domingo, 1 de setembro de 2019

Comentário Bíblico Mensal: Agosto/2019 - Capítulo 5 - Vivendo na Expectativa da Volta de Jesus Cristo




Comentarista: Matheus Santos



Texto Bíblico Base Semanal: 1 Tessalonicenses 4.13-18

13. Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança.
14. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele.
15. Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.
16. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.
17. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.
18. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.

Momento Interação

A esperança da Igreja é a volta de Jesus (Tt 2.13; 1 Pe 1.3; 1 Jo  3.2-3). Sem esta expectativa não há esperança; não há sentido sermos crentes; não há sentido a nossa adoração. Por isso, a esperança da volta de Jesus é um elemento indispensável e essencial na vida cristã; é o resultado da fé e do amor a Deus e precisa estar corretamente desenvolvida nos crentes. Esta esperança é a “âncora da alma segura e firme e que penetra até ao interior do véu” (Hb 6:19), ou seja, o ponto de apoio que nos permite caminhar sobre a face da Terra, certos de que, brevemente, tudo o que aqui existe passará e para sempre estaremos com o Senhor.

Introdução

Praticamente todos os dias, ouvimos algum anúncio de profecias ou cálculos para determinar o tempo do fim do mundo. Alguns acreditam que uma profecia dos maias indica o fim do mundo ou a volta de um deus ainda este ano. Mas nestes artigos sobre a Bíblia, nunca temos nos preocupado com profecias pagãs ou cálculos baseados em astrologia, pois tais “revelações” não têm nada a ver com a mensagem das Escrituras. Limitando o assunto aos ensinamentos bíblicos, será que estamos vendo sinais que mostram a volta iminente de Jesus? Muitos afirmam que sim. Praticamente todas as pessoas que têm algum interesse na Bíblia já ouviram alguém falar sobre sinais da volta de Cristo. Frequentemente, ouvimos referências às palavras de Jesus em Mateus 24 (especialmente às dos versículos do 4 ao 14). Entre os sinais que ele apresentou destacam-se: a presença de falsos cristos, guerras, fomes, terremotos e perseguições. As pessoas que dizem que estamos nos dias finais geralmente citam estes sinais e mostram nas manchetes atuais exemplos de todas estas coisas. Ao invés de nos preocupar com manchetes de jornais, devemos nos preparar para a vinda do Senhor, que acontecerá sem aviso: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

I. Jesus Voltará

Pessoas que citam estes fatos e vinculam as notícias atuais à profecia de Mateus 24 falam com uma confiança que facilmente engana pessoas ingênuas. Ninguém pode negar que coisas terríveis estão acontecendo no mundo, como historiadores nos lembram que sofrimentos deste tipo têm feito parte da história de todas as gerações durante milhares de anos. Mas antes de nos preocupar com manchetes de jornais, devemos estudar o texto citado e aceitar o que o próprio Jesus falou. Ele usou linguagem forte e até apocalíptica para avisar da iminente destruição do templo em Jerusalém (Mt 24.1,2), uma profecia cumprida no ano 70 d.C. pelo exército romano. As palavras de Jesus tratavam da Judeia, a região que incluía a cidade de Jerusalém (Mt 24.16). Para tirar qualquer dúvida, o próprio Senhor Jesus garantiu que todas as palavras desta profecia seriam cumpridas na mesma geração na qual ela foi dada: “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça” (Mt 24.4). Para nós que acreditamos em Jesus como Senhor e Salvador, a conclusão é única e inegável: esta profecia foi cumprida naquela geração!

Em contraste com os sinais para avisar da destruição do templo, as Escrituras ensinam que a volta de Jesus no fim do mundo acontecerá sem aviso. Paulo disse: “pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite” (1 Ts 5.2) Pedro acrescentou: “Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas” (2 Pe 3.10). O próprio Jesus disse: “Sabei, porém, isto: se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, [vigiaria e] não deixaria arrombar a sua casa. Ficai também vós apercebidos, porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá” (Lc 12.39,40).

II. A Vinda de Jesus é Certa

A volta de Jesus Cristo é o evento mais aguardado de todos os tempos, por todos os cristão do mundo em todas as épocas. É verdade que à medida que o tempo passa, o assunto se torna cada vez menos abordado e mais e mais tabus vão sendo feitos em torno do assunto. Podemos dizer que é um dos temas mais controversos do cristianismo. As profecias bíblicas, os falsos alarmes, o desejo de adivinhar, são alguns elementos que tornam a tarefa realmente difícil de ser solucionada. Em seu alerta aos Tessalonicenses sobre a iminente volta de Jesus, Paulo fala sobre a responsabilidade pessoal que cada tem com relação a fé (2 Ts 3.6,7). Neste ponto, o apóstolo os exorta a manter distância do pecado e daqueles que o apoiam. O objetivo é preservar a santificação e o zelo pelos mandamentos bíblicos, que tem a finalidade de gerar em nós as virtudes do Espírito Santo.

A expectativa da volta de Cristo, deve nos motivar a esperá-lo da maneira adequada, prontos. E como fazemos isso? Comparando o nosso estilo de vida, com as recomendações da Palavra de Deus. Devemos ser pacientes no sofrimento, perseverantes na tribulação, dedicados à oração e sempre com uma fé saudável, firme no Senhor.

III. Encontraremos com o Senhor nos Ares

A Bíblia fala do encontro dos salvos com Jesus nos ares, que constitui o arrebatamento da Igreja de Cristo. Cristo vem buscar a sua igreja para livrá-la da grande tribulação, que serão dias de muito sofrimento para todos os que não creram na Palavra de Deus e permaneceram no engano resistindo a se entregarem ao Senhor Jesus.   Para participar do glorioso encontro com Jesus  nos ares, é preciso antes  ter um encontro com Deus enquanto se está na terra. Deus dá oportunidades a cada pessoa  de ter um encontro com Ele. No livro de Gênesis podemos observar a oportunidade que o Senhor deu a Jacó, um homem que tinha várias falhas no seu caráter, de ter um encontro com Deus, através do qual foi transformado em seu caráter, recebendo inclusive, um novo nome: Israel (Gn 32.22-32). Esse Encontro com Deus nos ares significa a Salvação, quando Jesus virá para buscar aqueles que creram e perseveraram até o fim para ter a Vida Eterna com Ele.

IV. Estaremos para Sempre com o Senhor

Devemos pois permanecer firmes em Jesus Cristo e perseverar até o fim, porque o mesmo Senhor que,um dia, pisou esta terra, trazendo as Boas Novas de Salvação e te escolheu como Sua testemunha para continuar pregando essa mensagem, “descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo,e com a trombeta de Deus,; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar com o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts 4.16,17). Como está escrito nesse versículo, a Palavra de Deus nos adverte: ”Buscai a paz com todos e a santificação sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Jesus virá buscar a sua igreja, isto é vai retirá-la dessa terra num dia e hora que ninguém espera. É preciso que cada crente viva em paz com os irmãos (Ef 4.1-12). com seus líderes e pastores, com sua família, vizinhos, colegas de trabalho, enfim com todos ( Tg 4.11; Tg 5.9). Devemos dar graças a Deus, pois Ele nos escolheu para sermos salvos mediante a obra santificadora do Espírito e a fé na verdade, nos chamou por meio do Evangelho a fim de que alcancemos a glória de nosso Senhor Jesus Cristo (2 Ts 2.13-16).

Conclusão

O século 20, talvez mais do que todos os outros, experimentou profundas mudanças em todas as áreas. Muitos desses acontecimentos são de enorme significado para a Igreja. Olhar a história recente é ver o desenrolar do plano divino através dos séculos, é atentar para os sinais dos tempos e a eminente Volta de Jesus, é colocar-se em guarda para aquilo que virá. A nossa esperança não se baseia numa utopia, mas em fatos revelados na Palavra de Deus e confirmados pela História. A escatologia bíblica é a continuação do processo histórico.




terça-feira, 27 de agosto de 2019

Jesus Anda por Sobre o Mar



Mateus relata que Jesus anda por sobre o mar. Como ele tinha em mente um público judeu, sua intenção era provar que Jesus é rei e o messias prometido pelos profetas do Antigo Testamento. Nesta passagem, podemos aprender sobre a pessoa de Cristo, e as dificuldades que os discípulos enfrentaram no mar.

Jesus ordena que os discípulos atravessem o mar

Logo em seguida obrigou os seus discípulos a entrar no barco, e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões (Mt 14.22).

Jesus ordena que os discípulos entrem no barco e atravessem o mar. Após Cristo multiplicar os pães e peixes, um grupo de rebeldes queria proclamar Jesus como rei, mas ele se retirou (Jo 6.15). Por esse motivo, Jesus mandou que eles entrassem no barco e atravessassem o mar, para que não tivessem uma visão errada a cerca do seu reino e missão. Jesus deixou claro certa vez quando os fariseus interrogaram quando viria o reino de Deus, ele respondeu: “não vem o reino de Deus com visível aparência. Mas o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17.20,21).

Jesus retira-se para orar

Tendo-as despedido, subiu ao monte para orar à parte. Ao anoitecer, estava ali sozinho (Mt 14.23).

Jesus subiu ao monte para orar à parte. Os Evangelhos, nos mostram que esse era um dos costumes de Jesus, estava sempre se retirando para buscar a Deus em oração. Lucas relata que Jesus orava a noite inteira (Lc 6.12); ensinou como devemos orar (Mt 6.6); ele mostrou que a oração nos livra das tentações (Mt 26.41); os próprios discípulos aprenderam a importância da oração (At 6.4). Portanto, a oração é de suma importância para quem deseja viver uma vida cristã autêntica.

A dificuldade dos discípulos

Entrementes, o barco já estava a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário (Mt 14.24).

Nesse trecho, encontramos os discípulos passando por dificuldades no mar. Eles foram açoitados pelas ondas e ventos contrários. Muitas vezes estamos assim, enfrentando tribulações no mar da vida, sendo arrastados por ondas e ventos contrários para nos fazer parar na caminhada.

Marcos registra que Jesus viu do monte a dificuldade dos discípulos ao remar. Isso nos mostra que Cristo contempla cada uma das nossas dificuldades e nenhuma passa despercebida diante dele. Assim, Jesus é o nosso sumo sacerdote que contempla as nossas aflições.

Jesus vai ao encontro dos discípulos andando sobre o mar

A quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando sobre o mar (Mt 14.25).

Depois de Cristo ver a dificuldade dos discípulos, ele vai ao encontro dos discípulos sobre o mar. Jesus andando por sobre as águas, estava desafiando as leias da gravidade, nenhum corpo humano consegue ficar em pé sobre as águas, somente ele fez isso. Além disso, estava provando sua divindade, nenhum profeta do Antigo Testamento fez isso, apenas Cristo. Por fim, Cristo se revela como um novo Moises para livrar os discípulos de suas aflições a semelhança do que aconteceu no Egito.

A reação dos discípulos

Os discípulos, porém, ao vê-lo andando sobre o mar, assustaram-se e disseram; é um fantasma. E gritaram de medo (Mt 14.26).

Quando os discípulos viram Cristo andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma. Nesse contexto, percebemos a falta de discernimento deles da pessoa de Cristo. Da mesma forma, falta discernimento para nós quando nos encontramos diante de tribulações e acabamos nos esquecendo da pessoa Cristo e da sua divindade, e da sua poderosa providência. Em suma, isso nos ensina que devemos ter discernimento da pessoa de Cristo diante das adversidades.

As palavras de Jesus em meio às dificuldades aos discípulos  

Jesus, porém, imediatamente lhes falou, dizendo: tende bom ânimo; sou eu; não temais (Mt 14.27).

Os discípulos ficaram com medo após verem Jesus andando sobre as águas, entretanto, Jesus disse três palavras a eles em meio as dificuldades que vale ressaltarmos:

Tende bom ânimo. Era como se Jesus estivesse dizendo: tenha coragem, esperança e não desista diante das tempestades da vida. Em outra ocasião ele disse: no mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo (Jo 16.33).

Sou eu. Está palavra se encontra invertida, mas é a mesma que Deus pronunciou a Moisés no deserto: Sou o que Sou (Ex 3.14). Jesus usa essa mesma palavra aos discípulos, afirmando que está com eles diante das dificuldades. Jesus no Evangelho de João disse: Eu sou o pão da vida (Jo 6.35); a luz do mundo (Jo 8.12); a porta (Jo 10.9); o bom pastor (Jo 10.11); a ressurreição e a vida (Jo 11.25); o caminho a verdade e a vida (Jo 14.6); a videira verdadeira (Jo 15.1,2).

Não temais. Alguns estudiosos da Bíblia dizem que a palavra não temas, aparecem 365 vezes nas Escrituras, um ano têm 365 dias. Enfim, para cada dia segundo eles, “Deus está dizendo para nós, não temas”. Portanto, essas três palavras Cristo dirige a cada um de nós em tempos de tribulação.

Pedro caminha sobre as águas

Os versos 28 a 32, nos mostra que Pedro anda sobre as águas. Primeiramente, o texto destaca que Pedro anda sobre as águas porque ele creu na palavra de Jesus. Assim também, nos andamos sobre os problemas da vida quando cremos na palavra de Deus. Além disso, Pedro começa afundar quando tira seu olhar de Jesus e o coloca nos ventos. Quando deixamos de olhar para Jesus, que é o autor e consumador da nossa fé (Hb 12.2), começamos afundar nas dificuldades. Por fim, Pedro viu que estava afundando, clamou a Jesus e ele o socorreu. Devemos pedir que Cristo nos socorra em tempos difíceis. Portanto, que possamos crer sempre nas palavras de Cristo, para que não sejamos homens de pequena fé como Pedro foi nesse relato.

Jesus é o filho de Deus

Então os que estavam no barco adoraram-no, dizendo: verdadeiramente tu és o filho de Deus (Mt 14.33).

Depois disso, os discípulos reconheceram que Jesus é verdadeiramente o filho de Deus. Isso nos chama atenção para a crença dos judeus, nenhum deles eram politeístas, mas monoteístas, isto é, creem apenas em um Deus. Quando eles disseram que Jesus é o filho de Deus, estava dizendo que Jesus é o próprio Deus. Logo, nessa passagem fica mais do que evidente que Jesus é Deus.

Conclusão

As lições que podemos aplicar para a nossa vida, são:

Primeiro, a oração é necessária pra vivemos uma vida cristã autentica. Segundo, na vida enfrentaremos ondas e ventos contrários. Terceiro, Jesus contempla todas as nossas dificuldades. Quarto, Jesus andando sobre o mar, estava provando sua divindade. Quinto, As palavras de Jesus em meio as dificuldades da vida: tende bom ânimo, Sou eu e não temais. Sexto, devemos olhar somente para Jesus o autor e consumador da nossa fé. Sétimo, Jesus é o filho de Deus.

Sidney Muniz

domingo, 25 de agosto de 2019

A Primeira Multiplicação dos Pães e Peixes



O livro de Marcos no capítulo 6 registra o milagre da multiplicação dos pães e peixes. Esse milagre é o único que ocorre em todos os evangelhos. Essa passagem tem muito a nos ensinar sobre a pessoa de Cristo e princípios práticos para a vida cristã.

Queremos destacar alguns pontos que contribuirão para o nosso aprendizado. 

O relatório dos discípulos 

Voltaram os apóstolos à presença de Jesus e lhe relataram tudo quanto haviam feito e ensinado (Mc 6.30).

Os discípulos trazem um relatório a Cristo de tudo quanto fizeram. Nesse relatório, tinha uma mensagem de arrependimento, expulsão de demônios, cura de enfermos e ungir com óleo (Mc 6.7-13). Assim, a semelhança dos discípulos, todos nós um dia apresentaremos um relatório a Deus. Primeiramente das nossas obras (Mt 7.22,23). Segundo, das nossas palavras (Mt 12.36,37).

Jesus chama os discípulos para repousar
 
E ele lhes disse: Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham (Mc 6.31).

Depois de os discípulos estarem fazendo a obra de Deus, Jesus os chama para descansar um pouco. O texto nos mostra que eles não tinham tempo nem para se alimentar. O ministério de Jesus era bastante corrido, por isso, Cristo mostra a eles a importância do descanso. Aprendemos pois, que para fazer a obra de Deus com dedicação e qualidade, precisamos dar importância ao descanso, porque assim renovaremos nossas forças.

Jesus embarca para um lugar solitário 

Então, foram sós no barco para um lugar solitário. Muitos, porém, os viram partir e, reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram antes deles (Mc 6.32,33).

Jesus juntamente com os discípulos vai para um lugar solitário. O lugar em que eles estavam era provavelmente a cidade de Betsaida, segundo o relato de Lucas. As multidões reconhecendo o lugar para onde Cristo iria, foram a pé e chegaram antes deles. Aqui aprendemos duas verdades: 

Em primeiro lugar, muitas das vezes precisamos ficar a sós. Jesus sempre se retirava com o intuito de falar com Deus e descansar. Segundo, as multidões não dispensavam esforço para ouvir a Cristo.

Jesus se compadece das multidões

Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas (Mc 6.34).

Esse trecho demonstra que Jesus ao desembarcar, viu uma grande multidão e se compadeceu delas. E o motivo de Cristo se compadecer, foi pelo fato de elas estarem sem pastor. Os pastores de Israel naquela época eram os “escribas e fariseus”, os responsáveis de formar a mente daquelas pessoas, mas não ofereciam auxílios a elas. Quando Jesus passa a ensinar-lhes, ele passa agir como o bom Pastor. Mateus registra que Jesus cura aquelas pessoas, já Lucas diz que Jesus ensina sobre o reino de Deus. Jesus ao curar e ensinar a palavra de Deus aquela multidão, estava demonstrando que ele está atento a todas as nossas necessidades espirituais. Ele cumpre a profecia de Ezequiel 34.11-16 e os Salmos 23.1-6. Isso nos revela que ele quer sempre levar seu povo a pastos verdejantes e ao refrigério.

Os discípulos pedem que Jesus despeça a multidão

E declinando à tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: É deserto este lugar, e já avançada à hora; despede-os para que, passando pelos campos ao redor e pelas aldeias, compre para si o que comer (Mc 6.35-36).

Os discípulos ficaram preocupados com a multidão, eles chegaram a Jesus e pediram que despedisse a multidão. A preocupação deles era justamente que aquelas pessoas não morresse de fome, que fossem pelas aldeias e comprasse para si o que comer. Mas os discípulos, não imaginavam que um milagre estava prestes acontecer. 

Jesus ordena que os discípulos alimentem a multidão

Porém ele lhes respondeu: Dai-lhe vós mesmos de comer. Dissera-lhe: Iremos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer? E ele lhes disse: Quantos pães tendes? Ide ver! E, sabendo-o eles, responderam: Cinco pães e dois peixes. Então, Jesus lhe ordenou que todos se assentassem, em grupos, sobre a relva verde. E o fizeram, repartindo-se em grupos de cem em cem e de cinquenta em cinquenta (Mc 6.37-40).

Jesus ordena que os discípulos alimentem a multidão. O livro de João relata a mesma narrativa, mostra que a fé dos discípulos estava sendo testada. Para eles era um grande desafio alimentar tantas pessoas. Jesus pergunta quantos pães eles tinham, responderam que tinha cinco pães e dois peixes. João registra que um rapaz entre a multidão tinha os pães e peixes. Depois disso, Jesus ordena que multidão fique em grupo sobre a relva. 

Portanto, o texto nos ensina que em certos momentos da vida, Deus nos coloca diante de muitos desafios para testar nossa fé, se Ele assim o faz é porque nos capacita e a ajuda. Às vezes pode parecer pouco o que temos, mas isso pode fazer muita diferença no reino de Deus, como aqueles cinco pães e dois peixes.

Jesus alimenta uma multidão

Tomando ele cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou; e, partindo os pães, deu-os aos discípulos para que os distribuíssem; e por todos reparti também os dois peixes. Todos comeram e se fartaram; e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe. Os que comeram dos pães eram cinco mil homens (Mc 6.41-44).

Jesus começa primeiramente agradecendo a Deus, e o milagre acontece naturalmente.  isso nos ensina que sempre devemos ser gratos a Deus. Se os pregadores da atualidade estivessem naquela situação, fariam de tudo para chamar atenção dos ouvintes para si mesmo, porém Jesus age de forma simples e humilde. O texto relata que todos comeram e fartaram-se, isso aponta para o Antigo Testamento, quando Deus alimentou os israelitas com o maná no deserto. Os dozes cestos que os discípulos recolheram, simboliza as dozes tribos de Israel. O numero de pessoas que Cristo alimentou era de cinco mil homens, isto porque naquela época não contavam crianças e mulheres; fazendo uma contagem total daria entre 20 a 25 mil pessoas. Assim, percebemos o tamanho do milagre que Cristo operou alimentando a multidão.

Conclusão

As lições que podemos aprender:

Primeiro, sobre o agradecimento. Jesus nos deu exemplo de gratidão, devemos ser gratos a Deus mesmo diante das coisas básicas da vida. Segundo, Jesus está atento as nossas necessidades físicas e espirituais. Terceiro, Jesus nos ensina sobre a importância do descanso. Quarto, Jesus é o bom Pastor. Quinto, Jesus é o próprio Deus.

Sidney Muniz