terça-feira, 30 de abril de 2019

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2019 - Capítulo 5 - A Evangelização na Atualidade




Comentarista: Anderson Ribeiro



Texto Bíblico Base Semanal: Mateus 22.1-10

1. Então Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo:
2. O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho;
3. E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir.
4. Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas.
5. Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio;
6. E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram.
7. E o rei, tendo notícia disto, encolerizou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade.
8. Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos.
9. Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes.
10. E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial foi cheia de convidados.

Momento Interação

Pense na revolução que poderíamos fazer se, utilizando as mídias digitais, pudéssemos testemunhar com as nossas vidas, com nossos bons exemplos, o Evangelho em nós. Seria uma revolução do amor. Mas ainda é tão difícil encontrar a dose certa, não é verdade?

Da mesma forma como seus valores devem permanecer com você em qualquer lugar, com quaisquer tipos de pessoas que encontre, você não retira o cristianismo de você quando está fora da igreja. Os valores cristãos devem te acompanhar por onde andar. Você, guiado por Jesus Cristo, se encontra no  centro de evangelização em todos os sentidos, quer seja falando presentemente, quer seja nas redes sociais. Evangelizemos a tempo e fora de tempo (2 Tm 4.2).

Bons Estudos! 

Introdução

Evangelho é boas novas do Senhor Jesus Cristo, perfeitamente compreensível por todos. Evangelismo é na verdade, a tarefa de testemunhar do Senhor Jesus àqueles que estão perdidos. É especificamente a Grande Comissão que foi entregue pelo Senhor Jesus aos seus discípulos (Mt 28.19,20). Fazer discípulos, batizá-los e ensinar-lhes o que aprendemos do Senhor Jesus é o autêntico evangelismo, e, portanto, a responsabilidade de cada crente. Existe, até certo ponto, um abandono desta atividade tão prima, na igreja atual por parte daqueles que a compõe. Há um estado de acomodação ao ambiente das quatro paredes e raramente nos aventuramos a uma saída para o campo evangelístico.

Outrora, estávamos acostumados ver aos finais de semanas, a leitura da lista de vários nomes dos novos convertidos que foram evangelizados e ganhos pela igreja durante a semana, para que pudéssemos discipular e integrá-los. Nos dias atuais entra mês, sai mês, não vemos a menção sequer de alguém, que por ventura, tenha se decidido por Cristo. Isto é tão sério, e não obstante à seriedade do fato, não nos incomodamos com esta situação. Para alguns, tudo normal. Se não há evangelização, então, há uma falha grave que precisa ser corrigida urgentemente, pois essa pratica é uma das mais profundas características do Cristianismo. Esse é sem dúvida um trabalho primacial e da maior importância para a Igreja do Senhor Jesus.

I. A Evangelização na Atualidade

Não há tarefa mais importante destinada à Igreja do Senhor Jesus, que anunciar a salvação através de Cristo a toda humanidade. A Igreja primitiva se ocupou primacialmente desta tarefa. A evangelização foi de tal maneira desenvolvida pelos cristãos primitivos que, em aproximadamente dois anos, a Ásia Menor já havia sido alcançada. Tendo sido o Senhor Jesus assunto ao céu, o mundo de então passou a se ressentir da necessidade de uma mensagem que comunicasse paz e felicidade à alma. O poder romano, a filosofia grega e a religiosidade judaica não conseguiam atender os reclamos daquela geração. Mas com a descida do Consolador, capacitando a Igreja a realizar eficazmente o trabalho evangelístico, essas reivindicações puderam ser satisfeitas.

Pedro se dedicou à evangelização dos judeus. Filipe foi a Samaria. O apóstolo Paulo, Barnabé, Silas e Timóteo e outros cooperadores, voltaram-se aos gentios. A Igreja através do Espírito Santo se envolveu integralmente com o trabalho de evangelização dos povos. Nestes últimos dias, o Espírito Santo deseja usar todos os crentes para uma poderosa operação evangelística, porque a maior necessidade do mundo atual é ouvir a única mensagem que salva o pecador: o Evangelho de Cristo. E esta necessidade se torna mais premente se levarmos em conta que, face ao crescimento demográfico, o mundo encontra-se, hoje, menos evangelizado que nos dias de Paulo. Não queremos dizer que este ou aquele método é o correto para se realizar o trabalho evangelístico. O importante é que o Espírito Santo glorifica a Cristo quando realizamos a obra de evangelização sob sua direção. O trabalho evangelístico, efetivamente realizado pela igreja, precisa está bem definido. Além, do que, se deve entender que, em primeiro lugar, evangelizar não é uma opção; é uma obrigação (1Co 9.16).

II. A Evangelização em nossa Vida Social

A presença, inspiração e orientação do Espírito Santo tornará o trabalho realizado pelos cristãos, eficaz. Evangelizar sem a direção do Espírito Santo é trabalhar sem objetivos e incorrer em erros, além da ineficácia do trabalho. Atualmente os métodos de evangelismos têm sido aprimorados, e isso é bom, desde que não fujam aos princípios bíblicos que é sempre imutável e infalível: “Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte anunciando a Palavra” (At 8.4). “E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém!” (Mt 16.20). A Palavra de Deus nos mostra o principio da evangelização efetivado na igreja, que infelizmente hoje se acha estagnado em grande parte das igrejas locais. Urge, pois, retornarmos imediatamente ao trabalho efetivo da evangelização, pois, esta é nossa principal tarefa nesta vida. A igreja deve empreender todo esforço possível no trabalho evangelístico, pois como enfatizou apóstolo Paulo, somos devedores. 

III. A Evangelização nas Mídias Sociais

Nunca o mundo esteve tão conectado com as mídias virtuais e eletrônicas. É importante ressaltar que a explosão da tecnologia digital trouxe uma série de benefícios ainda incalculável para a sociedade. Hoje em dia, muitos não se veem mais sem o uso de uma determinada mídia digital. Esta se engendrou na rotina diária das pessoas. Muitos hoje ganham a vida por intermédio do mundo virtual. Não batem mais o ponto ou cartão numa empresa física, mas por intermédio de um computador e de uma internet, abrem as suas empresas virtuais e fazem sua jornada de trabalho em casa ou em qualquer outro lugar do mundo. É bem verdade que o mundo da mídia digital não é somente “luz”, mas “trevas” também. Há um submundo das coisas mais torpes que o ser humano poderia pensar um dia em fazer. As palavras do consagrado romancista italiano, Umberto Eco, já falecido, sintetizam bem esse estado de coisas negativas no mundo virtual: “as redes sociais deram voz a legião de imbecis”. Para além do mundo virtual, mais especificamente as redes sociais são o reflexo do que está presente na natureza humana. Uma natureza decaída, esfacelada pela prepotência humana que não dá qualquer sinal de arrependimento e humildade. Pessoas não têm o pudor de expor e ridicularizar outras pessoas. É o predomínio do ódio, da ignomínia e da sabotagem de outras pessoas. Entretanto, é neste mundo que a Igreja de Cristo deve atuar. No lugar da imbecilidade das redes sociais, a Igreja deve levar uma mensagem e uma atitude diferenciadas. Mansidão, equilíbrio e domínio próprio são características que precisam ser notadas no uso dessa riqueza de mídia que a Igreja tem à disposição. A potência das redes sociais é algo absurdo! Grandes movimentos sociais no mundo foram combinados por intermédio delas. Se há mentira na mídia oficial, as redes sociais são as vozes de cada pessoa para desmentir o ocorrido. É de fato uma mídia poderosa à disposição da Igreja de Cristo e sem pagar caro por isso.

IV. A Evangelização em Tempo e Fora de Tempo

Uma exposição exegética de 2 Timóteo 4.2, segundo a qual Paulo não estaria sugerindo que deveríamos ser inconvenientes na pregação da palavra. Uma interpretação bem diferente do que tenho ouvido já há algum tempo. A  mensagem é imperativa: prega a palavra! E segundo a gramática, o imperativo é usado para indicar uma ordem, pedido ou exortação. Não há dúvida alguma de que essa é uma ordem de Paulo, e pesquisar o significado de “pregar a palavra” no contexto bíblico deveria ser nossa primeira preocupação para saber como responder à sua ordem. Será que “pregar a palavra” teria o mesmo significado de hoje, ou estaríamos agindo de uma maneira completamente diferente do que foi ordenado?

Paulo estaria referindo-se ao sermão estritamente evangelístico quando urge a Timóteo para pregar a palavra, insta em tempo oportuno ou não. Timóteo, o pastor aprendiz, recebia as últimas instruções de seu mestre: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” O que ele quis dizer com “prega a palavra”? Seria o mesmo que “Evangeliza, insta...”?

Observe o final do versículo. Corrigir, repreender, exortar com longanimidade e doutrina são palavras associadas ao cuidado pastoral com suas ovelhas, seria coerente amarrar o início do versículo com o seu contexto final. Levando em consideração o contexto pastoral da epístola, ousaria parafrasear o versículo da seguinte maneira: “Prega a palavra para corrigir, repreender, exortar e doutrinar as suas ovelhas com toda a longanimidade”. Lembre-se que a palavra pregar [kérussó] também é utilizada em outros textos com o sentido de doutrinar. Ademais, os versículos anteriores (2Tm 3.16,17) também estão dentro do contexto de conselhos pastorais sem qualquer associação à prática de evangelização: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. De acordo com o contexto, toda a Escritura é útil para quê? Evangelizar ou doutrinar? Ensinar, repreender, corrigir e educar na justiça é próprio do trato pastoral com seu rebanho.

Conclusão

Precisamos nos agarrar ao contexto mais uma vez para entender o que Paulo chamava de tempo oportuno e inoportuno. No primeiro versículo do capítulo 3, ele diz que Timóteo enfrentaria tempos difíceis nos últimos dias. Comenta sobre a variedade de perseguições que sofreu em Antioquia, Icônio e Listra (2 Tm 3.11) e garante que todos quantos desejassem viver piedosamente em Cristo Jesus seriam perseguidos também (2 Tm 3.12).  Por esses motivos (tempos difíceis e perseguições), Paulo aconselha: Prega a palavra, prepara-te, quer seja oportuno, quer não... encarando tempos difíceis, ou não... sofrendo perseguição, ou não... porque haverá tempo em que o seu rebanho não suportará a sã doutrina (4:3). Ou seja, não deixe para fazer amanhã o que você pode fazer hoje pelo seu rebanho, mesmo que isso seja inconveniente para você. Portanto, esteja pronto! 

Pregar a palavra em tempo oportuno ou inoportuno era uma preocupação do pregador pelo seu próprio bem-estar, não dos ouvintes! Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo” (2Tm 4.2). Esse também é o apelo de Paulo para cada um de nós. Devemos estar prontos para pregar a palavra, quer seja oportuno, ou não.

Hoje, gozamos de certa liberdade, mas, amanhã, poderemos enfrentar perseguições e muitas outras dificuldades para pregar a tão preciosa Palavra. Estaremos prontos! Isso é o que importa.  Preparar-nos-emos, porque entendemos corretamente a mensagem de 2 Timóteo 4.2. E não pregaremos de maneira inconveniente, importunando os ouvintes, uma vez que conhecemos a maneira mais apropriada de anunciar as boas novas de Cristo!




quarta-feira, 24 de abril de 2019

Oração, Leitura da Palavra de Deus e a Meditação




Por Leonardo Pereira



Estamos presentes em um período que ocorre muita polaridade nas mídias digitais aonde presenciamos um extenso crescimento do estudo da Palavra de Deus das mais diversas maneiras: textuais, expositivas, devocionais, etc. A cada dia, aparece ante nós um site novo de estudos bíblicos, um canal de vídeos na internet e inúmeros textos para estudos em casa, na rua, em qualquer hora, e em qualquer momento. Isto é significativamente bom, pois, outrora não havia tamanha facilidade para informações e os seminários e cursos teológicos eram bastante diversificados e bem desafiadores como por exemplo, para se locomover e encontrar um equilíbrio de tempo entre igreja, família e trabalho. De alguns anos para cá, este desenvolvimento e interação entre o estudo bíblico e as mídias digitais trouxe muitos benefícios que abençoaram e abençoam a vida de muitos de nossos irmãos em Cristo que tinham dificuldades em buscarem cursos bíblicos com estudos de qualidade.

A Interação entre as pessoas e as mídias digitais

Entretanto, temos nesta interação entre pessoas que estudam a Bíblia Sagrada e as mídias digitais um lado negativo da história. Com o crescimento desta diversidade midiática bíblica, inúmeras plataformas entraram por este caminho e buscaram soluções próprias para cooptar muitos seguidores para tais estudos. Entre muitos exemplos, presenciamos o surgimento de cursos com menor período de tempo, com um conteúdo de estudo bíblico muito pequeno em detrimento do que deveriam ser ensinado e assimilado pelos estudiosos das Escrituras Sagradas. Com isto, encontramos pessoas que não possuem uma grande desenvoltura nos temas da Bíblia, especialmente no que concerne sobre as questões da fé cristã. Isto significa um grande risco para muitos que estudam e também para muitos que ensinam de maneira que os assuntos a serem aprendidos, desde os seminários, dos maiores aos menores, até em cursos bíblicos na internet, deve ser expandido ao máximo, com mais tempo para aprendizado, e um tempo maior para assimilação das temáticas ali abordadas.

Um retorno às origens

Sendo assim, um retorno às origens é sempre preciso e vital para o amadurecimento na fé cristã. E aqui se concentra o pilar fundamental de todo aquele que almeja se achegar à Cristo: a oração que se segue com a leitura da Palavra de Deus. Isto deve reger as características que sustentam a nossa fé no Senhor. Passamos por tempos turbulentos aonde que o acúmulo de informação é exorbitante e nisso podemos nos perder em assuntos minuciosos que podem nos afastar do foco daquilo que estudamos nas Escrituras. A oração é o nosso clamor ao Senhor para que possa colocar nossos olhos aonde devemos nos atentar. Pela oração é aberta a porta da Palavra: "Perseverai em oração, velando nela com ação de graças; Orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso; Para que o manifeste, como me convém falar. Andai com sabedoria para com os que estão de fora, remindo o tempo" (Cl 4.2-5).

A importância de locais com conteúdo bíblico robusto

Existem muitos seminários e muitos estudos nas mídias virtuais que não priorizam mais e nem informam que devemos fazer uma oração antes mesmo de qualquer estudo bíblico que possamos fazer, antes mesmo de abrirmos a Palavra de Deus. Alguns erros acontecem quando ocorre tamanha indiferença do contato com o Senhor para tal façanha. Falta de atenção, se perder no assunto em que estuda, uma atenção para um comentário fora do contexto são alguns dos sinais que ocorrem o fato de não levarmos os nossos estudos diante de Deus. A sua poderosa palavra requer um cuidado muito especial e isto requer a busca pela verdadeira sabedoria que se encontra em Deus: "E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte" (Tg 1.5,6). Proveniente do estudo da Palavra de Deus após a oração, vemos que chegamos até a meditação bíblica. Estudarmos por apenas conhecimento temático leva-nos a ficarmos secos e inférteis se a meditação naquelas palavras mais ricas do que o ouro não estiver em nosso coração.

Priorizemos a oração e a leitura da Palavra de Deus

Medite na Escritura em prol para sua vida e a vida de muitos. Ore ao Senhor para revelar o que lhe que falar através do texto com o seu devido contexto. Peça ao Senhor que inunde o seu coração e de muitos com a oração, que lhes enche de força e poder para a leitura e o estudo bíblico, bem como uma meditação sobre o que lemos e o que encontramos nesta belíssimas páginas Sagradas (Jo 17.17).  

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2019 - Capítulo 4 - O Evangelismo no Novo Testamento




Comentarista: Anderson Ribeiro



Texto Bíblico Base Semanal: Atos 1.1-8

1. Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar,
2. Até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera;
3. Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.
4. E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que, disse ele, de mim ouvistes.
5. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.
6. Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?
7. E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.
8. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.

Momento Interação

Nunca teremos uma igreja conquistadora de almas enquanto não tivermos crentes com o desejo de buscarem o poder de Deus, de estarem cheios do Espírito Santo. Enquanto não tivermos a coragem de nos dispormos de corpo e alma para tal tarefa nunca teremos uma igreja evangelizadora nos moldes da igreja primitiva e, por conseguinte nunca teremos crentes autenticamente avivados. Da-se pouca importância a este fato em reuniões de evangelismo, passa por cima dele apenas superficialmente, e isto é perigoso porque ele, e unicamente ele, é o principal motor do avivamento para o evangelismo, não existe outro, não ha métodos, formulas, ou truques que o substitua.

Jesus sempre usava o evangelismo pessoal, lançava mão de termos como: pescar e semear, algo que só podemos fazer pessoalmente, mais do que isso Ele os ensinou comissionando. Seguindo a ordem de seu mestre, os apóstolos e todos os crentes primitivos, não deixaram de usar o evangelismo pessoal e os resultados eram tremendos. 

Introdução

O evangelismo ou a evangelização, no cerne, envolve o anúncio da intervenção de Deus na história humana, especificamente a ressurreição de Jesus de Nazaré duma morte por crucificação, uma pena que lhe foi atribuída por motivos políticos e religiosos. Ao ressuscitar Jesus e entre os mortos, Deus o vindicou, efetivamente estabelecendo não só a sua inocência, mas também a sua posição como Filho de Deus e realizador das promessas de Deus nas Escrituras para os judeus e para todas as etnias do mundo (Rm 1.1-6). Portanto, o evangelismo possui essencialmente um caráter narrativo, promissório e histórico. Como anúncio é uma narração. É um relato feito por testemunhas e assim é uma atividade verbal e pessoal. Por isso no Novo Testamento a atividade evangelística que mais se sobressai é o testemunho (At 5.32; 1 Co 15.5-11). Entretanto, por envolver o testemunho o evangelismo não é meramente subjetivo, relativo à experiência de cada um. Baseia-se na realização histórica de promessas específicas feitas no Antigo Testamento a respeito dum novo período na história humana demarcada pela vinda do Messias. Estas promessas também se destacam no evangelismo (At 2.25-32; 3.18, 24; 1 Co 15.3-4).

I. A Mensagem de Cristo com uma Direção (At 1.8)

O contexto de Atos 1.8 é a ascensão de Cristo. Os que estavam reunidos no monte das Oliveiras perguntaram ao Mestre quando seria o tempo da restauração do reino de Israel. O Senhor respondeu que não competia a eles conhecer tempos e épocas que o Pai reservou para a Sua exclusiva autoridade. Porém, prometeu: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”. Em Atos 1.8 o Senhor Jesus repete as promessas da Grande Comissão (Mt 28.18-20; Mc 16.14-18; Lc 24.44-49; J.o 20.21).

1. O poder do Espírito: Há uma série de termos para “poder” no Novo Testamento. Lucas empregou dynamis em Atos 1.8, mas tem também exousia, thronos, bia, ischys, energia, kratos e keras. Será que existiu algum motivo especial para que Lucas usasse a palavra dynamis ao invés de qualquer outra, ou ele a escolheu aleatoriamente? Vejamos: Exousia é uma palavra usada com muita freqüência no Novo Testamento. A rigor é traduzida como “autoridade”. Contudo, geralmente era empregada num contexto político (cf. Rm 13.1-3). Thronos indicava, a priori, a sede do governo, mas depois passou a significar a pessoa que detinha semelhante posição de autoridade ou força. Bia está associada ao emprego da força coerciva. Energia é poder no seu exercício; força em ação. Ischys significa força física. Kratos tem um sentido semelhante ao de ischys, mas se refere mais ao exercício da autoridade. E keras (lit.: chifre), por sua vez, indica força e, juntamente com kratos, formam as duas palavras do Novo Testamento cujo significado fica mais perto de exousia e dynamis. Contudo, dynamis tem um sentido todo exclusivo. É a palavra do poder sem fronteiras, por assim dizer. Ela é a palavra por excelência para se referir ao poder do Espírito Santo. Portanto, Lucas sabia muito bem que ao escolher dynamis estava utilizando o termo que melhor representava a ação poderosa do revestimento do Espírito na vida do crente e da igreja. “… permanecei, pois na cidade”, disse Jesus aos discípulos, a quem Ele havia comissionado para evangelizar o mundo, “até que do alto sejais revestidos de poder…” (Lc 24.49; At 1.8). Quando o Espírito Santo foi derramado por ocasião do Pentecostes, “com grande poder os apóstolos davam o testemunho da ressurreição do Senhor Jesus…” (At 4.33). E ainda: “Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais…” (At 6.8). Temos também a declaração de Pedro na casa de Cornélio a respeito de Jesus, que “Deus ungiu…com o Espírito Santo e poder…” (At 10.38). Nestes exemplos Lucas revela que desde o princípio o evangelho foi disseminado pelo poder do Espírito Santo.

2. Poder e testemunho: No dia de Pentecostes a promessa de Atos 1.8 se cumpriu. A igreja foi batizada e revestida do poder do Espírito Santo. Entretanto, o poder do Espírito para a igreja não tem, como nunca teve, um fim em si mesmo. Em Atos não existe esta concepção moderna equivocada de que o poder do Espírito é para edificar o crente e ficar tudo por isso mesmo. Não! O poder do Espírito tinha como finalidade primordial capacitar os crentes para dar testemunho de Cristo. No Novo Testamento os dons ou manifestações do Espírito (línguas, curas, profecias, etc.) foram dados com o único objetivo de que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo. Nada do que a igreja recebe do Espírito tem nela um fim em si mesmo. “Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas…”, disse Jesus (At 1.8).O poder do Espírito é o segredo do sucesso da missão da igreja. Lembremos que os discípulos de Jesus foram homens que andaram cerca de três anos com o Mestre. Conheceram-nO intimamente, foram ensinados por Ele, ouviram Seus sermões e viram Seus milagres. Viram Seus sofrimentos, morte, ressurreição e ascensão. Se alguma vez existiram homens que estivessem em melhor posição e condição de falar ao mundo acerca da ressurreição de Jesus e de todos os fatos a respeito dEle, estes homens eram Seus discípulos. Entretanto, o que o Senhor Jesus diz é que eles seriam totalmente incapazes de fazê-lo se do alto não fossem revestidos do poder do Espírito.

II. Os Discípulos foram genuínos exemplos de Evangelização

“Cristo era “poderoso em obras e palavras” (Lc 24.19). Seus milagres são chamados dynameis (cf. Heb. gebûrôt; i.é, “atos poderosos”), porque neles, o reino de Deus na terra começa a ter efeito poderoso, e a luta contra o diabo é levada a efeito no nível da existência humana (Mt 12.22-30; Mc 6.2; Lc 19.37; At 10.58). Jesus é o “mais forte” que, como Representante de Deus, subjuga o “homem forte”, o diabo (cf. Mc 1.8 com 3.22-30). Os milagres de Jesus são operados por um poder dentro dEle (Mc 5.39 par. Lc 5.17; Mc 6.14). Lucas liga este poder, dado por Deus, com o Espírito Santo em Lc 1.35; 4.14; At 1.8; 10.38. Os milagres, portanto, são encarados como evidência da parte de Deus quanto a Jesus ser o Messias, Aquele que foi ungido pelo Espírito (At 2.22; 10.38). A glorificação do Messias faz dEle, em grau ainda maior, Mediador do poder salvífico de Deus. É, pois, pelo poder do Espírito que Jesus derramou sobre os Seus servos, que estes podem operar atos poderosos (At 4.7; 6.8; 8.13; 19.11)”. Às vezes os sinais e prodígios preparavam o palco, por assim dizer, para uma pregação cheia do Espírito (cf. At 3; 16.16-34); outras vezes estavam intercalados numa pregação (cf. At 20.7-12), mas na maioria das vezes sucediam a mensagem do evangelho (cf. At 19.8-12).

III. As Cartas são Autênticas Mensagens Evangelísticas

Os cristãos primitivos levavam a Palavra para qualquer lugar que fossem (8.4). O que manteve Paulo dezoito meses ou mais em Corinto foi a Palavra (18.5). Em Éfeso a mesma coisa, durante os dois anos em que trabalhou ali (19.10). E quando Lucas quer indicar o sucesso de uma missão, ele diz que a Palavra do Senhor “crescia e prevalecia poderosamente”. “A pregação autoritativa dos apóstolos (At 4.33; Cf. 6.8-10) é vista como prova de um poder sobrenatural”. Não é por menos que o evangelho causou tanto impacto sobre Teófilo (At 1.1; cf. Lc 1.1), o centurião Cornélio (10.44), o procônsul de Chipre (13.7) e os cidadãos de Antioquia (13.44). Não é de admirar que o ministério da Palavra fosse prioridade para os doze (6.4). Também não é de admirar que eles comprometessem seus convertidos com ela (20.28) e que os missionários anônimos de Atos 8.4 a tinham como sua grande arma. Quando alguém cria é porque a Palavra trouxe fé (4.4). Quando alguém recebia o Espírito isto acontecia por ouvir a Palavra (10.44). Quando alguém se tornava cristão é porque o Espírito iluminava o coração dos ouvintes com a mensagem apostólica (16.14). “Não é exagero dizer que a Palavra é o principal instrumento na missão evangelizadora da igreja, sob o poder do Espírito de Deus”.. Será que o poder do Espírito dos tempos bíblicos continua sendo o mesmo para a igreja evangélica brasileira hoje? Com certeza, pois precisamos testemunhar. E não é possível um testemunho autêntico de Jesus sem o poder do Espírito. A Igreja Primitiva tinha desafios imensuráveis, mas não se curvava diante deles. Clamava a Deus para ser revestida com mais e mais poder para proclamar com ousadia e intrepidez as verdades do Senhor a quem ela tanto amava (At 4.23-31). Era uma igreja de oração que buscava constantemente a plenitude e enchimento do Espírito Santo. A igreja de hoje, principalmente no mundo ocidental, também possui seus desafios. Felizmente (ou seria infelizmente?) seus desafios são mais de ordem interna que externa. Atualmente já não são tantos os Pilatos, os Herodes, os judeus e gentios que estão perseguindo a igreja. Hoje, a igreja é perseguida pelo fantasma de sua própria morbidez por persistir, muitas vezes, numa vida contemplativa, alienada do mundo, com pouca ou nenhuma perspectiva da missão para a qual ela foi chamada.

Conclusão

O evangelismo é um anúncio, sim, e é pessoal no sentido de ser transmitido por pessoas transformadas pelos eventos narrados na mensagem proclamada. Mas, é também histórico. Por mais pessoal que seja, a mensagem possui um conteúdo essencial, sem o qual a mensagem não seria mais evangelística. E este conteúdo se refere à crucificação e a morte duma pessoa que viveu e morreu de fato, e igualmente de fato foi ressurreto por Deus (At 2.23; 5.30; 10.39; 13.29; Dt 21.22-23; Gl 3.10-13; 1 Pe 2.24). O caráter histórico e verificado destes eventos completam a nossa definição das três características necessárias do evangelismo: é um anúncio de promessas divinas realizadas na morte e na ressurreição de Jesus de Nazaré, agora proclamado Jesus Cristo.