segunda-feira, 8 de junho de 2015

As Coisas de Deus ou as dos Homens?




Porque Pedro, que era tão firme pela verdade, às vezes tropeçava?

Pedro é um dos mais fascinantes personagens da Bíblia. Jesus viu o potencial deste "diamante bruto" e trabalhou para lapidá-lo num apóstolo eficiente, que mais tarde se tornou qualificado para servir como presbítero (1 Pedro 5:1).

Houve momentos de brilho na vida de Pedro. Ele não hesitou de modo nenhum em confessar Jesus, mesmo quando outros estavam inseguros a respeito dele (Mateus 16:13-20). Ele proclamava ousadamente o evangelho em Jerusalém, apesar das ameaças dos dirigentes judeus (Atos 4:18-31; 5:27-32). Ele tinha coragem para obedecer a Deus e pregar aos gentios, mesmo quando isso significava voltar-se contra 1500 anos de tradição religiosa (Atos, capítulos 10, 11 e 15).

Mas Pedro também cometeu alguns erros importantes. Ele agia, frequentemente, sem parar para escolher cuidadosamente seu rumo. Nesses momentos, Pedro repreendeu Jesus por falar de sua morte que se aproximava (Mateus 16:21-23), e até negou Cristo na sua hora mais difícil (Mateus 26:69-75); uma vez agiu como hipócrita ao recusar associar-se com os cristãos gentios (Gálatas 2:11-17).

Por que o mesmo homem, que era tão firme pela verdade, às vezes tropeçava? Encontramos a chave para o entendimento de Pedro, e talvez de nós mesmos, em Mateus 16. Quando Jesus elogiou a grande confissão de Pedro, disse: "Pois isso não lhe foi revelado por carne nem sangue, mas por meu Pai que está nos céus" (v. 17). Quando Jesus repreendeu Pedro por sua interferência no plano de Deus, disse: "Não tem em mente as coisas de Deus, mas as dos homens" (v. 23). Esta é a chave para nós entendermos Pedro: Quando pensava e agia com base na revelação de Deus, ele luzia brilhantemente. Mas quando permitia à sabedoria humana dirigir, ele tropeçava e pecava.

Pedro aprendeu, finalmente, esta lição. Ele veio a entender a importância do domínio próprio, perseverança e amor, e disse que aqueles que desenvolvessem tais qualidades não tropeçariam (2 Pedro 1:3-11). Este é o conselho de um apóstolo que cresceu em Cristo. É a chave para o sucesso espiritual. Precisamos enraizar firmemente nossas vidas na sabedoria da revelação de Deus. Se o fizermos, entraremos no reino eterno de nosso Salvador.



Autoridade
Qual o fundamento que usamos para descobrir a vontade de Deus?
Autoridade significa o direito e a capacidade de comandar, fazer leis, exigir obediência e julgar. Em outras palavras, a nossa autoridade é o fundamento ou o padrão que temos para distinguir o certo do errado. Em todas as áreas, tem que haver um padrão de autoridade. Para as distâncias, a autoridade é o metro; para o peso, é a balança; para o tempo, o relógio; na escola, o diretor. Dependemos da autoridade para tudo o que realizamos; sem autoridade, só há confusão e anarquia.

Também na religião, a autoridade é vital. Como podemos discernir o certo do errado? Qual o fundamento que usamos para descobrir a vontade de Deus?
A fonte da autoridade

    Deus

    Em última análise, Deus é a autoridade sobre todas as coisas. Ele nos criou; nos julgará; nunca erra. É o soberano governador sobre todas as coisas e sobre todas as nações (veja Daniel 4).
    Jesus

    No presente século, Deus deu toda a autoridade a seu Filho, Jesus Cristo (Mateus 17:5; 28:18). Jesus sempre transmite a mensagem de Deus (João 7:16; 12:48,49). Ele sempre fala a verdade (João 14:6; 18:37). É Senhor sobre o céu e a terra (Mateus 28:18; Efésios 1:21); sobre judeu e gentio (Romanos 10:12); sobre palavras, ações e pensamentos (Colossenses 3:17; Hebreus 4:12,13); sobre os vivos e os mortos (Romanos 14:9). Jesus apresentou as credenciais que provavam que sua autoridade não era apenas uma alegação infundada; ele tem de fato toda a autoridade. Seus maravilhosos ensinos, seu caráter, seus milagres, as profecias detalhadas que ele cumpriu e, acima de tudo, a sua ressurreição provam a afirmação de Jesus, de que ele é a autoridade absoluta.
    As Escrituras

    Jesus confirmou a autoridade da Bíblia. Ele confirmou a inspiração do Antigo Testamento. Muitas vezes, ao referir-se às Escrituras, disse: "não lestes . . .?" ou "está escrito". Ele disse que a Escritura não podia falhar (João 10:35), e nem mesmo um i ou um til jamais passaria da lei até que tudo se cumprisse (Mateus 5:18).

    Jesus afirmou a autoridade dos apóstolos. Ele prometeu enviar o Espírito Santo, o qual os guiaria para revelar toda a verdade (João 14:26; 15:26,27; 16:12,13). Enviou os apóstolos com a missão de lhe servirem como porta-vozes e representantes (João 20:21; Mateus 28:19,20; Atos 1:8). Os próprios apóstolos afirmaram ter recebido a sua mensagem por revelação de Deus (Efésios 3:3-5; 1 Tessalonicenses 4:2; 1 Coríntios 2:10-13).

    A mensagem dos apóstolos é registrada na Bíblia. Isso significa que as palavras das Escrituras são os mandamentos de Deus (1 Coríntios 14:37). A Bíblia é a revelação de Deus para o homem; é a nossa autoridade. As suas palavras são as palavras de vida eterna, as quais nos julgarão no último dia (João 6:68; 12:48).
    As fontes em que não se deve buscar autoridade

    Há coisas que se usam de modo errôneo como a autoridade religiosa. Algumas pessoas, por exemplo, seguem a sua consciência. Mas a consciência apenas mostra nossos pensamentos sobre o que é certo, mas não declara o que é objetivamente verdadeiro. Veja o caso de Paulo: ele tinha uma boa consciência, mesmo perseguindo os cristãos (Atos 23:1). Alguns obedecem as próprias idéias e desejos, mas o resultado é desastroso. (Veja Juízes 17-21, especialmente 17:6 e 21:25, que mostram o resultado das pessoas que fazem o que é bom aos próprios olhos.) Há pessoas que servem às tradições e às doutrinas dos homens. Jesus, porém, condenou os fariseus por observarem as tradições humanas (Marcos 7:1-13). Há ainda quem siga a igreja. As Escrituras mostram, no entanto, que as igrejas muitas vezes se afastam da verdade (Atos 20:29-31; 2 Tessalonicenses 2; 1 Timóteo 4:1-3; Apocalipse 2-3). Alguns seguem revelações posteriores, concedidas por algum mestre notável. Mas Paulo ensinou que, ainda que um anjo, vindo do céu, rvelasse algo que divergisse do evangelho, não deveríamos acreditar (Gálatas 1:6-9).

    A única autoridade satisfatória para nós em nosso serviço a Deus é a Bíblia.
    As características da nossa autoridade
    Escrita

    A autoridade de Deus é expressa em palavras. Ao escrever a Bíblia, seus autores o fizeram por inspiração do Espírito Santo. Os autores do Antigo Testamento falavam quando movidos pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:20-21), de modo que Deus falava pela boca deles (Atos 3:18, 21). Os escritores do Novo Testamento também proferiram as palavras escolhidas pelo Espírito Santo (1 Coríntios 2:13), de modo que, conseqüentemente, anunciaram os mandamentos do Senhor (1 Coríntios 14:37). Tanto o Antigo Testamento quanto o Novo são chamados de Escrituras (1 Timóteo 5:18), e as Escrituras como um todo são inspiradas por Deus (2 Timóteo 3:16-17). A palavra inspirada, que é usada neste trecho, significa literalmente "soprada por Deus". A Bíblia é a maneira que Deus usou para revelar a sua vontade ao homem.

    Às vezes, as pessoas ficam surpresas pelo fato de que Deus pudesse usar homens para escrever a sua revelação. Mas a sua capacidade de se revelar com exatidão por meio dos homens não se trata de uma idéia nova. Deus escolheu revelar-se por meio de Jesus Cristo. Jesus teve forma humana, mas ele foi a manifestação exata da natureza de Deus. Assim, também a Bíblia foi escrita por homens e, portanto, tem forma humana, mas expressa exatamente a vontade de Deus.
    Perfeita

    As Escrituras não têm erros. Da mesma forma que Jesus veio ao mundo como homem, mas jamais pecou, também a Bíblia foi escrita por homens, mas não contém erros. Deus não pode mentir (Números 23:19; 1 Samuel 15:29; Tito 1:2; Hebreus 6:18); portanto, tudo o que diz é verdade. Cada palavra da Bíblia é exatamente o que ele queria que estivesse escrito. Jesus disse que as Escrituras não podem falhar (João 10:35). Muitas vezes, os escritores do Novo Testamento fundamentam um argumento em apenas uma simples palavra das Escrituras (veja, em Hebreus 2:11-12, "irmãos"; em 3.7-4.13, "hoje"; em 8.8-13, "nova" etc.). Eles foram capazes de comprovar o que afirmavam com apenas uma palavra da Bíblia, porque cada palavra das Escrituras é verdadeira e precisa.
    Rigorosa

    As Escrituras devem ser aplicadas à risca. É assim que acontecia no Antigo Testamento. Moisés recebeu a ordem de construir o tabernáculo de acordo com o padrão que Deus lhe havia mostrado (Êxodo 25:9,40; 26:30; 27:8), e agiu exatamente como o Senhor lhe ordenou (Êxodo 40:16,19,21,23, 25,27,29,32). Portanto, Deus desceu e habitou no tabernáculo (Êxodo 40:34-38). Mais tarde, Moisés advertiu que não se retirasse nada da Palavra, nem lhe acrescentasse qualquer coisa (Deuteronômio 4:2; 12:32); também que o povo não se desviasse nem para a esquerda, nem para a direita (Deuteronômio 5:32-33; 17:20; 28:14). Deus ordenou que Josué não se voltasse para a esquerda, nem para a direita, mas agisse apenas segundo o que a lei mandava (Josué 1:7), e Josué mais tarde ordenou ao povo que fizesse o mesmo (Josué 23:6). Do começo ao fim do Antigo Testamento, ensinam-se princípios semelhantes. O Novo Testamento também deve ser aplicado com rigor. Só quem faz a vontade do Pai será abençoado (Mateus 7:21). É estritamente proibda a pregação de um evangelho que divirja da verdade das Escrituras (Gálatas 1:6-9). Paulo mostrou que, mesmo no caso de um acordo feito por homens, após firmado, ninguém pode acrescentar nem retirar nada (Gálatas 3:15). Acrescentar às Escrituras ou subtrair-lhes alguma coisa é absolutamente condenado (Apocalipse 22:18-19).

    Desobedecer à autoridade de Deus acarreta graves conseqüências. Quando Adão e Eva, no jardim, comeram o fruto que Deus lhes havia proibido, foram punidos severamente. Muitas vezes, Deus mostrou o seu parecer quanto à desobediência. Quando exigiu que não se trabalhasse no sábado, aquele que juntasse lenha naquele dia deveria ser apedrejado (Êxodo 35:2-3; Números 15:32-36). Quando ordenou que o fogo usado para o incenso fosse extraído de determinada fonte, os que ofereciam fogo estranho eram incinerados (Êxodo 30:9; Levítico 10:1-2). Quando Deus ordenou a Saul que destruísse completamente os amalequitas, este foi punido apenas por poupar alguns animais com o objetivo de oferecê-los em sacrifício a Deus (1 Samuel 15). Deus afirmou: ". . . o obedecer é melhor do que o sacrificar . . ." (1 Samuel 15:22). Deus castiga a desobediência.
    A necessidade de autoridade
    É necessário ter a permissão de Deus, ou seja, sua autorização antes de fazermos qualquer coisa. Se Deus não manifestou a sua aprovação, não temos o direito de agir. Isso é muito importante, apesar do fato muitos acreditam que podem fazer qualquer coisa que Deus não tenha proibido expressamente. Pessoas assim não vêem nenhuma necessidade para receber permissão do Senhor. Mas a Bíblia ensina que tudo o que está fora da autorização de Deus é errado.

    
    Não acrescentar

    Estamos proibidos de acrescentar alguma coisa ao que está escrito ou ultrapassá-lo (Deuteronômio 4:2; 12:32; Provérbios 30:5-6; Apocalipse 22:18-19; 1 Coríntios 4:6). Todas as boas obras encontram-se nas Escrituras; portanto, toda obra que não esteja nas Escrituras não é boa (2 Timóteo 3:16-17). Não temos direito algum de ultrapassar a doutrina de Cristo; antes, devemos permanecer debaixo de sua autoridade (2 João 9). Há apenas duas fontes de autoridade: ou de Deus ou do homem. Se determinada prática não se acha na Bíblia, ela provém do homem. No entanto, sabemos que o fato de seguir os ensinos do homem invalida a nossa adoração, e que os ensinos do homem serão retirados (Mateus 15:9,13). Isso quer dizer que não basta dizer que uma coisa não foi especificamente proibida; se Deus não expressa a sua permissão, então é errada.

    
    Não agir por presunção

    Agir sem a permissão clara de Deus é agir presunçosamente. A presunção é sempre condenada na Bíblia. Quando Saul atreveu-se a achar que não fazia mal se ele oferecesse os sacrifícios, ainda que Deus não houvesse dito isso, foi condenado (1 Samuel 13). Enquanto Naamã confiou presunçosamente que os rios da Síria lhe concederiam a purificação da mesma forma que o rio Jordão, continuou com lepra (2 Reis 5). Quando Nadabe e Abiú tomaram por certa a permissão de oferecerem outro fogo, a respeito do que Deus não falou, foram consumidos por Deus (Levítico 10). Quando Uzias confiou por presunção que um não-levita pudesse queimar incenso, ainda que Deus não o houvesse declarado, foi castigado com lepra (2 Crônicas 26). Fazer o que Deus não autorizou é agir por presunção e pecar.

    
    Exemplos bíblicos

    Observe o caso de Davi e a arca de Deus. Deus havia ordenado que a arca fosse transportada pelas varas sobre os ombros dos levitas. Não disse nada sobre transportá-la de carro de boi. Ele não especificamente proibiu isso; mas também não autorizou. Podemos agir sem a permissão de Deus? Podemos fazer o que ele não autorizou claramente? 1 Crônicas 13 e 15 respondem sem sombra de dúvida: "Não!". Por ser a arca, nesse caso, carregada de modo não permitido, Uzá foi atingido e morto por castigo. Antes de agir, devemos confirmar nas Escrituras se Deus aprova o que queremos fazer.

    Hebreus 7:12-14 é mais um exemplo disso. Para provar que a lei havia mudado, o escritor mostra que o sacerdócio (elemento fundamental da lei) foi mudado. Ele prova que esta mudança aconteceu da seguinte forma: Cristo é um sacerdote; ele é da tribo de Judá. Mas a lei do Antigo Testamento nunca mencionou sacerdotes de Judá. Portanto, a lei só podia ter sido mudada. Se a lei não dissesse nada a respeito de um sacerdote de certa tribo, não poderia haver nenhum sacerdote daquela tribo segundo a lei. O silêncio de Deus não dá permissão; seu silêncio proíbe. Se Deus não se pronuncia a respeito de uma ação, não se tem o direito de agir.

    
    Exemplos do dia-a-dia

    É fácil encontrarmos exemplos da necessidade de autoridade no dia-a-dia. Imagine que você tenha encomendado um par de sapatos do Mappim. Poucos dias depois, um enorme caminhão de entregas estaciona em frente a sua casa e dois homens fortes descem do veículo. Eles abrem as portas trazeiras do caminhão e arrastam com dificuldade duas caixas até o seu portão: uma caixa pequena de sapatos e outra enorme. Você vai até o portão e pergunta:

    -- O que é isso?

    -- A gente é do Mappin. Viemos entregar uma caixa de sapato e uma geladeira -- respondem. Imediatamente você liga para a loja e reclama:

    -- O caminhão de entregas de vocês acabou de trazer uma geladeira que eu não pedi. O funcionário que o está atendendo pede que espere um segundinho e volta ao telefone com a fatura em mãos.

    -- Deixe-me entender . . . O senhor não gostou porque os nossos entregadores deixaram uma geladeira em sua casa. É isso? — confirma ele.

    -- Exatamente — você responde. Então o funcionário retorna:

    -- Mas, senhor, eu estou com a sua nota bem aqui na minha mesa. E em lugar nenhum aqui o senhor declara que não queria receber uma geladeira. Obviamente, você não precisava ter dito para que não enviassem. O simples fato de você não ter solicitado aquele eletrodoméstico significa que a loja não estava autorizada a enviá-lo. Ou então imaginemos que eu tenha adoecido e fui procurar um médico, o qual me mandou à farmácia com uma receita. Após tomar o remédio por alguns dias, meu estado se agravou e retornei ao consultório. O médico liga para o farmacêutico e pergunta:

    -- Que componentes você colocou no remédio que deu ao meu paciente.

    -- O A, o B e o C, senhor — responde ele.

    -- Mas eu só disse que pusesse o A e o B . Por que você acrescentou o C? -- retorna o médico. Você pode imaginar o choque que o médico levaria se o farmacêutico respondesse: "Mas, senhor, a receita está bem na frente dos meus olhos, e não está escrito em lugar nenhum que eu não pudesse incluir o C"? Naturalmente, o farmacêutico não tinha direito algum de acrescentar uma droga sem autorização! Em qualquer momento da vida, sabemos que é necessário ter autoridade antes de agir.
    Para entender a autoridade
    A Bíblia refere-se às coisas como ligadas ou desligadas (Mateus 16:19; 18:18). Deus ligou algumas coisas e não deu nenhuma liberdade de escolha nesses casos. Ele desligou outras, dando-nos uma variedade de opções. Mas como sabemos qual é qual?

    Digamos que eu dê cinco reais ao meu filho e lhe peça que vá à padaria comprar pão. Ele volta com uma dúzia de pãezinhos, uma casquinha de sorvete, um pacote de chicletes, uma barra de chocolate e algumas moedinhas. Ele me obedeceu? Não. Eu não lhe dei autorização para comprar os doces. Mas e se eu lhe mandasse ao supermercado comprar frutas e ele retornasse com um cacho de bananas. Estaria me obedecendo? Sim. Porque eu “liguei” frutas, mas “desliguei” o tipo de frutas. Embora eu não tenha mencionado bananas especificamente, o fato de serem elas um tipo de frutas significa que meu filho me obedeceu ao comprá-las. Quando lhe pedi que comprasse frutas, as bananas eram permitidas, mas uma barra de chocolate não seria. De modo geral, quanto mais específica for a determinação, mais se "ligará" e menos ficará "desligado".

    Veja alguns exemplos bíblicos. Deus mandou que Noé construísse uma arca de tábuas de cipreste. Isso quer dizer que Noé não tinha a permissão da parte de Deus de construir a arca de cedro ou jacarandá. Por outro lado, Deus não especificou onde Noé encontraria a madeira: se compraria em depósitos de madeira, se cortaria ele mesmo as árvores, etc. Assim, o tipo de árvore estava "ligado", mas a forma de consegui-la estava "desligada".

    Deus mandou que Naamã mergulhasse no Jordão para ser purificado da lepra (2 Reis 5). Ele não tinha nenhum direito, portanto, de mergulhar nos rios da Síria, o Abana e o Farfar. Mas Deus não especificou em que altura do Jordão ele devia mergulhar. Deus "ligou" o rio, mas "desligou" a localização exata no rio.
    Aplicações
    É muito importante aplicar corretamente esses princípios de autoridade. Examine a questão do batismo. Deus ordenou que os crentes fossem batizados (Mateus 28:19; Marcos 16:16; Atos 2:41); mas não autorizou o batismo de recém-nascidos ou crianças de colo. Portanto, é errado batizá-las. Deus não especificou o local de batismo, então pode-se batizar num tanque, num rio, num oceano ou em qualquer outro lugar com água suficiente. Retornando ao exemplo acima, o batismo de crianças seria a barra de chocolate; o lago é a banana. Em outras palavras, Deus delimitou quem deve receber o batismo, mas não delimitou o local.

    Veja o exemplo da ceia do Senhor. Deus ordenou aos discípulos que lembrassem de sua morte compartilhando juntos do pão e do fruto da videira. Seria errado servir chá com bolo na Mesa do Senhor. Alguns podem afirmar que Deus não proibiu especificamente o uso de chá e bolo na ceia do Senhor, e isso é verdade. Mas ele não autorizou o seu uso; a ausência da permissão expressa de Deus significa que não temos direito algum de nos atrever a pensar que ele aceitaria esse acréscimo. Por outro lado, a Bíblia não especifica o tipo de prato em que se deve servir o pão. Temos, portanto, a permissão de usar o meio mais fácil para a distribuição do pão, uma vez que ainda estamos fazendo exata e somente o que Jesus ordenou: partilhando do pão e do suco da videira.

    Reflitamos sobre o uso da música no culto a Deus. O Novo Testamento nos autoriza a cantar (Efésios 5:19; Colossenses 3:16). Tocar piano ou teclados seria acrescentar algo que Deus não ordenou. Usar um livro de cânticos para não esquecer a letra não se trata de um acréscimo. No primeiro caso, estamos fazendo algo além de cantar: tocar. No segundo, ainda estamos apenas cantando. O instrumento musical é a barra de chocolate; o livro de cânticos, o embrulho das bananas.

    Há, naturalmente, muitas outras aplicações desses princípios. Precisamos ter a permissão de Deus antes de agir. Se Deus não se pronunciou sobre determinado assunto, não devemos atrever-nos a crer que ele se agradará se o fizermos. Devemos amar a Deus o bastante para questionar qualquer ensino ou prática religiosa: “Em que lugar Deus autorizou isso? Provém do Senhor ou é invenção humana?” E devemos ter a coragem de abandonar cada ato não autorizado. O mesmo Deus que consumiu Nadabe e Abiú com fogo do céu nos castigará se fizermos acréscimos ao que ele ordenou.


"Sejam Santos, Pois Eu Sou Santo"

Depois que Deus libertou os israelitas da escravidão no Egito, a primeira parada deles foi no Monte Sinai. Num encontro memorável com Deus, Moisés recebeu a lei que guiaria os israelitas durante 1500 anos.

Os pormenores dessa lei, às vezes, parecem tediosos, especialmente porque sabemos que ela não se aplica mais (veja Romanos 7:6; Gálatas 3:23-27). Mas no meio de todas as regras, encontramos uma passagem preciosa que explica a base de todas as leis divinas. Em Levítico 11:44-45, Deus desafia os israelitas com estas palavras: "Sejam santos, pois eu sou santo." Ele não queria que seu povo escolhido visse esta lei como uma coleção cansativa de ordenações sem significado, mas como um meio de criar e preservar o caráter santo que Deus deseja que seus amados tenham.

O caráter santo de Deus é o fundamento de cada lei que ele tem revelado ao homem. Ele criou o homem para ser um imitador espiritual da sua perfeição divina (feito à imagem de Deus ­ Gênesis 1:27). Revelando a si mesmo e sua vontade, ele tem continuamente desafiado suas criaturas a serem como o Criador. Considere três passagens que ilustram como a natureza de Deus é a base de sua lei:

1. Êxodo 19 e 20. O capítulo 20 contém os Dez Mandamentos, a parte mais familiar do pacto do Velho Testamento. Antes de Deus dizer estas palavras, ele revelou seu poder e santidade numa demonstração espantosa, completa com trovão, relâmpago, fumaça, fogo e terremoto. A lei foi baseada na pessoa de Deus.

2. Mateus 28:18-20. Jesus deu a um humilde grupo de 11 pessoas a responsabili-dade de levar o evange-lho ao mundo. O que lhe deu o direito de fazer tal exigência? O "portanto" do versículo 19 indica a exaltada posição de Cristo descrita no versículo 18. Por ser ele quem é, os onze obedeceram e nós devemos obedecer.

3. Atos 2:36-38. A poderosa conclusão de Pedro, no sermão do Pentecostes, mostra Jesus no trono como Senhor (com toda autoridade) e Cristo (aquele ungido escolhido por Deus). A resposta natural de seus ouvintes culpados foi: "Que faremos?" Pedro ordenou que eles se arrependessem e fossem batizados para a remissão dos pecados. Não é um mandamento vazio, mas um que é baseado na divina natureza de Jesus.

Deus espera que o sirvamos e sejamos santos por uma única razão: ELE É SANTO!