sábado, 9 de abril de 2022

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2022 - Capítulo 2 - O Juízo do Senhor na Nação de Israel

 




Comentarista: Leonardo Pereira



Texto Bíblico Base Semanal: Sofonias 1.7-18

7. Cala-te diante do Senhor DEUS, porque o dia do SENHOR está perto; porque o SENHOR preparou o sacrifício, e santificou os seus convidados.

8. Acontecerá que, no dia do sacrifício do Senhor, castigarei os príncipes, e os filhos do rei, e todos os que se vestem de trajes estrangeiros.

9. Castigarei naquele dia todo aquele que salta sobre o limiar, que enche de violência e engano a casa dos seus senhores.

10. E naquele dia, diz o Senhor, far-se-á ouvir uma voz de clamor desde a porta do peixe, e um uivo desde a segunda parte, e grande quebrantamento desde os outeiros.

11. Uivai vós, moradores de Mactes, porque todo o povo que mercadejava está arruinado, todos os que estavam carregados de dinheiro foram destruídos.

12. E há de ser que, naquele tempo, esquadrinharei a Jerusalém com lanternas, e castigarei os homens que se espessam como a borra do vinho, que dizem no seu coração: O Senhor não faz o bem nem faz o mal.

13. Por isso serão saqueados os seus bens, e assoladas as suas casas; e edificarão casas, mas não habitarão nelas, e plantarão vinhas, mas não lhes beberão o seu vinho.

14. O grande dia do Senhor está perto, sim, está perto, e se apressa muito; amarga é a voz do dia do Senhor; clamará ali o poderoso.

15. Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas,

16. Dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortificadas e contra as torres altas.

17. E angustiarei os homens, que andarão como cegos, porque pecaram contra o Senhor; e o seu sangue se derramará como pó, e a sua carne será como esterco.

18. Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia da indignação do Senhor, mas pelo fogo do seu zelo toda esta terra será consumida, porque certamente fará de todos os moradores da terra uma destruição total e apressada.

Momento Interação

Em Sofonias 1, o Senhor Deus faz o anúncio de uma grande destruição sobre seu povo. Mas qual o grande motivo? A idolatria praticada entre o povo de Deus, despertou a ira o Senhor. Fica muito claro na Palavra de Deus que o Senhor exige adoração exclusiva de seu povo. Como consequência ao comportamento idólatra eles teriam que enfrentar um grande juízo da parte de Deus. Em nossas vidas a adoração ao Senhor deve ser algo exclusivo. Imagens de esculturas, divindades, entidades, misticismo, enfim, cultos a outros deuses é algo que irrita muito ao Criador de todas coisas. Sofonias chama as pessoas a ficar em silêncio diante do Senhor Deus, mas este silêncio não é o tipo de silêncio que indica uma abertura do coração e da mente à voz de Deus, mas é por causa da expectativa acerca do Dia do Senhor.

Introdução

Enquanto vivermos nesta terra, seremos tentados à colocar diversos fatores de nossas vidas como prioridade ao invés do Senhor. As circunstâncias da vida, o dinamismo de nosso tempo diários, leva-nos à uma desafio que nos sobrevém por intermédio de uma pergunta: estamos colocando verdadeiramente o Senhor e Mantenedor de Todas as Coisas como prioridade de nossas vidas? Para o mundo pós-moderno, dedicarmos por inteiro a Deus é um sinal de um completo delírio. No entanto, para nós que cremos nas obras de suas mãos, pela Palavra do seu poder, compreendemos que não há maior prazer que nos encontrarmos na presença do Deus Vivo e Verdadeiro. Se não ouvirmos a voz de Jeová em um período de completa calamidade moral e espiritual da nação, o que será de nós e das próximas gerações? Restará somente um final de uma vida em completo estado de ruína, resultados da Ira Divina para com os incrédulos e com os infiéis. Portanto, vigiemos.

I. O Juízo de Deus sobre Judá

No capítulo 1 do Livro de Sofonias em seu início, conheceremos um pouco mais do contexto em que viviam os judeus e os outros povos. Deus estava inconformado com a situação do seu povo e a forma como eles se comportavam perante Ele. Assim sendo, o Senhor envia o profeta com a incumbência de exortá-los sobre o grande juízo que haveria de vir sobre eles. O alerta profético se torna de extrema necessidade pois o povo já não buscava ouvir a voz divina, muito menos as suas repreensões. Assim como foi para com os judeus na época de Sofonias, continua sendo hoje uma mensagem de alerta para toda a igreja do Senhor e para a nação brasileira: a conformidade com a situação moral, ética, social e espiritual da nação que ignora a mensagem divina provinda dos seus enviados.

1. Deus enviará a Disciplina ao seu Povo. Na primeira parte do capítulo encontramos Sofonias repreendendo o povo por parte do Senhor, pelas atitudes das quais os judeus haviam agregado aos seus costumes cotidianos. O comodismo, a idolatria e a incredulidade de muitos levou o Senhor à levantar o profeta como uma voz poderosa não de consolação ou correção, mas sim, de juízo. Nem mesmo os palacianos escapariam deste julgamento divino que haveria de vir sobre eles (Sf 1.8). Todos aqueles que estavam contrários à vontade do Senhor e o desonrando, receberiam do Altíssimo a justa medida. Deus não se deixar escarnecer em nenhum momento, muito menos pelo seu próprio povo.

2. Deus irá exercer o Juízo sobre o seu Povo. O período em que ocorre o ministério profético de Sofonias é de uma completa iniquidade por parte da nação de Judá. A adoração ao Senhor não era  mais uma prioridade magna do povo. As nações estrangeiras com os seus cultos místicos ganhavam guarida nos lares e corações dos muitos descendentes de Abraão. Unindo todas estas questões com o comodismo moral e espiritual do povo, Deus estava prestes a exercer um grande julgamento para o seu povo (Sf 1.9,10). Judá colocava sobre si mesma outras prioridades das quais o Senhor não era mais precioso para eles. Tudo aquilo que se coloca como prioridade em nossas vidas acima de Deus é considerado como idolatria, conduta abominável aos olhos do Senhor Deus de Israel (cf. Is 42.8). 

3. Deus tem um Limite de Paciência para o seu Povo. Judá e as demais nações vizinhas teve por pensamento próprio, viverem as suas vidas ao seu bel-prazer ignorando Deus como o Senhor Criador e Sustentador de Todas as Coisas, e deixando de lado o mais importante: o temor ao Senhor que é o princípio da sabedoria (Pv 9.10). Deus é mui paciente, contudo, a sua paciência dura um limite e não permite que a impunidade continue de maneira intensa e extensa. A paciência divina nos mostra a graça e o amor do Senhor em mostrar o caminho sobremodo excelente ao iníquo e transformá-lo em uma novo ser vivente. No entanto, para aqueles que não reconhecem a misericórdia e o amor do Altíssimo, lhes serão enviado um grande juízo como disciplina por não pararem com as iniquidades e continuar em uma vida cruel, pecaminosa e obscura: "Castigarei naquele dia todo aquele que salta sobre o limiar, que enche de violência e engano a casa dos seus senhores" (Sf 1.9).

II. O Juízo de Deus sobre Jerusalém

A segunda parte do capítulo 1 do Livro de Sofonias vai ser dedicado à um severo juízo contra Jerusalém. A Cidade Santa, a qual deveria ser referência para as demais capitais e nações do mundo conhecido na época era um local aonde se encontrava um número maior de pessoas cometendo gravidades contra o Criador. Por isto, Sofonias como uma voz profética, ergue-se como um enviado de Deus, guiado por Jeová para proclamar um juízo eminente na capital santa, que estava em completa crise moral, ética e espiritual da nação. Aonde estava uma capital idólatra e conformada com a atual condição de Judá, Sofonias exorta-os a uma vida de temor e obediência ao Senhor, para um período de grandes transformações abençoadoras para a nação.

1. A Crise em Jerusalém. Sofonias diz em sua obra profética que os cidadãos de Jerusalém tem o Altíssimo por irrelevante, e que muitos permanecem como bêbados, atônitos com a situação em que se encontravam: "E há de ser que, naquele tempo, esquadrinharei a Jerusalém com lanternas, e castigarei os homens que se espessam como a borra do vinho, que dizem no seu coração: O Senhor não faz o bem nem faz o mal" (Sf 1.12). A indiferença dos judeus para com o Criador traz-nos uma radiografia para os nossos dias. Assim como a idolatria provoca a ira de Deus por adorarem mais as criações que o Criador, a indiferença também provoca a ira do Senhor por ignorarem a sua mensagem e misericórdia e em detrimento da indiferença, buscam viver em conflitos constantes com o Senhor em sua forma de pensar e de viver. Devemos vigiar pois, assim como a idolatria desagrada ao Senhor, a indiferença também o desagrada e lhe provoca a ira do Altíssimo.

2. O Juízo em Jerusalém. O julgamento divino na cidade de Jerusalém em virtude da indiferença dos judeus para com o Senhor, será de uma gravidade sem igual, resultados dos seus pecados. Sofonias profetiza que o julgamento divino ocorrerá por etapas das quais afetarão tanto a vida social, quanto a moral: Bens serão saqueados de suas vidas, casas haverão de ser assoladas, arrasadas, e plantações de vinhas que serão cultivadas mas que não poderão usufruir do seu próprio cultivo (Sf 1.13). Os judeus seriam desprovidos de sua dignidade e moralidade em virtude das desobediências contra o Senhor. Seriam eles agora os julgados ao invés de julgarem ao Senhor e o chamarem de indiferente.

3. A Decadência Moral e Espiritual de uma Nação. A condição moral, social, cultural e espiritual de uma nação passa pelas prioridade as quais as pessoas tem colocado em suas vidas. Existem muitas pessoas que colocam como objetivos de suas vidas o  emprego, o dinheiro, a fama ou até mesmo a autoadoração, a personalidades humanas. A decadência moral e espiritual de uma nação passa por estes fatores. Quando colocamos outras prioridades, alvos de nossas vidas em alvos terrenos em detrimento de uma vida de intimidade e de grande relacionamento com o Criador. Quando uma nação busca adquirir o melhor da criação em preferência ao Senhor, surge uma inversão de valores e conceitos que não são do próprio Criador. Uma nação só será plenamente abençoada quando voltar-se para o Senhor, caso o contrário, ficaremos em ruínas conforme as palavras do salmista: "Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens. Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não vêem. Têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram. Têm mãos, mas não apalpam; pés têm, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta. A eles se tornem semelhantes os que os fazem, assim como todos os que neles confiam" (Sl 115.4-8).

III. O Dia da Ira do Senhor

Sofonias repete constantemente durante o seu livro a temática do "Dia do Senhor". No conceito profético do arauto palaciano, este dia é caracterizado quando Jeová enviará um grande juízo sobre o seu povo para os corrigir e discipliná-los. Para Sofonias, o julgamento do Senhor estava muito próximo e avisa aos judeus que se convertam e mudem de conduta, para que assim, voltem-se para o Senhor e também, o Criador irá voltar-se para o seu povo. Não mais os judeus veriam a Deus de Israel como um ser indiferente, mas como Criador de Todas as Coisas, o Deus Onipotente (aquele que detém todo o poder), Onisciente (aquele que conhce todas as coisas) e Onipresente (aquele que está presente em todo tempo e em todo lugar).

1. O Sentido Bíblico do Dia do Senhor. De Isaías ao Apocalipse, a frase "dia do Senhor" aparece em 25 versículos, e expressões semelhantes surgem em vários outros. A linguagem bíblica, freqüentemente citando "o dia do Senhor", é facilmente interpretada como se falasse de um só dia, talvez o dia final quando o Senhor voltará para julgar todas as pessoas. Mas o assunto não é tão simples assim. Esta pergunta serve para ilustrar bem uma regra fundamental de estudo bíblico: é necessário examinar palavras e frases em seus contextos. O dia do Senhor representa duas opções e dois destinos. É dia de destruição e de salvação. O mesmo dia que trouxe castigo aos opressores livrou os oprimidos. O mesmo dia que trouxe salvação aos que receberam a palavra condenou os desobedientes.

2. O Dia do Senhor está Próximo!  Considerando as citações bíblicas sobre o "Dia do Senhor", podemos ver que a mesma frase têm, pelo menos, quatro significados diferentes. Em cada caso, discernimos o sentido no contexto. Um dia de julgamento de pessoas, cidades, povos ou nações. Este é o sentido mais comum, especialmente nas profecias do Velho Testamento. Isaías falou desta maneira do castigo da Babilônia (Is 13.6,9). Jeremias descreveu o castigo do Egito como "o Dia do Senhor. . . dia de vingança contra os seus adversários" (Jr 46.10). Seu contemporâneo, Ezequiel, também usou a mesma linguagem ao falar sobre o castigo do Egito (Ez 30.3) e o de Jerusalém (Ez 13.5; Sf 1.7,14). Joel usa esta frase para falar do castigo do povo judeu (Jl 1.15; 2.1) e do julgamento de várias nações (Jl 3.14; Ob 15).

Conclusão

Duas características que encontram-se de maneira muito comum na nação de Judá em sua atualidade, mas que não pode sobrepor a vida do cristão é a indiferença e também a idolatria. Por conta destas duas características da convivência humana, Judá haveria de arcar seriamente com as consequências de seus atos, por ignorar a mensagem divina e tratarem a Deus como um ser irrelevante, sem importante para a história e o decorrer do povo como um todo. Devemos mantermos em sobriedade e vigilância para que não ocorra conosco o que ocorreu com Judá. Por isto, é-nos mui preciosa a orientação apostólica de Paulo quando se refere o objetivo primal de todo cristão, o seu alvo magno: "Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra" (Cl 3.2).


Recomendação de Leitura da Semana: ATAÍDE, Romulo. Panorama Bíblico Volume 4 - Livros Proféticos. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.


sábado, 2 de abril de 2022

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2022 - Capítulo 1 - Sofonias - Profeta de Excelência do Deus Vivo

 




Comentarista: Leonardo Pereira



Texto Bíblico Base Semanal: Sofonias 1.1-6

1. Palavra do SENHOR, que veio a Sofonias, filho de Cusi, filho de Gedalias, filho de Amarias, filho de Ezequias, nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá.

2. Hei de consumir por completo tudo de sobre a terra, diz o Senhor.

3. Consumirei os homens e os animais, consumirei as aves do céu, e os peixes do mar, e os tropeços juntamente com os ímpios; e exterminarei os homens de sobre a terra, diz o Senhor.

4. E estenderei a minha mão contra Judá, e contra todos os habitantes de Jerusalém, e exterminarei deste lugar o restante de Baal, e o nome dos sacerdotes dos ídolos, juntamente com os sacerdotes;

5. E os que sobre os telhados adoram o exército do céu; e os que se inclinam jurando ao Senhor, e juram por Milcom;

6. E os que deixam de andar em seguimento do Senhor, e os que não buscam ao Senhor, nem perguntam por ele.


Momento Interação

O estudo no Livro de Sofonias pode também ajudar os alunos a se prepararem para a Segunda Vinda de Jesus Cristo, que também é chamada de “O Dia do Senhor”. Os alunos vão aprender que, se eles se prepararem para a Segunda Vinda, arrependendo-se de seus pecados e voltando-se para Jesus Cristo, vão ter paz nesta vida e poderão esperar com alegria a Segunda Vinda. Ao estudarmos Livro do Profeta Sofonias, iremos aprender que não precisa seguir os costumes errados da sociedade em que vivem e que podemos buscar ao Senhor a despeito do que outros a sua volta escolham fazer. O comentarista deste mês é Leonardo Morais Pereira. Escritor, articulista, professor de teologia e de estudos bíblicos e editor do Ministério Evangelho Avivado. Que o Senhor Deus vos abençoe no prosseguimento dos estudos sobre o Profeta Sofonias.

Introdução

Durante o mês de Abril de 2022, estudaremos a respeito do Livro do Profeta Sofonias. Este arauto divino possui uma mensagem clara e bastante atual para o nosso tempo, sobretudo para a Igreja do Senhor Jesus Cristo: Exortação ao arrependimento, mudança de vida e de conduta, e também, prenúncios acerca da Segunda Vinda do Filho do Homem. Ainda que em um conteúdo profético, sua mensagem não pode ser ignorada, muito menos relativizada. A medida em que decorrermos os nossos estudos no livro do profeta que leva o seu nome, seremos poderosamente abençoados pela sua mensagem, bem como também capacitados à conhecermos cada vez mais ao Senhor, e nos prepararmos para os eventos futuros. No estudo desta semana, faremos um introdução a respeito do profeta Sofonias e da sua mensagem profética, tão preciosa e vital para os nossos dias.

I. O Profeta Sofonias

Antes de conhecermos a sua mensagem na obra profética, é-nos necessários conhecermos  a vida e o ministério do profeta Sofonias. À semelhança de muitos profetas do Antigo Testamento, o mensageiro do Senhor possui características que são bastantes sublime, de maneira que o possamos conhecê-lo profundamente. Muito da sua obra e do seu ministério revela o seu modo de viver, especialmente no que concerne ao seu ministério para com o Senhor. Busquemos conhecer ainda mais a vida e o ministério do profeta Sofonias.

1. O Nome do Profeta Sofonias. De acordo com o Pequeno Dicionário Bíblico de Orlando Boyer, o nome Sofonias tem por seu significado "Deus escondeu-se". O interessante é que o Criador do Universo e de Todas as Coisas contrasta o significado do profeta e do seu ministério com o seu nome. Sofonias será um dos maiores profetas da nação de Israel em evidência de modo a transmitir as nações, tanto em Israel quanto às estrangeiras, a poderosa Palavra do Senhor de maneira íntegra e fiel. O arauto do Senhor mostra uma modo peculiar de vida que se difere em muito do seu nome e de seu significado. Encontramos também outras referências do nome de Sofonias em outras passagens bíblicas das Escrituras Sagradas (cf. Jr 21.1; 2 Rs 25.18; 1 Cr 6.36; Zc 6.10,14).

2. A Vida do Profeta Sofonias. A conduta e o ministério profético de Sofonias provém de um tempo no período do reinado do rei Josias. De acordo como o decorrer do livro que leva o seu nome, Sofonias poderia ter sido um dos profetas que desencadearam um poderoso avivamento espiritual na nação de Israel. A temática profética de Sofonias não era somente de avivamento, mas também de arrependimento, confissão de pecados e conversão ao Deus Vivo e Poderoso de Abraão, de Isaque e Jacó (Sf 1.7-10; 14-16). Sofonias vivia para o ministério profético e devotava a sua vida a levar ao povo a mensagem divina. Para Sofonias, viver em prol da obra do Senhor era o alvo magno da sua vida.

3. Características do Profeta Sofonias. Assim como eram os profetas do Antigo Testamento, reconhecidos e autenticados por Deus, Sofonias era um autêntico profeta de Jeová. Uma grande questão que o diferenciava era a sua linhagem com a monarquia, sobretudo a de Judá. Sofonias era trineto do rei Ezequias (Sf 1.1), o qiue significa que ele era também parente do rei Josias (641-609 a.C.). Pela reflexão que fazemos do livro que leva o seu nome, Sofonias demonstra bastante objetividade pela sua forma de transmitir a mensagem divina, tanto no seu modo de falar quanto pelo seu modo de escrever. Também demonstra grande coragem e ousadia quando cumpre o seu ministério profético (Sf 1.14-17). O ministério de Sofonias é de aproximadamente entre 635-625 a.C., que o faz ser contemporâneo do profeta Jeremias.

II. Data, Autoria e Local do Livro

Conhecer a data, a autoria e a localidade em que uma das obras das Escrituras Sagradas estão inseridas é muito importante, pois nos leva à uma melhor compreensão dos textos bíblicos em sua época, bem como a sua relevância para os tempos atuais. Assim, seremos capacitados à conhecermos a Palavra do Senhor de maneira ampla, eficaz e estritamente edificante para todo o povo de Deus. Por isso, todo o contexto da sua época, data e autoria, são necessários para o nosso presente tempo na continuidade no estudo da Palavra de Deus.

1. A Data da Obra Profética. Assim como consideramos a sua obra em sua introdução (Sf 1.1), o autor data a sua obra no período do rei Josias (604-609 a.C.). No entanto, elementos encontrados neste livro indicam com clareza que o ministério profético iniciou-se em um período anterior às reformas de Josias em Judá (Sf 1.4-6; 3.1-7).

2. A Autoria da Obra Profética. Como é o caso nos escritos de todos os Doze Profetas Menores, essa profecia leva o nome de seu autor Sofonias (Sf 2.3). Sendo parente distante do rei Ezequas (715-868 a.C.) e também do rei Josias, isto faz de Sofonias um profeta palaciano, ou seja, um arauto do Senhor com descendência da linhagem real de Judá. Sua autoridade é amplamente aceita pelos pesquisadores e estudiosos da Palavra de Deus e a sua linhagem autentifica ainda mais a autoria desta belíssima e impactante obra profética.

3. A Localidade da Escrita da Obra Profética. No capítiulo 1 do Livro de Sofonias, o próprio profeta revela muitas informações importantes para o conhecimento da sua obra: "Palavra do SENHOR, que veio a Sofonias, filho de Cusi, filho de Gedalias, filho de Amarias, filho de Ezequias, nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá" (Sf 1.1). A mensagem de Sofonias foi provavelmente escrita em Judá, palco dos eventos aonde ocorreram as reformas de Judá no período do rei Josias. Durante o período antes e depois das reformas, Sofonias descreveu com detalhes e pela plena vontade divina, a mensagem profética.

III. O Contexto do Tempo de Sofonias

Sofonias escreveu e profetizou em um período de forte idolatria e incredulidade tanto em Israel quanto para as nações estrangeiras. Naquele período de profunda escuridão moral e espiritual, o Senhor levanta um valente profeta para trazer a mensagem divina as nações daquele tempo. No entanto, a mensagem do profeta transpassou as fronteiras do tempo, chegando à nós como uma exortação e consolação em tempos tão difíceis em que vivemos. O contexto do tempo de Sofonias ajuda-nos à obtermos um entendimento melhor desta magnífica obra profética.

1. O Contexto de Israel na época de Sofonias. A decadente ruína dos Assírios em virtude do grande desenvolvimento militar e expansionista dos babilônios pelo mundo da época, indicava grandes sinais da independência de Judá perante Nínive (capital da Assíria), o que lhes conduzira à uma período de profundas transformações sociais (costumes da nação), morais (retorno do povo à Lei de Deus), e espirituais (o compromisso de Judá para com o Senhor). Com a chegada de Josias ao trono, os judeus uma vez mais, teriam um grande período de reformas desde o período do rei Ezequias. Podemos então compreender que à luz do período de Judá e do contexto bíblico de Sofonias, que o Altíssimo sabiamente estava preparando o cenário para um grande período de exortação com o seu povo e também com as nações estrangeiras.

2. O Contexto das Nações Estrangeiras na época de Sofonias. Conforme dito anteriormente, na época em que se passa o Livro de Sofonias, a Assíria estava perdendo o seu poder para a chegada do Império Babilônico. Isto foi um grande sinal de Deus para o seu povo, visto que Judá estava ganhando uma liberdade (independência) para que houvesse naquela região, um desenvolvimento e amadurecimento como nação que antes, pelo domínio dos Assírios, não era possível ocorrer. No entanto, as nações ainda estavam aderindo às idolatrias aos deuses falsos, com rituais pagãos e sacrifícios ilícitos dos quais o Senhor abomina. Deus também estava preparando nesta época Sofonias para transmitir mensagens para estas nações como forma de repreensão e exortação.

IV. A Mensagem do Profeta Sofonias

O Livro de Sofonias possui apenas três capítulos. Apesar de ser um livro pequeno, possui nesta mensagem profética ensinamentos grandiosos e necessários para os nossos dias. Ao meditarmos nesta obra, o profeta inspirando pelo Espírito Santo (2 Pe 1.21) conduz-nos à uma importante reflexão: nos conscientizarmos que o Senhor está sempre presente e que em breve virá para os seus e com juízo prudente. Este livro permanece tão claro e atual quanto no período em que ele foi escrito.

1. A Necessidade de um Concerto com o Senhor. Sofonias trata bastante em seu livro da temática exortação e concerto. No período em que a sua mensagem profética foi propagada, a nação de Judá e os povos estrangeiros se encontravam em uma completa idolatria e generalizado paganismo, condutas estas as quais o Senhor condena. Sofonias vai tratar em seu livro que é mister que reconheçamos os nossos erros e assim voltemos com humildade e quebrantamento de coração, aos caminhos do Todo-Poderoso.

2. A Consciência da Onipresença de Deus. A Onipresença de Deus é um dos atributos do Criador que permeia por toda a Bíblia Sagrada e no Livro de Sofonias, esta característica divina não é ignorada. O profeta poderosamente usado por Deus detalha com maestria as condições de Judá e das outras nações. Nada passa desapercebido pelo Senhor, nem uma iniquidade sequer. À semelhança dos tempos de Sofonias, Deus continua contemplando os corações dos maus e dos bons, estando sempre ciente do que acontece no mundo e fora dele e por isso, o Senhor continuamente no controle de todas as coisas.

3. O Dia do Senhor está Próximo. A expressão Dia do Senhor é frequentemente utilizada por Sofonias em todo seu livro (Sf 1.7; 2.3; 3.9-20). Esta expressão indica um dia muito próximo, de julgamento, juízo, repreensão, angústia, escuridão, lamento, indignação, desolação e de densas trevas. Um juízo rigoroso iria cair nas nações por não escutarem a voz do Senhor e continuarem com as suas más práticas. Este dia é marcado como um momento de repreensão e correção do Senhor para com os povos. Para os nossos dias, Sofonias assemelha muita a sua mensagem com a do apóstolo Pedro, quando o pescador de homens afirma em sua segunda epístola que "os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios" (2 Pe 3.7).

Conclusão

Neste capítulo conhecemos um pouco sobre o Livro de Sofonias. Certamente assim como os demais livros proféticos, este arauto do Senhor possui em sua obra e em sua mensagem, pérolas de ensinamentos bíblicos para nossas vidas. Sofonias nos ensina que a mensagem do Senhor é fiel, que Ele está sempre presente e em breve irá vir para buscar a sua Igreja e julgará os infiéis. O profeta também nos ensina a estarmos sempre prontos para nos apresentarmos diante do Altíssimo. Fazendo assim, nos manteremos dispostos sempre à cumprir a sua obra com excelência e integridade.


Recomendação de Leitura da Semana: SILVA, Oliveira. Arautos de Deus. São Paulo: Evangelho Avivado, 2019.


sábado, 26 de março de 2022

Comentário Bíblico Mensal: Março/2022 - Capítulo 5 - Chamados a Viver Eticamente

 




Comentarista: Daniel Alcântara



Texto Bíblico Base Semanal: Salmos 103.1-13


1. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome.

2. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.

3. Ele é o que perdoa todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades,

4. Que redime a tua vida da perdição; que te coroa de benignidade e de misericórdia,

5. Que farta a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia.

6. O Senhor faz justiça e juízo a todos os oprimidos.

7. Fez conhecidos os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel.

8. Misericordioso e piedoso é o Senhor; longânimo e grande em benignidade.

9. Não reprovará perpetuamente, nem para sempre reterá a sua ira.

10. Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniquidades.

11. Pois assim como o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem.

12. Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.

13. Assim como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem.



Momento Interação

Os princípios da ética cristã são extraídos das Escrituras Sagradas. A Bíblia é a infalível e inerrante Palavra de Deus, ou seja, o próprio Deus se revelou nas Escrituras. Por isso ela é totalmente inspira e possui autoridade plena para exortar, corrigir, ensinar e guiar o homem num modo de vida de acordo com a vontade do Senhor.  Em primeiro lugar, a ética cristã se fundamenta na realidade da existência de um único Deus. Esse único e verdadeiro Deus subsiste nas pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ele é santo e imutável, criador de todas as coisas. Ele criou o homem como um ser moralmente responsável, e lhe revelou o padrão moral que o agrada. Saiba mais sobre o que é a Trindade. 

Introdução

Dentre as características que nos identificam como seres humanos, destaca-se a necessidade de estarmos em sociedade, em grupos que se assemelham e diferenciam de modo a promover o enriquecimento das percepções de mundo e da existência. Essas relações possibilitam encontros e desencontros, semelhanças e diferenças, evidenciam a necessidade de desenvolvermos habilidades para esse coexistir, ou seja, um padrão comportamental, uma postura moral e ética. Enquanto a moral se vincula ao conjunto de normatizações e regras propostas por uma sociedade, dentro de uma cultura, e portanto situada em um recorte histórico, a ética diz respeito a como cada indivíduo, dentro de sua liberdade interior, decidirá pelo rumo de suas ações.

Um viver ético nos viabiliza uma coerência no existir. Aos olhos dos demais, o comportamento regido pela ética parece carecer de liberdade, mas isso é um grande engano, pois a liberdade sem a ética é falsa e parcial, na medida em que é danosa à liberdade dos outros. Como cristãos, somos chamados a viver a ética em tudo, principalmente nas pequenas coisas. A partir desses pequenos passos, seremos capazes de trilharmos longos caminhos. Não que atingiremos a perfeição, mas, se assim procedermos, seguiremos os passos do Senhor, e com cada gota de nossas ações, a água viva da bondade, da justiça, do bem poderá chegar a mais e mais pessoas, tão ressequidas bela brutalidade de nosso tempo.

I. Temor e Tremor Diante de Deus

O profeta Moisés alertou o povo dizendo: Não temais (Êx 20.20), porém, em Levítico ele reitera para que tivessem temor do Senhor: “Não te assenhorearás dele com rigor, mas do teu Deus terás temor” (Lv 25.43). Outro ponto intrigante é a recomendação do apóstolo Paulo: “De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2.12). Para alguns, este é um caso de contradição. Outros tentam explicar a passagem como sendo uma contradição aparente, ou simplesmente nomeiam de paradoxo. Mas, o que a Bíblia tem a dizer? Seria somente um problema de semântica e etimologia?

Uma coisa é certa no alerta que Moisés fez ao povo de Israel: Deus não se relaciona com as suas criaturas através do medo “Não temais” (Êx 20.20). A relação que Deus sempre procurou estabelecer com as suas criaturas pauta-se pela confiança. Por que as criaturas de Deus devem confiar? Porque Deus é fiel e justo, atributos basilar para se estabelecer uma relação de confiança (1 Jo 1.9). Além de fiel, justo e imutável, Deus se relaciona com criaturas livres, pois onde o Espírito do Senhor está, aí há liberdade (2 Co 3.17). Nenhuma das criaturas de Deus deve temê-Lo, pois Deus ama indistintamente as suas criaturas, e o amor lança fora o medo “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor” (1 Jo 4.18).

Ora, Deus é amor, e em Deus não há medo, receio, temor, antes o perfeito amor lança fora o temor. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele (1 Jo 4.16). Quem está em Deus é porque confia n’Ele (1 Jo 4.16). Qualquer que tem medo teme somente a pena, pois o medo não procede de Deus. O que procede de Deus é a confiança, pois ele é fiel, verdadeiro, justo, santo, imutável, amor, luz, etc. Deus não pode ser tentado com o mal, e a ninguém tenta (Tg 1.13), portanto, o medo não procede de Deus. Qualquer que tem medo é porque não é ‘perfeito’ em Deus, ou seja, não ‘conhece’ a Deus, não crê em Deus e não está em Deus, pois se confiasse entenderia que, tal Cristo é, são os que creem aqui neste mundo (1 Jo 4.15 -18).

II. O Relacionamento com Deus é Puro e Santo

Para ter um relacionamento com Deus você precisa crer em Jesus como seu salvador. Quando isso acontece, você tem acesso a Deus e pode aprofundar seu relacionamento com Ele lendo a Bíblia, orando e andando em Seus caminhos. Relacionamento é união. Ter um relacionamento com Deus significa ter união com Ele, partilhando sua vida com Ele. O relacionamento com Deus é um relacionamento de amor, proximidade e confiança. Como todo relacionamento, o relacionamento com Deus cresce com o tempo e com dedicação (Tg 4.8). À medida que você conhece mais de Deus e tem mais experiência com Ele, seu relacionamento se torna mais profundo e firme. Ninguém pode se aproximar de Deus se não for salvo, porque o pecado nos separa de Deus. Jesus veio para lhe salvar do pecado, lhe unindo novamente com Deus (Jo 14.6). Ele morreu em seu lugar, para pagar por seus pecados, e ressuscitou para lhe dar a vida eterna, junto de Deus! Para ser salvo e ter um relacionamento com Deus, você precisa se arrepender de seus pecados, decidindo que quer mudar de vida, e crer que Jesus é seu salvador, que pagou seus pecados. Não é difícil!

Quando você se converte, o Espírito Santo entra em seu coração e seu novo relacionamento com Deus começa (At 2.38). Agora você tem acesso direto a Deus, através de Jesus! Ele lhe ama e vai lhe ajudar a crescer em seu relacionamento com Ele. É muito difícil ter um relacionamento com uma pessoa que você não conhece! Na Bíblia você vai conhecer mais de Deus, quem Ele é, como Ele se relaciona com você e o que O agrada. A Bíblia é a palavra de Deus. Quando você lê a Bíblia, Deus fala com você (2 Tm 3.16,17). Se você quer ter um bom relacionamento com Deus, você precisa ouvir sua voz, que está na Bíblia! Outra parte muito importante de um relacionamento é conversar. Orar é conversar com Deus. Quando você ora, você convida Deus a fazer parte de sua vida e partilha seus pensamentos, suas emoções, preocupações, frustrações e alegrias com Ele (Fp 4.6,7). A oração lhe aproxima de Deus e ajuda a colocar Deus em primeiro lugar em sua vida. Quanto mais você ora, mais você cria intimidade com Deus e fortalece seu relacionamento.

Um relacionamento também é feito de convivência. Um relacionamento com Deus é prático. Quando você vive sua vida cotidiana tentando agradar a Deus, você descobre mais sobre Ele e se aproxima dele (Cl 1.10,11). Suas experiências de vida com Deus vão fortalecer seu relacionamento, porque você vai ver Deus em ação em sua vida. A vivência diária também lhe vai ajudar a ver as coisas como Deus as vê, ficando mais próximo dele.

III. O Relacionamento com Deus é para a Eternidade

Ter um relacionamento pessoal com Jesus começa no momento que percebemos nossa necessidade dEle, quando admitimos que somos pecadores, quando nos arrependemos de nosso pecado e pedimos a Ele que entre em nossos corações para ser a autoridade em nossas vidas. Deus, nosso Pai Celestial, sempre desejou estar perto de nós e ter um relacionamento conosco. Antes de Adão ter pecado no Jardim do Éden (Gn 3), ele e Eva conheciam a Deus de uma forma íntima e pessoal. Eles andavam com Deus no Jardim e falavam diretamente com Ele. O pecado do homem nos separou de Deus. Deus é perfeito e não pode viver no meio de pecado. Antes da morte de Jesus na cruz, as pessoas tinham que sacrificar animais quando pecavam, pois a Bíblia diz que o salário do pecado é a morte.

O que muitas pessoas não sabem, percebem ou se importam é que Jesus nos deu o presente mais maravilhoso – a oportunidade de passar a eternidade com Ele e o Deus Pai se acreditarmos, quer dizer, confiarmos, nEle. “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”(Rm 6.23). Deus enviou o Seu Filho para carregar o peso de nosso pecado, ser morto e ressuscitar, provando Sua vitória sobre o pecado e morte. “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). Ao aceitarmos esse presente, nós nos tornamos aceitáveis aos olhos de Deus e podemos ter um relacionamento com Ele.

Devemos incluir Deus em nossas vidas diárias da mesma forma que faríamos com um outro membro da família, sendo que Ele é muito mais importante! Devemos orar a Ele, ler Sua palavra e meditar nos versículos da Bíblia, com a intenção de conhecê-lO melhor e poder fazer Sua vontade. Devemos orar por sabedoria, que é a qualidade mais importante que podemos possuir. Devemos levar nossos pedidos a Ele, pedindo no nome de Jesus. Jesus disse: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” (Jo 15.16). Jesus foi Quem nos amou tanto que deu Sua vida por nós, e Ele é o único que pôde construir uma ponte entre nós e Deus. Foi Deus quem enviou Jesus; Eles são um e os dois merecem nossa honra, adoração e louvor.

Conclusão

O Espírito Santo também é Deus. Ele é a “parte” que nos foi dada para ser o nosso Conselheiro. “Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós” (Jo 14.15-17). Jesus disse isso antes de morrer, e depois de Sua morte o Espírito Santo se tornou disponível a todos que estavam realmente procurando a Ele. É Ele quem mora nos corações dos crentes e nunca vai embora. Ele nos aconselha, ensina as verdades e muda os nossos corações. Sem o divino Espírito Santo, não teríamos a habilidade de lutar contra o mal e tentações. Mas já que O possuímos, começamos a produzir o fruto que surge quando deixamos o Espírito nos controlar: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5.22,23).

Esse relacionamento pessoal com Jesus não é difícil de achar e não há nenhuma fórmula misteriosa para alcançá-lo. Quando nos tornamos filhos de Deus, recebemos o Espírito Santo e Ele começa o trabalho em nossos corações. Devemos orar sem cessar, ler a Bíblia e frequentar uma igreja que acredita na autoridade da Bíblia – todas essas coisas vão nos ajudar a crescer espiritualmente. Confiar que Deus vai nos ajudar diariamente e acreditar que Ele é quem nos sustenta é a forma de termos um relacionamento com Ele. Talvez não vamos ver as mudanças imediatamente, mas poderemos enxergá-las com o tempo, e todas as verdades se tornarão claras.

Sugestão de Leitura da Semana: BARBOSA, Maxwell. Andando como Ele Andou. São Paulo: Evangelho Avivado, 2019.