quinta-feira, 28 de março de 2019

Comentário Bíblico Mensal: Março/2019 - Capítulo 5 - A Ressurreição de Jesus Cristo




Comentarista: Matheus Gonçalves



Texto Bíblico Base Semanal: Lucas 24.1-9; 46-53

1. E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas.
2. E acharam a pedra revolvida do sepulcro.
3. E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus.
4. E aconteceu que, estando elas muito perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois homens, com vestes resplandecentes.
5. E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos?
6. Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia,
7. Dizendo: Convém que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite.
8. E lembraram-se das suas palavras.
9. E, voltando do sepulcro, anunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os demais.
46. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos,
47. E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém.
48. E destas coisas sois vós testemunhas.
49. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.
50. E levou-os fora, até betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou.
51. E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu.
52. E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém.
53. E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus. Amém.

Momento Interação

Pela graça do Senhor Jesus, chegamos ao final de mais um Comentário Bíblico Mensal e desta feita, estudamos o terceiro evangelho, o Evangelho de Lucas. Se no estudo passado vimos a crucificação do Mestre, no último capítulo vemos a base principal do Evangelho: A Ressurreição de Jesus Cristo. Este é o pilar fundante da nossa vida como cristãos. Este é um assunto que deve certamente estar na mente de todos os cristãos que amam e creem no seu Senhor. A Ressurreição de Jesus mostra o seu poder sobre a morte a qual ali levou todas as nossas iniquidades após si (Is 53.1-12). Por isso podemos dizer com toda força em nossos corações e almas: Jesus Ressuscitou! Ele Vive!

Introdução

O Evangelho de Lucas foi escrito com o propósito principal de apresentar um relato fiel e organizado visando estabelecer os fatos a respeito do ministério de Jesus e sua importância para a história da salvação, além de fornecer parâmetros para a igreja em sua pregação de arrependimento e perdão em nome de Jesus para todas as nações. Chegamos ao final do Evangelho de Lucas, agora veremos o capítulo 24. Lucas relatou, como já observamos, os acontecimentos dos últimos dias da vida de Jesus - quando o seu ministério chegou ao clímax. Ele se concentra no sofrimento de Jesus em favor de seu povo, salientando também a glória de Cristo após sua ressurreição, bem como o futuro da igreja após a ascensão de Cristo.

I. O Sepulcro Aberto

A traição, prisão, acusação, julgamento, condenação, sofrimento, castigo, crucificação e morte de Jesus que ocorreram dentro de um período de mais ou menos 12 horas, tudo numa sexta-feira daquela época. Mas agora, a morte que parecia vitoriosa, teve de perder sua primeira vítima dentre milhares de milhares, milhões de milhões e bilhões de bilhões daqueles por quem Jesus morreu e ressuscitou.
Jesus ressuscitou! Não, não reencarnou, nem se misturou, nem se metamorfoseou-se, nem desapareceu... RESSUSCITOU DOS MORTOS! Maria Madalena, e Joana, e Maria, mãe de Tiago, SIM, AS MULHERES, foram as que primeiro souberam do acontecido por causa da sua busca por Jesus e anunciaram aos discípulos que acharam que elas estavam delirando. Pedro foi o primeiro a acreditar, mas mesmo assim foi investigar e admirou-se de ter encontrado somente os panos de linho. Dos versos 1 ao 49, veremos a ressurreição de Jesus Cristo, o primeiro. Cada Evangelho trata da ressurreição à sua própria maneira, embora nenhum descreva como ela ocorreu. Contudo, alguns detalhes estão bem claros nos quatro Evangelhos: o túmulo estava vazio, os discípulos demoraram a acreditar que a ressurreição havia ocorrido e as mulheres se sobressaíram nos primeiros aparecimentos de Jesus ressurreto. Porém, cada Evangelho registra algum fato ou acontecimento que não aparece nos outros. Lucas inclui o relato da caminhada a Emaús, a incredulidade de Tomé e a ascensão de Jesus aos céus.

Foi bem no começo do primeiro dia da semana, alta madrugada que as mulheres se dirigiram ao túmulo. Começava ao pôr do sol do dia de sábado. As mulheres tiveram o período da noite para terminar os preparativos antes de irem ao túmulo, ao amanhecer. O sepulcro era lacrado por uma pedra que era rolada e encaixada na sua abertura; nesse caso, um selo havia sido colocado nessa pedra (Mt 27.66). As mulheres estavam preocupadas sobre como removeriam a pedra (Mc 15.46).  No entanto, encontraram a pedra removida, mas ao entrarem, não encontraram o corpo. Foi nesse momento que lhes apareceram dois anjos com vestes resplandecentes e estes lhes comunicaram que ele não estava ali, mas tinha ressuscitado.

Os anjos as lembraram das profecias de Jesus acerca de sua morte e ressurreição (18.31-34). O uso do verbo na forma passiva – vs. 7 “ressuscite” - indica a atividade do Pai, que ressuscitou Jesus pelo poder do Espírito Santo. Elas então se lembraram das palavras de Jesus e entenderam o que havia acontecido. Imediatamente saíram dali para comunicarem aos onze - Judas não era mais um dos apóstolos, mas os outros haviam permanecido – e a todos mais - essa expressão indefinida mostra que havia um grupo grande de seguidores de Jesus em Jerusalém nesse momento. Muitos eram galileus que estavam em Jerusalém para celebrar a Páscoa. As mulheres que estavam com Jesus e que foram as primeiras a anunciarem a ressurreição dos mortos. Os discípulos ao ouvirem elas parecia-lhes um delírio e não acreditaram nelas (Lc 24.11). O testemunho das mulheres não era considerado com seriedade entre os judeus do século 1, e por causa disso os onze, além de outros homens relacionados a eles, se recusaram a acreditar no que as mulheres estavam dizendo. Jesus sabia disso e mesmo assim escolheu essa forma justamente para mostrar aos homens que ele é o Senhor e aprovava o ministério das mulheres nas divulgações das coisas do reino de Deus.

II. A Aparição de Cristo aos Discípulos no Caminho de Emaús

Foi ainda naquele mesmo dia que dois discípulos estavam no caminho de Emaús. Não se sabe a localização exata dessa aldeia. Eles conversavam sobre tudo que tinha acontecido nos últimos dias quando Jesus se aproxima deles e passa a acompanhá-los. Eles nada notaram. Parece indicar que Deus os estava impedindo de reconhecerem Jesus nesse momento. Jesus lhes faz algumas perguntas do que conversavam e um deles, Cleopas - não se sabe quem era Cleopas, exceto por essa passagem – até repreende a Jesus por parecer ser o único que de nada sabia e começa a contar a ele os fatos.
Eles responsabilizaram principalmente seu próprio povo, e não os romanos, pela morte de Jesus. Então ele confessa que tinha, juntamente com os outros certas expectativas de redenção. O termo “redenção’, do verbo redimir, significa libertar mediante o pagamento de um resgate. É bastante claro que esses dois discípulos estavam esperando a libertação de sua nação. Os dois deveriam ter compreendido muito mais do que na verdade demonstraram, pois era evidente que haviam entendido o que a Escritura relatou sobre a glória do Messias; no entanto, não compreenderam o que estava escrito sobre o sofrimento do Messias.

No verso 25, agora é a vez de Jesus de censurá-los e chamar a atenção deles que estavam néscios e tardos de coração para crerem tudo o que os profetas disseram em todas as Escrituras. Uma referência ao Antigo Testamento em sua totalidade. Jesus então lhes explica que tudo o que aconteceu era necessário e que convinha que o Cristo padecesse e depois entrasse na sua glória. Foi nesse momento que Jesus começou a discorrer nesse assunto – o que contava dele em toas as Escrituras - começando por Moisés. Já estavam se aproximando da aldeia para onde iam e Jesus fez menção que iria passar adiante, mas eles o constrangeram a ficar um pouco mais alegando que já era tarde e o que o dia já ia se reclinando. Jesus entrou para ficar com eles. Quando estavam à mesa, no momento do partir do pão, tomando ele o pão, abençoou e tendo-o partido, deu a eles. Procedimentos que o anfitrião realizava durante a refeição (cf. 22.19). Nesse instante, do partir do pão, seus olhos foram abertos. Aparentemente, outra ação divina (cf. vs. 16). O engraçado é que eles não o viam e quando puderam vê-lo e o reconheceram, não mais podiam vê-lo.

III. A Aparição de Cristo aos Discípulos no Cenáculo

Na mesma hora, então, foram para Jerusalém para contarem aos demais e encontrou os onze reunidos e mais alguns outros que já afirmavam que o Senhor tinha ressuscitado. Aqueles dois do caminho de Emaús aproveitaram também para contarem o que tinham visto e presenciado. Os onze não acreditaram nas mulheres (vs. 11), mas o aparecimento a Simão Pedro transmitiu convicção. Eles estavam ali falando disso e repentinamente Jesus aparece no meio deles e lhes ministra a paz que somente ele pode nos dar. O aparecimento repentino de Jesus entre eles, embora as portas estivessem trancadas (Jo 20.19), indica que o corpo ressurreto de Jesus não possui as mesmas limitações que o nosso.

Eles ficaram muito assustados e até imaginavam estarem vendo fantasmas ou algum espírito. Jesus os censura explicando que era ele mesmo. Ofereceu suas mãos e pés para o exame deles, pois traziam nelas as marcas dos pregos. Ainda assim, por causa do choque e da alegria, ainda não acreditaram e Jesus anunciou que tinha fome e eles apresentaram a ele um pedaço de peixe assado. O corpo ressurreto pode fazer uso do alimento. Foi em seguida que Jesus explica para eles as Escrituras dizendo que importava se cumprisse tudo. Observe a palavra "importava". Não é por acaso que a Escritura (a Lei de Moisés, os Profetas e os Salmos) se cumpre: há uma exigência divina para isso. Refere-se à tripla divisão da Bíblia hebraica (a única passagem em que é explicitamente mencionada no Novo Testamento). Jesus estava dizendo que toda a Escritura dá testemunho dele.

O verso 45 é a chave da interpretação bíblica, pois Jesus lhes abriu o entendimento. Jesus mostrou a seus discípulos o caminho para entender a Bíblia. A morte de Cristo e sua ressurreição haviam sido profetizadas nas Escrituras. Não foi apenas a morte e ressurreição de Jesus que foram profetizadas, mas também o chamado ao arrependimento e perdão, baseados na obra redentora de Cristo.  Os pregadores não devem produzir conceitos baseados em seus próprios entendimentos, mas sim transmitir o que tinha ouvido e visto Deus fazer. O Cristo ressurreto enviaria o que o Pai havia prometido (isto é, o dom do Espírito Santo, JI 2.28-32; At 2.1-4).

IV. A Ascensão de Jesus aos Céus

Dos vs. 50 ao 53, veremos a ascensão de Jesus. Lucas encerra o seu Evangelho com a ascensão de Cristo aos céus e a alegria dos apóstolos por tudo o que aconteceu. Lucas desejava que seus leitores tivesse a mesma atitude diante dos fatos que estava lhes relatando. Aqui Lucas não fornece uma data para esse acontecimento, mas posteriormente relatou que a ascensão ocorreu quarenta dias após a ressurreição (At 1.3). Foi Jesus que os levou para a Betânia - uma aldeia que ficava no monte das Oliveiras, distante cerca de 3 km a leste de Jerusalém (Jo 11.18) – onde erguendo as suas mãos os abençoou.

Enquanto abençoava ia-se retirando deles. O relato de Lucas sobre ascensão é breve, mas está de acordo com a conclusão da primeira obra de Lucas, cuja intenção era fazer um relato de "todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que... foi elevado às alturas" (At 1.1-2). Encontramos um relato mais detalhado sobre a ascensão na segunda obra de Lucas (At 1.9-11). A ascensão marca o término da obra que Jesus veio realizar na Terra e assinala o início do que continua a fazer por meio da igreja. Nesse momento os discípulos estavam adorando-o enquanto subiam. Qualquer que tenha sido a opinião que haviam tido sobre Jesus antes da ascensão, agora os discípulos o reconheceram por sua divindade e o adoraram. A separação não trouxe tristeza, mas "grande júbilo".

Conclusão

Lucas encerra o seu Evangelho do mesmo modo que começou: em Jerusalém, louvando a Deus.Aqui fica claro que sem o Espírito Santo não podemos entender as Escrituras. Jesus falava-lhes sobre tudo que está escrito, mas somente vieram a entendê-la depois de ele mesmo lhes abrir o entendimento. O homem morto em seus delitos e pecados não pode entender, nem mesmo buscam a Deus... por isso que a salvação é incondicional.





Comentário Bíblico Mensal: Março/2019 - Capítulo 4 - A Crucificação e a Morte de Jesus Cristo




Comentarista: Matheus Gonçalves



Texto Bíblico Base Semanal: Lucas 23.33-46

33. E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram, e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda.
34. E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo as suas vestes, lançaram sortes.
35. E o povo estava olhando. E também os príncipes zombavam dele, dizendo: Aos outros salvou, salve-se a si mesmo, se este é o Cristo, o escolhido de Deus.
36. E também os soldados o escarneciam, chegando-se a ele, e apresentando-lhe vinagre.
37. E dizendo: Se tu és o Rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo.
38. E também por cima dele, estava um título, escrito em letras gregas, romanas, e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEUS.
39. E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós.
40. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação?
41. E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez.
42. E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.
43. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.
44. E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol;
45. E rasgou-se ao meio o véu do templo.
46. E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou.

Momento Interação

Estudantes da Palavra, em um Comentário Bíblico Mensal não temos como abordar todo o Evangelho de Lucas. Contudo, os pontos vitais deste Evangelho estão sendo estudado por nós decorrentes da vida e da obra de Jesus. A sua Crucificação e Morte é um dos momentos mais emblemáticos do pilar do evangelho. Foi um julgamento forjado, covarde, movido por enorme inveja dos escribas e fariseus, aonde Jesus Cristo mostra sua plena certeza a todos nós do cumprimento da vontade do seu Pai em ir para a Cruz por amor a humanidade. É na Cruz que vemos o maior ato de amor do Senhor dos Senhores, do Rei dos Reis.

Introdução

Lucas 23 narra o julgamento, a condenação, a crucificação e a morte de Jesus com riqueza de detalhes que impressiona o leitor. Até Pilatos e Herodes com Jesus vieram a reatar a amizade que tinham. Era dever deles e responsabilidade julgá-lo com justiça, mas essa estava cega e não seguiu a Deus, antes o ventre dos homens que queriam a sua morte.

O homem tem o senso de justiça nele por causa da graça soberana de Deus, único justo. A justiça é um atributo da divindade e se fôssemos personificá-la trazendo à existência entre nós teríamos de chamá-la de Deus. Deus é justiça e a justiça está com Deus. Quando apelamos para a justiça, estamos apelando para Deus. Quando nos queixamos que ela foi torcida, estamos com isso dizendo ou clamando a Deus que a execute, pois passamos a falar em seu nome. Ninguém ali queria nada com a justiça, por isso o resultado absurdo de condenação à morte por crucificação.

Jesus morreu! Sua traição, prisão, acusação, julgamento, condenação, sofrimento, castigo, crucificação e morte ocorreram dentro de um período de mais ou menos 12 horas. Foi tudo tão rápido! Os discípulos perderam o chão e ainda estavam absortos em pensamentos sem entenderem bem o que estava se sucedendo.

I. Momentos Antecedentes a Prisão de Cristo

Estava chegando o dia de aflição para Jesus Cristo por causa da missão que o Pai lhe confiou. Dentre os seus escolhidos, havia um do diabo que já estava negociando a sua traição por dinheiro. Diz a palavra de Deus que Satanás entrou dentro dele e ele combinou com os principais sacerdotes e escribas como isso se daria. Jesus então começa a preparar a páscoa e precisava de um lugar. Da mesma forma que falara aos discípulos para apanharem um jumentinho para ele entrar em Jerusalém, para se cumprir as Escrituras, desta mesma forma, ele os orienta para irem para prepararem o lugar e tudo se sucedeu conforme ele instruíra.

Jesus celebra a sua última ceia aqui nesta terra tendo sentado ao seu lado direito, lugar de destaque e honra, Judas, o traidor. Ele participa da ceia. Jesus não o expõe aos outros. Parecia que Jesus acreditava até o fim que ele poderia se converter e se arrepender. Na verdade, o Senhor sabia quem era ele e que não se arrependeria, mas nos deixou uma lição importante sobre o amor, a paciência e as Escrituras. Terminada a ceia, eles vão orar, mas Judas não se interessava por esta parte, antes estava concluindo seu plano maligno de entregar Jesus e assim estava trazendo os que iriam prender a Jesus.
Jesus ora intensamente, mas por fim cede à vontade do Pai: “seja feita a sua vontade”.

II. Uma Armação Orquestrada para Jesus

Lucas registra as injustiças e as insolências cometidas contra Jesus em seu julgamento. Levantou-se toda a assembleia para levar Jesus a Pilatos. Não era necessário que todos comparecessem, mas um grupo grande impressionaria Pilatos pela sua seriedade e solidariedade. Como se aproximava a festa, os sacerdotes e escribas estavam inquietos buscando como iriam matá-lo. A rigor, a Festa dos Pães Asmos e a Páscoa eram festas diferentes (Nm 28.26-27), mas a Páscoa era seguida imediatamente pela Festa dos Pães Asmos. Na época do Novo Testamento, os nomes dessas festas eram intercambiáveis. A festa comemorava a grandiosa libertação do povo do Egito (Êx 12.17). Os principais sacerdotes detinham o poder político entre os judeus, e foram eles, e não os fariseus, que comandaram a oposição final contra Jesus. A oportunidade surge quando Satanás possuiu Judas (Jo 13.2) e este foi procurar os principais sacerdotes, e não o contrário. Os capitães do templo eram levitas em sua maioria. Parece haver mesmo uma organização maligna com propósitos bem definidos e crentes de que são capazes de fazerem as coisas mudarem, conforme planejamento e execução.

A acusação de toda essa assembleia era que Jesus estaria pervertendo a nação – vs. 2. Uma acusação curiosamente vaga. Também de que estaria vedando pagar tributo a César. Na verdade, Jesus havia dito exatamente o contrário (Lc 20.25). E ainda que estivesse afirmando ser ele o Cristo, o Rei. Na seção registrada por Lucas, Jesus se recusou explicitamente a fazer uso desse termo (Lc 22.67-68). Contudo, em Mateus 16.17, ele confirmou a confissão de Pedro com relação a isso. Assim, num certo sentido essa acusação era verdadeira, porém incorreta no sentido que os judeus estavam apresentando aos romanos, ou seja, de que Jesus afirmava ser um líder político que rivalizava com César. Logo, essa acusação, como todas as outras, era falsa. Pilatos deve ter se impressionado com toda a assembleia e também lhe fez uma pergunta se seria ele o rei dos judeus. Num sentido que era crucialmente importante, Jesus era o Rei dos judeus, de modo que ele não poderia negar. Porém, ele não era rei no sentido que Pilatos entendia o termo e, portanto, não podia confirmar. Logo, a sua resposta foi vaga e neutra (cf. Jo 18.33-38), o que foi suficiente para Pilatos perceber que Jesus não era um revolucionário. No império Romano, o julgamento geralmente era realizado na província onde o crime foi cometido, porém podia ser transferido para a província natal do acusado. Pilatos aproveitou-se dessa minúcia jurídica para enviar Jesus a Herodes. Somente Lucas registra esse detalhe.

III. Jesus perante Pilatos

Ao ver Jesus que tinha sido enviado a Herodes por Pilatos muito se alegrou com ele e esperava ver ali, pessoalmente, algum tipo de sinal ou feito extraordinário, mas Jesus nada lhe respondia. Herodes foi a única pessoa com quem Jesus se recusou a falar. Herodes fez pouco caso de Jesus e não considerou com seriedade as acusações contra ele. Além disso, o tratou com desprezo, escarneceu dele e ainda fê-lo vestir um manto aparatoso e o devolveu a Pilatos, com quem, a partir desse momento, reateve sua amizade.

Jesus comparece pela segunda vez diante de Pilatos e este reunindo seus acusadores e todo o povo resolve apenas castigá-lo e depois soltá-lo. De acordo com a lei romana, uma pessoa poderia receber uma surra leve como uma advertência para que fosse mais cuidadoso no futuro. Pilatos esperava que com esse procedimento conseguisse aplacar a ira dos judeus e ao mesmo tempo libertar um homem que ele sabia ser inocente. A tradição de libertar um prisioneiro durante a Páscoa não tem sido comprovada por fontes extra bíblicas, mas esse tipo de costume era bastante praticado nesse período, e a oferta de Pilatos não é implausível.

A multidão gritava por Barrabás, um homem que seria desconhecido não fosse esse registro. Seu nome significa "filho do pai”, e Lucas relata que seus crimes eram rebelião e assassinato. Barrabás era visivelmente um criminoso, mas para a multidão de Jerusalém ele pode ter sido considerado como um herói do movimento da resistência. Pilatos ainda tentou evitar a condenação de Jesus, brincando com sua plateia, mas eles insistiam com ele que não soltasse a Jesus, mas sim a Barrabas. Pilatos então cede ao desejo da multidão e de seus acusadores, liberta Barrabas e condena Jesus à crucificação. A máxima autoridade humana que poderia e deveria cumprir o seu papel diante de Deus, com o próprio Deus, falhou torcendo e pervertendo toda a justiça.

IV. Jesus e a Crucificação

Um relato do que era a crucificação nos tempos do império de Roma, mostra toda a agonia física e mental que Jesus Cristo passou. O que vemos nos evangelhos e nos filmes é apenas uma simples alusão do que realmente essa tortura era na realidade.

Uma das mais terríveis formas de punição na Roma antiga, a crucificação combinava vergonha, tortura, agonia e morte. Era a mais humilhante das formas de execução. Despojado de suas vestes, o condenado era açoitado impiedosamente pelos carrascos com um azorrague, espécie de chicote com cerca de oito tiras de couro cujas pontas eram reforçadas com objetos perfuro cortantes, como pregos e pedaços de ossos, para aumentar o sofrimento da vitima. Muitos não resistiam ao açoitamento e morriam antes da crucificação. Os que sobreviviam ao flagelo eram, muitas vezes, obrigados a carregar a sua cruz pelas ruas da cidade até o local da execução. Seminus, com a pele e a carne dilaceradas pelo castigo, eram expostos ao escárnio popular. Pessoas cuspiam, atiravam coisas e insultavam os condenados.

O peso da cruz era insuportável para eles que já estavam fragilizados e exaustos pela longa sessão de tortura. Durante o percurso, as quedas eram frequentes e os condenados obrigados a retomar a caminhada com a cruz sobre os ombros. Hoje, acredita-se que os condenados carregavam apenas a viga horizontal da cruz, a outra parte era fincada antes, no local da execução. Finalmente, os braços do condenado eram atados à trave e seu corpo içado. Normalmente, os punhos eram atados à viga por cordas, mas no caso de Jesus, foram usados cravos de ferro, que perfuravam a carne, destruindo nervos e ossos, multiplicando ainda mais o sofrimento.

Com a carne e a pele dilaceradas pelas chibatadas com o azorrague, Jesus recebeu na cabeça espécie de coroa ou capacete feita com galhos entrelaçados de uma planta com espinhos, que perfuram seu couro cabeludo, provocando fortes dores e sangramento abundante. Em seguida, foi vestido com uma túnica. O tecido, em contato com as feridas abertas, gruda na carne. O braço horizontal da cruz é posto sobre seus ombros e ele é exposto à multidão feroz. Já sem forças, Jesus é rebocado com cordas pelos soldados, num percurso de cerca de 600 metros. Seus passos são arrastados, o peso da trave e a fadiga causam várias quedas, ferindo seus joelhos. Os soldados o agridem, o açoitam e o forçam a prosseguir.

V. Jesus e a sua Morte

Lucas registrou os detalhes da morte de Jesus para que esse acontecimento nunca mais fosse esquecido. Jesus estava conduzindo em seus ombros as madeiras que seriam usadas para crucificá-lo, mas estava exausto e os próprios guardas constrangeram um cireneu, chamado Simão a ajudá-lo. Era costume o condenado carregar a própria cruz, ou pelo menos a barra horizontal, até o lugar onde seria crucificado. Jesus começou carregando a sua cruz (Jo 19.17), mas pode ter enfraquecido por causa dos açoites que levou antes da crucificação (Mc 15.15). Os soldados recrutaram um homem dentre a multidão, chamado Simão. Ele era de Cireneu (no norte da África), e posteriormente os seus filhos ficaram conhecidos na igreja (Mc 15.21).

Somente Lucas registrou esse incidente – vs. 27 a 30 - das mulheres que se batiam no peito e o lamentavam. Deveria haver muitos seguidores de Jesus em Jerusalém, mas somente uns poucos devem ter ajuntado para observar o julgamento mais de perto, uma vez que todo o espaço estava ocupado pelos opositores de Jesus. Jesus se dirige a elas como filhas de Jerusalém. Uma referência às mulheres locais, e não às peregrinas da Galileia. Jesus estava preocupado com elas (e não com ele mesmo) e chamou-lhes a atenção para os sofrimentos terríveis que viriam sobre a terra. Ele queria que elas se arrependessem em vez de simpatizarem com ele.

No vs. 31, Jesus concluiu seu arrazoado diante delas dizendo que se aquilo tudo estava acontecendo com ele – lenho verde – imagina com o que fará com o lenho seco – todos eles? Com certeza um dito proverbial, possivelmente sugerindo que se Jesus (que era inocente) estava sendo crucificado, coisa muito pior aconteceria com os judeus (que eram culpados). No caminho, haviam mais dois que seriam crucificados juntos com Jesus (Lc 23.32). Chegaram então ao Calvário. Do latim, calvaria, de onde provém a nossa palavra "caveira". Os quatro Evangelhos relatam que Jesus foi crucificado entre dois ladrões; em sua morte ele "foi contado com os transgressores" (Is 53.12).

Jesus estava sendo crucificado impiedosamente e mesmo assim orava pedindo perdão aos seus ofensores, tanto os judeus como os romanos.  Os soldados, no entanto, ali estavam repartindo as suas vestes. Tradicionalmente, as roupas do condenado eram repartidas entre aqueles que o crucificaram. Assim, esses soldados cumpriram involuntariamente a profecia de Salmo 22.18. As autoridades, e não o povo, é que zombavam (Lc 23.)35. É curioso que falassem sobre "o Cristo" e "o escolhido" quando Jesus parece não ter utilizado nenhum desses títulos com regularidade. Também os soldados escarneciam dele e o provocavam a descer ali da cruz pedindo a ele que, pelo menos, salvasse a si mesmo. Sobre a sua cruz estava escrito em letras gregas, romanas e hebraicas a frase ESTE É O REI DOS JUDEUS – VS. 38.

Dos versos de 39 a 43, vemos a conversa que tiveram os três crucificados, pendurados na cruz. Um zombava também, mas o outro creu no crucificado e Jesus prometeu a ele que naquele mesmo dia estariam juntos no paraíso. Nesse crente da última hora havia algum grau de confiança, pois esse homem acreditava que Jesus não seria aniquilado na morte, mas sim que estava indo para o reino celeste, ou para o paraíso, uma palavra de origem persa que significa "jardim", e mais tarde veio a indicar o lugar dos abençoados (2Co 12.4; Ap 2.7).

Jesus morreu e rasgou-se o véu do santuário de alto a baixo – vs. 45. O véu fazia separação entre o Santo dos Santos e o restante do templo. A morte de Jesus forneceu acesso à presença de Deus. Os Evangelhos de Mateus e Marcos enfatizam a terrível natureza da morte de Jesus em favor dos pecadores. O Evangelho de Lucas não desmente esse aspecto e inclui as palavras de Jesus para demonstrar que sua morte estava de acordo com a vontade do Pai. Foi nesse momento que Jesus exclamou em alta voz “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” e expirou. Uma maneira incomum de se referir à morte. Nenhum dos Evangelhos utiliza uma terminologia comum para a morte de Jesus, o que pode indicar que seus escritores consideraram a morte dele como algo extraordinário. Até o centurião que tudo presenciou ali pode constatar que havia morrido um justo. O modo como Jesus morreu demonstrou que era um homem "justo". Mateus e Marcos utilizam a expressão "Filho de Deus" (Mt 27.54; Mc 15.39). Nesse contexto, as duas referências transmitem o mesmo sentido (Mc 15.39). Agora era a hora da multidão também se lamentar e baterem em seus peitos. Um sinal de lamento. Para a multidão, até agora a crucificação de Jesus estava sendo um espetáculo de entretenimento; porém a morte de Jesus deixou-os tristes e pesarosos. O Evangelho de Lucas não relata qual foi o efeito da morte sobre os discípulos que a testemunharam.

Conclusão

É impressionante observar, porém, que muitas pessoas, até líderes religiosos influentes, continuam com pensamentos parecidos com os dos apóstolos na sua confusão e tristeza. Muitos ainda aguardam um reino terrestre e material, não compreendendo a vitória de Jesus sobre a morte e a realidade do seu reino espiritual, celestial e eterno. O reino de Jesus existe (Cl 1.13), pois já recebeu seu domínio eterno (Dn 7.14; Ap 1.5). Jesus cumpriu o plano eterno para a nossa redenção, e reina para toda a eternidade.

quarta-feira, 27 de março de 2019

A Verdadeira paz, o Verdadeiro Bem e a Real e Única Salvação




Por Leonardo Pereira



O ministério profético nas Escrituras Sagradas foi de certo modo, extremamente importante para compreendermos muitas questões do Novo Testamento, especialmente sobre a vida e a obra do Senhor Jesus Cristo. Todas as profecias dos arautos do Senhor se centravam Nele e se endereçavam a Ele. Por isso, ao longo do tempo muitos esperavam a figura de um redentor entre os panos finos da realeza; logo, jamais poderiam imaginar o que o Filho de Deus nasceria em Belém e estaria aprendendo a profissão de carpinteiro numa cidade esquecida, longe de ser uma Jerusalém na história, no caso, Nazaré. Como diz o apóstolo dos gentios, Paulo, "Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; Para que nenhuma carne se glorie perante ele" (1 Co 1.27-29).

Isaías, conhecido como o "profeta messiânico" foca-se bastante na vida e na obra do Senhor Jesus Cristo em suas profecias, sendo entre os profetas da Bíblia, o que mais relata sobre Cristo Jesus. Isaías já no término do seu livro, proclama uma mensagem impactante, cheia de alegria e esperança não somente para Israel, bem como para toda as nações: "Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!" (Is 52.7). O profeta do Senhor, vendo uma situação tão desesperadora na nação israelita, anuncia uma mensagem revigorante e restauradora a todos aqueles que anseiam ouvir a mensagem do Senhor. Esta mensagem de Isaías possuem grande implicações para os nossos dias. Se percebermos a passagem de Isaías 52.7, constataremos que todo o seu contexto implica se inclinar para ouvir e atentar a poderosa voz de Deus, por meio dos seus profetas, e com vistas para o futuro, os apóstolos que pregavam continuamente aquilo que Cristo vos ensinou.

O mundo (falo no sentido de cultura, valores humanos e ações) literalmente jaz no maligno (cf. 1 Jo 5.19). Tantos desastres, catástrofes, crises, corrupções, o exacerbado aumento da pecaminosidade humana, tudo isto nos leva a crer que muitos procuram se moldar ao quadro do mundo, como uma obra de arte que se espelha no seu pintor. É neste contexto que entra exatamente a mensagem de esperança para todos nós proveniente da parte de Deus, por intermédio do profeta Isaías. Neste mundo tem se anunciado o que for possível: mentiras, maldades, assassinatos, problemas nacionais e internacionais. O mais importante e o mais primordial que deve ser anunciado, pouco a mídia relata, e muitas vezes, se recusa a anunciar:  as boas novas do Senhor que produzem em nós a verdadeira paz, o verdadeiro bem e a real e única salvação (Is 43.11).

Muitas vezes nós caminhamos sofrendo dores, desânimos, com muitas lágrimas ao longo do caminho. Ainda que soframos dor, continuamos espalhando as boas novas de Cristo. Seja na internet, sobre os montes, ou seja com apenas uma pessoa como exemplo de Jesus Cristo com Nicodemos (cf. Jo 3). Esta caminhada com os nossos pés, sempre perseverando e jamais desistindo, é ridículo a ponto de constantes deboches na ótica do mundo, mas um ato belíssimo diante do Todo-Poderoso. Levar as boas novas da salvação a todos a quem encontrarmos é uma missão sobremodo sublime, a mais importante e a razão de nossas vidas. Ouvir a mensagem da salvação, é se atentar para a mensagem da verdadeira paz: é olhar completamente para Cristo conforme ele nos diz: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize" (Jo 14.27). É saber completamente que o nosso Senhor Jesus Cristo reina sobre tudo e sobre todos sendo supremo em tudo.

Rice Broocks, consagrado autor americano, escreveu uma série de livros intitulado "Deus não está morto" (ing. God's Not Dead), evento este que levou a produções de filmes baseado nos livros com grandes audiências e com poderoso impacto na vida de muitas pessoas. Assim como Broocks, muitos, conhecidos e desconhecidos, famosos e anônimos, buscam por amor a Cristo prosseguir na mensagem de Isaías e sempre levar a quem possa encontrar, o ponto principal da nossa bandeira de fé, nas casas, nas cidades e nas nações: "O teu Deus reina!" (Is 5.27).