sexta-feira, 28 de junho de 2019

Comentário Bíblico Mensal: Junho/2019 - Capítulo 5 - Preparados para toda a Boa Obra




Comentarista: Mickael Ferreira



Texto Bíblico Base Semanal: Tito 3.1-8

1. Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam, e estejam preparados para toda a boa obra;
2. Que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda a mansidão para com todos os homens.
3. Porque também nós éramos noutro tempo insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros.
4. Mas quando apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens,
5. Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo,
6. Que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador;
7. Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.
8. Fiel é a palavra, e isto quero que deveras afirmes, para que os que creem em Deus procurem aplicar-se às boas obras; estas coisas são boas e proveitosas aos homens.

Momento Interação

O apóstolo Paulo nos lembra de nossa conduta passada. “Éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros” (Tt 3.3). A bondade e o amor de Deus foi manifestado quando salvou os homens pecadores como Paulo e aqueles com os quais Tito trabalhava. Contudo, esta divina misericórdia tem conseqüências. Deus não salvou os homens para que eles continuassem na sua conduta pecaminosa. Tito é mandado lembrar seus irmãos de que o comporta-mento deles como cristãos precisa ser muito diferente do passado (Tt 3.1-2). Observe que a conduta ordenada nestes versículos é diretamente oposta à que é descrita no versículo 3. Ao invés de odiar aos outros ou agir com maldade, os cristãos têm que ser pacíficos e gentis com as pessoas, evitando falar mal delas. Uma das acusações feitas contra os cristãos nas perseguições romanas do segundo e terceiro séculos era que eles eram desleais ao governo. Esta acusação era feita porque os cristãos não queriam adorar o imperador. Contudo, os cristãos estariam entre os melhores cidadãos em qualquer país, porque se submetiam voluntariamente ao governo, por causa de Cristo (Tt 3.1; cf. Rm 13.1-7). Paulo no capítulo que é a base do último capítulo do nosso estudo deste mês, ensina-nos que os membros da Igreja do Senhor Jesus Cristo devem ser bons cidadãos e fiéis seguidores de Jesus Cristo. Por meio do batismo, podemos receber a vida eterna pela graça do Senhor.

Introdução

Em Tito 3, Paulo adverte Tito sobre o comportamento dos cristãos na sociedade de uma maneira geral. Assim como em Tito 2 devia ensiná-los sobre como proceder no trabalho, nos relacionamentos e que deviam fugir dos pecados da língua.

Estes cristãos deviam ser influenciados pelo Espírito Santo, isto porque já haviam sido lavados pelo poderoso sangue de Jesus. Mais uma vez Tito é advertido a defender a fé evangélica, no entanto deve evitar discussões e debates improdutivos. Mais uma vez Paulo destaca o bom relacionamento. Tito devia advertir continuamente aos cristãos de Creta, que não deviam ser desordeiros, mas bondosos. Além disso, eles deviam fugir dos pecados da língua. Calúnia, difamação e mentira não deviam fazer parte de suas conversas. Paulo explica que isso era comum antes, quando éramos amantes do pecado. Agora em Cristo tudo isso ficou para trás (Tt 3.1–6).

I. Preparados para toda a Boa Obra

O apóstolo Paulo nos lembra de nossa conduta passada. “Éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros” (Tt 3.3). A bondade e o amor de Deus foi manifestado quando salvou os homens pecadores como Paulo e aqueles com os quais Tito trabalhava. Contudo, esta divina misericórdia tem conseqüências. Deus não salvou os homens para que eles continuassem na sua conduta pecaminosa. Tito é mandado lembrar seus irmãos de que o comporta-mento deles como cristãos precisa ser muito diferente do passado (Tt 3.1,2). Observe que a conduta ordenada nestes versículos é diretamente oposta à que é descrita no versículo 3. Ao invés de odiar aos outros ou agir com maldade, os cristãos têm que ser pacíficos e gentis com as pessoas, evitando falar mal delas. Uma das acusações feitas contra os cristãos nas perseguições romanas do segundo e terceiro séculos era que eles eram desleais ao governo. Esta acusação era feita porque os cristãos não queriam adorar o imperador. Contudo, os cristãos estariam entre os melhores cidadãos em qualquer país, porque se submetiam voluntariamente ao governo, por causa de Cristo (Tt 3.1; veja também Romanos 13.1-7). Ainda que Paulo ressalte a necessidade dos cristãos estarem prontos para fazerem boas obras (veja 1.16; 2.7,14; 3.1,8,14), ele não quer que ninguém pense que sua salvação resultou de suas obras de justiça (Tt 3.5). Somos justificados pela graça através da lavagem espiritual cumprida no batismo (Tt 3.5; 1 Pe 3.21; Ef 1.7; At 22.16; Ap 1.5; Rm 6.3,4). Não merecemos a herança que nos é dada, a vida eterna (Tt 3.7).

II. A Benignidade do Senhor Deus

No entanto, como nos capítulos anteriores, Paulo se volta para a principal fonte de motivação para refrearmos nossa língua: o amor e a gratidão sinceros pela vida eterna que temos recebido de Cristo por permanecermos nEle (vs. 4-7). No final de sua carta a Tito, o apóstolo Paulo relembra-o de que deve reafirmar as verdades fundamentais do Evangelho. Deus em Cristo manifestou o Seu amor em graça e misericórdia na salvação daqueles que pela fé Nele creem como Senhor e Salvador (Ef 2.8– 10). Na salvação o que conta é o que Deus fez em Cristo por nós e em nós e não o que poderíamos fazer para alcançá-la ou merecê-la. Ela não é conquista, é presente divino. João 3. 16; Romanos 5. 8. Pecadores nada podem oferecer a Deus senão os seus pecados para serem perdoados. Uma vez salvo pelos méritos do Senhor Jesus, o salvo manifesta o caráter de Cristo pela prática das boas obras que Deus antecipadamente preparou para que fossem executadas para Sua honra e glória, nossa edificação e alegria, estendida aos beneficiados (Lc 15.10; 18.13; Ef 2.10). Desse modo, ficaremos longe de controvérsias e obedeceremos as leis governamentais. Como herdeiros da promessa da vida eterna, nossa vida deve ser preenchida com boas obras que são o resultado natural de uma vida em Cristo (v. 8). Viva hoje corajosamente por Ele. Resplandeça a sua luz diante dos homens para que venham a conhecer e glorificar a fonte dessa luz maravilhosa – o Pai celeste. 

III. O Perigo de entrar em Assuntos Vãos

Paulo deve ter ouvido falar a respeito de alguns dos desafios que Tito estava enfrentando em seu ministério na ilha de Creta. Assim, como nos dois primeiros capítulos, Paulo novamente incentiva cada crente a viver uma vida de entrega aos princípios do Céu. Esse estilo de vida exige submissão às leis e governantes da terra e inclui manter uma rédea curta sobre a língua (Tt 3.2), o instrumento mais frequentemente utilizado para gerar discórdia e conflito (Tg 3.5,6). Paulo também aconselha Tito a silenciar disputas sem sentido sobre questões teológicas inúteis e menores. Elas costumam criar mais calor do que luz (v. 9)! Na verdade, Paulo ainda incentiva Tito, assim como cada um de nós, a manter distância de pessoas problemáticas que parecem viver para criar controvérsias e divisões. Tito devia empenhar-se o ensino e defendê-lo a todo custo. No entanto, discussões tolas, intermináveis e que não edificam devem ser evitadas. Tito não devia se desgastar com isso. Paulo o adverte de que sempre haverá pessoas procurando dividir a igreja. Ele por sua vez, deveria confrontar essas pessoas por algumas vezes, após isso o desgaste é desnecessário.

IV. Recomendações Finais

Paulo diz a Tito que está prestes a enviar alguns irmãos. Isso nos mostra que a obra de Deus não é feita por uma pessoa. Juntos somos sempre mais fortes. Paulo encerra falando contra a improdutividade. O Senhor Jesus Cristo quer que todos nós sejamos produtivos, do contrário seremos lançados fora (Jo 15.6). Por fim, a graça a todos os que amam a fé. Se você ama a fé em Jesus, a graça de Deus permanece sobe a sua vida.

Conclusão

O apóstolo Paulo encerra sua breve e rica carta ao jovem discípulo-pastor orientando-o nos procedimentos ministeriais adequados na liderança das igrejas na ilha de Creta. Reforça alguns conselhos e alerta Tito a fazer uso inteligente do tempo e das palavras tanto na proclamação da sã doutrina como na disciplina cristã a ser adotada com os insubmissos e divisionistas que insistiam em ser ouvidos na igreja. Os fiéis que se ocupam na prática das boas obras oferecem as respostas mais eficazes àqueles que pela negligência tumultuam o ambiente de paz a existir na igreja de Cristo. Os irmãos que estavam com Paulo enviaram por essa carta as saudações cristãs aos irmãos em  Creta desejando-lhes graça e paz. A graça de Deus está presente, opera e se manifesta na vida de quem O ama. Graça e Paz. Amém. 

Comentário Bíblico Mensal: Junho/2019 - Capítulo 4 - Exortações ao Povo de Deus




Comentarista: Mickael Ferreira



Texto Bíblico Base Semanal: Tito 2.1-7; 11-15

1. Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina.
2. Os velhos, que sejam sóbrios, graves, prudentes, sãos na fé, no amor, e na paciência;
3. As mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras no bem;
4. Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos,
5. A serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada.
6. Exorta semelhantemente os jovens a que sejam moderados.
7. Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade,
11. Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens,
12. Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente,
13. Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo;
14. O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.
15. Fala disto, e exorta e repreende com toda a autoridade. Ninguém te despreze.

Momento Interação

Paulo instruiu Tito, no capítulo um, a auxiliar as igrejas da ilha de Creta a identificar e escolher presbíteros. Uma das responsabilidades de tais homens seria confrontar indivíduos que estavam desencaminhando outros pelos seus ensinamentos de fábulas judaizantes e mandamentos dos homens. Enquanto essas pessoas professavam que “conheciam” Deus, elas negavam sua própria afirmação por sua desobediência (Tt 1.10-16). Agora, no capítulo 2, Paulo ordena a Tito que ensine, em contraste, como as pessoas devem comportar-se. Ele se refere a este tipo de ensinamento como “sã doutrina” porque, se seguida, ela levará os cristãos a manterem a saúde espiritual.

Paulo continua observando em geral por que os cristãos deveriam viver de acordo com a sã doutrina (Tt 2.11-14). Deus demonstrou sua graça para com a humanidade enviando seu Filho para morrer na cruz. Jesus morreu para redimir os homens de sua iniquidade, assim provendo para ele próprio um povo especial purificado e zeloso das boas obras (cf. Ef 5.25-27). A mensagem do evangelho é que podemos tornar-nos parte deste povo especial se quisermos deixar a impiedade e as paixões pecaminosas do mundo e viver de acordo com a sã doutrina.

Introdução

Paulo instruiu Tito, no capítulo um, a auxiliar as igrejas da ilha de Creta a identificar e escolher presbíteros. Uma das responsabilidades de tais homens seria confrontar indivíduos que estavam desencaminhando outros pelos seus ensinamentos de fábulas judaizantes e mandamentos dos homens. Enquanto essas pessoas professavam que “conheciam” Deus, elas negavam sua própria afirmação por sua desobediência (1.10-16). Agora, no capítulo 2, Paulo ordena a Tito que ensine, em contraste, como as pessoas devem comportar-se. Ele se refere a este tipo de ensinamento como “sã doutrina” porque, se seguida, ela levará os cristãos a manterem a saúde espiritual. Paulo aborda a conduta e as responsabilidades dos cristãos nas bases de idade, sexo e emprego. Primeiro, ele descreve o papel dos mais velhos, e então das mais velhas (2.2,3). Ele esmiúça as responsabilidades das mulheres mais jovens observando que as mulheres mais velhas deveriam ensiná-las (2.4,5). A seguir, ele passa aos moços em geral no versículo 6 e a Tito especialmente no versículo 7. Finalmente, ele conclui esta parte descrevendo a conduta apropriada dos servos (2.9,10). Ainda que suas instruções dadas a um grupo obviamente não sejam totalmente diferentes daquelas dadas a outro grupo, Paulo aborda necessidades específicas e tentações dos vários grupos (por exemplo, roubo entre servos, falta de submissão entre viúvas, integridade entre jovens; 2.5,7,10).

I. Exortações aos Idosos

Para Tito a responsabilidade primária era pregar e ensinar a verdade, aquela que estivesse de acordo com a sã doutrina (sadios; Tt 1.9, 13; 2.1; e o adjetivo em Tt 2.8). O uso desta palavra nas Pastorais, sempre em conexão com a doutrina, mostra a ênfase que Paulo dá ao ensino correto. Para os homens idosos, que já eram mestres ou em potencial, a vida e a doutrina tinham de andar juntas. Esta é uma importante consideração em relação a cada uma destas categorias de pessoas. Conselhos adicionais encontram-se em 1 Timóteo 5.1: "Não repreendas asperamente o ancião, mas admoesta-o como a pai; aos moços como a irmãos". Paulo escreveu a Timóteo e disse: “Não repreendas ao homem idoso; antes, exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza” (1 Tm 5.1,2). Mas, no mesmo capítulo, ele falou sobre presbíteros (anciãos, necessariamente homens de alguma idade– veja as qualificações em 1 Timóteo 3 e Tito 1) e disse: “Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam” (1 Tm 5.20). Será que Paulo está se contradizendo no mesmo capítulo? Claro que não. A solução está nas palavras que ele usou.

A tradução de textos de um idioma para outro sempre apresenta algumas dificuldades. Às vezes, uma língua tem várias palavras para comunicar uma ideia e outra língua pode ter uma palavra só. Neste caso, os tradutores usaram uma palavra (repreender) para traduzir duas palavras diferentes no original. A palavra que Paulo usou em 1 Timóteo 5.1 quer dizer “tratar com rudeza”. A palavra usada em 1 Timóteo 5.20 é outra. Ela tem o sentido de “reprovar, convencer ou corrigir”.

II. Exortações aos Jovens

O ensino aos jovens tem sua caracterização: “exorta-os para que, em todas as cousas, sejam criteriosos.” (2.6) Erradamente pensam que o termo exortar significa uma ríspida bronca, de forma bem ignorante. Até por que, dizem, os jovens são irresponsáveis. Este termo no Novo Testamento em nada é similar ao nosso falho entendimento de exortar. Exortar (gr. parakaleo) significa literalmente “chamar para perto”. Tem o sentido de auxiliar, ajudar, consolar e encorajar. Para compreendermos a dimensão da importância deste termo ele é similar à palavra usada para designar o ministério do Espírito Santo: “Consolador” (gr. parakletos – Jo 14.16, 26; 15.26; 16.7). Quando estamos “ao lado” com o objetivo de consolar, exercemos, em certo grau, o ministério do Consolador. A exortação, conforme esse parâmetro bíblico, equivale a edificação e não a acusação. Por isso, Paulo alista o exortar bíblico como um dom espiritual. (Rm 12.8) Exortar os jovens significa colocar-se ao lado deles encorajando-os. Neste encorajamento, os jovens devem ser lembrados de serem “criteriosos”. O ser criterioso também é solicitado aos homens idosos (2.2, traduzido por sensato) e as moças (2.4, traduzido por prudente). Contudo, em relação aos moços, a construção verbal indica uma atitude contínua, constante. Lembremos que a “glória do jovem é sua força” (Pv 29.20). Nessa força, se tornam ansiosos e precipitados. Os jovens devem ser encorajados a “exercer autocontrole, ter cabeça no lugar, ter toda a vida sob o controle da mente”.

III. O Exemplo de como Tito deve Ser

Após prescrever as característica dos presbíteros (Tt 1.5-9) e descrever os falsos mestres (1.10-16), o apóstolo se volta ao seu sucessor, Tito: “Tu, porém” (Tt 2.1). Esta ênfase de Paulo também fora destinada a Timóteo (2 Tm 3.10, 14 e 4.5). Em todas as ocasiões demonstra o desejo paulino de seguir caminho diferente dos falsos mestres. O termo “fala” indica discursar com objetivo de discipular: ensinar. Por isso, a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) traz o termo “ensine”. No caminho contrário aos falsos mestres, Tito deveria seguir o caminho “que convém a sã doutrina.” O seu ensino deveria ser apropriado (convém) ao que gera boa saúde na fé (sã doutrina). “Sã doutrina” também é o “reto ensino” (1.9) e a saúde na fé (1.13; 2.2). A “sã doutrina” é interesse de Paulo constante nas epístolas pastorais. (veja 1 Tm 1.10; 6.3; 2 Tm 1.13 e 4.3) Refere-se a “ser sadio na fé, com significado de sólido, firme, puro com respeito à doutrina e vida cristãs. Sobre a doutrina, com significado de doutrina genuína, isto é, verdadeira, pura, não corrompida”.

IV. A Manifestação da Graça da Salvação

Paulo continua observando em geral por que os cristãos deveriam viver de acordo com a sã doutrina (Tt 2.11-14). Deus demonstrou sua graça para com a humanidade enviando seu Filho para morrer na cruz. Jesus morreu para redimir os homens de sua iniquidade, assim provendo para ele próprio um povo especial purificado e zeloso das boas obras (cf. Ef 5.25-27). A mensagem do evangelho é que podemos tornar-nos parte deste povo especial se quisermos deixar a impiedade e as paixões pecaminosas do mundo e viver de acordo com a sã doutrina. A Graça de Deus através da morte e ressurreição de Jesus Cristo opera na vida do salvo, respectivamente, a morte da natureza pecaminosa e a substitui pela nova natureza divina em Cristo. É com essa nova natureza, semelhante a de Jesus vivida em Sua humanidade que o salvo é capacitado a viver de forma eficaz a vida de Deus em si. Essa nova vida o leva a renunciar toda forma de impiedade e as paixões do mundo sem Deus. O novo caráter em Cristo o leva a viver de maneira sensata, justa e piedosa. Renova no salvo a confiante esperança do retorno glorioso do Senhor Jesus e o leva a aguardar esse dia mantendo uma vida irrepreensível. O que Ele nos fez através de Sua morte e ressurreição é a garantia da vida eterna com Deus. Foi do Seu agrado eleger os salvos como um povo especial e praticante de boas obras. O privilégio dado a Israel antes da promulgação da Lei foi transferido à igreja neste período em que a Graça de Deus se manifestou salvadora àqueles que a acolhem pela fé em Jesus Cristo, Senhor e Salvador (Êx 19.5,6; 1 Pe 2.6–10).

Conclusão

Em Tito 2, Paulo dá prosseguimento às instruções de Tito 1. No entanto, agora ele vai dizer especificamente, como o jovem pastor Tito deve lidar com cada parte da congregação e qual deve ser o seu comportamento e ensino. Tito não devia aventurar-se em novos ensinos. Paulo o exorta, mais uma vez a apegar-se a sã doutrina. A partir disso, seu ensino devia ser ministrado a todas as faixas etárias da Igreja. Anciãos, mulheres, jovens, Tito devia instruir a todos tendo as Escrituras como fundamento.

Tito não devia ser um hipócrita. Antes de ministrar a outros, ele mesmo devia ser um exemplo de comportamento, boas obras e ensino. Sua linguagem não devia ser obscena, pejorativa ou discriminatória. Pelo contrário, ele devia mostrar seriedade e dedicação no falar. Seu ensino devia conduzir pessoas ao bom testemunho de Jesus. Até mesmo escravos, debaixo de julgo e vergonha, eram instruídos a dar exemplo de cristão aos seus senhores. É um grande exemplo para os nossos dias. Muitos cristãos não gostam de seu trabalho. Isso faz com que tenham mal comportamento diante dos companheiros. Não é o que a bíblia ensina. Se há insatisfação, ore a Deus e peça que ele abra outras portas, mas não manche o bom nome de Jesus Cristo, com mal comportamento.

terça-feira, 25 de junho de 2019

O Deus incompreensível



Será que podemos compreender Deus em toda sua plenitude? Quando descrevemos o Deus incompreensível, não queremos dizer que não podemos ter conhecimento de Deus, mas que é impossível conhecer Deus em todo seu Ser. Apesar de não o conhecermos de forma plena, conhecemos o que Ele revela a nós. Na história da igreja, os teólogos falavam do Deus incompreensível, assim como os reformadores.

Queremos abordar de forma sucinta, como Deus mesmo sendo incompreensível em seu Ser se revela ao homem.

1. História da Igreja

Os chamados pais da igreja, falavam do Deus invisível como um ser não gerado, eterno, incompreensível e imutável. Eles acreditavam inteiramente que Deus pode ser conhecido para a salvação.

Lutero falava do Deus oculto, em distinção do Deus revelado. Mesmo se revelando como um Deus oculto, através da sua revelação especial, não se pode conhecê-lo plenamente. Para Calvino, Deus nas profundezas do seu Ser, é insondável. Assim, os reformadores criam sobre a incompreensibilidade de Deus, porém sem negar o fato que o homem possa aprender alguma coisa sobre a natureza de Deus por meio da criação. O verdadeiro conhecimento de Deus vem somente por intermédio da revelação especial de Deus, iluminado pelo Espirito Santo de Deus.

2. Como podemos conhecer a Deus?

Podemos conhecer a Deus por meio da revelação Geral e Especial. Segundo R.C Sproul, há dois tipos de revelação Geral, imediata e mediata. A revelação mediata se refere uma revelação que é transmitida por meio de alguma coisa, um exemplo disso está na criação, o meio pelo qual Deus revela sua glória, nesse sentido, o universo é mediador da revelação de Deus. A Bíblia mostra claramente que toda a terra está cheia da glória de Deus. Diante disso, entendemos que estamos em constante contato com a revelação divina, quando reconhecemos a gloria de Deus na natureza.

A revelação Geral imediata se refere que Deus manifesta seu conhecimento na mente humana. O apóstolo Paulo fala da Lei de Deus escrita no coração do homem (Rm 2.12-16). João Calvino falou sobre “um senso divino, o qual Deus implanta na mente de cada pessoa”. Para C.R Sproul “todas as culturas atestam atividades religiosas, confirmando a incurável natureza religiosa da humanidade”. Com isso, podemos entender que todo ser humano é religioso no seu âmago.

A revelação Especial é a Escrituras Sagrada. Deus falou ao seu povo no passado por meio de visões, sonhos, poesia, profetas, revelações e etc. O autor de Hebreus disse: Havendo Deus, outrora, falado, de muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nesses últimos dias, nos falou pelo Filho (Hb 1.1,2). Hoje podemos dizer que temos a revelação completa de Deus, não precisamos de novas revelações, o que queremos saber sobre Deus e como procedermos, está na Bíblia. A palavra de Deus foi escrita por homens, mas que estavam sobre a espiração divina, Paulo disse: Toda Escritura é inspirado por Deus (2Tm 3.16). A palavra inspiração quer dizer “sopro de Deus”. Isso se refere que o próprio Deus, criador dos céus e da terra, soprou a Bíblia. A palavra inspiração também nos chama a atenção para o processo pelo o qual o Espírito Santo guiou os escritores da Bíblia a escrever os textos sagrados. Todos os escritores da Bíblia foram direcionados pelo poder do Espírito Santo, a comunicar as palavras exatas de Deus.

Conclusão

Portanto, o que podemos aprender sobre a incompreensibilidade de Deus, é que jamais conheceremos Deus em toda a sua plenitude, até porque se o conhecêssemos, Ele não seria Deus. Deus é infinito e os seres humanos finitos. Como disse os teólogos medievais: “o finito não pode conter o infinito”, ou seja, não podemos conhecer Deus em todo o seu Ser. Mas por outro lado, sabemos que Deus se revela em partes ao homem, Ele se revelou por meio da revelação geral e especial.

Referências:

Louis Berkhof – Teologia Sistemática
R.C Sproul – Verdades Essenciais da Fé Cristã 

Sidney Muniz