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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Salmo 65 - Coroas o Ano da Tua Bondade

 




Por Leonardo Pereira



A dedicação de Davi à adoração do Senhor é evidente durante toda a sua vida, e especialmente nos últimos anos do seu reinado em Israel. Apesar de Deus não permitir que Davi construísse o templo em Jerusalém, esse servo dedicou seus últimos anos aos preparos para aquele edifício magnífico e trabalhou muito para organizar o culto e compor hinos para os israelitas honrarem ao Senhor. O Salmo 65 é um bom exemplo dessa adoração.

“A ti, ó Deus, confiança e louvor em Sião! E a ti se pagará o voto” (verso 1). Davi inicia esse cântico com o foco unicamente em Deus. Nenhum outro merece a confiança e a adoração dos homens. Todos devem dirigir seu serviço ao soberano Criador. Ele dedica o resto desse Salmo à enumeração de motivos para esse louvor.

Os homens devem louvar a Deus porque ele perdoa seus pecados: “Ó tu que escutas a oração, a ti virão todos os homens, por causa de suas iniquidades. Se prevalecem as nossas transgressões, tu no-las perdoas” (versos 2 e 3). Duas das características que definem Deus são a capacidade de responder às orações e o direito de perdoar pecados (Is 44.17,18; 45.17,22; Mc 2.10). É interessante observar aqui, também, a mensagem universal que Davi anuncia. Ele não vê Deus como unicamente o Salvador de Israel. Davi, como faria Isaías 300 anos depois, sugere a aplicação da misericórdia de Deus para todos os homens (Is 2.1-4).

Devemos valorizar o privilégio da comunhão com Deus: “Bem-aventurado aquele a quem escolhes e aproximas de ti, para que assista nos teus átrios; ficaremos satisfeitos com a bondade de tua casa — o teu santo templo” (verso 4). Davi desejava profundamente a presença de Deus, e sofria muito quando se sentia afastado do Senhor por causa dos seus pecados (Sl 6.1-3; 31.9-10). Se Davi valorizou tanto o privilégio de chegar a um local que representava a presença de Deus, como devemos apreciar mais ainda o privilégio da comunhão com Deus por meio de Jesus! No Novo Testamento, a igreja (o grupo de pessoas que pertence a Deus) e o cristão, individualmente, são descritos como o santuário ou templo do Senhor (1 Co 3.16,17; 6.19,20). Que bênção poder andar na presença de Deus porque ele nos perdoou!

O grande poder de Deus é outro motivo para adorá-lo: “Com tremendos feitos nos respondes em tua justiça, ó Deus, Salvador nosso, esperança de todos os confins da terra e dos mares longínquos; que por tua força consolidas os montes, cingido de poder; que aplacas o rugir dos mares, o ruído das suas ondas e o tumulto das gentes. Os que habitam nos confins da terra temem os teus sinais; os que vêm do Oriente e do Ocidente, tu os fazes exultar de júbilo” (versos 5 a 8). De uma extremidade da terra à outra, o poder de Deus é evidente. Paulo desenvolve esse mesmo tema em dois aspectos: o poder de criar e o poder de julgar (Rm 1.18-20). Não faz sentido resistir ou se rebelar contra o Deus Onipotente!

Deus merece adoração porque ele demonstra sua bondade ao sustentar sua criação: “Tu visitas a terra e a regas; tu a enriqueces copiosamente; os ribeiros de Deus são abundantes de água; preparas o cereal, porque para isso a dispões, regando-lhe os sulcos, aplanando-lhe as leivas. Tu a amoleces com chuviscos e lhe abençoas a produção. Coroas o ano da tua bondade; as tuas pegadas destilam fartura, destilam sobre as pastagens do deserto, e de júbilo se revestem os outeiros. Os campos cobrem-se de rebanhos, e os vales vestem-se de espigas; exultam de alegria e cantam” (versos 9 a 13). O autor de Hebreus começa uma série de argumentos sobre a superioridade de Jesus em relação a todas as suas criaturas afirmando sua posição como Criador e Sustentador do universo (Hb 1.1-3). Jesus até ensinou que devemos amar os inimigos porque Deus demonstra seu amor para todos: “... porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5.45).

Cada vez que levantamos, respiramos e começamos um novo dia, devemos demonstrar a atitude de Davi em adoração e profunda reverência para com Deus. Como disse o apóstolo Paulo, mil anos depois de Davi escrever esse Salmo, “pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos...” (At 17.28). Temos muitos motivos para servir e adorar ao Senhor!


domingo, 17 de outubro de 2021

O que é a teologia contemporânea?

 




Por Leonardo Pereira



A teologia contemporânea é geralmente definida como um estudo da teologia e tendências teológicas de logo após a Primeira Guerra Mundial até o presente. Abrangendo aproximadamente do século XX até hoje, as principais categorias tipicamente abordadas pela teologia contemporânea incluem o fundamentalismo, a neo-ortodoxia, o pentecostalismo, o evangelicalismo, o neoliberalismo, o catolicismo pós-Vaticano II, a teologia ortodoxa oriental do século XX e o movimento carismático. Além dessas categorias maiores, a teologia contemporânea também trata de áreas especializadas, como a teologia da libertação, a teologia feminista e várias teologias étnicas. Com a grande variedade de credos envolvidos, poucos estudiosos pretendem servir como "especialistas" na teologia contemporânea. Em vez disso, a tendência é se especializar em uma ou mais de suas áreas.

Um ramo mais recente da teologia contemporânea é o estudo do diálogo inter-religioso. A teologia cristã histórica é comparada com as cosmovisões dos sistemas de crenças não-cristãs como base para o diálogo entre as diferentes religiões. Pesquisas recentes se concentraram nos valores compartilhados entre duas ou mais religiões, como as "Fés Abraâmicas" (judaísmo, cristianismo e islamismo) ou religiões orientais (incluindo hinduísmo, budismo e movimentos cristãos, como a Igreja chinesa subterrânea). A teologia contemporânea é, em primeiro lugar, um campo de estudos acadêmicos. Como tal, aborda os desafios intelectuais enfrentados pela teologia, inclusive a ciência, questões sociais e práticas religiosas. Enquanto muitos teólogos contemporâneos compartilham uma herança cristã, nem todos os fazem. Na verdade, muitos estudiosos agnósticos, ou mesmo ateus, entraram no campo e estão ensinando seus pontos de vista sobre fé e crença na sociedade contemporânea.

Para o cristão que acredita na Bíblia, a teologia contemporânea é importante, pois traça o desenvolvimento das crenças na história recente. No entanto, é fundamental perceber que a teologia contemporânea geralmente se afasta da teologia cristã tradicional quando avalia a fé no contexto de vários movimentos sociais ou em comparação com outros sistemas de crenças. Aderir a uma cosmovisão bíblica geralmente não é o objetivo. Aqueles que querem entender o que a Palavra de Deus ensina sobre os tópicos importantes de hoje podem encontrar informações úteis em uma ampla variedade de materiais teológicos contemporâneos. No entanto, a própria Bíblia não muda. É o padrão da verdade para o crente, agora e para sempre (2 Tm 3.16,17).


sábado, 16 de outubro de 2021

O que significa ensinar a criança no caminho em que deve andar?

 




Por Leonardo Pereira



O conselho de Salomão aos pais é “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Pv 22.6). Criar e treinar uma criança dentro do contexto deste provérbio significa que o ensino começa com a Bíblia, pois “…Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Tm 3.16). Ensinar às crianças as verdades das Escrituras fará com que sejam sábias para a salvação (2 Tm 3.15); completamente as preparará para fazer boas obras (2 Tm 3.17); irá prepará-las para dar uma resposta a todos que lhes perguntarem o motivo de sua esperança (1 Pe 3.15); e irá prepará-las para resistir ao ataque de culturas empenhadas em doutrinar os jovens com valores seculares.

A Bíblia nos diz que as crianças são uma dádiva de Deus (Sl 127.3). Certamente pareceria apropriado, então, que atendêssemos ao sábio conselho de Salomão para treiná-las apropriadamente. De fato, o valor que Deus colocou em ensinar a verdade a nossos filhos é claramente abordado por Moisés, que enfatizou ao seu povo a importância de ensinar seus filhos sobre o Senhor e Seus mandamentos e leis: “tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Dt 6.7-9). A meticulosidade de Moisés ressalta sua profunda preocupação de que sucessivas gerações manteriam a obediência às leis de Deus para garantir que "habitareis seguros na terra" (Lv 25.18), "para que bem te suceda a ti e a teus filhos" (Dt 12.28), e que Ele os abençoaria na terra (Dt 30.16).

Claramente a Escritura ensina que treinar as crianças a conhecer e obedecer a Deus é a base para agradá-lo e para viver vitoriosamente em Sua graça. Conhecer a Deus e Suas verdades começa quando a criança compreende o pecado e sua necessidade de um Salvador. Mesmo as crianças muito novas entendem que não são perfeitas e podem compreender desde cedo a necessidade de perdão. Pais amorosos modelam um Deus amoroso que não apenas perdoa, mas também fornece o sacrifício perfeito pelo pecado em Jesus Cristo. Treinar as crianças no caminho em que devem seguir significa, em primeiro lugar, direcioná-las ao Salvador.

A disciplina é parte integrante da criação de filhos piedosos, pois sabemos que o “SENHOR repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem” (Pv 3.12). Assim, não devemos encarar a disciplina levemente e nem ficar desanimados com ela, pois o Senhor “corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.5,6). E sabemos que Deus nos disciplina para o nosso bem, para que possamos compartilhar da Sua santidade (Hb 12.10). Da mesma forma, quando disciplinamos nossos filhos, eles recebem sabedoria (Pv 29.15) e nos trarão paz (Pv 29.17) e respeito (Hb 12.9). De fato, mesmo em tenra idade, as crianças são capazes de discernir que a disciplina está enraizada no amor. É por isso que as crianças que crescem em lares sem disciplina muitas vezes sentem-se mal amadas e têm maior probabilidade de desobedecer à autoridade à medida que envelhecem. Lembre-se de que a disciplina administrada deve ser proporcional à ofensa. A disciplina física, como a palmada (justamente motivada), é aceita pela Bíblia (Pv 13.24, 22.15, 23.13,14). De fato, a disciplina, embora possa parecer desagradável quando recebida, produzirá um “fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça” (Hb 12.11).

Os pais devem ter o mesmo zelo de ensinar seus filhos que Moisés tinha. Os pais têm o privilégio de ser cuidadores da vida de seus filhos por um tempo muito curto, mas o ensino e o treinamento que fornecem é eterno. De acordo com os princípios de Provérbios, uma criança que é diligentemente treinada no “caminho em que deve andar” provavelmente permanecerá fiel a esse caminho nesta vida e colherá suas recompensas na próxima.


sexta-feira, 15 de outubro de 2021

A ordem de prioridades na nossa família

 




Por Leonardo Pereira



A Bíblia não traça em apenas uma passagem uma ordem que devemos seguir passo a passo para as prioridades nos nossos relacionamentos. No entanto, ainda podemos depender das Escrituras para aprender os princípios gerais de como dar prioridade aos relacionamentos corretos, na ordem correta. Deus obviamente deve ser o primeiro: Deuteronômio 6.5: "Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força". Deus é a prioridade número um se todo o coração, alma e força de alguém está comprometido a amá-lo. Se você é casado, seu cônjuge deve ser a sua próxima prioridade. Um homem casado deve amar sua esposa como Cristo amou a igreja (Ef 5.25). A primeira prioridade de Cristo – depois da prioridade de obedecer e glorificar ao Pai – foi a Igreja. Aqui está um exemplo que os maridos devem seguir: Deus primeiro, então a sua esposa. Da mesma forma, as esposas devem submeter-se aos seus maridos “como ao Senhor” (Ef 5.22). Podemos aprender desse princípio que seu marido deve estar em segundo lugar apenas para Deus em sua ordem de prioridades.

Se maridos e esposas estão em segundo lugar apenas para Deus em nossas prioridades, e levando em consideração que o marido e sua esposa são uma só carne (Ef 5.31), aparenta ser a lógica que o resultado desse relacionamento matrimonial – filhos- deve ser a nossa próxima prioridade. Os pais devem criar filhos que temem a Deus e que vão ser a próxima geração daqueles que amam a Deus de todo o seu coração (Pv 22.6; Ef 6.4), mostrando mais uma vez que Deus deve ser o primeiro em nossa lista de prioridades e que todos os outros relacionamentos devem refletir essa verdade.

Deuteronômio 5.16 nos diz para honrarmos nossos pais para que nossos dias sejam prolongados e para que tudo vá bem aqui na terra. Limite de idade não é especificado, o que nos leva a acreditar que enquanto nossos pais estão vivos, devemos honrá-los. Claro que uma vez que o filho se torna um adulto, ele não tem mais a obrigação de obedecer aos seus pais (Filhos – crianças - , obedecei a vossos pais...), mas não há um limite de idade quando não temos mais o dever de honrar nossos pais. Podemos concluir, portanto, que nossos pais devem ser os próximos na nossa lista de prioridade, depois de Deus, do nosso cônjuge e dos nossos filhos.

Depois dos nossos pais, segue o resto da família (1 Tm 5.8) e então outros crentes. Romanos 14 nos diz que não devemos julgar ou desprezar nosso irmão (v.10), nem devemos fazer qualquer coisa que o leve a “tropeçar” ou cair espiritualmente. Muito do livro de 1 Coríntios contém as instruções de Paulo de como a Igreja deve viver em harmonia, amando uns aos outros. Outras exortações que se referem a nossos irmãos e irmãs em Cristo são: “...sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor” (Gl 5.13); “Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.32); “Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente” (1 Ts 5.11); “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Hb 10.24).

Finalmente segue, na nossa lista de prioridades, o resto do mundo (Mt 28.19), a quem devemos ir e proclamar o Evangelho e entre os quais devemos fazer mais discípulos de Cristo. Em conclusão, a ordem que achamos nas nossas Escrituras para as nossas prioridades deve ser Deus, cônjuge, filhos, pais, parentes, irmãos e irmãs em Cristo e o resto do mundo.


terça-feira, 14 de setembro de 2021

Jesus: “Eu Sou”

 




Por Leonardo Pereira



João relatou episódios selecionados da vida de Jesus para defender um tema principal: Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, que oferece a vida aos que crêem nele (Jo 20.30,31). Nas palavras e atos de Jesus, registrados neste livro, Jesus se apresenta com uma série de afirmações, normalmente ligadas imediatamente com os sinais que ele operava. Jesus disse:  1. Eu sou o pão da vida (Jo 6.35,41,48,51);  2. Eu sou a luz do mundo (Jo 8.12);  3. Eu sou a porta das ovelhas (Jo 10.7,9);  4. Eu sou o bom pastor (Jo 10.11,14); 5. Eu sou a ressurreição e a vida (Jo 11.25);  6. Eu sou o caminho, e a verdade e a vida (Jo 14.6);  7. Eu sou a videira verdadeira (Jo 15.1,5).

Cada afirmação ensina algo importante sobre a missão de Jesus, mostrando que ele veio para ensinar, salvar e proteger o seu povo. Mas, quem pode fazer tais promessas elevadas? Nenhum mero homem teria condições de oferecer tudo que Jesus prometeu, porque nenhum homem tem as mesmas qualidades que Jesus possui.  A capacidade dele de ser e oferecer tantas coisas vem de sua natureza divina. É exatamente esta natureza que ele destaca com mais uma afirmação. Em João 8.24,28 e 58, ele se descreve com as simples palavras: “Eu Sou”. Ele não é apenas o pastor, ou a luz, ele é o eterno Deus. Ele não foi criado e não veio a existir. Nas suas próprias palavras, Jesus disse: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (Jo 8.58).

Os judeus consideravam esta afirmação blasfêmia, porque Jesus estava se igualando com Deus (Mc 14.61-64). De fato, é a mesma linguagem usada para descrever Jeová em Êxodo 3.14. Isaías, nas suas grandes profecias do Messias, afirmou a divindade do Salvador com as mesmas palavras (Is 43.11-15; 44.6; 45.6,18; 48.17). Jesus usou palavras carregadas de poder e eternidade para se apresentar ao mundo. Nós devemos crer no único “Eu Sou” para termos a vida eterna. Jesus disse: “Porque, se não crerdes que Eu Sou, morrereis nos vossos pecados” (Jo 8.24).


sábado, 28 de agosto de 2021

O Princípio da Sabedoria

 




Por Leonardo Pereira



“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria e o conhecimento do Santo é prudência” (Pv 9.10). A busca pela sabedoria jamais pode ser separada da busca por Deus. Se a nossa filosofia não é controlado por uma teologia firme, enfrenta uma barreira impossível de superar. 

As verdades fundamentais sobre Deus constituem as bases do conhecimento. A realidade de Deus é a coisa mais importante que pode-se saber e também a mais óbvia (Rm 1.19,20). No abecedário do conhecimento, começamos com Deus. Aqueles que não crêem muitas vezes se vêem como mais avançados no seu conhecimento. Mas “nenhuma arte, nenhuma filosofia, nenhuma ciência, nenhuma literatura, nada adquirido intelectualmente nem feitos de qualquer tipo compensarão a ignorância em relação a Deus; a alma que não o conhece é um homem ignorante; a época que não o conhece é uma época ignorante” (W. Clarkson). 

O conhecimento sobre Deus também é a “base” do conhecimento. É o princípio de organização que unifica todo o resto, a moldura dentro da qual todas as informações se encaixam. “No dia em que acreditei em Deus de verdade,” escreveu Dag Hammarskjold, “pela primeira vez a vida fez sentido para mim e o mundo tinha um significado.” Em Deus, o caos dos fatos se torna um cosmos de conhecimento. 

A verdade simples é esta: não ficaremos sábios sem buscar a Deus, e não buscaremos a Deus sem humildade, respeito e reverência. Por isso o temor do Senhor é o “princípio” da sabedoria. O orgulho sempre corrompe o processo de aprendizagem. A ilusão de que sabemos mais do que realmente sabemos (junto com a falta de vontade de aceitar verdades que podem ter conseqüências indesejadas) farão com que não progredimos na sabedoria. É o respeito pelo Criador que abre a porta para o crescimento intelectual.

Paulo escreveu sobre certos indivíduos que “detêm a verdade” (Rm 1.18). Há aqueles, ele disse, que evitam os fatos e “desprezam o conhecimento de Deus” (Rm 1.28). Estas são palavras fortes, sem dúvida, mas precisamos escutá-las. Permitimos que Deus seja o princípio da nossa sabedoria do mundo real? Honesta-mente aceitamos isso, a mais fundamental de todas as verdades: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1)?


segunda-feira, 24 de maio de 2021

Fartos com a bondade de Deus

 




Por Leonardo Pereira



Nos dias de Jeremias, Israel não estava satisfeito com Deus. Achavam que os outros deuses eram as chaves para sua felicidade. O problema era que Israel tinha se tornado tão materialista que pensou no seu bem estar somente em termos materiais. Os tempos bons foram medidos pela abundância, pela prosperidade e por posses físicas, e acreditava-se que estas coisas eram presentes dos deuses tais como Baal e Aserá. Yahweh (o Senhor) tinha se tornado associado com a pobreza e a necessidade. Havia um elemento de verdade nisto. Deus tinha retido a prosperidade física de Israel no esforço de chamar a sua atenção, assim veria que precisava de Deus e que precisava estar num relacionamento correto com ele. Entretanto, em vez disso, Israel começou a pensar que se Deus não os abençoasse, Baal abençoaria. Assim, se afastaram do Deus Todo-Poderoso e voltaram-se a um ídolo impotente.

Israel falhou em não ver que a retidão com Deus é a única coisa verdadeiramente importante na vida. Como Jesus nos diz: “Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?” (Mt 6.25). Disse também: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12.15). O apóstolo Paulo incentivou a mesma atitude quando disse: “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1 Tm 6.6-8). Nossas circunstâncias e confortos físicos não são nossos maiores problemas. No entanto, passamos boa parte das nossas vidas agindo com se fossem.

O que é verdadeiramente importante, muito mais do que qualquer outra coisa, é estar certo com Deus. Deus fez isso possível por meio do presente de seu Filho que deu sua vida para nós na cruz. Em Jeremias 31.10-14, Deus estava falando do dia em que encheria Israel com sua bondade outra vez, mas não era em simples bênçãos físicas que Deus estava pensando. Era numa bênção que seria de natureza espiritual, uma que seria proclamada aos gentios (Jr 31.10). A proclamação de Deus ajuntar seu Israel para si seria uma notícia tão maravilhosa que o povo de Deus ficaria feliz simplesmente em saber que a comunhão com Deus tinha sido restaurada. Afinal, o que podia ser mais importante? Que bondade maior de Deus poderia existir?

E nós? Ficamos satisfeitos sabendo que fomos abençoados por Deus com o maior presente de todos – a salvação das consequências terríveis do pecado? Nossa atitude é que se tivermos isso, não precisamos realmente de mais nada? Ou somos como os israelitas antigos, que eram tão míopes que as coisas físicas eram tudo que viam e valorizavam?


quarta-feira, 12 de maio de 2021

Recomendação de Leitura no Mês - Família: Lugar de Refúgio ou Campo de Batalha? (Ilma Luci Gomes Cunha)

 




Por Leonardo Pereira



Estudar sobre o valor da família é de muita importância para nós, pois, de uma forma ou de outra, nascemos numa família. Com exceção daqueles que são fruto da marginalidade, cada um de nós vem de uma família, seja pobre ou rica, desconhecida ou famosa, pequena ou grande, evangélica ou não. A família é a base de nossa vivência. Dela nascemos e dela dependemos na maior parte da existência. Isso é plano de Deus!

Análise

A família é uma instituição divina. Ela é tão importante, que foi criada antes da Igreja, antes do Estado, antes da nação. Deus não fez o homem para viver na solidão. Quando acabou de criar o homem, Adão, o Senhor disse: "Não é bom que o homem esteja só. Far-lhe-ei uma adjutora, que esteja como diante dele" (Gn 2.18). Deus tinha em mente a constituição da família, mas esta não está completa só com o casal. Por isso, o Senhor previu a procriação, dizendo: "Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra (Gn 1.27,28). 

Fica mais clara a origem da família, quando lemos: "Portanto, deixará o homem seu pai e e sua mãe e se unirá à sua mulher e serão ambos uma só carne" (Gn 2.24). "O homem" aí é o filho, nascido de pai e mãe. Deus fez a família para que o homem não vivesse na solidão (Sl 68.6; 113.9). Por ser de origem divina, o inimigo tem atacado a família de maneira implacável. As tentações aos pais de família, principalmente na área do sexo e do mau relacionamento com os filhos tem sido constante; os ataques aos filhos, lançando-os contra os pais; dos pais contra os filhos; o problema das drogas, do sexo ilícito, da pornografia, de outros vícios, do homossexualismo.

Reflexão

Em Família, lugar de refúgio ou campo de batalha?, da Dra. Ilma Cunha, fala que ainda que a família seja tão combatida na atualidade e muitos pensem que é uma instituição falida, somos convocados como cristãos a darmos o devido valor a ela, lutarmos por esta causa e pela preservação dos seus valores. A Dra. Ilma Cunha aborda muito bem a fragilidade dos relacionamentos dos membros do núcleo familiar e compreende as razões e consequências desses desajustes. Assim, a partir de uma larga experiência clínica e em sala de aula, ela escreveu este livro; no qual, firmada em uma postura cristã e em conformidade com a Bíblia, não omitiu o elemento fundamental do perdão e a compreensão entre os componentes da família. 

Um ponto muito importante na obra da Dra. Ilma Cunha é a ênfase fundamental para a excelente manutenção familiar: "só a submissão ao Espírito Santo faz com que o crente obedeça à Palavra de Deus". Os membros da família precisam demonstrar o Fruto do Espírito em seu relacionamento , conforme Gl 5.22-23. Pastores ou membros da igreja, filhos ou pais, esposos e esposas, todos sem exceção precisam viver dando fruto do Espírito. No texto acima, temos a Fórmula do Bom Relacionamento Cristão (BRC): BRC= f (A, G, P, L, B, B, F, M, T.) Os pais devem ser companheiros dos filhos e não seus ditadores. Uma boa regra é ter FIRMEZA com AMOR. 

Por outro lado, os filhos devem obedecer aos seus pais e honrá-los, "pois é mandamento com promessa"; hoje, no meio da milenar rebelião contra Deus, há filhos que não honram os pais. Isso satisfaz ao inimigo do lar. É necessário muita oração, adoração a Deus no lar, para que os conflitos sejam motivo de crescimento e maturidade e não de confrontos e contendas. O CULTO DOMÉSTICO não elimina os conflitos, mas ajuda a enfrentá-los como cristãos e a superá-los para a glória de Deus.

Recomendação

No relacionamento entre os membros da família cristã, é importante que todos dêem lugar à presença de Deus, vigiando para que o inimigo não encontre brecha para atuar entre eles. Oração e jejum; leitura da bíblia diária; culto doméstico; a prática do Fruto do Espírito, principalmente do amor, da longanimidade, da benignidade, da bondade e da temperança, são garantia certa contra as desavenças e conflitos no lar. Que Deus nos abençoe que possamos colocar em prática o que nos orienta a Sua Palavra para a família e o lar.

Nesta obra, ela mostra seu profundo conhecimento da psicologia e das Escrituras Sagradas, usando essas duas fontes de sabedoria a fim de demonstrar a autoridade máxima da Palavra de Deus na solução das questões familiares e do ser humano. Este livro eu recomendo pra todas as pessoas com ou sem família, muitas respostas serão encontradas... Desde quando eu li este livro, encontrei muitas respostas que procurava, e minha maneira de ver o mundo e as pessoas da minha família, passei a ver com outro olhos. Muita cura e libertação, passou a ser o foco da minha vida familiar.


domingo, 9 de maio de 2021

Mãe - Honra e Louvor

 




Por Leonardo Pereira




Em Efésios 6.1-4, Paulo diz: "Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor". Nesses versículos, encontramos instruções dirigidas aos filhos e aos pais. A base desses mandamentos já foi dada em Efésios 5:21: "...sujeitando-vos, uns aos outros no temor de Cristo". Os filhos precisam se sujeitar aos pais, sendo obedientes a eles. Os pais, também, servem aos filhos, criando-os e corrigindo-os com amor.

O Fundamento de Efésios 6.1-4

Quando estudamos esses primeiros versículos de Efésios 6, é fácil esquecer de um versículo importante: "Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa)" (versículo 2). Muitos filhos respeitam o pai. Quando ele fala, eles ouvem. Os filhos baixam as cabeças para ouvir, com respeito e até vergonha, as palavras de correção que vêm do pai. Mas, quando a mãe corrige as atitudes dos filhos, são diferentes. Por quê, se o versículo diz honrar pai e mãe? Vamos pensar um pouco mais sobre esse segundo aspecto do mandamento.

Jesus sabia que a honra para pai e mãe fazia parte da lei do Velho Testamento, que ele citou em Mateus 19.19. Pelo fato que o mesmo mandamento foi incluído no Novo Testamento, podemos perceber a importância desse princípio. Desde a criação, Deus pretendia que os filhos honrassem ambos os pais. Há um exemplo de tal honra implícito na história de Noé. No meio a um mundo corrupto, Noé e sua mulher criaram três filhos. Esses três, junto com suas esposas, entraram na arca com Noé (Gn 5.32; 7.13). Mesmo se mais ninguém acreditava na mensagem pregada por Noé, os próprios filhos honraram os pais.

Honra Devida à Digna Mãe

O livro de Provérbios contém muito conselho sobre a obediência e honra aos pais. Às vezes, os textos destacam a honra devida à mãe, que é nossa ênfase neste artigo. "Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Porque serão diadema de graça para a tua cabeça e colares, para o teu pescoço" (Pv 1.8,9). As instruções que ouvimos da boca da mãe servem para nos guiar o resto da vida: "Filho meu, guarda o mandamento de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe; ata-os perpetuamente ao teu coração, pendura-os ao pescoço. Quando caminhares, isso te guiará; quando te deitares, te guardará; quando acordares, falará contigo. Porque o mandamento é lâmpada, e a instrução, luz; e as repreensões da disciplina são o caminho da vida" (Pv 6.20-23).

O filho obediente traz alegria aos pais: "O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe" (Pv 10.1). Podemos ver essa verdade na vida de muitas famílias. Quando os filhos se mostram rebeldes e insensatos, as mães sofrem, talvez mais do que qualquer outra pessoa (cf. Pv 15.20-22). Na nossa sociedade, há uma grande e triste tendência de desprezar os velhos. Muitos filhos negligenciam as necessidades dos pais ou até os abandonam em lares da terceira idade ou outras instituições, porque não querem assumir a responsabilidade deles. Provérbios 23.22 diz: "Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer". Honra inclui a responsabilidade de fornecer as necessidades físicas dos pais (cf. Mt 15.4-6).

No Novo Testamento, encontramos duas mulheres que tiveram influência muito boa e importante na vida de um jovem. Timóteo, um evangelista bem respeitado, foi instruído desde a infância nas coisas de Deus (2 Tm 3.14,15). A avó dele (Lóide) e, depois dela, a mãe (Eunice) educaram Timóteo no caminho de Deus (2 Tm 1.5). Muitas mães têm feito a mesma coisa, guiando os filhos ao Senhor pela palavra e pelo exemplo de vidas retas e dedicadas no serviço de Deus. Uma mãe dessas merece todo respeito e honra dos filhos.

Conclusão

Vamos encerrar com as palavras sábias de Provérbios 23.15-10: "Filho meu, se o teu coração for sábio, alegrar-se-á também o meu; exultará o meu íntimo, quando os teus lábios falarem coisas retas. Não tenha o teu coração inveja dos pecadores; antes, no temor do SENHOR perseverarás todo dia. Porque deveras haverá bom futuro; não será frustrada a tua esperança. Ouve, filho meu, e sê sábio; guia retamente no caminho o teu coração. Não estejas entre os bebedores de vinho nem entre os comilões de carne".



Referências:

Bíblia Sagrada. Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

CABRAL, Elienai. Comentário Bíblico Efésios. Rio de Janeiro: CPAD, 1983.

CUNHA, Ilma Luci Gomes. Família: Campo de Batalha ou Lugar de Refúgio? Rio de Janeiro: Central Gospel, 2013.

LOPES, Hernandes Dias. Efésios - A Noiva Gloriosa de Cristo. São Paulo: Hagnos, 2010.

RENOVATO, Elinaldo. A Família Cristã e os Ataques do Inimigo. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.

ROGÉRIO, Marcos. Família Cristã. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.


quarta-feira, 24 de março de 2021

Deixando de Ser para Receber

 




Por Priscila Rodrigues



Hadassa precisou está por dose meses em purificação para ela se tornar a rainha Ester. Isso traduzindo para nosso dias, precisamos nos despir da velha criatura, deixar velhos hábitos, para receber do rei Novas vestes, santas e reais, inovar comportamentos para sermos coerente à mesa que estamos sentando com rei. 


A parábola das bodas descreve que um convidado  indevidamente vestido, ele  era posto para fora do banquete.  Devemos está com as vestes apropriadas à cerimônia pois não saberemos a hora do noivo chegar, mas a sua noiva sempre terá que está pronta para Ele. A mesa está posta e você, está se vestindo adequadamente?



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Rumo ao Deserto

 




Por Leonardo Pereira



Desde o êxodo, o deserto simboliza tentação e prova. Para em tudo ser semelhante a seus irmãos, Jesus teve um confronto com o diabo no deserto (Mt 4.1-11; Lc 4.1-13; Hb 2.14-18). Embora Jesus tenha sido tentado em tudo, nenhuma vez se rendeu. Seu exemplo nos mostra de que forma podemos vencer o diabo. Satanás usou uma estratégia tríplice. Primeiramente, ele adequou as suas tentações àquilo em que Cristo pudesse mostrar-se vulnerável. Ele tentou a Jesus no seu ponto mais fraco -- tentou levá-lo a usar indevidamente o seu poder para fazer pão num momento em que se achava faminto. Em segundo lugar, Satanás citou as Escrituras. Isso revestia a tentação com uma camada fina de virtude. 

Sendo o próprio diabo um citador experimentado das Escrituras, devemos acautelar-nos de ingenuamente acreditar em qualquer pessoa só porque ela "conhece a Bíblia". Em terceiro lugar, na "tentação do reino", Satanás mostrou que estava disposto a oferecer qualquer coisa para ganhar a alma de Jesus. Se você tiver um preço pelo qual você venderia a sua alma, Satanás terá prazer em pagá-lo.

Jesus mostrou como vencer a tentação. Em primeiro lugar, ele citou a própria Escritura cada vez que deu uma resposta. Em tempos de crises, ter a palavra de Deus em nosso coração é que faz a diferença entre a vitória e o fracasso (Sl 119.11). Em segundo lugar, Jesus não cedeu. Ele jamais fez o que sabia ser errado. Uma vez que Jesus em todo momento se recusou a pecar, Satanás decidiu por fim deixá-lo por um tempo. "Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós" (Tg 4.7). Jesus mostrou o caminho à vitória sobre a tentação. Vamos segui-lo?






quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

O Amor que Corrige

 




Por Leonardo Pereira



É comum confundir o significado do verdadeiro amor. Muitos imaginam que o amor seja apenas um sentimento que mexe com as emoções, e assim acreditam que o amor simplesmente acontece. É comum, também, as pessoas pensarem que o amor sempre procura agradar às pessoas amadas. Deste modo, pensam que qualquer tipo de repreensão ou disciplina seja contrário ao amor. Correção é vista por muitas pessoas como algo negativo, mas a Bíblia nos ensina a enxergar a correção de modo diferente. É normal querer o apoio e a aprovação dos outros, mas as pessoas que nos amam oferecem a repreensão quando erramos. As pessoas que falam as palavras agradáveis que queremos ouvir, mesmo quando estamos errados, podem manter amizade conosco, mas não demonstram o amor. Um homem sábio disse: “Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir a canção do insensato” (Ec 7.5).

  1. O livro de Provérbios fala, muitas vezes, sobre a importância da correção e disciplina. Considere algumas das palavras sábias deste livro escrito 3.000 anos atrás:
  2. O autor de Provérbios insiste no valor da repreensão e disciplina. “O caminho para a vida é de quem guarda o ensino, mas o que abandona a repreensão anda errado” (Pv 10.17). “Quem ama a disciplina ama o conhecimento, mas o que aborrece a repreensão é estúpido” (Pv 12.1);
  3. Muitas vezes, a repreensão vem de pais que amam seus filhos e desejam o melhor para eles, mas nem sempre os filhos aceitam a instrução: “O filho sábio ouve a instrução do pai, mas o escarnecedor não atende à repreensão” (Pv 13.1). “O insensato despreza a instrução de seu pai, mas o que atende à repreensão consegue a prudência” (Pv 15.5);

Os amigos e os pais podem errar, mas a repreensão que vem de Deus sempre busca o nosso bem, e erramos gravemente ao rejeitar sua palavra: “Filho meu, não rejeites a disciplina do SENHOR, nem te enfades da sua repreensão” (Pv 3.11). O autor de Hebreus reforça esta instrução: “porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.6).

Outro autor no Novo Testamento nos lembra do amor que leva à correção. Tiago fala sobre o perigo real de um cristão se desviar do caminho e pede para os outros corrigi-lo: “Meus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados” (Tg 5.19,20). Quando comparamos esta última frase com um comentário de Pedro, percebemos mais uma vez que é o amor agindo nesta correção do pecador. Pedro disse: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1 Pe 4.8). O amor intenso nos leva a corrigir as pessoas que amamos! Apesar de tanta ênfase na importância de disciplina e correção, Deus não obriga ninguém a seguir o conselho sábio que ele oferece. Mas não nos enganemos! Cada um arcará com as consequências das suas próprias reações às palavras de repreensão: “O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma, porém o que atende à repreensão adquire entendimento” (Pv 15.32).

“Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto” (Pv 27.5). Quando pessoas que nos amam corrigem os nossos erros, vamos ouvir suas palavras e agradecer a Deus pelo amor que mostram para conosco!


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

A Liderança de Moisés e a Jornada de Israel pelo Deserto

 




Por Leonardo Pereira,



No próximo Comentário Bíblico Mensal, o do mês de Fevereiro de 2021, nós estudaremos um tema particularmente importante para a vida cristã no que se refere à experiências, legados, fé e esperança. Lições do Deserto é uma reflexão sobre como o povo de Israel se comportou durante a peregrinação de quarenta anos no deserto sob a batuta de Moisés, guiados pelo poder do Senhor passando pelos maiores desafios morais, éticos, sociais, psicológicos e espirituais das suas vidas. Ainda que o Pentateuco (os cinco livros escritos por Moisés) nos relate com detalhes primorosos o surgimento da nação hebreia partindo de Abraão quando saiu de Ur dos Caldeus (cf. Gn 12.1-3) ouvindo a voz de Deus e peregrinando aonde o Criador orientava-o, até quando o povo se instala no Egito sobre a segurança de José, governador da época nas terras de Faraó. O povo cresceu no Egito, a geração de José passou, um novo período na história do povo de Deus se despontava no horizonte e era chegado o tempo em que Israel teria o seu próprio lugar para adorar a Deus, agradecer e bendizer o seu nome, ser referência às nações da época, servi-lo com alegria e apresentar-se perante Ele de forma irrepreensível, santa e digna. Para tal momento, Deus preparava todo o cenário para estes acontecimentos. Moisés foi chamado por Deus para libertar o seu povo do jugo egípcio que clamava por salvação. A saída das terras de Faraó não seria fácil. O povo hebreu tinha dúvidas quanto à Moisés, Faraó tinha o seu coração endurecido para com as palavras de Deus por intermédio do filho de Anrão e Joquebede. Contudo, Deus libertou o eu povo com seu braço forte e mão estendida, abriu o Mar Vermelho, fez o povo da aliança com Abraão passar, fez os mesmos virem os egípcios perecerem no mar e ao serem libertados, louvaram ao Senhor com grande regozijo e confiança no Senhor. Era um novo momento para o povo de Israel em sua vida, peregrinando no deserto rumo à Terra Prometida.

A Difícil Peregrinação

Após a grande vitória que o Senhor lhes concedera diante dos exércitos de Faraó, Israel iniciou a peregrinação pelo deserto de maneira incrédula e murmuratória. Ao passo de três dias, a primeira reclamação do povo para com Moisés foi a escassez de água, algo um pouco contraditória para Israel, sendo que eles passaram pelo meio do mar como se estivessem em terra seca, com as águas partidas ao meio como se fosse um parede. Após esta murmuração, vários outros conflitos surgiram no deserto desde petições, idolatrias até disputas pelo poder. Israel dá-nos a entender que apesar de terem saído do Egito, viviam com os mesmos valores da escravidão, da idolatria e da incredulidade que outrora possuíam. A primeira geração hebreia pós-Egito era um povo infiel, incrédulo e que não possuíam escrúpulos algum com a intenção de matar Moisés e seu irmão Arão para satisfazer as suas próprias vontades. Viviam para seus próprios prazeres e não para Deus. Viviam como bem entendiam mas não cumpriam com tudo que tinha dito que cumpririam para com o Senhor. A iniciar a grande jornada durante os quarenta anos pelo deserto, Israel viveu completamente um crise de inversão de valores, já existentes naquele período. Em tão pouco espaço de tempo a nação hebraica se esquecera das leis, das promessas, das bênçãos e dos milagres que tantas vezes o Altíssimo outogou-lhes. Durante muito tempo, um dos maiores problemas da parte de Israel em sua jornada era a sua murmuração. O povo era inconstante, de tal maneira que Moisés, em certo momento, o homem mais manso da terra (Nm 12.3), irritou-se fortemente com o povo: "E aconteceu que, chegando Moisés ao arraial, e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se lhe o furor, e arremessou as tábuas das suas mãos, e quebrou-as ao pé do monte; E tomou o bezerro que tinham feito, e queimou-o no fogo, moendo-o até que se tornou em pó; e o espargiu sobre as águas, e deu-o a beber aos filhos de Israel. E Moisés perguntou a Arão: Que te tem feito este povo, que sobre ele trouxeste tamanho pecado? Então respondeu Arão: Não se acenda a ira do meu senhor; tu sabes que este povo é inclinado ao mal" (Êx 32.19-22).

O Exemplo da Jornada de Israel para o Nosso Tempo

Dentre os que mais destacaram os reflexos da peregrinação da nação de Israel no deserto, encontra-se o doutor dos gentios, o apóstolo Paulo. Ele traça um paralelo deste período com a igreja de Corinto, citando o povo na jornada rumo á Terra Prometida como um modelo à não seguirmos pela sua incredulidade e murmuração durante o longo período da caminhada. Diz o apóstolo Paulo: "Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar, E todos comeram de uma mesma comida espiritual; E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo. Mas Deus não se agradou da maior parte deles, por isso foram prostrados no deserto. E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar. E não nos forniquemos, como alguns deles fizeram; e caíram num dia vinte e três mil. E não tentemos a Cristo, como alguns deles também tentaram, e pereceram pelas serpentes. E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor" (1 Co 10.1-10). Paulo apresenta um resumo objetivo do povo quando eles adentraram, peregrinavam e prostaram-se no deserto. Podemos resumir que os hebreus da primeira geração viverem três períodos distintos rumo à Terra Prometida: regressar ao Egito, permanecer no deserto, e viver por sí só no deserto. Esta primeira geração enfrentou diversos desafios para serem superados, vencidos, tendo a confiança plena no Senhor e não em seu próprio braço. Infelizmente não foi assim que os hebreus interpretaram esta questão e por isso, muitos da primeira geração pereceram no deserto, por não compreenderem que devem confia no Altíssimo para superar o deserto, e não para se manterem sempre no deserto com as mesmas atitudes de antes, durante e depois da peregrinação. 

Conclusão
 
Mais que estudarmos e compreendermos a jornada de Israel pelo deserto na liderança de Moisés, guiado pelo Altíssimo para tamanha obra, é nós compreendermos os valores que o período de quarenta anos de peregrinação trazem em nossas vidas para o nosso tempo. Trazendo para a perspectiva bíblica, Israel saindo do Egito e entrando no deserto em sua caminhada não aprendeu ou mesmo desenvolveu um relacionamento especial e íntimo com o Senhor, mas sim, pelos seus pecados, idolatria e incredulidade, foram sepultados no deserto ainda em vida, por se afastarem dos caminhos do Senhor e do próprio Senhor. Trazendo para a perspectiva moral, o povo hebreu foi infiel ao Senhor em suas palavras e obras, não escutando-o através do seu servo Moisés, até mesmo pessoas como Datã, Corá e Abirão disputarem o poder da liderança do povo para com ele e seu irmão Arão. A falta de comprometimento de Israel para com o Senhor era visível em suas condutas e ações, levando Deus tomar a justa decisão de fazer entrar em Canaã a segunda geração, salvo Josué e Calebe. Na perspectiva espiritual, a dependência total e plena do Senhor em meio ao deserto é uma lição que todos nós devemos adquirir. Foi o Senhor quem lhes deu pão e água no deserto, não os fazendo perecer de sede ou de fome nas areias das terras áridas. Foi Deus quem lhes protegeu a noite pelo coluna de fogo (para não morrerem de frio) e uma coluna de nuvem (para não morrem pelo calor) em pleno deserto. Mais do que aprender nesta jornada com Moisés e o povo de Israel, é compreendermos a doutrina primária da fé cristã nos livros de Moisés: a nossa suficiência vem de Deus! (2 Co 3.5).



Referências:

ATAÍDE, Romulo; MUNIZ, Sidney; PEREIRA, Leonardo; ROGÉRIO, Marcos. Comentário Bíblico Evangelho Avivado Volume 1 - Antigo Testamento. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.

BARBOSA, Maxwell. Ações de Graças. São Paulo: Evangelho Avivado, 2020.

MENEZES, Walter. Liderança & Legado. São Paulo: Evangelho Avivado, 2018.

PEREIRA, Leonardo. Jacó - Um Patriarca nos Caminhos do Senhor. São Paulo: Evangelho Avivado, 2018.

RIBEIRO, Anderson. 1ª Coríntios. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.

ROGÉRIO, Marcos. Livros Poéticos. São Paulo: Evangelho Avivado, 2019.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

O Princípio da Imparcialidade Bíblica

 




Por Leonardo Pereira,



Rui Barbosa, o famoso diplomata, advogado e jurista brasileiro do século 19, disse: “Saudade da justiça imparcial, exata, precisa. Que estava ao lado da direita, da esquerda, centro ou fundos. Porque o que faz a justiça é o ser justo. Tão simples e tão banal. Tão puro. Saudade da justiça pura, imaculada”. Ele defendeu a necessidade fundamental da imparcialidade para a justiça funcionar. Se as autoridades de justiça demonstrassem tendências de defender rico ou pobre, conservador ou liberal, baseadas nas pessoas ou suas ideologias e não nos fatos dos casos, estariam pervertendo a justiça.

Princípios de Imparcialidade na Bíblia

O argumento de Barbosa reflete bem os princípios da justiça e da imparcialidade ensinados na Bíblia. No importante código civil revelado por Deus a Moisés quase 3.500 anos atrás, a imparcialidade foi um dos pilares da justiça: “Não seguirás a multidão para fazeres mal; nem deporás, numa demanda, inclinando-te para a maioria, para torcer o direito. Nem com o pobre serás parcial na sua demanda” (Êx 23.2,3). Alguns séculos depois, Josafá, rei de Judá, estabeleceu juízes nas principais cidades do país e lhes deu estas orientações: “Vede o que fazeis, porque não julgais da parte do homem, e sim da parte do SENHOR, e, no julgardes, ele está convosco. Agora, pois, seja o temor do SENHOR convosco; tomai cuidado e fazei-o, porque não há no SENHOR, nosso Deus, injustiça, nem parcialidade, nem aceita ele suborno” (2 Cr 19.6,7). Conforme Josafá, o padrão da imparcialidade no julgamento humano é o próprio Senhor. A sabedoria da imparcialidade foi frisada no livro de Provérbios: “Não é bom ser parcial com o perverso, para torcer o direito contra os justos” (Pv 18.5; 24.23; 28.21).

Princípios de Imparcialidade no Novo Testamento

No Novo Testamento, encontramos o mesmo ensinamento, também enraizado no caráter de Deus. O apóstolo Pedro citou a imparcialidade de Deus como motivo de oferecer a mensagem do evangelho a todos: “Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável” (At 10.34,35). O apóstolo Paulo instruiu seu cooperador, Timóteo, a lidar com denúncias de pecado entre cristãos de maneira justa: “Conjuro-te, perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade” (1 Tm 5.21). Tiago identificou a imparcialidade como uma das características que define a sabedoria divina: “A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento” (Tg 3.17).

Princípios de Imparcialidade em Nossas Vidas

Enquanto desejamos a imparcialidade de Deus e dos seres humanos que exercem autoridade sobre nós, o mesmo princípio deve ser aplicado em nossas vidas. Deus vê o que a pessoa faz, e não a pessoa em si, ou seja, não importa como nasceu e sim, como age. Devemos fazer a mesma coisa em nosso procedimento para com os outros. Não devemos defender os mais bonitos e ricos e desprezar as pessoas que não têm essas “vantagens”. Não devemos discriminar contra alguém por causa da sua cor ou nacionalidade. Tais preconceitos são contra o princípio da imparcialidade.

Princípios de Imparcialidade na Família

Os pais devem tratar seus filhos sem parcialidade. Aqueles que sempre engrandecem e defendem um filho contra os outros criam problemas sérios para todos os membros da família. No contexto religioso, devemos agir com imparcialidade. A mensagem do evangelho não é apenas para os ricos e cultos, deve ser pregada também aos pobres e iletrados. Conflitos entre irmãos em uma igreja devem ser resolvidos de maneira imparcial, não dando preferência para aqueles em posições de liderança, nem para as pessoas que contribuem mais financeiramente. Na hora difícil de aplicar a disciplina e a correção, devemos ser imparciais. Não é certo corrigir o filho do outro e recusar corrigir seu próprio. Não é bom corrigir a pessoa considerada menos importante e deixar passar sem repreensão os erros dos líderes, mesmo aqueles que se escondem atrás da cortina de uma suposta unção divina (cf. 1 Tm 5.19-21). Natã corrigiu um rei ungido por Deus (2 Sm 12.1-15) e Paulo repreendeu, publicamente, Cefas, também conhecido como o apóstolo Pedro (Gl 2.11-14).

Ajamos com imparcialidade porque o Senhor, o justo Juiz, é imparcial!