quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Agosto/2018 - Capítulo 5 - Alegrem-se sempre no Senhor



Comentarista: Lucas Soares



Texto Bíblico Base Semanal: Filipenses 4.1-13

1. Portanto, meus amados e mui queridos irmãos, minha alegria e coroa, estai assim firmes no Senhor, amados.
2. Rogo a Evódia, e rogo a Síntique, que sintam o mesmo no Senhor.
3. E peço-te também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os meus outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida.
4. Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos.
5. Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor.
6. Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.
7. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
8. Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.
9. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco.
10. Ora, muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade.
11. Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.
12. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.
13. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.

Momento Interação

Em filipenses 4, Paulo exorta os moradores de Filipos a alegrar-se no Senhor Jesus Cristo e a perseverar em  oração. Mais uma vez os estimula a unidade e fala sobre como aprendeu a viver todas as situações da vida, tendo muito ou pouco. Por fim, ele os agradece por sua generosidade nas ofertas e roga a Deus que os abençoe.Aos filipenses, o apóstolo Paulo dá a “receita” de uma Igreja vitoriosa: a unidade. Ele os estimula continuamente a viverem em comunhão e procura tratar de forma amorosa e espiritual cada foco de contenda. A alegria deve ser algo notável entre os cristãos, a despeito de qualquer situação. Todos que nos cercam devem perceber nosso prazer de viver a vida em Jesus.

Nossa mente deve ser ocupada, preenchida, transbordante de pensamentos do alto. Além disso, os cristãos têm o dever de não apenas aprender mais, sobretudo devem colocar em prática o que já se sabe. Bons Estudos!

Introdução

O capítulo 4 de Filipenses é repleto de orientações práticas para a vida cristã. No início, Paulo aborda o desentendimento ocorrido entre duas pessoas, algo que pode roubar a paz e a alegria (Fp 4.2). A briga deve ter sido suficientemente grave para merecer menção nesta carta pública. Paulo encoraja essas irmãs na fé a viverem em harmonia com Deus e com o próximo. Isso se encaixa com o tema do capítulo 3, no qual os filipenses são exortados a colocarem as necessidades dos outros acima das suas próprias. A transição de Paulo (portanto) encerra a seção anterior (Fp 3.17-21) e introduz as exortações subsequentes. O apóstolo considerava a vida dos amados filipenses como alegria e coroa, a recompensa que premia o trabalho que ele tem feito. Com a ordem estai assim firmes, que exige ação contínua da parte dos cristãos de Filipos, Paulo inicia uma série de dez ordenanças, que se estende até os agradecimentos a igreja em Filipos.

I. Permanecendo firmes no Senhor

Paulo exortou os filipenses a esforçar-se para obterem quatro virtudes cristãs básicas: (1) regozijar-se, sempre, no Senhor (Fp 4.4), (2) serem moderados com todas as pessoas (Fp 4.5), (3) serem constantes na oração, não ansiosos (Fp 4.6), e (4) meditarem em coisas excelentes (Fp 4.8). Em meio às dificuldades, a todas as situações, os cristãos devem regozijar-se. A alegria deles não deve ser baseada em circunstâncias favoráveis; em vez disso, deve ser fundamentada em seu relacionamento com Deus. Os cristãos enfrentarão tribulações neste mundo, mas devem regozijar-se nas provações porque sabem que o Senhor as usa para aperfeiçoar o caráter deles (Tg 1.2-4). Equidade identifica a pessoa que revela calma e clareza de espírito. O indivíduo moderado está disposto a sacrificar tudo a que tem direito para mostrar consideração aos outros. O advérbio perto sugere que a volta do Senhor poderia ocorrer a qualquer momento. Paulo usa esse fato para motivar os filipenses a honrarem a Deus com a própria vida.

II. Alegrai-vos no Senhor

Paulo aconselha a igreja a se concentrar no lado bom e belo na vida, porque isso ajuda a pessoa a ser positiva em um mundo negativo. No verso 8, o verbo utilizado é “pensar” nas virtudes; enquanto que no versículo 9 o verbo se torna “praticar” as virtudes: “Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim. E o Deus da paz estará com vocês”, NVI). Tais virtudes também devem ser o padrão para o cristão avaliar todas as suas atividades de entretenimento e lazer.

Contentar-se em qualquer situação é a base da alegria, especialmente para Paulo que se encontrava preso no momento em que escreveu esta carta (Fp 4.11). Há uma grande necessidade de encontrar contentamento no que se tem, sem buscar continuamente adquirir mais. Poderíamos nos perguntar: Estou satisfeito com o que tenho? Ou estou sempre e continuamente procurando adquirir mais e mais coisas e realizações, numa busca insaciável? Estar satisfeito com o que se tem é o caminho para a alegria em qualquer situação em que nos encontrarmos. Como alguém já observou: “a comparação mata o contentamento”. A ênfase do verso 13, “tudo posso naquele que me fortalece” está em Cristo, que nos concede forças. Esta é uma fusão da vontade humana com o poder divino. Nós somos capazes de fazer grandes coisas, não por nossa própria capacidade, mas na dependência de Deus. Podemos, portanto, enfrentar hoje o que quer que aconteça em nosso caminho, não por causa de quem somos, mas por causa da conexão que temos com o Cristo Vivo.

III. O Agradecimento da Paulo pelos Filipenses

Ao receber ajuda dos filipenses, Paulo se regozija grandemente "no Senhor" (Fp 4.10). Mesmo assim, ele explica que seu contentamento vem, não das coisas que ele tem nesta vida, mas em sua relação com o Senhor. O contentamento, nesta vida, é uma atitude aprendida (Fp 4.11). Em todas as coisas que Paulo sofreu por amor do evangelho (Fp 1.17; 3.4-11; 2 Co 11.23-30), ele aprendeu a manter sua atenção em Cristo (2 Co 12.7-10). Se aprendemos a ter Cristo como o foco de nossa vida, a nossa circunstância material perderá sua importância (Fp 4.12-13).

Ainda que Paulo não precisasse do donativo deles para ficar contente, assim mesmo ele se regozijou em recebê-lo porque eles participaram da aflição dele (Fp 4.14). Eles tinham ajudado a Paulo desde o início, quando ele saiu de Filipos para ensinar em Tessalônica (Fp 4.15-16; At 16.11-17.4; 2 Co 8.1-5). Agora que tinham oportunidade de ajudá-lo novamente, isso significaria "fruto" para crédito deles (Fp 4.17). Eles colheriam ricas recompensas do Pai (Fp 4.19). A dádiva deles era um sacrifício pessoal, "como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus" (Fp 4.18). Não é o objeto do sacrifício que dá a suave fragrância a Deus, mas o coração daquele que faz o sacrifício. Os corações dos filipenses eram suaves para Deus, em seu abundante amor para com Paulo.

Essa generosidade é o modelo para os cristãos de hoje. Eles não deram esperando receber bênçãos em retribuição. Não deram porque era algo que "a igreja" exigia. Eles deram com ânimo e de coração, sabendo que sua dádiva estava indo para a divulgação do evangelho e que "Deus ama a quem dá com alegria" (2 Co 9.7). Nosso amor genuíno de uns pelos outros e nosso cuidado com a unidade no corpo de Cristo devem compelir-nos a ver uns aos outros assim como Cristo nos vê. Podemos saudar nossos irmão "em Cristo Jesus", se há lutas entre nós? (Fp 4.2-3). Temos que humilhar-nos e abandonar nossas diferenças pessoais para ajudar uns aos outros chegar ao céu. Isso é exatamente o que Jesus fez por nós (Fp 2.5-11). Os filipenses haviam ajudado a levar o evangelho até aqueles da casa de César, que se lembravam deles com amor. Em tudo isto, a graça do Senhor é óbvia. Paulo começou sua carta desejando-lhes a graça do Senhor, e encerra-a com o mesmo desejo (Fp 4.23). Onde abunda a graça do Senhor, haverá paz, unidade, e força para superar as tentativas de Satanás a destruir os servos de Deus (2 Co 12.9-10). 

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Agosto/2018 - Capítulo 4 - A Vigilância dos Maus Obreiros e o Fruto do Espírito




Comentarista: Lucas Soares


Texto Bíblico Base Semanal: Filipenses 3.1-14

1. Resta, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor. Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós.
2. Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão;
3. Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne.
4. Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu:
5. Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu;
6. Segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível.
7. Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo.
8. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo,
9. E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé;
10. Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte;
11. Para ver se de alguma maneira posso chegar à ressurreição dentre os mortos.
12. Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus.
13. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,
14. Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

Momento Interação

Os filipenses, assim como todo cristão devem ter em Jesus a sua fonte de alegria. Paulo não se cansa de repetir isso. Outro cuidado que eles deviam ter, era o de evitar os falsos mestres e a vaidade dos títulos e da aparência. Para isto, Paulo apresenta o seu próprio exemplo de judeu e fariseu. O seu novo nascimento em Cristo, o fez perceber o quanto seu “passado glorioso” de nada valia. Esse entendimento era tão profundo para o apóstolo, que ele diz: “considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar Cristo”. Em filipenses 3, Paulo fala sobre a superioridade da salvação em Jesus Cristo e sobre a alegria, como fruto do relacionamento sincero com Deus. Exorta os irmão a fugirem da aparência e compara os cristãos a atletas de alta performance. Bons Estudos!

Introdução

Paulo desejava muito que os filipenses resistissem ao legalismo assim como ao antinomianismo (Fp 3.17-4.1). Eles precisavam viver na vida presente com os olhos fixos no objetivo do seu futuro, no retorno de Cristo. Na segunda parte da seção principal dessa carta, Paulo direcionou a atenção para os muitos erros que haviam entrado na igreja em Filipos. Para resumir tudo o que disse sobre uma vida digna de Cristo, Paulo acrescenta que vos regozijeis no Senhor. Este regozijo é no Senhor, não nas circunstâncias. Deus sempre está no comando, por isso, mesmo na prisão, Paulo pode regozijar- se. Consequentemente, ele não se aborrece (incomoda) de incentivar os filipenses a regozijar-se. Seria uma garantia para a conduta deles porque eles tomariam a atitude correta. A preocupação de Paulo era que os filipenses não caíssem na armadilha preparada por aqueles que estavam dentro da igreja e apoiavam a heresia, por isso o apóstolo disse que seus conselhos são segurança.

I. Guardai-vos dos Maus Obreiros

Nos tempos do Novo Testamento, cães eram animais odiados. O termo passou a ser usado como referência a todos os que tinham uma mente impura no que diz respeito à moral. Uma vez que o termo obreiros era usado ocasionalmente para identificar aqueles que propagavam uma religião, é provável que as palavras maus obreiros aludam a mestres que estavam espalhando doutrinas destrutivas. Empregando o vocábulo circuncisão, Paulo expõe de um modo sarcástico e específico aqueles que desejavam restabelecer práticas religiosas judaicas como sendo necessárias para a salvação. Ele escolhe um termo cujo significado literal é cortar. Ao fazer isso, o apóstolo sugere que essas pessoas sequer entendiam a verdade sobre a prática da circuncisão no Antigo Testamento, compreendendo-a simplesmente como um corte da carne.

A chave à nossa alegria deve estar "no Senhor" (Fp 3.1), e não nas nossas próprias obras. Devemos estar buscando "em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça" (Mt 6.33). Por este motivo, Paulo escreve aos filipenses mais uma vez "as mesmas coisas" que já ouviram dele em Cristo. É nossa segurança no evangelho que continuamos estudando as mesmas palavras do Senhor, ao invés de criar novos e "melhores" credos. Tudo que precisamos para sermos fiéis e piedosos já foi nos dado nas Escrituras (2 Tm 3.16-17; 2 Pe 1.3; Jd 3). Quando acrescentamos ou tiramos alguma coisa da vontade divina revelada, mostramos que nossa confiança está em nós mesmos e na nossa sabedoria e não na dele.

Alguns chegaram a Filipos ensinando coisas que não faziam parte do evangelho de Cristo. Falaram que os irmãos precisavam se circuncidarem e cumprirem a Lei de Moisés. Paulo explica que a circuncisão verdadeira é do espírito, e não da carne (Cl 2.11-14). É Cristo quem circuncida nosso coração e espírito quando, pela fé obediente, somos batizados nele. A falsa circuncisão tem ligação com Abraão apenas pela descendência física, mas a verdadeira circuncisão são aqueles que têm a fé de Abraão (Gl 3.7-14,26-29).

II. A Justiça que vem de Deus

Paulo mostra a futilidade de confiar na carne, usando o exemplo da própria vida dele. Se alguém poderia ter confiado na carne, seria Paulo. As coisas que ele conseguiu fazer, como judeu, eram notáveis. Mas, para Paulo, nada disso importava. Ele não somente considerava todas essas coisas perda, mas até as chamou de refugo. Até as maiores coisas que um homem pode conseguir aqui nessa vida não são nada quando comparadas com "a sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus" (Fp 3.8). Paulo considerava tudo refugo para não ser tentado confiar nas coisas que ele tinha feito. Ele sabia que precisava se conformar com Cristo na sua morte (Fp 3.10-11).  Se houver algo que ameaça nos impedir de participar da ressurreição, precisamos considerar tal coisa refugo e jogá-la fora.

A justiça de Paulo, agora, não procedia da lei, antes vinha mediante a fé em Cristo. Paulo reconhecia que a salvação é baseada não em obras humanas de obediência à lei, mas inteiramente e exclusivamente na "justiça que precede de Deus", que é dada àqueles que estão unidos com Cristo (Rm 1.16-17; 3.21-26). Ela nos é dada mediante a fé em Cristo. Cristo é o objeto da fé (GI 2.16), e agora que Paulo confiava somente em Cristo, ele havia abandonado toda a confiança em suas próprias credenciais (Fp 3.7-8).

A fé é o meio, não a base, da salvação. Paulo declara que nós somos salvos por meio da fé, nunca que somos salvos por causa da fé. O mérito de Cristo é a base da salvação. A fé é o instrumento que liga os crentes a Cristo e seu mérito. Por isso que ela é baseada na fé. Essa frase pode ser traduzida "dada por Deus em resposta à fé". A fé recebe o dom de Deus da justiça (Rm 3.22; 5.17), e o exercício da fé precede o veredicto de Deus da justificação (Rm 4.3; 5.1; GI 3.6).

III. Prosseguindo para o Alvo

Dos versículos 12 ao 16 do capítulo 3 de Filipenses, ele vai falar do viver agora para o futuro. Paulo deixou o ataque aos legalistas para focalizar nos desafios de viver nesta vida tendo em vista o que Cristo trará no futuro. Embora os crentes já tenham recebido muito de Cristo, ainda há muito mais a ser experimentado nele.

Paulo não julgava que ele mesmo já tenha recebido ou alcançado tudo isso (Fp 3.10-11). Paulo ainda não tinha recebido todos os benefícios da salvação. Ele enfatizou esse ponto para contrastar com qualquer ideia de perfeição nesta vida (cf. Tg 3.2; 1 Jo 1.8) e a fim de expressar a grandiosidade de sua futura glorificação em Cristo.

O processo salvador que deverá ser consumado no dia de Cristo (Fp 1.6,10) e na ressurreição dos mortos (Fp 3.11) já começou, mas ainda não está completo. Assim, ele Paulo nos orientava a prosseguir para o alvo. O objetivo da batalha de Paulo prometia um troféu esplêndido: a salvação em toda a sua totalidade (cf. 1.28; Rm 13.11). Esse era o prêmio da soberana vocação. Deus já havia chamado Paulo (Rm 8.30; GI 1.15). Era porque Paulo havia sido "conquistado por Cristo Jesus" (Fp 3. 12) que ele prosseguia com vigor na direção do alvo da vida na glória (Fp 3.13-14). Todos, pois, que somos perfeitos ou que tenham alcançado maturidade. As primeiras palavras de Paulo no versículo 15 podem ter sido um tributo às pessoas que, de fato, pensavam e viviam de maneira perfeita. Paulo, na verdade, usou a palavra grega, aqui traduzida "perfeição", num sentido favorável (cf. Cl 1.28). Outro modo de interpretar isso é que Paulo devia estar usando de ironia para falar das pessoas que já se consideravam "perfeitas" (Fp 3.12), e a sua intenção era corrigir esse pensamento.

Se isso fosse diferente, isso também Deus esclareceria para eles. Seja o discernimento e o entendimento espiritual ou a concordância entre os cristãos que esteja sendo considerado aqui, a graça de Deus é necessária (Fp 1.19-11). Nesse meio-tempo, a conduta dos crentes deveria estar de acordo com o grau de percepção que Deus já concedeu a cada um (Fp 3.16).

domingo, 19 de agosto de 2018

Os Obstáculos e os Benefícios da Meditação



Toda prática espiritual tem seus obstáculos, e os seus benefícios para a vida cristã. Precisamos estar conscientes das barreiras que nos impedem de fazer da meditação um hábito espiritual. Todos que pretendem realizar essa pratica piedosa, enfrentarão obstáculos. Por isso, é necessário que conheçamos cada um deles para que possamos lutar e vence-los. Se os cristãos conhecessem os benefícios que há em meditar nas coisas de Deus, não perderiam tempo com as coisas fúteis dessa vida e desejariam mais de Deus sobre suas vidas.

Portanto, o propósito desse texto é mostrar os entraves que surgem sobre os que querem meditar e receber as bênçãos que procedem dessa prática.

1. Os obstáculos da Meditação

Destacaremos aqui alguns obstáculos que impedem o sucesso na meditação:

a) Ignorância

Quando perguntamos a alguns cristãos se eles meditam, os mesmos afirmam: “Que não conseguem concentrar seus pensamentos nisso, porque eles são como a onda do mar que é arremessado de um lado para o outro”. Diante disso, devemos entender que os pensamentos dispersos não isentam o dever do cristão. Geralmente, quando esses argumentos são usados, fica claro a ignorância sobre o dever de meditar. E não somente isto, mas é uma prova clara que não há amor a Deus e a sua palavra. Desse modo, muitos deixam de meditar por falta de conhecimento sobre o assunto e preferem ficar na ignorância.

b) As atividades dessa vida 

Alguns não meditam por falta de conhecimento sobre esse tema, outros colocam como barreira as atividades desse mundo. Alegam que não podem, pois andam ocupados demais com os empreendimentos deste mundo, assim, acham que não podem ter um desempenho com seriedade. A primeira coisa que a pessoa que esta nessa situação deve ter em mente é: a verdadeira espiritualidade, não é praticada somente em momentos de lazer, porém, as atividades desse mundo devem levar-nos mais a meditação. Josué estava na liderança do povo de Deus, era um homem altamente ocupado, mas Deus disse que ele deveria meditar na sua lei de dia e de noite.

c) Sono Espiritual  

Um dos obstáculos ferrenho do homem nesse hábito, é o sono espiritual ou a preguiça espiritual. As pessoas que vivem assim, dizem que têm boas intenções, mas suas almas se inclinam para distante da meditação. O autor de Provérbios afirma: A sonolência cobrirá de trapos o homem (Pv 23:21). É mais do que claro, todo aquele que se lança na sonolência para com a meditação, sofrerá prejuízos quanto a espiritualidade; um deles é a indiferença para com as coisas de Deus. Certo puritano sobre isto disse: “É preferível esmerar-se do que sofrer dores, e jungido com as cordas do dever do que com as cadeias das trevas”. Uma pessoa que vive em uma situação como esta, precisa analisar suas preferências, para assim ver se estão mais inclinadas a Deus ou ao mundo, porque a preguiça espiritual não é defeito físico apenas, mas espiritual.

d) Prazeres e amizades do mundo

Os prazeres e as amizades do mundo têm impedido muitos cristãos de meditarem na palavra de Deus. Muitos não estão dispostos a abandonarem o entretenimento fútil do mundo e nem os amigos. Esses devem lembrar que, “as coisas desse mundo estragam nossa espiritualidade e nos indispõe para com os deveres da meditação”. As coisas de Deus são maiores do que os prazeres do mundo, as coisas desse mundo passam, todavia, aqueles que se empregam na meditação, serão recompensados na eternidade e nessa vida. Lembrando o que Tiago disse: Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tg 4:4).

e) Falta de disposição

A falta de disposição tem sido um grande vilão, que tem roubado a muitos quanto a prática da meditação. Os que estão nessa situação a consideram uma tarefa muito difícil e sobrecarregada, por isso, não se dedicam a estar a sós com Deus. Esses pensamentos, precisam ser purificados com o sangue de Cristo, para que assim, venham se comprometer com a meditação e os meios de graça. O puritano Calamy demonstra, os prejuízos graves de ficar indisposto a meditação: As consequências de omitir-se da meditação são sérias. Conduz ao endurecimento do coração. Por que as promessas e ameaças de Deus causam tão pouca impressão em nós? Porque falhamos em meditar sobre elas. Por que somos tão ingratos a Deus por Suas bênçãos? Por que Suas providências e as aflições falham em produzir santo fruto em nossas vidas? Por que não conseguimos beneficiar-nos com a Palavra e os sacramentos? Por que somos tão prontos a julgar os outros? Por que nos preparamos tão mal para a eternidade? Por que a falta de meditação é tão clamorosa em nós?

2. Os benefícios da meditação

Depois de verificarmos os obstáculos a meditação, agora verificaremos os benefícios que ela trás para a vida cristã, elas são:

  • A meditação promove o temor a Deus, o qual é o principio da sabedoria (Pv 1:8). 
  • A meditação melhora nossa vida de oração, porque através dela nos aperfeiçoaremos nessa prática e abre nosso entendimento para palavra de Deus (Sl 119:18). 
  • A meditação nos leva amar a lei do Senhor e meditar nela todos os dias (Sl 119:97). 
  • A meditação aumenta o arrependimento e a transformação da vida (Sl 119.59) 
  •  A meditação é uma grande amiga para a memória. 
  • A meditação ajuda-nos a valorizarmos o tempo que Deus nos deu para usarmos na sua presença. 
  •  A meditação glorifica a Deus (Sl 49.3). 
  • A meditação é uma poderosa arma contra Satanás e a tentação (Sl 119:11,15; 1Jo 2:14). 
  • A meditação ajuda a prevenir contra pensamentos maus e vãos (Sl 101:3). 
  • A meditação é um forte antídoto contra o pecado e a cura da cobiça. 
  • A meditação nos auxilia nas provações 
  •  A meditação ajuda a entendermos as promessas de Deus contida nas Escrituras. 
  • A meditação traz um entendimento mais profundo da palavra de Deus. 
  • A meditação nos leva adorar a Deus de forma mais teocêntrica. 
  • A meditação nos ajuda a visualizar o culto como uma disciplina a ser cultivada. Ela nos leva a preferir a casa de Deus à nossa própria. 
Esses pontos, são suficientes para nos conscientizarmos dos grandes benefícios da meditação para a espiritualidade cristã. 

Conclusão 

Portanto, devemos estar cientes dos obstáculos a meditação, devemos conhecer cada uma dessas barreira para as vencermos; bem como dos benefícios que ela traz para vida cristã. Como disse Thomas Brooks, “a meditação é o alimento de suas almas, é o próprio estômago e o calor natural pelos quais as verdades são digeridas. Uma pessoa logo viverá sem seu coração, quando for capaz de obter o bem pelo qual lê sem meditação. ... Não é aquele que lê mais, e sim aquele que medita mais é que provará ser o cristão mais seleto mais suave, mais sábio e mais forte”.
Que possamos sempre fazer da meditação uma disciplina para a vida cristã. Se não queremos ter uma vida cristã superficial, devemos valorizar essa prática.

Sidney Muniz
Notas:
Espiritualidade Reformada – Joel Beeke