domingo, 19 de abril de 2020

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2020 - Capítulo 3 - Marcos - O Evangelho do Servo Sofredor




Comentarista: Anderson Ribeiro



Texto Bíblico Base Semanal: Marcos 3.6-12

6. E, tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele, procurando ver como o matariam.
7. E retirou-se Jesus com os seus discípulos para o mar, e seguia-o uma grande multidão da Galiléia e da Judéia,
8. E de Jerusalém, e da Iduméia, e de além do Jordão, e de perto de Tiro e de Sidom; uma grande multidão que, ouvindo quão grandes coisas fazia, vinha ter com ele.
9. E ele disse aos seus discípulos que lhe tivessem sempre pronto um barquinho junto dele, por causa da multidão, para que o não oprimisse,
10. Porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham algum mal se arrojavam sobre ele, para lhe tocarem.
11. E os espíritos imundos vendo-o, prostravam-se diante dele, e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus.
12. E ele os ameaçava muito, para que não o manifestassem.

Momento Interação

O livro de Marcos é um dos quatro relatos da vida de Cristo que encontramos no começo do Novo Testamento. Este livro fala sobre a pessoa mais significante na história do mundo, o Filho de Deus. Marcos é o mais curto dos evangelhos e, geralmente, o mais fácil para entender. É um livro de ação, que mostra como Deus age na forma do homem. Aprendemos muito aqui, não somente das palavras de Jesus, mas também do exemplo da sua vida. O relato de Marcos não é apenas uma coleção de histórias, mas uma narrativa escrita para revelar que Jesus era o Messias, não só para os judeus, mas para os gentios também. Em uma profissão dinâmica, os discípulos, liderados por Pedro, assumiram a sua fé nEle (Mc 8.29,30), embora não tenham compreendido plenamente Sua messianidade até depois da Sua ressurreição.  

Este evangelho é único porque ele enfatiza as ações de Jesus mais do que Seus ensinamentos. É escrito de forma simples, movendo-se rapidamente de um episódio da vida de Cristo para outro. Ele não começa com uma genealogia como em Mateus porque os gentios não estariam interessados em Sua linhagem. Após a apresentação de Jesus no Seu batismo, Jesus começou Seu ministério público na Galileia e chamou os primeiros quatro de Seus doze discípulos. O que se segue é o registro da morte, vida e ressurreição de Jesus.

Introdução

O livro de Marcos relata o ministério, a morte e a Ressurreição de Jesus Cristo em um relato rápido que muitas vezes centraliza-se nos feitos poderosos do Salvador. O primeiro deles é a Expiação, que Marcos enfatiza como a missão central de Jesus como o Messias há muito prometido. Ao estudar o relato de Marcos e o testemunho de como o Salvador cumpriu Sua missão expiatória, você pode tornar-se mais convertido ao evangelho e encontrar ânimo para seguir o Salvador.

I. Marcos - Um Evangelho Singular

Enquanto Mateus foi escrito para um público Judeu Marcos parece ter voltado sua atenção para os romanos, particularmente os gentios. Isto parece evidente quando vemos alguns detalhes em sua forma de escrever. Marcos, ao empregar algum tema em aramaico, tem o cuidado de traduzir para seus leitores (Mc 3.17; 5.41; 7.11,34; 10.46; 14.36; 15.22,34). Por outro lado, em alguns lugares ele usa expressões latinas, em vez de seus equivalentes gregos (5.9; 6.27; 12.15,42; 15.16,39). Ele também conta o tempo de acordo com o sistema romano (6.48; 13:35) e explica cuidadosamente os costumes judaicos (7.3,4; 14.12; 15.42). Ele também omite elementos judaicos, como as genealogias encontradas em Mateus e Lucas. 

Esse Evangelho também faz menos referência ao Antigo Testamento, além de incluir menos matéria que seria de particular interesse para os leitores judaicos, como aqueles que criticam os fariseus e os saduceus (estes últimos são mencionados apenas uma vez em Marcos 12.8). Quando menciona Simão de Sirene (Mc 15.21), Marcos o identifica como o Pai de Rufo, um destacado membro da igreja de Roma (Rm 16.13). Tudo isto apoia um comum entendimento por todos estes séculos que o Evangelho de Marcos foi escrito inicialmente para um público gentio em Roma. Em 64 d.C., Nero acusou a comunidade cristã de colocar fogo na cidade de Roma. Por esse motivo instigou uma temerosa perseguição na qual Paulo e Pedro morreram. Em meio a uma igreja perseguida, vivendo constantemente sob ameaça de morte, o evangelista Marcos escreveu suas “boas novas”. Está claro que ele quer que seus leitores tomem a vida e exemplo de Jesus como modelo de coragem e força.

II. Data e Autoria do Evangelho de Marcos

Marcos (também chamado de João Marcos) é o autor desse livro. Embora Marcos não tenha estado entre os discípulos originais de Jesus Cristo, ele converteu-se mais tarde e tornou-se um assistente do Apóstolo Pedro, e ele pode ter escrito seu evangelho com base no que ele aprendeu com Pedro. Marcos e sua mãe, Maria, moravam em Jerusalém; a casa deles era um lugar onde os primeiros cristãos se reuniam (At 12.12). Marcos saiu de Jerusalém para ajudar Barnabé e Saulo (Paulo) na primeira viagem missionária (At 12.25; 13.4–6, 42–48). Paulo escreveu mais tarde que Marcos estava com ele em Roma (ver Colossenses 4:10; Filemom 1.24; refere-se a ele como Marcos nesses versículos) e o elogia como um companheiro que “é muito útil para o ministério” (2 Tm 4.11). Pedro refere-se a ele como “meu filho Marcos” (1 Pe 5.13), mostrando a proximidade do relacionamento deles. Não sabemos exatamente quando o evangelho de Marcos foi escrito. Marcos provavelmente escreveu o evangelho em Roma entre 64 d.C. e 70 d.C., talvez pouco depois do martírio do Apóstolo Pedro cerca de 60 d.C. 

III. Marcos - Um Homem Objetivo na Escrita

O nome desse Evangelho vem de uma pessoa muito próxima ao apóstolo Pedro e um personagem importante também no livro de Atos onde Marcos é citado como “João, cognominado Marcos” (At 12.12,25; 15.37,39). Depois de ter sido liberto da prisão (At 12.12), Pedro foi à casa da mãe de João Marcos em Jerusalém. João Marcos era primo de Barnabé (Cl 4.10) e juntamente com ele seguiu na primeira viagem missionária de Paulo (At 12.25; 13.5). Contudo Marcos os abandonou no caminho para Perge, voltando para Jerusalém (At 13.13). Quando Barnabé desejou que João Marcos participasse da segunda viagem missionária, Paulo recusou. O Atrito resultante entre Paulo e Barnabé fez com que os dois se separassem (At 15.38-40).

A vacilação anterior de João Marcos evidentemente deu lugar a uma grande força e maturidade e com o passar do tempo ele mostrou o seu valor até mesmo para o apóstolo Paulo. Quando escreveu a carta aos colossenses, Paulo os instruiu que, se João Marcos fosse até eles, deveria ser bem recebido (Cl 4.10). Ele até citou Marcos como um companheiro de ministério (Fm 24). Mais tarde Paulo escreveu a Timóteo: “toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério” (2 Tm 4.11). A restauração de João Marcos a um ministério útil nas mãos do Senhor pode ter acontecido, em parte, por causa da mediação de Pedro. O relacionamento próximo de Pedro com Marcos fica evidente a partir da referência que faz a ele chamando-o de “meu filho Marcos” (1 Pe 5.13). Como se sabe Pedro, em sua juventude, também era muito instável emocionalmente e sua influência sobre um homem mais jovem foi fundamental para ajudá-lo a sair da instabilidade da sua juventude e alcançar a maturidade. Maturidade da qual ele precisaria para a obra que Deus o havia chamado.

Este Evangelho sem dúvida foi baseado na narrativa dos fatos do Apóstolo Pedro a João Marcos. Este se tornou o seu “porta-voz” escrevendo com precisão tudo que ouviu do apóstolo Pedro. Entretanto não foi na ordem exata que ele relatou os feitos do Senhor, pois ele não esteve tão perto do Senhor como Pedro. Um historiador disse que o Evangelho de Marcos são “as memórias de Pedro” e sugere que Marcos escreveu esse evangelho quando esteve na Itália. Este fato esta de acordo com os pais da igreja primitiva que também consideravam que este evangelho tenha sido escrito em Roma para benefício dos Cristãos romanos.

IV. O Evangelho do Servo Sofredor

O evangelho de Marcos contém detalhes — tais como citações aramaicas, expressões em latim e explicações de costumes judaicos — que parecem destinar-se a um público composto principalmente por romanos e pessoas de outras nações gentias, bem como aqueles que se haviam convertido ao cristianismo, provavelmente em Roma e em todo o Império Romano. Muitos acreditam que Marcos tenha estado com Pedro durante um período marcado por duras provas de fé para muitos membros da Igreja em todo o Império Romano. Um terço do evangelho de Marcos conta os ensinamentos e as experiências do Salvador durante Sua última semana de vida. Marcos prestou testemunho de que o sofrimento do filho de Deus finalmente triunfou sobre o mal, o pecado e a morte. Esse testemunho demonstrou que os seguidores do Salvador não precisam temer; quando eles enfrentaram perseguição, desafios ou até a morte, estavam seguindo o Mestre. Eles podiam suportar com confiança, sabendo que o Senhor os ajudaria e que todas as Suas promessas seriam cumpridas.

O evangelho de Marcos começa de repente e de forma dramática e mantém um ritmo acelerado, narrando os acontecimentos em uma sequência rápida. Marcos usa com frequência a palavra logo, dando um efeito de ritmo rápido e ação. Embora 90% do material em Marcos também se encontre em Mateus e Lucas, o relato de Marcos inclui com frequência detalhes adicionais que nos ajudam a apreciar mais plenamente a compaixão do Salvador e a reação do povo que o cercava (compare Marcos 9.14–27 com Mateus 17.14–18). Por exemplo, Marcos relatou a recepção entusiástica que o Salvador recebeu na Galileia e em outros lugares no início do Seu ministério (Mc 1.32,33, 45; 2.2; 3.7–9; 4.1). Marcos também narrou meticulosamente a reação negativa dos escribas e fariseus, cuja oposição progredia rapidamente dos pensamentos céticos (Mc 2.6,7) à planos para destruir Jesus (Mc 3.6). Entre os temas importantes em Marcos estão as perguntas de quem era Jesus e quem entendia Sua identidade, bem como o papel do discípulo como alguém que deve “tomar a sua cruz e seguir a [Jesus]” (Mc 8.34). Além disso, o evangelho de Marcos é o único que relata a parábola da semente que cresce sozinha (Mc 4.26,27), a cura de um surdo na região de Decápolis (Mc 7.31–37), e a cura gradual de um cego em Betsaida (Mc 8.22–26).

Conclusão

Marcos apresenta Jesus como o servo sofredor de Deus (Mc 10.45). Seu foco está mais nos feitos de Jesus do que nos seus ensinos, enfatizando particularmente o serviço e o sacrifício. Marcos omite os longos sermões encontrados nos outros evangelhos, geralmente relatando apenas breves trechos que apresentam a essência do ensino de Jesus. Marcos também omite qualquer relato a respeito dos ancestrais e do nascimento de Jesus, começando já no início do ministério público de Jesus, quando ele foi batizado por João Batista no deserto. Marcos demonstra a humanidade de Cristo mais claramente do que qualquer outro evangelista, enfatizado as suas emoções (Mc 1.41; 3.5; 6.34; 8.12; 9.36), suas limitações enquanto homem (Mc 4.38; 11.12; 13.32) e outros pequenos detalhes a respeito de Jesus que destacam o lado humano de Jesus do Filho de Deus (7.33,34; 8.12; 9.36; 10.13-16).

Ele mostra Jesus como o servo, em simplicidade, mas cheio de força e a vitalidade de um touro. A força que não se resume nas muitas falácias, mas no poder da ressurreição e da grandiosidade dos vida prática e real do Cristo. É um evangelho curto, mas que transforma a sua vida e existência. Um evangelho que irá colocar em cheque aquilo que existe dentro do seu coração e te fará meditar sobre o seu caminho. Apesar de pequeno e muitíssimo simples, este é o evangelho que toca em nossa ferida de forma profunda e viva e que objetiva a transformação da vida do homem através do poder do Cristo ressurreto.



Sugestão de Leitura da Semana: CAMPOS, Ygor. Panorama Bíblico Volume 5 - Evangelhos e Atos. São Paulo: Evangelho Avivado, 2017.





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