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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Salmo 65 - Coroas o Ano da Tua Bondade

 




Por Leonardo Pereira



A dedicação de Davi à adoração do Senhor é evidente durante toda a sua vida, e especialmente nos últimos anos do seu reinado em Israel. Apesar de Deus não permitir que Davi construísse o templo em Jerusalém, esse servo dedicou seus últimos anos aos preparos para aquele edifício magnífico e trabalhou muito para organizar o culto e compor hinos para os israelitas honrarem ao Senhor. O Salmo 65 é um bom exemplo dessa adoração.

“A ti, ó Deus, confiança e louvor em Sião! E a ti se pagará o voto” (verso 1). Davi inicia esse cântico com o foco unicamente em Deus. Nenhum outro merece a confiança e a adoração dos homens. Todos devem dirigir seu serviço ao soberano Criador. Ele dedica o resto desse Salmo à enumeração de motivos para esse louvor.

Os homens devem louvar a Deus porque ele perdoa seus pecados: “Ó tu que escutas a oração, a ti virão todos os homens, por causa de suas iniquidades. Se prevalecem as nossas transgressões, tu no-las perdoas” (versos 2 e 3). Duas das características que definem Deus são a capacidade de responder às orações e o direito de perdoar pecados (Is 44.17,18; 45.17,22; Mc 2.10). É interessante observar aqui, também, a mensagem universal que Davi anuncia. Ele não vê Deus como unicamente o Salvador de Israel. Davi, como faria Isaías 300 anos depois, sugere a aplicação da misericórdia de Deus para todos os homens (Is 2.1-4).

Devemos valorizar o privilégio da comunhão com Deus: “Bem-aventurado aquele a quem escolhes e aproximas de ti, para que assista nos teus átrios; ficaremos satisfeitos com a bondade de tua casa — o teu santo templo” (verso 4). Davi desejava profundamente a presença de Deus, e sofria muito quando se sentia afastado do Senhor por causa dos seus pecados (Sl 6.1-3; 31.9-10). Se Davi valorizou tanto o privilégio de chegar a um local que representava a presença de Deus, como devemos apreciar mais ainda o privilégio da comunhão com Deus por meio de Jesus! No Novo Testamento, a igreja (o grupo de pessoas que pertence a Deus) e o cristão, individualmente, são descritos como o santuário ou templo do Senhor (1 Co 3.16,17; 6.19,20). Que bênção poder andar na presença de Deus porque ele nos perdoou!

O grande poder de Deus é outro motivo para adorá-lo: “Com tremendos feitos nos respondes em tua justiça, ó Deus, Salvador nosso, esperança de todos os confins da terra e dos mares longínquos; que por tua força consolidas os montes, cingido de poder; que aplacas o rugir dos mares, o ruído das suas ondas e o tumulto das gentes. Os que habitam nos confins da terra temem os teus sinais; os que vêm do Oriente e do Ocidente, tu os fazes exultar de júbilo” (versos 5 a 8). De uma extremidade da terra à outra, o poder de Deus é evidente. Paulo desenvolve esse mesmo tema em dois aspectos: o poder de criar e o poder de julgar (Rm 1.18-20). Não faz sentido resistir ou se rebelar contra o Deus Onipotente!

Deus merece adoração porque ele demonstra sua bondade ao sustentar sua criação: “Tu visitas a terra e a regas; tu a enriqueces copiosamente; os ribeiros de Deus são abundantes de água; preparas o cereal, porque para isso a dispões, regando-lhe os sulcos, aplanando-lhe as leivas. Tu a amoleces com chuviscos e lhe abençoas a produção. Coroas o ano da tua bondade; as tuas pegadas destilam fartura, destilam sobre as pastagens do deserto, e de júbilo se revestem os outeiros. Os campos cobrem-se de rebanhos, e os vales vestem-se de espigas; exultam de alegria e cantam” (versos 9 a 13). O autor de Hebreus começa uma série de argumentos sobre a superioridade de Jesus em relação a todas as suas criaturas afirmando sua posição como Criador e Sustentador do universo (Hb 1.1-3). Jesus até ensinou que devemos amar os inimigos porque Deus demonstra seu amor para todos: “... porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5.45).

Cada vez que levantamos, respiramos e começamos um novo dia, devemos demonstrar a atitude de Davi em adoração e profunda reverência para com Deus. Como disse o apóstolo Paulo, mil anos depois de Davi escrever esse Salmo, “pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos...” (At 17.28). Temos muitos motivos para servir e adorar ao Senhor!


domingo, 17 de outubro de 2021

O que é a teologia contemporânea?

 




Por Leonardo Pereira



A teologia contemporânea é geralmente definida como um estudo da teologia e tendências teológicas de logo após a Primeira Guerra Mundial até o presente. Abrangendo aproximadamente do século XX até hoje, as principais categorias tipicamente abordadas pela teologia contemporânea incluem o fundamentalismo, a neo-ortodoxia, o pentecostalismo, o evangelicalismo, o neoliberalismo, o catolicismo pós-Vaticano II, a teologia ortodoxa oriental do século XX e o movimento carismático. Além dessas categorias maiores, a teologia contemporânea também trata de áreas especializadas, como a teologia da libertação, a teologia feminista e várias teologias étnicas. Com a grande variedade de credos envolvidos, poucos estudiosos pretendem servir como "especialistas" na teologia contemporânea. Em vez disso, a tendência é se especializar em uma ou mais de suas áreas.

Um ramo mais recente da teologia contemporânea é o estudo do diálogo inter-religioso. A teologia cristã histórica é comparada com as cosmovisões dos sistemas de crenças não-cristãs como base para o diálogo entre as diferentes religiões. Pesquisas recentes se concentraram nos valores compartilhados entre duas ou mais religiões, como as "Fés Abraâmicas" (judaísmo, cristianismo e islamismo) ou religiões orientais (incluindo hinduísmo, budismo e movimentos cristãos, como a Igreja chinesa subterrânea). A teologia contemporânea é, em primeiro lugar, um campo de estudos acadêmicos. Como tal, aborda os desafios intelectuais enfrentados pela teologia, inclusive a ciência, questões sociais e práticas religiosas. Enquanto muitos teólogos contemporâneos compartilham uma herança cristã, nem todos os fazem. Na verdade, muitos estudiosos agnósticos, ou mesmo ateus, entraram no campo e estão ensinando seus pontos de vista sobre fé e crença na sociedade contemporânea.

Para o cristão que acredita na Bíblia, a teologia contemporânea é importante, pois traça o desenvolvimento das crenças na história recente. No entanto, é fundamental perceber que a teologia contemporânea geralmente se afasta da teologia cristã tradicional quando avalia a fé no contexto de vários movimentos sociais ou em comparação com outros sistemas de crenças. Aderir a uma cosmovisão bíblica geralmente não é o objetivo. Aqueles que querem entender o que a Palavra de Deus ensina sobre os tópicos importantes de hoje podem encontrar informações úteis em uma ampla variedade de materiais teológicos contemporâneos. No entanto, a própria Bíblia não muda. É o padrão da verdade para o crente, agora e para sempre (2 Tm 3.16,17).


sexta-feira, 15 de outubro de 2021

A ordem de prioridades na nossa família

 




Por Leonardo Pereira



A Bíblia não traça em apenas uma passagem uma ordem que devemos seguir passo a passo para as prioridades nos nossos relacionamentos. No entanto, ainda podemos depender das Escrituras para aprender os princípios gerais de como dar prioridade aos relacionamentos corretos, na ordem correta. Deus obviamente deve ser o primeiro: Deuteronômio 6.5: "Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força". Deus é a prioridade número um se todo o coração, alma e força de alguém está comprometido a amá-lo. Se você é casado, seu cônjuge deve ser a sua próxima prioridade. Um homem casado deve amar sua esposa como Cristo amou a igreja (Ef 5.25). A primeira prioridade de Cristo – depois da prioridade de obedecer e glorificar ao Pai – foi a Igreja. Aqui está um exemplo que os maridos devem seguir: Deus primeiro, então a sua esposa. Da mesma forma, as esposas devem submeter-se aos seus maridos “como ao Senhor” (Ef 5.22). Podemos aprender desse princípio que seu marido deve estar em segundo lugar apenas para Deus em sua ordem de prioridades.

Se maridos e esposas estão em segundo lugar apenas para Deus em nossas prioridades, e levando em consideração que o marido e sua esposa são uma só carne (Ef 5.31), aparenta ser a lógica que o resultado desse relacionamento matrimonial – filhos- deve ser a nossa próxima prioridade. Os pais devem criar filhos que temem a Deus e que vão ser a próxima geração daqueles que amam a Deus de todo o seu coração (Pv 22.6; Ef 6.4), mostrando mais uma vez que Deus deve ser o primeiro em nossa lista de prioridades e que todos os outros relacionamentos devem refletir essa verdade.

Deuteronômio 5.16 nos diz para honrarmos nossos pais para que nossos dias sejam prolongados e para que tudo vá bem aqui na terra. Limite de idade não é especificado, o que nos leva a acreditar que enquanto nossos pais estão vivos, devemos honrá-los. Claro que uma vez que o filho se torna um adulto, ele não tem mais a obrigação de obedecer aos seus pais (Filhos – crianças - , obedecei a vossos pais...), mas não há um limite de idade quando não temos mais o dever de honrar nossos pais. Podemos concluir, portanto, que nossos pais devem ser os próximos na nossa lista de prioridade, depois de Deus, do nosso cônjuge e dos nossos filhos.

Depois dos nossos pais, segue o resto da família (1 Tm 5.8) e então outros crentes. Romanos 14 nos diz que não devemos julgar ou desprezar nosso irmão (v.10), nem devemos fazer qualquer coisa que o leve a “tropeçar” ou cair espiritualmente. Muito do livro de 1 Coríntios contém as instruções de Paulo de como a Igreja deve viver em harmonia, amando uns aos outros. Outras exortações que se referem a nossos irmãos e irmãs em Cristo são: “...sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor” (Gl 5.13); “Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.32); “Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente” (1 Ts 5.11); “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Hb 10.24).

Finalmente segue, na nossa lista de prioridades, o resto do mundo (Mt 28.19), a quem devemos ir e proclamar o Evangelho e entre os quais devemos fazer mais discípulos de Cristo. Em conclusão, a ordem que achamos nas nossas Escrituras para as nossas prioridades deve ser Deus, cônjuge, filhos, pais, parentes, irmãos e irmãs em Cristo e o resto do mundo.


domingo, 3 de outubro de 2021

Distinção entre Igreja e Indivíduo

 




Por Leonardo Pereira



Às vezes, alguém argumenta que "a igreja pode fazer tudo que o indivíduo pode fazer". Desse modo, se uma pessoa cristã pode se envolver em atividades sociais e esportivas, a igreja pode fazer a mesma coisa. Se uma pessoa pode sustentar uma faculdade, a igreja pode fazer o mesmo. E assim por diante. Não há dúvida que a igreja pode fazer algumas coisas que o indivíduo faz, e vice-versa. O indivíduo deve tentar ensinar o evangelho a outras pessoas, mas esse, também, é um trabalho da igreja local. A pessoa cristã tem responsabilidades em termos de benevolência (Tg 1.26,27), e a igreja local também tem (2 Co 8,9). Mas o fato que os dois têm trabalho para fazer na mesma área não prova que a igreja pode fazer tudo que o indivíduo faz. Tal raciocínio exigiria um grande pulo na lógica. Sabemos que existem áreas de duplicação de responsabilidades porque as Escrituras mostram isso.

As Escrituras mostram uma distinção entre atividade individual e atividade da igreja. Enquanto a igreja é composta de indivíduos, o indivíduo sozinho não é a igreja. O termo grego ekklesia (igreja) descreve um grupo ou assembléia, e não pode ser usado corretamente para descrever uma pessoa só (como o termo "revoada" não seria aplicado a um solitário ganso). Vários trechos mostram essa diferença. Antes que a igreja, como estabelecida por Cristo, existisse (em termos universais ou locais), o indivíduo existia e tinha papéis para cumprir em relação ao casamento. Casamento, como exemplo, é algo para indivíduos. As atividades do casamento são dignas de honra (Hb 13.4), mas não seriam dignas nem apropriadas no contexto da igreja. As instruções referentes ao casamento são aplicadas aos indivíduos casados. Embora as instruções sobre o casamento sejam dadas em reuniões do povo de Deus, somente os indivíduos podem seguir essas instruções e participar das bênçãos. Considere como seria absurdo argumentar, no contexto do casamento, que a igreja pode fazer tudo que o indivíduo faz!

Sendo cristão envolve todos os relacionamentos da vida. Devemos nos esforçar para fazer a vontade de Deus no lar, nos negócios, em relação ao governo, e nas atividades sociais. Nada na vida é isento. Então para distinguir entre o indivíduo e a igreja não quer dizer que há coisas que fazemos como cristãos e outras coisas que não fazemos como cristãos. Sempre somos cristãos, não importa qual aspecto da vida estejamos considerando. Porém, há algumas responsabilidades que cumprimos como indivíduos cristãos, e outras que precisam ser cumpridas no contexto da congregação (a igreja local, não a universal). Por exemplo:

1. Trabalhando para sustentar a família (Ef 4.28; 1 Tm 5.8,16). Note que, em 1 Timóteo 5, se faz uma distinção entre a responsabilidade do indivíduo e a da igreja. É somente quando o indivíduo não tem condições de suprir as necessidades mencionadas aqui que a igreja pode ser incumbida (versículo 16). Se a igreja e o indivíduo são a mesma coisa, esse versículo não teria sentido.

2. Envolvendo-se em negócios e profissões (1 Ts 4.11; 2 Ts 3.10; Tg 4.13-17). O indivíduo pode comprar e vender e se sustentar através do comércio. Qual passagem sugere que isso seja a obra da igreja?

3. Pais e filhos no lar (Ef 6.1-4). O indivíduo tem o direito de disciplinar seu próprio filho. Alguém diria que tal disciplina é a obra da igreja?

4. Casamento. Como já observamos, o indivíduo pode ter uma esposa e cumprir seus deveres em relação a ela (1 Co 7).

5. O indivíduo pode participar de exercícios para cuidar do seu corpo. Então, a igreja deve patrocinar academias ou aulas de ginástica?

6. Refeições comuns são para indivíduos. Note que, em 1 Coríntios 11.18-34, Paulo distingue entre o que se faz como "igreja" e o que deve fazer em casa. Isso mostra que há algumas coisas que podemos fazer "em casa" que Deus não quer que façamos "na igreja".

7. A educação dos filhos é responsabilidade da família. Eu posso mandar um filho à escola, mas isso não quer dizer que é responsabilidade da igreja.

8. A família é responsável por atividades sociais e de lazer. Quando a igreja coletivamente se envolve nesses assuntos, ela está fora do seu papel.

O indivíduo tem mais liberdade para agir em vários aspectos da vida do que Deus tem permitido para atividade coletiva da igreja local. Além disso, há decisões e ações individuais que não devem envolver a igreja toda (veja, por exemplo, Romanos 14). Devemos ser muito cautelosos para não confundir o indivíduo com a igreja. O indivíduo deve cumprir suas responsabilidades particulares, e a igreja deve ser a igreja.


terça-feira, 21 de setembro de 2021

Palavras e Vida

 




Por Leonardo Pereira


Vivemos em um período de intensos desafios, tantos internos quanto externos em nossas vidas, nossas famílias e em nossos relacionamentos. O mundo está girando cada vez mais rápido, mais intenso e mais dinâmico cujo alvo é obter os objetivos pessoais ou coletivos o mais rápido possível, pelos meios possíveis da melhor forma possível (seja em uma forma positiva ou negativa). Pessoas estão mais individualistas e o amor está sendo uma palavra mais citada do que praticada, assim como a empatia, a paciência e a moderação de espírito. Jesus avisou aos seus discípulos que o amor de muitos se esfriaria e que uns aos outros se aborreceriam e se odiariam. Ou seja, Ele mostrou-nos o ambiente do presente século (fim dos tempos) de modo à ficarmos vigilantes afim de não sermos enveredados pelo momento em que nos cerca e pelas atitudes do mundo que chegam até nós por meio de informações e notícias que abalam o país e o mundo (televisão, internet, jornal, rádio e sites de notícias). Cristo Jesus tinha plena certeza que ao seu amado povo, deveria se preparar para enfrentar com coragem o fim dos tempos, não deixarmos desenganados quanto o que encontra-se ao nosso redor, e prosseguirmos em suas palavras até o fim de nossas vidas.

O que devemos fazer?

Primeiramente é escutar as Palavras de Jesus Cristo. Em Mateus no capítulo 7, Ele ensinou-nos a quem devemos ser e como devemos fazer no decorrer da vida: "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda" (Mt 7.24-27). Escutando à Cristo e trazendo para sí a sua mensagem do Senhor e Salvador Jesus Cristo guardada em seu coração e sua alma. A maturidade chega quando aquele que põe em prática os ensinamentos do Mestre, nos condiciona à ação, à fazermos a diferença neste mundo imerso em trevas, vivendo prudentemente diante de uma sociedade bastante desvirtuada dos valores cristãos.

Vivendo Verdadeiramente

Diante de tudo o que ouvimos e vemos, o que nós entendemos é que necessitamos viver verdadeiramente na presença do Senhor. Vivendo verdadeiramente não nos garante uma vida calma, branda, tranquila ou até mesmo agradável. Poderemos passar por sofrimentos, tristezas, angústias, lamúrias e desânimos. Quando vivemos de verdade, uma vida regida por Deus, com sabedoria, educação e equilíbrio em nosso cotidiano, estamos completamente nos entregando a um momento especial em nossa jornada: a forte maturidade com responsabilidade em âmbito moral e espiritual. Por isso, é muito mais do que urgente e necessário o conselho de Salomão em nosso tempo: "Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento; Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva; No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas; E as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as filhas da música se abaterem. Como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadore andarão rodeando pela praça; Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu" (Ec 12.1-7).

Conclusão

Não deixemos nos contaminar com a cultura humana da atualidade que nos rodeia e que voltemos a mensagem de nosso Senhor Jesus Cristo. O mundo precisa de Jesus e nós também. Por isso, aproveitemos o nosso tempo para vivermos de acordo com as palavras do Mestre e que usemos a nossa vida da melhor forma possível: entregando todo o nosso ser ao Senhor, confiando n´Ele, crendo que Ele é poderoso para fazer infinitamente mais (Ef 3.20), além de tudo que pedimos e pensamos. O nosso Deus é Fiel!


terça-feira, 14 de setembro de 2021

Autoridade e Catolicismo

 




Por Leonardo Pereira



A Igreja Católica deriva a autoridade para suas práticas de duas fontes diferentes: A Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição. É ensinado aos católicos que as Escrituras são a palavra de Deus e que milhares de anos atrás a palavra de Deus foi escrita sob a inspiração do Espírito Santo. Para compor os livros que compreendem o Velho e o Novo Testamentos, Deus escolheu certos homens que, ainda que usando suas próprias capacidades e estilo, escreveram o que ele queria que fosse comunicado, nada mais, nada menos. Essa palavra, a Bíblia, é significativa e sagrada. A Bíblia, contudo, não é a única fonte de autoridade para os católicos. De acordo com o Catecismo da Igreja Católica (revisão de 1994), fé não é uma "religião do livro," mas antes uma religião da "Palavra" de Deus. Essa "não é uma palavra escrita e muda, mas encarnada e viva."
   
As Escrituras do primeiro século foram registradas e finalmente compiladas na Bíblia, mas os católicos creem que a divina inspiração não parou quando os apóstolos e seus contemporâneos morreram. Eles creem que a pregação dos apóstolos, que foi expressa de um modo especial na Bíblia, é também preservada numa linha contínua de sucessão até o fim do tempo. Esta revelação contínua é conhecida como a Tradição Sagrada. Os católicos entendem que o Papa é inspirado e fala por Deus, nos dias atuais. Através dos séculos, vários Papas fizeram decretos em nome de Deus e esses decretos foram seguidos como parte da tradição da Igreja Católica. Alguns desses decretos de Papas foram revistos através dos anos porque o Papa atual é considerado como tendo a mais atualizada informação de Deus.

A Igreja Católica, portanto, não proclama receber sua certeza sobre as verdades reveladas somente das Escrituras. Tanto a Sagrada Escritura como a Sagrada Tradição precisam ser aceitas e honradas igualmente.

Autoridade e a Bíblia

Logo antes de sua ascensão ao céu, as Escrituras nos contam que Jesus disse, "Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28.18-20). Na Epístola de Paulo aos Efésios, vemos um retrato claro da posição de Jesus a respeito da igreja: "Que lhes ilumine os olhos da mente, para que compreendam a esperança para a qual ele os chamou; para que entendam como é rica e gloriosa a herança destinada ao seu povo; e compreendam o grandioso poder com que ele age em favor de nós que acreditamos conforme a sua força poderosa e eficaz. Ele a manifestou em Cristo, quando ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita no céu, muito acima de qualquer principado, autoridade, poder e soberania, e de qualquer outro nome que possa nomear, não só no presente, mas também no futuro. De fato, Deus colocou tudo debaixo dos pés de Cristo e o colocou acima de todas as coisas, como Cabeça da Igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que plenifica tudo em todas as coisas" (Ef 1.18-23).
 
A Bíblia ensina que Jesus tem autoridade exclusiva sobre sua igreja. Não estando mais na terra, contudo, ele está presente na palavra de Deus. A Bíblia confirma que a palavra de Deus tem autoridade na igreja. A segunda epístola de Paulo a Timóteo diz: "Quanto aos maus e impostores, eles progredirão no mal, enganando e sendo enganados. Quanto a você, permaneça firme naquilo que aprendeu e aceitou como certo; você sabe de quem o aprendeu. Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2 Tm 3.13-16).
 
O termo "Sagrada Tradição" não é mencionado nas Escrituras. Contudo, há lugares onde "tradição" é mencionada. Em alguns lugares a tradição que está sendo seguida é condenada enquanto em outros é elogiada. No evangelho de Marcos, vemos Jesus censurando os fariseus por seguirem a tradição, antes que a palavra de Deus: "Os fariseus e os doutores da Lei perguntaram então a Jesus: 'Porque os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, pois comem pão sem lavar as mãos?' Jesus respondeu: 'Isaías profetizou bem sobre vocês, hipócritas, como está escrito: Este povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim. Não adianta nada eles me prestarem culto, porque ensinam preceitos humanos. Vocês abandonam o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens'. E Jesus acrescentou: 'Vocês são bastante espertos para deixar de lado o mandamento de Deus a fim de guardar as tradições de vocês" (Mc 7.5-9, 13; cf. Mt 15.2-9).
 
Em sua Epístola aos Colossenses, Paulo adverte: "Cuidado para que ninguém escravize vocês através de filosofias enganosas e vãs, de acordo com tradições humanas, que se baseiam nos elementos do mundo, e não em Cristo. É em Cristo que habita, em forma corporal, toda a plenitude da divindade. Em Cristo vocês têm tudo de modo pleno. Ele é a cabeça de todo principado e de toda autoridade" (Cl 2.8-10). Em duas circunstâncias vemos falar de tradições de modo positivo. Na segunda Epístola aos Tessalonicenses, Paulo, Silvano e Timóteo escrevem: "Por isso, irmãos, fiquem firmes e mantenham as tradições que lhes ensinamos de viva voz ou por meio da nossa carta" (2 Ts 2.15). Paulo também aproveita a oportunidade para admoestar a igreja de Tessalônica: "Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo ordenamos: fiquem longe de qualquer irmão que vive sem fazer nada e não segue a tradição que recebeu de nós" (2 Ts 3.6). A distinção entre a tradição que é positiva e a que é negativa é encontrada em sua fonte. Tradições que se originam dos humanos são condenadas, enquanto as tradições que se originam de Deus e são levadas através dos apóstolos e outros discípulos inspirados são aprovadas.

Resumo

Até este ponto temos visto que os ensinamentos e práticas da Igreja Católica diferem às vezes das práticas dos cristãos nas Escrituras. Algumas práticas católicas são encontradas na Bíblia; algumas não são nem mesmo mencionadas; outras parecem ser condenadas. O fato que a Igreja Católica declara derivar sua autoridade igualmente da Sagrada Escritura e da Sagrada Tradição é responsável por esta divergência. Quaisquer práticas passadas, presentes ou futuras da Igreja Católica que não podem ser apoiadas pelas Escrituras podem ser explicadas seguindo-as até o Papa que lhes deu existência. Para alguns, confiar tanto na Sagrada Escritura como na Sagrada Tradição como guias parece ser lógico e aceitável, mas se o Papa pode mudar as práticas autorizadas pela Sagrada Escritura, então a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição não podem ser iguais, como são declaradas. Quando o que o Papa decreta contradiz a palavra de Deus, antes que ser honrada, parece que aquela porção da Escritura é anulada.
   
Como foi mencionado antes, os católicos acreditam que Pedro foi o primeiro Papa. A Bíblia confirma que Pedro era inspirado, e dá exemplos dele e dos outros apóstolos distribuindo dons espirituais, tais como profecia, a outros discípulos. Os crentes que receberam os dons espirituais dos apóstolos foram capazes de operar milagres e profetizar exatamente como os apóstolos, contudo, aqueles crentes não podiam passar os dons espirituais que tinham recebido. Desde que somente os apóstolos foram capazes de distribuir dons espirituais (At 8.14-18), uma vez que os apóstolos morreram, como os futuros Papas receberam a capacidade de profetizar sobre assuntos relacionados com a igreja?
   
As Escrituras não fazem nenhuma menção a Pedro ser um Papa, nem mencionam nenhuma sucessão de liderança na igreja, além dos anciãos. As Escrituras também não fornecem nenhuma evidência de que o dom espiritual da profecia continuaria através dos séculos. Em 1 Coríntios 13.8, é-nos dito que o dom da profecia terminaria.


quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Preparados para Servir

 




Por Leonardo Pereira



Imagine o seguinte cenário. Você está esperando uma cirurgia muito delicada no seu cérebro. Já procurou um hospital bem conceituado nesse ramo, e consultou um dos melhores cirurgiões do mundo, quem marcou a cirurgia tão crítica para a sua vida. No dia marcado, você já está na sala de cirurgia, esperando a chegada do cirurgião. De repente, uma enfermeira entra e explica que o cirurgião passou mal e não poderá realizar a sua cirurgia. Mas, para não perder a oportunidade, procurariam outro cirurgião para substituí-lo. Ela pede a sua compreensão, enquanto uma outra enfermeira procura alguém para fazer a cirurgia. Ao mesmo tempo, a segunda enfermeira interrompe a apresentação de um colega a um grupo escolar fazendo excursão no hospital. Ela explica aos alunos: "Olhem, o problema é que Dr. Experiente passou mal, e precisamos de alguém para fazer a cirurgia no lugar dele. Alguns de vocês certamente já sonharam em ser grandes médicos. Alguém quer substituir o cirurgião hoje?" Um dos alunos levanta a mão e se encaminha para a sala de cirurgia, disposto a abrir a sua cabeça e começar a cortar o seu cérebro. O que você faria?

Agora pode acordar do pesadelo! Nem conseguimos imaginar uma coisa tão absurda. Uma pessoa totalmente despreparada fazendo cirurgia no cérebro de outra pessoa? Que idéia ridícula! O que parece absolutamente ridículo no contexto de um hospital acontece com bastante freqüência em muitas igrejas hoje. Pessoas despreparadas são convidadas a pregar ou ensinar, e acabam assumindo responsabilidades sem ter condições de cumpri-las. O resultado pode ser pior do que uma cirurgia cerebral feita por um aluno do ensino médio. Ensinamento errado, sem base adequada nas Escrituras, pode ser eternamente fatal. Qualquer pessoa que abre a Bíblia e a sua própria boca tem a obrigação de se preparar para falar a verdade em amor (Ef 4.15,16).

A Importância da Preparação

Quando nos entregamos a Deus, assumimos um compromisso de sermos fiéis a ele. Para cumprir a nossa obrigação de obedecer tudo que Jesus tem nos ordenado (Mt 28.18-20), precisamos estudar para conhecer bem a palavra dele. Paulo disse a um irmão mais novo: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2 Tm 2.15). Pedro escreveu a discípulos espalhados em vários lugares: "...santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós..." (1 Pe 3.15). Ser preparado para falar a outros faz parte da nossa devoção ao Senhor.

Paulo usou uma linguagem que deve chamar a nossa atenção quando disse a Timóteo: "Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra" (2 Tm 2.21). Vamos considerar o significado de sermos utensílios santificados e preparados para boas obras. No Antigo Testamento, achamos formas da palavra "preparar" usadas mais de 50 vezes em relação a coisas ou a pessoas dedicadas ao serviço do Senhor. A maioria dessas citações fala sobre sacrifícios, ofertas e materiais usados no tabernáculo ou no templo para adorar a Deus. Até as mínimas coisas foram cuidadosamente purificadas e preparadas para o seu uso em honra do Senhor. Assim cada um de nós deve ser preparado - purificado e santificado - para honrar a Deus por meio de boas obras.

Jesus Enfatizou a Preparação

Várias parábolas de Jesus ensinam a importância da preparação. Talvez a mais conhecida seja a das dez moças que esperavam o noivo chegar à festa de casamento (Mateus 25:1-13). As moças insensatas, que não se prepararam adequadamente, não entraram na festa. As prudentes se equiparam para esperar o tempo necessário, e tiveram a alegria de participar da festa. As ilustrações de construir uma torre ou enfrentar um inimigo em guerra também mostram a necessidade de se preparar bem para sermos discípulos de Jesus. O despreparado, muitas vezes, desiste no meio do caminho, e não chega ao seu destino. Pode até sofrer uma terrível derrota. Leia Lucas 14.25-33.

Além de suas parábolas, Jesus ensinou sobre a preparação na prática. Alguns dos seus discípulos o acompanharam constantemente, aprendendo com o Mestre. Desses, ele escolheu os doze apóstolos que tiveram um treinamento mais intensivo ainda. Quando procuraram alguém para tomar o lugar de Judas Iscariotes, escolheram entre os homens que acompanharam a Jesus durante todo o seu ministério (At 1.21,22). Os apóstolos foram especialmente qualificados para falarem de Jesus (Hb 2.3,4).

Os seguidores de Cristo devem se preparar para lhe servir, especialmente para ensinar o evangelho aos outros. Os que não crescem espiritualmente são criticados por sua negligência e imaturidade espiritual (Hb 5.12 - 6.3). Ao mesmo tempo, devemos lembrar que Deus não quer servos despreparados ensinando além do seu conhecimento: "Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo" (Tg 3.1). Tomando esses versículos juntos, percebemos que Tiago não está dissuadindo discípulos do trabalho importante de ensinar a palavra. Ele destaca a importância de preparação e controle da língua, sempre tendo cuidado de não ultrapassar a palavra do Senhor (cf. 2 Jo 9).

Preparativos Insuficientes

Estudos superficiais. Frequentemente alguém ensina depois de fazer um estudo superficial de seu tema. Talvez utilize uma chave bíblica para encontrar alguns versículos isolados e já se acha capaz de explicar o seu assunto a outros. A chave bíblica é muito útil, mas devemos tomar o tempo necessário para estudar cada versículo no seu contexto para entender o sentido verdadeiro. Cada versículo da Bíblia deve ser entendido à luz de tudo que as Escrituras dizem. Tal compreensão exige a dedicação e disciplina para estudar profundamente.

Conhecimento de folhetos, artigos, livros, etc. Todos os servos de Deus têm muito trabalho para fazer. Na correria do dia-a-dia, é difícil achar tempo para estudar e preparar bons estudos. Ao invés de fazer a nossa própria pesquisa, é mais fácil e rápido pegar algum estudo escrito (até este mesmo folheto que você está lendo agora!) e usá-lo como aula, sermão, etc. Esta abordagem apresenta sérios riscos: Não aprendemos fazer o nosso próprio estudo;  Não chegamos às nossas próprias conclusões;  Podemos ser facilmente enganados por palavras persuasivas de homens. Assim, como guias cegos, poderemos conduzir outros ao erro (Lc 6.39).

Cursos de teologia, seminário, etc. Estudar em escolas e faculdades pode trazer muitos benefícios, mas um diploma de teologia não prova a capacidade da pessoa a ensinar a palavra de Deus. A tendência de tais cursos é de ensinar sobre a filosofia e teorias teológicas, ao invés de ensinar sobre o conteúdo da Bíblia. Muitos seminários são controlados por determinadas denominações e ensinam conforme as doutrinas daquelas igrejas. Mesmo os cursos de teologia "independentes" são guiados por homens e tipicamente refletem as opiniões da direção. Nenhum aluno deve aceitar orientação bíblica ou espiritual sem uma cuidadosa conferência nas Escrituras (At 17.11).

Orientação em doutrinas e costumes dos homens. Repetir, explicar e defender regras de igrejas ou doutrinas decididas por grupos de homens não é ensinar a palavra de Deus. A boa parte das igrejas hoje tem seus próprios livros ou manuais de doutrina. Em geral, pregadores e professores obrigatoriamente seguem a linha doutrinária da denominação, ou perdem seus cargos. O medo de expulsão tem contribuído a muitas afirmações e ações erradas (Jo 9.22; 7.13; 12.42). Mas o discípulo fiel sabe que é melhor ser expulso pelos homens do que rejeitado por Deus (Lc 6.22).

Sugestões para Ajudar na Preparação

Mostre diligência (2 Pe 1.5). O servo de Deus precisa ser zeloso no estudo e na aplicação da palavra do Senhor (2 Tm 2.15).

Aplique-se com paciência e perseverança (Hb 12.1). Do mesmo modo que uma criança cresce aos poucos fisicamente, os filhos de Deus passam por um processo de crescimento. A disciplina é essencial para manter um ritmo de desenvolvimento espiritual. É importante ter tempo, diariamente se possível, para ler, estudar e orar.

Olhe sempre para o alvo (Cl 3.1-3). Para progredir espiritualmente, temos de nos livrar da maldade e das atitudes carnais que prendem os pensamentos e os corações das pessoas do mundo (Tg 1.21-25).

Entenda a seriedade do nosso trabalho (Tg 3.1; Ez 3.16-27). Nós que somos cristãos temos o privilégio de divulgar a palavra salvadora. Negligência dessa incumbência contribuirá à morte de pessoas carentes da verdade.

Prepare-se com o evangelho (Ef 6.15). Jamais abandonemos a pura palavra de Deus. As filosofias e palavras persuasivas da sabedoria humana não salvam ninguém (1 Co 2.1-5).

Ore sem cessar (1 Ts 5.17). Jesus orava constantemente, e a oração fazia parte integral do trabalho dos apóstolos (At 6.4). Deve fazer parte importante dos nossos preparativos na obra do Senhor.

Servir a Deus é um grande privilégio que exige a preparação constante. Vamos aproveitar tudo que Deus tem nos dado para não sermos "nem inativos, nem infrutuosos" como discípulos de Cristo (2 Pe 1.8).


segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Uma Rua Sem Saída

 




Por Leonardo Pereira



Jeremias dirigiu-se à nação de Judá num esforço final para salvá-la de um desastre nacional. O desrespeito à lei de Deus estava levando a nação para a extinção, e Jeremias tentou em vão chamar o povo ao arrependimento. As circunstâncias do reino são bem descritas neste trecho de Jeremias 5.30,31, onde o profeta transmite às palavras de Deus: "Cousa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém, que fareis quando estas cousas chegarem ao seu fim?"

Deus pôs a culpa em três grupos de pessoas: 1. Os profetas. Aqueles que deveriam ter sido fiéis transmitindo a palavra de Deus ao povo estavam, em vez disso, pervertendo aquela mensagem. Hoje, muitos falsos profetas falam de suas próprias ideias e perpetuam incontáveis doutrinas humanas. Entretanto, Jesus afirmou que suas palavras são a verdade absoluta que nos liberta (Jo 8.32). 2. Os sacerdotes. Os sacerdotes deveriam ter corrigido os falsos profetas, mas preferiram apoiar a propagação das suas mentiras. Os cegos estavam guiando os cegos (Mt 15.13,14). 3. O povo. É triste notar que o povo estava querendo seguir os seus guias cegos. Quando os guias espirituais amam a si mesmos e ao dinheiro, eles não condenarão eficazmente o egoísmo e o materialismo que domina o povo mundano.

Deus convidou seu povo a retornar: "...perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma" (Jr 6.16). Mas a resposta deles ecoa através da história nas palavras dos homens e mulheres rebeldes de todas as eras: "Não andaremos." Se nós recusamos a andar no caminho de Deus, seguimos uma rua de mão única para a perdição. O que você fará no fim? 


sábado, 24 de julho de 2021

As Coisas de Deus ou as dos Homens?

 




Por Leonardo Pereira



Porque Pedro, que era tão firme pela verdade, às vezes tropeçava?

Pedro é um dos mais fascinantes personagens da Bíblia. Jesus viu o potencial deste "diamante bruto" e trabalhou para lapidá-lo num apóstolo eficiente, que mais tarde se tornou qualificado para servir como presbítero (1 Pe 5.1). Houve momentos de brilho na vida de Pedro. Ele não hesitou de modo nenhum em confessar Jesus, mesmo quando outros estavam inseguros a respeito dele (Mt 16.13-20). Ele proclamava ousadamente o evangelho em Jerusalém, apesar das ameaças dos dirigentes judeus (At 4.18-31; 5.27-32). Ele tinha coragem para obedecer a Deus e pregar aos gentios, mesmo quando isso significava voltar-se contra 1500 anos de tradição religiosa (At 10; 11 e 15).

Mas Pedro também cometeu alguns erros importantes. Ele agia, frequentemente, sem parar para escolher cuidadosamente seu rumo. Nesses momentos, Pedro repreendeu Jesus por falar de sua morte que se aproximava (Mt 16.21-23), e até negou Cristo na sua hora mais difícil (Mt 26.69-75); uma vez agiu como hipócrita ao recusar associar-se com os cristãos gentios (Gl 2.11-17).

Por que o mesmo homem, que era tão firme pela verdade, às vezes tropeçava? Encontramos a chave para o entendimento de Pedro, e talvez de nós mesmos, em Mateus 16. Quando Jesus elogiou a grande confissão de Pedro, disse: "Pois isso não lhe foi revelado por carne nem sangue, mas por meu Pai que está nos céus" (v. 17). Quando Jesus repreendeu Pedro por sua interferência no plano de Deus, disse: "Não tem em mente as coisas de Deus, mas as dos homens" (v. 23). Esta é a chave para nós entendermos Pedro: Quando pensava e agia com base na revelação de Deus, ele luzia brilhantemente. Mas quando permitia à sabedoria humana dirigir, ele tropeçava e pecava.

Pedro aprendeu, finalmente, esta lição. Ele veio a entender a importância do domínio próprio, perseverança e amor, e disse que aqueles que desenvolvessem tais qualidades não tropeçariam (2 Pe 1.3-11). Este é o conselho de um apóstolo que cresceu em Cristo. É a chave para o sucesso espiritual. Precisamos enraizar firmemente nossas vidas na sabedoria da revelação de Deus. Se o fizermos, entraremos no reino eterno de nosso Salvador.


quinta-feira, 22 de julho de 2021

O que se torna possível pela fé

 




Por Leonardo Pereira



“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus...” (Hb 11.6). É possível que agrademos a Deus, porém somente pela fé podemos fazê-lo. O exemplo de Enoque nos mostra como podemos nos identificar com Deus quando temos fé real. Enoque “andava com Deus” (Gn 5.24). E sua caminhada com Deus, baseada na fé, teve resultados incríveis. “Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes de sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus” (Hb 11.5).

De acordo com o texto, Enoque agradara a Deus pela fé. Isso quer dizer que o mero fato de “crença” intelectual agrada a Deus? Não! Temos que ter uma fé que busque diligentemente a Deus em uma confiança que seja tanto esperançosa quanto amorosa. “Visto que andamos por fé e não pelo que vemos. Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor. É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe sermos agradáveis.” (2 Co 5.7-9). Se fizermos com que o nosso objetivo agrade a Deus, temos de compreender que essa possibilidade maravilhosa somente pode ser realizada pela obediência que vem pela fé. “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6).

A fé faz parte do grande trio: fé, esperança e amor. E, de fato, a fé que torna possível agradar a Deus possui uma grande quantidade de esperança e amor. Esses três atributos espirituais olham para o futuro com confiança. Trabalhando juntos, produzem a “operosidade da fé”, a “abnegação do vosso amor” e a “firmeza da vossa esperança” (1 Ts 1.3). Considere que a fé pela qual chegamos a Deus e lhe agradamos não vive sem a esperança real. Enquanto a fé nos dá esta visão de como são grandes as nossas possibilidades com Deus, é a esperança que fervorosamente deseja que essas possibilidades se realizem. Mais do que isso, a esperança espera que se realizem! E essa esperança nos leva a imitar o caráter de Deus e crescer na pureza. “E a si mesmo se purifica todo aquele que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (1 Jo 3.3).

Pela fé, buscamos agradar a Deus porque o amamos. É a fé que dá asas ao desejo natural do amor. Demonstrando-nos, não somente que Deus pode se contentar conosco, mas também como podemos fazê-lo, a fé dá a verdadeira substância ao desejo mais elevado do amor: agradar ao nosso Deus amado.


quarta-feira, 21 de julho de 2021

Cristo Versus Confusão Religiosa

 




Por Leonardo Pereira



Há uma infindável variedade de filosofias e ensinamentos religiosos, muitos dos quais parecem bem convincentes; contudo são frequentemente contraditórios. Como podemos determinar quais são os certos e quais os errados? Como podemos encontrar a verdade e evitar sermos enganados? A Bíblia contém muitas advertências sobre o falso ensinamento e a possibilidade de engano. Mas as Escrituras também oferecem esperança. Em Colossenses 2:4, Paulo escreveu: "Assim digo para que ninguém vos engane com raciocínios falazes". Paulo estava dando instruções sobre como evitar ser desencaminhado por falsos ensinamentos. O que Paulo ensina em Colossenses, que nos ajudará a entender a verdade e evitar o labirinto desnorteador das religiões conflitantes?

A Grandeza de Cristo

O principal tema do livro de Colossenses é a importância de Jesus Cristo. No capítulo 1, Paulo escreveu sobre ele: "Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as cousas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as cousas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da Igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as cousas ter a primazia" (Colossenses 1.15-18). Cristo é tudo. Ele é nosso Senhor. A meta central e esperança do evangelho é que Cristo viva em nós (1.27).

No capítulo 2, Paulo mostra que a grandeza de Cristo é exclusiva. Todos os tesouros de sabedoria e de conhecimento estão em Cristo (2.3). Não há nenhuma verdade ou entendimento fora dele. A plenitude da divindade está em Cristo (2.9). Não há nenhuma parte da natureza e do ser de Deus que não esteja expressada em Jesus. Achamos nossa perfeição em Cristo (2.10). Nele está a circuncisão espiritual, o perdão e a nova vida (2.11-13). Quando morreu, Jesus tirou o poder das forças satânicas, ganhando sobre eles uma decisiva vitória (2.15). Jesus é a realidade à qual todas a leis, festas e símbolos do Velho Testamento apontavam (2.16,17). Todo o crescimento do corpo depende de Cristo, que é a cabeça (2.19). Qualquer busca da verdade, do entendimento, ou do crescimento espiritual fora de Cristo com certeza vai falhar.

O capítulo 3 continua a ressaltar a centralidade de Cristo: "Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as cousas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas cousas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória" (Cl 3.1-4). Tendo sido ressuscitados com Cristo, ele tem que se tornar nossa verdadeira vida. Cada relação na família e dentro da sociedade depende do Senhor Jesus (3.18-4.1). De fato: "Cristo é tudo em todos" (3.11).

Cristo possui toda a autoridade. Para entender a verdade e evitar a confusão, temos que ter uma forte convicção da supremacia de Cristo (2.2). Tudo o que ele diz é absolutamente certo; tudo o mais é absolutamente inútil. Cristo é a vereda, a árvore, o edifício, a escola. Temos que caminhar nele, enraizarmo-nos nele, sermos edificados sobre ele e sermos ensinados por ele (2.6,7). Uma palavra do Senhor tem mais valor do que uma tonelada de ideias e opiniões dos homens.

Aplicações

Paulo especificamente aplicava estes princípios. Ele até parece estar discutindo religião no Brasil dos anos 90.

Filosofias humanas:

"Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo" (Cl 2.8). Muito ensinamento religioso de hoje em dia tem sua origem na sabedoria, tradições e superstições dos homens, não em Cristo. A fascinação sedutora do entendimento e da pesquisa humana é um dos principais apelos de religiões tais como a maçonaria, a rosacruz e o espiritismo. Até mesmo as ênfases dentro das religiões "cristãs" sobre poderes especiais associados com vários objetos santos, peregrinações a santuários e preces poderosas recitadas são apelos às tradições e filosofias dos homens. Se não é o que Cristo revelou, então é sem valor. A proteção contra o engano é perceber que em Cristo está todo o conhecimento.

Religião que ressalta o poder do diabo: "E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz" (Cl 2.15). Algumas igrejas esquecem a arrasadora vitória que Jesus teve sobre Satanás e suas forças, e terminam ressaltando o poder do diabo mais do que a grandeza de Cristo. Elas concebem fórmulas e meios humanos para tentar escapar da influência do diabo. Estes métodos parecem ajudar somente por curto tempo; o diabo continua retornando. Mas Cristo venceu Satanás. Que absurdo é para aqueles que receberam o benefício da vitória de Cristo, voltarem ao domínio daquelas forças que ele derrotou.

Leis do Velho Testamento:

"Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das cousas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo" (Cl 2.16,17). Deus planejou as leis e as comemorações do Velho Testamento para serem sombras de Cristo. Agora temos a Cristo, que é a plenitude da divindade. Ele é a realidade. Retornar às sombras é tolice.

Visões, anjos e revelações:

"Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal" (Cl 2.18). Quando entendemos que em Cristo está a perfeição, veremos claramente que nenhuma visão, nenhuma comunicação de um anjo ou de um espírito, e nenhuma revelação de um profeta moderno tem qualquer valor (Gl 1.6-9). As religiões frequentemente oferecem algo mais: É ótimo ter Jesus e sua palavra, mas o que realmente precisamos é de uma profetisa como Ellen G. White, um livro como o livro de Mormon, uma revista como Sentinela ou as mensagens do mais recente autonomeado profeta. Estes são "os raciocínios falazes"; cuidado!

Preceitos extras:

"Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquilo ou outro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas cousas, com o uso, se destroem. Tais cousas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade" (Cl 2.20-23). Paulo fala das tentativas para conseguir mais espiritualidade acrescentando preceitos e regulamentos humanos. Estas restrições ascéticas parecem ser sábias, mas são inúteis, porque se originam nos homens. As igrejas têm produzido centenas de preceitos, proibindo seus seguidores de participar de prazeres lícitos, na tentativa de evitar a contaminação pelo mundo. Frequentemente estes preceitos parecem razoáveis. Algumas pessoas fazem dos esportes o seu deus, então as igrejas condenam toda a participação no futebol. 

Conclusão

Muitos programas de televisão são sensuais e violentos, assim fazem um pecado ter um aparelho de televisão em casa. Algumas calças compridas são sensuais, então passam um preceito que a mulher não pode usar calça comprida nenhuma. Algumas pessoas ressaltam exageradamente a aparência externa, por isso proíbem o uso de toda a pintura e joias. E a lista continua. O que está acontecendo? Em vez de estarem satisfeitos com a perfeição em Cristo, as pessoas estão tentando ser "melhores" do que o ensinamento de Jesus. Quando os fariseus tentaram a mesma abordagem, eles encontraram a contundente reprovação do Senhor (Mc 7.1-13; Mt 15.1- 23). O que as igrejas aprenderam é que é mais fácil fazer com que as pessoas obedeçam a uma lista de regras humanas externas do que experimentar a transformação espiritual interna que Cristo exige. Mas os preceitos humanos não agradam a Deus. 


quinta-feira, 27 de maio de 2021

Jesus, o Caminho para sair da Confusão Religiosa

 




Por Leonardo Pereira



Quando Deus deu sua lei, através de Moisés, a Israel, ele não providenciou a divisão de seu povo em seitas e partidos. Mas, na época em que Jesus veio ao mundo, as seitas e os partidos estavam bem fixados. Havia fariseus, saduceus, essênios e, sem dúvida, outros. Supunha-se que todos os que eram sérios a respeito de religião, seriam associados a uma dessas seitas. A qual destes partidos Jesus pertenceu? Todos têm que concordar que ele não pertenceu a nenhum deles. Ele manteve sua independência; até o fim ele manteve relação com Deus sem pertencer a nenhuma seita. Por esta razão, todos se opunham a ele.

Jesus não providenciou para que seus seguidores fossem divididos em seitas e partidos. Ele, antes, desejava que pudessem ser unidos. Depois de orar por seus apóstolos, ele acrescentou: "Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti; também sejam eles em nós…" (Jo 17.20,21). Através dos anos, contudo, desenvolveram-se divisões e estas se perpetuaram pela escrita dos credos e da formação de organizações denominacionais. O resultado é que, agora, entre os seguidores que professam ser de Jesus, há muitos corpos (denominações), muitos senhores (autoridades religiosas), muitas fés (credos) e muitos batismos.

Que diferente é a situação presente da unidade descrita no Novo Testamento: "…há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos" (Ef 4.4-6). Muitos, hoje em dia, lamentam a divisão entre os crentes e o desejo deles é que tal não existisse. Eles desejam a união de todas as grandes denominações e estão trabalhando diligentemente para esse fim. Mas admitem que, até que isto seja conseguido, não há nada que um indivíduo possa fazer a não ser juntar-se a uma das divisões existentes e manter um espírito bondoso e tolerante. Nada no ensinamento ou na prática de Jesus apóia esta concepção de unidade.

Jesus não se encarregou de convocar uma conferência ecumênica designada a efetuar uma fusão dos fariseus, saduceus e essênios numa super-seita. Nem orou para que seus discípulos pudessem unir-se numa super-denominação. Ele orou, antes, para que os crentes individuais se unissem nele e no Pai. Seu ensinamento foi designado para trazer indivíduos de doutrinas e tradições dos homens para a simples palavra de Deus. Através de seu ensinamento e exemplo, ele absolutamente pode ser para nós o caminho para sairmos da confusão religiosa.

A Igreja do Senhor

Jesus prometeu construir sua própria igreja. Ele disse: "…sobre esta pedra edificarei a minha igreja…" (Mt 16.18). Ele prometeu construir só uma igreja e ela seria dele. A rocha sobre a qual ela tinha que ser edificada não era Pedro, mas a verdade que Pedro confessou: "Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo" (1 Co 3.11). A palavra igreja significa "convocado". Pregando o evangelho no dia de Pentecostes, Pedro e os outros apóstolos "convocaram" aqueles que creram em Jesus.

"Ouvindo eles estas cousas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo" (At 2.37,38). "Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas" (At 2.41).

Este foi o começo da igreja. Ela era composta por todos os que foram salvos por Jesus Cristo e continuou a crescer na medida em que outros eram salvos: "…acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos" (At 2.47). Grupos destas pessoas salvas encontravam-se em várias cidades e cada grupo era uma igreja. Ainda que unidos em Cristo, eles eram independentes de qualquer associação ou federação humana. Cristo os dirigia através de seus apóstolos inspirados, ensinando-lhes como deveriam adorar e trabalhar juntos.

Para Evitar a Divisão, Seguir a Jesus

Se obedecermos às mesmas instruções que Pedro deu no Pentecostes, arrependendo-nos de nossos pecados e sendo batizados em nome de Jesus Cristo, nós também seremos salvos. Quando formos salvos, o Senhor nos acrescentará à sua igreja, como acrescentou aqueles cristãos. Eles não se ligaram a nenhuma outra organização religiosa; nem devemos nós nos ligar também. Em Cristo somos unidos com todos os outros que estão nele.  Assim entrando na igreja do Senhor, teremos que estudar cuidadosamente a descrição dessa igreja no Novo Testamento. Isto é encontrado no livro de Atos e nas cartas que se seguem a ele. Desde que os apóstolos foram guiados pelo Espírito Santo, podemos ficar certos de que as igrejas sob sua instrução eram exatamente o que Jesus queria que fossem. Se imitarmos essas igrejas primitivas, o Senhor se agradará de nós.

Imitar uma igreja do Novo Testamento talvez não seria tão difícil como se possa imaginar. Talvez você encontre um grupo independente de cristãos, seguindo o padrão do Novo Testamento, já fazendo reuniões em sua cidade. Se não, apenas dois ou três que tenham o mesmo propósito podem encontrar-se e adorar juntos de modo aceitável. Nenhum grande edifício de igreja faz-se necessário (havia igrejas no primeiro século que se reuniam nas casas  - Romanos 16.5; 1 Coríntios 16.19). Nenhum sacerdócio ordenado por homens é necessário, desde que todos os cristãos são sacerdotes (1 Pe 2.5). Nenhum alvará de nenhuma organização é necessário, porque a única afiliação é com o corpo de Cristo. Jesus disse: "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mt 18.20).


terça-feira, 18 de maio de 2021

Um Conflito Desnecessário sobre o Batismo

 




Por Leonardo Pereira



Uma das tristes realidades que atrapalha o progresso do evangelho são as inúmeras divisões sobre questões de doutrina e prática. Alguns procuram uma solução superficial no ecumenismo, sugerindo que a resposta ao problema seja simplesmente ignorar as diferenças. Essa abordagem não é muito diferente do ensinamento dos falsos profetas que Deus criticou 2.600 anos atrás: “Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz” (Jr 8.11). Colocar um curativo em uma ferida infeccionada pode mascarar o problema temporariamente, e até trazer um alívio psicológico para o paciente, mas não resolverá o problema. É necessário tratar a infecção.

De semelhante modo, conflitos doutrinários e práticos entre pessoas que desejam agradar ao Senhor precisam ser tratados, não apenas cobertos e ignorados. Às vezes, os conflitos são frutos de interpretações equivocadas de textos bíblicos (2 Pe 3.16). Outras vezes, o problema é resultado de uma ênfase exagerada em uma verdade ao ponto de negar outras (Mt 23.23; Tg 2.14-26). Antes de defender uma interpretação e criar divisões, devemos tomar o tempo necessário para examinar bem os textos bíblicos relevantes. Desta maneira, poderemos esclarecer dúvidas e evitar conflitos desnecessários. Vamos considerar um exemplo de um conflito que atrapalha alguns e causa divisões.

O batismo correto deve ser feito em nome de Jesus, ou em nome do Pai, Filho e Espírito Santo?

Jesus afirmou sua autoridade absoluta, universal e eterna quando mandou batizar “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.18-20). Os servos fiéis que ouviram suas instruções batizaram “em nome de Jesus Cristo” (At 2.38), “em o nome do Senhor Jesus” (At 8.16; 19.5) e “em nome de Jesus Cristo” (At 10.48). Vários grupos religiosos defendem uma fórmula ou outra, até ao ponto de negar a validade dos batismos feitos com palavras diferentes. Quem defende batismo exclusivamente no nome de Jesus, por exemplo, rejeita pessoas batizadas em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. O estudo das Escrituras nos ajuda muito para esclarecer essas dúvidas e evitar conflito desnecessário.

Primeiro, observamos que nem Jesus nem os apóstolos falaram de uma fórmula oficial. Nenhum dos relatos sugere que a pessoa que realizou o batismo tenha falado uma sequência especial de palavras. Quando comparamos os versículos citados acima, observamos diferenças na maneira de citar o nome do Senhor e nas preposições usadas. Se fosse uma fórmula específica, poderíamos esperar uniformidade em todas as ocasiões relatadas.

Segundo, percebemos diferenças nos textos originais que mostram significados muito além de meras fórmulas. As palavras gregas usadas em Mateus 28.19 e em Atos 8.16 e Atos 19.5 (especificamente a preposição “eis”) enfatizam a relação resultante do batismo – batizados para entrar no nome de Jesus e, simultaneamente, do Pai e do Espírito Santo. As preposições empregadas em Atos 2.38 (“epi”) e 10.48 (“en”) focalizam a base do batismo, ou seja, a autorização dada por Jesus.

Somando as informações, entendemos que os apóstolos batizaram pela autorização de Jesus e que o batismo foi o meio determinado pelo Senhor Jesus para os arrependidos entrarem em comunhão com ele, com seu Pai e com o Espírito Santo. No contexto da dedicação e autonegação dos homens escolhidos para divulgar o evangelho, a ideia implícita nos ensinamentos que sugerem uma contradição entre o ensinamento de Jesus e o procedimento dos apóstolos é incoerente. Os apóstolos fizeram o que Cristo mandou: pela autoridade do Senhor Jesus, ensinaram seus ouvintes a se arrependerem e serem batizados para receber perdão e entrar em comunhão com Deus.

Evitemos os conflitos desnecessários causados por interpretações equivocadas das Escrituras.


segunda-feira, 17 de maio de 2021

Mantendo a igreja pura

 




Por Leonardo Pereira



Um dos maiores desafios que os irmãos enfrentam hoje é de manter a igreja pura. Por mais que tentamos, parece que algo sempre passa, e fica bem abaixo dos nossos narizes por períodos de tempo, até alguém notar. Eu me lembro de um homem do sul dos Estados Unidos que disse, “Copperheads (uma cobra venenosa comum na América do Norte) são o tipo de cobra que podem entrar escondido na sua casa e ficar lá por um bom tempo antes de serem notados.” Que pensamento assustador! É assim com o pecado.

Todos os cristãos pecam de vez em quando. A Bíblia diz isso (1 Jo 1.8). Mas precisamos ficar de olho por aqueles que são facciosos e escondem seus pecados, mas ainda querem fazer parte da igreja local (At 20.28-31). É incrível saber que alguns praticarão o pecado, o esconderão e ainda buscarão refúgio em uma igreja local (At 5.1-11; 2 Co 11.26). Como diz o velho ditado, “Quem saberá que mal habita nos corações dos homens?” Sim, até o dia em que o Senhor voltar, haverá sujeira entre o povo de Deus, mas não vamos nos desanimar. Vamos, em vez disso, continuar tentando expor o errado. Aqui tem algumas coisas que podemos fazer.

Se você sabe que algo está errado, lide com isso! 

Ter medo, ignorar, ou esperar que algo suma sozinho não é a resposta para lidar com o pecado entre cristãos. Lembre-se de que Deus disse a Josué após o pecado que Acã. Ele disse que tinha que ser resolvido ou Israel continuaria a cair perante seus inimigos (Js 7.7-13). Se não for resolvido, ainda está lá (Jo 9.41; Rm 6.12,13; Ef 4.27).

Não fique ansioso pelo crescimento numérico da igreja!

É melhor ter uma igreja com apenas seis pessoas, do que uma igreja de setecentas e trinta pessoas, com maioria delas praticando o pecado (Mt 18.20; Dt 7.7; 1 Sm 14.6; Jz 7.7; 1 Pe 3.20; Gn 18.32). Quando o interesse em números é maior do que o interesse na verdade, os irmãos deixarão passar coisas, ou as esconderão debaixo do tapete, para que a lista de chamada não diminua por ter que se livrar dos pecadores (1 Co 5.7; Pv 22.10). Não vamos esquecer que quando a verdade é ensinada e executada, não teremos as massas a nossa volta, porque apenas alguns serão salvos (Mt 7.13,14).

Conheça todos! 

Quando os irmãos não investem tempo uns com os outros, nunca se conhecerão bem. Em Atos 2.42-46, podemos ver que a igreja passou bastante tempo junto, e que ao fazer isso tiveram a oportunidade de se conhecerem melhor. Conhecendo os gostos e desgostos uns dos outros, podemos saber se um cristão está entrando no pecado, ou vivendo com um pecado (Hb 3.12,13).

Ensine o conselho integral de Deus!

A palavra de Deus é viva e eficaz, perfurando até os pensamentos e os propósitos do coração (Hb 4.12; At 2.37; At 24.24,25). Com uma arma tão poderosa em nossas mãos, precisamos usá-la, porque é a única coisa que pode jogar luz no homem e alertar-lo e o direcionar a correção (1 Co 1.17-21). Paulo reconheceu isso porque ele disse que não havia falhado em proclamar todo o desígnio de Deus (At 20.27). Quando os irmãos falham em ensinar tudo que o Senhor disse, ficam lacunas, nas quais o pecado reinará e crescerá. Não vamos evitar mexer nos assuntos importantes que a Bíblia ensina; vamos ensinar o evangelho sobre todos os assuntos para que os homens cumpram ou faça um favor à igreja e a deixem (1 Jo 2.19; Jo 6.64-66; 1 Tm 4.1-5; Mt 19.16-24).


domingo, 21 de março de 2021

Perdoa-nos as nossas dívidas!

 




Por Leonardo Pereira



Uma das belezas da oração é o privilégio que ela oferece ao povo de Deus para ter comunhão com o Todo-Poderoso, buscando seu perdão. Muitos de nós negligenciam este privilégio, perdendo assim as bençãos que vêm com ele. Quando Jesus disse aos seus discípulos que orassem, “perdoa-nos as nossas dívidas” (Mt 6.12), ele deixou subentendidas várias lições para seus seguidores.

Primeira, ser cristão não nos isenta da tentação. Paulo expressou isto em sua carta aos irmãos gálatas: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gl 6.1). Não temos intenção de desagradar a Deus, mas podemos falhar aqui e ali. Por exemplo, podemos ser tentados a pensar mal de alguém. Podemos ficar com raiva de um irmão, sem causa. Podemos, por raiva, falar com irreverência ou pecar deixando de fazer alguma boa coisa que sabemos fazer (Tg 4.17). Há conforto em saber que podemos ir a Deus em oração, em busca do seu perdão.

Segunda, o seguidor de Cristo que erra o passo ou peca, torna-se endividado com Deus. O termo dívida significa algo devido. Portanto, se um cristão transgredir, ele deve, pelo menos, uma desculpa a Deus pela sua atitude ou comportamento impiedoso. No Senhor não há nenhuma escuridão. Nossa desobediência não manifesta a imagem do Criador. O apóstolo João, guiado pelo Espírito, expressa a garantia ao povo de Deus que, se confessarmos nossos pecados diante dele, podemos receber o perdão e a limpeza (1 Jo 1.9).

O pecado produz culpa e vergonha; muitos reagem a isto retirando-se, escondendo-se e evitando contato com irmãos em Cristo. Esta pode ser a razão por que muitos cristãos param de se encontrar com os santos. Os cristãos não devem atolar-se nos pecados, mas confessá-los ao Senhor, afastar-se deles e receber a benção do perdão. Retirar-se das reuniões com outros cristãos é imprudente porque isso dá oportunidade a Satanás. Deus não quer isto. Portanto, como está subentendido neste modelo, ele nos oferece a alternativa de confiar em Deus e buscar seu perdão através da oração.

Terceira, o povo de Deus continua a necessitar de seu perdão. Perdão do pecado foi o verdadeiro propósito quando Cristo veio à terra e morreu pelo homem. “Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.46-47). Este fato deverá humilhar cada um de nós. Se alguém começar a pensar que é demasiado velho ou inteligente demais para precisar do perdão de Deus, a arrogância se manifesta e o provérbio será verdadeiro: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16.18). Tal espírito de orgulho impedirá que o homem se humilhe diante do Todo-Poderoso para buscar seu perdão.

Finalmente, o perdão de Deus pela dívida do pecado de alguém depende da atitude dessa pessoa quanto a perdoar aos outros. A única atitude aceitável é a de Deus e Cristo. “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mt 6.14,15).

Quando um cristão ofendido deixa de estender o perdão a outro, ele deixa de exemplificar a imagem de seu Senhor. Ele mesmo foi perdoado por Cristo quando se submeteu ao evangelho. Quando Pedro perguntou a Jesus quantas vezes tinha que perdoar seu irmão que peca contra ele, Jesus respondeu: “até setenta vezes sete” (Mt 18.22). Jesus, além disso, ilustrou com a parábola do servo injusto a importância de perdoar aos outros.

Este servo injusto recebeu o perdão de uma grande dívida para com o seu senhor, mas quando chegou sua vez de perdoar um camarada que estava em débito para com ele, meteu-o na prisão, em vez de perdoá-lo. Quando o senhor soube do que tinha acontecido, pediu a presença do servo injusto, chamou-o de peverso e incompassivo e, por causa da raiva dele, entregou-o aos torturadores até que pagasse tudo o que devia.

Que lição para nós nestes dias! Lembramo-nos de orar desta maneira: “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”.