sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

TEXTO (ÊXODO 20.1-2)

1. Então, falou Deus todas estas palavras: 2. Eu sou o SENHOR, teu Deus, que tirei da terra do Egito, da casa da servidão.

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      INTRODUÇÃO

Os Dez Mandamentos são uma passagem das Escrituras muito bem conhecida. É interessante que mesmo descrentes são capazes de citar alguns senão todos os mandamentos. Não obstante, os Dez Mandamentos são extremamente negligenciados e desprezados em um mundo corrompido e avesso a tudo aquilo que pertence a Deus. Familiaridade com os Dez Mandamentos não significa amor pelos mesmos ou disposição para cumpri-los. Mesmo na igreja a familiaridade com os Dez Mandamentos tem os seus perigos: “Familiaridade, por outro lado, tem suas desvantagens, visto que as pessoas tendem a ignorar aquilo que elas acreditam que entendem”.[1] Um exemplo disso, queridos irmãos, é o fato de que quando pensamos nos Dez Mandamentos, dificilmente entendemos que essa pequena introdução faz parte dos mesmos. E mais, dificilmente entendemos que compreender essa pequena introdução é de grande importância para podermos obter o correto entendimento dos Dez Mandamentos e, assim, sermos abençoados. Por qual razão os dois primeiros versos dos Dez Mandamentos são importantes?

Hoje consideraremos apenas o primeiro versículo de Êxodo 20, e veremos o fundamento da real importância dos Dez Mandamentos.

ELUCIDAÇÃO

O povo estava ao pé do Monte Sinai. Ele tinha acabado de experimentar o poderoso livramento da parte do Senhor. O propósito de Deus era que o povo, ao ser liberto do Egito, o adorasse e o servisse no deserto: “Dirás a Faraó: Assim diz o SENHOR: Israel é meu filho, meu primogênito. Digo-te, pois: deixa ir meu filho, para que me sirva; mas, se recusares deixa-lo ir, eis que eu matarei teu filho, teu primogênito” (Êxodo 4.23). Então, uma fez fora do Egito, o povo deveria se preparar para servir ao Senhor. Pecador como era, o povo não poderia se aproximar do Senhor de qualquer forma. Ele não poderia servir a Deus como bem entendesse, como bem quisesse. Era necessário que o Senhor fornecesse algumas diretrizes, mandamentos específicos para que o povo soubesse exatamente como deveria andar na presença de Deus.

E assim tem início o texto que lemos.

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  EXPOSIÇÃO DA PASSAGEM
VERSÍCULO 1: “Então, falou Deus todas estas palavras”.

Irmãos, essas palavras são de grande importância. Elas “claramente indicam a origem divina da Lei”.[2] Thomas Watson afirma que, essas palavras são como o “som de uma trombeta antes de uma solene proclamação. Em outras partes da Bíblia é dito que elas foram proferidas pelas bocas de santos profetas (Lucas 1.70), mas aqui Deus em pessoa é quem fala”.[3] “Enquanto as Escrituras subsequentes atribuem a autoria da Lei a Moisés (Êx 24.4; Jo 1.45), seu prólogo nos diz que o seu autor último é Deus”.[4]

A implicação clara, meus amados irmãos, é que devemos encarar os mandamentos divinos com a máxima seriedade. Aqui, Deus não se utilizou da instrumentalidade de seus servos, os profetas. O próprio Deus, condescendendo à nossa pequenez, falou, proferiu o conteúdo dos seus santos mandamentos. Ao considerarmos os Dez Mandamentos, lembremos que o seu Autor os proferiu imbuídos de dois requisitos essenciais:

(1) Ele falou com sabedoria. Como afirmou Jó: “Ele é sábio de coração” (9.4). Deus possui o monopólio da sabedoria.[5]

(2) Ele também falou com autoridade. Deus possui o supremo poder em sua mão. É Deus quem dá aos homens a vida. E Aquele que dá aos homens as suas vidas tem o direito de exigir que eles andem de acordo com suas leis.

Irmãos, se Deus falou essas palavras, então devemos atender a elas com reverência. Cada palavra da lei moral é um oráculo do céu. O próprio Deus é o pregador, que convoca à obediência. O nosso texto diz: “Então, falou Deus todas estas palavras”. Irmãos, com que veneração devemos atender ao que o Senhor diz! Com que respeito e reverência devemos atender aos Dez Mandamentos!

Outra implicação, é que já que o Senhor falou todas as palavras aqui contidas, devemos lembra-las sempre. De fato, querido, tudo o que Deus falou nas Sagradas Escrituras é digno de ser lembrado. As palavras de Deus possuem um peso enorme para a nossa salvação: “Porque esta palavra não é para vós outros coisa vã; antes, é a vossa vida” (Deuteronômio 32.47). Nosso coração deve ser como a arca, dentro da qual ficavam as duas tábuas com os Dez Mandamentos. Devemos mantê-los guardados aqui dentro do nosso coração.

Uma terceira implicação, é que já que os Dez Mandamentos foram proferidos diretamente pelo Senhor, devemos acreditar em cada um deles. Devemos ver o nome de Deus em cada mandamento. Irmãos, se Deus falou cada uma destas palavras, então, devemos dar crédito a cada uma delas. O grande erro de Eva foi dar mais crédito às palavras da serpente do que à Palavra de Deus. Incredulidade enfraquece a virtude da Palavra de Deus e a torna abortiva em nossas vidas. De nada adianta ouvir a Palavra e não crer que ela tem a sua origem diretamente dos céus.

Irmãos, se Deus falou todas estas palavras, então, devemos amá-las. Devemos ter o mesmo sentimento que houve no salmista Davi: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação todo o dia!” (Salmo 119.97); “Considera em quanto amo os teus preceitos...” (Salmo 119.159). Irmãos, a lei moral é a cópia da vontade de Deus. Ela é o nosso diretório espiritual, que nos mostra o que fazer para que os pecados sejam evitados, e quais deveres devem ser cumpridos. "Os Dez Mandamentos são como uma corrente de pérolas para nos adornar; eles são o nosso tesouro para nos enriquecer, pois eles são mais preciosos que as especiarias da terra e as rochas de diamantes”.[6] Davi expressou essa verdade: “Para mim vale mais a lei que procede de tua boca do que milhares de ouro ou de prata” (Salmo 119.72).

Por fim, queridos irmãos, se Deus falou todas estas palavras, então, cada uma delas deve ser obedecida. Quando um rei fala, a sua palavra exige lealdade. Assim, muito maior lealdade é exigida quando Deus fala. As suas palavras devem ser prontamente obedecidas. Ele não deseja que obedeçamos apenas a alguns de seus mandamentos. Cada palavra falada por Ele exige obediência.

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  CONCLUSÃO
Quero concluir, meus amados irmãos, depois de termos ouvido sobre as implicações do primeiro versículo de Êxodo 20, refletindo com os irmãos a respeito de uma pergunta simples: “Quem pode obedecer a todos os mandamentos de Deus?”[7] Irmãos, obedecer à lei perfeitamente, no sentido jurídico, ninguém pode, ninguém é capaz. O pecado cortou a nossa capacidade de obediência perfeita aos mandamentos de Deus. O pecado despedaçou a nossa justiça original, onde a nossa capacidade repousava. Porém, em um verdadeiro sentido, por causa do evangelho, podemos obedecer à lei moral, como prova da nossa aceitação por parte do Senhor. A obediência do evangelho consiste em um esforço real por observar toda a lei moral: “Espero, SENHOR, na tua salvação e cumpro os teus mandamentos” (Salmo 119.166). Porque Davi cria na salvação, ele encontrava disposição para obedecer à lei moral. Isso não quer dizer que sejamos capazes de fazer tudo aquilo que nos é exigido. Significa, antes, que devemos fazer tudo aquilo que estiver ao nosso alcance para obedecermos às palavras faladas pelo Senhor na sua santa Lei.



Fontes:http://www.cristaoreformado.com/2012/03/introducao-ao-estudo-dos-os-dez.html

Os Dez Mandamentos:Valores divinos para uma sociedade em constante mudança.Soares,Esequias.Cpad,2015


http://www.jesussite.com.br/artigos/contradicoes_txt.asp?Cod=8