quarta-feira, 5 de julho de 2017

Comentário Bíblico Mensal: Julho/2017 - Capítulo 1 - Conhecendo o Livro de Habacuque



Introdução

Prezado amante da Palavra do Senhor. Estamos iniciando mais um comentário bíblico mensal e desta feita, estudaremos o Livro do Profeta Habacuque, neste mês de agosto. O Comentarista deste mês é o Irmão Marcos Rogério. Ministro do Evangelho, escritor, professor de estudos bíblicos e apologista cristão. Que neste mês ao estudarmos este livro, possamos nos firmar ainda mais na presença do Senhor.

I. Autoria e Data

As únicas informações confiáveis sobre Habacuque e sua atividade profética estão no próprio livro. Mesmo assim as informações são poucas. Seu nome pode significar “abraço” ou que ele foi “abraçado por Deus”. Alguns o identificam como levita, em virtude de algumas observações musicais feitas ao salmo litúrgico (cap. 3). Entretanto tal raciocínio não se mostra lógico, pois do mesmo modo, Davi escreveu vários salmos litúrgicos e não era levita. O profeta não faz menção à Assíria, mas fala do poder caldeu, que ia crescendo com uma rapidez espantosa, conclui-se que ele profetizou em Judá durante o reinado de Joaquim, pouco antes da invasão de Nabucodonosor (1.6; 2.3). Uma evidência objetiva para datação da atividade profética de Habacuque é encontrada em 1.6. A referência aos babilônios como o novo poder mundial ameaçador indica um período posterior ao colapso do Império Assírio (612-605 a.C.), mas anterior à conquista de Jerusalém pelos exércitos caldeus de Nabucodonosor, e à deportação do jovem rei Joaquim para a Babilônia em 597 a.C. (2Rs 24.8-17). Aparentemente Habacuque ministrou durante o reinado de Jeoaquim (609-598 a.C.) e era um jovem contemporâneo de Jeremias.

II. O Contexto do Livro de Habacuque

O Império Assírio caíra exatamente como Naum havia profetizado. O Egito e a Babilônia disputavam então a posição de liderança. Na batalha de Carquemis, em 605 a.C., na qual Josias foi morto, os babilônios foram os vencedores, e os grandes reinos babilônico e caldeu foram unidos por Nabucodonosor. Habacuque se assemelha muito ao profeta Jeremias. Porém ainda mais do que Jeremias, o dialogo de Habacuque com Deus e suas constantes orações (2.1-2; 3.2,16) tomam o lugar da pregação profética no centro da mensagem.

Habacuque, um homem com um zelo fervoroso pela honra de Deus (1.12; 3.3), viveu uma profunda crise espiritual devido a aparente indiferença de Deus sobre às terríveis condições espirituais de seu povo (1.2-4).

Discute-se aqui o problema da prosperidade do ímpio. Parece conter uma queixa contra Deus por destruir sua nação por causa de seus muitos pecados, mas para isso usando um povo ainda pior do que ela (1.13). Porque Deus fica silencioso em tempos de tribulação? É uma das perguntas do profeta ao Senhor.

Mesmo assim Habacuque em todas as dificuldades ia a Deus em oração e aguardava a resposta do Senhor (2.1). Ele subia a torre de vigia e escutava Deus. Certo de que apenas a intervenção divina poderia mudar essa situação mortal que Judá estava vivendo, Habacuque foi persistente em seu apelo ao Juiz Celeste, mesmo quando parecia que Deus não lhe escutaria (1.2). 

III. O Livro de Habacuque para os dias de Hoje

Entre os escritos proféticos o de Habacuque tem a característica de não conter nenhuma sentença dirigida a Israel, contém pelo contrário um diálogo entre o profeta e Deus. Nos dois primeiros capítulos Habacuque discute com Deus a respeito de seus caminhos que lhe parecem insondáveis, ou até mesmo injustos. Após receber resposta de Deus, corresponde com uma bela confissão de fé (cap. 3).

Habacuque sentia-se perplexo porque a iniquidade, as contendas e a opressão estavam impregnadas no povo de Judá, e parece que Deus não tomava nenhuma atitude para solucionar o problema. Quando Deus informou ao profeta que agiria por meio dos babilônios para punir Israel (1.6), Habacuque ficou ainda mais perplexo, sem entender como Deus com seus “olhos tão puros, que não suportavam ver o mal” (1.13, poderia designar uma nação pior que os judeus para executar o juízo contra eles.

Deus deixa claro que no fim o destruidor corrupto também será destruído. No fim Habacuque aprende a confiar na providência divina, por mais estranho que possa parecer o agir de Deus, e a aguardar em espírito de adoração a intervenção divina.