sábado, 3 de julho de 2021

Comentário Bíblico Mensal: Julho/2021 - Capítulo 1 - Introdução à Segunda Epístola aos Tessalonicenses

 




Comentarista: Eliezér Gomes



Texto Bíblico Base Semanal: 2ª Tessalonicenses 1.1,2


1. Paulo, e Silvano, e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses, em Deus nosso Pai, e no Senhor Jesus Cristo:

2. Graça e paz a vós da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo.



Momento Interação

Os cristãos de Tessalônica, cujas origens foram resumidas na Introdução à Primeira Carta aos Tessalonicenses parecem ter mudado bastante em pouco tempo, porquanto se pensa que esta carta foi escrita pouco tempo depois (quiçá alguns meses) da primeira. A julgar por esta carta, esses cristãos dão mostras de algum fanatismo religioso. A expectativa de que a vinda do Senhor se encontrava já muito próxima levava-os a descuidar e a abandonar o cumprimento das suas obrigações quotidianas (2 Ts 3.6,11). Os Tessalonicenses atribuíam essas ideias a pretensas revelações ou a escritos que diziam ser de Paulo (2 Ts 2.1,2). A primeira carta, na qual se abordava, entre outros, o tema comum da segunda vinda do Senhor. Nesta segunda carta, estudamos acerca da vigilância cristã e da vinda do Anticristo. Neste capítulo, estudaremos a introdução da segunda epístola de Paulo aos Tessalonicenses.

Introdução

Estudar analiticamente um texto bíblico do Novo Testamento é sempre um enorme desafio por vários motivos. Em primeiro lugar, porque estamos cronologicamente distantes quase 2 mil anos de seu momento autoral; por isso, o peso do estranhamento das práticas culturais, litúrgicas e sociais torna-se mais evidente ainda durante a leitura deste. Temos ainda que lidar com as especificidades linguísticas — pois o Novo Testamento foi todo escrito numa versão popular de um idioma antigo, o grego — que desembocam também em enormes desafios para a compreensão literária da obra.

Lembremo-nos ainda que, no caso das epístolas aos tessalonicenses, não estamos diante de apenas um texto, mas, sim, de duas composições diferentes — apesar de ambas as correspondências serem, provavelmente, de um mesmo autor e para uma mesma comunidade. Desse modo, seria absolutamente incoerente utilizar-se de um mesmo conjunto de pressupostos teóricos para fundamentar a análise dessas duas obras sem qualquer tipo de distinção entre as mesmas.

Deve-se ainda levar em conta que os textos aos quais nos propomos a discutir nas páginas a seguir são literatura do corpus paulinus. Para tanto, faz-se necessário uma compreensão, mínima que seja, das particularidades do pensamento do apóstolo dos gentios, de modo especial, no início de sua produção epistolar. Pelo menos 1 Tessalonicenses, se é que não se pode dizer o mesmo de 2 Tessalonicenses, é uma amostra histórico-literária de uma genuína produção teológica paulina.

I. A 2ª Epístola aos Tessalonicenses

O que lemos em 1 e 2 Tessalonicenses não é uma produção literária que se propôs a ser canônica já na sua origem — até porque, como bem sabemos, o processo de reconhecimento canônico dos textos contidos no Novo Testamento deu-se num momento histórico posterior1 e segundo regras que estavam alheias ao conhecimento de Paulo. O verdadeiro critério da canonicidade é a inspiração. […] (2 Tm 3.16,17). Por outras palavras, aquilo que foi dado por inspiração de Deus era escriturístico, e o que não veio por inspiração de Deus não era escriturístico, se “Escrituras” significarem o registro escrito da Palavra de Deus revestida de autoridade. 

Se este critério for adotado como definitivo, há que responder a próxima pergunta: “Como se demonstra a inspiração?” Os livros do novo testamento não começam todos com a afirmação de que foram inspirados por Deus. Alguns relacionam-se com assuntos muito vulgares, outros contém enigmas históricos, literários e teológicos que só com dificuldade podem ser resolvidos. Será possível demonstrar a sua inspiração a contento de todos? A resposta a este problema é tripla. Primeiro, a inspiração destes documentos pode ser apoiada por seu conteúdo intrínseco. Segundo, essa inspiração pode ser corroborada pelo seu efeito moral. Finalmente, o testemunho histórico da Igreja Cristã mostrará o valor que era dado a esses livros, se bem que a Igreja não fizesse com que eles fossem inspirados ou canônicos.

Se 1 e 2 Tessalonicenses são textos sagrados, agora os compreendendo para além da questão histórico-crítica da canonicidade e muito mais próximo de uma concepção devocional das epístolas, isso se deve ao fato de que Paulo, ao escrever àqueles irmãos, não fez isso de modo institucional ou religioso, mas, sim, de maneira amorosa e fundamentalmente cristã. Não se tratava de um técnico de assuntos religiosos transmitindo ordens a um grupo de iniciados, mas, sim, de um líder, um amigo, um pastor, que pacientemente ensina um grupo de novos convertidos a como proceder diante de dúvidas e questões que afligiam o cotidiano daquela comunidade.

Um exemplo clássico da relação entre o cuidado de Paulo com os tessalonicenses e a questão da cultura helenística pode ser identificado na reticente abordagem da questão da ressurreição. Diante da variedade de cultos a divindades, entre os quais ao egípcio Osíris e ao grego Dioniso, a questão da ressurreição necessitava ser apregoada a partir de uma perspectiva cristã — inclusive para superar o materialismo estoico e o indiferentismo epicureu, que predominava entre os atenienses ali bem próximo de Tessalônica.

II. Data, Autoria e Local da 2ª Epístola aos Tessalonicenses

2 Tessalonicenses 1.1 indica que o livro de 2 Tessalonicenses foi escrito pelo apóstolo Paulo, provavelmente junto com Silas e Timóteo. 2 Tessalonicenses foi provavelmente escrito em 51-52 d.C. Capítulo 1 enfatiza as orações de Paulo a favor dos tessalonicenses. Ele desejava que as vidas deles servissem para glorificar o Senhor. Capítulo 2 responde a uma tendência de acreditar que essa vinda do Senhor viria logo. Paulo incentiva a perseverança e dedicação dos cristãos, mostrando que Jesus não voltaria antes de haver uma apostasia por parte de pessoas que preferem o engano e não amam a verdade. Capítulo 3 estende o ensinamento da primeira epístola (especialmente de 1 Tessalonicenses 5.14) com orientações sobre a necessidade de se afastar de irmãos que permanecem no pecado, rejeitando a mensagem do evangelho nas suas vidas desordenadas.

III. A Mensagem da 2ª Epístola aos Tessalonicenses

A visita inicial de Paulo em Tessalônica foi interrompida pela perseguição por parte dos judeus. Ele continuou sua viagem, passando um tempo em Bereia e Atenas e chegando a Corinto antes de enviar duas cartas aos tessalonicenses recém-convertidos. As expressões de afeto que ele usou na primeira dessas epístolas (1 Ts 2.7,11,17) ajudam os leitores a imaginarem sua preocupação e até angústia depois de sair da Macedônia. Se perseguiam este apóstolo, o que fariam com os novos adeptos da fé em Cristo Jesus (1 Ts 3.1-5). De fato, os novos cristãos em Tessalônica foram atribulados: “a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais” (2 Ts 1.4). Viviam sob ameaça de perseguição e até de morte, mas essas circunstâncias não tiraram sua confiança.

Uma das principais mensagens do evangelho que Paulo pregava aos tessalonicenses foi a esperança das pessoas que obedecem ao Senhor com uma perspectiva eterna. Como o próprio Senhor Jesus havia falado, “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mateus 10:28). Esta atitude define perfeitamente a rejeição das atitudes materialistas que dominam o pensamento de muitas pessoas. Paulo ensinou a importância de se desprender de todas as coisas materiais – até da própria vida neste mundo – para alcançar a vida eterna.

O fim da caminhada terrestre, seja pela morte ou pela prometida volta do Senhor, trará alívio aos fiéis: “e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder” (2 Ts 1.7). Estas pessoas aprenderam a amar a verdade (2 Ts 2.10) e a esperar e amar a vinda de Jesus (2 Tm 4.8). Pessoas enredadas nas preocupações desta vida jamais entenderiam a alegria e tranquilidade de homens e mulheres que abririam mão de tudo, inclusive da própria vida, para servir a Deus.

As pessoas que mantêm seu foco material, que resistem à mensagem do evangelho, não compartilham a mesma esperança. A mesma vinda do Senhor que trará alívio para seus servos será ocasião de horror para os outros: “em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2 Ts 1.8,9). Ninguém é obrigado a estar com Deus na eternidade!

IV. A 2ª Epístola aos Tessalonicenses e a sua Mensagem Hoje

A igreja de Tessalônica ainda tinha alguns equívocos sobre o Dia do Senhor. Eles achavam que já tinha acontecido, então pararam de trabalhar. Eles estavam sendo gravemente perseguidos. Paulo escreveu para esclarecer os mal-entendidos e confortá-los.  Paulo saúda a igreja em Tessalônica e os encoraja e exorta. Ele os elogia pelo que tem ouvido sobre o que estão fazendo no Senhor e ora por eles (2 Ts 1.11,12). No capítulo 2, Paulo explica o que acontecerá no Dia do Senhor (2 Ts 2.1-12). 

Paulo então os encoraja a permanecerem firmes e a manterem distância dos homens ociosos que não vivem pelo evangelho (2 Ts 3.6). Paulo se refere a várias passagens do Antigo Testamento em seu discurso sobre o fim dos tempos, assim confirmando e reconciliando os profetas do Antigo Testamento. Grande parte do seu ensinamento sobre o fim dos tempos nesta carta é baseado no profeta Daniel e suas visões. Em 2 Tessalonicenses 2.3-9, ele refere-se à profecia de Daniel sobre o "homem do pecado" (Dn 7-8). 

O livro de 2 Tessalonicenses é cheio de informações sobre o fim dos tempos. Ele também nos exorta a não sermos ociosos e a trabalharmos pelo que temos. Existem também algumas grandes orações em 2 Tessalonicenses que podem nos servir de exemplo sobre como orar pelos outros crentes de hoje.

Conclusão

A mensagem de Paulo não foi o ensinamento que muitos pregam nos dias atuais. Ele não incentivou a busca de conforto e bens nesta vida. Paulo ensinou os tessalonicenses e nos ensina a esquecer as coisas desta vida e focalizar a vida eterna na presença do Senhor! Que Deus nos ajude a amar a verdade e amar a vinda de Jesus! Alguns dos tessalonicenses ouviram um ensinamento errado de que talvez o Senhor já tivesse voltado (2 Ts 2.2; 2 Tm 2.16-19). É claro que isto perturbaria estas pessoas esforçadas em fazer a vontade de Cristo. Poderiam imaginar que haviam sido esquecidas no julgamento, já que não estavam com Jesus conforme a promessa. Paulo os consola, lembrando-os que, de fato, haverá uma "reunião" dos irmãos com o Senhor. Explicou que os ensinamentos errados que ouviram não vieram por meio dos apóstolos e profetas de Jesus (2 Ts 2.1,2; Ef 3.3-5).

Portanto, os irmãos não deveriam se abalar ou se deixar enganar. Em vez disso, deveriam lembrar-se de tudo que Paulo já havia lhes ensinado (2 Ts 2.3,4). Muitos continuam até hoje perturbados desnecessariamente acerca da volta do Senhor porque dão ouvidos a fábulas e histórias fantásticas quando deveriam estudar e praticar o que foi revelado pelos apóstolos. Paulo estava confiante que tudo que os irmãos precisavam saber ele já havia revelado (2 Ts 2.5,6). Paulo os lembra de que as forças do mal continuarão operando ocultamente no mundo ("o mistério da iniquidade") até mesmo a volta do Senhor. Então tudo será exposto ("revelado") e o Senhor destruirá com facilidade os que praticam o erro (2 Ts 2.7,8; 1.6-10; Mt 7.21-23).

Mesmo que o Senhor seja capaz de destruir com seu sopro as forças de Satanás, não devemos imaginar que sejam fracas e facilmente vencidas por nós. Paulo disse que o erro que opera no mundo é "segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça..." (2 Ts 2.9,10). A Bíblia ensina que Satanás é um mentiroso que se aproveita de qualquer astúcia para enganar os fiéis. Cientes disso, cristãos precisam de muito cuidado para não caírem no engano. De fato, Deus sempre deu ao seu povo avisos sobre falsos sinais e profecias (Dt 13.1-5; 2 Pe 2.1; 1 Jo 4.1). Paulo mostra claramente que os que se perdem são aqueles que "não acolheram o amor da verdade para serem salvos" (2 Ts 2.10). Portanto, para não cair no engano do poder de Satanás é preciso muito mais de que apenas conhecer a verdade na palavra de Deus - é necessário amar a verdade, praticando-a completamente!



Sugestão de Leitura da Semana: CARLOS, José. Vida Santa e Irrepreensível. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.


sexta-feira, 2 de julho de 2021

A Nossa Verdadeira e Plena Esperança é Jesus Cristo, o Filho de Deus!

 




Por Leonardo Pereira,



A história da humanidade desde a existência do mundo como todos nós conhecemos, está repleta de relatos sobre como as pessoas buscavam por diversas formas a plena verdade de quem são realmente de fato, e o motivo ou a causa de estarem vivendo neste planeta. Filósofos, cientistas, escritores, dramaturgos, físicos, médiuns, políticos, embaixadores de nações, pedagogos e ideólogos já retrataram variadas razões de pessoas estarem vivendo e existindo no planeta terra. Entretanto, apesar de muitas pessoas com uma considerável reputação nacional ou mundial trazer ao povo enumerados motivos para a sua existência, muitas respostas são desprovidas de razões físicas, espirituais, morais e principalmente, no que tange ao porvir do ser humano, o pós-morte, o futuro de sua alma, a resposta não ao fim daquele que andou sobre a terra, mas daquele à quem pertencerá na eternidade. Diante das dúvidas e questionamentos que muitos fazem sobre o futuro, na vida e na morte, o apóstolo Paulo, o doutor dos gentios, escreveu a Segunda Epístola aos Tessalonicenses para que os cristãos e os novos convertidos pudessem conhecer mais a respeito do futuro da igreja, do destino da humanidade e principalmente, o destino de todos os cristãos fiéis em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador. Mais do que lermos uma pequena epístola, é entendermos que à muito em quem um cristão deve fidelidade e para que se preparar ao decorrer de sua vida, tanto na terra, quanto na eternidade.

O Destino da Humanidade no Porvir

Antes de propriamente entramos na temática deste artigo, é fundamental conhecermos dois fatores que regem a Segunda Epístola do Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses de forma vital à todos nós: O Destino da Humanidade no Porvir e o Destino da Igreja ante os Últimos Dias. Comecemos primeiramente com o Destino da Humanidade no Porvir. Sobre a questão da eternidade do homem a Palavra de Deus deixa claro em diversas passagens que a vida do ser humano não acaba em um velório, em um enterro, em um caixão que irá para debaixo da terra. Antes de tudo, no início de todas as coisas, o Senhor concedeu a Adão, o fôlego de vida, e ele foi feito alma vivente (cf. Gn 1.24). Ainda que o nosso corpo pereça, temos dentro de nós, uma alma que possui a eternidade pelo próprio Deus, mas com o destino de acordo com o que cremos e vivemos (cf. Rm 1.21). Diversas passagens da Bíblia Sagrada afirmam de maneira categórica que todos nós haveremos de ter momentos a serem resolvidos na eternidade. Na Epístola aos Hebreus é-nos citado que "aos homens está ordenado morrer uma vez, vindo depois disto o juízo" (Hb 9.27). Em 2 Coríntios 5.10, vemos que todos nós passaremos pelo tribunal de Cristo, para que viemos à ser julgados, e recebermos os méritos por tudo que fizemos em vida, quer seja para o bem ou para o mal (2 Co 5.10). Jesus Cristo afirma também que não devemos temer aqueles que somente matam o corpo e depois não tem mais o que eles possam fazer. Devemos antes temer aquele que tem o poder não somente de fazer perecer o corpo e a alma (Mt 10.28). Paulo, enfatiza que a sua Coroa de Justiça já encontra-se reservada à ele no Dia do Senhor, ou seja, na eternidade com o Senhor (cf.2 Tm 4.6-8). Jesus Cristo cita-nos que aquele quem nele crê já tem a vida eterna, e não entra em condenação pois já passou da morte para a vida (cf. Jo 5.24). São inúmeras passagens que cita-nos acerca da eternidade, seja na salvação ou na condenação, com o Senhor ou longe de sua presença (Ap 22), mas que enfatizo algumas para entendermos os fundamentos do destino da humanidade no porvir.

O Destino da Igreja ante os Últimos Dias

No Livro de Atos no capítulo 17.21, o apóstolo Paulo afirma ao povo grego no Areópago que "Deus já determinou um dia em que haverá de julgar o mundo, por meio do varão que destinou (O Senhor e Salvador Jesus Cristo), e deu certeza disto a todos, ressucitando-o dentre os mortos". Aqui, Paulo está se referindo ao julgamento da humanidade semelhante à 2 Coríntios 5.10. Partindo deste pressuposto, tanto Paulo quanto Pedro abordam o destino da igreja em momentos similares ao decorrer do desenrolar da história da humanidade. Paulo por exemplo trata acerca dos "tempos trabalhosos" com o seu filho na fé Timóteo (cf. 2 Tm 3.1-5), da inconstância dos Gálatas em recusarem a graça de Deus mediante a Salvação que Cristo nos concedeu na Cruz do Calvário, em detrimento da observância da Lei Mosaica (cf. Gl 3.1-4.31). Pedro por outro lado, transmite ao povo de Deus acerca dos escarnecedores para com a Segunda Vinda de Cristo e a benignidade de nosso Senhor para que muitos venham a ser arrepender e prepararem-se para a "Parousia" a volta de Jesus Cristo para buscar a sua amada e honrosa Igreja (2 Pe 3.1-9), o perigo dos falsos mestres (2 Pe 2.1-3) e os sofrimentos que devemos e teremos de passar por amor a Jesus Cristo (cf. 1 Pe 4.12-19). Estes são alguns dos sinais claros e precisos que marcam o destino da Igreja de Cristo nos últimos dias: Uma igreja sofredora e fiel a Jesus Cristo, que luta de maneira ardorosa contra os falsos mestres, as falsas profecias, que é perseguida, afligida, confrontada das mais diversas formas para fazer o povo de Deus sofrer ainda em vida, o que é a prova mais viva do que nunca que a chegada de Cristo está mui perto!

A Segunda Cara da Igreja de Tessalônica - Uma Luz para o Mundo em Trevas

Na segunda carta de Paulo aos tessalonicenses, o doutor dos gentios lida de forma bastante dinâmica e didática para com os seus irmãos em Cristo. Paulo fala sobre o aparecimento do Anticristo, as suas intenções de querer parecer ser Deus de todas as formas possíveis, a Vinda de Cristo e sobre o cuidado que os Tessalonicenses devem possuir em sua conduta moral e espiritual. Ao que tudo indica pelo decorrer da segunda carta do apóstolo, a igreja em Tessalônica buscou verdadeiramente compreender a mensagem de Paulo à congregação mas se equivocaram em entender algumas questões como o destino da igreja, a vinda de Cristo Jesus, o trabalho, o zelo para com o seu próximo e como devem se preparar para o porvir. Apesar de ser uma carta pequena, de apenas três capítulos, é uma das obras do Novo Testamento que mais se aprofunda no zelo do entendimento das Sagradas Escrituras, que mais aborda sobre o Anticristo, corrige algumas questões doutrinárias e aborda com objetividade a Segunda Vinda de Jesus Cristo. Tamanho conteúdo assim jamais deverá ser ignorado ou esquecido à Igreja de Cristo.

Recomendações na Leitura desta Epístola

Algumas recomendações e considerações na leitura da Segunda Epístola do Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses são necessárias serem feitas. A primeira delas é ler a Primeira Epístola do Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses. Ainda que possa entender a segunda epístola sem ler a primeira, lerem as duas em sequência lhe ajudará a conhecer com maior amplitude a mensagem que Paulo ministrou na vida daquela comunidade e que serve á todos nós de maneira atemporal e atual. A segunda recomendação é conhecer a história da cidade de tessalônica e as datas das duas epístolas. Obras expositivas com temática acerca dos tessalonicenses, comentários bíblicos e um bom atlas bíblico lhe ajudarão em muito no conhecimento da região, da igreja da época e das cartas escritas pelo apóstolo Paulo. A terceira e última recomendação é ler esta epístola duas vezes. Leia primeiramente em uma Bíblia em uma versão que lhe seja de fácil entendimento e depois em uma bíblia de estudo. Ambas as leituras lhe auxiliarão em trazer a você um conteúdo rico e poderoso em sua vida. Por fim, antes de iniciar todas estas etapas, ore ao Senhor. Clame a Deus afim de que lhe ajude e o auxilie no entendimento desta epístola com mensagens importantes e cruciais para nossas vidas. Somente com o auxílio do Senhor é que podemos entender a sua mensagem e a sua aplicação em nosso dia-dia.

Que o Senhor nos ajude na compreensão da sua mensagem!



Referências:

Bíblia Sagrada. Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

CARLOS, José. Vida Santa e Irrepreensível. São Paulo: Evangelho Avivado, 2016. 

DOWLEY, Tim. Pequeno Atlas Bíblico. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

LOPES, Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. São Paulo: Hagnos, 2008.

RENOVATO, Elinaldo. 1 e 2 Tessalonicenses. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.


A História da Redenção




Por Leonardo Pereira



Deus tinha se preparado para a escolha do homem. Ele já tinha um plano para a redenção do homem (Éf 3.11). O homem não mais poderia compartilhar a companhia de Deus aqui, porque o pecado separa o homem de Deus. Então, Deus ofereceu ao homem uma bênção muito maior, a oportunidade de viver para sempre com ele, no céu. Todavia, há determinadas condições, que o homem deve cumprir. Nenhum homem é forçado a servir a Deus. Mas, a oportunidade maravilhosa é oferecida a todos, desde que aceitem as condições de Deus.

Que condições Deus poderia impor? Como Deus poderia determinar quem poderia ter esta vida? Ele poderia, com justiça, condenar toda a humanidade, porque todos os homens pecaram (Rm 3.23) e o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Entretanto, Deus ama o homem e preferiria que ninguém perecesse (2 Pe 3.9). Talvez ele pudesse salvar toda a humanidade, não importando o quanto corrompida, mas isto não se daria, porque Deus não pode tolerar a iniqüidade (Is 59.1-2). Talvez ele pudesse salvar arbitrariamente alguns e condenar a outros, mas Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34). Portanto, Deus mesmo determinou pagar o preço do pecado. Desta forma, o amor de Deus pelo homem poderia ser manifestado, ao oferecer ao homem a oportunidade da salvação. Ao mesmo tempo, a justiça de Deus poderia ser satisfeita pelo preço pago pelo pecado.

O homem, por si próprio, não poderia pagar o preço. Cada pessoa que tenha vivido bastante para ser responsável perante Deus tem pecado. Adão pecou no Éden. Noé foi salvo na arca, porque era justo, mas plantou mais tarde uma vinha e embriagou-se com vinho. Abraão é chamado o pai da fé, mas mentiu em pelo menos duas ocasiões. Davi foi um homem segundo o coração de Deus, mas cometeu adultério e assassinato. Cada homem teria que morrer pelos seus próprios pecados, encerrando assim a continuidade da companhia de Deus.

Mas, como poderia Deus pagar o preço pelo pecado do homem? A morte é o preço que Deus estabeleceu (Gn 2.17; Rm 6.23). Mas a Divindade, como Divindade, não pode morrer. Portanto, o plano de Deus foi enviar a Divindade, a Palavra eterna, à terra, em forma humana, como seu Filho. Seu Filho mostraria ao homem como deve ser o ser humano perfeito. Então, aquele Filho, como Divindade em forma humana, morreria para pagar o preço dos pecados dos homens. O homem não percebeu a necessidade de tal preço, quando foi expulso do Paraíso. Toda a Bíblia mostra ao homem quão fracos eram seus próprios esforços para sua própria salvação. O homem é deixado com uma só conclusão: não há esperança alguma, sem Deus!

Não podemos responder a pergunta sobre por que Deus chegou a criar o homem. Não podemos saber, igualmente, porque ele amou o homem o bastante para oferecer-lhe a chance de viver no Paraíso. Todavia, podemos ver o maravilhoso plano, que ele revela na Bíblia para nós. Que direito tenho eu, como um homem insignificante, de contestar suas condições, quando ele me oferece tal recompensa? "No princípio. . . ." Volte comigo a este tempo. Não havia mundo, não havia universo, não havia vida física, não havia substância física, e não havia tempo. A eternidade não tem princípio nem fim. O que existia? Como foi que tudo o que conhecemos chegou a existir? O que tudo isto significa? Havia três seres em existência, que eram perenes como a própria eternidade: Jeová, o Verbo, e o Espírito Santo. Estes Seres separados, não obstante, são um só em propósito, em virtude e em divindade. Eles compõem tudo o que é Divino.

Em algum tempo Snão temos idéia de quando, ou por quêS seres celestiais menores foram criados. Lemos sobre as inumeráveis hostes de anjos (Ap 5.11), de serafins (Is 6.2) e querubins (Gn 3.24) e outras criaturas celestiais, ao redor do trono de Deus (Ap 4). Em algum tempo, alguns destes seres celestiais cometeram pecado (2 Pe 2.4). Uma vez mais, não sabemos a razão. Estes assuntos constituem as coisas encobertas, que pertencem a Deus. Um local de punição, terrível além de nossa compreensão, foi preparado para estes seres corrompidos (Mt 25.41). Foram entregues "a abismos de trevas, reservando-os para juízo" (2 Pe 2.4). Estes seres celestiais são mais poderosos que o homem, mas, como seres criados, são muito inferiores a Deus, o Criador.

"No princípio", Deus falou e o universo físico foi criado. Começou então a pôr vida na terra. Em primeiro lugar vieram as plantas, então os peixes, as aves e os animais da terra. O processo da criação não estava ainda completo, porque não havia ainda vida que pudesse entender ou compartilhar a companhia de Deus. Por isso, foi criado o homem. "Façamos o homem à nossa imagem..." (Gn 1.26). O homem não é como Deus, em aparência ou poder. O homem é como Deus porque pode raciocinar e tem uma alma em seu interior, que jamais deixará de existir. Deus colocou Adão e Eva num jardim de beleza, muito melhor do que os que podemos encontrar hoje. Era uma terra nova, não poluída. Toda planta desejável estava lá. Não havia cardos nem abrolhos. Não havia dor nem tristeza. Não havia ansiedade nem temor. Adão e Eva tinham acesso à Árvore da Vida, de forma que jamais morreriam. E o melhor de tudo, tinham a companhia do próprio Deus (Gn 3.8).

Entretanto, Deus não desejava uma criatura que vivesse em sua companhia simplesmente porque não havia nada mais que pudesse fazer. Neste caso, o homem não seria mais do que um robô programado para adorar a Deus e incapaz de qualquer outra coisa. Então, Deus deu-lhe um mandamento. Adão e Eva estavam proibidos de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Havia alimento em abundância, por isso a fome não os encorajou a comerem do fruto proibido. O jardim do Éden era tão grande que corriam quatro rios através dele, por isso, não havia nenhuma razão para a tentação estar constantemente diante seus olhos. Mas a humanidade é fraca. Quando a serpente tentou Eva, esta foi enganada e comeu do fruto proibido. Deu-a a Adão e ele também a comeu.

Agora conheciam a vergonha, a culpa e o medo. Deus deu a cada um dos culpados uma maldição: dor, tristeza, problemas, espinhos, a morte, a separação da árvore da vida e, pior de tudo, a separação da companhia de Deus. Seu pecado não foi surpresa para Deus. Ele sabia, antes da criação, que o homem seria fraco, e havia se preparado para a queda do homem. Deus já havia planejado como o homem poderia ser salvo. Adão e Eva desistiram da oportunidade de felicidade completa nesta terra. Deus começou o longo processo de revelação de seu plano sobre como o homem poderia viver para sempre com ele, desde que aceitasse as suas condições.

Mesmo com esta primeira maldição, Deus deu o primeiro vislumbre de esperança de um dia quando alguém da descendência da mulher feriria a cabeça da serpente (Gn 3.15). A maldade triunfou neste dia com Adão e Eva, mas algum dia o homem triunfaria por aquele que Deus enviaria para completar o seu plano. Deus jamais se esqueceu por um só momento de seu propósito. Muitos, muitos anos se passaram desde o dia em que Adão pecou. As pessoas que viveram não podem ser contadas. A Bíblia nos conta apenas de alguns da vasta multidão que viveu, porque são aqueles através dos quais ele revelou o seu plano.