terça-feira, 22 de setembro de 2020

Comentário Bíblico Mensal: Setembro/2020 - Capítulo 4 - A Morte de Jesus Cristo

 



Comentarista: Carlos Alberto Junior


Texto Bíblico Base Semanal: Lucas 23.33-46


33. E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram, e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda.

34. E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo as suas vestes, lançaram sortes.

35. E o povo estava olhando. E também os príncipes zombavam dele, dizendo: Aos outros salvou, salve-se a si mesmo, se este é o Cristo, o escolhido de Deus.

36. E também os soldados o escarneciam, chegando-se a ele, e apresentando-lhe vinagre.

37. E dizendo: Se tu és o Rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo.

38. E também por cima dele, estava um título, escrito em letras gregas, romanas, e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEUS.

39. E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós.

40. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação?

41. E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez.

42. E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.

43. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.

44. E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol;

45. E rasgou-se ao meio o véu do templo.

46. E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou.


Momento Interação

Geralmente quando há um crime, a Justiça determina que se faça um traba­lho de investigação para que sejam encontrados os responsáveis. Façamos uma investigação nas Escrituras para descobrir quem são os responsáveis pela morte de Cristo. Por que Cristo morreu? Quem foi o responsável pela Sua execução? Quem são os suspeitos? E nós, quanto estamos envolvidos com a Sua morte? Qual é a nossa responsabilidade? Olhando pelos olhos de Deus, vejamos a nossa participação. A morte de Jesus foi um acidente? Ou será que fazia parte dos propósitos de Deus Pai? Conheçamos todo o aspecto da morte de Cristo no estudo desta semana.

Introdução

A morte de Jesus na cruz é a maior demonstração do grande amor de Deus por nós  e a redenção da humanidade (Jo 3.16). Pois da mesma forma que por um homem entrou o pecado no mundo, isto é Adão, por meio de um homem só, Jesus, uma grande multidão de transgressões foi perdoada. Neste estudo bíblico veremos em ordem cronológica e passo a passo o que aconteceu a Jesus, antes e depois da crucificação.

I. Judas Iscariotes: por dinheiro

Na escuridão da noite, ele subiu ao monte até chegar ao jardim onde Jesus havia ido orar. Guiando uma multidão armada (Lc 22.47,48), Judas se aproximou do Senhor e o beijou. Sem dúvida, em muitas outras ocasiões, Judas havia beijado o seu Mestre; era a maneira típica de cumprimentar o seu professor ou rabino. Este beijo era diferente. A multidão que seguia Judas pretendia prender Jesus e o beijo de Judas o identificou para eles. Judas havia conspirado com os líderes judeus para entregar Jesus em suas mãos e, sabendo que o jardim de Getsêmani era o lugar favorito de Jesus, ele escolheu trair Jesus, entregando-o aos inimigos, nesse lugar.

A perfídia de Judas não era desconhecida para Jesus. Ele havia mandado Judas sair da última ceia com a instrução de não demorar (Jo 13.37). Mas até Jesus ficou maravilhado com a ousadia de um discípulo que traiu o seu mestre com um sinal de afeição. Aparentemente, Judas não beijou Jesus apenas perfuntoriamente. A palavra grega traduzida “beijo” indica que Judas o beijou calorosamente...como se ele fosse o discípulo dedicado, talvez planejado com a intenção de avisar Jesus a respeito do grupo que o seguia. Se fosse a sua intenção, Jesus não foi enganado, pois ele perguntou sobre o meio da traição!

Cuidado com o beijo de Judas. É um carinho fingido que esconde os motivos verdadeiros da pessoa que o oferece. Judas pode ter dado a aparência de carinho para um observador comum, mas a verdade é que Satanás havia entrado em seu coração e nas suas trevas ele havia vendido o seu Mestre por trinta moedinhas de prata. Há pessoas hoje que usam o beijo de Judas para ganhar vantagem ou porque não têm a coragem de mostrar os seus verdadeiros sentimentos. Em algumas culturas, não se usa mais o beijo, como é comum no Oriente Médio. Nestes lugares, o aperto de mão, sorriso caloroso e cumprimento amigável que usam, contudo, nem sempre refletem os verdadeiros sentimentos da pessoa que os oferece.

Pedro escreveu: “Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente” (1 Pe 1.22). O fato que Pedro menciona “amor não fingido” dos irmãos sugere a possibilidade de amor insincero ou fingido entre irmãos. Devemos ser cautelosos para não usarmos a “afeição” que temos um pelo outro como uma máscara pela malícia ou ódio que na realidade sentimos. A malícia e o ódio são errados, mas cobrir-los com sentimentos fingidos não é uma solução!

II. Os Sacerdotes Judeus: Por Inveja

O julgamento de Jesus foi um processo injusto e ilegal. Jesus foi condenado à morte por causa da inveja de seus acusadores. Jesus foi julgado primeiro pela lei judaica, depois pela lei romana. Antes mesmo de prenderem Jesus, os líderes religiosos dos judeus já tinham decidido que ele deveria morrer (Lc 22.1,2). Eles não queriam matá-lo porque tinha cometido um crime. Eles estavam com inveja e se sentiam ameaçados com a popularidade de Jesus.

Na noite em que foi preso, Jesus foi levado para a casa de Anás, o sogro do sumo-sacerdote Caifás. Anás depois enviou Jesus a Caifás, para ser julgado pelo Sinédrio. Durante essa noite os chefes dos sacerdotes e os membros do Sinédrio interrogaram Jesus e procuraram motivos para o condenar. Mas Jesus se manteve calado e não respondeu às acusações deles (Mc 14.60,61).

Então o Sinédrio procurou testemunhas que fizeram falsas acusações contra Jesus. Mas todas as acusações feitas contra Jesus eram incoerentes. Por isso, perguntaram para Jesus se ele era o Cristo, o Filho de Deus. Ele respondeu que sim e eles aceitaram isso como prova de blasfêmia (Mt 26.63-65). Eles bateram em Jesus e o condenaram à morte.

III. Pilatos, o Governador

Os acontecimentos em Jerusalém numa Páscoa quase 2000 anos atrás continuam sendo motivo de vergonha e reflexão para todos que consideram o caso. Líderes dos judeus, o povo especialmente abençoado com as promessas de Deus, desrespeitaram sua lei e qualquer noção de justiça num “julgamento” que não passou de um linchamento. Mas a culpa não foi limitada a eles, pois líderes gentios também entraram na história e ajudaram no processo de sentenciar à morte o único homem totalmente inocente na história humana.

Depois de Jesus se entregar aos soldados e guardas na saída do Getsêmani, ele foi levado primeiro para ser condenado pelas autoridades religiosas. Não seguiram os procedimentos legais e não procuraram determinar a culpa ou inocência de Jesus. O sinédrio foi conduzido pelo sumo sacerdote com o objetivo de arrumar um motivo para pedir a morte do homem que eles condenaram nas suas mentes muito tempo antes (Mc 3.6).

Mas os judeus, sujeitos à autoridade romana, não tinham direito de sentenciar uma pessoa à morte. Por isso, levaram Jesus ao governador Pôncio Pilatos. Mas a acusação que usaram para justificar a morte de Jesus entre os judeus (blasfêmia contra Deus) não teria peso nenhum para os romanos. Inventaram outra acusação e disseram que Jesus incentivava revolta contra o governo romano (Lc 23.2). Ao interrogar Jesus, Pilatos percebeu que esse homem não procurava tomar o lugar de César. Era, aos olhos dele, apenas uma questão entre os próprios judeus. Por isso, o governador o declarou inocente (Lc 23.3,4). Mas, por ser um líder fraco e facilmente manipulado pelo povo, Pilatos cedeu ao clamor dos judeus e não libertou Jesus. Procurou uma saída por uma questão técnica de jurisdição e mandou Jesus a Herodes Antipas.

IV. O Próprio Senhor Jesus: Por Amor

Juntos, a cruz e o sepulcro vazio, formam o âmago da História e a maior demonstração das qualidades que fazem de Deus ser Deus.  Vemos aqui a sua misericórdia para com a humanidade indefesa, sua graça estendida aos que não podiam jamais com seus próprios meios conseguir ou comprar a redenção, sua justiça, que não poderia deixar passar o pecado sem o pagamento da pena, e sua sabedoria, que traçou um plano pelo qual os pecadores culpados poderiam tornar-se justos (sem culpa), sem comprometer nem a sua justiça nem a sua santidade.  Aqui, também, vemos o seu poder soberano para realizar o seu propósito, apesar da oposição acirrada de Satanás.

Acima de todas as demais coisas, a cruz é a maior prova do amor de Deus.  O homem da cruz é o próprio Filho a quem Deus amou tanto que desejou que outros filhos se assemelhassem à sua imagem, "a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos" (Rm 8.29).  Na cruz está "o Verbo", que estava com Deus no princípio, que era Deus e que "se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1.14). Na cruz, por fim, o descendente da mulher esmagou a cabeça da serpente.  Ele cumpriu todas as profecias que se relacionavam com a redenção da humanidade.  Quando sua carne se rasgou, também se rasgou o véu do templo, simbolizando que o caminho para o verdadeiro Lugar Santo, a habitação de Deus, estava agora aberto para a humanidade.  Aí se tornou possível a completa reconciliação entre Deus e a criação que dele se alienou.

Na cruz aconteceu o verdadeiro sacrifício de que todos os demais eram apenas símbolo.  O Filho que estava prestes a morrer é aquele que "Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3.25,26).  Não é de admirar que Jesus tenha exclamado ao morrer:  "Está consumado".

V. Está Consumado!

Uma só palavra. Tetelestai. Esta é a palavra grega traduzida pela expressão “Está consumado” (Jo 19.30). Foi a última ou penúltima palavra falada por Jesus antes da sua morte (não temos informações suficientes para ter certeza da sequência das últimas duas palavras - esta e a expressão relatada em Lucas 23.46). Jesus escolheu uma palavra cheia de significado apropriado para o momento do seu sacrifício pelos pecados dos homens. Pesquisadores têm encontrado esta mesma palavra em várias situações no mundo romano da época de Jesus. Exemplos de como a palavra foi empregada enriquecem nossa apreciação do sacrifício do Senhor.

Pago. Quando pagamos uma conta ou quitamos uma dívida, é comum o recebedor carimbar um comprovante com a palavra PAGO. A palavra que Jesus falou da cruz foi usada em comprovantes da época. No seu sacrifício, Jesus pagou a dívida do nosso pecado que foi salientado pela Lei dada no monte Sinai. Paulo explicou: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz” (Cl 2.13,14).

Sentença Executada. Outro uso da mesma palavra no mundo antigo foi por parte de soldados incumbidos com a aplicação de penalidades legais. Quando executaram as sentenças decretadas, escreviam a palavra tetelestai. Esse sentido, também, se aplica perfeitamente a Jesus. Ele assumiu o lugar dos criminosos que mereciam a morte pelos seus pecados (nós!) e ele mesmo declarou que a sentença foi aplicada. Pedro disse que Jesus sofreu em nosso lugar, “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados” (1 Pe 2.21,24).

Conclusão

Não é fácil compreender os diversos aspectos do caráter de Deus. De fato, é impossível para o homem totalmente entender um ser tão superior. Ele é misterioso e, certamente, único (cf. Is 45.15,18). As Escrituras frequentemente destacam a sublimidade de Deus. “Reina o SENHOR; tremam os povos. Ele está entronizado acima dos querubins; abale-se a terra. O SENHOR é grande em Sião e sobremodo elevado acima de todos os povos” (Sl 99.1,2). Entre os contrastes encontrados nas descrições bíblicas de Deus são duas palavras que aparecem em Hebreus 12. Jesus é “o Autor e Consumador da fé” (Hb 1.2) e, ao mesmo tempo, “Deus é fogo consumidor” (12.29). A diferença de uma letra nestas palavras faz uma distinção importante no sentido.

Consumador significa alguém que termina uma obra ou um projeto. Jesus é o Consumador da fé porque ele completou o plano eterno de Deus para a salvação daqueles que crêem nele. O tema de Mateus é o cumprimento do Antigo Testamento em Jesus. Antes de morrer na cruz, Jesus afirmou a sua vitória com o grito de triunfo: “Está consumado!” (Jo 19.30). O Cristo ressuscitado disse: “...importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito...” (Lc 24.44). Mas o mesmo Jesus que cumpriu perfeitamente sua missão salvadora julgará todos nós (2 Co 5.10). Para os desobedientes, ele se mostrará um fogo consumidor, trazendo a ira de castigo eterno (cf. Jo 5.25-30; Mt 25.33-34,41,46). Quando ele vier para julgar, trará alívio para os fiéis e, ao mesmo tempo, os que não o servem serão banidos eternamente de sua presença (2 Ts 1.7-10).


Sugestão de Leitura da Semana: GONÇALVES, Matheus. O Evangelho do Médico Amado. São Paulo: Evangelho Avivado, 2019.




Como nos Vemos?

 



Por Carlos Vagner


"E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi" (Gn 3.9-13).

Desde os primórdios da criação, o ser humano se debate com a transferência de culpa. Nossos primeiros pais, erraram ao fazerem isso, e me parece que ficou como que exemplo para os demais, pois o homem colocou a culpa na mulher e ela por sua vez colocou a culpa na serpente. Vemos isso se alastrando desde a infância, quando a criança pega em um erro, transfere a culpa para outra pessoa ou ser equivalente. Qual o problema da transferência de culpa? O grande problema reside na deformação da própria estrutura do ser, quando transferimos passamos a deslocar o lugar que carece ser corrigido, passamos a viver de forma hipócrita, imbecilizada, sem se dá conta que o grande prejudicado somos nós mesmos. 

E a forma dessa transferência, se dá em todos os ambientes que o ser humano convive: na família, na escola, no curso, no trabalho, na igreja, nos ambientes sociais e etc. Fazer a transferência de culpa, detona nosso caráter. Por isso, ao cometer erros, pois todos somos passiveis deles, se enxergue primeiro, sejamos sinceros ao analisar e ver que o culpado somos nós, ninguém pegou na nossa mão a força para cometer o erro, mais foi determinação da nossa própria vontade. Quando esse enxergar do interior brota em nós, haverá o desenvolvimento do amadurecimento do ser.

Por esse motivo, nos nossos erros o outro não será o motivo da transferência da nossa culpa (ainda que possa trabalhar para o fim de cometemos os erros), porém quando olhamos com sinceridade para dentro de nós, e assumimos que o erro foi nosso crescemos como pessoa, e com a ajuda de Deus seremos perdoados ao confessar as nossas transgressões.


terça-feira, 15 de setembro de 2020

Comentário Bíblico Mensal: Setembro/2020 - Capítulo 3 - Jesus Cristo - O Supremo pastor






Comentarista: Carlos Alberto Junior



Texto Bíblico Base Semanal: João 10.1-18

1. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.
2. Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas.
3. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora.
4. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.
5. Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.
6. Jesus disse-lhes esta parábola; mas eles não entenderam o que era que lhes dizia.
7. Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas.
8. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.
9. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.
10. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.
11. Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.
12. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas.
13. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas.
14. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.
15. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.
16. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor.
17. Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.
18. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.

Momento Interação

Os sete “Eu Sou” de Jesus no Evangelho de João são sete grandes auto-designações que revelam a verdade acerca da pessoa do Senhor Jesus. Por sete vezes Jesus diz “Eu Sou”, e em cada uma delas sua divindade é colocada em evidência. É realmente muito significativo o fato de que os sete “Eu Sou” de Jesus apareçam no Evangelho de João. A ênfase principal do Quarto Evangelho é a identidade de Jesus Cristo como o verdadeiro Filho de Deus. O Evangelho de João apresenta muito claramente a realidade da plena divindade e também da plena humanidade de Cristo. O próprio apóstolo João explica seu grande propósito ao escrever esse Evangelho: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31). Então seguindo esse propósito, o escritor bíblico registrou cuidadosamente as vezes em que Jesus usou a expressão “Eu sou” durante seu ministério terreno.

Introdução

João relatou episódios selecionados da vida de Jesus para defender um tema principal: Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, que oferece a vida aos que crêem nele (Jo 20.30,31). Nas palavras e atos de Jesus, registrados neste livro, Jesus se apresenta com uma série de afirmações, normalmente ligadas imediatamente com os sinais que ele operava. Jesus disse:  1. Eu sou o pão da vida (Jo 6.35,41,48,51);  2. Eu sou a luz do mundo (Jo 8.12);  3. Eu sou a porta das ovelhas (Jo 10.7,9);  4. Eu sou o bom pastor (Jo 10.11,14); 5. Eu sou a ressurreição e a vida (Jo 11.25);  6. Eu sou o caminho, e a verdade e a vida (Jo 14.6);  7. Eu sou a videira verdadeira (Jo 15.1,5).

Cada afirmação ensina algo importante sobre a missão de Jesus, mostrando que ele veio para ensinar, salvar e proteger o seu povo. Mas, quem pode fazer tais promessas elevadas? Nenhum mero homem teria condições de oferecer tudo que Jesus prometeu, porque nenhum homem tem as mesmas qualidades que Jesus possui. A capacidade dele de ser e oferecer tantas coisas vem de sua natureza divina. É exatamente esta natureza que ele destaca com mais uma afirmação. Em João 8.24,28,58, ele se descreve com as simples palavras: “Eu Sou”. Ele não é apenas o pastor, ou a luz, ele é o eterno Deus. Ele não foi criado e não veio a existir. Nas suas próprias palavras, Jesus disse: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (Jo 8.58).

Os judeus consideravam esta afirmação blasfêmia, porque Jesus estava se igualando com Deus (Mc 14.61-64). De fato, é a mesma linguagem usada para descrever Jeová em Êxodo 3.14. Isaías, nas suas grandes profecias do Messias, afirmou a divindade do Salvador com as mesmas palavras (cf. Is 43.11-15; 44.6; 45.6,18; 48.17). Jesus usou palavras carregadas de poder e eternidade para se apresentar ao mundo. Nós devemos crer no único “Eu Sou” para termos a vida eterna. Jesus disse: “Porque, se não crerdes que Eu Sou, morrereis nos vossos pecados” (Jo 8.24)

I. Jesus - O Pão da Vida

A declaração de Jesus “Eu sou o Pão da vida” significa que Ele é quem dá vida espiritual e eterna ao homem. Ao afirmar ser o Pão da vida, Jesus ensina que somente Ele provê vida eterna àqueles que estão mortos em delitos e pecados (Ef 2.1). Essa verdade acerca da obra redentora de Cristo é declarada enfaticamente ao longo de toda Escritura. Mas por duas vezes, em sequência, Jesus explicitamente declarou: “Eu sou o Pão da vida” (Jo 6.35,48). Essa declaração é a primeira das sete vezes em que Jesus significativamente declara “Eu Sou” no Evangelho de João (Jo 8.12; 10.1,9; 10.11,14; 11.25; 14.6; 15.1,5). Jesus usou a declaração “Eu sou o Pão da vida” durante seu sermão de repreensão e exortação aos judeus. Ele havia multiplicado cinco pães e dois peixes e alimentado uma multidão de mais de cinco mil pessoas (Jo 6.1-15). Depois, durante a noite, Jesus atravessou o Mar da Galileia rumo a Cafarnaum juntamente com seus discípulos. Foi nessa ocasião que Jesus andou sobre as águas (Jo 6.16-21). Esses milagres são chamados de “sinais” porque a finalidade deles era revelar a verdade acerca da pessoa de Cristo.

II. Jesus - A Luz do Mundo

O que lemos começa com uma declaração que é a base do que se desenrola até o final do capítulo 9 do Evangelho de João. Jesus diz: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12). A palavra luz aparece 23 vezes no Evangelho segundo João. Dessas, 21 se referem a Jesus. Em João, luz é uma metáfora acerca de Jesus. Quando ele disse ser a luz do mundo, quis dizer que é a solução para as trevas em que o mundo está. O mundo jaz em trevas, o diabo é o príncipe das trevas e viver no pecado é andar na escuridão. O diabo cegou o entendimento das pessoas, por isso, aqueles que são prisioneiros do pecado vivem em densas trevas.

No princípio desse evangelho, está escrito: “Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram” (Jo 1.4,5). Em Jesus está a vida, a qual, como uma luz, pode tirar os homens das trevas em que vivem. Isso é algo muito poderoso, pois não há como as trevas resistirem à luz. Quando a luz chega, as trevas são necessariamente dissipadas. Jesus veio ao mundo para desfazer as obras do diabo, libertar os cativos e dar vista aos cegos. Jesus é a luz do mundo e a luz prevalece nas trevas. Onde o evangelho é proclamado, a escuridão é vencida. Onde a verdade de Deus prevalece, a alma humana é iluminada. Onde Jesus é anunciado como Salvador, aqueles que vivem presos pela impiedade e desconhecimento de Deus são libertos. Jesus é a luz que veio ao mundo para iluminar todos os homens. Aqueles que nele creem não andam em trevas. Aqueles que nele confiam sabem para onde vão. Ele disse que é a luz do mundo, não uma luz no mundo. Só em Jesus há salvação. Só em seu nome há perdão.

III. Jesus - A Porta das Ovelhas - O Bom Pastor

Jesus é o bom pastor porque ele cuida de nós como um pastor cuida de suas ovelhas. Um bom pastor protege suas ovelhas e cuida delas com carinho. Jesus faz o mesmo com todos que creem e põem sua confiança nele. Na Bíblia, os líderes políticos e religiosos muitas vezes eram comparados com pastores de ovelhas. A sociedade nos tempos da Bíblia vivia muito à base da agricultura e da criação de gado, por isso entendiam muito bem o trabalho de um pastor. Ovelhas são animais muito dependentes, que precisam da liderança e da proteção de um pastor.

Jesus disse que ele é o bom pastor, que dá sua vida pelas ovelhas. Alguns pastores fogem diante do perigo, em vez de proteger as ovelhas, mas o bom pastor defende suas ovelhas. Da mesma forma, muitos líderes estão somente preocupados consigo mesmos, mas Jesus deu tudo para nos salvar (Jo 10.11-13). Ele até entregou sua vida por nós! Em Jesus temos verdadeira proteção. Ele nos livra da condenação do pecado e das artimanhas do inimigo. O ladrão quer nos destruir mas Jesus nos dá vida (Jo 10.10). Ao se identificar como o bom pastor, Jesus estava cumprindo as profecias do Antigo Testamento sobre um pastor que iria liderar o povo de Deus. Esse pastor seria diferente dos outros pastores (líderes), que exploravam o povo e não cuidavam dele. O bom pastor, enviado por Deus, iria restaurar seu povo (Ez 34.11-13).

IV. Jesus - O Caminho, a Verdade e a Vida

Jesus disse “eu sou o caminho, verdade e a vida” em uma conversa com seus discípulos. Ele tinha explicado que em breve iria voltar para a casa do Pai e que os discípulos já conheciam o caminho para onde ele ia (Jo 14.2-4). Os discípulos não entenderam que ele estava falando sobre ir para o Céu e lhe perguntaram como poderiam saber o caminho. Jesus lhes respondeu que ele era o caminho (Jo 14.5,6). Jesus é o caminho para o Pai. Através de Jesus, podemos ter acesso direto a Deus, porque Jesus é Deus. Antes, o pecado era como uma porta fechada entre nós e Deus. Na cruz Jesus abriu a porta, deixando aberto o caminho para Deus. Quem segue Jesus segue seu Caminho para a vida eterna (Hb 10.19,20). Jesus não apenas dizia a verdade, ele é a verdade. Verdade significa algo que é absoluto, que existe, que é real. Jesus é Deus, ele é real, sempre existiu e sempre vai existir. Não existe falsidade nenhuma em Jesus. Jesus é a verdade que nos liberta do poder do pecado (Jo 8.32). Jesus é a fonte de toda a vida. Ele venceu até a morte! O pecado nos separa de Deus, trazendo a morte. Mas, através de Jesus, podemos ser ressuscitados e ter a vida eterna. Quem aceita Jesus como seu salvador agora tem uma vida nova e completa (Jo 11.25,26). Jesus é o único caminho para Deus. Não há outra maneira de nos aproximar de Deus. Apenas Jesus pode tirar nossos pecados, nos permitindo chegar a Deus. Só Jesus nos pode dar a salvação (At 4.11,12).

V. Jesus Cristo - A Videira Verdadeira

Jesus disse que é a videira verdadeira para mostrar como funciona nosso relacionamento com ele. Jesus é a videira, nós somos os ramos que dependem dele e o Pai é o agricultor que cuida de nós. Em Cristo podemos dar muitos frutos. Em João 15.1, Jesus explicou que ele é a videira verdadeira, porque somente nele temos vida. Não existe outra fonte de vida. A videira sustenta e alimenta os ramos. Sem Jesus, morremos.

A Bíblia diz que quando uma pessoa é salva, Jesus mora dentro dela. Espiritualmente, a pessoa morreu para o pecado, junto com Jesus na cruz, e agora recebe nova vida em Jesus. Assim como a seiva da videira dá vida aos ramos, Jesus dá vida aos seus seguidores (Gl 2.20). Jesus também disse nós precisamos dele para dar fruto (Jo 15.4,5). Precisamos estar unidos com Jesus, recebendo vida dele, para crescermos e sermos produtivos. Sem Jesus, não podemos fazer nada.

Somos dependentes de Jesus. Assim como o ramo que não está unido à videira morre e seca, quem se afasta de Jesus fica sem vida (Jo 15.6). Os galhos secos, sem vida, serão destruídos no fogo mas quem está unido a Jesus tem a vida eterna.

Conclusão

Na Bíblia, a verdade é o contrário da injustiça. A injustiça vem da mentira e do engano mas a verdade traz justiça. O diabo luta contra a verdade, porque prefere a mentira e quer nos destruir (Jo 8.44). Ele sabe que a verdade tem poder para nos salvar. De acordo com a Bíblia, a verdade está em Deus. Ele sabe todas as coisas e criou tudo que existe. Deus não mente; tudo que diz é verdadeiro (Sl 119.160). Podemos encontrar a verdade na palavra de Deus. O Senhor revelou a verdade ao mundo através de Jesus. Quando Jesus veio como homem, ele nos mostrou a verdade de uma forma que podemos compreender. Jesus é a expressão exata de Deus na terra e falou apenas a verdade (Jo 1.17,18; Hb 1.3).



Sugestão de Leitura da Semana: RIBEIRO, Anderson. A Mensagem de Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.