sábado, 20 de junho de 2020

Comentário Bíblico Mensal: Junho/2020 - Capítulo 3 - Vivendo as Palavras de Cristo




Comentarista: Marcos Rogério



Texto Bíblico Base Semanal: Mateus 7.21-29

21. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
23. E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.
24. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
25. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
26. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;
27. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.
28. E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina;
29. Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas.

Momento Interação

Nós, cristãos, sabemos que a partir do momento que nos entregamos para Jesus nossos desejos e vontades têm que ficar em segundo plano e os nossos projetos têm que passar pela aprovação de Deus ou então não darão certo. Sabemos disso tudo, mas é fácil viver assim? Penso que não. Viver uma vida totalmente guiada por Cristo é difícil, pois todo homem tem a natureza pecaminosa (o que pode ser mudado por Deus), mas também é difícil porque o homem em si tende a viver para cumprir SEUS propósitos, viver SEUS sonhos, e SE dar bem. Mas como sabemos que não somos nada e que nossa vida passará (1 Pe 1.24, Tg 4.14-17), buscamos viver uma vida para Cristo. 

Nada para o cristão é fácil e viver uma vida para Cristo nesse mundo é uma das tarefas mais complicadas que existe. Ainda bem que temos a bíblia, nosso manual, para nos basearmos nela e buscar todas as instruções de como viver uma vida pra Cristo (2 Tm 3.16,17). Servir a Jesus e viver a vida dEle é um desafio. Haverão dias que tomaremos decisões corretas com facilidade mas também haverão dias em que erraremos com facilidade (1 J 1.6,8,10), é cheio de altos e baixos, mas uma coisa é certa: Aquele que busca se santificar esse aperfeiçoar na vida de Cristo consegue mesmo nas lutas e muitas adversidades se recompor após cada queda, sacudir a poeira, pedir perdão e recolocar seus pés nos trilhos do caminho do Senhor.

Introdução

As palavras de Jesus foram as maiores pérolas de sabedoria já proferidas na face da Terra. Seria tudo em vão para nós como indivíduos se não as colocarmos em prática em nossa vida. As palavras de graça que saíram dos lábios do Salvador devem ter profunda implicação espiritual em nossa vida. Estudamos os ensinos do Salvador como discípulos anelantes de aprender com seu mestre. Jesus foi o maior Mestre de todos os tempos e foi muito mais que um simples mestre. Jesus é o Deus encarnado o qual veio nos mostrar o caminho a seguir para nossa salvação.

I. A Fidelidade a Cristo

Pedro foi crucificado de cabeça pra baixo no ano 67 d.C. Tiago foi decapitado por ordem do rei Herodes Agripa I por volta de 44 d.C. João foi preso e desterrado para a rochosa ilha de Patmos para trabalhar nas minas como escravo. Mateus foi morto a espada na Etiópia. Tiago foi lançado do pináculo do templo de Jerusalém e apedrejado até a morte. André foi crucificado em Ática, na Ásia Menor. Bartolomeu foi esfolado vivo. Simão, o Zelote foi martirizado até expirar por ordem do imperador Trajano. Tomé afamado erroneamente como incrédulo foi atravessado com uma lança em Coromandel. Marcos foi arrastado pelas ruas de Alexandria até morrer. Judas Tadeu foi cravado de flechas. Lucas foi enforcado numa oliveira quando estava na Grécia. Estêvão morreu apedrejado pelos líderes do "povo de Deus". Paulo foi decapitado em Roma por ordem de Nero. Matias foi apedrejado e em seguida decapitado.

Isso sem falar nos demais cristãos desses últimos dois mil anos e o que dizer dos profetas? Durante toda a história da humanidade, os que querem ser fiéis tem sofrido todo tipo de injustiça e perseguição. Quando Policarpo foi instado a negar a Cristo disse: Por oitenta e seis anos eu o tenho servido e Ele nunca me fez mal algum e como posso blasfemar do meu Rei que me tem salvado? Policarpo foi queimado vivo por amor a Jesus Esses fatos históricos e as histórias bíblicas igualmente verídicas nos ensinam que devemos ser fiéis a Jesus não somente quando tudo está bem, mas também quando tudo estiver aparentemente ruim.

II. Ouvindo as Palavras de Jesus

A mensagem central de Jesus era o reino de Deus. Através de histórias, de parábolas e outros meios, Jesus contrastava a eternidade e superioridade do reino de Deus com a brevidade dessa vida e sua falta de sentido. Uma vida sem Deus não tem sentido. A frase "reino dos céus" ou "reino de Deus" é uma das que mais brotam dos lábios do Salvador conforme relatam os quatro Evangelhos. Um paliativo para o homem cansado das agruras desse mundo tenebroso, cheio de frustração e sofrimento. É através do arrependimento e fé no Salvador e a aceitação de Seus sacrifício viário que temos acesso ao reino de Deus. Podemos vislumbrar esse reino pela fé quando nossa natureza e transformada e passamos a ser cidadãos desse reino celestial aqui, ainda nessa Terra. O cerne da mensagem de Jesus onde o homem adquiri a promessa da vida eterna é o arrependimento.

O governo teocrático de Israel havia passado e agora Roma governava Israel. Cristo, nesse contexto, falava de um novo reino, um novo governo teocrático, uma nova esperança, mas uma esperança eterna onde o reino inaugurado jamais seria substituído por outro reino. A mente dos homens era encaminhada para um reino superior onde habitaria a justiça (2 Pd 3.13). No decorrer de todo o Seu ministério, Jesus explicou o que se requeria do homem. Uma parte central da mensagem do Mestre era a mensagem sobre o reino de Deus. A nação judaica sabia do intento de Deus em reinar sobre Seu povo, mas imaginavam que Deus restabeleceria novamente uma teocracia sobre a nação em termos também de uma soberania política. 

Eles não entendiam a natureza espiritual do reino de Deus. Nas parábolas e outros métodos pedagógicos de Cristo, o reino de Deus era descrito como aquilo que é mais importante para o homem. O reino de Deus é comparado ao grão da mostarda (Mt 13.31,32; Mc 4.30-32) e como o fermento (Mt 13.33; Lc 13.20,21) e também como o tesouro escondido no campo (Mt 13.44) e uma pérola excelente, uma pérola de grande valor (Mt 13.45), que vale todo sacrifício e renúncia para obtê-la. O reino de Deus vale todo sacrifício e renúncia dos objetivos egoístas humanos para obtê-lo.

III. Vivendo e Cumprindo as Palavras de Jesus

Jesus viveu a plenitude do Evangelho exemplificando na Sua vida o verdadeiro amor, o amor abnegado, o amor ágape. Jesus aprendeu com seu pai terrestre a profissão de carpinteiro e sua mãe lhe ensinou os preceitos religiosos como era costume da época. Jesus estudava as Escrituras como todo menino da sua idade e a educação que recebeu de pais zelosos e que lhe contaram os atos miraculosos de Deus a favor deles livrando Jesus da morte por meio de Herodes.

Jesus se destacava das crianças da sua idade crescendo em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens (Lc 2.52). Nesse relato de Lucas os próprios doutores da lei se surpreenderam com o conhecimento das Escrituras por parte de Jesus (Lc 2.47). Por volta dos seus trinta anos de idade, Jesus foi batizado por seu primo João Batista no rio Jordão (Mt 3.13-17; Mc 1.9-11 e Jo 1.32-34) dando início ao Seu ministério terrestre que durou três anos e meio culminando com sua morte na cruz do Calvário (Lugar da Caveira). 

Logo aos ser batizado Jesus se retirou para o deserto sob a direção do Espírito Santo e jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e foi duramente tentado por Satanás (Mt 4.1-11; Mc 1.12,13; Lc 4.1-13) e resistiu as tentações dando-nos exemplo de perfeita obediência, pois ao homem Deus não permite que seja tentado além das suas forças (1 Co 10.13), pois somente Cristo foi tentado acima das forças humanas sendo Ele o segundo Adão (1 Co 15.45) e hoje é poderoso para socorrer os que são tentados porque experimentou-lhes as dores (Hb 2.18). Jesus iniciou a pregação do Evangelho logo após a tentação no deserto, mas foi no episódio conhecido como o Sermão do Monte onde Ele mostrou a plenitude de Seu Evangelho mas antes dessa ocasião já percorria toda a Galiléia pregando o Evangelho do reino e curando as enfermidades do povo (Mt 4.23-25). A obra de Cristo era tanto médica como missionária. Jesus aliviava o sofrimento e pregava as boas novas. Essa é uma ótima estratégia missionária!

Conclusão

Seguir ao Senhor Jesus e colocar em prática Suas palavras é o mais alto privilégio do cristão e sua maior honra e também responsabilidade. Jesus pregou a verdade sem se importar com o que as pessoas diriam ou fariam: "Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram?" (Mt 15.12). "Chegando, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te impostas com quem quer que seja, porque não olhar a aparência dos homens; antes, segundo a verdade, ensinas o caminho de Deus; é lícito pagar tributo a César ou não? Devemos ou não devemos pagar?" (Mc 12.14). "Muitos dos seus discípulos, ouvindo tais palavras, disseram-lhe: Duro é este discurso, quem o pode ouvir? A vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele" (Jo 6.60,66).



Sugestão de Leitura da Semana: RIBEIRO, Anderson. O Sermão da Montanha. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

A Intercessão da Igreja Primitiva a favor de Pedro




Em Atos 12 registra que a igreja primitiva enfrentava uma grande perseguição por causa do Evangelho. O texto destaca que dois homens foram alvos dessa perseguição, Tiago e Pedro. O rei Herodes ocasionou tudo isso, inclusive mandava prender alguns com objetivo de maltratá-los, fez passar ao fio da espada Tiago, irmão de João (At 12.1-2). Os judeus gostaram da atitude de Herodes, o rei prosseguiu nisso e prendeu também o apóstolo Pedro. Quando a igreja recebe a informação que Pedro estava preso, passa a orar incessantemente a favor dele (At 12.5). Portanto, nesse texto analisaremos a oração dessa igreja a favor de Pedro.

Pedro na prisão

Tendo-o feito prender, lançou-o no cárcere, entregando-o a quatro escoltas de quatro soldados cada uma, para o guardarem, tencionando apresentá-lo ao povo depois da Páscoa (At 12.4).

Pedro foi lançado na prisão por ordem de Herodes, pois isso era uma atitude que agradava os judeus. Em nenhuma parte do texto encontramos Pedro murmurando ou com medo da morte. Então, como ele poderia ter paz sabendo que estava prestes a morrer? A resposta encontra-se em João (21.18,19), Jesus deixou claro que Pedro morreria velho e na cruz, não pela espada como Tiago (Vv 2).

Pedro confiou na promessa de Cristo, precisamos confiar semelhantemente nelas, pois Deus estabeleceu em sua palavra várias promessas para o nosso conforto em tempos de tribulações. Como disse William Spurstowe sobre meditar nas promessas de Deus:

“O boticário não infunde nenhuma virtude às ervas, mas as destila e extrai delas tudo quanto é eficaz e proveitoso. A abelha não incute nenhuma doçura à flor, mas suga pela diligência o mel latente nela. A meditação não transmite nada de valor à promessa, mas lhe extrai a doçura e lhe descobre a beleza, pois, doutro modo, pouco se lhe poderia fazer ou tirar proveito”.[1]

Assim, fica evidente o valor de meditarmos nas promessas de Deus. Aplique textos como Mateus 28.19, Isaias 43.1-5, João 14 que falam sobre as promessas do Espírito Santo, são ótimos textos para meditar e renovar nossa fé em Cristo.

Pedro liberto da prisão

Quando Herodes estava para apresentá-lo, naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, acorrentado com duas cadeias, e sentinelas à porta guardavam o cárcere.
Eis, porém, que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão; e, tocando ele o lado de Pedro, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa! Então, as cadeias caíram-lhe das mãos (At 12.6,7).

Enquanto Pedro dormia entre os soldados, o anjo do Senhor apareceu e o libertou da prisão. Tudo isso aconteceu, devido a oração incessante da igreja a favor dele (At 12.5). Segundo Wiersbe, “não devemos nunca subestimar o poder de uma igreja que ora. Os crentes oraram de forma incessante, decisiva e corajosa. Deus honrou as orações deles e trouxe glória para si mesmo, apesar da descrença deles quando Pedro apareceu”.[2]

Semelhantemente, devemos orar pelos missionários que estão ministrando a palavra de Deus onde o Evangelho é proibido. Cada um deles necessitam das nossas orações, por mais que não tenhamos condições de ajudá-los financeiramente, podemos fazer isso com as nossas orações. Portanto, ore por eles!

O juízo de Deus sobre os inimigos do Evangelho

Em dia designado, Herodes, vestido de trajo real, assentado no trono, dirigiu-lhes a palavra; e o povo clamava: É voz de um deus, e não de homem! No mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, expirou (At 12.21-23).

Deus executará seu juízo sobre os inimigos do Evangelho. Herodes é um exemplo disso, “que morreu no ano 44. Deus, zela pela sua glória que a Ele pertence, pune o homem vaidoso”.[3] Herodes tinha assinado Tiago e pretendia matar Pedro, mas Deus o puniu por seus atos pecaminosos de adoração blasfema e por não reconhecer a soberania de Deus.

Nada pode deter o avanço do Evangelho, apesar das perseguições que se levantaram contra a igreja de Cristo, a Palavra de Deus crescia e se multiplicava (At 12.24). Jesus disse para os seus discípulos que as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja (Mt 16.18). Logo, o trabalho da igreja em divulgar o Evangelho irá sempre progredir mesmo diante das oposições e Deus um dia punirá os seus inimigos.

Conclusão

A oração da igreja primitiva a favor de Pedro pode nos ensinar muitos princípios práticos para a vida cristã quanto a oração. Primeiro, devemos sempre orar por aqueles que estão sendo perseguidos por causa do Evangelho em países onde o nome de Cristo não pode ser anunciado. Segundo, Deus ouve as orações da sua igreja quando ela se dispõe a orar incessantemente por seus ministros em tempos de aflições. Terceiro, nada pode impedir o avanço do Evangelho, se queremos que ele alcance mais pessoas é necessário orar, era isso que igreja primitiva fazia. Portanto, tenha uma vida de oração, porque dela dependa a sua vida cristã. Muitas vidas precisam ser alcançadas por meio da palavra de Deus, e a oração é imprescindível nisso, ore para que o Reino de Deus continue avançando no mundo. 

 

Sidney Muniz


Notas:



[1] Igreja Puritana Reformada em São Paulo

[2] Comentário de Warren W. Wiersbe

[3] Bíblia de Estudo Shedd

sábado, 13 de junho de 2020

Comentário Bíblico Mensal: Junho/2020 - Capítulo 2 - Assim Cremos - Assim Vivemos




Comentarista: Marcos Rogério



Texto Bíblico Base Semanal: 1 Pedro 3.8-15

8. E, finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, amando os irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis.
9. Não tornando mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a bênção.
10. Porque Quem quer amar a vida, E ver os dias bons, Refreie a sua língua do mal, E os seus lábios não falem engano.
11. Aparte-se do mal, e faça o bem; Busque a paz, e siga-a.
12. Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, E os seus ouvidos atentos às suas orações; Mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal.
13. E qual é aquele que vos fará mal, se fordes seguidores do bem?
14. Mas também, se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo deles, nem vos turbeis;
15. Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós,

Momento Interação

Somos da fé, temos o espírito da fé, conhecemos e entendemos bem o poder que há na confissão da Palavra, e os resultados que elas geram em nossas vidas quando proferidas em fé. Mas nesta postagem, não quero focar na Palavra falada (você pode encontrar mais sobre este conteúdo nas postagens anteriores do Blog). Quero falar acerca da Palavra vivida, o Verbo na vida: “A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e de verdade. E nós vimos à revelação da sua natureza divina, natureza que ele recebeu como Filho único do Pai” (Jo 1.14). Jesus, o Verbo, a própria vida, manifestando vida entre nós e em nós. A nossa referência de vida, de pessoa, de ser humano, de ministro se concentra especificamente nEle. Jesus, o amor manifestado, a fé em pessoa, nos ensina com suas palavras e nos ama com suas atitudes. A vida de Jesus nos ensina até mesmo quando não existem palavras, nos acrescenta até mesmo no silêncio, e na descrição dos seus atos, na forma como Ele viveu e se comportou nesta terra, se torna a própria inspiração.

Introdução

Deus, o Soberano do universo e responsável pela criação tem sido alvo de debates teológicos acirrados no mundo cristão. Tais debates de devem pelo fato da Trindade ser um mistério inexplicável, pelo fato de não entendermos como Deus é eterno se tudo tem um princípio, e por não entendermos o dilema do sofrimento pelo fato de Deus ser todo supremo, poderoso e amorável.

Entendemos a Divindade como um Deus único e verdadeiro em três pessoas. Adoramos um Deus em Trindade. Não temos a pretensão de explicar Deus porque o nosso Deus não se explica, simplesmente o aceitamos pela fé crendo que um dia poderemos ter todas as respostas que procuramos. Embora a revelação geral nos proporcione vislumbres do amorável cuidado do Deus Criador, a revelação especial na pessoa de Jesus Cristo é o meio pelo qual Deus se revela toda a sua grandeza.

A Bíblia não proporciona princípios para um debate se Deus existe ou não, mas parte do princípio da existência de Deus como Pai e Criador: "No princípio criou Deus os céus e a terra" (Gn 1.1). Os processos cognitivos humanos são limitados principalmente após a degradação que o pecado efetuou. Portanto, cabe a nós entendermos e aceitarmos que mesmo a Bíblia Sagrada que é a Palavra escrita e Jesus Cristo que é a Palavra encarnada temos uma quantidade esmagadora de informações a respeito de Deus, mas com humildade cristã reconhecemos que nem o mais habilidoso escritos poderá esclarecer todos os aspectos da divindade e nem o mais elevado em intelecto poderá compreender Deus plenamente.

I. Cremos na Trindade Una

Como a revelação da Palavra é progressiva (Pv 4.18; Jo 16.12), a doutrina bíblica da Trindade foi se desdobrando no decorrer das Escrituras Sagradas encontrando seu auge no Novo Testamento. Assim criam também os primeiros cristãos. Não foi senão DEPOIS que o Evangelho fora pregado quase 300 anos, nos exatos termos do Novo Testamento, que "alguém" se propôs a atacar a crença dos cristãos na Deidade de Cristo. Quem o fez foi Ário. E a maneira insólita de seus ataques demonstrou que até aquela época os cristãos criam na Divindade de Jesus, sem nenhuma sombra de dúvida. Era assunto líquido e certo. Mas os argumentos arianos, da forma como foram elaborados, eram uma objeção à crença prevalecente, e não a correção de uma heresia. Diante deste fato, então o unitarismo e o arianismo é que são heresias. E de fato o é. Heresia que distancia a homem da graça divina e o faz perder a salvação em Cristo Jesus.

A doutrina bíblica da Trindade não é um dogma pagão ou católico, mas como vimos é escriturística estando presente no Antigo e Novo Testamento. As tríades sim eram um conjunto de três deuses pagãos e não devemos confundir as tríades pagãs com a doutrina bíblica da Trindade que diferente daquela é a adoração de um só Deus verdadeiro em três pessoas distintas, coeternas e iguais. Foi por isso que Jesus ordenou batizar as pessoas imergindo-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19). O texto de Mateus 28.19 é tão conclusivo no que se refere a verdade bíblica da Trindade que os teóricos da conspiração tentam desacreditar a inspiração desse texto dizendo contra os fatos que tal texto foi adulterado, mesmo sabendo que contra fatos não há argumentos.

Os estudiosos consultaram mais de 1400 manuscritos antigos do Evangelho de Mateus e em todas elas encontram-se as palavras de (Mt 28.19). Nunca se achou uma cópia autentica do Evangelho de Mateus seja em hebraico, aramaico ou grego sem os dizeres de (Mt 28.19). A fórmula batismal em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo se encontraram em todas as cópias do Evangelho de Mateus. Desacreditar o texto sagrado coloca em cheque a capacidade de Deus de preservar a integridade das Escrituras. Por outro lado, não dependemos somente de (Mt 28.19) para crer na doutrina bíblica da Trindade. Em (2 Co 13.13) lemos: "A graça do Senhor Jesus, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós". Nesse texto semelhantemente a (Mt 28.19) vemos a expressão de fé trinitariana de Paulo aos cristãos de Corinto.

II. Cremos nas Escrituras Sagradas

As Escrituras Sagradas, o Antigo Testamento escrito em hebraico e pequenas porções em aramaico e o Novo Testamento escrito em grego koinê são a Palavra de Deus escrita sob inspiração do Espírito Santo (2 Tm 3.16) nos transmitem todo o conhecimento necessário à nossa Salvação. A palavra grega traduzida para inspirada é theopneustos, que significa soprada por Deus, proveniente do fôlego de Deus.

A Bíblia Sagrada é a infalível revelação da vontade de Deus. Constituem para nós o padrão moral de caráter ao qual temos que desenvolver pela graça de Cristo, a prova de experiência, o revelador de doutrinas e o fiel registro dos atos de Deus na história da humanidade. O livro mais amado e odiado pela humanidade, o mais reverenciado e o mais desrespeitado. O mais exaltado e também o mais rebaixado livro. Pessoas morreram e mataram por causa da Bíblia. Milhares de exemplares foram queimados e ao mesmo tempo a Palavra de Deus subsiste. O livro mais debatido do qual se utilizaram para inúmeras controvérsias entre cristãos e ateus, arminianos e calvinistas, católicos e protestantes.

Mas o que torna a Bíblia Sagrada um livro singular, incomparável é a sua origem. A revelação de Deus. Assim como Jesus é a Palavra encarnada a Bíblia é a Palavra escrita. O personagem central da Bíblia é nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 5.39). Nele todas as doutrinas se encontram e se fundem. A Bíblia mostra o problema do pecado e aponta a graça divina como solução. Ao ser humano revelado como perdido a Bíblia apresenta a Cristo como Salvador (Mt 1.21; Lc 2.11), o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).

A inspiração das Escrituras Sagradas revelando sua origem divina atestam sua confiabilidade. Evidência desse fato é a unidade doutrinária das Escrituras Sagradas. Sendo escritas por quase quarenta autores num período de aproximadamente 1.600 anos, a Bíblia ao ser estudada corretamente respeitando as regras de hermenêutica revelam tanta coerência como se tivessem sido escritas por um único autor mostrando que a mente divina estava por trás da mente dos profetas guiando-os sem anular sua individualidade, personalidade e sua cultura.

III. Cremos em Jesus Cristo

O Cristianismo é a religião que crê em Jesus, Sua Divindade, Sua humanidade, Seu ministério terrestre e celestial e aceita a Jesus como único e suficiente Salvador. Nós cristãos cremos que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5). Cremos que Jesus não foi simplesmente um bom homem, um profeta, um guia, mas Deus em forma humana. Jesus é o Deus conosco (Mt 1.23).

Foi a fé em Jesus como Deus Todo-Poderoso que fez com que em Antioquia fossem os discípulos pela primeira vez chamados de cristãos (At 11.26), pois falar de Jesus era o que eles mais faziam. Jesus era o tema principal de suas conversações. Na Bíblia Sagrada é possível conhecer Jesus de forma tão plena como o conheceram os palestinos que com Ele tiveram contato pessoal. Conhecer a Jesus não foi o privilégio restrito da geração que viveu a 2.000 anos.

Conhecemos a Jesus pelos relatos dos Evangelhos Sinóticos, Mateus, Marcos e Lucas e pelo Evangelho de João, mas toda a Bíblia fala de Jesus direta ou indiretamente. Não só podemos conhecer o Senhor Jesus e se relacionar com Ele, como também podemos, por meio do Espírito Santo ser semelhantes a Ele (2 Co 3.18). A Teologia é o estudo sobre a Divindade, o estudo sobre o Espírito Santo é chamado de Pneumatologia, nesse texto entraremos em um ramo da teologia conhecido como Cristologia, o estudo sobre o que a Revelação nos revela sobre a pessoa de Cristo em Sua vida de perfeita obediência. A vida de Jesus foi de obediência, razão pela qual Ele se tornou nosso exemplo (1 Jo 2.6).

Jesus, como o Filho de Deus tinha uma responsabilidade muito grande. Cabia-lhe ser nosso exemplo em todas as coisas e para tal Jesus precisava ser perfeito, separado dos pecadores (Hb 9:26).Jesus passou quarenta dias e quarenta noites sem comer e assim como Satanás derrubou Adão pela alimentação, tentou derrubar o Senhor Jesus Cristo. A grande diferença é que Adão era perfeito no Éden e sem a mortalidade, já Jesus veio na natureza física mortal e Adão podia comer de todas as árvores do jardim (Gn 2.16) menos da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.17) e Jesus estava quarenta dias e quarenta noites sem comer e teve fome (Mt 4.2; Lc 4.2). Esse foi o contraste entre o primeiro e o segundo Adão, o Adão pelo qual veio o pecado e a salvação e o Adão pelo qual pelo qual veio a obediência perfeita e a salvação (Rm 5.12-21).

IV. Vivemos a Esperança da Segunda Vinda

O retorno do Senhor Jesus à Terra em glória e majestade é conhecida na teologia cristã como a doutrina da segunda vinda. As Escrituras Sagradas ensinam a doutrina do segundo advento para concluir a obra da salvação a qual teve grande ênfase no primeiro advento. A segunda vinda será algo tão real como foi a primeira. Haviam mais de trezentas profecias indicando a primeira vinda e as pessoas acreditando ou não Jesus veio e cumpriu as profecias, o mesmo ocorrerá na segunda vinda. Jesus virá quer as pessoas acreditem, quer sejam céticas.

O próprio Senhor Jesus prometeu voltar para buscar Seu povo (Jo 14.1-3). Os anjos asseguraram aos discípulos que Jesus viria da mesma forma que o viram subir (At 1.9-11). A segunda vinda de Jesus marca o limite para a eternidade onde o povo de Deus estará para sempre com o Senhor (Jo 14.2,3; 1 Ts 4.17) e tomarão posse do reino preparado para eles desde a fundação do mundo (Mt 25.34) para reinar pelos séculos dos séculos (Ap 22.1-5). Paulo chama a segunda vinda de Cristo de "a bem-aventurada esperança" (Tt 2.13).

Embora o texto exato da segunda vinda seria desconhecido (Mt 24.36), haveriam sinais que indicariam a proximidade desse acontecimento (Mt 24.5-31; Mc 13.5-23; Lc 21.8-24). A segunda vinda de Cristo à Terra será um evento real e glorioso, a igreja tem esse evento não apenas como uma esperança, mas como uma certeza. A realidade da primeira vinda torna certa a realidade da segunda vinda. Os cristãos que estudam as Escrituras e conhecem a aproximação desse grandioso evento e espectantes aguardam por esse grande dia saberão quando o Senhor estiver voltando para buscá-los (1 Ts 4.5,6) ao passo que os demais habitantes da Terra serão pegos de surpresa (1 Ts 5.2,3). 

Conclusão

Entendemos que Deus é amor e é constitui de uma unidade cooperativa, funcional de três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo e que esse Deus único e verdadeiro trabalha pela nossa salvação e proveu em Cristo Jesus salvação pela graça para todos que o aceitam. Sentimos profundo anseio pela união com o Senhor Jesus em Sua vinda a qual coloca fim nesse mundo de pecado, tristeza e sofrimento e cremos nas Escrituras Sagradas como regra de fé e prática, sendo a Bíblia Sagrada nosso manual de fé e prática e o meio pelo qual todos os ensinos devem ser provados. Cremos na importância da Bíblia Sagrada nos hospitais, clínicas, escolas e no lar de todos os cidadãos independente de sua nacionalidade e religião.

Entendemos que a Bíblia mostra Jesus como único e suficiente Salvador ao qual todos os que almejam sua salvação devem aceitá-lo como o único que pode conduzí-los ao Pai. Temos fé nas promessas do Senhor Jesus e da Bíblia Sagrada de que em breve o Senhor virá nos buscar para estarmos para sempre com Ele (Jo 14.1-3). Vivemos pela fé a esperança da segunda vinda, esperança essa que nos trás alívio e conforto em nossa caminhada cristã nesse mundo, uma jornada que logo chegará ao fim e estaremos na glória com o Pai, o Filho, o Espírito Santo, os anjos e os salvos de todas as eras. O Ministério Evangelho Avivado existe para compartilhar essas realidades espirituais e levar esperança aos corações oprimidos. Pela fé vislumbramos o futuro maravilhoso que nos aguarda.



Sugestão de Leitura da Semana: CARLOS, José. Vida Santa e Irrepreensível. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.