quarta-feira, 18 de agosto de 2021

A Tolerância

 



Por Leonardo Pereira



Enquanto preparava o material para uma aula sobre as igrejas do primeiro século, eu encontrei este trecho descrevendo a condição da religião naquela época: "...devemos lembrar que o estado não ditava nenhum sistema de teologia, que o império no início apresentava a vista de um tipo de caos religioso onde todos os cultos nacionais tiveram a proteção garantida, que o politeísmo romano era naturalmente tolerante, e que a única forma de religião que o estado não suportava era uma que era equivalente a um ataque ao sistema politeístico como um todo, já que esta colocaria em perigo o bem-estar da comunidade negando as ofertas e outros serviços aos deuses, pelos quais eles os davam favores" (ISBE, "Roma," Vol. IV, p. 2621).

Nós vivemos numa época em que o estado não dita nenhum sistema de teologia. O nosso sistema de governo geralmente é tolerante dos grupos religiosos enquanto não apresentam nenhuma ameaça. O governo romano eventualmente proibiu o cristianismo. A igreja ensinava que havia um só Deus. Proclamava que a imoralidade associada com o culto pagão e idolatria eram pecados. Os cristãos não forçavam ninguém a acreditar em suas crenças, mas na sua condenação do pecado se tornaram inimigos daqueles que sentiram que a sua maneira de vida estava sendo ameaçada.

Hoje, falar contra o pecado é, nas mentes de alguns, equivalente a tentar negar os direitos das outras pessoas. Para os imorais e amorais sexualmente, isto é uma ameaça. Não temos escolha a não ser falar contra o pecado (exemplo: imoralidade sexual e aborto), porque,“estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou. . .” (At 17.31). Talvez esteja chegando o dia em que tal “intolerância” seja colocada como intolerável. Então, apenas aqueles que forem tolerantes em relação a todos serão tolerados.


sábado, 14 de agosto de 2021

Adquirir Prata ou Ser Purificado como Prata?

 




Por Leonardo Pereira



No atual ambiente religioso brasileiro, influenciado por pregadores da teologia da prosperidade como Edir Macedo, R. R. Soares, Valdemiro Santiago e inúmeros outros, Malaquias 3 se tornou conhecido como a fórmula para riqueza garantida. Qualquer pessoa que conhece até superficialmente as mensagens pregadas nas igrejas neopentecostais já ouviu este versículo: “Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida” (Ml 3.10). Estas palavras de Deus, arrancadas do seu contexto e inseridas nas mensagens de marketing, servem bem para construir templos ostentosos e aumentar poder político.

Quando examinamos melhor o contexto, encontramos uma surpresa que não se encaixa bem na teologia popular que trata Deus como um gênio que sai da sua garrafa para ceder todos os pedidos (demandas!) dos dizimistas fiéis. Enquanto pastores por todo lado tratam o Senhor como servo do homem que garante seu conforto, saúde e prosperidade financeira, o livro de Malaquias, de fato, apresenta um outro propósito para os servos de Deus. O Senhor disse: “Assentar-se-á como derretedor e purificador de prata; purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata; eles trarão ao SENHOR justas ofertas” (Ml 3.3).

Enquanto muitos procuram prosperidade, Deus mostrou que sua vontade é a purificação. Diferente do processo pregado hoje para adquirir a prosperidade, que envolve principalmente sacrifícios financeiros, o processo escolhido por Deus para a purificação envolve sofrimento! Seus servos são vistos como a prata sujeita à purificação pelo fogo! E quem segura esses servos no calor do fogo é o próprio Senhor! A perspectiva distorcida da teologia da prosperidade trata como bênçãos os avanços financeiros e os acontecimentos na vida que trazem felicidade imediata, e consideram maldições ou castigos qualquer motivo de angústia e sofrimento. Edir Macedo, um dos principais defensores dessa teologia, sugere que a alternativa à teologia da prosperidade seria a teologia da miséria. Sofrimento é visto como um mal que precisa ser repreendido e afastado da vida do fiel.

Ficar em cima de chamas tão quentes que conseguem derreter prata seria divertido e prazeroso? O purificador de prata segura o metal acima das chamas até que alcance 962 graus C, a temperatura necessária para derreter a prata e separá-la de quaisquer impurezas. Dói só em pensar na ideia de alguém nos segurar em um fogo tão quente, mas é isso que Deus faz!

Deus usou essa figura forte para mostrar que o processo de transformação espiritual é difícil e dolorido, e que muda totalmente a nossa composição. Não é a mensagem de fugir do sofrimento e gozar a prosperidade que tantos pregam hoje. Malaquias, porém, foi um profeta do Antigo Testamento, da época em que a lei dada no monte Sinai governava os judeus. Aquela lei não vigora mais após a morte de Cristo, pois ele se tornou Mediador de uma nova aliança (Hb 8.6-13). Na Nova Aliança, Deus nunca mandou que os cristãos dessem o dízimo, pois essa ordem fazia parte do sistema antigo (Hb 7.5). Mas quando se trata de purificação e sofrimento, Deus continua usando esse processo dolorido para aperfeiçoar seus servos no Novo Testamento (2 Tm 2.20-22; 1 Pe 1.6-9).

Os apóstolos e outros que registraram para nós a Nova Aliança não pregavam a teologia da prosperidade, não incentivavam os fiéis a fugirem do sofrimento, e tampouco caracterizavam os sofredores como pecadores ou pessoas afligidas pelo mal. Pelo contrário, ensinaram os cristãos a aceitarem seu sofrimento como meio de produzir crescimento (Tg 1.2-4) e como disciplina do seu Pai amoroso (Hb 12.7-11). Enquanto avisaram sobre os perigos da riqueza (1 Tm 6.9,10), consideravam o sofrimento por Cristo uma graça cedida por Deus (Fp 1.29,30). Enquanto muitos distorcem a verdade com o uso errado de versículos como Malaquias 3.10, o mesmo capítulo apresenta um princípio importante da purificação da prata por Deus. Ao invés de procurar adquirir prata, procure ser a prata purificada que Deus deseja na sua casa!


Comentário Bíblico Mensal: Agosto/2021 - Capítulo 2 - O Surgimento da Nação de Israel

 




Comentarista: Éverton Souza



Texto Bíblico Base Semanal: Atos 7.1-14


1. E disse o sumo sacerdote: Porventura é isto assim?

2. E ele disse: Homens, irmãos, e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando na mesopotâmia, antes de habitar em Harã,

3. E disse-lhe: Sai da tua terra e dentre a tua parentela, e dirige-te à terra que eu te mostrar.

4. Então saiu da terra dos caldeus, e habitou em Harã. E dali, depois que seu pai faleceu, Deus o trouxe para esta terra em que habitais agora.

5. E não lhe deu nela herança, nem ainda o espaço de um pé; mas prometeu que lhe daria a posse dela, e depois dele, à sua descendência, não tendo ele ainda filho.

6. E falou Deus assim: Que a sua descendência seria peregrina em terra alheia, e a sujeitariam à escravidão, e a maltratariam por quatrocentos anos.

7. E eu julgarei a nação que os tiver escravizado, disse Deus. E depois disto sairão e me servirão neste lugar.

8. E deu-lhe a aliança da circuncisão; e assim gerou a Isaque, e o circuncidou ao oitavo dia; e Isaque a Jacó; e Jacó aos doze patriarcas.

9. E os patriarcas, movidos de inveja, venderam José para o Egito; mas Deus era com ele.

10. E livrou-o de todas as suas tribulações, e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa.

11. Sobreveio então a todo o país do Egito e de Canaã fome e grande tribulação; e nossos pais não achavam alimentos.

12. Mas tendo ouvido Jacó que no Egito havia trigo, enviou ali nossos pais, a primeira vez.

13. E na segunda vez foi José conhecido por seus irmãos, e a sua linhagem foi manifesta a Faraó.

14. E José mandou chamar a seu pai Jacó, e a toda a sua parentela, que era de setenta e cinco almas.

Momento Interação

Estêvão, o primeiro mártir cristão, era um homem dos quais escribas, fariseus e os principais dos sacerdotes não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito Santo que nele falava com ousadia e sabedoria. Fora o sacerdote que o provocara com a pergunta inicial “Porventura, é isto assim?” motivada pela falsa acusação contra ele. Aproveitando o ensejo, Estêvão vai e responde ao sacerdote e navega pela Bíblia mostrando e demonstrando que Cristo é o Messias que eles crucificaram e o mataram. Ele começa com Abraão, fala da descendência e se concentra em Moisés, em seu chamado, sua obra e ministério e, finalmente, sua palavra profética a respeito de um profeta semelhante a ele que seria levantado. A lei fora entregue ao povo judeu pelo ministério de anjos, mas não foi cumprida. Depois fala de Davi, de Salomão que seria aquele que lhe edificaria casa. Estêvão faz uma recapitulação sobre o surgimento e o desenvolvimento da nação de Israel, e é sobre este tema que trataremos no estudo desta semana.

Introdução

A história de Israel é muito longa e turbulenta. A Bíblia conta sobre as origens do povo e do país de Israel, desde a época de Abraão. Ao longo da História, Deus usou Israel para revelar Sua vontade e trazer salvação ao mundo. O povo de Israel tem uma história violenta e cheia de sofrimento, mas também com muitos milagres de Deus. Há cerca de 4000 anos atrás, Deus chamou um homem chamado Abraão e prometeu dar uma terra aos seus descendentes, que seriam o povo especial de Deus (Gn 12.1-3). Essa terra seria Canaã, onde Abraão viveu como estrangeiro pelo resto da vida.bAbraão teve um neto chamado Jacó, que teve seu nome mudado por Deus para Israel, que significa “ele luta com Deus”. Israel teve 12 filhos que deram origem às 12 tribos de Israel. Muito tempo depois, a terra de Canaã também teve seu nome mudado para Israel. Dos patriarcas ao decorrer do tempo, muitos eventos aconteceram ao se estabelecer por completo a nação de Israel em sua estrada histórica.

I. A Nação de Israel no Egito

A saída do Egito é uma passagem bíblica que está relatada no Velho Testamento, no livro de Êxodo, que justamente significa “saída”. Esta é considerada por muitos a passagem mais importante da história do povo de Israel, pois até então os israelitas viviam como escravos e essa libertação deu origem a primeira páscoa. De acordo com as escrituras, Deus escolheu Moisés para ser seu instrumento neste processo de libertação do povo. Moisés era um hebreu que havia sido criado pela filha do Faraó, que o encontrou ainda bebê dentro de um cesto boiando num rio; ele era inteirado da cultura e linguagem egípcias e capaz de falar ao faraó em sua própria língua. E apesar de ter sido criado como príncipe do Egito, não se conteve e defendeu um escravo hebreu, ao ver que este sofria uma agressão... a partir daí se tornou um foragido daquela mesma terra.

Anos mais tarde, já casado, vivendo na terra de Mídia, o Senhor teria chamado de Moisés durante uma tarde de trabalho no campo, falando a ele por meio de uma sarça ardente. No diálogo entre eles o Senhor encoraja a Moisés que retorne ao Egito, pois já havia morrido quem o perseguia; além de dar sinais a Moisés (com o cajado que se transformava em cobra, e a mão ora leprosa ora curada) que seria com ele. Vale ressaltar que este diálogo entre Moisés e Deus evidencia a compaixão de Deus, ao ouvir o clamor do povo escravizado, e a existência de uma aliança feita por Deus com Abraão, e seus descendentes Isaque e Jacó. O processo de retirada do povo israelita do Egito foi complicado, em vista da resistência do Faraó em autorizar a saída do povo. Um total de 10 pragas foram enviadas ao Egito para que o povo fosse libertado: as águas dos rios que se tornaram sangue, as rãs, piolhos, moscas, peste em animais, úlceras, chuva de pedras e fogo, gafanhotos, trevas durante 3 dias, até que culminou com a morte dos primogênitos de todas as famílias egípcias, incluindo os animais!

Neste dia, grande foi o pranto do povo egípcio e, quando finalmente Faraó consentiu em libertar o povo, saíram todos às pressas, carregando pertences e pães sem fermento. O ápice dessa trajetória ocorre diante do Mar Vermelho, quando Senhor fala com Moisés para tocar como cajado no mar e ele se abre, para o povo passar, já que Faraó, mais uma vez, havia se arrependido e estava com seus soldados atrás, tentando alcança-los para fazê-los voltar escravizados. Consta as Escrituras Sagradas que o mar se abriu e o povo passou (cf. Êx 15). Quando o mar novamente se fechou, os soldados de Faraó foram vencidos pelo mar. O povo então liberto passou a viver no Deserto, na expectativa de alcançar a terra prometida, ou seja, entrar em Canaã.

II. A Nação de Israel no Deserto

Uma jornada de semanas levou uma geração.  Quando os escravos israelitas foram libertados do Egito, saíram com um destino já definido por Deus 400 anos antes. A terra onde Abraão morou seria a herança dos seus descendentes. Como podemos ver em um mapa da região, o caminho mais direto do Egito para Canaã levaria poucos dias, entrando em Canaã pelo lado Sudoeste, a região dominada, na época, pelos filisteus. Mesmo com milhões de pessoas de todas as faixas etárias e com rebanhos grandes, não seria uma viagem de mais de algumas semanas. Mas Deus não permitiu que fossem por esse caminho mais direto, sabendo que não estavam preparados para entrar em batalhas contra outros povos: “Tendo Faraó deixado ir o povo, Deus não o levou pelo caminho da terra dos filisteus, posto que mais perto, pois disse: Para que, porventura, o povo não se arrependa, vendo a guerra, e torne ao Egito” (Êx 13.17). 

Deus sabia que o povo precisava se fortalecer espiritualmente para confiar nele diante dos desafios que enfrentariam, então ele conduziu os israelitas ao monte Sinai, onde teriam um ano de preparo antes de prosseguir para a terra prometida. Nesse tempo, eles receberam a lei do Senhor, prepararam o tabernáculo como um tipo de templo móvel e aprenderam sobre o papel dos sacerdotes e sobre sacrifícios e outros ritos religiosos. Deus estabeleceu ordem entre esse povo, até definindo a posição de acampamento de cada tribo e a sequência de saída em caso de batalha. Depois de sair do monte Sinai, o povo poderia ter começado a invasão da terra de Canaã em poucos dias. Mas tiveram atrasos no caminho por causa das suas atitudes rebeldes e ingratas. 

Quando chegaram mais próximos ao destino, Moisés mandou doze homens para espiar a terra e voltar com relatórios da riqueza natural do lugar e informações que ajudariam na campanha militar contra os povos da região condenados por Deus. Os espiões foram, mas a maioria não foi fiel na sua missão. Apesar de todas as demonstrações do poder e da grandeza de Deus, fatos que ainda assustariam os povos pagãos 40 anos depois (Js 2.8-11), os israelitas achavam os gigantes humanos maiores do que o próprio Senhor. O problema não foi reconhecer sua própria pequenez (se achavam como gafanhotos diante dos homens enormes que habitavam em Canaã – Nm 13.33). O problema dos espiões e das pessoas que os seguiram foi a falta de confiança em Deus (Nm 14.5-9). Não acreditavam que Deus fosse maior do que os gigantes. 

O livro de Números faz uma referência a esta passagem, trazendo um questionamento sobre a infidelidade do povo de Israel neste período e por este motivo, a conquista da terra prometida tenha demorado todo este tempo. Inclusive há um relato de que o Senhor perdoou o povo por intercessão de Moisés, mas ainda assim, somente dois dos que viram o povo sair do Egito pisariamem Canaã. Sãoeles Caleb e Josué. Uma outra referência a este período de espera e privação por parte deste povo está no Salmo 95.10, que diz: “Quarenta anos estive desgostado com esta geração, e disse: É um povo que erra de coração, e não tem conhecido os meus caminhos”. O velho testamento não é um livro formado por hipóteses, ou seja, não podemos afirmar como teria sido caso o povo tivesse mais obediência a Deus. Entretanto apesar de algumas “revoltas” e muita murmuração do povo, chegando inclusive a irritar Moisés, ou ainda o fato de parte do povo ter enfraquecido na fé e adorado um bezerro de ouro (durante um período em que Moisés subiu ao monte para falar com o Senhor), Deus se manteve fiel a suas promessas, e durante todo esse período proveu água e alimento, por exemplo, o maná que caía do céu.

III. A Nação de Israel na Terra Prometida

Sob a liderança de Moisés, deixaram o Egito mais de dois milhões de hebreus. Havia uma estrada que ligava o Egito a Canaã. Passava pela terra dos Filisteus, ao sul de Canaã (hoje faixa de Gaza). Por este caminho, Israel chegaria a Canaã em cerca de um mês. Entretanto, “Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus, posto que mais perto, pois disse: Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e tornem ao Egito. Porém, Deus fez o povo rodear pelo caminho do deserto perto do Mar Vermelho” (Êx 13.17,18). Mesmo pelo “caminho do deserto”, Israel poderia ter chegado a Canaã em dois anos. Contudo, suas jornadas do Egito a Canaã levaram quarenta anos! Tal aconteceu porque, agravando-se a murmuração do povo, Deus os fez perambular pelo deserto por mais trinta e oito anos, até morrerem todos os que saíram do Egito com Moisés, exceto Josué e Calebe, que não murmuraram. As jornadas e acampamentos de Israel no deserto, suas murmurações e as extraordinárias provisões de Deus estão narradas no livro do Êxodo e resumidas em Números 33.

Calcula-se que Israel levou sete anos para conquistar Canaã. Moisés comandou a conquista das terras a leste do Jordão, e Josué os reinos do lado ocidental do Jordão. Algumas cidades e áreas somente seriam tomadas posteriormente por alguns heróis nacionais. Em seguida à conquista das terras a leste do Jordão, Moisés as deu por herança às tribos de Rubem, Gade e a meia tribo de Manassés. Josué, por sua vez, repartiu com as restantes nove tribos e meia os reinos conquistados do lado ocidental do Jordão (Js 13.7,8). A tribo de Levi, separada para o sacerdócio, não recebeu território, mas somente cidades (Js 13.7,8; 14.1-5; Js 21 e 1 Cr 6.54-81. Calebe e o próprio Josué receberam cada um uma cidade.

Antes de morrer, Josué reuniu todo o Israel e fez um discurso de despedida. Concluiu com este desafio: “Temei ao Senhor, e servi-o com integridade e com fidelidade […]. Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais […]. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.1-28). A bênção de Deus e a posse de Canaã dependeriam da fidelidade do povo a Javé, o Deus vivo e verdadeiro. Vale observar que, no Novo Testamento, Canaã é referida como Terra de Israel (Mt 2.20,21), Terra dos Judeus (At 10.39) e Terra da Promissão (Hb 11.9).

Conclusão

Quando Deus formou Israel seu propósito era que fosse um “reino de sacerdotes” para o Senhor, proclamando-o entre os gentios. Porém, depois dos reinados de Davi e de Salomão, os israelitas não foram fiéis à aliança. Por isso, Deus foi obrigado a discipliná-los, o que resultou na sua expulsão da terra, via exílio assírio (722 a.C.) e exílio babilônico (586 a.C.). Os profetas israelitas já haviam profetizado esses eventos, mas sempre acrescentavam que a nação seria redimida e restaurada à sua glória do passado por meio da vinda do Messias. Deus sempre guardou o povo escolhido, Israel. Protegeu-o das pragas do Egito, livrou-o do exército de Faraó, das picadas mortais das cobras no deserto. Em 1948, Israel, enfim, voltou para casa, mas continua incomodando o mundo. Embora os inimigos de Israel estejam sempre em seu encalço, a Bíblia diz que chegará um tempo em que os descendentes de Abraão serão restaurados, em sua plenitude, diante do Deus Todo-Poderoso, que prometeu: ”Desde o início, faço conhecido o fim, desde tempos remotos o que ainda virá. Digo: meu propósito ficará de pé e farei tudo o que me agrada” (Is 46.10).

Sugestão de Leitura da Semana: MENEZES, Walter. Liderança & Legado. São Paulo: Evangelho Avivado, 2018.