Mostrando postagens com marcador Teologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teologia. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de outubro de 2021

O que é a teologia contemporânea?

 




Por Leonardo Pereira



A teologia contemporânea é geralmente definida como um estudo da teologia e tendências teológicas de logo após a Primeira Guerra Mundial até o presente. Abrangendo aproximadamente do século XX até hoje, as principais categorias tipicamente abordadas pela teologia contemporânea incluem o fundamentalismo, a neo-ortodoxia, o pentecostalismo, o evangelicalismo, o neoliberalismo, o catolicismo pós-Vaticano II, a teologia ortodoxa oriental do século XX e o movimento carismático. Além dessas categorias maiores, a teologia contemporânea também trata de áreas especializadas, como a teologia da libertação, a teologia feminista e várias teologias étnicas. Com a grande variedade de credos envolvidos, poucos estudiosos pretendem servir como "especialistas" na teologia contemporânea. Em vez disso, a tendência é se especializar em uma ou mais de suas áreas.

Um ramo mais recente da teologia contemporânea é o estudo do diálogo inter-religioso. A teologia cristã histórica é comparada com as cosmovisões dos sistemas de crenças não-cristãs como base para o diálogo entre as diferentes religiões. Pesquisas recentes se concentraram nos valores compartilhados entre duas ou mais religiões, como as "Fés Abraâmicas" (judaísmo, cristianismo e islamismo) ou religiões orientais (incluindo hinduísmo, budismo e movimentos cristãos, como a Igreja chinesa subterrânea). A teologia contemporânea é, em primeiro lugar, um campo de estudos acadêmicos. Como tal, aborda os desafios intelectuais enfrentados pela teologia, inclusive a ciência, questões sociais e práticas religiosas. Enquanto muitos teólogos contemporâneos compartilham uma herança cristã, nem todos os fazem. Na verdade, muitos estudiosos agnósticos, ou mesmo ateus, entraram no campo e estão ensinando seus pontos de vista sobre fé e crença na sociedade contemporânea.

Para o cristão que acredita na Bíblia, a teologia contemporânea é importante, pois traça o desenvolvimento das crenças na história recente. No entanto, é fundamental perceber que a teologia contemporânea geralmente se afasta da teologia cristã tradicional quando avalia a fé no contexto de vários movimentos sociais ou em comparação com outros sistemas de crenças. Aderir a uma cosmovisão bíblica geralmente não é o objetivo. Aqueles que querem entender o que a Palavra de Deus ensina sobre os tópicos importantes de hoje podem encontrar informações úteis em uma ampla variedade de materiais teológicos contemporâneos. No entanto, a própria Bíblia não muda. É o padrão da verdade para o crente, agora e para sempre (2 Tm 3.16,17).


domingo, 3 de outubro de 2021

Distinção entre Igreja e Indivíduo

 




Por Leonardo Pereira



Às vezes, alguém argumenta que "a igreja pode fazer tudo que o indivíduo pode fazer". Desse modo, se uma pessoa cristã pode se envolver em atividades sociais e esportivas, a igreja pode fazer a mesma coisa. Se uma pessoa pode sustentar uma faculdade, a igreja pode fazer o mesmo. E assim por diante. Não há dúvida que a igreja pode fazer algumas coisas que o indivíduo faz, e vice-versa. O indivíduo deve tentar ensinar o evangelho a outras pessoas, mas esse, também, é um trabalho da igreja local. A pessoa cristã tem responsabilidades em termos de benevolência (Tg 1.26,27), e a igreja local também tem (2 Co 8,9). Mas o fato que os dois têm trabalho para fazer na mesma área não prova que a igreja pode fazer tudo que o indivíduo faz. Tal raciocínio exigiria um grande pulo na lógica. Sabemos que existem áreas de duplicação de responsabilidades porque as Escrituras mostram isso.

As Escrituras mostram uma distinção entre atividade individual e atividade da igreja. Enquanto a igreja é composta de indivíduos, o indivíduo sozinho não é a igreja. O termo grego ekklesia (igreja) descreve um grupo ou assembléia, e não pode ser usado corretamente para descrever uma pessoa só (como o termo "revoada" não seria aplicado a um solitário ganso). Vários trechos mostram essa diferença. Antes que a igreja, como estabelecida por Cristo, existisse (em termos universais ou locais), o indivíduo existia e tinha papéis para cumprir em relação ao casamento. Casamento, como exemplo, é algo para indivíduos. As atividades do casamento são dignas de honra (Hb 13.4), mas não seriam dignas nem apropriadas no contexto da igreja. As instruções referentes ao casamento são aplicadas aos indivíduos casados. Embora as instruções sobre o casamento sejam dadas em reuniões do povo de Deus, somente os indivíduos podem seguir essas instruções e participar das bênçãos. Considere como seria absurdo argumentar, no contexto do casamento, que a igreja pode fazer tudo que o indivíduo faz!

Sendo cristão envolve todos os relacionamentos da vida. Devemos nos esforçar para fazer a vontade de Deus no lar, nos negócios, em relação ao governo, e nas atividades sociais. Nada na vida é isento. Então para distinguir entre o indivíduo e a igreja não quer dizer que há coisas que fazemos como cristãos e outras coisas que não fazemos como cristãos. Sempre somos cristãos, não importa qual aspecto da vida estejamos considerando. Porém, há algumas responsabilidades que cumprimos como indivíduos cristãos, e outras que precisam ser cumpridas no contexto da congregação (a igreja local, não a universal). Por exemplo:

1. Trabalhando para sustentar a família (Ef 4.28; 1 Tm 5.8,16). Note que, em 1 Timóteo 5, se faz uma distinção entre a responsabilidade do indivíduo e a da igreja. É somente quando o indivíduo não tem condições de suprir as necessidades mencionadas aqui que a igreja pode ser incumbida (versículo 16). Se a igreja e o indivíduo são a mesma coisa, esse versículo não teria sentido.

2. Envolvendo-se em negócios e profissões (1 Ts 4.11; 2 Ts 3.10; Tg 4.13-17). O indivíduo pode comprar e vender e se sustentar através do comércio. Qual passagem sugere que isso seja a obra da igreja?

3. Pais e filhos no lar (Ef 6.1-4). O indivíduo tem o direito de disciplinar seu próprio filho. Alguém diria que tal disciplina é a obra da igreja?

4. Casamento. Como já observamos, o indivíduo pode ter uma esposa e cumprir seus deveres em relação a ela (1 Co 7).

5. O indivíduo pode participar de exercícios para cuidar do seu corpo. Então, a igreja deve patrocinar academias ou aulas de ginástica?

6. Refeições comuns são para indivíduos. Note que, em 1 Coríntios 11.18-34, Paulo distingue entre o que se faz como "igreja" e o que deve fazer em casa. Isso mostra que há algumas coisas que podemos fazer "em casa" que Deus não quer que façamos "na igreja".

7. A educação dos filhos é responsabilidade da família. Eu posso mandar um filho à escola, mas isso não quer dizer que é responsabilidade da igreja.

8. A família é responsável por atividades sociais e de lazer. Quando a igreja coletivamente se envolve nesses assuntos, ela está fora do seu papel.

O indivíduo tem mais liberdade para agir em vários aspectos da vida do que Deus tem permitido para atividade coletiva da igreja local. Além disso, há decisões e ações individuais que não devem envolver a igreja toda (veja, por exemplo, Romanos 14). Devemos ser muito cautelosos para não confundir o indivíduo com a igreja. O indivíduo deve cumprir suas responsabilidades particulares, e a igreja deve ser a igreja.


segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Recomendação de Leitura do Mês - O Calendário da Profecia (Antonio Gilberto)

 




Por Leonardo Pereira



Grandes livros (obras primas) se destacam pelos seus grandes autores e no âmbito evangélico não é diferente. Temas bíblicos em estudo voltados para a vida humana (antropologia), igreja (Eclesiologia) e a própria Bíblia (Bilbiologia) são fascinantes aos olhos dos estudantes da Palavra de Deus. Contudo, há um tema em que muitos gostam de se aventurar e outros que por receio já o evitam com temor e tremor, que é a Escatologia Bíblia, o estudo do fim dos tempos, um tema bastante complexo mas extremamente interessante e importante para as nossas vidas e as vidas de muitas pessoas. Dentre tantos autores e escritores que escreveram sobre este tema, um tem o seu destaque e grande contribuição para todos, que é o pastor Antonio Gilberto da Silva.

Antonio Gilberto é consultor doutrinário da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, mestre em Teologia, graduado em Psicologia, Pedagogia e Letras, membro da diretoria da Global University nos Estados Unidos e autor dos livros “Mensagens, Estudos e Explanações em 1 Coríntios”, “O Calendário da Profecia”, “O Fruto do Espírito”, “A Bíblia: o livro, a mensagem e a história”, “A Prática do Evangelismo Pessoal”, “Verdades Pentecostais”, “A Bíblia através de séculos”, “Crescimento em Cristo” e “Manual de Escola Dominical”, todos títulos da CPAD, sendo este último o seu maior best-seller, com mais de 200 mil exemplares vendidos.

Muitos se intitulam videntes, astrólogos, magos, adivinhos, futurólogos ou profetas – todas a serviço da credulidade de uns e da sede da verdade de outros quanto ao seu próprio futuro ou ao futuro do mundo e da humanidade. Em meio a essa multidão de crédulos e de falsários, o fiel cristão precisa conhecer o que lhe reserva o futuro. As profecias sempre chamaram a atenção da humanidade, e muitos dos que se disseram profetas não puderam ser reconhecidos como tais, pois suas mensagens são obscuras e nunca se cumpriram.

Para responder a essas e outras importantes perguntas sobre as últimas coisas, o pastor Antonio Gilberto escreve O Calendário da Profecia, um verdadeiro tratado de escatologia. A escatologia, ou o estudo das últimas coisas, trata dos acontecimentos que hão de ocorrer no chamado fim dos tempos. Questões como a volta de Jesus, o arrebatamento da igreja, o domínio do Anticristo e a “grande tribulação”, e o julgamento final dos ímpios são alguns desses temas que fazem parte do calendário da profecia. Esses eventos possuem uma cronologia, uma sequência de atos que estão descritos na Bíblia e que, por meio desta obra, serão apresentados e compreendidos da forma correta.

Nos 11 capítulos deste livro, o autor faz uma análise minuciosa e ensina-nos sobre os principais eventos que estão para acontecer segundo as Escrituras, fechando a obra com um detalhado sumério geral dos eventos escatológicos, aprofundando o leitor ainda mais no assunto e mostrando que a Bíblia é, de fato, a santa e inerrante Palavra de Deus. O Calendário da Profecia é um verdadeiro tratado escatológico sobre eventos que estão para acontecer, referentes ao futuro do mundo e da humanidade. Leia este livro e veja o que Deus reservou para estes dias. Descubra o que há por trás das figuras e símbolos da última mensagem da Bíblia.


terça-feira, 21 de setembro de 2021

Palavras e Vida

 




Por Leonardo Pereira


Vivemos em um período de intensos desafios, tantos internos quanto externos em nossas vidas, nossas famílias e em nossos relacionamentos. O mundo está girando cada vez mais rápido, mais intenso e mais dinâmico cujo alvo é obter os objetivos pessoais ou coletivos o mais rápido possível, pelos meios possíveis da melhor forma possível (seja em uma forma positiva ou negativa). Pessoas estão mais individualistas e o amor está sendo uma palavra mais citada do que praticada, assim como a empatia, a paciência e a moderação de espírito. Jesus avisou aos seus discípulos que o amor de muitos se esfriaria e que uns aos outros se aborreceriam e se odiariam. Ou seja, Ele mostrou-nos o ambiente do presente século (fim dos tempos) de modo à ficarmos vigilantes afim de não sermos enveredados pelo momento em que nos cerca e pelas atitudes do mundo que chegam até nós por meio de informações e notícias que abalam o país e o mundo (televisão, internet, jornal, rádio e sites de notícias). Cristo Jesus tinha plena certeza que ao seu amado povo, deveria se preparar para enfrentar com coragem o fim dos tempos, não deixarmos desenganados quanto o que encontra-se ao nosso redor, e prosseguirmos em suas palavras até o fim de nossas vidas.

O que devemos fazer?

Primeiramente é escutar as Palavras de Jesus Cristo. Em Mateus no capítulo 7, Ele ensinou-nos a quem devemos ser e como devemos fazer no decorrer da vida: "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda" (Mt 7.24-27). Escutando à Cristo e trazendo para sí a sua mensagem do Senhor e Salvador Jesus Cristo guardada em seu coração e sua alma. A maturidade chega quando aquele que põe em prática os ensinamentos do Mestre, nos condiciona à ação, à fazermos a diferença neste mundo imerso em trevas, vivendo prudentemente diante de uma sociedade bastante desvirtuada dos valores cristãos.

Vivendo Verdadeiramente

Diante de tudo o que ouvimos e vemos, o que nós entendemos é que necessitamos viver verdadeiramente na presença do Senhor. Vivendo verdadeiramente não nos garante uma vida calma, branda, tranquila ou até mesmo agradável. Poderemos passar por sofrimentos, tristezas, angústias, lamúrias e desânimos. Quando vivemos de verdade, uma vida regida por Deus, com sabedoria, educação e equilíbrio em nosso cotidiano, estamos completamente nos entregando a um momento especial em nossa jornada: a forte maturidade com responsabilidade em âmbito moral e espiritual. Por isso, é muito mais do que urgente e necessário o conselho de Salomão em nosso tempo: "Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento; Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva; No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas; E as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as filhas da música se abaterem. Como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadore andarão rodeando pela praça; Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu" (Ec 12.1-7).

Conclusão

Não deixemos nos contaminar com a cultura humana da atualidade que nos rodeia e que voltemos a mensagem de nosso Senhor Jesus Cristo. O mundo precisa de Jesus e nós também. Por isso, aproveitemos o nosso tempo para vivermos de acordo com as palavras do Mestre e que usemos a nossa vida da melhor forma possível: entregando todo o nosso ser ao Senhor, confiando n´Ele, crendo que Ele é poderoso para fazer infinitamente mais (Ef 3.20), além de tudo que pedimos e pensamos. O nosso Deus é Fiel!


quarta-feira, 4 de agosto de 2021

A Terra de Israel

 
 
 
Por Leonardo Pereira
 
 
 
O pedaço da terra mais disputado do mundo talvez seja a terra de Canaã. Este lugar, hoje chamado de Israel, ocupa uma faixa bem estreita entre o mar Mediterrâneo e o rio Jordão. Canaã é pequena, contendo uma área bem menor que o estado de Sergipe e menos de uma metade dos metros quadrados de Alagoas. Mesmo assim, esse território tem sido almejado e contestado desde a antiguidade. O que a Bíblia nos ensina sobre esta terra, a quem pertence hoje, e quais são os planos que o Senhor tem para seu futuro?

A História da Terra

Quando Deus chamou Abraão para que deixasse a parentela e fosse para uma determinada terra (Gn 12.1), este foi para Canaã. Ali, ele peregrinou e criou sua família. O Senhor prometeu que daria aos descendentes de Abraão "esta terra" (Gn 12.7), e repetiu a promessa para Abraão (Gn 13.14,15, 17; 17.8), Isaque (Gn 26:3-4) e Jacó (Gn 28.13). O Senhor explicou que o cumprimento ia demorar uns quatrocentos anos (Gn 15.13-16). De fato, 430 anos depois (Êx 12.40,41), o Senhor levantou Moisés que libertou o povo do Egito e o conduziu à terra prometida. Por causa da incredulidade do povo, a realização da promessa demorou mais uma geração (Nm 13-14). Mas finalmente, Israel entrou e conquistou a terra (Consulte o Livro de Josué).

Israel tomou conta de toda a terra que Deus prometeu. "Assim o Senhor deu aos israelitas toda a terra que tinha prometido sob juramento aos seus antepassados, e eles tomaram posse dela e se estabeleceram ali ... De todas as boas promessas do Senhor à nação de Israel, nenhuma delas falhou; todas se cumpriram" (Js 21.43, 45). O próprio Josué afirmou num discurso aos líderes de Israel: "Vocês sabem, lá no fundo do coração e da alma, que nenhuma das boas promessas que o Senhor, o seu Deus, lhes fez deixou de cumprir-se. Todas se cumpriram; nenhuma delas falhou" (Js 23.14b; veja também 1 Rs 4.21; Ne 9.7,8).

Deus deu a terra para o povo de Israel de forma incondicional. Logo antes da entrada do povo na terra prometida, o Senhor explicou: "Não é por causa de sua justiça ou de sua retidão que você conquistará a terra delas. Mas é por causa da maldade destas nações que o Senhor, o seu Deus, as expulsará de diante de você, para cumprir a palavra que o Senhor prometeu, sob juramento, aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó" (Dt 9.5). Os israelitas receberam a terra apenas porque Deus havia garantido aos patriarcas que a daria aos seus descendentes. Mas eles iriam continuar na terra somente por sua fidelidade ao Senhor. Em Deuteronômio 28 e Levítico 26, Deus salientou as maldições que o povo ia sofrer caso quebrasse a aliança, inclusive a expulsão da terra: "Vocês serão desarraigados da terra em que estão entrando para dela tomar posse" (Dt 28.63b). Eles desobedeceram ao acordo que fizeram com Deus múltiplas vezes e apesar de longanimidade enorme, finalmente o Senhor concretizou as maldições contra a nação: Assíria e Babilônia levaram-na em cativeiro.

Depois do exílio, porém, Deus se comprometeu que deixaria o povo retornar para a terra prometida (Dt 30.5). De fato, sob a liderança de Josué e Zorobabel, o povo voltou para a terra de Canaã (veja Esdras). Infelizmente, o povo novamente se afastou do Senhor, e Jesus anunciou que seria expulso da terra mais uma vez. Depois de ter passado um capítulo salientando os erros dos líderes, Jesus decretou: "Eis que a casa de vocês ficará deserta ...Eu lhes garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra; serão todas derrubadas" (Mt 23.38; 24:2). Ele falou que Jerusalém seria destruída naquela geração (Mt 24.34), e assim aconteceu. No ano 70 d.C. o general Tito com o exército romano cercou, conquistou e aniquilou a cidade de Jerusalém.

A Terra Hoje

Não resta mais nenhuma promessa de Deus referente a Canaã. Deus já cumpriu a promessa de dar a terra aos descendentes de Abraão e para deixar o povo voltar após o cativeiro. Quando o povo perdeu a terra pela segunda vez, perdeu todo o seu direito a ela. Em 1948, alguns judeus retornaram, mas este evento não é cumprimento de nenhuma profecia bíblica; é simplesmente um acontecimento político.

As escrituras afirmam nitidamente que não há mais distinção entre judeus e gentios perante o Senhor. "Não há diferença entre judeus e gentios, pois o mesmo Senhor é Senhor de todos e abençoa ricamente todos os que o invocam" (Rm 10.12; Cl 3.11). Qualquer promessa possuída pelos judeus hoje aplica-se igualmente aos gentios, porque Deus não mais diferencia os dois em nada. Todos os servos fiéis ao Senhor são contados como Israel hoje. "Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus. E, se vocês são de Cristo, são descendência de Abraão e herdeiros segundo a promessa" (Gl 3.28,29). O Israel de Deus inclui todos os servos dele independente da sua nacionalidade (Gl 6.16; Rm 4.11-17).

O propósito de Deus na própria escolha de Abraão foi justamente isso: através do seu descendente abençoar todas as famílias da terra. A eleição de Abraão, portanto, não foi destinada a favorecer a família dele, mas a utilizá-la para salvar o mundo. Os profetas do Velho Testamento indicaram que haveria uma época em que judeu e gentio seriam indistinguíveis. "O Senhor dos Exércitos os abençoará, dizendo: 'Bendito sejam o Egito, meu povo, a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança'" (Is 19.25; 19.16-25). Em Cristo, o uso especial de Israel físico cessou, e o povo de Deus se tornou um corpo unido, composto tanto do judeu como do grego.

Resposta a Objeções

Algumas pessoas pensam que Deus tem-se comprometido a dar a terra a Israel hoje por causa da promessa a Abraão: "Toda a terra de Canaã, onde agora você é estrangeiro, darei como propriedade perpétua a você e a seus descendentes; e serei o Deus deles" (Gn 17.8). A noção da perpetuidade da possessão da terra leva algumas pessoas a concluir que o judeu ainda tem o direito a esta terra hoje. Porém, a palavra 'perpétua' no Antigo Testamento não significa algo que nunca cessa. Se fosse assim, os anos que Israel ficou fora da terra no exílio e no intervalo entre 70 e 1948 teriam violado a promessa. 'Perpétuo' em hebraico significa um bom tempo. Note que a circuncisão era 'aliança perpétua' (Gn 17.13), mas sabemos que hoje circuncisão não tem mais nada a ver com nosso relacionamento com Deus (Gl 5.1-4; 6.15). Também o sábado era 'aliança perpétua' (Êx 31.16), mas hoje o sábado não faz mais parte das nossas obrigações perante o Senhor (Cl 2.16,17). Os sacerdotes levíticos eram 'sacerdócio perpétuo' (Nm 25.13), mas o sacerdócio hoje está mudado porque foi impossível alcançar a perfeição por meio do sacerdócio levítico (Hb 7.11,12). Então a idéia de perpetuidade no Velho Testamento se limitava a continuidade naquela época.

Outras pessoas notam as profecias que dizem que o povo de Deus viverá na terra para sempre; por exemplo, "Viverão na terra que dei ao meu servo Jacó, a terra onde os seus antepassados viveram. Eles e os seus filhos e os filhos de seus filhos viverão ali para sempre, e o meu servo Davi será o seu líder para sempre" (Ez 37.25). Os profetas geralmente expressaram as bênçãos espirituais em Cristo em termos ligados com as coisas já conhecidas. Existem várias profecias do Velho Testamento que não se entendem em termos materiais. Neste próprio trecho o Davi que seria o líder para sempre não se referiu ao literal Davi, mas a Jesus, o grande descendente de Davi (At 2.25-36).  Jeremias previu a continuidade do sacerdócio, mas não se referiu ao sacerdócio literal, mas a Jesus, nosso sumo sacerdote (Hb 7-10). "Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e temível dia do Senhor" (Ml 4.5). O Elias não era Elias literal, mas João Batista, um parecido com Elias (Lc 1.17; Mt 11.14; 17.13).  Os profetas disseram que animais seriam oferecidos em sacrifício pelo pecado (Ez 43.19, 22, 25; 45.15, 17), mas não se oferecem animais literalmente hoje. Cristo é o Cordeiro de hoje (Jo 1.29). As pessoas aceitas por Deus, de acordo com os profetas, seriam circuncisas (Ez 44.9), mas a circuncisão em questão é espiritual, do coração (Rm 2.28,29). Os profetas ensinaram que os sábados precisariam ser santos (Ez 44.24), mas os sábados literais não fazem mais parte das nossas obrigações perante o Senhor (Cl 2.16,17). As profecias escritas no Velho Testamento devem ser interpretadas de forma figurada (espiritual), e não de forma literal (material). Por isso, quando lemos que pessoas viveriam na terra para sempre, devemos entender que a terra significa a terra espiritual dos lugares celestiais em que vivemos com Cristo, não a terra literal de Canaã.

Não resta nenhuma promessa de Deus quanto à terra física de Canaã. As promessas de hoje tratam da pátria celestial onde temos nossa cidadania (Fp 3.20,21); almejemo-la.
 
 
 
 

 

 






segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Uma Rua Sem Saída

 




Por Leonardo Pereira



Jeremias dirigiu-se à nação de Judá num esforço final para salvá-la de um desastre nacional. O desrespeito à lei de Deus estava levando a nação para a extinção, e Jeremias tentou em vão chamar o povo ao arrependimento. As circunstâncias do reino são bem descritas neste trecho de Jeremias 5.30,31, onde o profeta transmite às palavras de Deus: "Cousa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém, que fareis quando estas cousas chegarem ao seu fim?"

Deus pôs a culpa em três grupos de pessoas: 1. Os profetas. Aqueles que deveriam ter sido fiéis transmitindo a palavra de Deus ao povo estavam, em vez disso, pervertendo aquela mensagem. Hoje, muitos falsos profetas falam de suas próprias ideias e perpetuam incontáveis doutrinas humanas. Entretanto, Jesus afirmou que suas palavras são a verdade absoluta que nos liberta (Jo 8.32). 2. Os sacerdotes. Os sacerdotes deveriam ter corrigido os falsos profetas, mas preferiram apoiar a propagação das suas mentiras. Os cegos estavam guiando os cegos (Mt 15.13,14). 3. O povo. É triste notar que o povo estava querendo seguir os seus guias cegos. Quando os guias espirituais amam a si mesmos e ao dinheiro, eles não condenarão eficazmente o egoísmo e o materialismo que domina o povo mundano.

Deus convidou seu povo a retornar: "...perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma" (Jr 6.16). Mas a resposta deles ecoa através da história nas palavras dos homens e mulheres rebeldes de todas as eras: "Não andaremos." Se nós recusamos a andar no caminho de Deus, seguimos uma rua de mão única para a perdição. O que você fará no fim? 


sexta-feira, 30 de julho de 2021

Por que pessoas na Bíblia vestiam-se de pano de saco?

 




Por Leonardo Pereira



Pano de saco era um tecido rústico usado em várias aplicações, citado frequentemente na Bíblia como um tipo de vestimenta. Roupas de pano de saco serviam para comunicar certas emoções ou atitudes às outras pessoas. Em termos gerais, a roupa de pano de saco mostrava a angústia da pessoa. Mas, angústia e perturbação podem ser resultados de vários fatores e, por isso, observemos alguns motivos mais específicos para o uso desse tecido.

1. Sinal de tristeza e lamentação, especialmente devidas à morte ou às calamidades (Sl 35.13,14; Is 15.1-3; 32.9-12; Ez 27.29-32; Jl 1.8,13; Am 8.10). Quando Jacó recebeu a notícia (falsa) da morte de José, seu filho predileto, ele "rasgou as suas vestes [outro sinal de angústia], e se cingiu de pano de saco, e lamentou o filho por muitos dias" (Gn 37.34). Quando Abner foi morto, Davi ordenou ao povo: “Rasgai as vossas vestes, cingi-vos de panos de saco e ide prateando diante de Abner” (2 Sm 3.30-32). Quando saiu a ordem do rei da Pérsia autorizando a aniquilação dos judeus, Mordecai “se cobriu de pano de saco e ... clamou com grande e amargo clamor”. Os outros judeus mostraram sua angústia com o mesmo sinal de luto (Et 4.1-3). Este sinal, às vezes, acompanhava a mensagem triste de profetas (Ap 11.3-6).

2. Evidência de humildade, especialmente de um suplicante (Sl 30.8,10-11). Ezequias e os outros líderes de Judá se vestiram de pano de saco quando este entrou na presença de Deus para pedir livramento da ameaça assíria (2 Rs 19.1-3,14-19). Ben-Hadade e seus soldados se vestiram de pano de saco e pediram a clemência do rei Acabe de Israel (1 Rs 20.31,32). Daniel disse: “Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza” (9.3).

3. Demonstração de arrependimento (Mt 11.21; Lc 10.13). Os ninivitas ouviram as advertências do profeta de Deus e se converteram, cobrindo-se de pano de saco (Jn 3.5-9). Depois do cativeiro babilônico, os filhos de Israel jejuaram, trouxeram terra sobre si e se vestiram de pano de saco quando chegaram a confessar seus pecados diante do Senhor (Ne 9.1-4). Na aliança de Cristo, não achamos ordens exigindo o uso de pano de saco, cinzas, etc., mas ainda devemos mostrar mudanças no nosso comportamento como pessoas transformadas pela palavra do Senhor (Rm 12.1,2). Isaías advertiu os israelitas do perigo de usar atos externos insincera mente; a verdadeira conversão precisa ser acompanhada de frutos do arrependimento (Is 58.1-10; cf. Mt 3.8).






quarta-feira, 21 de julho de 2021

Cristo Versus Confusão Religiosa

 




Por Leonardo Pereira



Há uma infindável variedade de filosofias e ensinamentos religiosos, muitos dos quais parecem bem convincentes; contudo são frequentemente contraditórios. Como podemos determinar quais são os certos e quais os errados? Como podemos encontrar a verdade e evitar sermos enganados? A Bíblia contém muitas advertências sobre o falso ensinamento e a possibilidade de engano. Mas as Escrituras também oferecem esperança. Em Colossenses 2:4, Paulo escreveu: "Assim digo para que ninguém vos engane com raciocínios falazes". Paulo estava dando instruções sobre como evitar ser desencaminhado por falsos ensinamentos. O que Paulo ensina em Colossenses, que nos ajudará a entender a verdade e evitar o labirinto desnorteador das religiões conflitantes?

A Grandeza de Cristo

O principal tema do livro de Colossenses é a importância de Jesus Cristo. No capítulo 1, Paulo escreveu sobre ele: "Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as cousas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as cousas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da Igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as cousas ter a primazia" (Colossenses 1.15-18). Cristo é tudo. Ele é nosso Senhor. A meta central e esperança do evangelho é que Cristo viva em nós (1.27).

No capítulo 2, Paulo mostra que a grandeza de Cristo é exclusiva. Todos os tesouros de sabedoria e de conhecimento estão em Cristo (2.3). Não há nenhuma verdade ou entendimento fora dele. A plenitude da divindade está em Cristo (2.9). Não há nenhuma parte da natureza e do ser de Deus que não esteja expressada em Jesus. Achamos nossa perfeição em Cristo (2.10). Nele está a circuncisão espiritual, o perdão e a nova vida (2.11-13). Quando morreu, Jesus tirou o poder das forças satânicas, ganhando sobre eles uma decisiva vitória (2.15). Jesus é a realidade à qual todas a leis, festas e símbolos do Velho Testamento apontavam (2.16,17). Todo o crescimento do corpo depende de Cristo, que é a cabeça (2.19). Qualquer busca da verdade, do entendimento, ou do crescimento espiritual fora de Cristo com certeza vai falhar.

O capítulo 3 continua a ressaltar a centralidade de Cristo: "Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as cousas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas cousas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória" (Cl 3.1-4). Tendo sido ressuscitados com Cristo, ele tem que se tornar nossa verdadeira vida. Cada relação na família e dentro da sociedade depende do Senhor Jesus (3.18-4.1). De fato: "Cristo é tudo em todos" (3.11).

Cristo possui toda a autoridade. Para entender a verdade e evitar a confusão, temos que ter uma forte convicção da supremacia de Cristo (2.2). Tudo o que ele diz é absolutamente certo; tudo o mais é absolutamente inútil. Cristo é a vereda, a árvore, o edifício, a escola. Temos que caminhar nele, enraizarmo-nos nele, sermos edificados sobre ele e sermos ensinados por ele (2.6,7). Uma palavra do Senhor tem mais valor do que uma tonelada de ideias e opiniões dos homens.

Aplicações

Paulo especificamente aplicava estes princípios. Ele até parece estar discutindo religião no Brasil dos anos 90.

Filosofias humanas:

"Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo" (Cl 2.8). Muito ensinamento religioso de hoje em dia tem sua origem na sabedoria, tradições e superstições dos homens, não em Cristo. A fascinação sedutora do entendimento e da pesquisa humana é um dos principais apelos de religiões tais como a maçonaria, a rosacruz e o espiritismo. Até mesmo as ênfases dentro das religiões "cristãs" sobre poderes especiais associados com vários objetos santos, peregrinações a santuários e preces poderosas recitadas são apelos às tradições e filosofias dos homens. Se não é o que Cristo revelou, então é sem valor. A proteção contra o engano é perceber que em Cristo está todo o conhecimento.

Religião que ressalta o poder do diabo: "E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz" (Cl 2.15). Algumas igrejas esquecem a arrasadora vitória que Jesus teve sobre Satanás e suas forças, e terminam ressaltando o poder do diabo mais do que a grandeza de Cristo. Elas concebem fórmulas e meios humanos para tentar escapar da influência do diabo. Estes métodos parecem ajudar somente por curto tempo; o diabo continua retornando. Mas Cristo venceu Satanás. Que absurdo é para aqueles que receberam o benefício da vitória de Cristo, voltarem ao domínio daquelas forças que ele derrotou.

Leis do Velho Testamento:

"Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das cousas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo" (Cl 2.16,17). Deus planejou as leis e as comemorações do Velho Testamento para serem sombras de Cristo. Agora temos a Cristo, que é a plenitude da divindade. Ele é a realidade. Retornar às sombras é tolice.

Visões, anjos e revelações:

"Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal" (Cl 2.18). Quando entendemos que em Cristo está a perfeição, veremos claramente que nenhuma visão, nenhuma comunicação de um anjo ou de um espírito, e nenhuma revelação de um profeta moderno tem qualquer valor (Gl 1.6-9). As religiões frequentemente oferecem algo mais: É ótimo ter Jesus e sua palavra, mas o que realmente precisamos é de uma profetisa como Ellen G. White, um livro como o livro de Mormon, uma revista como Sentinela ou as mensagens do mais recente autonomeado profeta. Estes são "os raciocínios falazes"; cuidado!

Preceitos extras:

"Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquilo ou outro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas cousas, com o uso, se destroem. Tais cousas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade" (Cl 2.20-23). Paulo fala das tentativas para conseguir mais espiritualidade acrescentando preceitos e regulamentos humanos. Estas restrições ascéticas parecem ser sábias, mas são inúteis, porque se originam nos homens. As igrejas têm produzido centenas de preceitos, proibindo seus seguidores de participar de prazeres lícitos, na tentativa de evitar a contaminação pelo mundo. Frequentemente estes preceitos parecem razoáveis. Algumas pessoas fazem dos esportes o seu deus, então as igrejas condenam toda a participação no futebol. 

Conclusão

Muitos programas de televisão são sensuais e violentos, assim fazem um pecado ter um aparelho de televisão em casa. Algumas calças compridas são sensuais, então passam um preceito que a mulher não pode usar calça comprida nenhuma. Algumas pessoas ressaltam exageradamente a aparência externa, por isso proíbem o uso de toda a pintura e joias. E a lista continua. O que está acontecendo? Em vez de estarem satisfeitos com a perfeição em Cristo, as pessoas estão tentando ser "melhores" do que o ensinamento de Jesus. Quando os fariseus tentaram a mesma abordagem, eles encontraram a contundente reprovação do Senhor (Mc 7.1-13; Mt 15.1- 23). O que as igrejas aprenderam é que é mais fácil fazer com que as pessoas obedeçam a uma lista de regras humanas externas do que experimentar a transformação espiritual interna que Cristo exige. Mas os preceitos humanos não agradam a Deus. 


sexta-feira, 2 de julho de 2021

A Nossa Verdadeira e Plena Esperança é Jesus Cristo, o Filho de Deus!

 




Por Leonardo Pereira,



A história da humanidade desde a existência do mundo como todos nós conhecemos, está repleta de relatos sobre como as pessoas buscavam por diversas formas a plena verdade de quem são realmente de fato, e o motivo ou a causa de estarem vivendo neste planeta. Filósofos, cientistas, escritores, dramaturgos, físicos, médiuns, políticos, embaixadores de nações, pedagogos e ideólogos já retrataram variadas razões de pessoas estarem vivendo e existindo no planeta terra. Entretanto, apesar de muitas pessoas com uma considerável reputação nacional ou mundial trazer ao povo enumerados motivos para a sua existência, muitas respostas são desprovidas de razões físicas, espirituais, morais e principalmente, no que tange ao porvir do ser humano, o pós-morte, o futuro de sua alma, a resposta não ao fim daquele que andou sobre a terra, mas daquele à quem pertencerá na eternidade. Diante das dúvidas e questionamentos que muitos fazem sobre o futuro, na vida e na morte, o apóstolo Paulo, o doutor dos gentios, escreveu a Segunda Epístola aos Tessalonicenses para que os cristãos e os novos convertidos pudessem conhecer mais a respeito do futuro da igreja, do destino da humanidade e principalmente, o destino de todos os cristãos fiéis em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador. Mais do que lermos uma pequena epístola, é entendermos que à muito em quem um cristão deve fidelidade e para que se preparar ao decorrer de sua vida, tanto na terra, quanto na eternidade.

O Destino da Humanidade no Porvir

Antes de propriamente entramos na temática deste artigo, é fundamental conhecermos dois fatores que regem a Segunda Epístola do Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses de forma vital à todos nós: O Destino da Humanidade no Porvir e o Destino da Igreja ante os Últimos Dias. Comecemos primeiramente com o Destino da Humanidade no Porvir. Sobre a questão da eternidade do homem a Palavra de Deus deixa claro em diversas passagens que a vida do ser humano não acaba em um velório, em um enterro, em um caixão que irá para debaixo da terra. Antes de tudo, no início de todas as coisas, o Senhor concedeu a Adão, o fôlego de vida, e ele foi feito alma vivente (cf. Gn 1.24). Ainda que o nosso corpo pereça, temos dentro de nós, uma alma que possui a eternidade pelo próprio Deus, mas com o destino de acordo com o que cremos e vivemos (cf. Rm 1.21). Diversas passagens da Bíblia Sagrada afirmam de maneira categórica que todos nós haveremos de ter momentos a serem resolvidos na eternidade. Na Epístola aos Hebreus é-nos citado que "aos homens está ordenado morrer uma vez, vindo depois disto o juízo" (Hb 9.27). Em 2 Coríntios 5.10, vemos que todos nós passaremos pelo tribunal de Cristo, para que viemos à ser julgados, e recebermos os méritos por tudo que fizemos em vida, quer seja para o bem ou para o mal (2 Co 5.10). Jesus Cristo afirma também que não devemos temer aqueles que somente matam o corpo e depois não tem mais o que eles possam fazer. Devemos antes temer aquele que tem o poder não somente de fazer perecer o corpo e a alma (Mt 10.28). Paulo, enfatiza que a sua Coroa de Justiça já encontra-se reservada à ele no Dia do Senhor, ou seja, na eternidade com o Senhor (cf.2 Tm 4.6-8). Jesus Cristo cita-nos que aquele quem nele crê já tem a vida eterna, e não entra em condenação pois já passou da morte para a vida (cf. Jo 5.24). São inúmeras passagens que cita-nos acerca da eternidade, seja na salvação ou na condenação, com o Senhor ou longe de sua presença (Ap 22), mas que enfatizo algumas para entendermos os fundamentos do destino da humanidade no porvir.

O Destino da Igreja ante os Últimos Dias

No Livro de Atos no capítulo 17.21, o apóstolo Paulo afirma ao povo grego no Areópago que "Deus já determinou um dia em que haverá de julgar o mundo, por meio do varão que destinou (O Senhor e Salvador Jesus Cristo), e deu certeza disto a todos, ressucitando-o dentre os mortos". Aqui, Paulo está se referindo ao julgamento da humanidade semelhante à 2 Coríntios 5.10. Partindo deste pressuposto, tanto Paulo quanto Pedro abordam o destino da igreja em momentos similares ao decorrer do desenrolar da história da humanidade. Paulo por exemplo trata acerca dos "tempos trabalhosos" com o seu filho na fé Timóteo (cf. 2 Tm 3.1-5), da inconstância dos Gálatas em recusarem a graça de Deus mediante a Salvação que Cristo nos concedeu na Cruz do Calvário, em detrimento da observância da Lei Mosaica (cf. Gl 3.1-4.31). Pedro por outro lado, transmite ao povo de Deus acerca dos escarnecedores para com a Segunda Vinda de Cristo e a benignidade de nosso Senhor para que muitos venham a ser arrepender e prepararem-se para a "Parousia" a volta de Jesus Cristo para buscar a sua amada e honrosa Igreja (2 Pe 3.1-9), o perigo dos falsos mestres (2 Pe 2.1-3) e os sofrimentos que devemos e teremos de passar por amor a Jesus Cristo (cf. 1 Pe 4.12-19). Estes são alguns dos sinais claros e precisos que marcam o destino da Igreja de Cristo nos últimos dias: Uma igreja sofredora e fiel a Jesus Cristo, que luta de maneira ardorosa contra os falsos mestres, as falsas profecias, que é perseguida, afligida, confrontada das mais diversas formas para fazer o povo de Deus sofrer ainda em vida, o que é a prova mais viva do que nunca que a chegada de Cristo está mui perto!

A Segunda Cara da Igreja de Tessalônica - Uma Luz para o Mundo em Trevas

Na segunda carta de Paulo aos tessalonicenses, o doutor dos gentios lida de forma bastante dinâmica e didática para com os seus irmãos em Cristo. Paulo fala sobre o aparecimento do Anticristo, as suas intenções de querer parecer ser Deus de todas as formas possíveis, a Vinda de Cristo e sobre o cuidado que os Tessalonicenses devem possuir em sua conduta moral e espiritual. Ao que tudo indica pelo decorrer da segunda carta do apóstolo, a igreja em Tessalônica buscou verdadeiramente compreender a mensagem de Paulo à congregação mas se equivocaram em entender algumas questões como o destino da igreja, a vinda de Cristo Jesus, o trabalho, o zelo para com o seu próximo e como devem se preparar para o porvir. Apesar de ser uma carta pequena, de apenas três capítulos, é uma das obras do Novo Testamento que mais se aprofunda no zelo do entendimento das Sagradas Escrituras, que mais aborda sobre o Anticristo, corrige algumas questões doutrinárias e aborda com objetividade a Segunda Vinda de Jesus Cristo. Tamanho conteúdo assim jamais deverá ser ignorado ou esquecido à Igreja de Cristo.

Recomendações na Leitura desta Epístola

Algumas recomendações e considerações na leitura da Segunda Epístola do Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses são necessárias serem feitas. A primeira delas é ler a Primeira Epístola do Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses. Ainda que possa entender a segunda epístola sem ler a primeira, lerem as duas em sequência lhe ajudará a conhecer com maior amplitude a mensagem que Paulo ministrou na vida daquela comunidade e que serve á todos nós de maneira atemporal e atual. A segunda recomendação é conhecer a história da cidade de tessalônica e as datas das duas epístolas. Obras expositivas com temática acerca dos tessalonicenses, comentários bíblicos e um bom atlas bíblico lhe ajudarão em muito no conhecimento da região, da igreja da época e das cartas escritas pelo apóstolo Paulo. A terceira e última recomendação é ler esta epístola duas vezes. Leia primeiramente em uma Bíblia em uma versão que lhe seja de fácil entendimento e depois em uma bíblia de estudo. Ambas as leituras lhe auxiliarão em trazer a você um conteúdo rico e poderoso em sua vida. Por fim, antes de iniciar todas estas etapas, ore ao Senhor. Clame a Deus afim de que lhe ajude e o auxilie no entendimento desta epístola com mensagens importantes e cruciais para nossas vidas. Somente com o auxílio do Senhor é que podemos entender a sua mensagem e a sua aplicação em nosso dia-dia.

Que o Senhor nos ajude na compreensão da sua mensagem!



Referências:

Bíblia Sagrada. Almeida Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

CARLOS, José. Vida Santa e Irrepreensível. São Paulo: Evangelho Avivado, 2016. 

DOWLEY, Tim. Pequeno Atlas Bíblico. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

LOPES, Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. São Paulo: Hagnos, 2008.

RENOVATO, Elinaldo. 1 e 2 Tessalonicenses. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.


quinta-feira, 10 de junho de 2021

O Bom Combate

 




Por Leonardo Pereira



“Combate o bom combate da fé” (1 Tm 6.12).


Nas orientações que Paulo deu para Timóteo, um evangelista mais novo que havia auxiliado este apóstolo no seu trabalho durante aproximadamente 15 anos, ele falou várias vezes da importância de combater o bom combate.

A figura de soldados em guerra é comum nas Escrituras, especialmente no Novo Testamento, para enfatizar a natureza do conflito entre o certo e o errado, a verdade e o erro, a vida e a morte. Noções da coexistência harmoniosa do bem e do mal, como encontradas no confucionismo, gnosticismo e outras filosofias, simplesmente não fazem parte do ensinamento bíblico. O servo do Senhor vive em guerra contra toda forma de pecado.

Até entre supostos seguidores de Jesus, o espírito ecumênico que influencia muitos valoriza a harmonia sincretista de ideias e doutrinas contraditórias. O servo do Cristo não vive para contender (2 Tm 2.24), ou seja, não demonstra uma atitude briguenta e facciosa, mas não recua da batalha quando os adversários atacam a fé no Senhor. Diplomatas não precisam de armadura. Se o sincretismo religioso fosse a vontade de Deus, ele não teria ensinado sobre a batalha. O mesmo apóstolo que condenou facções (Gl 5.20) foi incumbido da defesa do evangelho e elogiou os outros que participavam desta guerra (Fp 1.7,16). Ele ensinou aos cristãos a se revestirem “de toda a armadura de Deus” e a tomarem “a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Ef 6.11,17).

Paulo alertou sobre o perigo de mudar a natureza desta guerra. Os servos de Deus são limitados nas suas armas. Para estes soldados, é vedado o uso de armas carnais na guerra espiritual: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão” (2 Co 10.3-7).

Vamos lutar contra o pecado em nossas próprias vidas. Vamos defender o evangelho puro contra as distorções das doutrinas humanas. Mas vamos usar as armas certas!


terça-feira, 8 de junho de 2021

Recomendação de Leitura do Mês - Justiça e Graça - Natalino das Neves

 




Por Leonardo Pereira



Geralmente, obras de cunho teológico são de fácil acesso e busca por muitos estudiosos das Escrituras Sagradas na atualidade. Não raramente, são conhecidos pelo seu destaque em temáticas acadêmicas, de âmbito moral e espiritual, muito comuns em nossos dias e para a nossa edificação. Foi pensando nisso que neste mês de Junho de 2021, o Ministério Bíblico Evangelho Avivado traz até vocês a obra Justiça e Graça - Um Estudo da Doutrina da Salvação na Carta aos Romanos, escrita pelo pastor e doutor em Teologia Natalino das Neves

Destaque do Livro

A Epístola aos Romanos é um dos escritos com maior profundidade teológica e, ao mesmo tempo, com o cuidado pastoral do apóstolo Paulo. Nela, o apóstolo faz um espetacular tratado para demonstrar que a justificação se dá por meio da fé, e não pelas obras. Ela é singular por ter sido um importante veículo de reavaliação teológica em toda a história das ideias cristãs e do protestantismo. Basta lembrar a importância que teve no processo de transformação da vida dos mais variados líderes durante a história de igreja entre eles: Agostinho, Martinho Lutero, William Tyndale, John Wesley e Karl Barth. O autor destaca alguns dos maiores especialistas nesta epístola do apóstolo Paulo e condensa todo o seu conhecimento em trazer ao povo de Deus um rico conteúdo bíblico e teológico.

A Mensagem de Romanos

Romanos é um livro de ensinamento profundo e rico. Nela Paulo mostra o problema de todos os homens: “Não há justo, nem um sequer” (Rm 3.10); “...pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23); “...o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23); “...a morte passou a todos os homens, pois todos pecaram” (Rm 5.12). Mas a mensagem é esperançosa, não pessimista. Paulo descreve o evangelho como “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). Pecadores são “justificados gratuitamente, por sua graça” (Rm 3.24). “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). “...o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23).

Por que ler Justiça e Graça?

A carta aos Romanos anima os santos nas suas batalhas diárias contra a tentação e outras provações: “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.... muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Rm 5.9,10). “...muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de ... Jesus Cristo” (Rm 5.17). Paulo afirma que todas as três pessoas divinas lutam para o nosso bem: “...o mesmo Espírito intercede por nós” (Rm 8.26,27). “...Cristo Jesus...também intercede por nós” (Rm 8.34). “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8.31). A participação ativa de Deus em nossa salvação leva a conclusão vitoriosa: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.37).

A Ênfase da Obra

Mesmo tratando de alguns fatos complexos e difíceis de serem compreendidos pelos leitores (até hoje), Paulo comunica sua confiança total na sabedoria de Deus: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos” (Rm 11.33). Como é o costume nas cartas de Paulo, os últimos capítulos de Romanos oferecem diversas aplicações práticas dos princípios apresentados. Reconhecendo a grandeza da graça salvadora de Deus, devemos nos conduzir como servos fiéis, mostrando reverência para com o Senhor, e bondade para com os outros homens.

Recomendação

Justiça e Graça de Natalino das Neves é uma obra rica, dinâmica e objetiva. O autor lida com o tema de modo claro e direto tanto aos jovens quanto aos mais experientes na fé. Aos que estão começando na jornada da fé cristã, é uma obra que lhes ajudará muito em conhecer mais profundamente a Doutrina da Salvação (Soteriologia), bem como compreender o quanto a Epístola aos Romanos é de suma importância para todo o povo de Deus. Aos mais experientes, é uma excelente fonte de dados e de acréscimos de conhecimentos no estudo desta epístola e na preparação para uma vida cotidiana de excelência. É uma obra que contribui em muito à toda nação brasileira.


quinta-feira, 27 de maio de 2021

Jesus, o Caminho para sair da Confusão Religiosa

 




Por Leonardo Pereira



Quando Deus deu sua lei, através de Moisés, a Israel, ele não providenciou a divisão de seu povo em seitas e partidos. Mas, na época em que Jesus veio ao mundo, as seitas e os partidos estavam bem fixados. Havia fariseus, saduceus, essênios e, sem dúvida, outros. Supunha-se que todos os que eram sérios a respeito de religião, seriam associados a uma dessas seitas. A qual destes partidos Jesus pertenceu? Todos têm que concordar que ele não pertenceu a nenhum deles. Ele manteve sua independência; até o fim ele manteve relação com Deus sem pertencer a nenhuma seita. Por esta razão, todos se opunham a ele.

Jesus não providenciou para que seus seguidores fossem divididos em seitas e partidos. Ele, antes, desejava que pudessem ser unidos. Depois de orar por seus apóstolos, ele acrescentou: "Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti; também sejam eles em nós…" (Jo 17.20,21). Através dos anos, contudo, desenvolveram-se divisões e estas se perpetuaram pela escrita dos credos e da formação de organizações denominacionais. O resultado é que, agora, entre os seguidores que professam ser de Jesus, há muitos corpos (denominações), muitos senhores (autoridades religiosas), muitas fés (credos) e muitos batismos.

Que diferente é a situação presente da unidade descrita no Novo Testamento: "…há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos" (Ef 4.4-6). Muitos, hoje em dia, lamentam a divisão entre os crentes e o desejo deles é que tal não existisse. Eles desejam a união de todas as grandes denominações e estão trabalhando diligentemente para esse fim. Mas admitem que, até que isto seja conseguido, não há nada que um indivíduo possa fazer a não ser juntar-se a uma das divisões existentes e manter um espírito bondoso e tolerante. Nada no ensinamento ou na prática de Jesus apóia esta concepção de unidade.

Jesus não se encarregou de convocar uma conferência ecumênica designada a efetuar uma fusão dos fariseus, saduceus e essênios numa super-seita. Nem orou para que seus discípulos pudessem unir-se numa super-denominação. Ele orou, antes, para que os crentes individuais se unissem nele e no Pai. Seu ensinamento foi designado para trazer indivíduos de doutrinas e tradições dos homens para a simples palavra de Deus. Através de seu ensinamento e exemplo, ele absolutamente pode ser para nós o caminho para sairmos da confusão religiosa.

A Igreja do Senhor

Jesus prometeu construir sua própria igreja. Ele disse: "…sobre esta pedra edificarei a minha igreja…" (Mt 16.18). Ele prometeu construir só uma igreja e ela seria dele. A rocha sobre a qual ela tinha que ser edificada não era Pedro, mas a verdade que Pedro confessou: "Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo" (1 Co 3.11). A palavra igreja significa "convocado". Pregando o evangelho no dia de Pentecostes, Pedro e os outros apóstolos "convocaram" aqueles que creram em Jesus.

"Ouvindo eles estas cousas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo" (At 2.37,38). "Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas" (At 2.41).

Este foi o começo da igreja. Ela era composta por todos os que foram salvos por Jesus Cristo e continuou a crescer na medida em que outros eram salvos: "…acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos" (At 2.47). Grupos destas pessoas salvas encontravam-se em várias cidades e cada grupo era uma igreja. Ainda que unidos em Cristo, eles eram independentes de qualquer associação ou federação humana. Cristo os dirigia através de seus apóstolos inspirados, ensinando-lhes como deveriam adorar e trabalhar juntos.

Para Evitar a Divisão, Seguir a Jesus

Se obedecermos às mesmas instruções que Pedro deu no Pentecostes, arrependendo-nos de nossos pecados e sendo batizados em nome de Jesus Cristo, nós também seremos salvos. Quando formos salvos, o Senhor nos acrescentará à sua igreja, como acrescentou aqueles cristãos. Eles não se ligaram a nenhuma outra organização religiosa; nem devemos nós nos ligar também. Em Cristo somos unidos com todos os outros que estão nele.  Assim entrando na igreja do Senhor, teremos que estudar cuidadosamente a descrição dessa igreja no Novo Testamento. Isto é encontrado no livro de Atos e nas cartas que se seguem a ele. Desde que os apóstolos foram guiados pelo Espírito Santo, podemos ficar certos de que as igrejas sob sua instrução eram exatamente o que Jesus queria que fossem. Se imitarmos essas igrejas primitivas, o Senhor se agradará de nós.

Imitar uma igreja do Novo Testamento talvez não seria tão difícil como se possa imaginar. Talvez você encontre um grupo independente de cristãos, seguindo o padrão do Novo Testamento, já fazendo reuniões em sua cidade. Se não, apenas dois ou três que tenham o mesmo propósito podem encontrar-se e adorar juntos de modo aceitável. Nenhum grande edifício de igreja faz-se necessário (havia igrejas no primeiro século que se reuniam nas casas  - Romanos 16.5; 1 Coríntios 16.19). Nenhum sacerdócio ordenado por homens é necessário, desde que todos os cristãos são sacerdotes (1 Pe 2.5). Nenhum alvará de nenhuma organização é necessário, porque a única afiliação é com o corpo de Cristo. Jesus disse: "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mt 18.20).


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

A Parábola da Figueira

 




Por Carlos Alberto Junior

Texto principal: "Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quanto já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão. 33: Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas. 34: Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam" (Mt 24.32-34). (Almeida Corrigida Fiel, 1995. ACF)1.

Introdução 

Esse foi um dos sermões escatológicos, que Jesus Cristo ensinou aos discípulos, é uma continuação do capítulo 24 de Mateus, que se inicia com uma mensagem de despertamento, acerca da sua segunda vinda. A Citação da Parábola da Figueira (Mt 24.32-34) é considerada uma mensagem de vigilância, acerca dos acontecimentos que antecedem a vinda de Cristo. 

O que é Parábola? 

Parábola significa uma história curta ou comparação baseada em fatos verdadeiros com o fim de ensinar lições a respeito do Reino De Deus. Jesus cita a parábola da figueira para explicar aos seus discípulos os fatos da sua segunda vinda, era muito comum o Mestre, ensinar ao povo e a os seus discípulos por Parábolas (cf. Mt 13.10). 

O que é Escatologia? 

A Escatologia é a aérea da teologia sistemática onde aprendemos os fatos vindouros, ou seja, o ensino das últimas coisas, baseada em passagens dos textos Neo-Testamentários. Dentre as áreas escatológicas que nós Pentecostais (alguns) conhecemos, e, que é praticada pelas maioria das Igrejas (Pentecostais, Carismáticas e Outras), por Teólogos e Seminário Pentecostais, classificamos de visão pré-tribulacionista, entretanto alguns pentecostais aderem o pós-tribulacionismo. 

Segundo a declaração de fé das Assembleias de Deus: 

Cremos, professamos e ensinamos que a Segunda Vinda de Cristo é um evento realizado em duas fases. A primeira é o arrebatamento da Igreja antes da Grande Tribulação, momento este em quem “nós, os que ficamos vivos, seremos arrebatados" (1 Ts 4.17); a segunda fase é a sua vinda em glória depois da grande tribulação e visível aos molhos humanos: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o transpassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim! Amém!" (Ap 1.7). 

Como lermos, acima, a posição da Declaração de Fé Assembleias de Deus é Pré-Tribulacionista, isto é, a Igreja não passará pelo evento da Grande Tribulação, tempo de 7 anos, considerado como um da dispensação da Igreja e o Milênio. 

Interpretando Parábola da Figueira

Mateus 24.32; Aprendei, pois, está parábola da figueira {...} ( parte a, ACF). 

A Figueira na Bíblia é uma planta que pode atingir 6 metros de altura com folhas, no contexto de Mateus 24, Jesus cita a figueira, cujo representa a ISRAEL. A nação Judaica é comparada a três arvores na Bíblia Sagrada. Vinha (Is 5.1-7) este foi o conceito de Isaías e outros profetas dos Antigo Testamento. Oliveira (Rm 11.17) este foi o conceito de Paulo por amor de seus argumentos. E por ultimo a Figueira, conceito de Jesus em relação a Israel (Mc 13.28). Embora a bíblia mencione a palavra figueira cerca de 50 vezes, a figueira da parábola de Mateus 24.32, significa a nação de Israel. Essa nação que desde os tempos de Abraão, Isaque, Jacó, Moises e os Profetas do Antigo do Testamento, tem rejeitado o Messias à dois mil atrás. Jesus quando se iniciou o seu ministério terreno, era odiado pelos fariseus e religiosos da época, isso se da o fato, da nação de Israel, ver Messias como um Rei prospero, se examinamos as escrituras, percebermos que as características do Messias, o Cristo, encarnado, era de um homem simples. Encontramos vários aspectos e circunstancias na Bíblia em que o Messias, foi rejeitado por alguns Judeus e Grupos Religiosos. 

Jesus rejeitou Israel? 

Diferentemente do pensamento dos judeus da época de Jesus, a promessa descrita em Isaias 7.14 se cumpriu (cf. Mt 1.22,23), o menino estava crescendo em sabedoria e estatura (Lc 2.52). A sua inteligência faziam com que os religiosos da sua época o admirasse (Lc 2.47). O evangelho de Lucas (Lc 3.23) afirma que Jesus tinha trinta anos na época que começou o seu ministério terreno. O proposito da vinda do filho do homem, não era estabelecer um reino terreno permanente, os judeus tinha uma ideia errada ao seu respeito, achavam que Ele viria montado em um cavalo branco, que sua personalidade, seria de um Líder próspero ou ocupar uma posição de destaque em Israel. A Bíblia afirma que na sua primeira vinda, Ele veio montado em um jumentinho (Mc 11.1-11), ao entrar em Jerusalém, o povo clamava Hosanas, essa expressão vem do hebraico que Literalmente, salva, suplico-te, em hebraico, Israel clamava por um salvador, mas anos depois os mesmos crucificaram-no. 

A Salvação era só para os Judeus? 

O povo judeu clamava por salvação, de fato, a bíblia diz, que, Jesus veio para os da casa de Israel (cf. Mt 15.24).Lendo a passagem da Mulher Sírio Fenícia, descrita em Mateus 15 a seguir, entende-se que Israel estava em lugar de destaque, isto se da, pela chegada do Messias (Jesus Cristo); mas ao lermos João 3.16, a mensagem de salvação para Israel, já não é de forma tanto particular. Nicodemos estava ouvindo que a salvação não era somente para Israel, mas sim para todo mundo, isto é, para aqueles que reconhecessem o Messias como seu salvador. O Messias veio salvar a todos quanto se se arrepende dos seus pecados. Lendo esses textos podemos gerar dúvidas e contradições. Através dessa explicação a luz da bíblia entende-se que: 

O texto de Mateus 15.24, é o relato da passagem da mulher cananeia, Jesus afirmou que veio para as ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 15.24),essa era a sua missão, os judeus esperavam o Messias, Mas eles mesmos o rejeitou (Jo 11.1). Jesus não negligenciou a obra da redenção, mesmo sendo rejeitado pelos judeus, Ele não deixou de atender a suplica da mulher sírio fenícia, uma gentílica e pecadora, mas que mesmo sendo de outro povo, foi alcançada pelo milagre.

Resumidamente a salvação foi dada para aqueles que reconhecessem Jesus, como salvador, o que aparentemente era uma mensagem exclusiva, se tornou a esperança a todos os povos e nações. No evangelho de João no seu capitulo 10 e versículo 16, Jesus disse que ainda tenho ovelhas que não são deste aprisco, Ele se referia a outros povos, o bom Pastor veio dar vida para os perdidos. Os judeus ficaram divididos, depois de ouvir as palavras descritas no mesmo capitulo 10 de João, eles se sentiam exclusivista, a ponto de não aceitarem que o Messias anunciasse a sua palavra as outras nações e povos. Uma das grandes provas que a mensagem de salvação alcançou outros povos esta descrito na passagem da mulher Samaritana (cf. Jo 4). 

O verão está próximo

32: Quanto já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão. 

A expressão verão citada por Jesus, refere-se o tempo de cultivo e colheita da figueira. A folha da Figueira diferente de muitas arvore na Palestina, caem antes do calor do verão começar a produzir novas folhas. Jesus cita a figueira em Lucas 21.29; Olhai para figueira, e para todas as arvores. Quando Jesus disse que está próximo o verão, ele se referia a Israel, ou seja, a Figueira que brotaria no tempo certo. No ano 70.d, a figueira secou-se de acordo com as palavras proféticas de Jesus (Lc 13.8,9) e durante quase dois mil anos que se seguiram, a nação de Israel se transformará profeticamente numa nação infrutífera. Mas apesar de tudo, a promessa de Deus é de restauração, e em 1984, Israel tornou-se uma nação com terra própria, governo e moeda, mas espiritualmente nação ainda estéril e fria. Mas nacionalmente podemos dizer que seus ramos são tenros e verdes. No verso 33 de Mateus 24, Jesus disse: [...] que, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele, está próximo; a expressão destas coisas, significa os acontecimentos que antecedem a segunda vinda do Messias (Jesus Cristo),a pregação do evangelho do reino em todo mundo, e também os sinais referentes a nação de Israel. 

Estamos vivendo em uma pandemia global, uma crise mundial, milhares de vidas mortas, descaso social, isso nos mostra um grande sinal da tão esperada vinda de Cristo. Um dos sinais é a guerra politica entre países, a pandemia tem mobilizado cientistas de todo mundo, com a criação de vacinas e medicamentos, conhecidamente Israel está entre os primeiros a ter um medicamento com elevada eficácia. Como sempre Israel sempre na frente, isso não chama a sua atenção? 

Qual Geração Jesus se referia em Mateus 24.34? 

34: Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam. 

Primeiramente a expressão geração pode ser entendida como raça ou idade de idade, por outro lado a palavra geração na bíblia significa os homens de uma época. 

  1. HOMENS DO PASSADO (Jó 8,8);
  2. HOMENS DO FUTURO (Sl 22.21); 
  3. HOMENS DO PRESENTE, isto é desta geração (Lc 16.8);

Mas que geração Jesus se referia? 

Como afirmamos o sentido da palavra geração pode ser considerado como raça ou homens de uma época, agora nos resta a duvida, que geração é essa?  Segundo eruditos, a geração em Mateus 23.34, refere-se a nação de Israel, Jesus estava profetizando que os israelitas sobreviria para ver as coisas realizadas. Acredita-se que Jesus estava profetizando que o Israel nacional continuaria com a sua rejeição a Cristo, até a sua segunda Vinda (gr. parousia). No Comentário Bíblico Pentecostal as palavras estas gerações tem se levantado muitas perguntas. 

  1. Jesus esperava que a destruição de Jerusalém e a segunda vinda sucedessem dentro do período de vida daqueles que o ouviam? 
  2. A expressão são (todas essas coisas) só se refere ao julgamento de Jerusalém,, ou abrange também todos os eventos apocalípticas, tribulação, sucessão de guerras, fomes e terremotos? 
  3. Jesus estava equivocado ao presumir que sua Vinda se seguiria logo após a queda de Jerusalém, visto que Ele diz só Deus Pai sabe o dia? (v.36)? 
  4. Tratava-se de uma retratação? 

Em resposta a estas questões, primeira temos de perguntar o que Jesus quis dizer por geração (gr. genoa). Esta palavra significa o período de vida de uma geração que alcança a velhice, ou pode significar raça. Aqui talvez signifique que os judeus ainda existirão quando ele voltar. Além disso, o que Jesus dizer quer por sua aparição? É sua Ressurreição? Neste ponto Lucas diz que o se (Reino) está próximo (Lc 21.31). Em certo sentido os judeus tinham visto e estava prestes a ver a realização do Reino em etapas-----os milagres, a transfiguração, a ressurreição e a ascensão de Jesus. Isto estaria de acordo com o os repetidos cumprimentos que culminarão num cumprimento final. Jesus tem em mente os acontecimentos imediatos de julgamento sobre a nação judaica (Israel), e quando Ele se refere a (todas essas coisas). 

Severino Pedro (In-Memoriam) escreve que o termo geração se aplica também aos homens de uma época ou grupo especifico. Podemos classificar três gerações no contexto bíblico: Gentios partindo de Adão, Judeus, partindo de Abraão, davam agora inicio a uma nova geração que foi denominada por de Deus como sendo "santa" (Êx 19.6) e aos cristãos partindo de Cristo, formam agora a nação santa (1 Pe 2.9).

Referenciais Bibliográficas: 

ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Sagrada. Sociedade Bíblica Trinitariana, 1995. 

COMENTARIO BÍBLICO PENTECOSTAL. Novo Testamento, volume 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. 

SEVERINO, Pedro da Silva. Escatologia, Doutrina das Ultimas coisas. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.

ALMEIDA. Dicionário Bíblico. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.