terça-feira, 31 de julho de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Julho/2018 - Capítulo 5 - O Deus Incomparável



Comentarista: Alexandro Milesi

Texto Bíblico Base Semanal: Jó 42.1-6

1. Então respondeu Jó ao SENHOR, dizendo:
2. Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.
3. Quem é este, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram inescrutáveis, e que eu não entendia.
4.Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás.
5. Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos.
6. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza.

Momento Interação

Chegamos ao final de mais um Comentário Bíblico Mensal, e nesta feita, estivemos estudando sobre os Atributos de Deus. Conhecer ao Deus que a Sua Palavra nos revela é de modo tremendamente importante, partindo do ponto em que sabemos da Sua supremacia e grandiosidade. No capítulo desta semana constataremos que verdadeiramente o Senhor é o Deus Supremo. Não há páreo para Deus. Ele detém todo o poder, quer seja conhecido por nós, quer não. Somente o Senhor é Deus! Ótimos Estudos e até o próximo Comentário Bíblico Mensal.

Introdução

Deus, sendo onisciente e onipresente, sabe tudo que eu faço, digo e penso. Como você reage a essa afirmação? É confortante ou assustador? Você sente segurança em saber que Deus entende sua vida, seus desafios e seus motivos, ou fica assustado em pensar que o onipotente juiz de todos sabe tudo que passa por sua cabeça? Davi falou desse conhecimento total de Deus no Salmo 139. Não sabemos quando ele escreveu esse hino, mas o título mostra que seria usado na adoração em Israel. Sua mensagem é de confiança total no Senhor e de um desejo profundo de manter a comunhão com o Criador. Mas Davi entendeu bem o outro lado dessa moeda. O mesmo Deus que protege os fiéis traz o julgamento sobre os rebeldes. Deus é plenamente bom para com os seus e justo e reto para os que cometem iniquidades.

I. O Deus Supremo

Na leitura do Salmo 139, observamos o progresso da onisciência (Deus sabe tudo) à onipresença (Deus está em todo lugar) à onipotência (Deus é todo-poderoso) como pilares que sustentam a confiança do autor na perfeita justiça do santo Deus que ele adora. Davi começa com foco no conhecimento total que Deus tem das suas criaturas. O Senhor observa cada movimento, enxerga cada pensamento e ouve cada palavra até antes dela ser falada! Davi comenta sobre a onisciência divina: “Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; é sobremodo elevado, não o posso atingir” (Sl 139.6). Essa ênfase na onisciência naturalmente leva o autor a refletir sobre outra característica de Deus, sua onipresença. Não há onde se esconder do Senhor. Davi diz a Deus: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.7-10). Enquanto Davi achou conforto no fato da presença de Deus, essa mesma doutrina bíblica provoca medo em qualquer um que não obedece ao Senhor. Mil anos depois de Davi, um outro autor disse: “E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hb 4.13).

II. O Deus Único

A eternidade não é um período longo, é um conceito que vai além do tempo e que não pode ser sujeito à medição. É apresentada na Bíblia em dois sentidos. No sentido que podemos descrever como a eternidade futura, as Escrituras ensinam que o homem pode participar dessa existência, gozando a vida eterna por meio de Jesus Cristo. João 3.16, talvez o versículo mais conhecido desse relato do evangelho, diz: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Jesus e os autores dos livros do Novo Testamento falaram dezenas de vezes sobre essa vida eterna, o nosso objetivo. As Escrituras falam de outro sentido da eternidade que pertence exclusivamente a Deus, o que podemos descrever, em termos que as nossas mentes compreendem melhor, como a eternidade passada. Animais, homens, anjos e quaisquer outras criaturas tiveram início, passaram a existir. Mas uma característica que separa o Criador das criaturas é a eternidade daquele. Moisés escreveu: “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2). Por diversas vezes, as Escrituras frisam a existência ilimitada de Deus. Ao mesmo tempo, enfatizam que seus atributos são, também, eternos. Deus é o mesmo agora que era 5.000 anos atrás e que era antes de criar o mundo. Ele sempre será o mesmo. As qualidades dele nunca mudam. Davi pediu perdão, baseado no eterno caráter de Deus: “Lembra-te, SENHOR, das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a eternidade” (Sl 25.6).

Deus é santo (Is 6.3; Ap 4.8). Sempre foi e sempre será santo. Sua perfeita santidade não permite que minta (Hb 6.18). Por causa da santidade eterna de Deus, a sua ira permanece sobre os rebeldes (Jo 3.36). Deus é amor (1 Jo 4.8). Sempre foi e sempre será amor. Por isso, Davi contava com a misericórdia e a bondade eternas. Foi o ponto do próprio Senhor quando poupou seu povo da destruição merecida: “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” (Ml 3.6).

III. O Deus no Controle de Todas as Coisas

Homens são instáveis. Prometem uma coisa, mudam de ideia e não cumprem sua palavra. Mas quando o eterno Deus promete, ele cumpre sua palavra. A bondade de Deus para com os homens não tem limite, porque faz parte de quem ele é: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17).  Deus é uno (Dt 6.4; Is 40-48; Mc 12.29; 1 Tm 1.17; Tg 2.19; 4.12, etc.).  A natureza de sua unidade é o assunto em pauta. Com base mesmo no que se evidenciou acima, deve estar claro que a unidade de Deus é uma união, não uma unidade absoluta. A palavra equivalente a Deus no Antigo Testamento (elohim) é uma formação no plural. A palavra equivalente a um, empregada em referência a Deus no Antigo Testamento (echad) também é uma forma plural. Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança . . ." (Gn 1.26). A quem se refere esse "nossa"? Somos criados à imagem de Deus, mas há mais de uma pessoa que compôs Deus. Atente para essas afirmações: "Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente" (Gn 3.22). "Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro" (Gn 11.7). Desde os primeiros capítulos da Bíblia, vemos Deus revelado como uma unidade plural (cf. Isaías 6:8). Existe até mesmo diálogos registrados entre Deus e Deus na Bíblia: veja Salmos 110.1, por exemplo. 

IV. Jesus é Deus

Em que sentido o Pai e o Filho são um? São uma só pessoa? Ou são um em unidade e em propósito? Observe atentamente João 17.20-23: "Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim". Esse texto ensina que os cristãos devem ser um como o Pai e o Filho são um. Os cristãos devem passar a ser uma só pessoa? Ou será que devem ser um em unidade e em propósito? Já que a unidade que os cristãos devem ter não é a de ser uma só pessoa, então a unidade do Pai e do Filho não significa que são a mesma pessoa. A Bíblia muitas vezes trata de coisas que são unas. Marido e mulher são um (Mt 19.4-6; Ef 5.31). O que planta e o que rega são um (1 Co 3.6-8). Os cristãos são um (1 Co 12.14). E também o Pai e o Filho (e o Espírito Santo) são um. Embora nos tenhamos concentrado principalmente no Pai e no Filho, as Escrituras mostram que o Espírito Santo também é uma pessoa divina. O Espírito Santo é revelado como um ser pessoal. Ele faz o que somente uma pessoa pode fazer: fala (1 Tm 4.1); ensina (Jo 14.26); reprova (Jo 16.8); orienta (Gl 5.18); intercede (Rm 8.26); chama (At 13.2); pensa (Rm 8.27; 1 Co 2.10-11); toma decisões (At 13.12; 15.28). Os sentimentos que tem só uma pessoa pode ter: é alvo de mentiras (At 5.3); é resistido (At 7.51); é desprezado (Hb 10.29); fica entristecido (Ef 4.30); fica irado (Is 63.10); é blasfemado (Mt 12.31). O Espírito Santo tem características divinas: é onisciente (1 Co 2.10-11) e onipresente (Sl 139.7-10).