quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Escribas, Fariseus e Saduceus - Errando em não conhecer as Escrituras Sagradas

 


Por Leonardo Pereira

Os discípulos de Jesus o acompanharam nas suas caminhadas por todo o território de Israel e até terras próximas. Muitas vezes, usaram barcos para atravessar o mar da Galileia, um lago no norte do vale do Jordão. Naturalmente, levavam alguma coisa para comer no caminho nessas viagens. Mas, um dia, esqueceram o pão para comer no caminho. Esse fato estava na cabeça dos apóstolos quando Jesus falou: “Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus” (Mt 16.6). Eles pensaram imediatamente na sua fome e na preocupação em providenciar pão. Jesus percebeu que estavam conversando sobre a falta de pão e disse: “Por que discorreis entre vós, homens de pequena fé, sobre o não terdes pão? Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens e de quantos cestos tomastes? Nem dos sete pães para os quatro mil e de quantos cestos tomastes? Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães? E sim: acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus” (Mt 16.8-11). Essas palavras de Jesus Cristo nos ensinam lições importantes sobre a interpretação e a aplicação dos seus ensinamentos no que concerne a religiosidade de grupos do tempo de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Os Escribas

Escriba é um termo utilizado para designar pessoas que na antiguidade exerciam funções relacionadas ao domínio da escrita. O significado mais comum de escriba na Bíblia refere-se aos intérpretes da Lei, mas a aplicação desse termo depende do contexto em que ele está empregado. Como na antiguidade poucas pessoas dominavam a arte da leitura e escrita, a profissão de escriba era muito considerada. Neste texto, conheceremos um pouco mais sobre quem eram os escribas na Bíblia.

Qual o significado de escriba?

A palavra escriba é utilizada para traduzir pelo menos quatro termos originais encontrados na Bíblia, sendo, o hebraico sopher e os gregos grammateus, nomikoi, também traduzido como “doutores da lei”, e nomodidaskaloi, também traduzido como “mestres da lei”. Para entendermos melhor o significado de escriba, bem como a função que exerciam, precisamos considerar algumas passagens do Antigo e do Novo Testamento onde essas pessoas aparecem.

Os escribas no Antigo Testamento

Originalmente, no Antigo Testamento, o escriba era a pessoa que inspecionava e cuidava de documentos. Geralmente o escriba aparece em alguns textos designado como “escrivão” (2 Cr 26.11; 2 Rs 25.19). Como dissemos, o termo empregado no Antigo Testamento é o hebraico sopher, que deriva de saphar, que significa “contar” ou “dizer”. Esse era um ofício altamente técnico. Tal pessoa poderia ser um tipo de secretário real que possuía nível de ministro, e era o responsável por registrar informações importantes para a corte. Em alguns casos, a função do escrivão estava relacionada à tesouraria do estado (2 Sm 8.17; 1 Rs 4.3; 2 Rs 12.10; 18.18). O escriba chefe, por exemplo, era um dos principais conselheiros do rei.

Ainda do Antigo Testamento, às vezes encontramos o escriba designado como um simples secretário que escreve uma carta (Ed 4.8), mas em outras vezes o escriba aparece responsável por transcrever as Escrituras, como é o caso de Baruque (Jr 36.26,32). Apesar de mesmo antes do fim do exílio o escriba, em algumas ocasiões, já poder ser alguém que copiava, estudava, interpretava e ensinava as Escrituras (Jr 8.8,9), a aplicação da função do escriba relacionada, principalmente, ao estudo, copia e guarda da Lei, pode ser vista especialmente após o período de cativeiro babilônico. Em Neemias 8.9 lemos que Esdras era ao mesmo tempo sacerdote e escriba, o que sugere que inicialmente, após o exílio, essa poderia ser uma função pertencente aos sacerdotes, apesar de que antes disto a tarefa do escrivão parece ter sido completamente separada do sacerdócio.

Os escribas no período intertestamentário

Foi após o período dos grandes profetas, depois do exílio, no período interbíblico, que os escribas passaram a exercer uma influência maior sobre o povo, visto que a Lei Mosaica assumiu uma condição ainda mais proeminente. Assim, durante esse período os escribas já eram reconhecidos como alguém que executava uma função honorária relacionada ao estudo da Lei. Por volta do século 2 a.C., boa parte dos escribas eram também sacerdotes. Foi nesse período que começaram a surgir os escribas da forma com que aparecem no Novo Testamento.

Os Escribas no Novo Testamento

No Novo Testamento, devemos entender os escribas como sendo aqueles que eram especialistas na interpretação da Lei. Foram eles os principais originadores do culto na sinagoga. Conforme já foi citado, os termos gregos aplicados no Novo Testamento para se referir aos escribas também podem ser traduzidos como “doutores da lei” e “mestres da lei”, de modo que tais traduções são sinônimas da palavra “escribas” nos livros do Novo Testamento. Assim, nunca encontraremos as expressões “escribas” e “mestres da lei” juntas na mesma sentença. Alguns escribas também pertenciam ao Sinédrio (Mt 16.21; 26.3), de modo que tais expressões, doutores da lei e mestres da lei, se referem ao fato de que eles eram responsáveis pela administração da Lei nos julgamentos do Sinédrio.

Os escribas que aparecerem no Novo Testamento tinham a função de preservar a Lei. Eles eram profundos estudiosos da Lei, e também guardiões dela, principalmente quando o sacerdócio se corrompeu no período helenístico. Eles instruíam muitos alunos na Lei, e exigiam que tais alunos fossem capazes de transmitir o que havia sido ensinado sem qualquer variação. Eles também faziam algumas atividades no Templo (Lc 2.46; Jo 18.20). Os escribas deveriam ministrar seu ensino de forma gratuita, porém em muitos casos provavelmente tais ensinos eram transmitidos mediante pagamento, e inclusive eles tiravam vantagem da posição de honra que ocupavam diante do povo (Mt 10.10; Mc 12.40; Lc 20.47; cf. 1 Co 9.3-18).

Os escribas aparecem nos Evangelhos geralmente acompanhados dos fariseus, ou seja, pertenciam principalmente ao partido deles, mas constituíam um grupo distinto. Por diversas vezes eles entraram em conflito com Jesus, pois o Senhor condenava a hipocrisia e o formalismo exterior que estimulavam (Mt 7.28,29). A maioria deles fazia oposição aberta ao ministério de Cristo (Mt 21.15), mas alguns deles vieram a crer (Mt 8.19). Os escribas também tinham uma preocupação muito grande em aplicar e transmitir no cotidiano a lei oral, isto é, as diversas normas legais não escritas. Eles priorizavam tanto a tradição oral que a elevaram acima da Lei escrita, e por esta razão foram duramente repreendidos pelo Senhor (Mc 7.1-13).

Os Fariseus

Os fariseus eram um grupo religioso que se originou dois séculos antes de Cristo. Eles eram líderes de um movimento para trazer o povo de volta a uma submissão estrita à palavra de Deus e eram considerados geralmente como os servos mais espirituais e devotos de Deus. A oposição vigorosa de Jesus contra eles deixava muitos perplexos. A maioria das pessoas daquele tempo pensava que se alguém fosse fiel ao Senhor, certamente seriam os fariseus. O Senhor decididamente inverteu os valores do mundo (Lc 16.15). 

Seguiam a tradição

Os fariseus seguiam não somente a lei escrita de Deus, mas também as tradições orais que lhes tinham sido passadas. Eles acreditavam que ambas eram a vontade de Deus. Jesus não seguiu as tradições deles; da¡, eles atacaram-no (Mt 15.1-14; Mc 7.1-13). Ele respondeu às críticas deles distinguindo claramente entre a lei de Deus e os mandamentos dos homens. Jesus guardou todas as leis de Deus, mas sempre ignorou as regras do homem. Ele lhes mostrou que, guardando a tradição, os fariseus na realidade quebravam a palavra de Deus (Mt 15.3-6). Muitas igrejas modernas imitam os fariseus. Elas se agarram a suas tradições acima da palavra de Deus. Muitas delas têm credos ou catecismos junto com a Bíblia aos quais eles dão sua fidelidade. Outros colocam os ensinamentos do pastor, pregador ou papa no mesmo nível com as Escrituras. Jesus advertiu: "Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens" (Mt 15.9).

Proprietários da Lei de Deus

A ideias dos fariseus era colocar uma cerca em volta da lei de Deus. Desde que a lei de Deus proibia o trabalho no sábado, por exemplo, eles proibiam as mulheres de olharem num espelho no sábado. O raciocínio deles: se uma mulher olhasse num espelho poderia ver um cabelo branco e ser tentada a arrancá-lo, e arrancar poderia ser trabalho. Eles Estamos procurando impressionar os homens ou servir a Deus humildemente? estavam procurando fazer uma cerca mais restritiva que a palavra de Deus. O motivo deles era louvável; eles queriam estar certos de que ninguém jamais quebrasse a lei de Deus. Eles pensavam que não rompendo-se a cerca, não se chegaria nem perto de quebrar a lei. Havia apenas um problema com a abordagem deles: se Deus quisesse uma cerca em volta de sua lei, ele mesmo teria construído uma. Ele não o fez; portanto, nós também não deveríamos fazê-lo (Mt 23.4; Lc 11.46).
Buscavam ser honrados

Jesus condenou os fariseus pelo interesse deles em impressionar os outros (Mt 23.5-12; Mc 12.38-40; Lc 16.15; 20.46,47). Eles tinham aperfeiçoado diversas técnicas de chamar atenção, como usar roupas especiais para fazê-los parecer mais religiosos, orar e jejuar de modos muito visíveis (Mt 6.1-18), e disputar pelas posições mais elevadas tanto na sinagoga como no mercado. Eles insistiam em que os outros lhes dessem títulos especiais de respeito, quando os saudassem, porque queriam ser notados e admirados.

Amavam o dinheiro

Os fariseus eram cobiçosos (Lc 16.14). Jesus os acusou de roubalheira (Mt 23.25) e de devorar as casas das viúvas (Mc 12.40; Lc 20.47). É difícil saber exatamente como eles "devoravam" as casas das viúvas; talvez persuadindo-as a fazer grandes doações. Certamente, pessoas de má fé no meio religioso hoje em dia têm explorado os pobres e velhos forçando-os a fazerem doações além de suas condições. Alguns até ridicularizam as doações pequenas (chocante, à vista de Lc 21.1-4; Mc 12.41-44) e garantem bênçãos financeiras do Senhor em troca de enormes ofertas. Claramente, assim como seus mentores antigos, eles cobrem sua exploração com um verniz de fervor religioso (observe as longas orações de Mc 12.40; Lc 20.47). Não é de admirar que Jesus advertisse: "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno Os hipócritas religiosos de nossos dias cumprem seus deveres religiosos externos perfeitamente, mas permitem que pecados como orgulho, inveja e ódio floresçam por dentro.duas vezes mais do que vós" (Mt 23.15).

Viviam hipocritamente

Os fariseus eram falsos, pretendendo ser algo que não eram. Eles limpavam minuciosamente o exterior (a parte que as pessoas podiam ver), mas negligenciavam a justiça interior (Mateus 23:23-33). Eles invertiam o que era racional. Uma vez que o pecado começa no coração, a operação de limpeza tem que começar aí também. Jesus comparou a maneira farisaica com alguém que limpasse cuidadosamente o exterior de uma taça ou prato, mas deixasse comida apodrecendo por dentro sem se importar com isso. Conquanto não se queira beber numa taça que esteja suja por fora, a primeira preocupação é com a limpeza interior. Os hipócritas religiosos de nossos dias cumprem seus deveres religiosos externos perfeitamente, mas permitem que pecados como orgulho, inveja e ódio floresçam por dentro.

Os fariseus demonstravam hipocrisia de um segundo modo. Eles desequilibravam-se, dando o dízimo de cada pequena erva enquanto ignoravam totalmente os princípios mais importantes da vida espiritual. Jesus comparou-os com alguém que se certificasse de ter coado cada mosquito de sua bebida; após, porém, engolisse um camelo inteiro! Ele não estava criticando a insistência farisaica por um dízimo rigoroso, mas dizendo que a ênfase precisava ser posta na fidelidade, no amor e na justiça. Infelizmente, os escrúpulos dos fariseus em atender às minúcias deixavam que eles se sentissem justificados por negligenciar princípios elementares da lei. 

Eram cegos

Jesus expôs a cegueira de sua geração (cf. Mt 13.13-15). Apesar de examinarem as Escrituras diligentemente, os fariseus deixavam de ver o que elas estavam indicando (Jo 5.39,40). Sua pesquisa exaustiva e horas incansáveis de estudo não produziam para eles discernimento da verdadeira mensagem da Bíblia. Eram preconceituosos, permitindo que seus desejos velassem o que as Escrituras ensinavam. Seu orgulho impedia-os de se humilharem o suficiente para permitirem que o Senhor abrisse seus olhos (Jo 7.45-52; 9.24-34). Eles deturpavam as palavras que Jesus dizia e negavam seus milagres (Mt 12.22-24). Eles recorriam a desonestidade absoluta (Mt 28.11-15). A questão penetrante é: somos cegos também? Ler a Bíblia não nos imuniza. Somente um coração terno e um amor pelo Senhor nos capacitarão a entender as Escrituras que lemos.

Os Saduceus

Os saduceus eram um partido religioso e aristocrático que emergiu no período entre o Antigo e o Novo Testamento. O partido dos saduceus era formado principalmente por famílias sacerdotais. Por isto geralmente o sumo sacerdote pertencia a este grupo. Os saduceus são mencionados diversas vezes no Novo Testamento, sobretudo em oposição a Jesus Cristo (Mt 3.7; 16.1-12; 22.23,24; Mc 12.18-27; Lc 20.27-38; At 4.1,2; 5.17; 23.6-8). Além do texto bíblico, os saduceus são também mencionados em fontes históricas do período em que estiveram em atuação. Durante o ministério de Jesus e depois no período apostólico, os saduceus estavam intimamente relacionados ao sacerdócio e as questões do Templo. Politicamente, eles apoiavam o estado atual. Eles não formavam um grupo tão numeroso e popular como os fariseus, mas tinham entre seus membros e apoiadores as pessoas mais poderosas. Por causa de sua ênfase materialista e seu comodismo, para os saduceus as coisas deveriam permanecer como estavam. Eles desfrutavam de prestigio e influência, e não queria que nada disto mudasse.

Apesar das diferenças, em muitas ocasiões do ministério de Jesus os saduceus se aliaram aos fariseus em oposição a Ele. No entanto, a motivação para tal oposição era essencialmente diferente entre esses dois grupos. Os fariseus basicamente viram em Jesus uma ameaça a sua religiosidade hipócrita e ao seu sistema de salvação por obras. Os saduceus, por sua vez, viram em Jesus uma ameaça a sua posição de influência e as suas fontes de lucro e posses materiais. Por isto em determinadas ocasiões Jesus condenava os ensinos de ambos os grupos de uma só vez (Mt 16.6-11). O mesmo também o fez João Batista, ao dizer a fariseus e saduceus: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” (Mateus 3:7). Ao discutir com os saduceus, Jesus utilizou passagens do Pentateuco para apontar os erros da doutrina daquele grupo (Mc 12.26,27; Lc 20.37; cf. Êx 3.6). Por fim, saduceus e fariseus cooperaram entre si no plano para matar o Senhor Jesus (Mt 16.1-11; 22.15-23; 26; 27.20). Depois, saduceus e fariseus mais uma vez se reuniram diante de Pôncio Pilatos para tentar garantir que qualquer crença na ressurreição de Jesus fosse reprimida (Mt 27.62-66).

A origem dos saduceus

Não é possível determinar com exatidão como o partido dos saduceus se originou. Por conta disto, também não se conhece a raiz e o significado exato de seu nome. Muitas teorias já foram levantadas na tentativa de responder a estes questionamentos. O problema é que a maioria dos registros sobre quem eram os saduceus, não traz um relato detalhado e imparcial sobre o eles. Flávio Josefo, por exemplo, foi um dos que mais escreveu sobre os saduceus em suas obras. Porém, de certa forma ele assim o fez com um tom hostil, visto que ele próprio era um fariseu, um partido oposto aos saduceus em muitos aspectos.

Dentre todas as teorias que falam da origem dos saduceus, a mais plausível conecta o nome desse partido a Zadoque, o sumo sacerdote. Zadoque compartilhou o sumo sacerdócio com Abiatar enquanto Davi foi rei de Israel (2 Sm 8.17; 15.24; 1 Rs 1.35). Depois, durante o reinado do rei Salomão, Zadoque foi escolhido como o único sumo sacerdote (1 Rs 2.35). Então os descendentes de Zadoque mantiveram o oficio de sumo sacerdote durante muito tempo. Acredita-se que no período interbíblico, quando os saduceus surgiram, o sumo sacerdócio ainda pertencia à casa de Zadoque.

Ainda dentro desta linha de pensamento, existe muita discussão acerca da forma original que o partido dos saduceus surgiu. Alguns acreditam que eles surgiram originalmente como um partido político. Outros pensam que o grupo dos saduceus nasceu com um propósito especialmente religioso. Há ainda aqueles que defendem que em sua origem, os saduceus eram um partido puramente aristocrático. Seja como for, entre os saduceus dos dias do Novo Testamento estavam os sacerdotes e a elite de Jerusalém. Isto significa que muitas das pessoas mais ricas e influentes do eixo político-religioso dos judeus, pertenciam a este grupo.

A doutrina dos saduceus

De forma geral, os saduceus reconheciam apenas o Pentateuco como Escritura com autoridade suprema. Para eles, a Lei escrita por Moisés era superior aos escritos dos profetas e as demais obras. Diferentemente dos fariseus, eles rejeitavam terminantemente as tradições orais. Pode-se dizer que o centro da doutrina dos saduceus era marcado por uma ênfase humanista. Isto obviamente afetava sua visão acerca do próprio Deus e suas obras. Eles negavam a providência divina, e rejeitavam qualquer ensino acerca dos decretos de Deus. Os saduceus acreditavam que Deus nunca interferia na história de modo a afetar a vida dos homens. Então os saduceus acreditavam que o homem tinha total livre arbítrio, e que tudo o que acontecia, bem ou mal, era resultante do próprio curso da ação e autodeterminação humana. Ao contrário dos fariseus, os saduceus negavam a imortalidade da alma e consequentemente não acreditavam na ressurreição e no juízo final (Mt 22.23-32). Além disso, eles não aceitavam a existência de anjos e espíritos (At 23.6-8).

Conclusão

A declaração “errais por não conhecer as Escrituras nem o poder de Deus” revelou exatamente o estado em que viviam os saduceus. Curiosamente os saduceus eram justamente os homens que naquele tempo deveriam ser os maiores conhecedores das coisas de Deus. Mas eles viviam no engano porque não conheciam as Escrituras e nem o poder de Deus. Ainda hoje essa é a realidade de muita gente. Multidões repetem o erro dos saduceus. Muitos vivem uma religiosidade vazia e desprovida da verdade. Essas pessoas distorcem as Escrituras que tanto dizem conhecer, aplicando-as ao seu bel prazer para satisfazer seus conceitos humanos. Consequentemente, essas pessoas falam de um deus que definitivamente não é o verdadeiro Deus revelado na Bíblia. A essas pessoas Jesus continua a dizer: “Errais por não conhecer as Escrituras e nem o poder de Deus”.



Referências:

ATAÍDE, Romulo; MUNIZ, Sidney; PEREIRA, Leonardo; ROGÉRIO, Marcos. Comentário Bíblico Evangelho Avivado Volume 1 - Antigo Testamento. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.

BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

CAMPOS, Ygor; PEREIRA, Leonardo; SILVA, Oliveira. Comentário Bíblico Evangelho Avivado Volume 2 - Novo Testamento. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.

GONÇALVES, Matheus. O Evangelho do Médico Amado. São Paulo: Evangelho Avivado, 2019.

PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia - Livro por Livro. São Paulo: Vida, 1984.

RIBEIRO, Anderson. A Mensagem de Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.

SILVA, Oliveira. A Missão dos Discípulos de Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2018.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

A Cura de Naamã - Milagres Acontecem ainda Hoje

 


Por Leonardo Pereira



Quase 3.000 anos atrás, a nação de Israel sofria com a opressão do povo da Síria. Uma menina hebreia foi levada para ser escrava da mulher de Naamã, comandante do exército da Síria. Mesmo nessa circunstância, a menina mostrou bondade e se compadeceu de Naamã, que sofria da doença de lepra. Ela falou sobre Eliseu, um profeta em Israel, e sugeriu que este homem teria condições de curar a lepra de Naamã.

Naamã aceitou a sugestão e foi para Israel. Por meio do rei de Israel, ele conseguiu contato com Eliseu e foi até a casa do profeta. Eliseu não ficou lisonjeado com a visita desse dignitário e nem atendeu o visitante pessoalmente. O profeta mandou um mensageiro para orientar o comandante. A instrução foi simples: “Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo” (2 Rs 5.10). Naamã ficou indignado, porque a atitude do profeta não correspondeu às suas expectativas. Ele imaginou que Eliseu faria um ritual de cura pessoalmente, não que mandaria se mergulhar em um rio sujo! Ele até citou os nomes de rios melhores na sua própria terra. Ele foi embora bravo, mas os oficiais de Naamã conversaram com ele e o comandante mudou de ideia. Foi ao rio Jordão, mergulhou sete vezes e ficou completamente curado!

Naamã voltou e insistiu que Eliseu recebesse um presente em pagamento pela cura, mas o profeta recusou. Depois da saída de Naamã, o servo de Eliseu, um rapaz chamado Geazi, correu atrás e pediu uma pequena parte dos bens que Naamã havia levado para dar ao profeta. Naamã não hesitou, e lhe deu o que pediu. Quando Geazi voltou, ele mentiu para Eliseu sobre o que havia feito. Em consequência dos seus atos, ele e seus descendentes sofreram com lepra. Vamos observar alguns pontos dessa história que nos ensinam lições importantes:

1: Devemos vencer o mal com o bem. A menina escrava mostrou bondade para as pessoas que a maltratavam. Ela mostrou exatamente a atitude que os apóstolos ensinaram no Novo Testamento (1 Pe 3.9; Rm 12.17-21).

2: As instruções de Deus não precisam fazer sentido para nós. Naamã tinha certas expectativas, mas foi decepcionado pela orientação que o profeta lhe deu. Não queria obedecer e, assim, quase perdeu a oportunidade de ser curado. Hoje, até muitos líderes religiosos passam os ensinamentos bíblicos pela peneira do raciocínio humano e recusam obedecer algumas instruções que o Senhor deixou. Consideremos um exemplo simples. Jesus e os apóstolos ensinaram a necessidade do batismo para receber a salvação, para alcançar o perdão dos pecados (Mc 16.16; At 2.38). Muitos religiosos, incapazes de conciliar essas ordens com seu entendimento da graça de Deus, descartam o batismo ou o tratam como um símbolo bonito, mas desnecessário.

3: O servo fiel ao Senhor não vê sua obra como fonte de lucro. Eliseu recusou usar seus dons para adquirir riquezas. É triste observar quantos pastores da nossa época fazem exatamente o oposto. Por seus constantes apelos financeiros, praticamente vendem as supostas bênçãos. Paulo avisou sobre homens que “não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos” (Rm 16.18).

4: A ganância leva à ruína. No caso de Geazi, a consequência foi imediata e visível. Em outros casos, pode demorar, mas virá. Paulo contrariou as doutrinas que dominam a religião atual quando disse: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição” (1 Tm 6.8,9).

Devemos aprender as lições da história de Naamã.



terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Comentário Bíblico Mensal: Dezembro/2020 - Capítulo 1 - O Chamado do Profeta Eliseu

 


Comentarista: Leonardo Pereira


Texto Bíblico Base Semanal: 1 Reis 19.15-21


15. E o Senhor lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; e, chegando lá, unge a Hazael rei sobre a Síria.

16. Também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel; e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar.

17. E há de ser que o que escapar da espada de Hazael, matá-lo-á Jeú; e o que escapar da espada de Jeú, matá-lo-á Eliseu.

18. Também deixei ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou.

19. Partiu, pois, Elias dali, e achou a Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele, e ele estava com a duodécima; e Elias passou por ele, e lançou a sua capa sobre ele.

20. Então deixou ele os bois, e correu após Elias; e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei. E ele lhe disse: Vai, e volta; pois, que te fiz eu?

21. Voltou, pois, de o seguir, e tomou a junta de bois, e os matou, e com os aparelhos dos bois cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram; então se levantou e seguiu a Elias, e o servia.


Momento Interação

Amados irmãos, no último mês do ano de 2020 estaremos finalizando os nossos estudos do Comentário Bíblico Mensal do ministério Evangelho Avivado. Estudaremos a respeito de um dos personagens de maior referencial para a vida cristã do Antigo Testamento: o profeta Eliseu. Observar a vida, o ministério profético e sua conduta para os tempos de hoje é um fortalecimento espiritual grandioso para as nossas vidas e para as próximas gerações. O comentarista deste mês é Leonardo Pereira. Ministro do evangelho, articulista, graduado em Antigo Testamento pelo IBAD-SP, e escritor de diversas obras do Ministério Evangelho Avivado. Deus vos abençoe com os estudos deste grande profeta, como um exemplo de um grande homem de Deus, afim de nos prepararmos com excelentes frutos para o Senhor no próximo ano que virá. Bons estudos!

Introdução

Neste último Comentário Bíblico Mensal deste ano, estudaremos sobre a vida e o ministério do profeta Eliseu. Ao decorrer deste estudo perceberemos a importância deste profeta na nação de Israel, bem como a sua grande relevância para a Igreja de Cristo. Seu exemplo ético, moral, profético e espiritual fazem dele, um dos personagens mais importantes no que se refere à conduta profética e intimidade com o Senhor. Por isso, estudar a natureza da vida e ministério do discípulo de Elias é extrairmos importantes lições em um tempo aonde precisamos urgentemente de referências na esfera bíblica e cristã. Eliseu reúne estas esferas em sua pessoa, tanto em sua conduta profética, quanto em sua vida social e moral. Estudarmos a vida e o ministério do profeta Eliseu é entrarmos no caminhado da referência de conduta cristã, tão vital para os nossos dias.

I. O Contexto do Chamado de Eliseu

A chamada de Eliseu foi realizada em circunstâncias que foram preparadas pelo Senhor para um momento específico e propício. A nação israelita estava passando no período de Eliseu por muitas mudanças. Mudanças estas que Eliseu participaria futuramente como um grande profeta. Mas antes disso, temos por observância as condições em que Eliseu foi chamado para ser um valoroso e importante profeta do Senhor. A história deste grande homem de Deus mostra-se sublime desde antes de seu chamado até quando inicia a sua caminhada profética com Deus.

1. O Contexto da Época de Eliseu. O período de Eliseu é marcado por drásticas mudanças na nação de Israel. Com a ascensão de Acabe juntamente com sua esposa ímpia Jezabel, inicia-se uma época pagã, sincrética e blasfema na nação, e em meio a esta situação caótica que Israel se encontrava, parecia que um período de escuridão profunda iria pairar em Israel, conforme o relato bíblico: "E fez Acabe, filho de Onri, o que era mau aos olhos do Senhor, mais do que todos os que foram antes dele. E sucedeu que (como se fora pouco andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate) ainda tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi e serviu a Baal, e o adorou" (1 Rs 16.30,31). 

2. As Circunstâncias da vida de Eliseu. Eliseu entra no relato das Escrituras Sagradas em um período muito importante da nação de Israel. Ele é a parte importantíssima da extensão do intervalo entre os últimos momentos da atuação profética de Elias, e o fim do reinado da casa de Acabe. Este período é caracterizado se iniciando com a chamada de Eliseu para o ministério profético em sua cidade em Israel, Abel-Meolá (1 Rs 19.16), e se estendendo por toda a trajetória que ele faz, à partir de seu intenso aprendizado para o grandioso serviço na preciosíssima lavoura do Senhor.

3. Do núcleo familiar para o chamado do Senhor. Eliseu se encontrava em seu ambiente familiar em Israel em Abel-Meolá, uma região conhecida por ser o local de nascimento e residência do profeta Eliseu. Estava localizado perto do rio Jordão. Diante deste momento, Deus o chamava para um poderoso ministério, fazendo-o dele um grande homem de Deus para exemplo de muitos, chamando-o da mesma maneira como o Senhor Deus convocou o profeta Jeremias para tal gloriosa obra: "Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta" (Jr 1.5).

II. Elias - O Mentor de Eliseu

O profeta Elias é levantado pelo Senhor como uma poderosa voz profética para denunciar os terríveis males cometidos pelo casal na liderança governamental de toda a nação. Elias os confrontam e eles buscam de várias maneiras envergonhar à Elias e ao Deus de Israel, bem como tentar tirarem a vida de Elias. Deus poderosamente agiu na vida de Elias glorificando e exaltando o seu Santo e Precioso Nome, e com isso, era-lhe necessário haver um sucessor para dar prosseguimento à Obra de Deus. E no encontro em que Eliseu tem com Elias, é que ali, dá-se o começo de seu ministério profético. De um homem de família à um estupendo profeta, assim seria a mudança da vida de Eliseu. 

1. Deus instrui ao profeta Elias. Elias é um profeta que entra nos registros sagrados como um homem que vem da região de Tisbe, um local ainda hoje desconhecido na geografia israelita da sua época, mas que neste momento é levantado por Deus por confrontar ao rei Acabe e ao seu perverso reinado sobre Israel naquele período. Ao proclamar um duro rigor divino sobre a nação, que não choveria durante três anos e seis meses (cf. 1 Rs 17.1; 18.1; Tg 5.17), a nação se desestabiliza, o rei e sua esposa não se rendem perante ao Senhor, e em meio à muitos milagres realizados por Deus através de Elias, combates ferrenhos contros profetas de Baal e ameaças por parte de Jezabel, esposa de Acabe (1 Rs 17.8-19.4), chega-se o momento em que o Senhor lhe instrui à encontrar com seu futuro sucessor, aquele que daria prosseguimento ao ministério profético em Israel com grande poder e virtude: "E o Senhor lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; e, chegando lá, unge a Hazael rei sobre a Síria. Também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel; e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar" (1 Rs 19.15,16).

2. Elias chama à Eliseu. O chamado de Elias a Eliseu é muito diferente daquilo que podemos observar em nossos dias. Naquela época ao jogar a capa por cima de alguém era já um sinal de responsabilidade e seriedade para uma grande e poderosa obra. Não foi diferente com Eliseu, já que o proferta Elias passa uma responsabilidade grandiosa para Eliseu, que é o de compreender a missão para qual Deus o havia chamado, como o texto bíblico nos mostra: "Partiu, pois, Elias dali, e achou a Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele, e ele estava com a duodécima; e Elias passou por ele, e lançou a sua capa sobre ele. Então deixou ele os bois, e correu após Elias; e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei. E ele lhe disse: Vai, e volta; pois, que te fiz eu?" (cf. 1 Rs 19.19,20). Eliseu já possuia em mente que foi chamado para uma poderosa obra divina, e a capacitação viria com o tempo, acompanhando o ministério de Elias e sendo instruído por ele com grande entendimento.

3. Elias discipulando à Eliseu. Havia naquele momento, o início de um discipulado intenso para Eliseu, sendo ele mentoreado por Elias: "Voltou, pois, de o seguir, e tomou a junta de bois, e os matou, e com os aparelhos dos bois cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram; então se levantou e seguiu a Elias, e o servia" (1 Rs 19.21). O jovem moço de Abel- Meolá tinha agora como seu propósito de vida, seguir à Elias e aprender com ele. O propósito de Eliseu era seguir os desígnios de Deus. Do recôndito do seu lar para os desafios do ministério profético requer grande empenho, dedicação, e confiança extrema no Senhor, fatores estes que tanto Elias quanto Eliseu, tinha por excelência em suas respectivas vidas. Da saída de Abel-Meolá para os passos de Elias, encontrava-se Eliseu ao início do seu ministério de profeta da nação israelita.

4. Elias - o mentor de Eliseu. O profeta Elias nos mostra que um verdadeiro profeta do Senhor é verdadeiramente aquele que faz e obedece a sua poderosa vontade em obras e em palavras. Em nenhum momento das Sagradas Escrituras encontramos no ministério de Elias corrupção, personalidade dupla, segundas intenções ou mesmo aproveitamento do seu ministério para a sua promoção própria em Israel. Muito pelo contrário; encontramos um homem que se refugiava para longe da sua pátria, em cavernas, em desertos, desanimado muitas vezes pela perseguição e pela afronta do inimigo, mas que mantinha em estima a sua integridade e responsabilidade ministerial profética acima de qualquer outra coisa. Com a propagação de falsas profecias e falsas mensagens que não provém do Senhor, o ministério profético tem sido extremamente depreciado hoje pelas igrejas. Mas ao voltarmos à Palavra de Deus e darmos a devida atenção ao mentor de Eliseu, encontramos ali, a verdadeira condição profética destes homens de Deus, cumprindo-se assim o que o Espírito Santo revelou ao apóstolo Paulo para o Corpo de Cristo: "Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas. E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores; Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo" (Ef 4.10-12). 

III. A Porção Dobrada sobre Eliseu

Os ensinamentos teocêntricos juntamente com o acompanhamento de Elias com o  seu discípulo de Abel-Meolá, prosseguia-se com o objetivo de prepará-lo para ser o seu sucessor ao ministério profético para a nação israelita após a sua partida. Elias até aquele momento, passou por inúmeras situações, algumas das quais Eliseu o seguiu e também o serviu de perto durante alguns eventos decorridos em Israel, à conferir, ao ministério do profeta Elias. Do seu chamado de sua terra-natal até o momento em que assumiu a confirmação profética em Israel, um crescimento moral e espiritual foi formado em Eliseu dando à ele uma condição autentificado pelos homens e pelo próprio Deus. 

1. O Acompanhamento de Eliseu com Elias. O profeta Elias preparou constantemente, devido cuidado esmerado para com a vida e com o ministério do jovem discípulo Elias. A Palavra do Senhor continuamente nos mostra de maneira específica como foi o relacionamento entre eles: Um grande mentor e uma evolução do discípulo em constante comunhão em prol dos projetos maravilhosos do Senhor para Israel: "Então deixou ele os bois, e correu após Elias; e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei. E ele lhe disse: Vai, e volta; pois, que te fiz eu? Voltou, pois, de o seguir, e tomou a junta de bois, e os matou, e com os aparelhos dos bois cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram; então se levantou e seguiu a Elias, e o servia" (1 Rs 19.20,21).

2. Eliseu presenciando o ministério profético de Elias. Eliseu foi uma testemunha ocular dos últimos períodos do ministério de Elias. Desde o momento em que foi colocado sobre ele a capa do profeta do Senhor em sua terra-natal pelo próprio Elias, a vida de Eliseu nunca mais foi a mesma. Pessolamente presenciou esse ministério poderoso em obras e palavras diante de Deus e de toda Israel. À partir do momento em que Eliseu iniciou seu discipulado profético com o experiente profeta Elias, diversos momentos ele presenciou com atenção a manifestação da atuação divina por intermédio do Arauto do Senhor residente da região de Tisbe (1 Rs 17.1). Observamos o acompanhamento de Eliseu com Elias como no momento da cruel morte de Nabote, e da ameaça de Elias à Acabe e à sua esposa ímpia, Jezabel (cf. 1 Rs 21.1-29), a aliança de Josafá com Acabe (1 Rs 22.1-28), bem como a morte de ambos e a sucessão de seus respectivos filhos nos tronos de Israel e de Judá, Acazias, filho e de Acabe, e a Asa, filho de Josafá (cf. 1 Rs 22.29-54).

3. A Porção Dobrada. Perto de seu ministério profético, tendo Eliseu visto e ouvido tudo o que ele podia na companhia de Elias, este grande homem de Deus lhe faz uma importante e decisiva pergunta: "Sucedeu que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti" (2 Rs 2.9a). A resposta de Elias foi determinante em todo o seu ministério profético, pois dela se precede o seu caráter e conduta como homem de Deus: "E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim" (2 Rs 2.9). Eliseu acompanhou o ministério de seu mentor, almejou buscar ter um ministério de poder dobrado do Senhor sobre ele. Eliseu sabia que o poder não provia dele mesmo, mas de Deus. Quem daria tal porção para Eliseu era o Senhor e nas palavra de Elias aconteceria em um momento muito propício, nos últimos momentos de seu ministério na terra.

4. O Encerramento do Ministério Profético de Elias. Eliseu tendo pedido porção dobrada do espírito de Elias sobre ele, presenciaria um dos momentos mais impactantes já relatado nas Escrituras. O poder dobrado do Senhor à semelhança do que possuía Elias só estaria com Eliseu se estivesse presente em uma ocasião: "E disse: Coisa difícil pediste; se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará, porém, se não, não se fará" (2 Rs 2.10). A presença no arrebatamento de Elias era o principal fator para o início do ministério de Eliseu. O discípulo do tesbita não o deixou em momento algum, ainda que este o insistisse em deixá-lo para seguir o seu caminho (cf. 2 Rs 1.1-6). Eliseu conhecia  desde o momento em que deixou a sua parentela a grandiosa responsabilidade em sucedê-lo  como profeta em Israel e este momento chegou conforme as Escrituras Sagradas nos informam: "E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho. O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel, e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, pegando as suas vestes, rasgou-as em duas partes" (2 Rs 2.11,12). Um ministério profético se encerrou e naquele momento, um novo surgiu. Era chegado o momento de Eliseu exercer o seu ministério profético no poder e no espírito do Senhor com porção dobrada, um ministério ainda mais poderoso e grandioso que o de seu mentor Elias. 

IV. Eliseu é confirmado por Profeta em Israel

O ministério de Elias, o Tesbita havia chegado ao fim. Arrebatado ao céu por meio de um redemoinho, deixa ele o legado ético e profético sobre Eliseu. Ainda que Elias não estivesse mais aqui, Deus por intermédio de Elias, preparou poderosamente à Eliseu em obras e palavras dali por diante. Israel à partir daquele momento, haveria grandes mudanças e a atuação divina por meio do profeta Eliseu fica visível em todas as suas aparições no relato bíblico. A confirmação de Eliseu como profeta do Senhor em Israel é mostrada em todos os aspectos, autenticado e por Deus nos Céus, reconhecido por todos os israelitas na terra, e ratificada pelos leitores da Palavra do Senhor.

1. A Visão de Eliseu. A visão de Eliseu sobre o arrebatamento de Elias é a plena confirmação que agora é o momento de lhe suceder. Chegara ali um fim de uma época de um grande homem de Deus e o surgimento de um grande profeta. Esta visão simboliza o revestimento de poder, fé e sabedoria do espírito de Elias que recaiu de forma dobrada sobre Eliseu para efetuar uma grande obra em Israel com o prosseguimento do seu ministério. Eliseu presenciou uma ação sobrenatural e extraordinária da parte de Deus que foi manifestada em sua frente, e assim, com grande poder vindo de Deus, chega o momento de suceder o seu mentor.

2. A Capa de Elias. Não é fácil uma sucessão ministerial, ainda mais um ministério profético. Deus, no entanto, prepara os seus obreiros para a grande seara que se encontra no mundo, dando-lhes entendimento e sabedoria para as situações que lhes serão advindas à todos os momentos de suas vidas. Não foi diferente com Eliseu. Ainda que  o momento de iniciar a sua obra na nação havia chegado, entre aquela visão do arrebatamento de Elias e o momento de lhe pegar as vestes que ali deixara, encontrava-se um homem admirado com tal manifestação mas consciente da sua missão: 'O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel, e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, pegando as suas vestes, rasgou-as em duas partes" (2 Rs 2.11,12). 

3. A Abertura do Jordão. As Escrituras Sagradas detalham com grande dedicação e esmero no que se refere ao início do ministério de Eliseu. Ao retorna para a borda do Jordão, teria de retornar aonde ambos estavam. Mas para isso, precisava passar pelo Jordão. Os filhos dos profetas se encontravam atentos naquele momento com os seus olhos fitos no sucessor de Elias (2 Rs 2.15a). Eliseu refaz o mesmo movimento da abertura que seu antecessor Elias fez. Assim como Elias no poder do Senhor abriu as águas do Jordão para passar, também Eliseu o fez no poder de Deus (2 Rs 2.14). Eliseu mostra não o seu poder, nem soberba e arrogância, mas mostra humildade em buscar à Deus quando diz: "Onde está o Deus de Elias?" (2 Rs 2.14b). Como autêntico profeta, verdadeiramente sabe que serve ao Deus Todo-Poderoso.

4. O Reconhecimento de Israel em Eliseu como Profeta. A passagem de Eliseu pelo Jordão em seco faz os filhos dos profetas ficarem admirados. Eles reconheceram que o Eliseu é o sucessor de Elias para executar o ministério profético em Israel (1 Rs 2.15). Deus mostra à todos que o ministério profético continua sobre a responsabilidade de um homem fiel, de caráter ilibado e que serve plenamente à Ele. Muitos ministérios fracassam porque estão com a imagem de que possuem o poder de Deus, mas estão com falta deste poder. Isso provém de um compromisso e responsabilidade para tudo aquilo que o Senhor nos coloca sobre a responsabilidade que ele nos confiou.

5. A zombaria dos jovens sobre o profeta Eliseu. Devemos tomar bastante cuidado para não entrarmos no caminho dos escárnios e da zombaria, seja de quem for a pessoa ccom a qual está sendo acometida por tal situação incômoda. A Bíblia narra um fato em que uns jovens estavam zombando da pessoa de Eliseu, lhe desrespeitando (2 Rs 2.24). O profeta de Abel-Meolá lhes profere uma palavra contra eles e então, aqueles quarenta e dois jovens foram vítimas de um ataque de duas ursas às quais lhes atacaram e ceifaram as suas vidas (cf. 2 Rs 2.2,25). Tomemos muito cuidado com aquilo que dizemos e fazemos, pois implicará em muito com o decorrer da vida, conforme diz a Palavra de Deus: "Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna" (Gl 6.7,8).

Conclusão

Elias se mostrou um autêntico discípulo se preparando para o ministério profético. Tinha a consciência que desde a saída de sua terra-natal,, de Abel-Meolá, haveria de passar por momentos de aprendizados e de perda, com o arrebatamento de Elias. Contudo, Eliseu possuía sabedoria e graça na presença do Senhor para pedir à Elias porção dobrada do teu espírito, com o foco de realizar uma fantástica obra profética para a glória do Senhor Deus. Em tempos tão tempestuosos em que nos encontramos, à semelhança de Eliseu, sabedoria e entendimento na obra do Senhor com atuação do seu soberano poder assim como ele obteve com um coração quebrantado e contrito, é o momento de buscarmos qualidades estas e poder do alto para estarmos preparados para a obra do Senhor.


Sugestão de Leitura da Semana: BARBOSA, Maxwell. Um Ministério de Poder. São Paulo: Evangelho Avivado, 2019.