terça-feira, 7 de setembro de 2021

Salvação sem o Evangelho?

 




Por Leonardo Pereira



Muitos de nós se dizem ser cristãos e salvos da escravidão do pecado. Mas, como podemos saber se estamos salvos? Alguns dizem que estão salvos porque a sua igreja ou líderes religiosos assim o dizem. Outros simplesmente se sentem salvos. Outros ainda, afirmam ter "encontrado Deus" da maneira deles. O amplo leque de respostas poderia continuar indefinidamente, especialmente num mundo religioso onde um tema tão simples (como a salvação) é encoberto por confusão e desentendimento. A única maneira de podermos entrar em acordo uns com os outros, e principalmente, ter plena certeza dentro de nós mesmos, é achar e aceitar a resposta de Deus. Nós só podemos saber se estamos salvos quando tivermos obedecido o plano de Deus para nossa salvação. O plano e a certeza da salvação vêm somente através do evangelho de Jesus Cristo, as boas novas que nos mostram o caminho para a redenção.

Paulo disse: "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego" (Rm 1.16). Ele continua através da carta a mostrar que os caminhos e os sentimentos dos homens não são verdadeiros guias para a salvação. Nada pode tirar o papel do evangelho no plano de Deus para a nossa salvação! Reconhecendo que o evangelho é essencial para a nossa salvação exige que nós o estudemos. Revelando a sua vontade para nós no Novo Testamento, Deus nos deu "todas as cousas que conduzem à vida e à piedade" (2 Pe 1.3). Ele nos avisou dos perigos de aceitar ou proclamar quaisquer novos ou diferentes "evangelhos" (Gl 1.6-9). Deus revelou a sua vontade e enfatizou a sua importância. Compete a nós aprender e obedecê-la.

Nossos sentimentos não nos dão confiança segura da salvação. Paulo perseguiu violentamente o povo de Deus (At 22.4,5), entretanto, ele afirma que tinha agido "com toda a boa consciência" (At 23.1). Ele sentiu que estava fazendo a coisa certa. Ele era zeloso diante de Deus. Mas ele estava errado! Nós podemos pensar que estamos certos e demonstrar grande zelo e no entanto estar condenados diante de Deus. Nossos sentimentos não são o padrão com o qual medimos nossa condição diante de Deus.

As doutrinas dos professores humanos não nos fornecem a direção certa para a salvação. Os homens estão constantemente inventando e revisando seus planos para a redenção, conduzindo as pessoas para seguirem centenas de diferentes caminhos, todos os quais supostamente, se dirigem para o mesmo lugar. Não acredite nisso! O evangelho nunca nos diz que podemos seguir caminhos diferentes que levam ao mesmo lugar. Ao contrário, ele diz que podemos chegar ao Pai somente através do Filho (Jo 14.6). Jesus disse que seremos julgados pelas suas palavras (Jo 12.48,49), não pelas doutrinas convenientes aos homens. Para nos beneficiarmos do poder do evangelho, devemos seguir suas instruções. Devemos crer na mensagem que "Jesus é o Cristo, o Filho de Deus" (Jo 20.31). Devemos agir com base nesta fé, nos arrependendo dos nossos pecados e sendo batizados para a remissão deles (At 2.38). Qualquer um que nos oferecer um plano diferente está tentando nos oferecer salvação sem o evangelho!


sábado, 4 de setembro de 2021

Comentário Bíblico Mensal: Setembro/2021 - Capítulo 1 - Missões - O Ide Primário de Cristo aos seus Discípulos

 




Comentarista: Gustavo Linhares



Texto Bíblico Base Semanal: Atos 1.1-8


1. Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo quanto Jesus começou a fazer e ensinar, 

2 até o dia em que foi levado para cima, depois de haver dado mandamento, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; 

3 aos quais também, depois de haver padecido, se apresentou vivo, com muitas provas infalíveis, aparecendo-lhes por espaço de quarenta dias, e lhes falando das coisas concernentes ao reino de Deus. 

4 Estando com eles, ordenou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual (disse ele) de mim ouvistes. 

5 Porque, na verdade, João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias. 

6 Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntavam-lhe, dizendo: Senhor, é nesse tempo que restauras o reino a Israel? 

7 Respondeu-lhes: A vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou a sua própria autoridade. 

8 Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra. 

Momento Interação

O modelo de missões hoje é o da Evangelização, que vê a pessoa em todas as suas necessidades e abre portas para muitas opções de ministério. No entanto, devemos tomar muito cuidado quando se trata em falar de missões atualmente: Ação Social não é um pretexto para se pregar o Evangelho! Em muitos casos, a própria pregação do Evangelho é a maneira de dizer “Deus te ama tanto que quer te ajudar a viver melhor, diminuir teu sofrimento”. Jesus nunca disse ‘Deus te abençoe’ e foi embora. Ele curou os enfermos, libertou os possessos, curou os aflitos, tratou suas dores (Lc 6.17-19). Ele nos deixou o exemplo a seguir (1 Pe 2.21). Entre ser missionário de tempo integral ou ficar na igreja, existe um leque de opções na obra missionária. Neste estudo da semana, conheceremos mais profundamente acerca das missões.

Introdução

A origem da palavra missão vem de Missil, que significa enviado. Então missão é ser enviado para um propósito (alvo) específico. Numa guerra, o míssil é mandado no lugar dos soldados, para atingir um local. Desta forma, o missionário é uma ‘bomba’ enviada ao campo de batalha. O texto bíblico citado acima é a continuação do versículo áureo da Bíblia (Jo 3.16). Este versículo explica mais ainda sobre a missão de salvar vidas e não de condenar. A missão pertence a Deus (missio Dei). Deus é missionário porque enviou seu Filho Jesus Cristo para salvar o mundo (Jo 3.16). Deus é o dono da missão e Ele mesmo chama, capacita, envia e sustenta seus missionários. Por isso Jesus disse “rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.38). A obra missionária pertence a Deus, que é o maior interessado em levar sua missão ao mundo. Toda pessoa que se envolve na missão vem inspirado por Deus.

I. O Ide de Jesus

Você pode pregar o evangelho com a ajuda do Espírito Santo. Ir e pregar o evangelho é uma ordem que Jesus deu a todos os seus seguidores. Existem muitas formas de pregar o evangelho mas a mensagem principal não muda. Na Grande Comissão, Jesus nos mandou ir e pregar o evangelho a todas as pessoas do mundo (Mc 16.15). Essa é a grande responsabilidade da Igreja. Cada crente precisa fazer sua parte. Nem todos têm facilidade para falar mas Deus é quem faz o trabalho todo! É Deus que convence e converte (Jo 16.7,8). Não pense que o fracasso ou sucesso depende de você. Seu trabalho é apenas levar a mensagem. Deus faz o resto. Se você está nervoso ou preocupado com a idéia de pregar o evangelho, ore! A oração é essencial para preparar. Na verdade, a oração é essencial em tudo (Fp 4.6). Através da oração, você se aproxima de Deus e fica mais em sintonia com Sua vontade.

Não existe uma fórmula mágica. Cada pessoa e cada situação é diferente. Deus é criativo e trabalha de muitas maneiras. Fique atento para as oportunidades e peça sabedoria a Deus para fazer a coisa certa (Tg 1.5). Falar sobre missões sem imaginar um cristão com uma mochila e uma roupa desgastada em um país subdesenvolvido é quase impossível para a maioria das pessoas. O conceito de missionário tem se distorcido ao longo do tempo. Os cristãos de hoje em dia se dividem entre aqueles que “tem chamado missionário” e aqueles que não. Mas é correto pensar dessa forma? É apenas um missionário o que é enviado para um país subdesenvolvido?

No dicionário, temos a definição principal de “missão” como a “incumbência que alguém deve executar a pedido ou por ordem de outrem; encargo”. Então, basicamente, ser missionário é cumprir uma ordem que lhe foi dada por alguém que está a frente da missão. Certo? Devemos entender então que, se tudo é feito d’Ele, por Ele e para Ele. A missão é inteiramente d’Ele!

II. Missões até os Confins da Terra

O contexto de Atos 1.8 é a ascensão de Cristo. Os que estavam reunidos no monte das Oliveiras perguntaram ao Mestre quando seria o tempo da restauração do reino de Israel. O Senhor respondeu que não competia a eles conhecer tempos e épocas que o Pai reservou para a Sua exclusiva autoridade. Porém, prometeu: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”. Em Atos 1.8 o Senhor Jesus repete as promessas da Grande Comissão (Mt 28.18-20; Mc 16.14-18; Lc 24.44-49; Jo 20.21). 

Quando o Espírito Santo foi derramado por ocasião do Pentecostes, “com grande poder os apóstolos davam o testemunho da ressurreição do Senhor Jesus…” (At 4.33). E ainda: “Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais…” (At 6.8). Temos também a declaração de Pedro na casa de Cornélio a respeito de Jesus, que “Deus ungiu…com o Espírito Santo e poder…” (At 10.38). Nestes exemplos Lucas revela que desde o princípio o evangelho foi disseminado pelo poder do Espírito Santo.

O poder do Espírito é o segredo do sucesso da missão da igreja. Lembremos que os discípulos de Jesus foram homens que andaram cerca de três anos com o Mestre. Conheceram-no intimamente, foram ensinados por Ele, ouviram Seus sermões e viram Seus milagres. Viram Seus sofrimentos, morte, ressurreição e ascensão. Se alguma vez existiram homens que estivessem em melhor posição e condição de falar ao mundo acerca da ressurreição de Jesus e de todos os fatos a respeito dEle, estes homens eram Seus discípulos. Entretanto, o que o Senhor Jesus diz é que eles seriam totalmente incapazes de fazê-lo se do alto não fossem revestidos do poder do Espírito.

No dia de Pentecostes a promessa de Atos 1.8 se cumpriu. A igreja foi batizada e revestida do poder do Espírito Santo. Entretanto, o poder do Espírito para a igreja não tem, como nunca teve, um fim em si mesmo. Em Atos não existe esta concepção moderna equivocada de que o poder do Espírito é para edificar o crente e ficar tudo por isso mesmo. Não! O poder do Espírito tinha como finalidade primordial capacitar os crentes para dar testemunho de Cristo. No Novo Testamento os dons ou manifestações do Espírito (línguas, curas, profecias, etc.) foram dados com o único objetivo de que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo. Nada do que a igreja recebe do Espírito tem nela um fim em si mesmo. “Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas…”, disse Jesus (At 1.8).

III. Por que fazer Missões?

Missão é um encargo, uma incumbência, um propósito, é uma função específica que se confere a alguém para fazer algo, é um compromisso, um dever, uma obrigação a executar. Qualquer pessoa que recebe um encargo a cumprir pode dizer que ela tem uma Missão. Às vezes é muito pequena, como transportar um objeto, entregar um recado e olhar um preço. Existem diferentes tipos de missões: missão diplomática, missão científica, missão empresarial, missão cultural, e a que mais importa para nós a missão de evangelizar. Para nós os evangélicos, missão significa propagar o Evangelho de Jesus e falar da Salvação por ele proporcionada na cruz. O missionário evangélico é aquele que tem a missão de divulgar a fé em diversos lugares, espalhando a palavra do Senhor. Existem Missionários Evangélicos, Católicos, Mórmons, quase todas as religiões existem seus missionários.

A missão é da Igreja em sua totalidade, para irmãos leigos e para irmãos com conhecimento. Para quem faz parte do Ministério como também para quem faz parte da membresia. Para solteiros e casados, para homens e mulheres. Não é dos anjos, nem de Cristo, nem de Deus. Não há nenhum versículo que atribui a Jesus como Missionário, ele é quem Envia os homens com esta Missão de falar dele. Ele é o Produto oferecido e não o vendedor. Ele é o pão, mas não é o padeiro. Ele é a água, mas não é poço. Ele é o caminho, mas não é o caminhante. Ele é a porta, mas não é o porteiro. Jesus é o autor da fé e da igreja, ele disse que ia fundar a igreja, até então não existia. Disse e fez. Disse e fundou. Ele escolheu doze homens e lhes ensinou como anunciar o Evangelho, e capacitando eles com o poder do Espírito Santo, os mandou que fosse pelo mundo inteiro pregando sua Palavra.

”E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Marcos tem 16 capítulos, alguns alegam que Jesus falou isso de última hora, no último capítulo, como que tivesse se esquecido de falar antes e só falou apenas uma vez, mas não devemos dar esta conotação. Jesus falou por último, para que fosse o primeiro a ser lembrado, feito e cumprido. É incrível que alguns ministérios tomem (Jo 13.14) onde Jesus lavou os pés de seus discípulos e também só fez e falou uma vez, mas eles estão fazendo isso, levando os pés em cultos de Ceia do Senhor e não estão fazendo a Missão. “Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.”

Lavar os pés não precisa poder, precisa de humildade, mas fazer Missões precisa-se de poder: (At 1.8) “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.” Para lavar os pés não precisa ver a necessidade de uma geração que está com seus cabelos brancos, ficando velhos, e não se sabe se já ouviram o Evangelho (Jo 4.35). “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa”. Lavar os pés não salva ninguém, apenas nos ensina uma lição de humilhação. Lavar os pés é uma questão de hospitalidade, mas Missões é uma questão de entrega total a humanidade, a piedade e a saciar necessidades.

Conclusão

Precisamos tirar nossos olhos do conforto, das coisas triviais e das coisas materiais e levantar nossos olhos para ver como uma fila de 469.000 mil km de pessoas que não conhecem a Cristo, estão se dirigindo ao abismo sem salvação e a fila aumenta 12 km por dia. Com essa fila daria para dar 30 voltas no mundo. Jesus mandou fazer varias coisas que estão relacionadas à missão de salvar vidas: (Mt 10.7,8) “E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai”. Qual é pois a missão mais fácil para você? Pregar, curar, limpar leprosos, ressuscitar mortos, expulsar demônios ou dar de graça? Claro que o mais fácil é Pregar e os demais elementos da missão aconteceram aos que crerem (Mc 16.17,18). “E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão”.

A missão é salvar vidas e se possível coisas, até que cheguem os bombeiros e apaguem o fogo. O mínimo que você poderia fazer é chamar os bombeiros, ou oferecer sua mangueira e seus baldes para jogar água de uma piscina ou de uma torneira para controlar o fogo, ainda que ele se torne incontrolável. A sua missão está a um passo da sua casa. Ela só é internacional por que os missionários viajam para outras nações, mas na outra nação ela voltará a ser local, caseira e cotidiana. Missão é a ação de salvar vidas oprimidas, desvalidas e atingidas pela dor do pecado. E isso você sabe fazer e deve fazer: “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” (1 Co 9.16). 


Recomendação de Leitura da Semana: SOUZA, Everton; BARROS, Emanuel. O Progresso do Evangelho. São Paulo: Evangelho Avivado, 2018.


quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Recomendação Musical Evangelho Avivado - Anderson Freire - Contagem Regressiva (2018)

 




Por Leonardo Pereira



Seria injusto falarmos sobre os cantores do cenário evangélico que tiveram alguma relevância nos últimos anos, seja pelo seu trabalho ou para o próprio público, sem citar Anderson Freire. As músicas do capixaba conseguiram ultrapassar uma série de barreiras na música evangélica e atingiram um público fora deste nicho. Em 2014, por exemplo, o jogador Neymar pediu o arrasa-quarteirão "Raridade" no programa dominical Fantástico, que faz parte da grade da maior emissora de televisão do país. Porém, este fato deve-se não necessariamente a musicalidade do cantor, mas ao discurso de autoajuda presente em parte de sua obra.

Aliás, Freire não é um artista que provoca a sensação de que está trazendo algo novo em seus projetos. Ao comparar seus últimos álbuns inéditos, percebe-se que o cantor não reinventou a roda e assumiu uma zona de conforto dentro do seu estilo de composição. As doze faixas de Contagem Regressiva seguem uma linha já esperada e foram escritas exclusivamente pelo próprio cantor, com exceção de Bandeira Branca, parceria com seu sobrinho, André Freire.

A produção musical, dividida entre Anderson e Adelso Freire, busca fazer o clássico arroz com feijão no feixe destas doze faixas, com êxito em alguns momentos e com falhas em outros. Não é difícil notar o esforço dos produtores em diferenciar o espectro musical do disco, que possui bem mais efeitos eletrônicos do que o anterior Deus Não Te Rejeita (2016), marcado por uma estética pop rock morna. Contudo, nem tudo caiu como uma luva nas composições repetitivas e a execução soou arrastada e, por vezes, caricata nos arranjos.

Canções como Origem, A Cruz e o Paraíso, Contagem Regressiva e Memorial explicitam isto, pois são faixas carregadas de clichês na intenção de propagarem uma mensagem positiva. Além disso, Paternidade Deus é uma continuação de "Raridade" e "Deus Não Te Rejeita" na qual o aspecto humano está em evidência, desta vez, sutilmente disfarçado através de um diálogo entre ser humano e Deus. Temos como resultado versos do tipo “amo tua cor, amo teu cabelo, a cor dos teus olhos, te amo por inteiro, como a tua voz não existe outra igual, teu jeito de andar, perfeito, ninguém sabe imitar”.

A Cruz Me Faz Sonhar, A Glória é Tua, Incondicional, Autor Desconhecido e Ainda não Cheguei em Casa flertam com o louvor congregacional e mostram um Anderson seguro para explorar timbres, dinâmicas e uma interpretação que tenha uma cara mais atual. Estas canções cumprem bem seu papel no álbum e possuem um nível de qualidade mais alto das faixas que tinham este propósito no disco anterior. É certo que os loops de Adelso Freire, o piano de Stefano Moraes e a bateria de Valmir Bessa (A Glória é Tua e Incondicional), Leonardo Reis (Autor Desconhecido) e Matheus Falcão (A Cruz Me Faz Sonhar) foram os principais responsáveis por trazer esta atmosfera worship para o álbum que está longe do insosso Deus Não Te Rejeita (2016) e mais próximo dos célebres Identidade (2011) e Raridade (2013).