quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Janeiro/2018 - Capítulo 4 - A Solicitude pela Vida




Comentarista: Anderson Ribeiro


Texto Bíblico Base Semanal: Mateus 6:19-24; 31-34

19. Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
20. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
21. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
22. A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz;
23. Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!
24 Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.
31. Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?
32. Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
33. Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
34. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

Momento Interação

A inquietação e o drama do país que se encontra em meio às crises e corrupções nos levam à refletirmos as ternas palavras do Mestre. Há muitas pessoas que estão sendo iludidas por coisas materiais deste mundo, vendendo até mesmo a sua própria vida nas mãos de forças malignas. O Senhor Jesus finalizando o capítulo 6 do Evangelho de Mateus fala à respeito dos nossos olhos e a sua atenção, com o cuidado de olharmos para objetos ou pessoas, sobre os dois senhores, sobre o perigo de adentramos ao caminho errado e sobre as preocupações que acercam as nossas vidas. Devemos nos atentar ao que o Senhor Jesus diz, assim como Ele fala às Igrejas da Ásia: "Quem tem ouvidos, ouça, o que o Espírito diz às Igrejas" (Ap 3.13).

Introdução

Uma das coisas que chamam a atenção no texto é o que ele retrata acerca do nosso coração. Não devemos colocar nosso coração em coisas materiais que perecem, mas devemos nos voltar a Deus. Se nosso coração está aqui nesta terra certamente ele não está voltado para o Senhor. Por isso devemos ter cuidado para que não nos deixemos enganar pelas coisas deste mundo. É muito fácil se perder naquilo que gostamos de fazer e nem mesmo percebemos quando o mundo nos suga e enlaça com suas redes. Satanás usa muito bem as artimanhas deste mundo para nos contaminar de alguma forma. Seja por tirar nosso alvo de Cristo, seja nos manchar em acusação ou nos enredar com o mundo.
Muitos têm sucumbido por causa destas coisas. Nós, por vivermos em um mundo capitalista, consideramos ser correto o trabalho exacerbado e o conseqüente acúmulo de riquezas. E assim o nosso coração vai sendo enredado por várias riquezas e com vários cuidados deste mundo. Se seguimos esta vida acabaremos por esquecer de Jeová Jireh, Deus o nosso provedor. Devemos nos lembrar que: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6.24).

I.  Jesus fala sobre os Olhos Bons e Maus

Esta ilustração foi proferida por Jesus especialmente para os Fariseus, e outras autoridades religiosas. Tais homens transformavam a religião em um grande drama mundano, motivados somente pelos interesses pessoais. Não se pode dizer que nunca tiveram algum impulso espiritual, mas este sempre surgia mesclado com os seus apetites carnais.

Jesus acabara de dizer a verdade sobre os tesouros na terra e nos céus. Alguns desejavam possuir ambas as coisas, e, assim, pretendiam servir a dois senhores, ao Deus Criador dos céus e da terra, e a "Mamom" (isto é, às riquezas). O olhar desses indivíduos era DUPLO, e não SIMPLES. Os olhos saudáveis vêem uma imagem só, e não duas, como sucede no caso de certas doenças dos olhos...
Assim também a alma banhada de luz espiritual:

- vê somente uma imagem
- é orientada por um só propósito
- serve a um só Deus
- busca exclusivamente as riquezas celestes, e não também as terrenas
- segue um só código de moral

O olho natural capta a luz que guia todo o corpo em suas ações. A ALMA, a mente SIMPLES, recebe de Deus a luz espiritual para guiar o homem no caminho de Deus. A saúde dos olhos físicos determina se uma pessoa pode ver, ou não. A percepção espiritual é obtida pelos Olhos do Coração!  
O indivíduo pleno da Luz do Senhor ilumina o mundo ao seu redor, assim como um candeeiro ilumina a sala toda. "Olhos maus" significa: "olhos enfermos" - que não funcionam corretamente, que não podem captar uma IMAGEM SÓ, ÚNICA, mas sempre enxerga duas imagens, distintas...

O Senhor Jesus está falando da faculdade espiritual, utilizando-se do símbolo da visão. Se essa faculdade não for NORMAL, mas enfermiça e fraca, o indivíduo não terá bom senso espiritual para evitar o servir a dois senhores. Os fariseus e os religiosos daquela época estavam sofrendo dessa DUPLICIDADE espiritual. A única LUZ que pode iluminar verdadeiramente a alma é JESUS.

II. Os Dois Senhores

O perigo da riqueza é real é mais profundo do que imaginamos. Muitas vezes estas coisas não chamam a nossa atenção, pois não tratam especificamente dos nossos pecados carnais. Também em Mateus 13:22 é dito: “O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera”. Este texto é uma parte da explicação que Jesus deu a seus discípulos sobre a parábola do semeador. No texto Jesus explica que a semente caída entre espinhos são aqueles irmãos que escutam a palavra, mas os cuidados deste mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra a ponto de a tornar infrutífera. O ponto culminante do texto é a palavra "infrutífera". Jesus não diz que a palavra foi roubada ou secou-se, mas disse que ela ficou infrutífera. Como há irmãos infrutíferos em nossos dias! É importante perceber que a única diferença entre esses irmãos e os da boa terra é que eles são infrutíferos e esta característica pode passar despercebida em muitas situações. Esse é o mesmo principio do trigo e do joio. Ambos são iguais. A diferença é o fruto que produzem ou deixam de produzir.
Em João o Senhor Jesus complementa esta palavra nos dizendo acerca de uma videira. Ele diz: “Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta” (Jo 15.2). E diz mais: “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam” (Jo 15.6). Devemos compreender a importância de dar frutos. Assim Deus é glorificado e assim nós nos tornamos discípulos de Jesus (Jo 15.8).
Portanto nós devemos nos atentar exclusivamente para Deus que nos supri em toda e qualquer circunstância. Devemos esperando Nele a resposta das nossas dificuldades e não confiar em nós mesmo para saciar qualquer necessidade. Antes de tudo devemos buscar, em primeiro lugar, o Seu reino e todas as coisas que temos necessidade nos serão acrescentadas (Mateus 6:25-34). Glória a Deus! Porque Ele mesmo sabe do que precisamos para viver e nos dará em tempo oportuno. E se não conceder em tempo oportuno e por ocasião tivermos fome, Ele mesmo enviará a sua provisão. Sendo pobre ou tendo fartura devemos nos achegar a Ele e servi-Lo com gozo a fim de que Sua obra em nós seja completa. E em vindo a necessidade sei que Deus enviará anjos ou mesmo homens para suprir toda a necessidade dos seus filhos. Porque se mesmo às aves do céu ele concede a provisão, quanto a nós homens de pouca fé?
Que essas palavras testifiquem ao seu coração. Não importam os nossos bens ou riquezas, pois Deus precisa ser a primazia em nossas vidas. Ele mesmo é o centro de todas as coisas. À Jeová, o Deus invisível e todo poderoso, seja a glória e a honra e o poder pelos séculos dos séculos!

III. Não Andeis Inquietos

A ganância do ser humano de acumular bens e riquezas neste mundo está fundamentada na preocupação de ter provisão no futuro para si e para seus dependentes, além da vaidade e da ânsia de poder, de status e de outras aberrações dos desejos humanos.
É verdade que Jesus não está dando uma receita proibindo que se planeje uma provisão sensata para o futuro. Ele está censurando esta preocupação injustificável a respeito das necessidades do dia de amanhã. A sua tese é lógica e clara:  Se o Pai celeste dá a vida e o corpo, é evidente que Ele dará as cousas necessárias para a manutenção da vida e para a proteção do corpo, como o alimento e as vestes. Deus sabe que a vida e o corpo são mais importantes do que o alimento e as vestes. Seria um contra-senso se Ele desse a vida e negasse o alimento que a sustenta, bem como se Ele desse o corpo e negasse as vestes que o protegem.

O exemplo das aves do céu tem como finalidade mostrar o cuidado de Deus para com os Seus filhos, que têm para Ele muito mais valor que as aves. O exemplo das flores do campo, maravilhosamente vestidas por Deus, mostra que Ele cuida também das necessidades de Seus filhos, no que diz respeito ao vestuário.

O verso 30 vem concluir, no final desta perícope, que a inquietação pelas necessidades da vida, além de não levar a resultado nenhum, ainda representa um mal: a falta de fé em Deus. Aqueles que vivem neste clima de incerteza quanto ao futuro são chamados “homens de pequena fé”.

Conclusão

A inquietação a respeito do futuro e das necessidades da vida é cousa própria dos pagãos, daqueles que não conhecem a Deus e não sabem que Ele está a par de todas as nossas necessidades, e que Ele é capaz de supri-las todas. Daí surge a pergunta: Como escapar da ansiedade que sobrevém ao ser humano por causa destas cousas? A resposta vem de Jesus no verso 33: é necessário dar prioridade ao reino de Deus e viver de acordo com a sua justiça, conforme foi explicado no capítulo 6, dos versos 1 ao 24, sem hipocrisia, com verdadeira devoção a Deus e buscando ajuntar tesouros no céu.

O Verso 34 adverte a não antecipar os problemas do amanhã para o dia de hoje. Isto também é sintoma de ansiedade. Não é certo envolver-se com problemas de um futuro que não se conhece. Quem conhece o futuro é Deus e só Ele poderá conduzi-lo. Para nós basta a cada dia o seu mal.