quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Comentário Bíblico Mensal: Setembro/2020 - Capítulo 2 - A Obra de Jesus Cristo

 


Comentarista: Carlos Alberto Junior


Texto Bíblico Base Semanal:  Hebreus 1.1-12

1. Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,
2. A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
3. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;
4. Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.
5. Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho?
6. E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz:E todos os anjos de Deus o adorem.
7. E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo.
8. Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino.
9. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiuCom óleo de alegria mais do que a teus companheiros.
10. E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos.
11. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão,

12. E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão.


Momento Interação

Jesus Cristo realizou muitas obras, porém a obra suprema que Ele consumou foi a de morrer pelos pecados do mundo (Mt 1.21; Jo 1.29). O evento mais importante e a doutrina central do Cristianismo resume-se no seguinte versículo: “Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Co 15.3). “Cristo morreu” é o evento, “por nossos pecados” é a doutrina. A morte expiatória de Cristo é o fato que caracteriza a religião cristã. O ensino dos reformadores era este: quem compreende perfeitamente a Cruz, compreende a Cristo e a Bíblia! É essa característica singular do Evangelho que faz do Cristianismo a única religião que apresenta uma perfeita provisão para o grande problemas da humanidade: o pecado. Jesus é o autor da salvação eterna (Hb 5.9).

Introdução

O ponto central e o assunto mais importante de todos os fundamentos é a vida e a Obra de Jesus. Tudo na vida de um discípulo deriva do relacionamento e do conhecimento que tem da pessoa de Jesus. O objetivo de Deus para nós, como Igreja, é que cheguemos ao "pleno conhecimento do Filho de Deus" (Ef 4.13). Essa é uma jornada para toda a vida, que não pode se limitar apenas à compreensão do estudo abaixo, mas deve prosseguir mediante o estudo da Palavra e da iluminação do Espírito Santo. Jesus não disse que veio trazer uma verdade. Ele disse "Eu sou a verdade". Jesus não veio trazer simplesmente uma religião, nem uma filosofia, nem um conjunto de regras como código de conduta. Jesus veio trazer Ele mesmo. Ele é a ressurreição e a vida. Para receber esta vida temos que conhecê-lo devemos saber quem Ele é, de onde veio, o que Ele falou, o que Ele fez, onde Ele está, etc.

"Aquele que diz que está em Cristo, deve andar como Ele andou", como andaremos como Jesus andou, se não soubermos como foi a vida e a obra de Jesus? "Eu sou o caminho , a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim", (Jo 14.6), Jesus é o único que nos leva ao Pai. Por isso devemos conhecê-lo e saber o que ele fez por nós. Esta proclamação que o evangelho faz da pessoa de Jesus, visa trazer fé aos nossos corações.

I. A Vinda de Cristo ao Mundo

Na verdade são duas as vindas do Messias preditas pelos profetas de Deus. Ambas as representações se contemplam, na verdade, em uma só pessoa. A vinda dupla do Messias é uma crença genuinamente judaica, podendo ser provada nos escritos dos profetas. A primeira fase de Sua vinda foi prevista pelo profeta Daniel e está relatada em Daniel .:24-27, que anuncia a vinda do Messias e Seu sacrifício expiatório, que deu fim ao antigo sistema araônico de purificação dos pecados. O profeta Daniel começa expondo o assunto da seguinte maneira: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade...” (Dn 9.24). Setenta semanas são 490 anos proféticos, e contando um dia profético como um ano (Nm 14.34; Ez 4.6), a contagem perfaz um período de 490 anos literais. O ponto de partida para a contagem das setenta semanas foi dado a conhecer pelo profeta Daniel: “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém...” (Dn 9.25 - primeira parte).

A ordem para restaurar e para edificar Jerusalém deu-se através o decreto de Artaxerxes, rei da Pérsia, em 457 a.C.Segundo essa profecia, as primeiras 69 semanas (7+62=69), ou 483 anos proféticos (69 x 7= 483), deviam chegar até ao Messias, o Príncipe: “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, sete semanas, e sessenta e duas semanas;...” (Dn 9.25). A profecia cumpriu-se com exatidão. As 69 semanas (483 anos) deviam chegar ao ano do batismo de Jesus, ocorrido em 27 a.C – (457 a.C. + 483 anos = 27 a.C.).

No final dos 483 anos, em 27 a.C., restavam ainda uma semana, ou sete anos dos 490. A profecia determinava que algo deveria acontecer na metade daquela última semana profética: “Ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares” (Dn 9.27). Como as sessenta e nova semanas terminaram nos fins de 27 a.C, a metade da septuagésima semana ou os três anos e meio, terminariam perto do meado de 31 a.C. com a morte do Messias e por Sua morte fez cessar, ou pôs fim aos sacrifícios e oblações do santuário terrestre. Mais três anos e meio (a última parte da septuagésima semana) terminaria perto do fim de 34 a.C. Assim, mesmo após a morte e ascensão do Senhor, o Evangelho ainda seguiu, por três anos e meio, sendo pregado somente a Israel. Era mister cumprir os 3,5 anos restantes e concluir-se a septuagésima semana. Após o martírio de Estevão (34 a.C), a Congregação fundada por Jesus dispersou-se de Jerusalém e na pessoa de Cornélio, encerrou-se o ministério de pregação exclusiva aos judeus (At 8.1-4; 11.18,19; 13.46-48). Entendemos que a profecia das 70 semanas (490 anos) tinha como objetivo identificar a missão final do Messias na Sua primeira vinda e fazer conhecer ao povo de Israel sobre o tempo exato do início de Seu ministério. É uma profecia totalmente cumprida e concluída nos dias apostólicos.

II. A Vida Terrena de Cristo

Quando perguntamos: Por que a vida terrena do Senhor Jesus deve ser esudada? — é claro que esta questão implica e contém dentro de si mesma outras questões. Por exemplo: Por que foi necessário que Ele estivesse aqui por trinta e três anos? Novamente: Por que foi necessário que a maior parte do tempo fosse gasta numa vida privada, e, até onde sabemos, em segredo? Tentaremos responder essas e outras perguntas subsidiárias, até certo ponto, na medida em que prosseguimos.

A história humana, como tal, apela muito para a emoção, para a imaginação, mas ela não muda o caráter. Não importa quão fascinante, impressionante e comovente ela possa ser, se você apenas deixá-la lá, terá obtido muito pouco do significado real da vida terrena do Senhor Jesus. A vida terrena de nosso Senhor não foi para essas intenções. O registro de Sua vida não foi meramente para nos fornecer uma data e uma informação e uma matéria interessante sobre certo homem _ embora grande e maravilhosa _ que viveu há muito tempo atrás, em tal e tal parte do mundo, e disse e fez tal e tal coisa. Ele não veio para isso. Ele não esteve aqui para trinta e poucos anos, absolutamente.

Sua vida foi para mostrar não meramente que Ele era, em muitos aspectos, diferente dos outros homens, mas que Ele era uma ordem diferente de raça humana em relação ao resto. Até que você tenha reconhecido isto claramente, você não encontrou a chave para a vida terrena do Senhor Jesus. Ele encontrou alguns dos melhores tipos de homens de Seus dias, mas entre Ele e eles havia um grande abismo não havia passagem de um lado para o outro.

III. A Obra Terrena de Cristo

O período da vida terrena de Jesus corresponde aos seguintes acontecimentos; o nascimento de Jesus, a morte de Jesus, ressurreição de Jesus e a ascensão de Jesus. No século I, depois de Cristo o Império Romano controlava o mundo. Já Intelectualidade era exposta pela hegemonia da cultura grega. E a sociedade hebraica vivia sobre o domínio Romano, mas com uma esperança, a manifestação do Messias. Porém, por muito tempo Deus não tinha usado seus santos profetas, um silêncio de quatrocentos anos, conhecido como o período interbíblico, reinava no cenário religioso do judaísmo. A esperança era o surgimento do Messias, só que as profecias relatavam que anterior ao surgimento de Cristo, apareceria um que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda ao nosso Deus (Is 40.3). Esta voz (ou este profeta), foi considerado pelo próprio Jesus como: “entre os que de Mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista (Mt.11.11b). Isto mesmo João Batista filho de Zacarias e Isabel, primo do Senhor Jesus foi o cumprimento da profecia de Isaias 40. 3 , João fez declaração de Jesus ao descrevê-lo como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). A declaração de João Batista faz parte das declarações humanas em que exaltam ao Senhor Jesus.

IV. A Mensagem do Evangelho de Cristo

Jesus Cristo veio “pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.14,15). Com a brevidade usual, Marcos expôs o que ele e outros escritores inspirados denominaram o evangelho do reino. Evangelho significa boa nova ou boa mensagem. O reino de Deus estava próximo. Sua vinda estava perto. Os mandamentos de Deus ordenam a todos que se arrependam e creiam nessa jubilosa mensagem.

Nunca houve uma mensagem tão acreditável. O poder miraculoso provava que Jesus falava a verdade; “trouxeram-lhe, então, todos os doentes, acometidos de várias enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunáticos e paralíticos. E ele os curou” (Mt 4.24). O poder sobre os demônios provou ser verdadeira a sua mensagem e anunciou poderosamente a chegada do reino. Acusado de expelir demônios pelo poder de Satanás, Jesus replicou que, se isso fosse verdadeiro, o reino de Satanás estava dividido, condenado à aniquilação. “Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus”, ele disse, “certamente é chegado o reino de Deus sobre vós” (Mt 12.22-30). A vinda do reino de Deus era um golpe mortal em Satanás. A luta foi breve. Ainda que tudo parecesse perdido na cruz, a vitória foi arrebatada da morte quando Cristo ressuscitou. O reino veio! Essa boa nova ressoou em todos os cantos do globo e ainda oferece esperança a todos os pecadores.

Conclusão

Confessar Jesus como o "Cristo" significa que proclamamos que cremos que ele é o ungido de quem os profetas do Velho Testamento tinham profetizado. A palavra "Cristo" é a tradução grega da palavra hebraica "Messias". O eunuco estava dizendo que ele cria que Jesus era o cumprimento da profecia de Isaías. Isto significa que Jesus era aquele apontado por Deus para assumir o ofício real, sacerdotal, do Messias prometido. É necessário crer e querer confessar esta crença. Mas não é a mesma coisa que confessar Jesus como Senhor. Por exemplo, quando Pedro proclamou no Dia de Pentecostes que "... este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo" (At 2.36), ele estava dizendo que Deus fez de Jesus duas coisas diferentes: Senhor e Cristo.

Então, falando praticamente, o que afinal é envolvido em confessar Jesus como Senhor? Bem, obviamente a primeira coisa envolvida é falar de nossa aceitação de seu senhorio. Nosso texto de Romanos diz, "Se, com tua boca, confessares Jesus como Senhor..." (Rm 10.9). Mas isso não termina aqui. Somente começa aqui. Jesus, de fato, nem mesmo quer que façamos tal confissão se não estivermos querendo agir sobre ela. Ele não quer que o chamemos "Senhor" e "Mestre" se não queremos comprometer-nos a fazer as coisas que ele diz. Ele disse, "Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?" (Lc 6.46). Em vez disso, nossos atos precisam condizer com nossas palavras: "E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai" (Cl 3.17). Confessar o senhorio de Jesus com nossas bocas enquanto não submetemos nossas vidas a ele é inútil. Se ele é verdadeiramente nosso Senhor, então ele domina tanto nossas palavras como nossos atos.


Sugestão de Leitura da Semana: RIBEIRO, Anderson. A Mensagem de Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.



quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Recomendação de Leitura do Mês - Política Segundo a Bíblia - Wayne Grudem

 



Por Leonardo Pereira


Profundamente no meio evangélico, é um pouco complexo ainda hoje para algumas pessoas, relacionar as temáticas política e a Bíblia Sagrada com a política. Ao longo dos anos, corajosos escritores evangélicos encontram forças, coragem e ousadia para lidar com este tema que encontra um certo tabu para se falar e estudar, seja em ambientes eclesiásticos, ou seja em seminários teológicos. No entanto, graças ao bom Deus, temos em nosso país excelentes obras que lidam com esta temática de maneira bíblica, jurídica, dinâmica em seu modo de leitura, seja aos mais conhecedores do assunto jurídico e teológico, seja também aos que iniciam em suas pesquisas na dinâmica que encontra-se entre a Política, Vida Cristã e a Bíblia. Por isso, elaboramos hoje para todos uma recomendação de uma obra excepcional, no que tange a vida política de acordo com o que encontramos corretamente na Bíblia Sagrada, e o livro recomendado de hoje é Política Segundo a Bíblia - Princípios que todo cristão deve conhecer, do escritor e teólogo Wayne Grudem.

O Livro

A obra de Wayne Grudem pela Editora Vida Nova tem como objetivo trazer uma reflexão ao leitor sobre a importância de todo cristão conhecer a política, bem como o seu direito de exercer a sua participação de maneira racional, bíblica, visando o bem da nação de acordo com a vontade do Senhor. O livro tem por objetivo as questões básicas do conceito político do que encontramos nas Escrituras Sagradas. A obra remete à forte ênfase de que todo cristão por estar envolvido em uma sociedade, principalmente por professar a fé genuína em Cristo Jesus, tem por objetivo participar de forma ativa na política da sua nação, de modo a escolher bons candidatos para conduzir a nação a um bem maior, visando a contribuição para a humanidade, e também para as próximas gerações que devem obter um futuro melhor que os nossos pais e nós mesmos, tivemos. A obra focaliza-se em pensarmos no futuro da nação, a participar da vida política de maneira bíblica, coerente e compreensiva.

O Autor

Wayne Grudem é um autor agregador de valores e também de conceitos cristãos, e mostra-se disposto a dialogar com o seu leitor tais valores e conceitos em sua obra a participação da vida cristã na sociedade. Os argumentos usados em seu livro são perguntas que comumente fazemos à nós mesmos ou as pessoas em nosso redor: As igrejas devem exercer alguma influência na política? Pastores devem pregar sobre temas políticos: Existe somente um posicionamento cristão em relação às questões políticas: A Bíblica traz algum ensinamento a respeito de como as pessoas devem votar? Grudem busca de maneira bíblia e didática responder a estas perguntas aos seus leitores. Longe de ser prepotente ou arrogante ao dialogar sobre política, o escritor busca levar os leitores à reflexão e por esta obra, alcança tal objetivo de maneira magistral, colocando os leitores à uma reflexão e os instigando que participem deste tema que também nos é pertinente.

Diferenciais desta Obra

Esta obra possui peculiaridades no que tange ao seu tema. O seu autor cumpre exatamente o papel do título e do subtítulo quando se trata em falar de política á luz das Escrituras Sagradas. O autor conforme dito anteriormente, parte da convicção de que Deus pretendia que a Bíblia oferecesse orientação para todas as áreas da vida, inclusive no tocante ao modo como os governos devem atuar. Esta obra de Grudem na língua portuguesa é uma edição parcial de 192 páginas que o autor publicou em inglês, pois muitos capítulos da sua obra original (que são de 600 páginas), tratavam de questões específicas do contexto norte-americano. Sendo assim, a Editora vida Nova resolveu fazer uma seleção de capítulos fundamentais para que os cristãos de língua portuguesa pudessem ter acesso a uma visão política segundo a Bíblia Sagrada.

O Convite à Leitura

O convite à leitura desta obra é para que você, querido leitor, possa ter acesso a uma visão ampla de como a Bíblia Sagrada nos concede também respostas a uma participação mais ativa dos cristãos. Assim como temos inúmeros preceitos bíblicos para o nosso viver cotidiano, familiar, trabalhista, eclesiástico, didático, interpessoal, etc; temos nas Escrituras Sagradas, diversos preceitos bíblicos para possuirmos uma visão política segundo à Bíblia Sagrada, o que faz-nos tornar eleitores melhores, seletivos melhores para escolhermos os nossos candidatos, e pensadores reflexivos de um país melhor, de uma nação melhor, com reflexos para o futuro das próximas gerações. Por isso, o convidamos à ler esta magnífica obra.


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Comentário Bíblico Mensal: Setembro/2020 - Capítulo 1 - Jesus Cristo - Verdadeiro Homem - Verdadeiro Deus




Comentarista: Carlos Alberto Junior



Texto Bíblico Base Semanal: Hebreus 5.1-10

1. Porque todo o sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados;
2. E possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados; pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza.
3. E por esta causa deve ele, tanto pelo povo, como também por si mesmo, fazer oferta pelos pecados.
4. E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão.
5. Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho,Hoje te gerei.
6. Como também diz, noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque.
7. O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia.
8. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu.
9. E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem;
10. Chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.

Momento Interação

Nenhuma doutrina foi mais debatida ao longo da história que a Cristologia. Vários concílios da igreja se reuniram ao redor desse tema. A Palavra de Deus revela-nos que Jesus tem duas naturezas distintas: uma divina, outra humana. Jesus é Deus sem deixar de ser homem e homem sem deixar de ser Deus. Este é um glorioso mistério: o menino que nasceu em Belém e foi enfaixado em panos é o criador do universo, o Pai da eternidade. Se Jesus não fosse Deus não poderia oferecer um sacrifício de valor infinito. Se não fosse homem não poderia ser o nosso substituto. Porque é Deus e ao mesmo tempo homem pode ser o mediador entre Deus e os homens. Porque é Deus-homem pôde fazer um sacrifício perfeito, capaz de expiar a culpa de todo aquele que nele crê.

Introdução

A divindade de Cristo é um tema constantemente debatido, principalmente neste tempo, quando lembramos Seu nascimento. Sua natureza humana, de certa forma, passou a ser mais aceita. O Jesus Cristo histórico já não pode mais ser negado. Sabemos muito bem que Jesus viveu entre nós, com as características e qualificações humanas. E para os cristãos ele também viveu como Deus, manifestando o seu poder e glória diante dos homens.Nas quatro biografias de Jesus, os Evangelhos, podemos ver que a encarnação divina era parte do plano de redenção. Fez-se necessário que o Senhor Jesus Cristo viesse ao mundo como homem, experimentando todas as provações e aflições da humanidade.

Conforme nos relata os escritores, Jesus Cristo possuía atributos humanos. Ele sentiu sono, cansaço, fome e sede (Mt 21.18;  4.38 e Jo 4.6). Os Evangelhos também nos relatam que Jesus sofreu, chorou, entristeceu-se e angustiou-se (Mt 26.37; Lc 19.41). Já a divindade de Cristo, ela é exposta de forma incontestável em todas as Escrituras. Ele mesmo, ao falar sobre sua natureza divina, disse: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho Unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

I. Quem é Jesus Cristo?

Jesus é descrito de vários modos nas Escrituras. Ele é o bom pastor, o Pastor Supremo (Jo 10.11; 1 Pe 5.4), Rei (Ap 19.16; At 2.29-36), profeta (Dt 18.17-19; At 3.22,23; Lc 13.33), Mediador (Hb 8.6) e salvador (Ef 5.23). Cada uma destas descrições salienta alguma função que Jesus desempenha no plano da salvação. Talvez a mais completa descrição de Jesus com respeito a sua obra redentora seja a de sumo sacerdote. O autor de Hebreus também observa a conseqüência inevitável do sacerdócio de Jesus Cristo. Se o sacerdócio for mudado da ordem de Arão para a de Melquisedeque, necessariamente a lei associada com o sacerdócio levítico tem que ser mudada. "Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei" (Hb 7.12). A Lei de Moisés, associada com o sacerdócio levítico, foi anulada quando o sacerdócio foi mudado (Hb 7.18,19).

A obra sacerdotal de Jesus é explicada pelo escritor de Hebreus em termos de atos do sumo sacerdote levita no Dia da Expiação. Exatamente como o sumo sacerdote levita entrava no Santo dos Santos do tabernáculo, isto é, na presença de Deus, com sangue para fazer a expiação pelos pecados, assim Jesus entrou no Santo dos Santos com sangue (H 9.11,12). Mais ainda, Jesus não ofereceu seu sangue num tabernáculo físico, feito por mãos humanas. Ele ofereceu seu sangue na presença de Deus, no céu.

No Dia da Expiação, o derramamento de sangue realmente acontecia fora do Santo dos Santos. Os animais eram mortos e o sangue deles recolhido no pátio do tabernáculo. O sumo sacerdote então oferecia o sangue a Deus quando o aspergia em frente do propiciatório. De modo semelhante, o sangue de Jesus foi derramado na cruz, fora do Santo dos Santos celestial. Ele foi sepultado e no terceiro dia ressurgiu. Depois de 40 dias ele ascendeu ao céu, em sentido figurado, e apresentou seu sangue diante de Deus. É fácil observar a importância da ressurreição a este respeito. Ainda que o sangue seja derramado em sua morte, Jesus realmente ofereceu seu sangue ao Pai quando ascendeu ao céu depois de sua ressurreição (Jo 20.17; At 1.9,10).

II. A Pessoa de Jesus Cristo

A superioridade de Jesus é um dos principais temas do livro de Hebreus, um dos mais fascinantes livros do Novo Testamento. O autor deste livro mostra que Jesus ocupa uma posição acima dos anjos, acima de Moisés, acima dos sacerdotes do Antigo Testamento e acima dos sacrifícios feitos sob a velha Lei. Todos estes argumentos apoiam a conclusão que a Aliança dada por Jesus é superior à Aliança dada por meio de Moisés. As afirmações do primeiro capítulo de Hebreus nos impressionam com a exaltação de Jesus. Sua palavra é mais importante do que as revelações do Antigo Testamento, dadas aos pais e profetas, porque ele é o Filho de Deus. Ele criou o universo e sustenta a criação “pela palavra do seu poder” (Hb 1.2,3). Jesus mostra aos homens a imagem exata do Pai, e habita atualmente na presença do Pai, para onde voltou depois de completar seu trabalho redentor aqui na terra (Hb 1.3,4). Boa parte deste capítulo é composta de citações do Antigo Testamento com comentários explicando seu significado. Vamos observar algumas delas.

“Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” (Hb 1.5; citação de Salmo 2.7). Alguns usam estas palavras erroneamente para negar a eternidade de Jesus, sugerindo que ele foi gerado no sentido de ser criado pelo Pai. Porém, o próprio contexto citado (Sl 2) e todas as citações deste versículo no Novo Testamento falam da exaltação de Jesus, não do seu nascimento ou criação. Jesus, o eterno “Eu Sou” (Jo 8.24), não passou a existir, mas foi “gerado” quando o Pai o exaltou. “E todos os anjos de Deus o adorem” (Hb 1.6; citação de Salmo 97.7). Este versículo é muito interessante no estudo das afirmações da divindade de Jesus no Novo Testamento. Adoração é reservada exclusivamente para Deus, como o próprio Jesus ensinou (Mt 4.10). Quando o Pai mandou que os anjos adorassem o Filho, ele afirmou a divindade de Jesus!

III. Cristo no Antigo Testamento

Uma leitura superficial de alguns versículos apresenta uma dificuldade, até dando a impressão de uma contradição nas Escrituras. Alguns religiosos aproveitam esta suposta contradição para negar claras afirmações sobre o anulamento da Lei dada aos israelitas no monte Sinai. Em Mateus 5.17,18, Jesus disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas, não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo, até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.” Alguns citam esta afirmação para tentar obrigar as pessoas de hoje a guardarem o sábado e outros mandamentos da Antiga Aliança.  

Para compreender este comentário de Jesus, precisamos prestar atenção especial a três palavras que ele usou. A palavra revogar vem de uma palavra grega que significa derrubar, subverter ou destruir. Jesus não veio para subverter a Lei, ele veio para cumprir. A palavra traduzida cumprir significa completar, levar até o fim, realizar ou obedecer. Jesus não pretendia subverter a lei, ele pretendia cumpri-la, assim a levando até o seu determinado fim. A terceira palavra importante é a preposição até. Os céus e a terra poderiam passar, mas a lei não passaria até ser cumprida. Esta palavra (traduzida até, até que, ou enquanto) significa algo que chega até um certo ponto e termina. Deus falou para José ficar no Egito até que ele fosse avisado (Mt 2.13). José não “conheceu” Maria “enquanto ela não deu à luz um filho” (Mt 1.25). Na morte de Jesus, houve trevas até à hora nona (Lc 23.44). A Lei não perdeu sua força até ser cumprida por Jesus.  

O autor de Hebreus usou uma palavra diferente, embora traduzida em algumas Bíblias pela mesma palavra portuguesa, quando disse: “Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus” (Hb 7.18,19). Revogar, neste trecho, significa anular, abolir, ou remover. No mesmo capítulo, ele falou da mudança (ou remoção) da lei (Hb 7.12). Os cristãos não estão “subordinados” à Lei (Gl 3.24,25). Mesmo os cristãos judeus, que estavam sujeitos à lei, foram libertados dela (Rm 7.6). O escrito da dívida foi removido inteiramente na cruz, pois Jesus cumpriu aquela Lei (Cl 2.14). Após a morte do Testador, a Nova Aliança tomou seu lugar (Hb 8.6-13; 9.15-17). Jesus não subverteu a Lei do Antigo Testamento; ele cumpriu e removeu aquela e nos deu a Nova Aliança.

IV. Cristo - Senhor de nossas Vidas

De acordo com a História, um dos tópicos mais controvertidos entre os que afirmam seguir a Bíblia tem sido a natureza de Jesus e sua relação com o Pai. Nos primeiros cinco séculos após a encarnação de Cristo, os cristãos passaram pelas chamadas "controvérsias cristológicas": vários grupos defendiam visões completamente diferentes com respeito à natureza de Jesus Cristo e do ser divino. Isso talvez não nos cause nenhum espanto. Satanás desejaria mais do que nunca introduzir entre os discípulos erros no que se refere à natureza de Deus, sendo esses erros básicos e extremamente prejudiciais. Além disso, qualquer ser humano que tente compreender a natureza de Deus está lidando com um assunto muito mais profundo que ele mesmo. É natural tentar reduzir Deus às condições humanas e começar a analisá-lo de acordo com as limitações humanas. Mesmo hoje, há acirradas controvérsias entre os supostos seguidores do Senhor Jesus no que diz respeito à natureza e ao conceito da divindade. 

É importante começar qualquer estudo com a postura correta. Precisamos sempre estar dispostos a submeter os nossos conceitos ao significado imparcial dos textos bíblicos. Consultar a Bíblia para tentar provar o que já decidimos ser a nossa crença é perigoso e muitas vezes leva a equívocos. Se as nossas concepções nos obrigam a torcer as Escrituras para que se encaixem ao que pensamos, então devemos abandonar os nossos conceitos. Nem tudo na Bíblia nos parecerá sábio e razoável. A sabedoria de Deus não se sujeita à nossa avaliação. Por causa das nossas limitações, a sabedoria de Deus às vezes parece tola. Não é necessário que tudo tenha sentido para nós nem que tudo seja coerente, mas pela fé devemo-nos submeter ao que a Palavra de Deus claramente afirma sem rodeios (1 Co 1-2).

Vários grupos negam a absoluta divindade de Cristo. Os testemunhas de jeová, por exemplo, negam que Jesus seja Deus com d maiúsculo. Segundo eles, ele é um deus, um arcanjo muito elevado, mas não é igual a Deus Pai. Os teólogos modernos muitas vezes ensinam que Jesus era um grande homem, um mestre maravilhoso e um grande profeta , mas não Deus na verdade. A Bíblia ensina que Jesus é Deus.

Há vários "porém" que devem ser ligados a essa afirmação. Quando Jesus se fez carne, passou a ser humano. Participou da nossa natureza; submeteu-se à experiência humana. Assim, experimentou a fome, a sede, o cansaço. Nas palavras de Paulo: "pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz" (Fp 2.6-8). É importante entendermos que, quando Jesus se fez homem, não deixou de ser Deus. Ele era Deus vivendo como homem. Mas restringiu-se a forma e a limitações muito diferentes da natureza de sua existência eterna. Ao afirmar que Jesus é Deus, então, não estamos tentando negar a realidade de Jesus ter-se tornado um ser humano verdadeiro. Afirmar que Jesus é Deus não é afirmar que ele é o Pai. 

Conclusão

Seria válido admitir já de início neste estudo que se acha revelada nas Escrituras uma nítida diferença entre o papel do Pai e o do Filho. Uma delas é que foi o Filho que se fez carne, não o Pai. Mas, o que é mais fundamental, o Pai parece ser revelado na Palavra como o planejador e diretor, e o Filho, como o concretizador. O Filho submeteu-se à vontade do Pai. Nesse sentido, Jesus afirmou: "O Pai é maior do que eu" (Jo 14.28). Entendemos que, de acordo com as Escrituras, o marido deve ser o cabeça da esposa, e ela deve submeter-se ao marido. Mas isso não significa que o marido seja superior em essência; simplesmente tem um papel de autoridade. Tanto marido quanto mulher são plena e igualmente humanos. Da mesma forma, a liderança do Pai e a submissão do Filho não implicam diferença de natureza. Ambos são plena e igualmente divinos.



Sugestão de Leitura da Semana: GONÇALVES, Matheus. O Evangelho do Médico Amado. São Paulo: Evangelho Avivado, 2019.