terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Comentário Bíblico Mensal: Fevereiro/2019 - Capítulo 5 - A Igreja Adorará para sempre ao Senhor




Comentarista: Oliveira Silva



Texto Bíblico Base Semanal: Apocalipse 21.1-11

1. E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
2. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido.
3. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.
4. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.
5. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis.
6. E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida.
7. Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.
8. Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos que se prostituem, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.
9. E veio a mim um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro.
10. E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu.
11. E tinha a glória de Deus; e a sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente.

Momento Interação

A Bíblia fala nesse texto do encontro dos salvos com Jesus nos ares, que constitui o arrebatamento da Igreja de Cristo. Cristo vem buscar a sua igreja para livrá-la da grande tribulação, que serão dias de muito sofrimento para todos os que não creram na Palavra de Deus e permaneceram no engano resistindo a se entregarem ao Senhor Jesus.   Para participar do glorioso encontro com Jesus  nos ares, é preciso antes  ter um encontro com Deus enquanto se está na terra. Deus dá oportunidades a cada pessoa  de ter um encontro com Ele. No livro de Gênesis podemos observar a oportunidade que o Senhor deu a Jacó, um homem que tinha várias falhas no seu caráter, de ter um encontro com Deus, através do qual foi transformado em  seu caráter, recebendo inclusive, um novo nome: Israel (Gn 32.22-32). Esse Encontro com Deus nos ares significa a Salvação, quando Jesus virá para buscar aqueles que creram e perseveraram até o fim para ter a Vida Eterna com Ele. Como estar em condições de participar desse glorioso Encontro com Deus?

Introdução

Como devemos adorar a Deus? Após uma rápida lapidagem no texto, percebemos a necessidade de compreendermos o pleno sentido da adoração contínua ao Senhor.

Nas igrejas denominacionais, é comum o pregador associar dízimos e ofertas com adoração a Deus, e muitos enfatizam dizendo: “Agora vamos adorar a Deus com os nossos dízimos e ofertas aqui no altar da casa do Senhor.” Essa prática é um equívoco, mais precisamente um engodo para que os fieis sintam no coração a emoção que realmente estão agradando e adorando a Deus com obra material. Mas, na carta Romanos 11.35, a Palavra alerta dizendo: Quem deu primeiro a Ele, para que lhe seja recompensado? O que também fora ratificado no livro de Jó 41.11, onde o próprio Senhor disse: Quem primeiro deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu. Portanto, é impossível adorar ou mesmo agradar a Deus doando qualquer bem material para as instituições religiosas.

Mas para que aprendemos a amar e adorar a Deus verdadeiramente em Espírito e em Verdade, Ele nos amou primeiro, o seu amado Filho Cristo Jesus é a maior expressão e prova do amor de Deus pela humanidade, porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16).

I. A Perseverança da Igreja de Cristo até o Fim

Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor, e o seu amor é à base da aliança, o fundamento da sua fidelidade e a razão da eleição do seu povo. Adorar a Deus,é guardar os seus mandamentos, pois no capítulo 2, versículo 9 da primeira carta universal do Apóstolo Pedro, o Senhor declara o seu amor de uma forma especial por aqueles que o adoram e buscam fazer a sua vontade, observem: Vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Essa adoração é dotada de compromisso com Altíssimo e confiança absoluta nele, diluindo amor aos inimigos e renúncia em favor dos necessitados. O amor é o sentimento de apreciação ao próximo, acompanhado do desejo de lhe fazer a caridade.

Porque o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. É a mais alta qualidade da vida cristã, norteando todas as relações de amor a Deus e ao próximo. Na carta aos Romanos 5.6-8, a Palavra revela e exemplifica a essência do verdadeiro amor; o amor do Senhor Deus pelo homem, ainda que este estava morto no pecado pela queda Éden. Afirma o Senhor que por algum bom, por algum justo, pode ser que alguém ouse a morrer, mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.

Adorar a Deus é amá-lo acima de todas as coisas, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento, porque este é o primeiro e grande mandamento. Adorar a Deus é amar o teu próximo como a ti mesmo (Mt 22.35-39). "Porque se alguém disser ama a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois, quem não ama seu irmão, ao qual vê, como pode amar a Deus, a quem não vê?" (1 Jo 4.20). E na primeira carta aos Coríntios 13.1-3, a Palavra descreve a grandeza do sublime amor ao próximo, e diz: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor ao próximo, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria".

II. O Arrebatamento: Momento Glorioso para a Igreja de Cristo

O ensino do Arrebatamento é mais claramente apresentado em 1 Tessalonicenses 4.13-18. Nessa passagem Paulo informa seus leitores de que os crentes que estiverem vivos por ocasião do Arrebatamento serão reunidos aos que morreram em Cristo antes deles. No versículo 17 a palavra "arrebatados" traduz a palavra grega harpazo, que significa "dominar por meio de força" ou "capturar". Essa palavra é usada 14 vezes no Novo Testamento Grego de várias maneiras diferentes. Ocasionalmente o Novo Testamento usa harpazo com o sentido de "roubar", "arrastar" ou "carregar para longe" (Mt 12.29; Jo 10.12). Também pode ser usada com o sentido de "levar embora com uso de força" (Jo 6.15; 10.28-29; At 23.10; Jd 23). No entanto, para nossos propósitos, um terceiro uso é mais significativo. Diz respeito ao Espírito Santo levando alguém de um lugar para outro. Encontramos esse uso em quatro ocorrências (At 8.39; 2 Co 12.2, 4; 1 Ts 4.17; Ap 12.5). No espírito do povo de Deus, por todo o mundo, há uma convicção crescente e certíssima - convicção baseada nas verdades da Palavra divina - de que a história da Igreja na terra está prestes a findar; e que o Senhor Jesus está para vir para levar a Sua noiva para a casa do Pai. Já compenetrado da realidade deste solene assunto, e do que ele significa? Se não estás ainda, que o Espírito Santo se sirva destas linhas para despertar a tua preciosa alma: "Para que o Senhor não venha de improviso e não te ache dormindo" (Mc 13.36).

A preocupação com "acontecimentos", em lugar do coração estar ocupado com a Sua pessoa, rouba ao coração muito daquele bem estar e conforto que deve resultar desta esperança celestial. Infelizmente, o inimigo tem conseguido fazer com que no espírito de muitos esta linda promessa da vinda do Senhor se pareça com uma ameaça judicial; enquanto, como vemos em João 14, foi o melhor tônico escolhido pelo Grande Médico para reanimar os corações desfalecidos e receosos dos Seus amados discípulos. E quando o inspirado apóstolo, anos mais tarde, escreve a sua primeira carta aos enlutados e perseguidos jovens convertidos de Tessalônica, ele conclui as suas observações sobre a vinda do Senhor com esta pequena, mas significativa frase: "Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras".

III. Os Fiéis Reinarão para sempre com o Senhor

Jesus vai ser assistido no Seu reino pelos santos—Seus seguidores fiéis de todos os períodos da história humana, que serão ressuscitados quando Ele retornar. Eles se tornarão filhos imortais de Deus (1 Co 15.50-53), ascenderão para se encontrar com Cristo nos ares (1 Ts 4.17) e juntar-se-ão a Ele na conquista das nações rebeldes da terra e no estabelecimento do Reino de Deus (Salmo 149.5-9; Ap 5.10; 20.6). É-nos dada a garantia de que em Cristo “os santos do Altíssimo receberão o reino e possuirão o reino para todo o sempre e de eternidade em eternidade” (Dn 7.18). O Milênio será seguido por uma breve libertação de Satanás, como uma lição importante para a humanidade, e depois a sua remoção permanente (Ap 20.7-10). Logo a seguir à remoção permanente de satanás, virá outra ressurreição por meio da qual todos os que já viveram, serão dados a oportunidade de ser salvos e receber a vida eterna (versículos 5,11-12). E, após esse período, virá a destruição permanente no lago do fogo dos ímpios incorrigíveis, aqueles que finalmente se recusarem a arrepender-se (versículos 13-15; 21:8). Finalmente, o ambiente terrestre será transformado em “um novo céu e uma nova terra” (Ap 21.1) e a gloriosa cidade de Nova Jerusalém descerá do céu para a terra, juntamente com Deus Pai, que na última habitará com Seus filhos, agora imortais (versículos 2-3). “E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (versículo 4).

Conclusão

Esta é a culminação do plano de salvação de Deus, quando Cristo “tiver entregado o Reino a Deus, ao Pai … Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de Seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte” (1 Co 15.24-26). Os filhos imortais de Deus, submissos a Cristo e ao Pai, então herdarão “todas as coisas” (Ap 21.7)—o universo inteiro. E “do incremento deste principado e da paz, não haverá fim” (Is 9.7). Esta é a salvação impressionante pela qual esperamos—que começará no retorno glorioso do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. “Porque ainda um poucochinho de tempo, e o que há de vir virá e não tardará” (Hb 10.37). Como Ele declara no último capítulo da Bíblia:  “E eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo para dar a cada um segundo a sua obra” (Ap 22.12). Sim, Jesus Cristo está voltando. O Rei está vindo—em breve! Então, nas palavras de Hebreus 10.23: “retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o  que prometeu.”




Comentário Bíblico Mensal: Fevereiro/2019 - Capítulo 4 - Os Membros do Corpo de Cristo




Comentarista: Oliveira Silva



Texto Bíblico Base Semanal: 1 Coríntios 12.12-25

12. Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.
13. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.
14. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos.
15. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?
16. E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo?
17. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
18. Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis.
19. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?
20. Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo.
21. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós.
22. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários;
23. E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra.
24. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela;
25. Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros.

Momento Interação

A Igreja jamais crescerá integralmente se não existir unidade entre os membros do Corpo. A divisão de forças promoverá o enfraquecimento de todo o grupo. E o contínuo esforço para a convivência harmoniosa com Deus e com o próximo que promove o aperfeiçoamento das práticas cristãs e a participação nos privilégios da comunhão. Em João 17, Jesus roga ao Pai em favor da unidade do povo de Deus. Riqueza, posição social, nacionalidade e outros interesses são esquecidos em favor do que realmente importa. Portanto, Ele quer que vivamos no amor e na unidade de Seu Espírito. No estudo desta semana, analisaremos a grande importância que tem o Corpo de Cristo, e a importância de sua unidade relacional (uns com os outros) e congregacional (uns no meio de outros).

Introdução

A primeira consideração a ser feita é que existem dois significados para corpo de Cristo na Bíblia. O primeiro significado está ligado ao próprio corpo físico de Jesus Cristo, entregue na cruz do calvário pelos nossos pecados: “Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus” (Rm 7.4). Nesse sentido, observamos que existem alguns textos que mencionam esse corpo com o objetivo de relembrar a obra de sacrifício realizada por Jesus na cruz. Temos também esse significado em 1 Coríntios 10.16, onde o objetivo é relembrar a entrega de Jesus de seu corpo na cruz.

O segundo significado de corpo de Cristo está ligado à igreja de Deus. Quando Jesus Cristo estava entre nós como homem, Ele inicia uma obra, a nova aliança de Seu sangue (Mt 26.28). Após a Sua morte essa presença física de Jesus não era mais possível, pois Ele subiu ao céu (At 1.11). Mas Jesus estabelece Sua igreja como sendo Seu próprio corpo aqui nesta terra, ou seja, como se Ele estivesse presente por meio de Seus servos: “Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo” (1 Co 12.27). Esse texto mostra que cada servo de Deus forma o corpo de Cristo. Não somente aqueles para quem Paulo escreveu, mas todos os servos fieis.

I. A Diversidade de Dons

Os dons espirituais são uma manifestação da graça de Deus concedida pelo Espírito Santo. Eles são fundamentais no crescimento e desenvolvimento da Igreja, o corpo de Cristo. Os dons estão a disposição de todos os santos. Contudo, precisamos buscá-los diligentemente. Devemos demonstrar interesse e disposição, porque os dons espirituais não são para proveito pessoal: “Irmãos, quanto aos dons espirituais, não quero que vocês sejam ignorantes”; “Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diferentes tipos de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes formas de atuação, mas é o mesmo Deus quem efetua tudo em todos” (1 Co 12.1, 4-6).  dons espirituais não devem ser um tabu na Igreja. Os cristãos não devem apenas saber sobre os dons, de uma maneira geral como também, devem procurar descobrir quais possuem. omo nosso Deus é extremamente criativo, ele dispôs uma grande variedade de dons ministeriais e espirituais. Esses dons, se manifestam de diferentes maneiras. Isso promove uma dinâmica poderosa e rica, na Igreja. Não há ambiente mais dinâmico que o de uma Igreja que explora os dons espirituais e ministeriais de sua comunidade. Portanto, conhecê-los é nosso dever. Precisamos buscá-los.

E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo.

O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro (Ef 4.11-14). O propósito dos dons espirituais não é para a promoção pessoal, é para “preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus”. Os dons dentre tantas coisas, têm a finalidade de preparar os cristãos para uma vida saudável e produtiva no seio da igreja. São mecanismos de segurança e desenvolvimento para o corpo de Cristo. A vontade de Deus é que cresçamos como cristãos. Não sejamos como crianças. Eles são portanto, responsáveis por essa evolução. Pela maturidade e pelo crescimento.

II. As Qualidades de cada membro do Corpo de Cristo

Alguns acreditam erroneamente que isoladamente podemos ser corpo de Cristo, no entanto, o que o texto nos esclarece é que somos membros desse corpo e, conjuntamente, formamos esse corpo que também é chamado de igreja. O que fortalece esse argumento é a forma como Paulo ensina a cooperação de cada membro na edificação desse corpo e dentro de sua missão dada pelo Mestre: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.11-12). O corpo de Cristo (a união de todas as partes) é edificado com a cooperação de cada um.

A Bíblia também nos ensina que Jesus Cristo exerce o papel de cabeça desse corpo, ou seja, a liderança plena pertence a Jesus e não a qualquer líder humano: “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4:15). Além disso, isso nos aponta para a importância do bom funcionamento do corpo de Cristo. Sendo a cabeça o próprio Jesus, esse corpo tem todas as possibilidades de trabalhar unido, formando um corpo forte e vigoroso, com a contribuição de cada uma das partes, pois são importantes.

III. A Importância Preciosa da Unidade Cristã

“Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos” (Ef 4.4-6). O Apóstolo Paulo faz um apelo à unidade, ele mostra a unidade divina e a unidade cristã. Mas a unidade cristã não implica necessariamente em uniformidade, ação que só tem uma forma, falta de variedade. O ensino das Escrituras é que vivenciemos a unidade na diversidade e na pluralidade de dons e chamados. Reconhecer a importância da diversidade, nos leva a uma obra mais excelente. As nossas diferentes habilidades e capacidades cooperam para um melhor serviço. Elas somam e não dividem quando há unidade espiritual. “São todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres? Tem todos o dom de realizar milagres? Tem todos dons de curar? Falam todos em línguas? Todos interpretam?” (1 Co 12.29-30). A unidade é do Espírito, mas também, é algo que não se realiza sem a nossa cooperação. Ao ensinar sobre o tema da unidade, o apóstolo Paulo, em Efésios 4.4-6 expôs o que é unidade.

A figura do corpo aqui se refere à Igreja e explica que ela é um organismo vivo e indivisível. É a figura que melhor expressa como devem ser nossos relacionamentos no contexto da igreja local. Todos os salvos formam “um corpo”, o corpo místico de Cristo. Somos “um só corpo” independente das diferentes denominações evangélicas, com exceção das pseudas igrejas, pois temos uma só cabeça espiritual – Cristo.

A Igreja como Corpo é uma unidade espiritual – onde todos os nascidos de novo estão unidos em Cristo. Mas esta unidade tem que se manifestar na horizontal, numa união onde judeus e gentios, homens e mulheres, escravos e livres, são um “em Cristo”. Nossa posição “em Cristo” presente nos escritos Paulinos indica nossa união espiritual com Jesus, nos dá poder para ser mais “santos” e “fiéis” a Ele neste mundo. É por esta razão que uma das armas principais de Satanás – e das mais utilizadas contra a Igreja é a divisão e a desunião entre os cristãos. Mas se somos “santos” e “fiéis” a Cristo, podemos superar as sutilezas do tentador.

Conclusão

A esperança nasce da vocação de Deus para nós. A nossa fé baseia-se na esperança. Quando Deus nos chamou para a salvação tornou possível nosso futuro em Cristo. A obra redentora de Cristo proporcionou a esperança da glória. Em relação ao presente, indica que aceitamos a obra de Cristo em nossos corações, cancelando os nossos pecados. Em relação ao futuro, esta esperança aponta para a volta de Cristo, a redenção plena da Igreja: “Peço a Deus que abra a mente de vocês para que vejam a luz dEle e conheçam a esperança para a qual Ele os chamou. E também para que saibam como são maravilhosas as bênçãos que Ele prometeu ao Seu povo” (Ef 1.18). 

A nossa bendita esperança é a volta de Jesus Cristo, este é o nosso objetivo final, mas a nossa caminhada e o nosso trabalho aqui na terra precisam ser relevantes. Precisamos crescer, frutificar, brilhar e ser instrumentos para que reflitam a glória de Deus a este mundo. Conhecer os propósitos de Deus para a nossa vida é fundamental! Por isso, precisamos, antes de tudo, conhecer o Criador e sua natureza. Deus não faz nada sem propósitos, tudo quanto Ele fez foi com propósito. Que Deus abra a nossa mente para descobrirmos a vocação de nosso chamado, afim de vivermos para o propósito de nossa criação.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

A Ressurreição nas Escrituras Sagradas




Por Leonardo Pereira



A partir do monoteísmo primitivo, os homens criaram inúmeros sistemas religiosos, multiplicando deuses e filosofias para agradar ou manipular povos em todos os cantos do mundo. A maioria dessas religiões inclui alguma noção de vida após morte, embora os conceitos sejam muito diversos. Nenhuma das principais religiões enfatiza tanto a ideia da ressurreição dos mortos como o cristianismo. Vencer a morte, que aflige o homem como uma das consequências do pecado, e restaurar a vida é uma demonstração do poder divino. Nas Escrituras, esse poder é demonstrado por meio de servos humanos especialmente capacitados por Deus, e pelo próprio Senhor, como observamos em alguns dos mais notáveis dos milagres de Jesus.

Encontramos uma ênfase bíblica na ideia da ressurreição, tanto no sentido literal de reavivar uma pessoa morta como em sentidos figurados de reanimar uma pessoa ou até uma nação espiritualmente morta. Vamos considerar exemplos desses vários sentidos bíblicos da ressurreição.

Pessoas Literalmente Ressuscitadas. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, há registros de várias ressurreições. No começo da época dos profetas, trabalho iniciado principalmente por Elias e Eliseu no século 9 a.C., três pessoas foram ressuscitadas para mostrar que a mensagem pregada por esses homens realmente veio de Deus. No Novo Testamento, o próprio Jesus ressuscitou algumas pessoas durante seu ministério. Pelo menos dois dos apóstolos, Pedro e Paulo, foram instrumentos usados para ressuscitar outras pessoas. Mateus relata a ressurreição de muitos santos para mostrar a vitória de Jesus sobre o pecado e a morte no seu sacrifício na cruz (Mt 27.51-53). A ressurreição mais importante de todas foi a de Jesus Cristo, que saiu do túmulo para mostrar a sua vitória absoluta sobre a morte.

A Ressurreição Figurativa de uma Nação. Vários dos profetas do Antigo Testamento pregaram mensagens fortes de castigo iminente, mostrando que Deus chamaria nações pagãs para destruir a nação de Israel. Nas mesmas profecias, ele falou da restauração de um restante. A figura empregada para comunicar esta mensagem esperançosa, em alguns casos, foi a imagem de uma ressurreição. Um excelente exemplo desse sentido figurado se encontra em Ezequiel 37, onde o profeta assiste à cena de um vale cheio de ossos secos se tornarem em um exército de pessoas vivas, representando o povo restaurado.

A Ressurreição Figurativa de Pecadores. Uma vez que a morte espiritual, a separação de Deus, é consequência do pecado, a salvação do pecador é comparável a uma ressurreição. Foi exatamente nesse sentido que Paulo escreveu: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus” (Ef 2.4-7).

A Ressurreição dos Mortos no Dia Final. A Bíblia promete a ressurreição de todos os mortos na vinda do Senhor Jesus. Depois de saírem dos seus túmulos, todos serão julgados e separados, recebendo a vida eterna ou a condenação eterna. Jesus disse: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (Jo 5.28,29). Em 1 Coríntios 15, Paulo frisou a importância da doutrina da ressurreição. Entre outros fatos, ele afirmou a ressurreição de todos os mortos (1 Co 15.22).