quinta-feira, 15 de abril de 2021

Preparados para a Resposta da Esperança

 




Por Leonardo Pereira



Estejam “sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15) é uma ordem expressa de Pedro para os cristãos da Ásia do primeiro século, mas também para nós, nos dias de hoje. Será que para isso é necessário muito conhecimento e disposição para discutir com qualquer pessoa sobre qualquer assunto relacionado com a fé? Observe que Tiago desestimula a ambição ardente de sermos mestres (Tg 3.1). Examinemos o contexto deste mandamento para vermos que podemos obedecê-lo. 

A Ordem de Prontidão

A ordem para estarmos prontos para responder acha-se numa carta escrita a cristãos diferentes – diferentes do que tinham sido no passado e diferentes dos que os cercavam. Os seus antigos e atuais amigos estranhavam que eles não participassem com eles do pecado (1 Pe 4.4). Eram desprezados (1 Pe 3.16), rejeitados (1 Pe 4.14) e acusados de fazer o mal (1 Pe 2.12). Esse é o plano de Deus para os que lhe pertencem, para manifestar as excelências dele nas trevas do mundo (1 Pe 2.9). Hoje nada é diferente. O tipo de pergunta que geralmente surge é: “Por que você não quer sair com a gente como antes?”, “Você não diz mais palavrão?”, “Você ficou religioso ou qualquer coisa assim?”. Essas não são as perguntas teológicas complexas que imaginaríamos lendo 1 Pedro 3.15 fora de contexto.

“Estar preparado” implica prever as perguntas e estar afiado para responder. A carta de Pedro ordena, pelo menos, três tipos de preparo: 

1. O preparo do coração. “... Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder” (1 Pe 3.14,15). É necessário coragem. Devemos ter uma idéia firme e clara de nossa identidade e nossa responsabilidade, não importa como encarem as nossas respostas. O medo de passar vergonha ou de sofrer perseguição não pode ter lugar na vida daquele cujo Senhor é Cristo. Só temos de prestar contas ao Filho de Deus; é só a ele que devemos temer (1 Pe 1.17). Participaremos do sofrimento de Cristo e não nos devemos envergonhar quando isso acontecer (1 Pe 4.12-16).

2. O preparo da vida. O nosso texto mostra que o nosso modo correto de vida já é, em si, uma grande proteção contra as situações vergonhosas: “com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo” (1 Pe 3.16). Se nos perguntam acerca do nosso comportamento, é claro que a nossa vida está sendo investigada pelas pessoas. A nossa vida, sempre, faz parte do nosso preparo. Fomos criados de modo distinto, não de acordo com “às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento” (1 Pe 1.14,15). O que dissermos com a nossa vida S o mau humor, a prática dos velhos hábitos ou qualquer coisa que não tenha sido sujeitada a Cristo S pode depor contra qualquer palavra que proferirmos com os lábios. “Amados, exorto-vos, . . . a vos absterdes das paixões carnais . . . mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas bos obras, glorifiquem a Deus” (1 Pe 2.11,12).

3. O preparo da mente. “Sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações . . . Se alguém fala, fale de acordo com as oráculos de Deus” (1 Pe 4.7,11). Junto com a nossa coragem e com uma vida exemplar, devemos estar munidos de uma mente sadia e equilibrada, pronta para trabalhar, centrada na nossa esperança (1 Pe 1.13) e pronta para dar uma resposta. Mas a que tipo de perguntas? 

Primeiramente, o que é mais provável, perguntas sobre o nosso comportamento. A nossa conduta se tornou visível e levou a uma reação. A nossa resposta deve explicar o nosso comportamento em relação ao senhorio de Cristo. “Não posso usar o nome de Deus dessa forma”, ou “de acordo com a minha crença em Jesus e segundo o que ele ensinou, entendo que não posso fazer isso”. 

Em segundo lugar, se as nossas respostas fizeram a atenção se voltar para o Senhor, podem-se seguir as perguntas simples sobre a fé e a obediência a Jesus. Não só para explicar a nossa esperança, mas também para atrair o interesse de um coração aberto, seria útil aprender uma pequena seqüência de conclusões como: o relato da vida de Jesus é preciso; Jesus ressuscitou de entre os mortos; ele só pode ser o Filho de Deus; devemos obedecer-lhe cuidadosamente; ele julgará o mundo um dia, etc. Esses mesmos fatos provavelmente foram os que nos motivaram a obedecer, e o preparo pode ser apenas aprender a ordem, treinar uma forma simples de falar sobre eles e aprender algumas referências bíblicas que os sustentam. As respostas simples são as melhores, já que poucas pessoas têm tanto conhecimento da Bíblia e é raro encontrarmos alguém que saiba fazer uma defesa lógica da fé.

Dando a Resposta

Outra ordem é dar a resposta “com mansidão e temor” (1 Pe 3.16). Ainda que sejamos ridicularizados, devemos seguir o exemplo de Jesus, “pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje” (1 Pe 2.23; 3.9). O modo de respondermos pode não apenas afastar a ira, mas também fazer parte de nosso modo de vida, que os outros observam. Temos a ordem de estarmos preparados para explicar a nossa esperança - não de sair vencedor na discussão ou de converter cada pessoa com quem temos contato. 



Referências:

Bíblia Sagrada. Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

CAMPOS, Ygor; PEREIRA, Leonardo; SILVA, Oliveira. Comentário Bíblico Evangelho Avivado Volume 2 - Novo Testamento. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.

HORTON, Stanley. Sempre Prontos. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.

PEREIRA, Leonardo. A Esperança da Salvação em Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.

SILVA, Oliveira. Panorama Bíblico Volume 7 - Epístolas Gerais. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.



sábado, 10 de abril de 2021

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2021 - Capítulo 2 - Somente a Fé - Sola Fide

 




Comentarista: Marcos Rogério



Texto Bíblico Base Semanal: Romanos 5.1-19

1. Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;
2. Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
3. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,
4. E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.
5. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
6. Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.
7. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.
8. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
9. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.
10. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.
11. E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.
12. Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.
13. Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei.
14. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.
15. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.
16. E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.
17. Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.
18. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.
19. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.

Momento Interação

Então, basta somente a fé e nada mais? Geralmente, quando feita, esta pergunta tem uma segunda intenção, talvez motivada por comodismo, letargia e ‘graça barata’, por isso, inicialmente, de forma cuidadosa, a resposta à pergunta deve ser: ´depende´. Pode ser ´sim´, mas também pode ser ´não´. Somente a fé não é um princípio que exclui os demais solas: Cristo, graça e Escritura. Em verdade, Cristo, graça, fé, Escritura perfazem um todo e, por isso, a rigor, se poderia falar em um único ´somente´. Seria um ´somente Cristo-graça-fé-Escritura´. Da mesma forma, os reformadores jamais afirmaram que a fé exclui as obras de amor. Pelo contrário, a fé e o amor também perfazem uma grandeza única. A fé faz obras. Quando Lutero afirmou o ´somente pela fé´, ele não quer excluir as exigências das obras, mas excluir autojustificação e automeritocracia diante de Deus. A fé, então, não combate as obras, mas as afirma. O que o ´somente pela fé´ combate são o egoísmo e individualismo que decorrem da autojustificação e dos méritos próprios.

Introdução

A fé é uma necessidade espiritual básica do ser humano. Sem fé é impossível agradar a Deus. "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam." (Hb 11.6). Precisamos entender que a salvação é somente pela graça, mas pela graça por meio da fé (Ef 2.8-10).  Fé é confiança em Deus, é saber que tudo aparentemente estando dando certo ou errado Deus está no controle: "Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem" (Hb 11.1). A Bíblia descreve a fé como algo sobrenatural, como um dom de Deus ao homem e que deve ser desenvolvida: "E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo." (Rm 10.17). É aqui que entra a importância da pregação doutrinária, expositiva e cristocêntrica em vez das populares pregações motivacionais. A fé é despertada pelo estudo, leitura e audição do Evangelho de Cristo que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16).

I. A Justificação pela Fé

A Bíblia claramente ensina a doutrina da justificação pela fé de modo que não nos deixa dúvidas: "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei." (Rm 3.28). A lei, as obras, as boas intenções não podem salvar o homem do pecado e de suas consequências temporais ou eterna. Através de Cristo e Seu sacrifício vicário a justiça de Cristo é imputada ao pecador pela fé como os pecados do pecador foram lançados sobre Cristo (Is 53.4-6). Lutero disse: "Aprendei a conhecer a Cristo, e Ele crucificado. Aprendei a cantar um novo cântico - a desesperar de vossas próprias obras, e a clamar a Ele: Senhor Jesus, Tu és a minha justiça, e eu o Teu pecado. Tomaste sobre ti o que era meu, e deste-me o que Te pertencia; o que não eras Te tornaste, a fim de que eu me pudesse tornar aquilo que não era." - História da Reforma de d'Aubigné, volume. 2, capítulo 8.
Paulo reforçou essa ideia escrevendo aos coríntios: "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus" (2 Co 5.21). Em Seu amor e misericórdia infinitos Deus fez com que Jesus Cristo que não conheceu pecado se tornasse pecado por amor de nós pecadores necessitados da graça. Jesus torna-se nosso Substituto para que nós recebêssemos as bençãos que Ele tinha direito e, para isso, Ele recebeu a condenação que merecíamos. Na qualidade de pecadores arrependidos somos justificados pela fé e recebemos pleno perdão. Por meio de Jesus Cristo recebemos adoção, justificação, santificação e a futura glorificação.

II.  A Doutrina da Fé na Reforma

A Reforma religiosa do século dezesseis, foi deflagrada quando o monge agostiniano, Martinho Lutero, fixou nas portas da igreja de Wittenberg, na Alemanha, as noventa e cinco teses contra as indulgências e os abusos do papado. A Reforma não foi uma inovação na igreja, mas uma volta à doutrina dos apóstolos, ao Evangelho bíblico. Não foi um desvio de rota, mas uma volta às Escrituras. A Reforma colocou a igreja de volta nos trilhos da verdade.  Uma das ênfases da Reforma Protestante foi a compreensão correta do que é a fé. 

A fé é um dos elementos fundamentais do cristianismo.  Habacuque disse que o justo viverá pela fé (Hc 2.4). O Novo Testamento menciona a declaração de Habacuque três vezes, ver (Rm 1.17; Gl 3.17; Hb 10.38). A fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Cristo (Rm 10.17). O autor de Hebreus, possivelmente o apóstolo Paulo dedicou o capítulo 11 de Hebreus para tratar exclusivamente da fé.A fé é o fator primordial na vida de um crente. Desde a experiência mais elementar como crer no Evangelho até a mais elevada quando já somos crescidos em vida. Não há viver cristão sem fé. A salvação do crente é pela graça mediante a fé para boas obras (Ef 2.8-10). Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Em Hebreus no capítulo 11 vemos uma lista de homens e mulheres que viveram nos tempos do Antigo Testamento e que foram justificados diante de Deus pela fé e que pela fé obtiveram bom testemunho. A fé não se limita a uma crença, mas a uma fé quese torna evidente por meio das obras manifestas. Deus chama cristãos à ação. Somos chamados para servir. 

A fé é criacionista, ou seja, nossa fé se baseia no nosso Deus que é o Criador (Hb 11.3), mas contrariamente ao deísmo é galardoador dos que o buscam (Hb 11.6).A fé não anula a obediência, caso contrário seria presunção e não fé. Em Apocalipse 14.12 lemos que a fé em Jesus é acompanhada da obediência aos mandamentos de Deus, em Hebreus 11.4 diz que pela fé de Abel ele ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim.Enoque, antes da sua trasladação obteve testemunho de ter agradado a Deus (Hb 11.5). Pela sua fé, Noé construiu a arca (Hb 11.7). Pela sua fé Abraão quando chamado obedeceu a Deus e partiu de sua terra sem saber para onde ia (Hb 11.8). Pela fé, quando provado ofereceu a Deus seu próprio filho crendo que Deus poderia trazê-lo de volta à vida (Hb 11.17-19).

Pela fé Moisés recusou ser chamado filho da filha de Faraó escolhendo sofrer junto com o povo de Deus a usufruir os prazeres transitórios do pecado (Hb 11.24-28), os israelitas e tantos outros também agradaram a Deus e obtiveram as bençãos e a salvação por meio de sua fé. Como a ausência da evidência não significa evidência da ausência Deus não exige de Seus filhos uma fé cega e irracional, mas nos dá suficientes razões para crer: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos” (Sl 19.1); “Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Rm 1.19,20); “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem” (Sl 14.1; 53.1).A fé bíblica é a confiança em Deus, a crença de que Ele recompensa aqueles que O buscam (Hb 11.1,6).
Na época da Reforma Protestante a fé foi desvirtuada, endinava-se que fé era a crença e confiança na mediação da igreja, do clero, dos sacerdotes e a aceitação de seus sacramentos para se obter a salvação, a qual na verdade era buscada por meio de penitências, indulgências, missas, conficionário e outras formas de distorções da sã doutrina. A proposta da Reforma Protestante não foi criar divisão, mas restaurar as verdades bíblicas.

III. A Fé em Cristo Jesus

A Reforma Protestante também restaurou a fé em Jesus e Sua intercessão em favor do homem. Nessas dias o homem havia tido sua atenção desviada de Jesus para sacerdotes humanos e mediadores mortos que supostamente estariam completando a intercessão de Jesus intercedendo pelos homens na Terra. O ministério sacerdotal e sumo sacerdotal de Jesus foi pleno e suficiente em prol do pecador. Não há outros mediadores entre Deus e o homem, por mais santos que sejam: “Porquanto, há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens” (1 Tm 2.5). É a natureza teantrópica (divino-humana) de Jesus Cristo que o torna o Mediador entre Deus e os homens ligando a humanidade à Divindade. 

Declarar que há outros mediadores é ir contra a revelação bíblica porque só Jesus em sua união hipostática (totalmente Deus e totalmente homem) através de Seus méritos que preenche esse requisito. Somente por meio de Jesus o pecador pode ser reconciliado com Deus. A Divindade estende a mão e toca a humanidade em Jesus. Por meio de Jesus o homem é habilitado a comparecer diante de Deus. Paulo, nesse texto exclui a necessidade de outros seres humanos para complementar essa função. 

A mediação de Jesus é plena, suficiente e perfeita. Ele não é o Mediador supremo, é o único Mediador. O próprio Senhor Jesus deixou claro essa verdade ao dizer: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). A Bíblia diz em (Hb 7.26) que Cristo é o único imaculado, diz em (2 Co 5.21) que Ele é o único que não conheceu pecado. Por isso Cristo é o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5), único advogado (1 Jo 2.1) e nosso único intercessor no céu (Hb 7.25). Qualquer doutrina que coloque outro imaculado, advogado e mediador é uma distorção da verdade bíblica.

Conclusão

A palavra fé do hebraico emun ou emunah e do grego pistis representa uma firme confiança emocional e intelectual em Deus e em Suas providências. Essa fé não é uma confiança cega, mas uma racional e serena confiança em Deus. A confiança em Deus se deve ao Seu caráter de amor (1 Jo 4.8,16). Essa fé é um dos requisitos para a aproximação de Deus (Hb 11.6). A fé é sobrenatural, cremos no que não vemos (Hb 11:1) e é um dom de Deus (Ef 2.8). É por meio da fé em Jesus Cristo que o pecador é justificado (Rm 8.1; 3.28; Gl 2.16; 3.8,25).

A fé não é passiva nem infrutífera, mas é evidenciada por obras (Gl 5.6; Tg 2.17; 18, 20, 21, 26) e gera boas obras (Ef 2.10). Pela fé o homem arrependido recebe de Deus perdão e misericórdia e também a graça necessária para se reconciliar com Deus e poder para andar em harmonia com Sua santa e boa vontade. O Cristianismo é a religião que crê em Jesus, Sua Divindade, Sua humanidade, Seu ministério terrestre e celestial e aceita a Jesus como único e suficiente Salvador. Nós cristãos cremos que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5). 

Cremos que Jesus não foi simplesmente um bom homem, um profeta, um guia, mas Deus em forma humana. Jesus é o Deus conosco (Mt 1.23). Foi a fé em Jesus como Deus Todo-Poderoso que fez com que em Antioquia fossem os discípulos pela primeira vez chamados de cristãos (At 11.26), pois falar de Jesus era o que eles mais faziam. Jesus era o tema principal de suas conversações. Na Bíblia Sagrada é possível conhecer Jesus de forma tão plena como o conheceram os palestinos que com Ele tiveram contato pessoal. Conhecer a Jesus não foi o privilégio restrito da geração que viveu a 2.000 anos. 

Conhecemos a Jesus pelos relatos dos Evangelhos Sinóticos, Mateus, Marcos e Lucas e pelo Evangelho de João, mas toda a Bíblia fala de Jesus direta ou indiretamente. Não só podemos conhecer o Senhor Jesus e se relacionar com Ele, como também podemos, por meio do Espírito Santo ser semelhantes a Ele (2 Co 3.18). A Teologia é o estudo sobre a Divindade, o estudo sobre o Espírito Santo é chamado de Pneumatologia, nesse texto entraremos em um ramo da teologia conhecido como Cristologia, o estudo sobre o que a Revelação nos revela sobre a pessoa de Cristo em Sua vida de perfeita obediência. 

A vida de Jesus foi de obediência, razão pela qual Ele se tornou nosso exemplo (1 Jo 2.6). Jesus, como o Filho de Deus tinha uma responsabilidade muito grande. Cabia-lhe ser nosso exemplo em todas as coisas e para tal Jesus precisava ser perfeito, separado dos pecadores (Hb 9.26).



Sugestão de Leitura da Semana: RIBEIRO, Anderson. A Mensagem de Cristo. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.


segunda-feira, 5 de abril de 2021

A Santificação

 




Por Leonardo Pereira



Através de toda a Bíblia, a santificação tem sido um elemento essencial na relação entre Deus e seu povo. Esta qualidade de ser separado do pecado é uma característica fundamental da santidade de Deus, que tem que ser desenvolvida como parte do caráter de seus filhos. Depois de observar brevemente a importância da santificação através de toda a Bíblia, consideraremos as implicações de um texto desafiador na segunda carta de Paulo aos cristãos em Corinto.

Deus Quer um Povo Santo

Desde a criação, Deus quis um povo santo. Ele desejou uma comunhão especial com os homens que fossem capazes de andar com ele e falar com ele numa união especial. Mas a própria natureza de Deus estabelece limites para tal associação. Seu caráter santo não pode permitir ser contaminado pelo pecado e pela corrupção. Os homens só podem estar na sua presença se forem puros. Adão e Eva andavam no mesmo jardim que Deus, e falavam com ele. Mas logo pecaram e perderam esta convivência especial. Foram expulsos do jardim do Éden ­separados de Deus­ o que foi a morte espiritual que Deus havia prometido como conseqüência do pecado (Gn 2.17; 3.23,24). Povo sem santidade não podia permanecer na presença do santo Deus.

Depois que gerações de pecadores morreram num mundo corrompido, Deus escolheu os descendentes de Abraão para serem um povo santo. Ele os separou da má influência dos senhores egípcios e preparou uma terra onde poderiam habitar livres da corrupção dos povos idólatras. Ele até mesmo lhes deu uma lei especial, que ressaltava a distinção entre o puro e o impuro. Deus explicou a necessidade da pureza deles quando lhes deu essa lei: "Eu sou o Senhor, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo. . . Eu sou o Senhor, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo" (Lv 11.44,45).

Contudo, o povo que Deus havia selecionado excepcionalmente e resgatado não permaneceu santo. Os israelitas repetidamente exibiram seu pecado aos olhos de Deus. Ele às vezes avisou que poderia entrar no meio da congregação pecaminosa e destruir o povo (Êx 33.5; Nm 16.44,45). Por quê? Simplesmente porque não pode haver comunhão entre a santidade de Deus e a impureza do homem. O homem tem que ser purificado, ou morrerá (Is 6.1-7). Deus ainda quer um povo santo, e providenciou, através de Cristo, o meio de purificar os pecadores para servirem-no. Os cristãos são o povo santo de Deus (1 Pe 2.5,9). Aqueles que se dizem ser seguidores de Jesus deverão conduzir-se como um povo santificado e purificado da impureza do mundo.

A Santificação é Essencial para ter Comunhão com Deus (2 Co 6.14-7.1)

A igreja em Corinto estava rodeada de imoralidade e falsa religião. Os cristãos eram frequentemente tentados a voltar às más práticas do mundo. Paulo entendeu esta tentação quando lhes escreveu cartas de encorajamento. Consideremos seu ensinamento em 2 Coríntios 6.14-7.1. Paulo ensinou que o pecado não tem lugar na vida do cristão. Nos versículos 14 e 15 ele disse: "Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?"

Encontramos nestes versículos uma lista de coisas que são totalmente opostas. Paulo não encoraja a nenhum tipo de compromisso. Ele não nos diz que um pouco de mal pode coexistir com a justiça. Em vez disso, mostra que não pode haver nenhuma tolerância do pecado na vida de um cristão. Os cristãos pecam (1 Jo 1.8,10), mas temos que admitir esses erros e procurar o perdão de Deus para manter a comunhão com ele (1 Jo 1.9; 2.1). Certas religiões e filosofias orientais ensinam que o bem tem que ser contrabalançado pelo mal e que cada bem é manchado por alguma quantidade de mal. Tais idéias contradizem frontalmente o ensinamento da Bíblia. Bem e mal são distintos e não podem existir em harmonia. Os discípulos de Cristo não podem comprometer-se com o erro.

Esta santificação é baseada em nossa relação com Deus. Paulo continuou nos versículos 16 a 18 a dizer que a base para esta santificação é nossa relação com Deus. Nestes versículos, ele usa a linguagem das passagens do Velho Testamento para mostrar que Deus ainda deseja um povo santo: "Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em cousas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso".

O desejo básico de Deus permanece inalterado. Ele quer ter íntima comunhão com seu povo santo. Mas um Deus puro não pode ter amizade com pecado; portanto, temos que separar-nos do mal e da impureza. Mas, para que não vejamos isto como uma tarefa desagradável de renúncia, teremos que nos lembrar do grande privilégio que é descrito aqui, especialmente no versículo 18. O Deus Todo-poderoso do universo, nosso grande Criador e Redentor, quer ser nosso Pai. Os cristãos têm imenso privilégio de serem chamados filhos e filhas do próprio Deus!

Que faremos para aproveitar desta abençoada amizade com Deus? O primeiro versículo do capítulo 7 oferece a conclusão prática desta passagem: "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus". Por causa do grande privilégio de sermos chamados filhos e filhas de Deus, temos que nos purificar de toda impureza. Não apenas 50%, 90% ou 99% do pecado, mas de toda imundície.

Por quê? Por causa de nosso respeito a Deus. Ele merece nosso serviço de santificação. Temos que ser limpos de que tipos de impureza? Paulo menciona duas amplas categorias de pecado que têm que ser expurgadas de nossas vidas: Impureza da carne. Isto incluiria todas as formas de imoralidade e mundanismo. Pecados sexuais, embriaguez, desonestidade e todas as outras características da carne têm que ser abandonadas. Pessoas que praticam tais coisas não terão permissão para entrar na eterna comunhão com Deus (Gl 5.19-21; 1 Co 6.9-11; Ap 21.8).

Impureza do espírito. Impureza espiritual e religiosa também têm que ser removidas de nossas vidas. Os cristãos em Corinto estavam rodeados pela idolatria, por isso Paulo usou este exemplo específico. Estamos rodeados de uma variedade de doutrinas humanas e filosofias, práticas de espiritismo, adoração de santos e de imagens, etc. O verdadeiro cristão não pode continuar a participar de tais práticas impuras. Temos que limpar-nos de qualquer mal deste tipo (1 Co 10.14), adorando somente a Deus (Mt 4.10). Nossa adoração a Deus tem que ser de acordo com sua verdade (Jo 4.24). Sem nos santificar, não teremos comunhão com o Senhor que morreu por nós.

Aplicações em nossa Sociedade

Vivemos num mundo que tem sido manchado, por milhares de anos, pelo pecado. Estamos rodeados por violência, pornografia, desonestidade e falsa religião. Deus não pretende que nos isolemos deste mundo (Jo 17.14-21), mas que fujamos dos seus pecados (1 Tm 6.11) e brilhemos como luzes num mundo de trevas (Mt 5.14-16). Nunca foi fácil viver como povo santificado num mundo de corrupção e injustiça, mas é possível. Jesus provou isso durante uma vida de pureza sem pecado. É nossa responsabilidade seguir seus passos: "Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca" (1 Pe 2.21,22).