abraão e Moisés, a história de Israel, sua poesia e seus escritos proféticos são comprometidamente evangélicos. O povo de Israel foi forjado por Deus para dar testemunho da grandeza e da beleza do seu Reino a fim de convencer as nações daquele tempo de que havia um único Deus, o criador dos céus e da terra: o Deus de Abraão, de Isaque e de JacóSendo Deus o primeiro evangelista da História Sagrada, toda a sua palavra é amorosamente evangelizadora. E por isso que a Bíblia, ao contrário de outros livros tidos como sagrados, é lida e relida, sem jamais deixar de ser apaixonante. Embora concluída há mais de dois mil anos, ela é repleta de manchetes que, todas as manhãs, surpreendem-nos por sua graça, misericórdia e alvíssaras.

Do Gênesis ao Apocalipse, temos uma proclamação evangelística que, tendo início na criação, vai até a consumação de todas as coisas, inaugurando o Novo Céu e a Nova Terra. Deus se compraz em comunicar o evangelho. Quer pessoalmente, quer por intermédio de seus arautos, Ele conclama-nos à salvação. Até mesmo em seus juízos, entrevemos o inexplicável amor, que o constrangeu a entregar o Unigênito a morrer em nosso lugar. Que ninguém o acuse de injustiça, pois a sua natureza leva-o a proclamar a todos, em todo o tempo e lugar, as Boas-Novas de seu Reino. O Pai anseia por incluir-nos em seus domínios eternos.

Conclusão

Na criação dos céus e da terra, quando Deus montava o cenário para o drama de nossa redenção, seus anjos, antegozando o triunfo do Calvário, louvam-no exaltadamente (Jó 3 8.7). Eles sabiam que o nosso planeta não seria mais uma esfera entre outras esferas, mas o círculo que, na plenitude do tempo, haveria de se fechar com a morte de Cristo. Por isso, os santos anjos ensaiavam, naquele instante da obra divina, para celebrar o nascimento do Filho de Deus em Belém (Lc 2.13.14). A proclamação do evangelho evoca cânticos de júbilos. Ao descrever o regozijo dos exércitos celestes na conversão de um pecador, declarou Jesus: "Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? E, achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende" (Lc 15.7-10). Deus evangeliza tanto trabalhando quanto proclamando. Ninguém melhor do que Ele sabe usar as palavras, pois a nossa linguagem nEle nasceu e nEle se desenvolve. Ele cria o mudo e o eloquente (Ex 4.11). Por intermédio de seu Espírito Santo, inspirou o Livro dos livros (2 Tm 3.16). E, pela boca de seus servos, narra as histórias mais belas, declama as poesias mais sublimes, anuncia as promessas mais escondidas e consola-nos, diariamente, com o cajado do Bom Pastor. A Bíblia não se limita a conter a Palavra de Deus. Ela é a Palavra de Deus que evangeliza e redime o pecador, guiando-o às regiões mais celestes (Ef 2.6). Todas as vezes que a Sagrada Escritura é lida, ouve-se o próprio Deus evangelizando. Por isso, quem rejeita o Filho, rejeita o Pai.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2019 - Capítulo 1 - A Obra Gloriosa da Evangelização




Comentarista: Anderson Ribeiro



Texto Bíblico Base Semanal: Marcos 16.14-20

14. Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados juntamente, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado.
15. E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.
16. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.
17. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas;
18. Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.
19. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus.
20. E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém.

Momento Interação

Estudantes da Palavra do Senhor. Depois de um estudo abençoado acerca do terceiro evangelho, o Evangelho de Lucas, estudaremos com grande afinco no mês de Abril sobre a missão prioritária de todo cristão, comissionado pelo Senhor e Salvador Jesus Cristo: a Evangelização. Esta missão pertence a todo aquele que pertence ao Corpo de Cristo, seguindo as ordens do Senhor até que Ele venha. O comentarista deste mês é o Diácono Anderson Ribeiro. Ministro do Evangelho, escritor e coordenador geral da mocidade da 2ª região do Ministério de Boa Esperança - RJ.

Que este estudo possa nos trazer grande alegria e sabermos que mais do que uma teoria, a Evangelização é uma obra de amor, demonstrada na prática testemunhando continuamente a todos os povos que Jesus Cristo é o Messias prometido, que morreu, ressuscitou e em breve voltará. 
Bons Estudos!

Introdução

Porque o evangelismo é tão necessário? Precisamos pregar para todos, ou existe aqueles ao qual não são escolhidos? Nesse estudo vamos falar da necessidade do evangelismo, descobrir um pouco mais sobre esse chamado universal de todos anunciarem o evangelho, sendo isso, comissionado pelo próprio Jesus a cada um de nós simpatizantes do cristianismo. A Palavra não foi colocado dentro de um caixa e escondido para apenas algumas pessoas encontrar, a mensagem da Cruz foi colocada dentro de nossos corações e cabe a cada um de nós apresentarmos ela para aqueles que ainda não a conhecem. O assunto que iremos abordar refere-se à missão mais sublime relacionada a igreja do Senhor aqui na terra. Pela sua profundidade, nesse tópico quero trazer da forma mais clara possível o tema.

I. O que é Evangelismo 

Evangelismo tem sido um assunto esquecido hoje em dia, estamos diversas vezes preocupados com as atividades do templo que nos esquecemos de desempenhar o real propósito da igreja, não menosprezando de forma alguma os afazeres eclesiais, más nós somos conhecedores da maravilhosa graça de Deus (se você não conhece, indico agora você desfrutar desse aprendizado), e temos que “incendiar o mundo” com isso. Lembremo-nos das palavras de Spurgeon. Se você não tem nenhum desejo de levar outros para o céu, você mesmo não está indo para lá. C.H. Spurgeon.

Grande ensinamento essa frase traz para você, quando estamos em um caminho ao qual nos conduz a salvação temos o prazer de também levar as demais pessoas a ele. Além do mais pense no amor que a Bíblia ensina a termos pelos nossos irmãos, agora imagine a alma dele sendo levada ao lago de fogo, “o peito de um apaixonado por Jesus chora ao lamentar esse momento em seu pensamento.” Então, exerça a piedade com o seu próximo na melhor maneira de demonstra-la que é apresentando a salvação para o mesmo. O caminho celestial. Evangelismo é uma ação constante do Cristão, qualquer mínima oportunidade devemos aproveitar para entrar com o plano da redenção da humanidade.

II. O que é a Evangelização

Evangelismo é uma ação constante do Cristão, qualquer mínima oportunidade devemos aproveitar para entrar com o plano da redenção da humanidade. Evangelizar é muito mais do que sair pelas ruas com “cartazes bonitos” ao qual deixam o ego do homem lá em cima com jargões como: “Deus vai te dar bênçãos materiais”, “Deus quer melhorar seu serviço”, “Com Jesus não tem problema, ele te ajuda em tudo”.

Eu entendo expressamente que essas técnicas utilizadas em casos específicos são sim realidade, pelo fato de que Deus pode te dar bênçãos materiais e melhorar seu serviço se assim for da vontade dEle, e claro com Jesus não tem problema, porque todos parecem pequeno diante de um Deus que ajuda você. Mas, ao apresentar isso como método para atrair as pessoas, estamos de certo modo atraindo pelos “benefícios da vida” e não pela mensagem da Cruz.

No ato da evangelização deve ser apresentado a mensagem correta, que consigo resumir um pouco dela com versículos bem conhecidos: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. (Rm 3.23); “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16); “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23). Conforme a mensagem que anunciamos, vai ser o público que conquistaremos.

III. O Propósito da Evangelização

Se buscamos uma unidade em Cristo e nossas igrejas sendo conhecidas como casa de oração (a oração é tão importante, que o próprio Jesus fez questão de ensinar como orar) porque existe um povo cheio de Deus que tem uma fé no seu filho Jesus Cristo ao qual sempre tem o amor ao Pai acima de todas as coisas e seu próximo como a si mesmo, apresente a Bíblia como ela é. Sem distorcer, uma mensagem simples que apresenta a santidade de Deus diante de uma humanidade caída e qual foi o plano para salvar o mundo do seu pecado.

Quando observamos a igreja primitiva, o Senhor derramou o Poder do Alto pois ele queria que o evangelho fosse anunciado em todo o mundo daquela época (At 1.8) e até hoje ele deseja que o Reino seja apregoado (1 Tm 2.3,4). Pedimos para Deus nos encher do Espírito, para falarmos em línguas espirituais, más a pergunta que ele faz quando pedimos é: “para que?”, qual o propósito que estamos pedindo essa maravilha? porventura é porque achamos bonito? ou algo que apenas seja bom para você? muito mais do que isso se o Senhor te deu a dádiva concedendo essa manifestação espiritual é porque Ele naquele momento te comissionou a uma obra, talvez ainda oculta, más reafirmo uma parte dela você tem em suas mãos, a mensagem do Calvário ao qual todos dependem dela! Até o próprio Jesus exerceu o ato de evangelismo, quão dirá cada um de nós. Se lembra como ele salvou a mulher pecadora? Ele sabia dos seus pecados mas mesmo assim, pelo amor dela, e pela sua graça, ofereceu a salvação.

IV. A Importância desta Obra em nossos Dias

Evangelizar significa: “Anunciar as boas novas”. Trata-se literalmente de pegar o Evangelho ao qual outrora nos foi outorgado e levar apara aqueles que estão cativos na concupiscência da carne (1 Jo 2.16). É a prática efetiva da proclamação do Evangelho, quer pessoal, quer coletivamente, até aos confins da Terra, fazendo-nos cumprir plenamente o mandato que Jesus delegou. A evangelização não é um trabalho opcional da igreja más sim um chamado de cada seguidor de Cristo. Interessante que quando falamos disso, logo pensamos que se as boas novas estão confiada a cada um de nós Cristão, então como está o “mundo lá fora?” Se não atendermos esse chamado, não olhamos para ele de forma espiritual, iremos deixar o maligno todos os dias cirandar com homens e mulheres que são também chamados por Cristo. Me lembro de um texto ainda para melhor meditarmos: “Quem deu crédito à nossa pregação? e a quem se manifestou o braço do SENHOR?” (Is 53.2). Isaías quando fala essas palavras, até podendo considerar um lamento, ele te mostra que apesar de ter uma geração naquela época que fechou o coração diante de Deus, ele mesmo assim não cessou de anunciar as palavras de Jeová, agora, já no momento da graça devemos sim levar a mensagem da Cruz. Não importa muitas das vezes se seremos rejeitados ou se quer caluniado, devemos ter consciência que ela é poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16).

Conclusão

Curioso observar meus amados, que vemos países aonde a palavra de Deus ainda não se pode entrar, alguns deles infelizmente vivem na ditadura, impedindo que nosso Deus seja adorado (afinal, Deus procura adoradores e não adoração) mas sim apenas o ditador deles. Nesses lugares existem Cristão fervorosos aonde anunciam a palavra de Cristo, não se preocupam se não assistiram o próximo pôr do Sol, ou se terão o prazer de ter uma carreia financeira ótima, se vão “curtir a vida”. Que lindo! me admiro com cada um deles, sabendo que existe uma fé inestimável dentro desses corações incendiados pelo Espírito Santo, e mesmo eles com todas dificuldades lutam o bom combate. Agora muita das vezes nós brasileiros (não estou generalizando), mas mesmo com todo conforto que temos de viver, em um país aonde não prendem ao anunciar Jesus, ainda assim deixamos a desejar ao anunciar as boas novas.

Existe um hino da Harpa Cristã, que tem um verso interessante: "Sim, eu amo a mensagem da cruz, Té morrer eu a vou proclamar; Levarei eu também minha cruz, Té por uma coroa trocar". Será que podemos cantar esse louvor de uma forma até ele penetrar nossa alma? Se for com uma espada no pescoço, arma apontada, diante de leões ou seja como for. Ter a coragem de levantar a voz e dizer: “Deus não troco, não renuncio, eu te amo e minha vida é tua!”. Sabe irmãos, Paulo ensina um pouco sobre a morte daqueles que estão em Cristo: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1.21).