quinta-feira, 13 de abril de 2017

Mulheres Direcionadas por Deus: 5 - Rebeca - Uma mulher Dedicada




Suponhamos que você mesmo pudesse escolher uma esposa para o seu filho. Que tipo de mulher escolheria? Que qualidades ela deveria ter? Procuraria uma mulher fisicamente atraente, inteligente, bondosa e trabalhadora? Ou procuraria primeiro alguma outra virtude?
Abraão se viu confrontado com esse dilema. Deus havia prometido que seus descendentes teriam bênçãos por meio do seu filho Isaque. Porém, a essa altura da narrativa, Abraão já era idoso, mas o seu filho ainda era solteiro. (Gênesis 12:1-3, 7; 17:19; 22:17, 18; 24:1) Já que Isaque compartilharia bênçãos com uma esposa que ainda seria encontrada e com quaisquer descendentes que viessem a ter, Abraão providenciou que se procurasse uma esposa adequada para seu filho. Acima de tudo, ela tinha de ser serva de Deus. Visto que em Canaã, onde Abraão morava, não se podia encontrar uma moça assim, ele tinha de encontrá-la em outro lugar. A moça finalmente escolhida foi Rebeca. Como foi encontrada? Era uma moça espiritual? O que podemos aprender por considerar o seu exemplo?

A procura duma moça com as qualidades necessárias

Abraão enviou seu servo mais antigo, provavelmente Eliézer, à distante Mesopotâmia, a fim de escolher uma noiva para Isaque dentre os parentes de Abraão que também adoravam a Jeová. O assunto era tão sério, que se fez Eliézer jurar que não tomaria uma cananéia como esposa para Isaque. A insistência de Abraão nisso é digna de nota. — Gênesis 24:2-10.
Depois de viajar até a cidade dos parentes de Abraão, Eliézer levou os seus dez camelos a um poço de água. Imagine a cena! Já estava anoitecendo, e Eliézer orou: “Eis que me acho de pé junto a uma fonte de água e vêm saindo as filhas dos homens da cidade para tirar água. O que tem de acontecer é que a moça a quem eu disser: ‘Por favor, inclina o teu cântaro para que eu possa beber’, e que deveras disser: ‘Bebe, e darei de beber também aos teus camelos’, esta é a que tens de determinar ao teu servo, a Isaque. ” — Gênesis 24:11-14.
Conforme toda mulher daquela região sabia, um camelo sedento podia beber muita água (até 100 litros). De modo que a moça que se oferecesse a dar água a dez camelos tinha de estar disposta a trabalhar muito. Sua disposição para fazer isso, enquanto outras, só olhariam sem fazer nada, seria uma prova concreta de que ela tinha energia, paciência, humildade e era bondosa com as pessoas e com os animais.
O que aconteceu? “Bem, sucedeu que, antes de ele ter acabado de falar, ora, eis que saía Rebeca, que nascera a Betuel, filho de Milca, esposa de Naor, irmão de Abraão, e ela tinha seu cântaro no ombro. Ora, a moça era de aparência muito atraente, era virgem, . . . e ela desceu até a fonte e começou a encher o seu cântaro, e depois subiu. O servo correu imediatamente ao seu encontro e disse: ‘Por favor, dá-me um gole de água do teu cântaro. ’ Ela, por sua vez, disse: ‘Bebe, meu senhor. ’ Com isso ela abaixou depressa o seu cântaro sobre a sua mão e deu-lhe de beber.” — Gênesis 24:15-18.

Será que Rebeca tinha as qualidades necessárias?

Rebeca era sobrinha-neta de Abraão, e além de ser bela, tinha virtudes. Ela não se refreou de falar com um estranho, mas também não tomou liberdades indevidas. Atendeu Eliézer quando pediu algo para beber. Isso era de esperar, como sinal de cortesia. Que dizer da segunda parte da prova?
Rebeca disse: “Bebe, meu senhor. ” Mas não disse só isso. Ela prosseguiu: “Tirarei também água para os teus camelos até que acabem de beber. ” Ela ofereceu mais do que normalmente se esperaria. Com boa disposição, “ela esvaziou depressa o seu cântaro no bebedouro e correu ainda várias vezes ao poço para tirar água, e continuou a tirar água para todos os seus camelos”. Mostrou que era bem ativa. “Todo esse tempo”, diz o relato, “o homem fitava-a admirado”. — Gênesis 24:19-21.
Ao saber que a moça tinha parentesco com Abraão, Eliézer se prostrou em agradecimento a Deus. Perguntou-lhe se havia lugar na casa do pai dela para ele e os seus companheiros de viagem passarem a noite. Rebeca respondeu que havia, e correu para casa levando a notícia a respeito dos visitantes. — Gênesis 24:22-28.
Depois de ouvir a história de Eliézer, o irmão de Rebeca, Labão, e o pai dela, Betuel, perceberam que Deus estava orientando as coisas. Rebeca certamente era a escolhida para ser esposa de Isaque. “Toma-a e vai-te”, disseram, “e torne-se ela esposa do filho do teu amo, assim como Deus falou”. O que diria Rebeca? Quando lhe perguntaram se queria partir imediatamente, ela respondeu com uma só palavra hebraica, que significa: “Estou disposta a ir. ” Ela não era obrigada a aceitar a proposta. Abraão deixou isso claro ao dizer que Eliézer ficaria livre do seu juramento, ‘se a mulher não quisesse vir’. Mas Rebeca também viu a mão de Deus no assunto. De modo que, sem demora, ela deixou a família para se casar com um homem que nem conhecia. Essa decisão corajosa foi uma notável demonstração de fé. Sem dúvida, ela era a escolha certa! — Gênesis 24:29-59.
Ao se encontrar com Isaque, Rebeca pegou um véu e se cobriu, provando a sua submissão. Isaque se casou com ela e, sem dúvida, por causa de suas excelentes qualidades, amou-a muito. — Gênesis 24:62-67.

Filhos gêmeos

Rebeca não teve filhos por uns 19 anos. Por fim, ela ficou grávida de gêmeos, mas a gravidez foi difícil, porque os filhos lutavam no seu ventre, fazendo Rebeca clamar a Deus. Podemos fazer o mesmo em ocasiões de grande aflição na vida. Deus ouviu Rebeca e a tranqüilizou. Ela se tornaria mãe de duas nações, e ‘o mais velho serviria ao mais jovem’. — Gênesis 25:20-26.
Essas palavras talvez não fossem o único motivo por que Rebeca amava mais o filho caçula, Jacó. Os meninos eram diferentes. Jacó era “inculpe”, ao passo que Esaú dava muito pouca importância a assuntos espirituais que, para obter uma só refeição, vendeu a Jacó a sua primogenitura, seu direito de herdar as promessas de Deus. Ao casar-se com duas moças hititas, Esaú mostrou falta de respeito — e até desprezo — por valores espirituais, causando muita amargura aos seus pais. — Gênesis 25:27-34; 26:34, 35.

Garantida a bênção para Jacó

A Bíblia não diz se Isaque sabia que Esaú teria de servir a Jacó. De qualquer modo, tanto Rebeca como Jacó sabiam que a bênção era para ele. Assim, Rebeca passou a agir ao ouvir que Isaque pretendia abençoar Esaú quando este lhe levasse um prato de carne de caça. Ela não havia perdido a determinação e o zelo que a caracterizavam na sua juventude. ‘Mandou’ que Jacó lhe trouxesse dois cabritinhos. Ela ia preparar um prato que seu marido gostava. Daí, Jacó tinha de fazer-se passar por Esaú para obter a bênção. Jacó objetou. Seu pai com certeza ia perceber a manobra e amaldiçoá-lo! Rebeca insistiu: “Venha sobre mim a invocação do mal dirigida contra ti, meu filho”, disse ela. Depois ela fez o prato, disfarçou Jacó e o enviou ao seu marido. — Gênesis 27:1-17.
A Bíblia não diz por que Rebeca agiu assim. Muitos condenam sua ação, mas a Bíblia não faz isso, nem tampouco Isaque a condenou ao descobrir que Jacó havia recebido a bênção. Antes, Isaque acrescentou mais coisas à bênção. (Gênesis 27:29; 28:3, 4) Rebeca sabia o que Deus predissera a respeito dos seus filhos. De modo que agiu para garantir que Jacó recebesse a bênção que de direito lhe pertencia. Isso estava claramente em harmonia com a vontade de Deus. — Romanos 9:6-13.

Jacó é enviado a Harã

Rebeca frustra os planos de Esaú por exortar Jacó a fugir até que a ira de seu irmão se aplacasse. Ela busca o consentimento de Isaque para o seu plano, mas bondosamente evita mencionar a ira de Esaú. Antes, com tato, apela para o marido e expressa preocupação quanto à possibilidade de Jacó se casar com uma cananéia. A mera idéia disso foi suficiente para persuadir Isaque. Ele ordenou que Jacó evitasse um casamento desses e o enviou para a família de Rebeca, a fim de conseguir uma esposa que temesse a Deus. Não há registro de que Rebeca tenha visto Jacó novamente, mas a sua ação trouxe uma rica recompensa para a futura nação de Israel. — Gênesis 27:43-28:2.
O que sabemos sobre Rebeca nos faz admirá-la. Ela era fisicamente muito atraente, mas a sua verdadeira beleza era a devoção piedosa. Era isso o que Abraão procurava numa nora. As outras boas características que ela tinha provavelmente superaram todas as expectativas de Abraão. A fé e a coragem que ela demonstrou ao acatar a orientação divina, seu zelo, sua modéstia e sua hospitalidade generosa são qualidades que todas as mulheres cristãs fariam bem em imitar. Estas são as qualidades que o próprio Jeová procura numa mulher realmente exemplar.